Alemanha e Tunísia anunciam acordo migratório

Após problemas na deportação de tunisiano que cometeu atentado em Berlim, pacto deve acelerar expulsão de requerentes que tiveram refúgio negado na Alemanha. Merkel anuncia ainda 250 milhões de euros ao país africano

Por Redação, com DW – de Berlim:

A Alemanha e a Tunísia anunciaram nesta sexta-feira a assinatura de um novo acordo sobre imigração, durante uma visita oficial da chanceler federal alemã, Angela Merkel, à capital Túnis.

O presidente tunisiano, Béji Caïd Essebsi, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Túnis
O presidente tunisiano, Béji Caïd Essebsi, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Túnis

O pacto deve acelerar o processo de deportação para a Tunísia dos requerentes de refúgio que tiveram seus pedidos negados na Alemanha.

Como parte do acordo. O país africano se comprometeu a dar uma resposta em até 30 dias para os pedidos vindos de Berlim para a verificação de identidade de tunisianos. Já os papéis necessários para a deportação devem ser emitidos em uma semana.

O trato ocorre em meio a tensões entre Túnis e Berlim acerca da imigração desde o atentado cometido pelo tunisiano Anis Amri contra uma feira de natal na capital alemã, que deixou12 mortos.

Antes do ataque, Amri teve seu pedido de refúgio recusado pelas autoridades alemãs e deveria ter sido deportado. A expulsão, porém, não ocorreu devido a problemas burocráticos com a Tunísia. Ele não tinha documentos que provassem que ele era tunisiano, e a Tunísia inicialmente negou que ele fosse.

Em pronunciamento à imprensa ao lado de Merkel, o presidente tunisiano Béji Caïd Essebsi. Declarou que o acordo “vai contentar tanto a Tunísia como a Alemanha”. “São boas notícias para nós”, disse, por sua vez, a chanceler federal alemã, após uma reunião com o chefe de Estado em Túnis.

Doação

Merkel também anunciou a doação de 250 milhões de euros ao país africano. Que devem ser usados para promover projetos de desenvolvimento em áreas mais pobres. “Os fundos destinam-se ao desenvolvimento rural, a pequenas e médias empresas. Mas principalmente aos jovens, que são os que mais precisam de formação profissional e oportunidades de emprego”, disse a líder.

A chanceler federal também afirmou que entre 14 e 15 milhões de euros devem ser destinados aos tunisianos deportados. Numa tentativa de incentivar seu retorno voluntário. Como a Tunísia é um país relativamente estável. Os pedidos de refúgio por parte de seus cidadãos são geralmente rejeitados. Merkel estimou que cerca de 1.500 tunisianos na Alemanha devem ser deportados.

A visita da chefe de governo alemã à Tunísia faz parte de uma viagem de dois dias ao Norte da África. Com objetivo de fortalecer a cooperação entre as regiões acerca da imigração. Em Túnis, ela ainda deve se reunir com o premiê Yousseh Chahed, além de discursar perante o Parlamento da Tunísia.

Chanceler alemã e premiê britânica fazem coro contra discriminação a imigrantes

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Tanto Angela Merkel quanto Theresa May disseram ao presidente dos EUA que sua política contrária aos imigrantes fere tratados internacionais. Um deles é o de Genebra, considerado um dos mais importantes na questão dos refugiados

 

Por Redação – de Berlim e Londres

 

A primeira-ministra Theresa May e a chanceler Angela Merkel fizeram coro contra as restrições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imigração. May pronunciou-se depois de ser criticada por parlamentares de seu próprio partido por não condenar o decreto quando questionada, inicialmente.

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes
Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Em uma visita à Turquia no sábado, ela foi questionada três vezes sobre o movimento de Trump em estabelecer um período de quatro meses para permitir a entrada de refugiados nos Estados Unidos. Ele proibiu, temporariamente, a entrada de viajantes da Síria e de outros seis países de maioria muçulmana. A justificativa é que isso protegerá os norte-americanos de islamistas violentos.

Pressão britânica

May havia voado para a Turquia dos Estados Unidos. Ela foi a primeira líder estrangeira a encontrar-se com o novo presidente dos EUA para conversações que ela chamou de bem-sucedidas. Ainda assim, não respondeu sobre a política de refugiados. Mas, após ser atacada por seu próprio partido, o porta-voz dela disse que o Reino Unido discorda da proibição de Trump.

— A política de imigração nos Estados Unidos é uma questão para o governo dos Estados Unidos. Assim como a política de imigração para este país deve ser definida pelo nosso governo — disse ele.

E acrescentou:

— Mas não estamos de acordo com este tipo de abordagem e não é uma que iremos seguir. Estamos estudando este novo decreto presidencial para ver o que significa. E quais são os efeitos jurídicos. Em particular, quais são as consequências para os cidadãos do Reino Unido — afirmou.

Merkel e os imigrantes

A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, conversou com presidente dos EUA, por telefone. Ela lhe disse que a luta global contra o terrorismo não é desculpa para proibir que refugiados ou pessoas de países de maioria muçulmana entrem nos Estados Unidos, afirmou neste domingo o porta-voz.

— Ela está convencida de que mesmo a necessária e decisiva batalha contra o terrorismo não justifica colocar pessoas de um passado ou fé específicos sob suspeita geral — disse o porta-voz Steffen Seibert.

Convenção de Genebra

De acordo com ele, o governo alemão lamenta a proibição da entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Merkel prometeu rever as consequências para os cidadãos alemães com dupla nacionalidade. E que a Alemanha “representará seus interesses, se necessário, em relação aos nossos parceiros dos EUA”.

Ele disse que Merkel expressou suas preocupações a Trump durante um telefonema no sábado. Ela lembrou-lhe que as Convenções de Genebra exigem que a comunidade internacional receba refugiados de guerra por motivos humanitários.

