Explosão em depósito de gás mata dezenas de pessoas na Nigéria

Trabalhadores, clientes e vizinhos sofreram graves queimaduras provocadas pela explosão

Por Redação, com ABr – de Lagos:

Dezenas de pessoas morreram na explosão de um caminhão num depósito de gás na cidade nigeriana de Nnewi, no Sudeste do país, disseram nesta sexta-feira à agência espanhola EFE testemunhas no local.

O acidente ocorreu na quinta-feira, enquanto os clientes abasteciam os veículos para as festas de Natal.

Trabalhadores, clientes e vizinhos sofreram graves queimaduras provocadas pela explosão, que destruiu também alguns edifícios próximos. Os sobreviventes foram levados para um hospital da região.

– Um caminhão que descarregava gás incendiou-se e provocou a explosão. Quando pudemos aproximar-nos do local vimos que tinha acontecido uma terrível carnificina – disse Joe Okeke, morador de Nnewi.

Os sobreviventes foram levados para um hospital da região
Os sobreviventes foram levados para um hospital da região

Boko Haram: ataques impedem que 1 milhão de crianças frequentem a escola

Nos quatro países, o fundo calcula que mais de 2 mil escolas estão fechadas e centenas foram incendiadas, saqueadas ou destruídas pelo Boko Haram

Por Redação, com Sputnik Brasil – de Beninsheik:

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou nesta terça-feira um dado alarmante. Os ataques do grupo Boko Haram à população de Nigéria, Niger, Chade e Camarões afastou mais de 1 milhão de crianças da escola desde 2011. A este número, somam-se 11 milhões em idade para o ensino primário que já não frequentavam as salas de aula.

– É um número impressionante. O conflito tem sido um grande golpe para a educação na região, e a violência tem mantido muitas crianças fora da sala de aula por mais de um ano, colocando-os em risco de abandonar a escola por completo – afirmou o diretor da Unicef para a África Central e Ocidental, Manuel Fontaine.

Nos quatro países, o fundo calcula que mais de 2 mil escolas estão fechadas e centenas foram incendiadas, saqueadas ou destruídas pelo Boko Haram. As instituições que permaneceram de pé e onde há condições das crianças chegarem funcionam com salas de aula superlotadas. Os estudantes ainda precisam dividir os espaços com desabrigados do conflito.

O Exército nigeriano havia recebido a incumbência do presidente, Muhammadu Buhari, para livrar o país do grupo radical, que jurou fidelidade ao Estado Islâmico. No entanto, os ataque na região continuam. O último de grandes proporções aconteceu no último domingo, em Beninsheik, no Estado de Borno.

Segundo autoridades da Nigéira, três suicidas com idades entre 10 e 15 anos foram detidos por um grupo de autodefesa civil e um deles detonou um cinturão de explosivos. Além dos jovens, outras seis pessoas morreram e 24 ficaram feridas. No dia 16 deste mês, em Mafa, quatro meninas provocaram uma explosão, morrendo e matando um policial.

Os estudantes ainda precisam dividir os espaços com desabrigados do conflito
Os estudantes ainda precisam dividir os espaços com desabrigados do conflito

BokoHaram mata mais que o EI

O número de mortes causadas pelo terrorismo subiu 80% e atingiu um recorde histórico no último ano: foram 32.658 vítimas no mundo todo, a maior parte concentrada em cinco países, e quase metade delas por conta do Boko Haram e do Estado Islâmico, segundo o Índice do Terrorismo Global 2015.

Elaborado pelo Instituto para a Economia e Paz (IEP), de Sydney, o relatório revela que os militantes da Nigéria matam mais pessoas do que os seus aliados do Iraque e da Síria. Não que haja uma competição entre os dois movimentos extremistas: o Boko Haram jurou lealdade ao Estado Islâmico em março deste ano.

Segundo a pesquisa, os jihadistas africanos tomaram a vida de 6.644 pessoas em 2014, em comparação com as 6.073 vítimas fatais do autoproclamado califado islâmico no Oriente Médio. Juntos, os dois foram responsáveis por 51% de todas as mortes reivindicadas por grupos terroristas no ano passado, e por quase 40% de todas as mortes causadas pelo terrorismo global (incluindo baixas em campo de batalha, por exemplo).

