Bumlai assume pagamentos a Delcídio, mas nega obstrução à Lava Jato

O pecuarista negou qualquer envolvimento com Cerveró, com quem não tinha nenhuma relação antes do ex-diretor ser preso, em 2015

Por Redação, com ABr – de Brasília:

O pecuarista José Carlos Bumlai confirmou nesta sexta-feira que seu filho, Maurício Bumlai, fez dois repasses de R$ 50 mil ao ex-senador Delcídio do Amaral, mas negou que o dinheiro tenha qualquer relação com a compra do silêncio do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

O pecuarista José Carlos Bumlai
O pecuarista José Carlos Bumlai

Na ação em que prestou depoimento nesta sexta-feira, Bumlai é réu junto com Delcídio, Lula. O banqueiro André Esteves e mais duas pessoas. Todos acusados de buscar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Ao tentarem impedir que Cerveró assinasse um acordo de delação premiada com a Justiça.

O pecuarista, que já foi condenado a nove anos de prisão na primeira instância em outro caso da Lava Jato. Cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele foi interrogado nesta sexta-feira pelo juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

Bumlai confirmou que Delcídio de fato falou sobre uma possível delação de Cerveró em uma conversa que teve em 2015 com seu filho, Maurício Bumlai, mas este teria recusado qualquer envolvimento com o assunto.

– Ele (Maurício) falou não, que ele não ia fazer isso, porque não tínhamos nada a ver com Nestor Cerveró. Depois ele (Delcídio) voltou e pediu ajuda em caráter pessoal. Para manter o padrão de vida que ele tem, não era com salário de senador – disse José Carlos Bumlai.

– Inicialmente o pedido foi R$ 50 mil , ele (Maurício) deu. Ai teve um segundo pedido de mais R$ 50 mil e ele deu também, e é só – afirmou Bumlai, reiterando que as quantias teriam sido entregues por seu filho somente para manter uma boa relação com o então senador, cujo poder poderia prejudicar os negócios dos Bumlai.

Envolvimento com Cerveró

O pecuarista negou qualquer envolvimento com Cerveró, com quem não tinha nenhuma relação antes do ex-diretor ser preso, em 2015. Os dois dividiram uma cela por quase um ano na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. “Se eu tivesse que pedir alguma coisa teria pedido ali”, disse Bumlai, que classificou a acusação de “absolutamente mentirosa”.

À época dos repasses, em 2015, Delcídio chegou a ser preso em pleno exercício do cargo de senador, acusado de tentar montar um esquema para impedir a delação premiada de Cerveró. Ao Conselho de Ética do Senado, no processo que resultaria na cassação de seu mandato, ele disse ter encaminhado R$ 250 mil dados por Bumlai para o ex-diretor da Petrobras a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em depoimento anterior no mesmo caso, Bernardo Cerveró, filho de Nestor, admitiu ter recebido dois repasses de R$ 50 mil de Delcídio, a título de “ajuda à família”. Segundo ele, o então senador chegou a pedir para que seu pai não celebrasse acordo de delação premiada.

Na próxima terça-feira, às 10h está marcado o depoimento de Lula no caso. O advogado do ex-presidente confirmou que ele comparecerá à audiência. 

Nadadora ferida por queda de árvore continua internada em SP

O hospital não deu previsão de alta e a equipe médica não informou ainda se ela ficará com sequelas por conta da lesão

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

O estado de saúde da nadadora Larissa Oliveira, internada desde a última quarta-feira, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, é bom, de acordo com boletim médico divulgado no dia anterior.

Nadadora Larissa Oliveira
Nadadora Larissa Oliveira

Ela passou por uma cirurgia em decorrência de um ferimento de 30 centímetros na coxa direita. Depois de uma árvore cair sobre o seu carro. Durante o temporal que atingiu São Paulo na quarta-feira.

O hospital não deu previsão de alta. A equipe médica não informou ainda se ela ficará com sequelas por conta da lesão. Os médicos responsáveis pelo tratamento de Larissa são Rodrigo Novaes do Canto e Ricardo Basile.

