Após o carnaval, a ‘batalha final’ da Operação Lava Jato

Conteúdos de novas delações da Odebrecht serão conhecidos e devem abalar governo Temer e Congresso. Políticos criam blindagens e tentam se proteger, mas especialistas não veem espaço para conluio entre os três poderes

Por Redação, com DW – de Brasília:

Há expectativa de parlamentares e do governo federal de que as delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht, conduzidas pela Lava Jato e homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), comecem a vazar ou a ter desdobramentos logo após o Carnaval.

Blocos carnavalescos aproveitaram a folia para protestar contra o governo Temer, no Rio e em outras capitais
Blocos carnavalescos aproveitaram a folia para protestar contra o governo Temer, no Rio e em outras capitais

As delações podem aumentar a instabilidade política no Brasil. Especula-se que um número significativo de políticos (além dos já citados). Poderá ser alvo de denúncias de corrupção e pagamentos de propinas de empresas contratadas pelo poder público.

Isso leva à pergunta: se figuras proeminentes da República, como o próprio presidente de facto Michel Temer, forem atingidas pelas investigações. A pressão política e eventuais conluios entre os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – poderão minar o prosseguimento da Lava Jato?

– O receio faz sentido, mas a maneira como a nossa separação de poderes está desenhada na Constituição e a forma como é exercida afasta. De maneira muito clara, essa hipótese de conluio. Não porque os atores políticos não queiram. Mas porque é inviável – afirma o cientista político Rogério Arantes, da Universidade de São Paulo (USP).

O governo Temer, na visão de Arantes, se preparou para a “batalha final da Lava Jato”. Iniciou 2017 dando várias demonstrações de força política. Conseguiu, por exemplo, colocar aliados nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado.

Além disso, tem controle sobre as comissões mais importantes do Congresso e formou uma coalizão política ampla. O que reduziu a voz da oposição. Fez ainda uma indicação política para o Supremo. Contrariando as expectativas de indicação técnica. Colocou no comando do Ministério da Justiça um deputado do PMDB.

– Mas isso não é suficiente, com os marcos institucionais brasileiros, para arrefecer o ímpeto das operações de combate à corrupção – aponta Arantes. “O que está em curso no Brasil é que o grupo político no poder, liderado pelo PMDB. Em particular, resolveu jogar o jogo da Lava Jato para valer para enfrentar um cenário pós-carnaval em que delações da Odebrecht. Provavelmente virão a público e colocarão em dificuldade as principais figuras do governo.”

As competências dos órgãos e instituições estão claramente definidas na Constituição, acrescenta o professor. O que garante autonomia e independência de atuação dos mesmos. “É praticamente impossível um conluio de vontades encerrar, de maneira rápida e definitiva, os processos de investigação em curso na Lava Jato e as ações de combate à corrupção.”

Segundo Maria Hermínia Tavares de Almeida, cientista política e pesquisadora do Cebrap. A situação brasileira de fato é delicada. “Mas até agora o Judiciário não fez nada que exorbitasse das suas funções constitucionais. Neste sentido, por enquanto, não é possível dizer que o sistema de freios e contrapesos está comprometido.” 

Política no Supremo

Por mais que relações de proximidade entre Executivo e Legislativo ou Executivo e Judiciário sugiram flagrantes tentativas de controle. “Os mecanismos institucionais asseguram a independência entre os poderes”. Afirma o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas.

Um exemplo disso seria a indicação de Alexandre de Moraes para ministro do Supremo Tribunal Federal, feita por Temer. A enorme proximidade entre ambos pode sugerir uma tentativa de blindagem nas investigações. Mas o fato de o ministro do STF ter cargo vitalício é um mecanismo que assegura a independência.

– Moraes até pode ter relação [política], alguma preferência, mas nada lhe obriga a ser devedor porque não há muito mais que ele possa ganhar ou perder em função do que o outro lado fizer – observa Couto.

– O que pesa é menos a intenção de quem faz a indicação política e mais a força e o grau de institucionalização do Supremo – explica Maria Hermínia. Havia, segundo ela, a expectativa de que o ministro Dias Toffoli. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuasse para favorecer o governo do petista, mas isso não ocorreu.

– Estando lá, nomeado de forma vitalícia, talvez pese menos quem nomeou do que  a força da instituição. O cálculo de cada juiz sobre o que é melhor para sua imagem e sua carreira.” Sendo assim, impossível prever se Moraes terá ou não posturas “sistematicamente governistas”.

Importância do controle social

Couto pontua que em qualquer democracia existem partidos políticos e que os mesmos, no poder, tentam levar vantagem disso. Esse tipo de ação partidária obviamente reduz o controle parlamentar sobre o Executivo. “E o que resolve isso? A crítica da opinião pública, a percepção da sociedade de que uma determinada postura deveria ter sido diferente da que foi adotada. É isso que pode efetivamente produzir algum controle”, analisa o professor.

Questionado se o controle social no Brasil ainda não está muito aquém do que existe em democracias consolidadas nos países desenvolvidos, o professor pondera que de fato “as instituições brasileiras estão muito longe da perfeição”. “As instituições não têm mecanismos plenos de freios e contrapesos, mas possuem alguma efetividade.”

É ao longo do tempo, com erros e deslizes, que as instituições e o país amadurecem, ressalta o professor da FGV. Ele pontua que algumas situações que o Brasil vive hoje eram absolutamente improváveis há uma década. “O país está passando por um amadurecimento, mas estamos longe da perfeição.”