 

Francisco encerra viagem com visita a mesquita em local sitiado

Por Redação, com Reuters – de Bangui:

O papa Francisco visitou um dos bairros mais perigosos do mundo, nesta segunda-feira, para pedir a cristãos e muçulmanos que acabem com uma espiral de ódio, vingança e derramamento de sangue que já matou milhares de pessoas nos últimos três anos.

Sob intenso esquema de segurança, Francisco passou por uma zona isolada para entrar em PK5, um distrito onde a maioria dos muçulmanos que não fugiram da capital da República Centro-Africana agora busca refúgio.

Papa Francisco durante encontro com moradores de Bangui, República Centro-Africana
Papa Francisco durante encontro com moradores de Bangui, República Centro-Africana

O bairro foi separado do resto da capital Bangui pelos últimos dois meses por um cerco das chamadas milícias cristãs anti-Balaka, que bloqueiam a entrada de suprimentos e impedem os muçulmanos de sair.

Uma presença pesada das forças de paz da ONU, com fuzis e coletes à prova de bala, era vista por todo PK5 e veículos blindados armados com metralhadoras foram posicionados ao longo da rota da comitiva do papa.

Atiradores da ONU foram posicionados no alto dos minaretes que decoram a mesquita verde e branco recém-pintada, onde centenas de muçulmanos de PK5 ouviram quando Francisco fez um apelo pelo fim da violência.

– Cristãos e muçulmanos são irmãos e irmãs – disse o papa depois de um discurso do imã Moussa Tidiani Naibi, um dos líderes religiosos locais que tentam promover o diálogo.

– Aqueles que dizem crer em Deus também devem ser homens e mulheres de paz – disse ele, observando que os cristãos, muçulmanos e seguidores de religiões tradicionais viveram juntos em paz por muitos anos.

O papa Francisco vai terminar a viagem para a África com uma missa para dezenas de milhares de católicos no estádio nacional da República Centro-Africana, antes de retornar a Roma.

Paz e tolerância

O papa Francisco pediu no domingo “uma grande paz” e tolerância na República Centro-Africana durante uma visita a um campo de refugiados, onde vivem cerca de 7 mil deslocados internos devido a conflitos religiosos no país.

– Sem tolerância, o perdão não é possível – disse o pontífice no campo que fica próximo à capital Bangui e abriga pessoas que fugiram da violência entre cristãos e muçulmanos.

Milhares de pessoas morreram e quase 25% da população do país, que possui 4,7 milhões de habitantes, foi obrigada a abandonar suas casas desde que rebeldes Seleka, de maioria muçulmana, derrubaram o presidente em março de 2013.

Francisco também foi recebido pela presidente interina do país, Catherine Samba-Panza. No encontro, o papa criticou a xenofobia e pediu que a igreja católica local promovesse a reconciliação no país.

– Unidade é para ser vivida e construída com base na diversidade maravilhosa do nosso ambiente, evitando a tentação do medo de outros, do desconhecido, do que não é parte do nosso grupo étnico, da nossa opinião política e da nossa confissão religiosa – afirmou Francisco.

Esperanças de paz

Após o encontro com o pontífice, Samba-Panza pediu perdão em nome da classe dirigente pela “descida aos infernos”, em alusão à violência no país, e afirmou que a visita era uma “bênção do céu” que poderia contribuir para solucionar o conflito na região.

Ao chegar ao país, o papa foi recebido por representantes católicos e muçulmanos. “O Santo Padre não veio à República Centro-Africana visitar os católicos, mas para visitar os centro-africanos. É um bom sinal de reconciliação entre muçulmanos e centro-africanos”, afirmou El Adji Tchakpabrede, representante da comunidade islâmica.

Em Bangui, Francisco percorreu a cidade no papamóvel, apesar da preocupação das autoridades locais de que não seria possível garantir a segurança do pontífice.

A República Centro-Africana foi a terceira e última parada do papa na sua primeira viagem ao continente africano , na qual ele visitou também o Quênia e Uganda . Estima-se que 180 milhões de católicos vivam na África. A região é onde o número de fiéis mais cresce no mundo.