Rio 2016

Larissa participou da delegação brasileira que foi aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Ela completou cinco provas: 100 e 200 m livres. Nos revezamentos 4×100 m medley, e 4×100 m e 4×200 m nado livre.

A atleta também já foi campeã mundial de piscina curta em Doha, em 2014, na prova de 4×50 m medley misto. E é três vezes medalhista panamericana. Foi prata no 4×200 m livre e bronze no 4×100 m livre e no 4×100 m medley, nos jogos de Toronto 2015.

Hong Kong: motoristas do Uber são considerados culpados de uso ilegal de veículos

A avaliação de especialistas é de que a decisão tem um efeito desanimador sobre os motoristas de Hong Kong que trabalham para a empresa de São Francisco

Por Redação, com Reuters – de Hong Kong:

Cinco motoristas do serviço de transporte urbano por aplicativo Uber em Hong Kong foram considerados culpados de usarem ilegalmente seus veículos para fins comerciais por um tribunal local nesta sexta-feira, em um potencial golpe às operações do Uber Technologies no pólo financeiro asiático.

A empresa continuará a realizar serviços de compartilhamento de corridas na cidade
A empresa continuará a realizar serviços de compartilhamento de corridas na cidade

A avaliação de especialistas é de que a decisão tem um efeito desanimador. Sobre os motoristas de Hong Kong que trabalham para a empresa de São Francisco. Que está lutando com problemas semelhantes com reguladores em toda a Ásia. O Uber saiu de Taiwan há menos de um mês.

O Uber disse que estava decepcionado com o veredito.

– Pensamos que é contra o interesse de vários milhões de passageiros do Uber. Motoristas e o interesse coletivo das pessoas de Hong Kong. Nós pensamos que o transporte compartilhado não deve ser um crime – disse a diretora-geral do Uber em Hong Kong, Kenneth She.

A empresa continuará a realizar serviços de compartilhamento de corridas na cidade.

Segurança

Os motoristas de Hong Kong foram condenados por conduzir um veículo a motor para o transporte de passageiros por contrato. E porque os seus seguros excluíam o uso comercial, deixando os passageiros desprotegidos.

– Eu não vejo a ação que os réus mostraram ter qualquer diferença significativa ou material daquela de … motoristas de táxis piratas no passado – afirmou o juiz So Wai-tak no julgamento.

Os motoristas, que foram presos durante uma operação policial contra a empresa em agosto de 2015, após reclamações de taxistas locais, foram multados em o equivalente a US$ 1.287,91 e tiveram suas carteiras de motorista suspensas por 12 meses.

Japão irá vetar interessados em venda de unidade de chips da Toshiba

O governo usaria as leis cambiais e de comércio exterior do Japão para controlar o leilão, se necessário, disse uma das fontes

Por Redação, com Reuters  – de Tóquio:

O governo japonês, preocupado com o futuro da unidade de chips de memória da Toshiba, está preparado para bloquear uma venda a interessados que sejam considerados um risco para a segurança nacional, disseram fontes, uma posição que dá aos Estados Unidos uma vantagem importante.

O governo usaria as leis cambiais e de comércio exterior do Japão para controlar o leilão
O governo usaria as leis cambiais e de comércio exterior do Japão para controlar o leilão

O governo usaria as leis cambiais e de comércio exterior do Japão para controlar o leilão, se necessário. Disse uma das fontes. As fontes estão diretamente envolvidas no processo de venda. Mas pediram para não ser identificadas porque as informações não são públicas.

Estados Unidos

– Os Estados Unidos são o único parceiro viável do ponto de vista da segurança nacional do Japão – disse outra fonte. Observando que chips de ponta estão no centro da robótica, inteligência artificial e dispositivos conectados.

Com a intenção de compensar uma baixa contábil por vir de US$ 6,3 bilhões para sua unidade nuclear norte-americana Westinghouse. E criar uma proteção para futuras perdas potenciais, a Toshiba está se apressando para vender a maior parte ou mesmo a totalidade da unidade. O segundo maior produtor de chips NAND do mundo – que está avaliada em pelo menos US$ 13 bilhões.