Crise

Já Rogério Arantes enfatiza que o Brasil não vive um momento de normalidade e não crê que as instituições estejam funcionamento plenamente. “Por vezes os poderes agem de modo desregrado, inconsistente, não oferecem decisões para os problemas relevantes, se omitem em relação a alguns, tergiversam em relação a outros, e não posso dizer que as instituições estão funcionando, no jargão dos otimistas.”

Por outro lado, o professor rejeita a tese da teoria da conspiração de que Temer e sua maioria parlamentar seriam capazes de “corromper as instituições que estão à frente das investigações e do processo penal das figuras envolvidas nestes escândalos”.

Depoimento de Marcelo Odebercht entrega Temer e o cerne do PMDB

Marcelo Odebrecht

Parte dos R$ 10 milhões em propina destinados pela Odebrecht ao então vice-presidente Temer teria sido entregue ao amigo José Yunes

 

Por Redação – de Brasília e Curitiba

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu início nesta quarta-feira, após o feriado de Cinzas, aos depoimentos do herdeiro da Construtora Norberto Odebrecht, Marcelo, e aos demais delatores envolvidos no repasse de propina ao presidente de facto, Michel Temer. A chapa formada pela presidenta cassada Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), articulador do golpe de Estado, em curso.

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht que, nesta quarta-feira, presta novo depoimento, incrimina Michel Temer

Um processo no TSE apura se a dupla cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições presidenciais de 2014. A ação tem o poder de afastar Temer do Palácio do Planalto e tornar Dilma inelegível para qualquer cargo público, por uma década.

Na lista, o primeiro escolhido para falar foi Marcelo Odebrecht, na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba. Benedicto Barbosa da Silva, ex-presidente da construtora Odebrecht, e Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, prestarão depoimento na quinta-feira, no Rio de Janeiro. Na segunda-feira deporão, em Brasília, os ex-diretores de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho e Alexandrino Alencar.

O relator da ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), ministro Herman Benjamin, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, estará presente em todas as fases do processo. Herman visa enriquecer o seu relatório, em fase final, no qual pede a cassação da chapa vitoriosa em 2010 e 2014.

Caixa 2

A inclusão dos depoimentos, que atingem frontalmente o governo Temer, no entanto, tende a esticar o julgamento do caso. Depois que os delatores forem ouvidos e entregado o esquema corrupto na campanha do peemedebista, a defesa terá direito de convocar testemunhas para contrapor os relatos, o que consumirá alguns meses, dizem advogados próximos ao caso.

Marcelo Odebrecht, em outros depoimentos, revelou o repasse de cerca de R$ 30 milhões à chapa Dilma-Temer, em 2014. O dinheiro, segundo os delatores, foram usados para comprar apoio de integrantes do PMDB, PRB, PROS, PCdoB, PP e PDT. O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, é citado na delação de Alexandrino como um daqueles que negociou repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da empresa para o PRB. Pereira nega, como de resto negam também os demais acusados.

Inicialmente, o ministro Herman Benjamin havia solicitado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a autorização para ouvir três relatores – Marcelo Odebrecht, Cláudio Melo Filho e Alexandrino Alencar. O próprio Janot, no entanto, sugeriu que fossem ouvidos Benedicto Barbosa da Silva e Fernando Reis, afirmando que eles também relataram fatos relacionados à campanha de 2014.

Quanto aos novos depoimentos, a defesa de Dilma Rousseff afirmou que não tem “nada a temer”. O Palácio do Planalto disse que não se manifestaria sobre o assunto. A defesa de Michel Temer também não se manifestou sobre o caso.

Fora Temer!

Passada a folia, fica na memória popular que este foi o carnaval do ‘Fora Temer!’, na reentrada do governo Temer na atmosfera de confrontos e aplicação da Justiça. Os gritos de ‘Fora, Temer!’ ecoaram nas principais ruas e avenidas de Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

Na Terça-feira Gorda do carnaval, no bloco “Carmelitas”, em Santa Teresa, os foliões fizeram coro. Na segunda-feira, foram os foliões no Circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador, a soltar o brado.

Em Belo Horizonte, blocos inteiros gritaram o ‘Fora, Temer!’. Em São Paulo, o bloco Jegue Elétrico, que arrastava milhares de foliões pelas ruas da capital paulista, também disparou contra o inquilino do Palácio do Planalto.

No refrão

Logo no início do reinado de Momo, a banda BaianaSystem disparou o grito ‘Fora Temer!’, na última sexta-feira, durante a abertura do carnaval de Salvador. No meio da apresentação, o vocalista Russo Passapusso iniciou um discurso político dizendo “fascistas, golpistas, não passarão!”, em referência ao atual governo brasileiro. Em seguida, o cantor puxou a já tradicional palavra de ordem: ‘Fora Temer!’ em protesto contra o presidente de facto, e a multidão retribuiu as palavras de ordem, em coro uníssono.

A partir daí, o assunto se espalhou pelas redes sociais durante o fim de semana. A banda foi até ameaçada de expulsão do carnaval soteropolitano, em uma polêmica sobre os limites da liberdade de expressão durante o carnaval. Deu em nada. No carnaval do ano que vem, se Temer ainda estiver no poder, deverá ouvir de novo o refrão.

 

No sábado de carnaval, no bloco Céu na Terra, de Santa Teresa, também não perdoou: “Fora, Temer!”.  Alguns foliões foram fantasiados com máscaras de políticos, entre ela, a daquele que o país pede para sair.