 

Francisco diz que favelas são ‘feridas’ causadas pela desigualdade

Por Redação, com Reuters – de Nairóbi:

Durante visita em uma favela de Nairóbi nesta sexta-feira o papa Francisco, definiu essas comunidades como “feridas” abertas por uma rica e poderosa elite, e exortou os governos africanos a fazerem mais para tirar o povo da pobreza.

Em sua primeira visita ao continente, o pontífice tem defendido a luta pelos pobres, tanto em declarações públicas como no seu modo de vida, evitando as vantagens institucionais do Vaticano.

Papa Francisco durante visita a Nairób
Papa Francisco durante visita a Nairób

Mesmo antes de se tornar o primeiro papa da América Latina, em 2013, o argentino era conhecido como o “bispo-favela” por causa de suas frequentes visitas a essas comunidades de Buenos Aires.

O Quênia é a primeira parada em sua turnê pela África, que também o levará para Uganda e a República Centro-Africana, uma nação pobre, dilacerada por conflitos sectários entre muçulmanos e cristãos.

Ao fazer um apelo ao diálogo religioso e a medidas para enfrentar as mudanças climáticas, quando visitou os escritórios da ONU em Nairóbi, Francisco se voltou para os temas da desigualdade e a pobreza, que têm sido sua principal preocupação em homilias e discursos.

Em seu último dia no Quênia, o papa visitou o distrito de Kangemi, em Nairóbi, um bairro de estradas esburacadas, esgotos a céu aberto e barracos precários, localizado a algumas centenas de metros de blocos de apartamentos em edifícios inteligentes e condomínios fechados.

Dirigindo-se aos moradores das favelas, trabalhadores de entidades beneficentes e o clero, em uma igreja local, o papa falou da “injustiça terrível da exclusão urbana” representada em tais áreas pobres.

– Estas são as feridas infligidas por minorias que se agarram ao poder e riqueza, que egoisticamente desperdiçam enquanto uma crescente maioria é forçada a fugir para periferias abandonadas, sujas e degradadas – disse.

 

 

Papa diz que diálogo é vital para evitar a violência

Por Redação, com Reuters – de Nairóbi:

O diálogo entre as religiões na África é essencial para ensinar os jovens que a violência em nome de Deus é injustificada disse o papa Francisco nesta quinta-feira no Quênia, país onde têm ocorrido ataques de militantes islamistas.

Resolver as divisões entre muçulmanos e cristãos é o principal objetivo de sua primeira turnê no continente, a qual também inclui Uganda, país que, como o Quênia, tem sido alvo de uma série de ataques islamistas, e à República Centro-Africana, dilacerada por conflitos sectários.

Papa Francisco em meio a multidão em Nairóbi
Papa Francisco em meio a multidão em Nairóbi

Iniciando o giro pela capital queniana, Francisco se encontrou com muçulmanos e outros líderes religiosos antes de celebrar uma missa ao ar livre para dezenas de milhares de pessoas encharcadas pela chuva, que cantaram, dançaram e ulularam quando ele chegou num papamóvel aberto.

– Muitas vezes os jovens estão se radicalizando em nome da religião para semear a discórdia e o medo, e para rasgar a estrutura das nossas sociedades – disse ele a cerca de 25 líderes religiosos.

O diálogo inter-religioso “não é um luxo. Não é algo extra ou opcional, mas essencial”, disse o pontífice, sublinhando que o nome de Deus “nunca deve ser usado para justificar o ódio e a violência”.

Ele se referiu aos ataques da Al Shabaab, grupo islamista da Somália, no centro comercial Westgate Nairobi e na universidade de Garissa, este ano. Centenas de pessoas foram mortas nos últimos dois ou três anos, e os cristãos às vezes são o alvo preferencial de homens armados.

O presidente do Conselho Supremo dos Muçulmanos do Quênia, Abdulghafur El-Busaidy, fez um apelo pela cooperação e tolerância. “Como pessoas de um só Deus e deste mundo, temos de nos posicionar, e em uníssono”, disse o papa.

O giro africano de Francisco também busca a aproximação com a crescente população católica do continente, que deve chegar a meio bilhão de pessoas até 2050.

Um terço dos 45 milhões de habitantes do Quênia é católico.

 

Papa inicia viagem a países da África

Por Redação, com agências internacionais – de Lisboa:

O papa Francisco iniciou nesta quarta-feira a sua primeira viagem ao Continente Africano, ao qual pretende levar uma mensagem de paz, justiça social e diálogo entre o islã e o cristianismo.

