Paulo Coelho apressa lobby para vaga de Jorge Amado na ABL

O nome do escritor Paulo Coelho, autor de “O Alquimista” e “Diário de Um Mago”, é um dos cotados para substituir o romancista Jorge Amado na Academia Brasileira de Letras, ainda que sua obra seja considerada comercial pela maioria dos críticos. Embora tenha dito que somente concorreria a um posto na ABL dentro de quatro ou cinco anos, vários amigos do escritor, entre eles o jornalista Roberto Marinho, trabalham em prol de sua candidatura.

Nomes como o do ex-bispo do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales, o do historiador Evaldo Cabral de Mello e o do escritor baiano Antonio Torres, também foram citados por diversos intelectuais depois da morte de Amado.

Todos os interessados em ocupar a cadeira número 23 da Academia, que tem como patrono José de Alencar e era ocupada até esta semana por Jorge Amado, devem apresentar a candidatura nos próximos 60 dias. O sucessor do romancista, que morreu na última segunda-feira, será eleito em dezembro.

Apesar dos boatos sobre o suposto interesse de Coelho em ocupar este lugar de honra na ABL, outros escritores lembram que ele, que não se manifestou a respeito esta semana, anunciou em diversas ocasiões que só será candidato a uma cadeira da ABL dentro de quatro ou cinco anos.

Jorge Amado morreu na última segunda-feira, em Salvador, na Bahia, quatro dias antes de completar 89 anos. O escritor sofreu uma parada cardíaca. Milhares de pessoas compareceram ao seu velório, realizado ontem.

O corpo do escritor foi cremado nesta quarta-feira e suas cinzas serão depositadas no jardim de sua casa, em Salvador, de acordo com seu último desejo.

Jorge Amado será cremado e cinzas lançadas ao pé de uma mangueira em Rio Vermelho

Apenas familiares e amigos da família do escritor Jorge Amado participaram da cerimônia de cremação, no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador (BA), nesta quarta-feira.

Suas cinzas poderão ser entregues à família na sexta-feira, dia 10, quando o escritor completaria 89 anos. De acordo com a vontade de Jorge Amado, as cinzas serão jogadas ao pé da mangueira que ele plantou no quintal da sua casa, no bairro do Rio Vermelho.

O corpo do escritor deixou o Palácio da Aclamação, onde ocorreu o velório, pouco depois das 16h. Desde que o velório foi aberto para visitação pública, às 8h30 de hoje, mais de 5.000 pessoas passaram pelo local para se despedir do maior escritor contemporâneo brasileiro, que morreu ontem, às 19h30, no Hospital Aliança, de insuficiência cardíaca.

A maioria das pessoas que passou pelo velório era formada por populares. Várias coroas de flores de prefeituras de todo o Estado foram enviadas ao velório. Turistas nacionais e estrangeiros também comparecem ao velório de Jorge Amado.

Algumas escolas estaduais, filhos de Gandhi, artistas plásticos e integrantes de blocos carnavalescos da Bahia também passaram pelo local para se despedir do escritor.

Bahia está pronta para receber convidados ao enterro de Jorge Amado

O governador Cesar Borges (PFL-BA) afirmou hoje que o governo da Bahia está preparado para receber “todas as autoridades, inclusive o presidente da República, que queiram participar da despedida” do escritor Jorge Amado, cujo corpo está sendo velado no Palácio da Aclamação, em Salvador. “Ainda não recebemos nenhuma notícia oficial de Brasília, mas estamos prontos para o que for necessário”, disse o governador.

Borges deixou o palácio pouco depois da meia-noite. “Esse grande baiano vai ficar na memória através de seus personagens”, disse o governador. “Tudo o que fizemos ainda é muito pouco para homenagear o maior escritor do Brasil.”

AS DESPEDIDAS

O escritor best seller brasileiro Paulo Coelho e o prêmio Nobel português José Saramago lamentaram, em entrevista por telefone, a morte de Jorge Amado. Coelho, que conheceu Amado após ter entrado para lista dos mais vendidos na França, relembrou a carta que recebeu do escritor baiano dias após o feito. “ele que era o único que poderia ter inveja mandou-me uma carta dando os parabéns”, afirmou. Saramago, por sua vez, ressaltou a generosidade de seu companheiro de profissão. Disse não se surpreender caso o governo brasileiro decrete luto nacional, “um luto que eu penso que deveria ser estendido a todos os países de língua portuguesa”. Leia abaixo os depoimentos na íntegra:

Paulo Coelho – “Foi o escritor que mais e melhor representou o Brasil no mundo inteiro. Um orgulho para todos nós, consequentemente, é um homem que não tem a menor condição de morrer porque vai continuar vivo no coração de muita gente, no mundo inteiro, que vai continuar lendo os livros dele e vendo através deles o Brasil que ele tanto amou e retratou. O Brasil não poderia ter sido traduzido por olhos melhores do que os de Jorge Amado. Eu o conheci. Antes disso, quando meu nome entrou na lista dos mais vendidos da França, ele que era o único que poderia ter inveja, três dias depois mandou-me uma carta dando-me os parabéns. Jorge Amado é um verdadeiro imortal.”