 

Número de turistas triplica no carnaval de rua em SP

No carnaval de rua, as parciais mostram que 77,6% das pessoas disseram que a organização melhorou, ou melhorou muito

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

O crescimento do Carnaval superou as expectativas da São Paulo Turismo (SPTuris). O aumento no número de turistas no Sambódromo do Anhembi foi 167% (passando de 7 para 20% do público) e no carnaval de rua já marca 203% (indo de 3% para quase 10% dos foliões). A estimativa de aumento inicial girava em torno de 30%.

O levantamento foi feito pelo Observatório de Turismo e Eventos, núcleo de estudos e pesquisas da SPTuris. No Sambódromo foram entrevistadas mais de 1,1 mil pessoas nos dias 24 e 25 de fevereiro. Nas ruas da cidade, as entrevistas foram feitas com mais de 900 pessoas. Mas o levantamento segue até o dia 5 de março, quando termina os desfiles de blocos. Para ambas as pesquisas, o nível de confiança é 95% e a margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Os paulistanos também hospedaram mais parentes e amigos em suas casas para curtir o carnaval: o crescimento foi 890% entre os que estiveram no sambódromo e 388% entre os foliões dos blocos. Os turistas estrangeiros representaram cerca de 1% do público de outros países, o mesmo de 2016.

Dinheiro

E os turistas também deixaram mais dinheiro na cidade. Com permanência de três dias, o gasto médio em 2016 foi R$ 617. Em  2017 o turista gastou R$ 957 em três dias. O aumento foi 55,1% em relação ao carnaval do ano passado.

Em 2016, apenas 2% dos entrevistados que estavam no sambódromo disseram que iriam a outros eventos. Na pesquisa deste ano, 57% dos entrevistados falaram que curtiriam o carnaval além do sambódromo. Desses, 33% afirmaram que iriam para os blocos de rua.

No carnaval de rua, as parciais mostram que 77,6% das pessoas disseram que a organização melhorou, ou melhorou muito. No sambódromo, a organização foi considerada melhor em relação ao ano anterior por 76,2% dos entrevistados.

SP: chuvas ficam 29% abaixo da média em fevereiro

Além dessa quantidade abaixo da média, prevaleceram as precipitações irregulares com pancadas mais frequentes em algumas localidades e escassas em outras

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

Depois de um janeiro bem chuvoso, o mês de fevereiro na cidade de São Paulo foi marcado por uma sequência de dias com forte calor e tempo mais seco. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), órgão da prefeitura, este segundo mês do ano fechou com volume de 156,2 milímetros (mm), equivalente a 71% da média de chuva esperada (219,2 mm) para o mês.

Depois de um janeiro bem chuvoso, o mês de fevereiro na cidade de São Paulo foi marcado por uma sequência de dias com forte calor e tempo mais seco
Depois de um janeiro bem chuvoso, o mês de fevereiro na cidade de São Paulo foi marcado por uma sequência de dias com forte calor e tempo mais seco

Além dessa quantidade abaixo da média, prevaleceram as precipitações irregulares com pancadas mais frequentes em algumas localidades e escassas em outras. Os dias também foram quentes, com temperatura média de 34,6º C (graus Celsius). Recorde de 36,7ºC, no último dia 19, nos medidores do bairro da Freguesia do Ó, na Zona Norte da cidade. Essa mesma medida foi registrada no dia seguinte, nos bairros vizinhos de Pirituba e Jaraguá.

Ainda segundo o CGE, houve uma concentração maior de chuva em janeiro último. Totalizando 375,7 mm, bem acima da média esperada, que era de 256,5 mm.

Sistema Cantareira

Com a irregularidade das chuvas, a pluviometria do Sistema Cantareira, principal manancial que fornece água na Grande São Paulo, ficou abaixo da média. No entanto, o abastecimento não chegou a ser comprometido. Alimentado por seis represas ( Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras). Com captações iniciadas em fontes no Sul de Minas Gerais, o Cantareira encerrou fevereiro com volume de 94,2 mm, ante a média de 203,4 mm.

Apesar do nível mais baixo que no mês anterior. A situação do Sistema Cantareira está longe do drama da seca vivido nos anos de 2014 e 2015. Segundo os dados da medição diária da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que administra esse Sistema. O nível menor de captação em fevereiro foi compensado por uma grande quantidade de precipitações em janeiro, quando o Sistema atingiu 393,1 mm, bem acima da média esperada (262,6 mm).

O volume de água armazenado nesse Sistema atingiu 92% de sua capacidade no fechamento de fevereiro. O que é quase o dobro do registrado em igual período do ano passado (52,6%).

Nos demais sistemas. O Tietê é o que apresenta o menor nível de operação (52,7%). Mas com relativa melhora sobre o mesmo período de 2016 (32,7%). Na mesma base de comparação, o Guarapiranga teve uma pequena redução no índice. Mas ainda assim mantém-se em margem confortável. No Alto Cotia, a capacidade atingiu 100,5% ante 100%. O Sistema Rio Grande teve 90,9% ante 88,4%; e o Rio Claro, 96,3% ante 83,2%.

Chuvas de março

De acordo com as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O mês de março vai começar ainda com chuvas isoladas no Estado de São Paulo. Mas a partir da próxima sexta-feira, elas ocorrerão de forma mais generalizada e com maior intensidade.

