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Águas de Março estão aí

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o Março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos e a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção

 

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

 

Val CarvalhoCada dia nos deparamos com um oceano de péssimas notícias para o país e o povo brasileiro. Por isso é bom sabermos que 84% dos brasileiros acham que o país “segue rumo errado”, como apurou recente pesquisa. Claro que nesse universo cabem todas as correntes ideológicas, do PT aos neofascistas de Bolsonaro. Mas importa é que o governo golpista não consegue base social, só mesmo apoio da oligarquia financeira e midiática.

Lula, ao lado das mulheres do MST, faz uma 'selfie' na abertura da manifestação
Lula, maior líder popular do país, tem sido o alvo da ultradireita

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos. E a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção, mas agora do governo Temer. Diante da evidente inviabilidade política de Temer, os protagonistas do golpe já se movimentam para substituí-lo. Por meio de um golpe dentro do golpe.

É o que ocorre com todos os golpes. E o golpe parlamentar-judicial-midiático contra Dilma também se afunda numa maior radicalização, em crescente ilegitimidade e mais violência contra as liberdades democráticas.

Março de luta

Alguns pensam na presidente do Supremo, Carmem Lúcia. Outros, na volta dos militares. Mas todas essas “alternativas” golpistas seriam para manter a mesma orientação ultraliberal, de arrocho dos trabalhadores e de entrega total do país ao capital estrangeiro.

O fato objetivo é que o golpe está se mostrando insustentável e a única saída já aceita até por setores da direita, como a Folha de S.Paulo, é a “volta da política”, o seja, eleições diretas. Mas caberá à força e unidade do movimento democrático e popular garantir que as eleições diretas não tenham veto a Lula, que sejam realmente livres e democráticas, caso contrário o impasse político vai continuar.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.