As declarações de Seibert são os primeiros indicativos de discórdia entre Merkel e Trump sobre o tema.

Ex-presidente da Gâmbia deixa país

Yahya foi acompanhado pelo líder da Guiné, Alpha Condé, que durante os últimos dias apoiou as negociações sobre a entrega do poder na Gâmbia

Por Redação, com Sptunik – de Moscou:

Yahya Jammeh, ex-presidente da Gâmbia, deixou o território do país, informa a AFP. De acordo com os dados do correspondente, o ex-líder da Gâmbia subiu a bordo de um avião que não tinha nenhuns sinais de identificação, tendo a aeronave partido em direção desconhecida. Como destaca a AFP,Jammeh usou aeroporto da capital da Gâmbia, Banjul.

Yahya Jammeh, ex-presidente da Gâmbia, deixou o território do país
Yahya Jammeh, ex-presidente da Gâmbia, deixou o território do país

Ele foi acompanhado pelo líder da Guiné, Alpha Condé, que durante os últimos dias apoiou as negociações sobre a entrega do poder na Gâmbia.

Entre as versões sobre a localização atual de Jammeh estão. Conacri, capital da Guiné (esta informação foi divulgada pelo ministro do Interior da Guiné, Kiridi Bangoura. Depois vêm Marrocos, Guiné Equatorial e Mauritânia.

Poder

Yahya Jammeh chegou ao poder em 1994 através de um golpe de Estado. Uma semana depois da derrota pelo quinto mandato contra o candidato opositor Adama Barrow. Ele recusou a aceitar o resultado das eleições.

Na noite da última quinta-feira, os militares do Senegal anunciaram a entrada de tropas na Gâmbia para forçar Jammeh a entregar o poder e a deixar o país.

Papa exorta líderes globais a trabalharem juntos contra ‘praga do terrorismo’

O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro

O papa Francisco falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro em seu tradicional discurso. Ele deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna, em Istambul

 

Por Redação, com Reuters – de Roma

 

O Papa Francisco disse, neste domingo, que é urgente que líderes globais trabalhem juntos para combater “a praga do terrorismo”. Ele afirmou, em seu discurso de Ano Novo, que uma mancha de sangue cobre o mundo em sua entrada em 2017.

O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro
O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro

O líder católico falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro, em seu tradicional discurso. O papa deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna em Istambul que matou ao menos 40 pessoas.

— Infelizmente, a violência nos atingiu mesmo nessa noite em que desejamos o bem e a esperança. É com dor que expresso minha solidariedade ao povo turco. Eu rezo pelas muitas vítimas e pelos feridos e por toda a nação em luto — disse.

Ele disse que o ano de 2017 será o que as pessoas fizerem dele.

— Peço ao Senhor que sustente todos os homens de bem para que com coragem levantem suas mangas e lutem contra a praga do terrorismo e sua mancha de sangue que está cobrindo o mundo com uma sombra de medo e uma sensação de perda — acrescentou o papa.

Piedade

Uma multidão que aguardava em uma manhã fria.

— Esse ano será bom à medida em que cada um de nós, com a ajuda de Deus, procurarmos fazer o bem dia após dia — afirmou.

No dia que a Igreja Católica Romana, com seus 1,2 bilhão de fiéis, celebra como de Paz Universal, ele disse que a paz foi construída ao se dizer “não” à violência e ao ódio e “sim” à reconciliação e à irmandade.

Mais cedo, na Basílica de São Pedro, o papa disse em uma homilia que a falta de contato físico entre as pessoas trazida por modernidades como a comunicação virtual “está cauterizando nossos corações e nos fazendo perder a capacidade de sentir ternura e admiração, piedade e compaixão”.

Comissão Contra a Tortura da ONU condena Cabo Verde

O que nós constatamos é que Cabo Verde é um Estado que ratifica tudo mas não respeita suas obrigações internacionais. O Comité queria enviar uma mensagem forte a Cabo Verde para dizer que ratificar um texto internacional implica em obrigações. (Palavras do relator da ONU)

Por Rui Martins, de Genebra:

Cabo foi severamente criticado pela Comissão contra a Tortura por desrespeito aos direitos humanos
Cabo Verde foi severamente criticado pela Comissão contra a Tortura por desrespeito aos direitos humanos
Em Genebra, a Comissão Contra a Tortura, órgão da ONU, divulgou um relatório com suas conclusões sobre duas visitas feitas a Cabo Verde, diante de denúncias repetidas de violações dos direitos humanos nas prisões e em outras esferas da sociedade.

Desde 1993, diz o relatório, portanto há 23 anos, Cabo Verde ignora o Comité Contra a Tortura, não comparecendo às reuniões de avaliação em Genebra, não enviando relatório sobre o respeito aos direitos humanos no país e sobre a situação nas prisões cabo-verdianas, embora tenha ratificado a Convenção contra a Tortura em 1992.

Nesse período, a situação tem se agravado com prisões abarrotadas, denúncias de torturas, violências policiais prática de castigos físicos nos presos, agravada pela aplicadas de castigos também em casa nas crianças e mulheres, dentro de casa, castigos nas escolas e abusos sexuais de deficientes físicos dentro da família.

A Comissão contra a Tortura quer leis, medidas legislativas, administrativas e ducativas contras esses abusos. Na Constituição caboverdiana aspenas previstas contra autores de torturas, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes não são claras e se beneficiam geralmente de prescrição e anistia.

Um terço dos presos estão em detenção provisória não havendo um registro oficial de tosos os prisioneiros com os locais onde estão detidos. Ha também casos de mortes e abusos contra imigrantes. Paralelamente há denúncias contras trabalho infantil.

O relatório, que é uma condenação de Cabo Verde mas sem força coercitiva, deixa aberta a porta para que o governo cabo-verdiano aceite enfim o diálogo para explicar, corrigir e impedir tantos abusos e violações dos direitos humanos.