Movimentação nas estradas de São Paulo está normal

Apesar da movimentação, o trânsito fluiu normalmente nas duas direções em todas as rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

 

O motorista que vem do litoral paulista encontrou tráfego intenso em direção à capital, do km 56 ao km 50, por causa do excesso de veículos. Apesar da movimentação, o trânsito fluiu normalmente nas duas direções em todas as rodovias do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). Os demais trechos e rodovias apresentaram boas condições de tráfego.

O motorista que vem do litoral paulista encontrou tráfego intenso em direção à capital, do km 56 ao km 50, por causa do excesso de veículos
O motorista que vem do litoral paulista encontrou tráfego intenso em direção à capital, do km 56 ao km 50, por causa do excesso de veículos

A Ecovias, que administra o SAI, informou que ônibus e caminhões com destino a São Paulo. Devem utilizar, obrigatoriamente, a Serra da Via Anchieta. Mais de 451 mil veículos desceram a serra em direção à Baixada Santista desde o dia 23 deste mês. Na última hora, desceram mais de 1,7 mil veículos e subiram mais de 4,7 mil.

Quem seguiu do interior para a capital encontrou tráfego normal pelas Rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Hélio Smidt e Tamoios. Quem foi para o interior também encontrou trânsito bom.

O tráfego também ficou normal pelo Sistema Anhanguera–Bandeirantes, que faz a ligação entre a capital paulista e o interior, passando pela região de Campinas e Ribeirão Preto.

A Rodovia Fernão Dias, ligação entre São Paulo e Belo Horizonte, apresentou fluxo de veículos normal nos dois sentidos. A Rodovia Presidente Dutra, ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro, também teve trânsito bom nesta manhã.

O retorno do carnaval deve ter tráfego intenso com possível lentidão nas rodovias principalmente nesta terça-feira à noite e durante a quarta-feira de cinzas.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), aproximadamente 2 milhões de veículos utilizaram a malha rodoviária em torno da cidade de São Paulo neste feriado.

Rodoviárias e aeroportos

O movimento também foi intenso nas rodoviárias. Nos três terminais da cidade, Tietê, Barra Funda e Jabaquara, devem circular nesses cerca de 700 mil passageiros, de acordo com a Socicam, empresa responsável pela administração dos locais.

Os agentes e técnicos da CET também monitoram o trânsito no entorno dos terminais rodoviários da capital, para garantirem maior fluidez do tráfego e acessibilidade aos passageiros e acompanhantes.

Nos aeroportos paulistas, a situação é normal. No Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital, dos 58 voos programados para esta manhã, apenas dois atrasaram. De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), estatal que administra o aeroporto. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, dos 191 voos programados desde a meia-noite, apenas dois atrasaram no momento.

Rodízio

A Operação Horário de Pico (Rodízio) para veículos leves está suspensa até quarta-feira. O rodízio de placas de veículos automotores pesados (caminhões) e a Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC) continuam a vigorar normalmente. O rodízio será retomado na cidade na próxima quinta-feira.

Negócios entre Yunes e Temer são alvos de investigação da Lava Jato

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

O quadro se agrava para Temer quando o corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus, decide processar Yunes por calúnia e difamação

 

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

A rápida aproximação das investigações relativas à Operação Lava Jato do centro de uma organização criminosa que lesa os cofres públicos, em duas décadas ou mais, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, tem causado danos irreparáveis ao governo em curso. Desde a deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT) e mesmo antes, ainda na campanha eleitoral de 2014, as ligações do presidente de facto, Michel Temer, ao empresário José Yunes levantam suspeitas no ambiente jurídico do país.

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos
Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

O quadro se agrava quando o corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus, decide processar Yunes por calúnia e difamação. Advogado de Funaro, o criminalista Bruno Espiñeira disse a jornalistas, nesta segunda-feira, que levará à Procuradoria Geral da República um pedido de acareação entre seu cliente, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o chefe licenciado da Casa Civil Eliseu Padilha e José Yunes.

‘Mula do Padilha’

Se conseguir que o juiz Sérgio Moro, titular do Tribunal Federal do Paraná, coloque frente a frente cada um dos atores na denúncia de corrupção, entre outras, a defesa de Funaro terá marcado um ponto em favor de seu cliente. Mas deixará estremecido o alicerce jurídico da República, caso o nome de Temer seja, novamente, citado em uma delação. Em depoimento voluntário feito à força-tarefa da Lava Jato, Yunes acusou Funaro de levar ao seu escritório de advocacia, em São Paulo, “documentos” a pedido de Padilha que seriam, na verdade, R$ 4 milhões.

Segundo Melo Filho, o dinheiro é uma parte dos R$ 11 milhões solicitados por Michel Temer a Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu para ajudar na campanha do PMDB em 2014.

— Fui mula do Padilha — afirmou Yunes. Após as acusações, Padilha se licenciou do cargo alegando motivo de saúde.

Novas evidências

Logo em seguida à delação de Melo Filho ao Ministério Público Federal (MPF), no qual cita Temer como autor do pedido de propina à Odebrecht, o consultor de Temer José Yunes entrou em pânico. Dono de um patrimônio milionário, o empresário procurou o MPF para uma delação expontânea.

Aos jornalistas, Yunes se disse surpreso ao ver-se no epicentro da Operação, de longe, a maior de todos os tempos no Judiciário brasileiro. Na semana passada, assustado, procurou Temer no Palácio do Planalto. Teria ouvido do presidente em curso algo parecido com “quem não deve, não teme” e pediu que se acalmasse. Teria acrescentado que pedirá explicações a Padilha, afastado por suposto motivo de saúde, e ganhou um tempo extra.