José Saramago – “O que dizer sobre a morte de Jorge Amado? Morre um grande escritor brasileiro, um grande escritor de língua portuguesa, e também um grande escritor universal. Ninguém tem dúvida do significado desta perda para vocês brasileiros, que se estende para nós portugueses e para todos os países da comunidade que fala o português. Uma perda que será sentida em toda parte, pois como é do conhecimento geral, a obra de Jorge Amado foi publicada em inúmeros países do mundo, e se já não o temos entre nós, vamos continuar a tê-la. É natural que o Brasil chore sua perda. Não me surpreenderia se o governo brasileiro determinasse luto nacional, um luto que eu penso que deveria ser estendido a todos os países de língua portuguesa. A morte de Jorge Amado é a morte de um grande escritor e de um grande homem. Uma pessoa de uma grande generosidade, com um cuidado para o trabalho, que assim conheci. Para nós, as pessoas que vivem nesta casa, eu e minha esposa, sentimos ser um grande desgosto a sua morte.”

Praia da Farofa é sinônimo de diversão popular

Raul Karajás vê, do quintal de sua casa, a movimentação dos barcos no porto da cidade. A maioria das viagens não dura três minutos, pois é a simples travessia do Araguaia até a margem oposta, na Praia da Farofa, onde um formigueiro humano começa a se formar, sob o sol escaldante de um inverno que existe somente no nome e na seca do rio.
Cada barraca montada ao lado dos ranchos – que vendem desde comida até utensílios úteis aos visitantes – deveria pagar R$ 50, por toda a temporada, que dura todo o inverno, para a Associação dos Índios Karajás, uma instituição criada e gerida pela Funai para angariar recursos a serem empregados “na melhoria da qualidade de vida da tribo”, acredita Raul. Mas a realidade não é bem essa. Os comerciantes – praticamente todos do lugar – reclamaram muito por ter que pagar esta quantia e, para recuperar o capital investido, cobram a diária de R$ 10 reais por cada grupo de turistas que se aventura naquelas areias.
– A gente paga R$ 15 por dia, mas tenho direito a usar o quarto – diz Solange Pereira, enquanto dobra algumas roupas deixadas ao sol para secar. O quarto a que ela se refere, no entanto, é uma construção de bambu e piaçava, atrás do “Restaurante da Mariazinha”, a feliz proprietária de oito cômodos feitos especialmente para abrigar os visitantes.
Ora, se cada grupo de turistas paga R$ 15 por acomodação, só aquela comerciante já faturou mais do que o suficiente para pagar a “quantia simbólica de R$ 50”, como classifica o agente ambiental Anísio de Sousa Neto, destacado para fazer a cobrança da diária. E este foi o primeiro ano que a medida entra em vigor. Até então, as terras dos índios eram ocupadas, nesta época do ano, sem que sequer se pedisse licença.
Nem isso faz Raul Karajás perder o sorriso franco e bonachão, que ressalta no rosto com a pintura em tinta feita de genipapo e urucum. O ex-chefe da tribo ainda acredita que os homens brancos serão justos e parcimoniosos no uso das terras “alugadas”. Ele passa as tardes em uma casa que serve de loja para a venda de lembranças e outros artefatos produzidos na tribo e de uma espécie de museu indígena.

No próximo texto: A miscigenação está extingüindo a cultura Karajás

Acampamentos de luxo garantem natureza com todo o conforto para a família

(Continuação)
Os índios estão perdendo sua identidade ou, como prefere pensar um dos moradores de Aruanã, “adaptando-se à vida como ela se apresenta”, com o que também concorda o cacique Karajás. O desmonte daquela cultura somente não deverá atingir a totalidade porque ainda sobrevivem alguns remanescentes originais que, nas contas de Raul, são cada dia mais raros. Professores da USP e missionários religiosos também se ocupam de estudar e registrar cada passo desta civilização, que remonta a pré-história, inexoravelmente rumo ao fim.