Abdelwahab Hani, relator da Comissão contra a Tortura, esteve em Cabo Verde e explica a severidade do relatório – “O que nós constatamos é que Cabo Verde é um Estado que ratifica tudo mas não respeita suas obrigações internacionais. O Comité queria enviar uma mensagem forte a Cabo Verde para diyer que ratificar um texto internacional implica em obrigações.

Nós constatamos haver um grande problema na Justiça, pois os juízes são muito mal pagos, e isso impede que sejam independentes com reação às pressões do poder político e outras origens principalmente corruptoras, para fazer inquéritos credíveis e imparciais sobre os atos de tortura. Faltavam também inquéritos sobre brutalidades policiais, não foram executadas decisões da Justiça em matéria de crime de tortura, como no caso do chefe de Polícia Carlos Graça, condenado pela Justiça mas que não cumpriu sua pena”

Abdelwahab  ainda acrescenta: “Há a violência de outras formas, relacionada com as crianças e mulheres, a violência domestica. Ha o castigo físico aplicado nas crianças em casa mas igualmente nas escolas. Ha também o abuso das pessoas deficientes quando são presas.”

Existe portanto um clima de violência generalizada no pais e a Comissão lamenta que Cabo Verde não tenha ido a Genebra para se explicar e colocar fim nessas violências, brutalidades policiais, torturas e maus tratamentos e assim aceitar o desafio para que a Comissão possa lhe orientar e lhe transmitir sua experiencia a fim de cumprir suas obrigações internacionais.

Rui Martins é correspondente em Genebra.

Papa Francisco encerra ‘Ano Santo da Misericórdia’ com mensagem aos imigrantes

O papa Francisco fechou a 'Porta Santa' de um ano em que os imigrantes sofreram os mais graves abusos na Europa

Em uma cerimônia na Basílica de São Pedro, o papa Francisco fechou sua ‘Porta Santa’. O Vaticano diz que cerca de 20 milhões de peregrinos caminharam desde que foi aberta em 8 de dezembro

 

Por Redação, com Reuters – de Roma

 

O papa Francisco encerrou, neste domingo, o “Ano Santo da Misericórdia” da Igreja Católica Romana. Foi um período que inspirou a esperança entre muitos seguidores mas também foi marcado por conflitos em todo o mundo. Proliferaram-se, também, as lutas internas dentro da própria Igreja.

O papa Francisco fechou a 'Porta Santa' de um ano em que os imigrantes sofreram os mais graves abusos na Europa
O papa Francisco fechou a ‘Porta Santa’ de um ano em que os imigrantes sofreram os mais graves abusos na Europa

Em uma cerimônia na Basílica de São Pedro, Francisco fechou sua ‘Porta Santa’. O Vaticano diz que cerca de 20 milhões de peregrinos caminharam desde que foi aberta em 8 de dezembro. Buscam as bênçãos especiais e passar simbolicamente do pecado à graça.

Os Anos Santos costumam acontecer a cada 25 anos, a menos que um papa decrete um extraordinário, como este, encerrado neste domingo. Visa chamar a atenção a uma determinada necessidade ou tópico.

Esperança

O próximo seria em 2025 mas, Francisco, de 79 anos, preocupado com crescentes divisões e conflitos no mundo e a polarização entre católicos, determinou um ano especial sobre o tema da misericórdia. Trata-se de uma parte importante para a sua busca por uma igreja menos crítica e mais inclusiva.

Os católicos de todo o mundo foram convidados a perdoar uns aos outros. O papa fez inúmeros apelos aos líderes mundiais para que fizessem gestos de paz e reconciliação.

Em sua homilia, em uma missa para 70 mil pessoas na Praça de São Pedro. Foi celebrada juntamente com 17 novos cardeais nomeados, no sábado. Ele pediu pela continuidade do espírito de esperança e misericórdia.

— Pedimos a graça de nunca fechar as portas da reconciliação e do perdão, mas sim de saber superar o mal e as diferenças, abrindo todos os caminhos possíveis de esperança — concluiu.

Putin e presidente indiano reforçam laços durante reunião dos BRICS

“A Rússia e a Índia são nações aliadas em prol da promoção da segurança e estabilidade estratégica, construção de uma justa ordem mundial. Colaboramos estreitamente nos principais organismos internacionais – BRICS, G20, ONU”, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin

 

Por Redação, com Sputnik – de Goa, Índia

 

Presidente russo, Vladimir V. Putin valorizou, nesta quinta-feira, o encontro que realizará em Pangim, no Estado de Goa. Estará com o presidente indiano, Pranab Mukherjee, para estreitar laços comerciais e de amizade entre os dois países. Neste fim de semana, acontecerá também a reunião dos BRICS. O Brasil, no entanto, esvaziou sua presença no encontro. Às vésperas da cúpula, Putin concedeu uma entrevista exclusiva à agência russa de notícias Sputnik e à agência indiana IANS, que o Correio do Brasil reproduz, a seguir.

— As relações entre a Rússia e a Índia podem ser caraterizadas como parceria estratégica privilegiada. Um expressivo exemplo disso na área econômica é a cooperação na energia atômica, evidenciada pelo projeto da construção da central atômica Kudankulam. Em que outras áreas de cooperação russo-indiana se pode destacar sucesso semelhante?

— A Índia é um parceiro estratégico da Rússia particularmente privilegiado. A cooperação entre os nossos países se desenvolve com sucesso em todas as áreas. Sempre com base nos fortes laços de amizade, confiança e respeito mútuo.

A Rússia e a Índia são nações aliadas em prol da promoção da segurança e estabilidade estratégica, construção de uma justa ordem mundial. Colaboramos estreitamente nos principais organismos internacionais – BRICS, G20, ONU.