Nenhum deles contava, porém, que o grupo Anonymous divulgasse um lote de documentos sobre negócios de Yunes, Temer e outros sócios, aos quais o Correio do Brasil teve acesso.

Na manhã desta segunda-feira, em pleno carnaval, o jornalista Luís Nassif anunciou a publicação de uma série de matérias sobre as ligações existentes entre Temer e o esquema investigado pela Lava Jato. No primeiro artigo da série, Nassif mostra que a principal suspeita levantada – a associação de Yunes com grandes bilionários – seria, na verdade, uma sociedade formada para a construção de um condomínio de alto luxo, a ser construído na Bahia.

Leia, adiante, o texto de Luís Nassif:

Peça 1 – As diversas formas de lavagem de dinheiro

Por que interessa conhecer os negócios de José Yunes, o primeiro amigo?

Primeiro, porque, após a delação do executivo da Odebrecht, descobriu-se que ele participava dos esquemas de captação de recursos de Michel Temer.

Depois, porque um dos modus operandi de muitos políticos é o de receberem no exterior, através de depósitos em fundos de investimento com aparência de legalidade. Em vez de contas convencionais em países estrangeiros, fundos de investimento através dos quais entram no Brasil como investimento externo.

De certo modo, é o caso de José Serra, conforme esmiuçado por Amaury Ribeiro Jr no livro “A privataria tucana”.

O fundo de investimentos de sua filha Verônica acumulou um patrimônio significativo. Em pelo menos um caso, sabe-se que foi utilizado para troca de favores com empresas.

Foi o caso da Serasa Experian, que, no final do mandato de Serra como governador de São Paulo, ganhou de graça o Cadin estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais).

Serra e Machado

Assim que Serra deixou o governo, Verônica intermediou para a Serasa-Experian a venda de um site de e-mail marketing, a Virid. Na época, o mercado avaliava o preço em no máximo R$ 30 milhões. A Experian pagou R$ 104 milhões. Empresa de capital aberto na Bolsa de Londres, manteve o valor da transação em sigilo. Para todos os efeitos, foi um lucro legalizado do fundo de investimentos de Verônica.

Sérgio Machado tinha investimentos no exterior, através de um filho que era alto funcionário do Credit Suisse – e, ao que consta, foi sacrificado pela gula do pai e do irmão político.

Portanto, há uma probabilidade de que as empresas de Yunes possam ter servido para abrigar recursos políticos captados por Temer.

Não faltará paraíso fiscal no purgatório político em que se meteu Yunes, caso os Anjos Gabriel do Ministério Público Federal resolvam investigar a sério.

O dossiê disponibilizado pelo grupo Anonymous na Internet traz algumas pistas que precisam ser bem investigadas, das empresas dos Yunes.

Peça 2 – o Banco Pine

Aqui, aí se chega no elo desconhecido, o Banco Pine, ou Fist Pinebank, Inc, ou FPB.

O Banco Pine é o sucessor do BMC (Banco Mercantil de Crédito), da família Pinheiro, do Ceará, de três irmãos, Norberto, Nelson e Jaime Pinheiro, que chegaram a montar um banco médio, bem-sucedido. Assim como outros bancos cearenses, especializou-se em AROs (Antecipação de Receita Orçamentária) para prefeituras e em crédito consignado para funcionários públicos.

Depois, o banco foi vendido por R$ 800 milhões ao Bradesco e, de suas entranhas nasceu em 1997 o Banco Pine, brasileiro, o First Pinebank que, depois de uma passagem turbulenta pelos Estados Unidos, tornou-se um banco panamenho; e a BR Partners, uma associação de Ângela Pinheiro, filha do patriarca Jaime Pinheiro, com Ricardo Lacerda, ex-presidente da Goldman Sachs do Brasil.

Aqui, começa nosso pequeno quebra-cabeça:

Em 2005, o nome do Pine Bank já apareceu associado ao doleiro Toninho Barcelona, no escândalo do Banestado (https://goo.gl/wQh4dq)

Família Pinheiro

Em julho passado, a Lava Jato já tinha batido no Pine (https://goo.gl/opDxOv), através da Operação Caça-Fantasmas, da 32a fase. Identificou o FPB Banc Inc – àquela altura, um banco panamenho, mas de propriedade de Nelson Pinheiro, um dos três irmãos sócios do BMC –, o PKB da Suíça e o Carregosa, de Portugal, suspeitos de montarem representações clandestinas para clientes interessados em abrir contas em paraísos fiscais.

Outro nome que apareceu no FPB foi o de Eduardo Rosa Pinheiro, também a família Pinheiro.

A suspeita da Lava Jato é que esse esquema teria sido usado por doleiros e operadores de propina para esconder o dinheiro da corrupção da Petrobras e de outras empresas públicas, investigadas pelas operações Lava Jato, Custo Brasil, Saqueador e Recebedor.

Os bancos tinham ligação direta com a Mossak Fonseca. A Polícia Federal e o MPF pediram prisão preventiva dos funcionários do banco, mas o juiz Sérgio Moro permitiu apenas condução coercitiva. Alegou que as evidências levantadas pela Lava Jato apenas apontavam atuação clandestina no país.

Mossak Fonseca

Assim como na batida na Mossak Fonseca, quando se constatou que não havia pistas que levassem a Lula – mas a alguns bilionários influentes -, abafou-se a investigação e manteve-se em sigilo as descobertas.