Atiradores e morteiros do EI atingem forças do Iraque em Mossul

A luta vem cobrando seu preço em mortos e feridos dos soldados, das forças especiais e das unidades policiais do Iraque

Por Redação, com Reuters – de Mossul:

Em um hospital de campanha perto da linha de frente da cidade de Mossul, um policial federal do Iraque jaz desconfortável em uma maca, com soro em um braço e curativos no peito devido aos estilhaços de um morteiro que perfuraram seu esterno.

Policiais iraquianos em quarto onde dizem que atirador do Estado Islâmico estava escondido em Mosul
Policiais iraquianos em quarto onde dizem que atirador do Estado Islâmico estava escondido em Mosul

A explosão que feriu Jaafar Kareem, de 23 anos, e dois colegas. Aconteceu em uma área onde avanços rápidos contra o Estado Islâmico realizados no começo desta semana. Desaceleraram devido aos disparos de morteiros e à ação de atiradores de elite contras os soldados iraquianos.

Ao menos 10 projéteis caíram no local naquela manhã antes de atingirem seu alvo, segundo Kareem.

– Muitos caras ficaram feridos na mesma área hoje – disse, virando a cabeça cuidadosamente para ver um militar em uma maca próxima ser tratado de um ferimento na perna.

Na quinta-feira a clínica improvisada em uma casa abandonada. Administrada por voluntários norte-americanos e médicos militares do Iraque. Tratou vários membros das forças de segurança nacional levados às pressas da linha de batalha em ambulâncias ou veículos blindados.

– Já recebemos cerca de 20 pessoas para tratamento (na quinta-feira). Cerca de 70% civis. Mas até hoje tem havido mais (baixas) militares – disse Kathy Bequary, diretora do NYC Medics, a organização a cargo da clínica.

As baixas que sua equipe vêm testemunhando ultimamente vão de ferimentos superficiais a pacientes mortos ao chegar. Inclusive um soldado com oito buracos de bala no torso, disse.

À medida que as forças iraquianas se embrenham mais a oeste de Mossul para combater militantes do Estado Islâmico. Mais resistência encontram, já que os jihadistas estão recorrendo a morteiros e franco-atiradores. Para tentar conter a ofensiva apoiada pelos Estados Unidos, que tenta expulsá-los de seu último grande bastião no país.

Luta

A luta vem cobrando seu preço em mortos e feridos dos soldados, das forças especiais e das unidades policiais do Iraque. Os militares não divulgaram o número de suas próprias baixas.

As táticas do Estado Islâmico, que incluem se abrigar entre a população civil. Também têm freado o progresso em certas áreas à medida que os combates se aproximam do centro mais povoado da cidade.

A área onde Kareem e seus colegas foram atingidos não fica a mais do que algumas centenas de metros da linha de frente, onde as forças iraquianas de fato ganharam terreno. Uma rua ampla e importante que leva ao edifício do governorado estava sob controle da Polícia Federal na quinta-feira, disse um correspondente da Reuters que visitava uma unidade de elite do Ministério do Interior.

Estados prometem acionar Justiça contra decreto de Donald Trump

Procuradores-gerais de estados como Washington e Nova York afirmam que novo veto migratório fere Constituição. Medida, que entra em vigor na próxima semana, barra entrada de refugiados e cidadãos de países muçulmanos

Por Redação, com DW – de Washington:

Anunciada há três dias, a nova ordem executiva anti-imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para enfrentar processos na Justiça de diferentes estados do país.

"Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal", diz o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson
“Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal”, diz o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson

Washington, Oregon, Nova York e Massachusetts anunciaram na quinta que entrarão com ações contra o decreto, que proíbe a entrada em território norte-americano de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. O Havaí já havia anunciado que questionaria o veto na quarta-feira.

– Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal – declarou o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson. Em entrevista coletiva. “Você não pode usar o Twitter para escapar desta. Isso não funciona no tribunal”. Acrescentou ele, dirigindo-se ao presidente norte-americano.

Veto a muçulmanos

Em comunicado, o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, classificou a ordem executiva como “um veto a muçulmanos, mas com outro nome”, que, segundo ele, impõe políticas e protocolos que ferem a Constituição dos Estados Unidos, assim como o decreto original de janeiro.