Neste mês de outubro, o documento fundamental das relações russo-indianas, a Declaração sobre Parceria Estratégica, completa seus 16 anos. Este período vivenciou um grande trabalho a favor do desenvolvimento de todo o conjunto dos laços bilaterais.

Intercâmbio

Putin concedeu entrevista, nesta quinta-feira, às vésperas da reunião dos BRICS, em Goa
Putin concedeu entrevista, nesta quinta-feira, às vésperas da reunião dos BRICS, em Goa, um pequeno Estado da Índia, onde ainda se fala português

Realizamos um intensivo diálogo político através das reuniões de alto nível, realizadas anualmente. Funciona com êxito a Comissão Intergovernamental de Cooperação Comercial, Econômica, Científica, Técnica e Cultural. Mantêm-se contatos regulares entre os chefes das diplomacias dos dois países, líderes dos conselhos de segurança nacionais e ministérios de outras áreas. Gradualmente, ampliam-se intercâmbios interparlamentares, inter-regionais e humanitários. Contamos com uma sólida base jurídica de cerca de 250 acordos.

A Índia sempre foi e continua sendo um importante parceiro comercial da Rússia. Embora em 2015 o volume das trocas comerciais tenha caído 7,8%, pretendemos reverter, junto com os nossos parceiros indianos, essa tendência negativa que, acreditamos, muito se deve à volatilidade dos mercados globais e à instabilidade das cotações das moedas estrangeiras. Isso, até porque o nosso intercâmbio comercial tem caráter mutuamente benéfico, enquanto a estrutura dele evidencia a complementariedade das economias dos dois países. Grande parte das exportações russas, bem como dos bens provindos do seu país é constituída por produtos da engenharia mecânica e da indústria química.

Crédito estatal

O setor de energia desempenha um papel importante na cooperação econômico-comercial russo-indiana. O maior projeto de longo prazo é a construção da central atômica Kudankulam. Em agosto, eu e o primeiro-ministro, Narendra Modi, participamos da cerimônia de entrega do primeiro bloco gerador de energia para a referida central. Em um futuro próximo, será lançado ainda o segundo bloco gerador. O alcance da potência nominal dos dois blocos elevará significativamente o nível da produção de energia da Índia, reforçando a sua segurança energética.

A estatal Rosatom e a Corporação Indiana de Energia Atômica já começaram os preparativos para a construção dos 3º e 4º blocos geradores de energia. Os trabalhos são realizados conforme o plano estabelecido. O projeto é financiado pela Rússia e possui um crédito estatal de US$ 3,4 bilhões (85% do valor total dos contratos assinados com organizações russas). Estamos passando para a fase de localização da produção dos componentes na Índia. Também começamos a estudar as possibilidades de construção de centrais atômicas em outras plataformas na Índia. Estamos aprimorando a nossa cooperação tecnológica na área de enriquecimento de urânio.

Mercado indiano

Consolida-se também a cooperação bilateral na área da energia tradicional. Durante o Fórum Econômico de São Petersburgo, realizado em junho, a Rosneft assinou um acordo. Um entendimento, em um consórcio com companhias indianas, sobre a venda de 23,9% das ações da Vankorneft S.A. Esta eé proprietária da jazida Vankorskoe, na região de Krasnodar. Além disso, a Rosneft vendeu paras as companhias indianas parcelas das ações da Taas-Yuryah Neftegazodobytcha, na Sibéria Oriental.

Atualmente, na nossa agenda, está reforçado o aprimoramento da estrutura das trocas bilaterais. Através do aumento da comercialização de produtos de alta tecnologia e desenvolvimento da cooperação produtiva. Tais empresas russas, conhecidas como Silovye machiny, Gazprom, Stroytransgaz, Grupo NLMK, Uralmashzavod, SIBUR Holding, Mechel, Kamaz e muitas outras, já vêm trabalhando no mercado indiano.

Grandes projetos promissores são realizados na área da engenharia mecânica, indústria química e mineira, construção de aviões, ciência farmacêutica, medicina, nano e biotecnologia. Vem ganhando fôlego a cooperação financeira e bancária, inclusive com a participação do Banco VTB e do Sberbank da Rússia. É evidente que as empresas russas vislumbram perspectivas viáveis e alta atratividade do mercado indiano.

Quinta geração

Os nossos países cooperam de forma ativa no setor técnico-militar. A Rússia mantém liderança tanto na área do fornecimento direto dos mais novos modelos de armamentos e equipamentos militares quanto nas pesquisas conjuntas com a Índia e produção de artigos militares. Entre os projetos conjuntos bem-sucedidos destacam-se a construção de míssil de cruzeiro supersônico BraMos e a elaboração de um caça da nova quinta geração.

Vou acrescentar ainda que muitos dos projetos russos na Índia têm importância não só comercial, mas também socioeconômico, sendo benéficos para os dois países. Eles se encaixam de forma harmoniosa no programa da nova industrialização da Índia, iniciado pelo primeiro-ministro Modi.

– O nível da cooperação de investimento é um dos critérios das relações sólidas bilaterais e de confiança entre os países. Neste contexto, quais passos dará a cúpula russo-indiana? Os planos de privatização das empresas russas poderão resultar em fortalecimento da parceria de investimento russo-indiana?

– No decorrer da visita à Índia, nós, claro, demos um novo impulso aos laços econômico-comerciais bilaterais – ainda mais que as empresas dos dois países estão interessadas na execução de novos projetos de vantagem mútua. O quantia de investimentos de capitais acumulados russos na Índia é de aproximadamente US$ 4 bilhões, enquanto as empresas indianas investiram na economia russa duas vezes mais – por volta de US$ 8 bilhões.