Mas outros países atuaram. No dia 10 de fevereiro de 2017, menos de duas semanas atrás, a Superintendência Bancária do Panamá suspendeu a licença de corretagem do Pine Bank, a partir de informações levantadas pela Lava Jato (https://goo.gl/KYF0gc). No Panamá, era um banco pequeno, com US$ 134 milhões em depósitos e apenas US$ 13 milhões de capitalização declarada,

Constatou-se que o banco recorria apenas à Serasa para analisar sua carteira de clientes. Isso, em vez de colocar relatórios reais das empresas. Além disso, a FPB tinha montado 44 empresas através dos escritórios da Mossak Fonseca, provavelmente para desviar dinheiro de suborno.

Panamá Papers

Os jornais do Panamá apontavam o fato do site do banco não informar nada sobre seus proprietários e acionistas. Sabia-se apenas que o banco pertencia a uma família de empresas debaixo do guarda-chuva de Brickell Group.

O jornal Panama News anotava que o FBK tinha um presidente de nome Eduardo Pinheiro, um gerente geral chamado José Palucci e um convidado especial para a inauguração da sede, de nome Mailson da Nóbrega.

O jornal levantou o nome da consultoria Brickell Management Services Inc, de Miami, com apenas 6 funcionários. E constatou que Pine Bank foi acusado pelo FED de violar vários pontos da lei anti-lavagem de capitais, tendo encerrado as operações nos Estados Unidos.

Segundo o jornal, “propriedade anônima, gestão aparentemente ausente – um banco estranho para se fazer negócios, exceto se houver algum priopósito especial”.

Peça 3 – os negócios da família Yunes

Ao longo das últimas décadas, a família de José Yunes expandiu seus negócios por vários setores. Aparentemente, tem dois filhos bastantes empreendedores. Dentre eles, Marcos Mariz de Oliveira Yunes é o que fica à frente dos negócios.

A principal empresa do grupo é a Yuny.

Trata-se de uma grande incorporadora criada em 1996 (https://goo.gl/9iirmz). Em 2007 recebeu aporte de R$ 700 milhões do Golden Tree Insite Partners. Pode ser coincidência de nomes, mas há uma Golden Tree Insite Partners no Reino Unido (https://goo.gl/0WddPa) que em 2010 foi declarada insolvente.

Mais tarde, a VR tornou-se sócia da Yuny. Hoje em dia, do Conselho participam Abraham  Szajman e Ury Rabinowitz, este alto funcionário da Brasil Telecom nos tempos de Daniel Dantas – em princípio, significa apenas que é um executivo requisitado. Depois, montou uma joint-venture com a Econ Construtora, a Atua Construtora, para imóveis de baixa renda.

No grupo, há outras empresas menos transparentes.

Trump Hotel

Uma delas é a Stargate do Brasil Estética de Produtos e Serviços.

Criada em 30 de abril de 2007, é sociedade de José Yunes com Arlito Caires dos Santos. No Google, consegue-se chegar próximo com um Carlito Aires dos Santos – trocando o C do sobrenome para o nome, empresário mato-grossense de Peixoto de Azevedo, cuja empresa foi aberta em 20 de março de 2015 (https://goo.gl/lv7cpF).

Por sua vez, a Stargate é sócia da Golden Star, Serviços e Participações Ltda. Aparentemente, a intenção da sociedade foi a aquisição dos bens do panamenho Kamal Mohan Mukhi Mirpuri, por Gilberto Pereira de Brito. O endereço de Kamal remete às proximidades do Trump International Hotel em Colon, Panamá. Kamal é proprietário da Multitrade Export Ltda, do Panamá.

Não é o único elo panamenho na nossa história, como se viu no caso do PInebank.

Peça 4 – as ligações do Pine com os Yunes

Como já se viu, o Banco Pine foi apontado como um dos canais para o dinheiro da corrupção das empresas investigadas pela Lava Jato.

Em outros tempos, uma das maneiras de “esquentar” dinheiro frio, depositado fora do país, era através de uma operação cruzada. O investidor depositava seus dólares nas agências externas do banco; e elas serviam de garantias para empréstimos que eram concedidos, aqui, para empresas controladas por ele. Foi assim com o Banco Excel, de um membro da família Safra, que chegou adquirir a massa falida do Econômico. Mas quebrou quando a apreciação do real promoveu o descasamento das garantias externas com os financiamentos internos.

No dossiê do Anonymous são inúmeras as evidências de ligações comerciais do Pine com as empresas dos Yunes, particularmente com a incorporadora Yuny.

·      Em setembro de 2010, a Atua Construtora e Incorporadora convoca AGE para autorizar a contratação de financiamento de R$ 5 milhões junto ao Banco Pine

Peça 5 – os negócios de Temer com Yunes

Os caminhos de Michel Temer, da família Pinheiro, do Banco Pine e da incorporadora Yuny se cruzam em vários imóveis de Michel Temer. Dele e de sua holding, a Tabapuã.

Edifício Lugano

Temer tem duas unidades no edifício Lugano, na rua Pedroso Alvarenga 900. Uma construção luxuosa com conjuntos comerciais de 102 a 202 m2.

Spazio Faria Lima

Temer possui duas salas no edifício na rua Iguatemi  (https://goo.gl/4XecSC), com escritórios que vão de 350 a 700 m2. Na região, escritórios de 350 m2 custam de R$ 3,5 a R$ 7 milhões.

