Atendimento do BPtur e do Deat aos turistas prioriza formação em idiomas

Além de oferecer bolsas em cursos, as unidades selecionam profissionais que tenham interesse em idiomas

O Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), da Polícia Militar, e a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) vêm investindo na formação bilíngue do efetivo, para aprimorar o atendimento ao turista. Além de oferecer bolsas em cursos, as unidades selecionam profissionais que tenham interesse em idiomas.

No BPTur, é praxe identificar os policiais que dominam outros idiomas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). Quem tem o perfil buscado pela unidade é entrevistado pelo comandante, o tenente-coronel Joseli Cândido. Atualmente, 70 dos 240 policiais do BPTur são bilíngues. A maioria fala inglês ou espanhol, mas há alguns que sabem italiano, francês e até russo. O batalhão tem convênios com a Casa de España e o Consulado Argentino, que oferecem cursos de espanhol, e com o Santander, que oferece 110 bolsas on-line de inglês, espanhol e mandarim.

– Nossa meta é que tenhamos o maior número de policiais voluntários bilíngues, porque segurança pública passa por prevenção e orientação. E nós damos um tratamento diferenciado ao turista – disse Cândido.

Muitas vezes, o turista que procura os policiais do BPTur precisa tão somente obter uma informação sobre um ponto turístico ou saber como tirar a segunda via de um documento perdido. Para qualquer que seja a assistência, o soldado Ulisses Neto, de 30 anos, descobriu que sua fluência em inglês, que aprendeu em atividades profissionais anteriores, é fundamental. No momento, o policial do BPTur é aluno de espanhol do curso promovido pelo Consulado da Argentina.

– Saber me comunicar em inglês é uma vantagem muito grande. O turista que está em situação de necessidade, quando encontra um policial que fala sua língua, fica mais seguro e aliviado. E nós conseguimos um aproveitamento melhor do trabalho, desenvolvemos melhor a ocorrência – explicou Neto.

Versada no francês, a soldado Suellen Louise Gomes, de 26 anos, domina o idioma desde a adolescência, quando teve aulas em cursinhos. Há um ano no BPTur, ela se orgulha de poder botar em prática seus conhecimentos e já faz aulas de espanhol.

– Já ajudei um russo que foi assaltado no aeroporto internacional, e só falava francês. Aqui no BPTur nós temos incentivo para nos profissionalizarmos mais nesta ferramenta, que são os idiomas – contou ela.

Já na Deat, dos 38 policiais, somente 10% não falam uma língua estrangeira. Todos se espelham no delegado titular Alexandre Braga, fluente em inglês e espanhol, e aluno de francês. Professor de inglês por 16 anos, antes de entrar para a polícia, Braga defende que seu efetivo seja poliglota. Ele seleciona, na Academia de Polícia, profissionais que já falem pelo menos um idioma estrangeiro, além de publicar, no boletim interno da Polícia, convites para policiais que trabalham em outras áreas da corporação e que saibam falar várias línguas. O delegado entrevista os policiais e seleciona os que têm o perfil da delegacia. Todo o efetivo da Deat tem acesso a cursos de francês, italiano, alemão e espanhol, oferecidos pelos consulados. Uma parceria que Braga faz questão de cultivar.

– Nós precisamos saber idiomas estrangeiros para que a comunicação com o turista seja efetiva e para que ele se sinta acolhido – afirma Braga, lembrando que a Deat atualmente coordena o Núcleo de Apoio aos Grandes Eventos, que reúne mais oito delegacias.

Uma das policiais na linha de frente da Deat é Fernanda Blásquez, de 29 anos. A oficial de cartório faz atendimento direto aos turistas que chegam para registrar ocorrências. Fluente em inglês e especialmente em alemão – que aprendeu na escola e num intercâmbio, na adolescência, ela conta que ajudou em situações complicadas, como a de um turista alemão que estava num ônibus que caiu numa ribanceira, na BR-116 (Rio-Teresópolis), em 22 de outubro.

– Ele estava internado no hospital, muito machucado, e tanto a polícia quanto os médicos precisavam do relato sobre o que aconteceu. Ele não fala inglês. Fui até lá e consegui o depoimento – disse ela.

Colega de Fernanda, a policial Kátia Mallet, de 36 anos, também fala inglês e alemão. Há quase dois anos na Deat, ela também presta atendimento direto aos turistas, e está cursando francês com a bolsa que a delegacia disponibilizou.

– Aqui é fundamental ter outros idiomas, especialmente no tipo de função que exerço. Quando somos convocados a audiências de julgamento, o juiz sempre pergunta se falamos o idioma do turista, porque quem toma o termo de declaração da vítima tem que saber a língua dela – explicou.