Investimento

Estou convencido de que a Rússia e a Índia são capazes de aumentar as quantias de investimentos bilaterais. Visando incentivar o fluxo de capitais recíproco, planejamos discutir com os parceiros indianos a possibilidade de atualizar o Acordo bilateral para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos. Preparamos os institutos de desenvolvimento – a Fundação Russa dos Investimentos Diretos e o Banco para Desenvolvimento e Economia Exterior (Vnesheconombank) – para a realização de uma participação financeira mais ativa nas atividades de investimento das empresas russas.

No âmbito da Comissão Intergovernamental, foi estabelecido e funciona com sucesso o Grupo de Trabalho para os projetos de investimento prioritários. As instituições especializadas dos dois países, junto com o Fórum Rússia-Índia para Comércio e Investimentos, efetuam uma seleção minuciosa das iniciativas de negócios promissoras; trabalham para verificar e eliminar os obstáculos em prol da movimentação livre de mercadorias, capitais e serviços.

Borracha butílica

Até hoje, foram selecionados 20 projetos prioritários – 10 russos e 10 indianos – em tais áreas como construção de máquinas de transporte, indústria química, construção de aviões e ciência farmacêutica. Entre eles, destacam-se a construção, pela empresa SIBUR, de uma fábrica da produção de borracha butílica com potência de 100 mil toneladas por ano na cidade de Jamnagar e a produção pela empresa russa Tecnologias de Luz dos equipamentos de iluminação para fins comuns e especiais na cidade de Jigani, estado Karnataka.

A corporação de ações financeira “Sistema” está elaborando o modelo da “cidade inteligente” na Índia. A Dauria Aerospace está trabalhando para instalar um grupo de aparelhos de telecomunicação NextStar na órbita geoestacionária da Terra. Esses projetos serão executados com apoio dos governos dos dois países.

Médio Oriente

– As cúpulas dos BRICS já fazem parte da agenda global e se realizam regularmente. Entretanto, quase não há diferença entre as declarações finais de cada cúpula. O que, na sua opinião, deve ser feito para que a cooperação no âmbito do BRICS se torne mais substancial, eficiente e concreta?

– O BRICS é um dos elementos chave do mundo multipolar em formação. Os participantes do “quinteto” invariavelmente reafirmam o seu apego aos princípios fundamentais do direito internacional, promovem a consolidação do papel central da ONU. Os nossos países não aceitam a política de pressão com força e de abalo da soberania de outros Estados. Temos abordagens parecidas aos problemas internacionais atuais – inclusive, quanto à crise na Síria, sobre regularização no Médio Oriente.

Por isso, nas declarações finais das cúpulas – a reunião em Goa não será uma exceção – reafirma-se o nosso compromisso comum no que se refere aos princípios fundamentais da comunicação interestatal, em primeiro lugar, quanto ao respeito do direito internacional com o papel coordenador central da ONU. No contexto das tentativas de uma série de países ocidentais estarem impondo as suas abordagens unilaterais, tal posição adquire um significado especial.

BRICS fortalecido

Tradicionalmente, as declarações dos líderes do BRICS fixam à base de unanimidade das abordagens de princípio sobre um amplo leque de questões, definem os objetivos do desenvolvimento do “quinteto” para um futuro próximo, que são ponto de referência para os seguintes passos dirigidos à consolidação da parceria estratégica entre os nossos países em várias áreas.

Quanto ao preenchimento prático da interação no âmbito do “quinteto”, gostaria de fazer uma observação. Atualmente, no BRICS, existem mais de 30 formatos interministeriais de cooperação no domínio político, econômico, humanitário, de segurança e policial.

O exemplo concreto da interação é a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS com o capital total de 200 bilhões de dólares. Estou convencido de que com o processo da criação do Banco, o rendimento prático das suas atividades só aumentará, inclusive por conta dos projetos que promovem a integração entre os países do BRICS. Este ano, começaram os trabalhos do Novo Banco de Desenvolvimento, que aprovou os primeiros projetos em todos os países do “quinteto”. Na Rússia, serão construídas pequenas usinas hidrelétricas na Carélia com potência de 50 MW, que custarão 100 milhões de dólares para construção.

Os nossos países interagem ativamente no âmbito do G20, inclusive durante a presidência chinesa em curso. Assim, os países do BRICS assumiram o compromisso de cumprir o Plano de Ação sobre Erosão da Base Tributária e Transferência de Lucros. Desejamos trabalhar sistematicamente no sentido da aproximação das posições na OMC a fim de aperfeiçoar as regras e incentivar as negociações no âmbito da Organização. Por isso, acredito que a cooperação dentro do BRICS já começou a ter resultados práticos. É necessário continuar a consolidá-los e procurar áreas de interesse mútuo para os países do “quinteto”.

Segurança internacional

A agenda da cúpula em Goa inclui o exame dos primeiros resultados da execução da Estratégia para uma Parceria Econômica do BRICS, adotada em Ufá, o aperfeiçoamento do projeto no roteiro da cooperação econômico-comercial e de investimentos dos países do BRICS para até 2020.

Planejamos criar novos formatos e mecanismos de cooperação com os parceiros, no âmbito dos quais serão elaboradas medidas coordenadas para o desenvolvimento dos laços em várias áreas. Com isso, permanecerão no foco as questões relacionadas com o reforço da segurança internacional e estabilidade, o fortalecimento da competividade das nossas economias, a promoção do desenvolvimento internacional.

Apoiamos também as iniciativas da presidência indiana em tais áreas como a interação dos países do BRICS na esfera da agricultura, transporte ferroviário, esporte, turismo e contatos pessoais diretos.

Instabilidade mundial

– Que propostas o Senhor vai apresentar e quais são as Vossas expectativas ligadas à cúpula do BRICS? Na Vossa opinião, quais resultados serão alcançados através do trabalho conjunto dos participantes? Que projetos, além do Novo Banco de Desenvolvimento, poderiam comprovar a utilidade deste formato de interação?