Assinada na segunda-feira passada, a nova medida entra em vigor em 16 de março. Por 90 dias, estarão proibidos de entrar nos EUA cidadãos de Irã, Somália, Iêmen, Líbia, Síria e Sudão. A ordem executiva também suspende o programa de amparo a refugiados de qualquer país durante 120 dias.

O primeiro veto migratório foi emitido por Trump em 27 de janeiro e suspenso pela Justiça uma semana mais tarde, após um processo dos estados de Washington e Minnesota. A medida foi seguida por protestos em todo o país, gerou caos nos aeroportos e foi alvo de críticas de líderes mundias.

Os procuradores-gerais de Washington, Oregon e Nova York, os três governados por democratas, defendem que a liminar que suspendeu o primeiro decreto deveria valer também para a nova medida.

Impeachment mergulha Coreia do Sul em incerteza

Tribunal confirma impedimento de Park Geun-hye, passo que abre caminho para guinada na política interna e que pode gerar mudanças no balanço de poderes na Ásia. Em meio a protestos, país tem 20 mil policiais nas ruas

Por Redação, com DW – de Seul:

O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul removeu oficialmente do cargo a presidente Park Geun-hye nesta sexta-feira. O afastamento, devido a um escândalo de corrupção, ocorre em um momento de tensões crescentes com os vizinhos Coreia do Norte e China, e pode gerar mudanças não só na política interna, como também no balanço de poderes na Ásia.

Simpatizantes de Park Geun-hye entram em confronto com a polícia em Seul
Simpatizantes de Park Geun-hye entram em confronto com a polícia em Seul

A decisão provocou protestos de centenas de simpatizantes de Geun-hye. As autoridades tiveram que acionar mais de 20 mil policiais para conter os tumultos nas ruas da capital Seul. Dois manifestantes morreram nos confrontos.

A comissão de oito juízes ratificou uma votação no Parlamento que determinava o impeachment de Park por envolvimento em um caso de fraude. Abrindo o caminho para um processo penal.

– (Os atos de Park) violam a Constituição e a lei e traem a confiança pública – disse o magistrado-chefe Lee Jung-mi. “Os benefícios de proteger a Constituição que podem ser ganhos ao afastar a ré são incrivelmente grandes”.

Park foi apontada como suspeita criminal. O que a torna a primeira líder democraticamente eleita da Coreia do Sul a ser afastada do cargo. Desde que a democracia substituiu a ditadura no final dos anos 1980. Choi Soon-sil, amiga íntima da presidente, é acusada de cobrar propina de conglomerados sul-coreanos, como a Samsung.

O advogado de Park, Seo Seok-gu, que anteriormente comparou o impeachment com a crucificação de Jesus Cristo. Qualificou o veredicto como uma “decisão trágica” nascida sob pressão popular e questionou a imparcialidade do que ele chamou de um “tribunal fantoche”.

Pesquisas indicam que mais de 70% dos sul-coreanos apoiam o impeachment. Número reforçado pelas centenas de milhares de manifestantes que passaram as últimas semanas clamando nas ruas pela saída definitiva da presidente.

Provocações do Norte

O ministro da Defesa sul-coreano ordenou ao Exército que monitore possíveis provocações da Coreia do Norte que eventualmente tentem explorar “situações de instabilidade no país e no exterior.”

Durante uma vídeo-conferência com os comandantes militares nesta sexta-feira, Han Min Koo advertiu que o país vizinho poderia incorrer em provocações “estratégicas ou operacionais” a qualquer momento.

Nas últimas semanas, a Coreia do Norte testou mísseis balísticos. O país também aproveitou a decisão do tribunal para afirmar que Park agora será investigada como uma “criminosa comum”.

A decisão aprofundou o clima de incerteza política e de insegurança na Coreia do Sul. Em meio a tensões com a Coreia do Norte. O país também sofre ameaças de retaliação econômica da China após um acordo de cooperação entre Seul e Washington por um sistema antimísseis.