Até o dia 30 deste mês, ele visitará o Quênia, Uganda e a República Centro-Africana, três países onde as comunidades cristãs estão na defensiva diante dos movimentos jihadistas, como as milícias shebab somalis (principalmente após o massacre no Quênia de 150 estudantes na Universidade de Garissa, em abril do ano passado) ou o Boko Haram.

Papa Francisco inicia viagem ao Quênia, a Uganda e à República Centro-Africana
Papa Francisco inicia viagem ao Quênia, a Uganda e à República Centro-Africana

Em Nairobi, capital do Quênia e primeiro destino da viagem, o papa vai discursar na sede do Programa da Organização das Nações Unidas para o Ambiente e da ONU-Habitat, uma visita muito esperada que ocorre alguns dias antes do início da conferência sobre alterações climáticas em Paris (COP21).

Em Uganda, no Santuário de Namugongo, Francissco celebrará missa comemorativa dos primeiros santos africanos, 22 jovens mártires cristãos, como Charles Lwanga, queimados vivos no fim do século 19 por ordem do rei Mwanga, de quem eram pajens e se recusaram ser escravos sexuais.

No próximo domingo, será aberta a “porta santa” na Catedral de Bangui, capital da República Centro-Africana, onde têm sido registrados episódios de violência entre milícias muçulmanas e cristãs. O evento é  visto como uma antecipação simbólica da abertura oficial, em Roma, do Jubileu da Misericórdia (ano santo da misericórdia).

Antes do início da viagem ao Continente Africano – na qual estão previstas reuniões com pobres, jovens, cristãos e também com muçulmanos – o papa Francisco pediu que a paz e a prosperidade se tornem estáveis na África.

 

– Vou com alegria para o Quênia, Uganda e os irmãos da República Centro-Africana – disse ele a repórteres a bordo de seu voo para Nairóbi. “Vamos esperar que esta viagem traga melhores frutos, tanto espirituais como materiais.”

Milhões de cristãos, católicos e de outras denominações, são esperados para as celebrações públicas, o que representa um desafio para as forças de segurança nacionais na proteção do pontífice e das enormes multidões.

Nos últimos dois anos o Quênia tem sido alvo de uma série de ataques do grupo islamista somali Al Shabaab, que matou centenas de pessoas. Em 2013, a invasão de homens armados do Al Shabaab em um shopping center de Nairóbi causou a morte de 67 pessoas.

Potencialmente, a parada mais perigosa pode ser a terceira etapa da viagem, a República Centro-Africana. Dezenas de pessoas foram mortas no país desde setembro, em atos de violência entre rebeldes Seleka, na maioria muçulmanos, e milícias anti-Balaka, cristãs.

Perguntado se estava nervoso com a viagem, o papa desconsiderou as preocupações sobre a visita com uma piada: “Para dizer a verdade, a única coisa que me preocupa são os mosquitos. Você trouxe o seu spray?”.

A Igreja Católica da África está crescendo rapidamente. Havia um número estimado de 200 milhões de adeptos em 2012, mas a previsão é que alcance meio bilhão em 2050. Cerca de 30 %  dos 45 milhões de quenianos são católicos por batismo, incluindo o presidente Uhuru Kenyatta.

 

EI tem recursos para construir armas químicas, afirma Rússia

Por Redação, com Ansa – de Moscou

O grupo extremista Estado Islâmico (EI, ex-Isis) possui tecnologia suficiente para produzir armas químicas, acusou o diretor do Departamento de Assuntos de Não-Proliferação e Controle de Armas do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Ulianov, citado pela agência russa de notícias Tass, nesta quinta-feira.

O Estado Islâmico é o exército do califado em vigor no norte da Síria e do Iraque
O Estado Islâmico é o exército do califado em vigor no norte da Síria e do Iraque

– Foram registrados muitos exemplos de usos de armas químicas na Síria e no Iraque por parte de militantes do EI – disse o especialista.

Ulianov ressaltou que “não se trata apenas do uso de cloro com fins militares, acusação que também recaiu sobre Damasco”.

– Há indícios de uso de verdadeiras armas químicas, como gás mostarda (iperita) e lewisite (um tipo tóxico de gás), cuja a produção exige tecnologias complexas – afirmou Ulianov.