– Antes de qualquer coisa, queria expressar a minha gratidão às autoridades indianas que no âmbito da presidência da Índia no BRICS, constantemente, dão atenção ao aprofundamento e à consolidação da parceria estratégica no grupo. Tenho certeza de que a cúpula em Goa, que será realizada sob o lema de continuidade e inovações, dará frutos.

Este encontro é uma boa oportunidade para os líderes do “quinteto” “sincronizarem seus relógios” quanto às questões chave da agenda internacional. Estamos decididos a cooperar na área de combate ao terrorismo, luta contra tráfego de drogas e corrupção. Conjuntamente, desejamos contribuir para resolução de conflitos, segurança de informação internacional. Todos nós estamos preocupados com a persistente instabilidade na economia mundial. Junto com os parceiros, deliberaremos o que é possível fazer para consolidar futuramente os nossos esforços frente a estes desafios.

Esperamos que a cúpula do BRICS em Goa abra novas oportunidades para atividades nas vertentes econômica e humanitária.

Pesquisas agrícolas

Sem dúvida, serão abordados os temas relacionados à concessão de créditos para os projetos do Novo Banco de Desenvolvimento, o início do pleno funcionamento do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS. Trata-se de troca de opiniões sobre o trabalho que está sendo realizado pelos Altos Representantes Responsáveis pelos Assuntos de Segurança, no decorrer das reuniões especializadas ministeriais, formatos de interação periciais, pela Universidade em Rede do BRICS e pelo Conselho Empresarial. Atualmente, por exemplo, foram concluídos os preparativos para a assinatura dos memorandos sobre a cooperação entre os serviços alfandegários, as academias diplomáticas dos nossos países, bem como sobre a criação de uma plataforma para as pesquisas agrícolas do BRICS.

Estamos gratos aos nossos parceiros indianos por assegurar a continuidade da agenda do BRICS de acordo com os resultados da cúpula de Ufá, realizada na Rússia, em julho de 2015. A Declaração de Ufá e o Plano de Ação, adotados lá, começaram a tornar-se realidade. Os parceiros indianos também propuseram uma série de iniciativas que pretendemos analisá-las no decorrer da cúpula.

No que se refere às propostas concretas da Rússia para a cúpula em Goa, é de lembrar que, durante a nossa presidência, foi adotada a Estratégia para uma Parceria Econômica que abrange as áreas promissoras da cooperação entre os países do “quinteto”. Agora está sendo elaborado o Plano de Ação para executá-la. A Parte Russa propôs mais de 60 projetos, uma espécie de roteiro, que poderiam ser implementados junto com os parceiros do BRICS (com um deles ou com todos). Acho que se nós pudermos conjuntamente determinar parceiros para a realização dos projetos mencionados, isso seria um passo importantíssimo no processo de modernização das economias dos nossos países.

Propriedade intelectual

A Rússia também está a favor do início da cooperação na área do comércio virtual (a análise de principais barreiras entre os países nesta área, a elaboração de melhores práticas de regulamento etc.), da facilitação dos procedimentos comerciais (junto com a Comissão Econômica Eurasiática), do apoio ao empreendedorismo pequeno e médio (lançamento de web-portal para as empresas pequenas e médias dos países do BRICS), da proteção da propriedade intelectual.

– Frequentemente o senhor fala sobre a necessidade de conectar os processos de integração, em particular a União Econômica Euroasiática e o Cinturão Econômico da Rota da Seda. Como seria possível usar o formato atual do BRICS para realizar tais iniciativas?

– A situação econômica e financeira mundial continua complicada, ainda não foram superadas as consequências da crise financeira global. É de lamentar que, neste contexto, alguns países procurem resolver os problemas acumulados através das medidas protecionistas. Tentativas de criar tais projetos fechados e não transparentes como o Acordo de Parceria Transpacífico ou o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento.

Princípios da OMC

A Rússia, bem como os nossos parceiros do BRICS, permanece fiel à formação dos espaços econômicos abertos. De caráter não discriminatório e baseados nos princípios da OMC.

É de lembrar que em 9 de julho de 2015, em Ufá, foi realizada a reunião no formato “outreach” com participação dos líderes dos países-membros da União Econômica Euroasiática, da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) e dos países-observadores da OCX. Em particular, durante essa reunião, foi discutida a questão de conexão entre os grandes projetos de infraestrutura de escala regional e trans-regional.

Neste contexto, nós propusemos a ideia da conexão entre a construção da União Econômica Euroasiática e a do Cinturão Econômico da Rota da Seda. No futuro, esse processo poderia servir como base para criação da Grande parceria euroasiática com a participação de amplo leque de países que fazem parte da União Econômica Euroasiática, da OCX e da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Bloco regional

Partimos da ideia de que essa parceria seria aberta para a adesão de todos os países interessados e seria construída levando em consideração os princípios de transparência e respeito mútuo. O potencial da cooperação dos países do BRICS também pode ser utilizado para a realização dessa iniciativa. Esperamos que a Índia, que demonstra grande interesse, apoie a nossa proposta.

Estamos convencidos de que esse tema continuará a ser discutido em Goa, durante a reunião dos líderes dos países do BRICS e do bloco regional BIMSTEC.

– Se imaginarmos o território entre a Índia e a Rússia, entendemos que a situação não é simples, há muitos problemas e contradições. Na Vossa opinião, quais desafios e problemas se tornarão os principais e os mais críticos para os países da região em 10 anos?

– A situação no território entre a Índia e a Rússia continua muito tensa. Em particular, a situação no Afeganistão continua a causar preocupação. São necessárias ações resolutas para ajudar este país a lidar com tais desafios e ameaças como terrorismo, extremismo e tráfego ilícito de drogas. A Rússia e a Índia estão unidas em prol da necessidade de apoiar os esforços para promover reconciliação nacional com base nos princípios do direito internacional. Estão interessados no aprofundamento da cooperação multilateral construtiva que busca prestar apoio ao Afeganistão na resolução dos problemas da segurança doméstica. No aumento do potencial de combate antidrogas, promoção do desenvolvimento socioeconômico e ampliação da interligação.