Trata-se de uma obra faustosa também da Yuny.

Em 23 de maio de 2011, transferiu para a Tabaupã, empresa que tem em sociedade com a filha Luciana.

Quem aluga o escritório é Andréa Pinheiros, da BR Partners. É uma das herdeiras do Banco Pine, filha de Jaime Pinheiro, o patriarca.

Conclusão do jogo

Tem-se, então, todas as peças do jogo:

1.     O melhor amigo do presidente, José Yunes,  participava dos processos de arrecadação de propinas das empresas investigadas pela Lava Jato.

2.      As empresas de Yunes tinham financiamento farto com o Banco Pine, da família Pinheiro, envolvido na Lava Jato. Fechado nos Estados Unidos por acusação de lavagem de dinheiro e, há duas semanas, fechado também no Panamá.

3.     Temer com grandes investimentos em projetos da Yuny, a incorporadora da família Yunes. Convidando o patriarca José Yunes para assessor especial.

“Dificilmente toda essa movimentação passaria despercebida pela Lava Jato. Ainda mais depois de invadir os escritórios da Mossak Fonseca e ter identificado o papel do Pine Bank”, conclui Nassif.

Futuro do golpe de Estado repousa na decisão de ministro do Supremo

Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles

Se Mendes decidir colocar em pauta a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, ele será cassado. O ministro Hermann Benjamin, relator do caso, já preparou seu voto

 

Por Redação – de Brasília

 

Dono dos piores índices de popularidade que um político brasileiro possa exibir, o presidente de facto, Michel Temer, está com seu futuro nas mãos da Justiça. Com oito ministros abatidos por escândalos de corrupção, hoje depende exclusivamente do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles
Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles

Se Mendes decidir colocar em pauta a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, ele será cassado.

O ministro Hermann Benjamin, relator do caso, já preparou seu voto. E “será duríssimo”, segundo informação vazada para a mídia conservadora..

Benjamin considera “um descalabro” a divisão da chapa Dilma-Temer – e lembra que não é essa a jurisprudência da corte.

Durante este carnaval, o grito de “Fora, Temer!” uniu os foliões, ao redor do país. Seja em Salvador, no Rio de Janeiro ou nos blocos de cidades como São Paulo e Belo Horizonte, o que não faltou foram protestos contra Temer.

Depois do Carnaval, Temer se tornará ainda mais frágil com a revelação das delações da Odebrecht.

Na fogueira

Na tentativa de escapar às barras dos tribunais, o presidente de facto acredita que o depoimento concedido, voluntariamente, pelo advogado José Yunes, seu melhor amigo, no âmbito da Operação Lava Jato coloca o chefe afastado da Casa Civil, Eliseu Padilha, na linha de fogo. Esta é a avaliação de quem acompanha o caso, segundo a mídia que apoia o golpe de Estado, em curso no Brasil.

De acordo com os fatos narrados por Yunes, o líder peemedebista teria apenas solicitado à Odebrecht as doações de campanha ao PMDB, em 2014. O que foi negociado depois disso, como a forma de entrega do dinheiro, se por dentro ou por fora, teria ficado sob a responsabilidade de Padilha.

Yunes contou ter recebido em seu escritório em São Paulo, a pedido de Padilha, “documentos” que depois soube ser dinheiro. “Envelopes” levados ao escritório por Lúcio Funaro teriam R$ 4 milhões, parte dos R$ 11 milhões solicitados por Temer. O montante foi depois retirado por um emissário de Padilha, segundo Yunes.

Sem-terra ocupam fazenda Mattei, no norte do Rio Grande do Sul

Sem-terra,fazenda Mattei,rio grande do sul

Os sem-terra dizem que a área tem aproximadamente 600 hectares. Mas o proprietário, Jair Mattei, teria declarado, em 2016, somente 185 hectares

 

Por Redação – de Porto Alegre

 

Cerca de 300 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) ocuparam, na manhã deste domingo, a Fazenda Mattei. A propriedade fica na comunidade Arvoredo, município de Pontão, no norte do Rio Grande do Sul. O objetivo dos sem-terra é denunciar a concentração e a suposta grilagem de terra no local, de acordo com os movimentos.

Os sem-terra gaúchos seguem acampados na Fazenda Mattei, no norte do Estado
Os sem-terra gaúchos seguem acampados na Fazenda Mattei, no norte do Estado

Os organizadores da ação dizem que a área tem aproximadamente 600 hectares. Mas o proprietário, Jair Mattei, teria declarado, para efeito fiscal em 2016, somente 185 hectares à Receita Pública Estadual da Secretaria da Fazenda.

Sem-terra acampados

— Mattei declara uma produção dez vezes maior do que suporta a propriedade escriturada. (Basta verificar) a realidade da produtividade da região — diz o agricultor Gerônimo Silva.

Os participantes da mobilização cobram dos responsáveis a investigação da produtividade da área. Querem, ainda, que seja apurada a suposta prática de grilagem de terra.

Agentes da corrupção na Petrobras, ligados ao PMDB, estão presos

Bruno e Jorge Luz estão presos e vão responder a processo criminal, no âmbito da Operação Lava Jato

Na quinta-feira, o PMDB publicou nota afirmando que os operadores financeiros “não têm relação com o partido e nunca foram autorizados” a falar em nome da sigla

Por Redação – de Brasília

 

Os dois operadores financeiros ligados ao PMDB, alvos da 38ª fase Operação Lava Jato, batizada de Blackout, em referência ao sobrenome dos investigados. Jorge Luz e Bruno Luz já se encontram em solo brasileiro. Residentes em Miami, EUA, ambos tiveram a prisão preventiva decretada. Senadores peemedebistas estariam envolvidos nas operações ilegais.