Guinada política

A Coreia do Sul deverá realizar eleições no prazo de dois meses para a escolha de um sucessor para Park. O primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn, presidente em exercício. Disse que vai trabalhar com seu gabinete para estabilizar o país e garantir a realização do pleito.

– Eu respeito a decisão constitucional da corte.  O gabinete deverá conduzir os assuntos de Estado de maneira estável e garantir a ordem social de forma a evitar a intensificação de conflitos internos – afirmou.

Segundo a imprensa local, Hwang poderá concorrer à presidência como candidato dos conservadores. O liberal Moon Jae-in, que perdeu para Park nas eleições de 2012. Aparece na liderança nas últimas pesquisas de opinião.

Com os conservadores enfraquecidos, o impeachment deve mudar a política sul-coreana. Com a oposição de esquerda assumindo o poder pela primeira vez numa década. Isso afetaria o balanço de poderes da Ásia. A esquerda pode reavivar a chamada “política do raio de Sol”, que prega maior contato político com a Coreia do Norte.

Tal política, afirmam observadores, pode complicar os esforços dos EUA sob o governo Donald Trump. Para isolar a Coreia do Norte, num momento em que países da região gravitam cada vez mais em direção a Pequim. Outro objetivo da oposição é justamente tentar aplacar as tensões com a China.

O vergonhoso convite da Hebráica carioca ao Bolsonaro

Nota do Editor – Existem iniciativas que são imperdoáveis – é o caso do convite da Hebráica do Rio de Janeiro ao deputado Jair Bolsonaro para pronunciar uma palestra aos seus associados. Luiz Mairovitch, presidente da Hebráica carioca, fez esse convite depois da Hebráica paulista ter cancelado o convite, e, segundo a Folha, Mairovitch tem mesmo simpatia pelo homofóbico, machista e defensor dos torturadores do regime militar, regime que torturou e matou, em 1975, o jornalista Vladimir Herzog. Realmente, Hanna Arendt tinha razão ao falar em banalização do mal. Esse convite não só é vergonhoso como um insulto a todos os judeus que tombaram na luta contra o nazismo e contra a ditadura militar brasileira, como Iara Iavelberg. Rui Martins, editor.

Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

A Hebráica insulta a emória de Vladimir Herzog e Iara Iavelberg
A Hebráica do Rio de Janeiro insulta a memória de Vladimir Herzog e de Iara Iavelberg

O extremista Jair Bolsonaro está sendo convidado pela Hebraica do Rio de Janeiro a participar de um debate. É vergonhoso que isso aconteça, na prática uma afronta a tantas vítimas de atrocidades cometidas no Brasil e durante o nazismo na Alemanha. Uma afronta a figuras como Vladimir Herzog, assassinado pela mesma ditadura que Bolsonaro apoia até hoje elogiando torturadores, como aconteceu na Câmara dos Deputados quando o parlamentar homenageou a figura do assassino Brilhante Ustra na votação do impeachment de Dilma Rousseff.

É vergonhoso uma entidade judaica dar espaço a um facínora nazifascista defensor público de torturadores. Não se pode aceitar. É mais do que necessário pressionar a direção da Hebraica-RJ a voltar atrás. Se na fizer isso, sob o falso argumento de que pretende ouvir todos os lados, a Hebraica simplesmente repetirá o erro histórico proporcionado por alguns segmentos da colônia judaica na Alemanha, que chegaram no início da ascensão nazista, a apoiar Adolf Hitler, inclusive realizando entrevista com o assassino chefe dos nazistas em publicações judaicas.  E deu no que deu.

Recentemente, em um programa da comunidade judaica intitulado Menorah, foi dado grande espaço à família Bolsonaro, inclusive com imagens do defensor de torturadores quando visitava Israel.

Na comunidade judaica vozes se levantaram em São Paulo contra o convite feito a Bolsonaro pela Hebraica-SP. A mobilização levou a diretoria a voltar atrás e suspender a atividade que seria uma grande vergonha se fosse realizada.