Os filhos dos índios, hoje em dia, segundo o líder da tribo, casam-se com homens e mulheres de fora daquele círculo étnico e seguem suas vidas, na maioria das vezes fora da cidade e até mesmo do Estado de Goiás. Quem fica, como é o caso de uma de suas filhas, Ana Paula, ou Tarimaru, como os pais a preferem chamar, casa-se e vive nos arredores, como famílias simples, de lavradores ou prestadores de serviços na cidade.

Há, no entanto, aqueles brancos que, casados com filhas da tribo Karajás, preferem fazer o caminho inverso da colonização portuguesa e se integrar ao estilo de vida dos primeiros sul-americanos: Ou como prefere a cantora Rita Lee, “vida de índio”, sem o estresse importado da Europa, há 500 anos.

– Se fizer as contas direitinho acho que tem mais branco vivendo como índio do que índio mesmo. O pessoal casa e alguns vão ficando por aí, fazem artesanato e vendem para os turistas que chegam durante a temporada – calcula o cacique.

A simplicidade com que Raul antevê o futuro de sua origem demonstra, a certa altura, a paz que repousa no fim da tarde e no pôr-do-sol sobre Mato Grosso, visto da margem goiana. Sem qualquer outra ambição, a não ser o novo dia que vem, seguinte a noite que cai, ele se cala por um instante, depois olha e diz:

– A gente aqui vive tranqüilo.

ACAMPAMENTOS DE LUXO

Os dias passam calorentos, a partir do meio-dia, após a manhã agradável, em meio à agitação característica de uma festa ao ar livre, durante períodos de mais de 20 horas. Parece cidade grande. E é, durante a temporada que segue de julho a setembro. As luzes dos acampamentos, no início da noite, conferem ao rio o brilho de uma grande avenida, enquanto os estampidos dos fogos de artifício completam o ritmo da festa que começa.
(Leia Mais Amanhã)

Escolas da Paraíba deixam de receber R$ 2,1 mi

Setenta e sete municípios paraibanos deixaram de receber R$ 2,1 milhões este ano, porque ainda não fizeram o cadastramento no Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Outras escolas da rede municipal de cerca de 60 cidades do Estado receberam os recursos federais nos anos de 1999 e 2000, mas não prestaram contas e podem ser excluídos do programa, que é executado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O subgerente do PDDE, Adalberto Domingues, revelou que os técnicos do FNDE, no momento, estão analisando as prestações de contas já enviadas e, tão logo concluam esse trabalho, vão cobrar das escolas os balancetes em atraso. “Quem não se regularizar, poderá sofrer penalidades civis e criminais”, afirmou, sem entrar em mais detalhes sobre essas possíveis punições.

As 77 prefeituras que ainda não fizeram o cadastramento no PDDE, a exemplo de Campina Grande e Guarabira, têm 1.414 escolas e 140.173 alunos do ensino fundamental, de acordo com dados levantados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), através do Censo Escolar. Campina Grande é o município que vai perder mais recursos: R$ 434.700,00. Em seguida vem Guarabira (R$ 76.800,00) e Araçagi (R$ 63.600,00). A cidade paraibana que receberia menos recursos é Parari (R$ 600,00), que tem uma escola, com 43 alunos.

Segundo Alberto Domingues, para que os municípios façam o cadastramento, é preciso que eles remetam ao MEC os dados pessoais (identidade, CPF) do prefeito e do presidente do conselho escolar, que vai aplicar os recursos federais; e o registro da Prefeitura e escola junto à Receita Federal.

Conselho administra recursos
O dinheiro que vai direto para a escola deve ser utilizados para: a aquisição de material permanente; manutenção, conservação e pequenos reparos da unidade escolar; aquisição de material de consumo necessário ao funcionamento da escola; capacitação e aperfeiçoamento de profissionais da educação; avaliação de aprendizagem; implementação de projeto pedagógico; e desenvolvimento de atividades educacionais.

Os recursos do PDDE são destinados a escolas estaduais e municipais, do ensino fundamental, que tenham mais de 20 alunos matriculados. O dinheiro é enviado diretamente para a escola e deve ser administrado por um conselho escolar, que é formado por representantes da direção da escola, professores, alunos e pais de alunos.

Os conselhos escolares, também chamados de unidades executoras, devem encaminhar a prestação de contas, dos recursos que lhes foram transferidos diretamente, às prefeituras municipais ou secretarias de Educação dos Estados e do Distrito Federal. Já as prefeituras e Secretarias Estaduais de Educação devem: analisar as prestações de contas recebidas das unidades executoras de suas escolas; prestar contas, ao FNDE, dos recursos recebidos para atendimento às escolas que não possuam conselho escolar próprio; consolidar e emitir parecer conclusivo sobre as prestações de contas recebidas das unidades de suas escolas, para o FNDE, até o dia 28 de fevereiro do ano subseqüente ao repasse.