Espaço econômico

Em um contexto mais amplo, o nosso país está disposto a desenvolver na região mencionada os formatos da interação que permitam reagir rapidamente aos desafios à segurança emergentes, procurar, conjuntamente, meios para coibir as ameaças potenciais. Acreditamos que o papel principal deve pertencer à Organização para a Cooperação de Xangai, que tem ampliado sucessivamente a sua geografia. Por exemplo, a Índia e o Paquistão estão no processo de adesão à OCX. No âmbito da OCX, intensificam-se os esforços para elevar o nível de confiança, consolidando os princípios genuinamente coletivos no processo de reação a crises e desenvolvimento da cooperação multifacetada.

A promoção ativa pela Rússia – com apoio dos nossos parceiros – dos planos já mencionados sobre a criação do espaço econômico único na Eurásia, também contribui para suavizar as contradições. Essa “integração das integrações”, baseada nos princípios de abertura e consideração dos interesses de todas as economias nacionais, permitirá incluir essa região no desenvolvimento geral, promovendo, assim, a sua estabilidade.

Ataque a bomba na Turquia deixa 18 mortos e amplia conflito com os curdos

Outras 27 pessoas, incluindo 11 soldados, ficaram feridos na explosão, que atingiu a estação de Durak, na Turquia, a 20 km (12 milhas) da cidade de Semdinli

 

Por Redação, com agências internacionais – de Ancara

 

Dez soldados turcos e oito civis foram mortos neste domingo, quando supostos militantes curdos detonaram um caminhão-bomba. O atentado destruiu um ponto de verificação perto de uma posto militar no sudeste do país. As informações foram passadas aos jornalistas durante entrevista do primeiro-ministro, Binali Yildirim.

Após a explosão, as equipes de resgate tentavam salvar as vítimas do atentado, na Turqui

Após a explosão, as equipes de resgate tentavam salvar as vítimas do atentado, na Turqui

Outras 27 pessoas, incluindo 11 soldados, ficaram feridos na explosão, que atingiu a estação de Durak, 20 km (12 milhas) da cidade de Semdinli. Trata-se de um dos ataques mais mortais na região recentemente.

Turquia versus curdos

A montanhosa província de Hakkari, na Turquia, onde o ataque aconteceu, fica perto da fronteira com o Iraque e Irã. É uma das principais áreas de tensão em um conflito entre militares turcos e militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), por três décadas.

O ataque ocorreu por volta de 9h45 (horário local), quando um pequeno caminhão se aproximou do ponto de verificação e ignorou a ordem de parar. Os soldados abriram fogo, afirmou o escritório do governador de Hakkari.

Uma bomba no veículo foi detonada, que, segundo o primeiro-ministro, Binali Yildirim, continha cerca de cinco toneladas de explosivos. Autoridades estavam em alerta para possíveis ataques no domingo. A data marca os 18 anos do dia que o líder do PKK, Abdullah Ocalan, fugiu para a Síria. Ele foi capturado pelas forças especiais turcas em fevereiro do ano seguinte. Desde então, ele está preso em uma ilha perto de Istambul.

No sábado, um homem e uma mulher que autoridades suspeitam serem militantes do PKK, detonaram explosivos e se mataram. A dupla agiu perto da capital Ankara em um conflito com a polícia.

Conflito no Iêmen

Na manhã deste sábado, o ex-presidente do Iêmen Ali Abdullah Saleh apelou aos rebeldes para mobilizarem suas forças na fronteira com a Arábia Saudita. O apelo ocorreu depois do ataque aéreo que vitimou mais de 100 pessoas.

De acordo com a ONU, em resultado do ataque em Sanaa, realizado na véspera, morreram 140 pessoas. Mais de 500 ficaram feridas. Segundo dados de outras fontes, o número de vítimas chega a 213 pessoas.

A coalizão árabe insiste em não ter participado do ataque.  Segundo a agência russa Sputnik Árabe, que cita a televisão local, Saleh apelou para “estarem prontos a acolher combatentes e a chamar os jovens para a frente de combate em Najran, Jizan e Asir”. As três regiões pertencem à Arábia Saudita.

Saleh também pontuou a importância da “resistência à agressão interna” por parte das forças do governo. Durante sua presidência, Ali Abdullah Saleh era adversário do movimento xiita Ansar Allah (houthis). Mas se tornou seu aliado no conflito que começou em 2014 contra o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi.

Manifestantes entram em confronto com polícia na África do Sul

A polícia usou granadas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo contra centenas de estudantes que marcharam pelo campus da universidade em Johanesburgo

Por Redação, com Reuters – de Johanesburgo:

Manifestantes na Universidade de Wits, na África do Sul, atacaram viaturas policiais com pedras e viraram um dos carros nesta terça-feira, à medida que a violência cresceu em protestos contra os altas custos do ensino.

Manifestantes durante protesto estudantil na África do Sul
Manifestantes durante protesto estudantil na África do Sul

A polícia usou granadas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo contra centenas de estudantes que marcharam pelo campus da universidade em Johanesburgo e fizeram uma dança que se tornou popular durante a luta contra o regime do apartheid.

Pelo menos duas pessoas foram presas mais cedo quando a polícia cumpriu uma ordem judicial contra aglomeração pública em Wits.

As manifestações sobre o custo da educação em universidades, que é alto demais para muitos estudantes negros, aumentou a frustração sobre a desigualdade no país mais industrializado da África, mais de duas décadas após o fim do regime racial do apartheid.

Os primeiros protestos tiveram início no ano passado e então tiveram uma pausa quando o governo congelou o aumento de mensalidades e criou uma comissão para investigar o sistema de financiamento estudantil.