Desde setembro, a Rússia realiza bombardeios independentes na Síria sob argumento de combater o avanço do Estado Islâmico, o qual teria recrutado e treinado cidadãos de países da antiga URSS.

No entanto, os Estados Unidos e países europeus, que integram uma coalizão internacional, acusam Moscou de, na verdade, atacar rebeldes e opositores do presidente sírio, Bashar al-Assad, para fortalecer o regime local, um aliado seu na região. O EI domina o norte da Síria e do Iraque, onde estabeleceu um califado regido pela sharia (lei islâmica).

O grupo, considerado um dos mais organizados e autofinanciados, utiliza técnicas de execução, decapitação e sequestros para conquistar territórios. O governo norte-americano analisa atualmente a possibilidade de enviar tropas para a linha de frente no combate ao EI, uma mudança incisiva na política do país para a região.

O avanço do Estado Islâmico na Síria se deve, principalmente, ao vácuo de poder causado pela guerra civil local, iniciada em 2011, no âmbito da Primavera Árabe, para derrubar o governo de Assad. Organizações internacionais já investigaram o uso de armas químicas no conflito entre o Exército e os rebeldes sírios.

Presos políticos iniciam greve de fome em Angola

Por Redação, com agências internacionais – de Luanda:

Em Junho, foram presos em Luanda 15 ativistas cívicos. Os jovens estavam reunidos numa residência particular com o objetivo de lerem e discutirem um livro sobre técnicas de ação não violenta visando a substituição de regimes ditatoriais.

Alguns destes ativistas tornaram-se conhecidos nos últimos anos ao darem o rosto, em diversas manifestações, a favor da democratização e pacificação de Angola, e de um desenvolvimento social mais justo. Tais manifestações foram sempre duramente reprimidas pela polícia.

O governo angolano acusou os jovens de atentar contra a ordem pública e segurança de estado. Num discurso público, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos veio caucionar a acusação, associando-a ao que se passara com os trágicos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Pessoas detidas por tentativa de golpe de Estado são, naturalmente, presos políticos.

Pouco depois de o Tribunal Supremo ter negado o pedido de Habeas Corpus requerido pela defesa, cumpriram-se 90 dias desde a prisão dos jovens. 90 dias em solitária, em condições precárias para a sua saúde física e mental. Foi, assim, esgotado o primeiro prazo normal e o segundo excepcional de prisão preventiva, sem que a Procuradoria Geral da República comprovasse os crimes de que são indiciados.

Luaty Beirão inicia greve de fome
Luaty Beirão inicia greve de fome

À meia noite do dia 21 de setembro, Domingos da Cruz, Inocêncio de Brito, Luaty Beirão e Sedrick de Carvalho tomaram a decisão extrema de iniciar uma greve de fome. De acordo com a sua vontade, este protesto só terminará quando forem soltos, sendo que o estado de saúde dos ativistas é bastante preocupante. A situação é de enorme angústia para os familiares e amigos dos jovens democratas e para todas as pessoas comprometidas com a democracia e a liberdade. Dado o delicado estado de saúde de alguns deles, devido a um tratamento médico deficiente e a várias carências alimentares, uma greve de fome pode vir a representar uma ameaça às suas vidas.

Caso as autoridades não reajam, as consequências desta greve de fome poderão ser trágicas. Silenciar é compactuar com a injustiça.

Exigimos que se façam todos os esforços para preservar a vida e a saúde de todos os presos políticos. Exigimos que se quebre o silêncio. Exigimos Liberdade e respeito pelos Direitos Humanos em Angola.

Exigimos Justiça. A situação é urgente. Nenhuma pessoa pode sentir-se livre sabendo que há, outras pessoas presas por sonharem com um mundo mais justo. Nós partilhamos desse mesmo sonho que levou os jovens à cadeia, o mesmo sonho que agora pode custar-lhes a vida. Liberdade já!

Boko Haram: explosões deixam mortos e feridos na Nigéria

Por Redação, com ABr – de Maidiguri:

Pelo menos 21 pessoas morreram em atentados perpetrados no domingo, provavelmente pelo grupo islâmico Boko Haram em Maiduguri, no Nordeste da Nigéria, disseram nesta segunda-feira testemunhas, citadas pela Agência France Press.