Agora, a tentativa de levar adiante a atividade vergonhosa de dar espaço a um também racista, volta à tona. É mais do que lamentável que uma comunidade que foi tão discriminada ao longo da história, repita o erro ocorrido no início da ascensão do nazismo. Se não se corta o mal pela raiz, o mal pode avançar e em breve espaço de tempo atingir exatamente quem lhe deu a mão.

Ou alguém tem dúvidas sobre o que representa Bolsonaro? Uma pergunta que deve ser feita à comunidade judaica: ter ido a Israel absolve um defensor de torturadores de alguma coisa?   

O fato pode remeter também a outra discussão. Ao se criticar a política de guerra do atual governo de Israel, apoiado pelo racista Donald Trump, não é um dever de todos que pelo mundo defendem os direitos humanos? Por que o silêncio ou mesmo o apoio a um governo que comete tantas atrocidades contra os palestinos? Bolsonaro deve ser um apoiador incondicional, como Trump, desse tipo de procedimento e por isso a Hebraica deve convidá-lo para debater?

Esse raciocínio revela ignorância histórica e a vitória do senso comum, o que não pode se tolerado por quem se propõe a defender os direitos humanos em qualquer parte do mundo.

Nesse sentido, a comunidade judaica do Rio de Janeiro e os defensores dos direitos humanos de um modo geral devem cerrar fileiras e se mobilizar para impedir que seja concedido espaço a uma figura que pode amanhã com maior poder repetir os métodos do nazismo. Até porque, quem apoia publicamente torturadores é capaz de tudo em matéria de violação dos direitos humanos.

Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum democrático de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

COB abre votação para escolha do ‘Atleta da Torcida’

A festa organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) premiará também os “Melhores Atletas do Ano” e fará uma homenagem especial aos medalhistas do Time Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Por Redação, com ACS – de Brasília:

A votação para definir o “Atleta da Torcida” de 2016 está aberta até o dia 29 de março. Cada pessoa pode votar uma vez em seu concorrente preferido pela enquete publicada na página facebook.com/timebrasil e no sitecob.org.br/pbo. O(a) vencedor(a) será homenageado(a) na cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Para concorrer ao “Atleta da Torcida”, o COB selecionou atletas ou duplas que se destacaram durante a temporada de 2016
Para concorrer ao “Atleta da Torcida”, o COB selecionou atletas ou duplas que se destacaram durante a temporada de 2016

A festa organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) premiará também os “Melhores Atletas do Ano”. E fará uma homenagem especial aos medalhistas do Time Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Em 2015, o Atleta da Torcida foi o nadador Thiago Pereira.

Para concorrer ao “Atleta da Torcida”, o COB selecionou atletas ou duplas que se destacaram durante a temporada de 2016. Concorrem ao prêmio os medalhistas olímpicos do Time Brasil. Alison e Bruno Schmidt (vôlei de praia), Arthur Nory (ginástica artística). Diego Hypólito (ginástica artística), Isaquias Queiroz (canoagem velocidade). Kahena Kunze e Martine Grael (vela), Poliana Okimoto (maratona aquática), Rafaela Silva (judô). Robson Conceição (boxe), Serginho (vôlei) e Thiago Braz (atletismo).

Já na categoria “Melhores Atletas do Ano” concorrem Martine Grael / Kahena Kunze (vela), Poliana Okimoto (maratona aquática) e Rafaela Silva (judô), no feminino; e Isaquias Queiroz (canoagem), Serginho (vôlei) e Thiago Braz (atletismo), no masculino.

Modalidade

A escolha dos melhores atletas em cada modalidade, assim como os dois que receberão o Troféu Melhor Atleta do Ano, foi realizada por um júri formado por jornalistas, dirigentes, ex-atletas e personalidades do esporte.

Oscar do esporte brasileiro, o Prêmio Brasil Olímpico chega à sua 18ª edição prestando homenagens ainda em outras categorias: Melhor Técnico Individual e Coletivo; Troféu Adhemar Ferreira da Silva e Melhores Atletas nos Jogos Escolares da Juventude. Os medalhistas nos Jogos Olímpicos Rio 2016 também receberão homenagem especial.