As manifestações voltaram, no entanto, e forçaram o fechamento de algumas salas em universidades quando a comissão informou em 19 de setembro que as taxas irão aumentar, embora com um limite de 8 por cento em 2017.

EUA, Rússia e parcela do Islã definem rumos da guerra no Oriente Médio

Na guerra que se desenvolve no Oriente Médio, o governo da Síria não emitiu um comentário oficial sobre a trégua, mas no sábado a imprensa síria afirmou que o governo tinha dado a sua aprovação, citando fontes privadas. O Irã saudou o acordo neste domingo

 

Por Redação, com agências internacionais – de Allepo, Síria, Paris e Sanaa

 

O enfrentamento entre as políticas que, atualmente, dividem o mundo, segue adiante no Oriente Médio na tentativa de consolidação de espaços territoriais na Síria, país dividido pela guerra civil. Neste domingo, tropas do governo e rebeldes pareciam estar lutando para fortalecer suas posições em diversas partes da Síria, na véspera de uma trégua acordada entre o governo e grupos rebeldes, destinada a aliviar o sofrimento dos civis.

O tabuleiro de xadrez do Oriente Médio abriga interesses dos mais diversos
O tabuleiro de xadrez do Oriente Médio abriga interesses dos mais diversos

Um monitor de guerra relatou à agência inglesa de notícias Reuters os confrontos ao redor de Aleppo e Damasco, mas investidas do governo no noroeste montanhoso e de rebeldes no sudoeste indicaram um esforço para melhoria de suas posições antes do fim dos combates, que devem se encerrar nesta segunda-feira.

Fonte: SputnikNews - Gráfico - Oriente Médio
Fonte: SputnikNews – Gráfico – Oriente Médio – Síria

Acordos de paz anteriores desmoronaram dentro de semanas, com os EUA acusando o presidente Bashar al-Assad e seus aliados de atacar grupos de oposição e civis. No sábado, os ataques aéreos em áreas controladas pelos rebeldes mataram dezenas de pessoas. Neste domingo, um oficial de um grupo rebelde disse que facções insurgentes iriam emitir mais tarde uma declaração cautelosa de boas-vindas ao cessar-fogo, mas expressando preocupação sobre o que eles vêem como uma falta de sanções acordadas para o governo em caso de quebra do acordo.

O governo da Síria não emitiu um comentário oficial sobre a trégua, mas no sábado a imprensa síria afirmou que o governo tinha dado a sua aprovação, citando fontes privadas. O Irã saudou o acordo neste domingo. Já os EUA, imersos na lembrança do 11 de Setembro de 2001, não teceram qualquer comentário. Nas redes sociais, porém, a oficial da Agência Central de Inteligência (CIA) Amaryllis Fox, já na reserva, presta um depoimento sobre as intenções do seu país e demais aliados, no Oriente Médio. Assista ao vídeo:

Sunitas versus houthis

Ainda neste domingo, morreram até agora 21 civis em dois ataques aéreos separados, realizados por uma coalizão liderada pelos sauditas no norte do Iêmen no sábado, afirmaram moradores neste domingo, num momento em que a luta se intensifica no país antes da festa muçulmana de Eid al-Adha.

Os moradores disseram que pelo menos 15 civis foram mortos quando aviões de guerra miraram trabalhadores em atividades de perfuração por água na área de Beit Saadan do distrito de Arhab, no norte de Sanaa, e que outras 20 pessoas ficaram feridas. Segundo os moradores, aviões de guerra da coalizão liderada pelos sauditas bombardearam o local e mataram quatro trabalhadores, aparentemente confundindo a máquina de perfuração com um lançador de foguetes.

Os aviões realizaram um segundo ataque, quando os moradores da aldeia correram para o local, matando pelo menos mais 11 pessoas e ferindo 20. O general Ahmed al-Asseri, porta-voz da coalizão, disse que “todas as operações na área tinham como alvo posições do grupo Houthi e seus membros”.

A coalizão, que tem lutado para reverter os ganhos obtidos pelo grupo Houthi desde 2014 e restaurar o presidente deposto Abd-Rabbu Mansour Hadi ao poder, diz que não tem civis como alvo. O Houthi é aliado do Irã. No segundo ataque no sábado, moradores relataram uma investida aérea que atingiu a casa de Sheikh Maqbool al-Harmali, um chefe tribal local no distrito de Hairan, província de Hajjah, matando seis civis. A ONU diz que mais de 10 mil pessoas já foram mortas nos combates, muitas delas civis.

EI na França

Dentro da disseminação do conflito entre setores do Islã e o Ocidente, a França confirma ser alvo de possíveis novos atentados do Estado Islâmico (EI), em um curto espaço de tempo. Neste domingo, o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, disse que novos ataques podem acontecer no país, mas que propostas do ex-presidente Nicolas Sarkozy para aumentar a segurança não seriam a maneira certa de lidar com as ameaças.

A capital francesa foi colocada em alerta elevado na semana passada quando autoridades disseram ter desmantelado uma “célula terrorista” que planejava um ataque a uma estação de trem em Paris, sob orientação do Estado Islâmico.

— Esta semana, pelo menos dois ataques foram frustrados — disse Manuel Valls em uma entrevista veiculada pela rádio Europe 1 e pela televisão Itele nesta tarde.

Valls disse que há 15 mil pessoas no radar da polícia e dos serviços de inteligência que estariam no processo de se radicalizarem.

— Haverá novos ataques, haverá vítimas inocentes… também é meu papel dizer a verdade para os franceses — preveniu Valls.

Em uma entrevista ao jornal Le Journal du Dimanche, Sarkozy disse que a França precisa ser mais dura com militantes ao criar cortes especiais e novas cadeias para elevar a segurança.

— Ele está errado ao tentar torcer o pescoço do Estado de direito — conclui Valls.