Em comunicado, o porta-voz do Exército, Sani Usman, informou que “houve três explosões de dispositivos improvisados nas zonas de Gomari e Ajilari, em Maiduguri, às 07h21 (21h21 de domingo em Brasília)”. O comunicado não precisou o número de vítimas.

Testemunhas citadas pela agência, no entanto, falam de quatro explosões, incluindo uma em uma mesquita. Um grupo de pessoas que assistiam à transmissão de um jogo na televisão teria morrido nas explosões, totalizando 21 vítimas.

O Boko Haram, que quer criar um estado islâmico no Norte da Nigéria
O Boko Haram, que quer criar um estado islâmico no Norte da Nigéria

Sani Usman considerou que, “apesar de os pormenores não estarem claros, é importante notar que os ataques demonstram um elevado grau de desespero por parte dos terroristas do Boko Haram”.

O Exército nigeriano tem feito uma série de avanços contra o Boko Haram, após o presidente Muhammadu Buhari ter, recentemente, fixado um prazo de três meses para eliminar os extremistas.

Maiduguri, capital do Estado de Borno e local de nascimento do Boko Haram, é o centro da atividade do grupo há seis anos.

O Boko Haram, que quer criar um estado islâmico no Norte da Nigéria, já matou pelo menos 15 mil pessoas e obrigou o deslocamento de mais de 2 milhões de habitantes, desde 2009.

Imigrantes vivem episódios de medo e violência na Europa

Por Redação, com agências internacionais – de Atenas e Roma:

Cerca de 4,7 mil imigrantes foram resgatados perto do litoral da Líbia neste sábado enquanto tentavam chegar à Europa, mas uma mulher foi encontrada morta, informou a guarda-costeira da Itália. Dezenas de milhares de pessoas, a maioria de África e Oriente Médio, têm tentado cruzar o Mediterrâneo neste ano, muitas vezes amontoadas perigosamente em pequenas embarcações inadequadas para a viagem. Navios de tamanho médio também são usados na travessia e costumam partir superlotados.

Imigrantes agarram-se ao navio que parte de um dos portos na Líbia
Imigrantes agarram-se ao navio que parte da Líbia, com mais gente do que pode levar

A guarda-costeira disse em um comunicado que havia coordenado 20 operações de resgate envolvendo várias embarcações, resgatando pelo menos 4.343 migrantes a bordo de botes infláveis e barcaças. Em um dos botes, o corpo de uma mulher foi encontrado, disse a guarda-costeira, sem fornecer mais detalhes sobre a possível causa da morte.

Outras 335 pessoas foram recolhidas como parte de uma missão de resgate coordenada pela Grécia e estavam sendo encaminhadas para um porto na Itália. Milhares de outros imigrantes têm sido forçados a buscar rotas alternativas quando seguem rumo à Croácia e à Hungria, onde sofrem com a violência dos policiais, a fome e a sede.

Naufrágio

Uma menina que teria cinco anos de idade morreu neste sábado, e 13 outros imigrantes estariam desaparecidos após o naufrágio do barco onde estavam em meio a violentas marés perto da ilha de Lesbos, disse a guarda-costeira grega.

Um segundo grupo de 40 pessoas exaustas alcançou a ilha a bordo de um pequeno barco, após uma traumática travessia a partir da Turquia. Eles remaram 10 quilômetros ao longo da noite depois que o motor da embarcação quebrou.

— Quando estava no mar… Eu não tinha nenhuma esperança… Eu disse: estou morto agora mesmo, ninguém pode me ajudar — disse Mohammed Reza, de 18 anos, depois de ter sido retirado do barco por voluntários estrangeiros.

Centenas de milhares de refugiados, a maioria sírios, têm enfrentado corajosamente a curta mas perigosa travessia da Turquia para as ilhas do leste da Grécia este ano, sobretudo em barcos infláveis precários e superlotados.

Reza, que fugiu do Afeganistão e deixou o restante da família no Irã, disse à agência inglesa de notícias Reuters TV:

— A água se misturou ao combustível… e estávamos no mar há cerca de sete ou oito horas sem nenhuma água ou qualquer comida.

Ele disse que as guardas-costeiras grega e turca não ajudaram o grupo de homens, mulheres e crianças.