Denúncia de corrupção

O comitê organizador dos Jogos Rio 2016 negou na semana passada que tenha sido beneficiado por compra de votos na eleição pelo direito de sediar a Olimpíada, depois que um jornal francês disse que um empresário brasileiro fez pagamentos ao filho de um então membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) antes da votação.

De acordo com o Le Monde, uma empresa relacionada com o executivo Arthur César de Menezes Soares Filho fez um pagamento de US$ 1,5 milhão a Papa Massata Diack, filho do então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf). Membro do COI Lamine Diack, três dias antes da votação de 2009 que definiu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos.

– A vitória do Rio foi claríssima – disse à agência inglesa de notícias Reuters o diretor de Comunicação do Rio 2016, Mario Andrada, em resposta à acusação. “A investigação francesa diz respeito a seis membros do COI, e seis membros não mudariam nada no resultado. A eleição foi limpa”.

O Rio foi eleito sede dos Jogos Olímpicos em uma votação em que derrotou Chicago, Tóquio e Madri. Na votação final, contra a cidade espanhola, a candidatura carioca obteve um triunfo com margem folgada, 66 a 32 votos.

O Le Monde disse que Papa Massata Diack pagou quase US$ 300 mil ao alto membro do COI Frankie Fredericks. Que afirmou não ter feito nada de errado e disse que o dinheiro foi um pagamento por serviços para promover o esporte na África.

O COI anunciou nesta sexta-feira que sua comissão de ética abriu uma investigação sobre a acusação.

Republicanos aprovam projeto de lei de novo sistema de saúde

O Congresso espera aprovar o projeto de lei, que revogaria muito da Lei de Saúde Acessível de 2010, conhecida popularmente como Obamacare, dentro de algumas semanas

Por Redação, com Reuters – de Washington:

Os republicanos ultrapassaram nesta quinta-feira o primeiro obstáculo para uma reforma maciça do sistema de saúde dos Estados Unidos apoiada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, apesar de os democratas expressarem preocupação com o desconhecimento do custo do projeto de lei e de seu impacto no orçamento.

Deputado republicano Kevin Brady
Deputado republicano Kevin Brady

O comitê da Câmara dos Deputados responsável por tributação (“Ways and Means”) aprovou o projeto de lei na manhã desta quinta-feira. Depois de debater o esboço da legislação durante quase 18 horas.

O Comitê de Energia e Comércio da casa realizou sua própria maratona em uma sessão dois dias depois de a medida ser anunciada por líderes republicanos.

– Este é um passo histórico, um passo importante na anulação do Obamacare – disse o deputado republicano Kevin Brady, presidente do comitê “Ways and Means”. Referindo-se ao sistema de saúde do antecessor de Trump, Barack Obama. Depois de o comitê endossar a medida por um placar de 23 a 16.

O Congresso espera aprovar o projeto de lei, que revogaria muito da Lei de Saúde Acessível de 2010. Conhecida popularmente como Obamacare. Dentro de algumas semanas.

O projeto irá anular a obrigatoriedade de compra de planos para os cidadãos, reverter a maioria dos impostos do Obamacare. Adotar um sistema novo e menor de créditos fiscais baseado na idade. E não na renda, e reformar o Medicaid. O programa de saúde governamental voltado para os pobres.

O comitê, que está analisando as provisões do projeto de lei relativas a impostos. Não fez alterações ao texto, apesar das dezenas de tentativas dos democratas para lhe acrescentar emendas.

Defensores

Hospitais, médicos, planos de saúde e defensores dos pacientes apelaram ao Congresso depois que o esboço do projeto foi divulgado na segunda-feira. Pedindo que este reconsidere os cortes amplos e a forma como eles irão afetar o sistema de saúde. 

O projeto de lei é o primeiro teste legislativo de Trump. O caos que ele logo provocou ocorre depois da confusão criada por seu decreto presidencial proibindo a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos EUA, que mais tarde ele revisou.

Os parlamentares republicanos enfrentam a resistência de conservadores de suas próprias fileiras. Segundo os quais o projeto de lei, que criaria um sistema de créditos fiscais para induzir as pessoas a comprar planos de saúde no mercado. Não é radical o suficiente.