Bruno e Jorge Luz estão presos e vão responder a processo criminal, no âmbito da Operação Lava Jato
Bruno e Jorge Luz estão presos e vão responder a processo, no âmbito da Operação Lava Jato

O desembarque, no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, ocorreu no início da manhã deste sábado. Após o desembarque, foram imediatamente conduzidos pela Polícia Federal (PF) para o Instituto Médico-Legal. Em seguida, levados para a carceragem Superintendência da PF. Eles vão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a atuação de Jorge e Bruno na Petrobras teria resultado no pagamento de R$ 40 milhões em propinas. Os crimes se repetiram ao longo de mais de 10 anos. Tiveram atuação mais prolixa na compra dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000. Estão envolvidos, ainda, na operação do navio sonda Vitoria 10.000 e na venda, pela Petrobras, de sua participação acionária na Transener (maior companhia de transmissão de energia elétrica da Argentina) para a empresa Eletroengenharia.

Corrupção

Segundo investigadores da PF, a maior parte da propina era repassada aos membros da Diretoria Internacional da Petrobras, enquanto o restante era destinado a agentes políticos. O procurador da República Diogo Castor de Mattos afirmou que esses políticos gozam atualmente de foro privilegiado, principalmente senadores.

Os integrantes da força-tarefa do MPF disseram ainda que Jorge e Bruno atuavam na Diretoria Internacional da Petrobras. A área era de indicação política do PMDB. Eles também agiam esporadicamente na Diretoria de Abastecimento e na Diretoria de Serviços da estatal, áreas de influência do PP e do PT, respectivamente.

Na quinta-feira, o PMDB publicou nota afirmando que os operadores financeiros “não têm relação com o partido e nunca foram autorizados” a falar em nome da sigla. O PP e o PT não se manifestaram sobre o assunto.

A Petrobras disse, em nota, que “segue colaborando com as autoridades” para buscar o ressarcimento dos prejuízos causados à companhia. A estatal ressaltou, ainda, que autoridades “reconhecem que a Petrobras é vítima de todos os fatos revelados”.

Temer se isola no litoral baiano mas fantasma da Lava Jato o persegue

Temer desembarca com a família na capital baiana, de onde seguiu para a base naval de Aratu

Na Cinelândia, palco das maiores manifestações de esquerda a que este país já viu, outra multidão era arrastada no enredo do Bloco Popular Fora Temer!. Não faltaram brados semelhantes nas concentrações que se repetiram, por todos os bairros da Cidade

 

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

 

Retirado da cena política por uma série de escândalos emergentes, o presidente de facto, Michel Temer, segue com a família na base da Marinha, em Aratu, litoral da Bahia. A apenas alguns quilômetros de lá, o cantor e compositor Caetano Veloso, de pé, em um trio elétrico na madrugada deste sábado, puxou um vigoroso: ‘Fora Temer!’, no que foi acompanhado por milhares de foliões pelas ruas de Salvador.

Temer desembarca com a família na capital baiana, de onde seguiu para a base naval de Aratu
Temer desembarca com a família na capital baiana, de onde seguiu para a base naval de Aratu

Na Cinelândia, palco das maiores manifestações de esquerda a que este país já viu, outra multidão era arrastada no enredo do Bloco Popular Fora Temer!. Não faltaram brados semelhantes nas concentrações que se repetiram, por todos os bairros do Rio de Janeiro. Na capital carioca, a política ganhou, em definitivo, as ruas da Cidade.

Nau de Temer

Diante da placidez do horizonte baiano e a calma que reina na paisagem marinha, Temer enfrenta seus piores pesadelos. Sem o braço direito, decepado na denúncia de José Yunes, um de seus melhores amigos, contra o chefe da Casa Civil afastado Eliseu Padilha, nem o sorriso dos lagartos de Aratu servem de consolo ao peemedebista.

Temer contabiliza; além de Padilha, a retirada estratégica do dublê de chanceler e articulador do golpe de Estado, em curso, o senador José Serra (PSDB-SP). Com dores na lombar, Serra deixa a cena política no momento em que a nau capitaneada por Temer começa a fazer água. E o número de defecções tende a aumentar após o reinado de Momo.

Os mineiros, sempre mais comedidos na folia pública, mas animadíssimos nas conspirações (quase) secretas, não foram vistos gritando para que o inquilino de Aratu voltasse, em definitivo, para a capital paulista. Mas deixaram exposta a fratura na base aliada do Planalto. O rompimento é o primeiro de uma série, tanto na Câmara quanto no Senado.

Rompimento

A escolha Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça foi o gatilho para o rompimento de parcela do PMDB. Vice-presidente da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) ratificou o seu rompimento pessoal com Michel Temer. Com ele, parte do ‘Centrão’ fica mais acessível para os encantos da oposição. Cresce o número daqueles parlamentares que preveem a naufrágio do atual governo, no tsunami da Operação Lava Jato.

O cargo, cobiçado pela bancada do PMDB mineiro, foi apenas o motivo imediato para o rompimento.

— Estou rompendo com o governo e vou colocar toda a bancada de Minas para romper também. Se Minas Gerais não tem ninguém capacitado para ser ministro, não devemos apoiar esse governo — concluiu o parlamentar.

Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.