Equador diz que acordo com Odebrecht está próximo

Maior grupo de construção da América Latina, a Odebrecht admitiu em dezembro que pagou propina a autoridades de 12 países da região

Por Redação, com Reuters – do Quito:

O Equador está próximo de fechar um acordo com a empreiteira Odebrecht que permitirá ao país obter informações detalhadas sobre uma suposta rede de subornos e receber uma indenização, disse nesta quinta-feira um procurador equatoriano.

Até o momento não foram identificadas as autoridades equatorianas suspeitas de receberem pagamentos ilegais
Até o momento não foram identificadas as autoridades equatorianas suspeitas de receberem pagamentos ilegais

Maior grupo de construção da América Latina, a Odebrecht admitiu em dezembro que pagou propina a autoridades de 12 países da região. Em troca de obter contratos lucrativos, em um esquema revelado no âmbito da operação Lava Jato. No Equador, os subornos da empresa teriam alcançado US$ 33,5 milhões.

– O tema central, o penal, acho que está praticamente acordado. O que falta? Estão definindo o esquema sobre possíveis indenizações a serem pagas – disse o procurador Galo Chiriboga ao canal de TV Ecuavisa.

O procurador acrescentou que a empresa brasileira aceitou que o acordo seja público em sua maior parte. E concordou em entregar a Quito as mesmas informações repassadas a Brasil, Suíça e Estados Unidos sobre sua rede de propinas.

Até o momento não foram identificadas as autoridades equatorianas suspeitas de receberem pagamentos ilegais.

Irregularidades

O presidente do Equador, Rafael Correa, expulsou a Odebrecht em 2008 por irregularidades na construção de uma central hidrelétrica. Mas dois anos depois a empresa retornou ao país após fechar um acordo que incluiu o pagamento de uma indenização.

As autoridades locais analisam, como parte da investigação aberta pela Procuradoria em dezembro. Cerca de 30 contratos firmados pela Odebrecht com empresas públicas equatorianas.

Dentro da investigação a Procuradoria pediu que o Estado equatoriano fosse proibido de firmar novos contratos com a Odebrecht. O bloqueio de pagamentos de US$ 40 milhões à empreiteira e a apreensão de documentos e equipamentos nos escritórios da companhia no país.

O Equador trabalha no caso em parceria com Peru e Colômbia.

Centrais sindicais convocam manifestação na Argentina

O presidente Mauricio Macri prometeu reduzir a inflação de cerca de 30%, que herdou da antecessora Cristina Kirchner, ao assumir em dezembro de 2015

Por Redação, com ABr – de Buenos Aires:

As centrais sindicais e organizações sociais da Argentina convocaram uma manifestação, nesta terça-feira, para exigir do governo aumentos salariais que compensem a inflação. O Banco Central estabeleceu, para este ano, meta inflacionária de 17%, mas no ano passado o custo de vida aumentou 40%.

Centrais sindicais convocam protesto na Argentina
Centrais sindicais convocam protesto na Argentina

No dia anterior, os professores iniciaram greve nacional, que atrasou o início das aulas. Em uma grande manifestação, no centro de Buenos Aires, eles exigiram aumentos salariais de 35%. O governo ofereceu 18%, para poder cumprir a meta inflacionária.

O presidente Mauricio Macri prometeu reduzir a inflação de cerca de 30%, que herdou da antecessora Cristina Kirchner, ao assumir em dezembro de 2015. No seu primeiro ano de governo, o custo de vida aumentou, graças, em parte, aos reajustes das tarifas públicas.

Crise

O governo também prometeu abrir a economia para atrair investimentos. Segundo a Central dos Trabalhadores da Argentina, 400 postos de trabalho foram fechados. A queda de braço entre o governo e os sindicatos ocorre em ano de campanha eleitoral.

Em outubro serão realizadas eleições legislativas, e Macri precisa obter maioria no Congresso se quiser aprovar as reformas que prometeu. Sua rival política, a ex-presidente Cristina Kirchner, que lidera a Frente para a Vitória, da oposição, foi convocada para depor na Justiça sobre um caso de lavagem de dinheiro, no mesmo dia do protesto sindical. Ela pediu a seus seguidores que, em vez de acompanhá-la ao tribunal, saiam às ruas em apoio aos sindicatos.

Líder da oposição na Venezuela recebia propina da Odebrecht, investiga MP

Aécio recebeu seu aliado na Venezuela contra o chavismo, de forma efusiva em Brasiília, Caprilles pode ser preso por movimentar propina da Odebrecht

Em 15 de fevereiro, a Justiça da Venezuela, que ora investiga Caprilles, congelou as contas bancárias e os ativos da Odebrecht no país

 

Por Redação, com agências internacionais – de Caracas

 

Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, Henrique Capriles foi denunciado ao Ministério Público daquele país sob suspeita de ter movimentado US$ 3 milhões em propinas da empreiteira brasileira Odebrecht. Uma vez confirmada a denúncia, poderá ser preso a qualquer momento.

Aécio recebeu seu aliado na Venezuela contra o chavismo, de forma efusiva em Brasiília, Caprilles pode ser preso por movimentar propina da Odebrecht
Aécio recebeu seu aliado na Venezuela contra o chavismo, de forma efusiva em Brasiília, Caprilles pode ser preso por movimentar propina da Odebrecht

O suspeito foi recebido em Brasília, de forma efusiva no início deste ano, por um grupo de senadores. Entre eles o candidato derrotado em 2014 ao Palácio do Planalto Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano também é citado nas delações premiadas do grupo empresarial, que o registrou sob o codinome ‘Mineirinho’.

— Estamos pedindo que a Procuradoria ordene uma medida cautelar para alienar e onerar os bens que sejam propriedade do sr. Capriles, provenientes do delito, e que seja declarada medida privativa de liberdade — afirmou o político chavista Luis Tellerías. Tellerías apresentou a denúncia em nome da ONG Frente Anticorrupção, da qual é presidente.

Em 15 de fevereiro, a Procuradoria informou que a Justiça venezuelana congelou as contas bancárias e os ativos da Odebrecht no país, depois do escândalo de propinas da empreiteira envolvendo funcionários do governo em vários países da América Latina.

Odebrecht na Venezuela

Capriles, que governa Miranda desde novembro de 2008, nega irregularidades. Ele tenta escapar. Assegura que as contratações com a Odebrecht foram feitas durante a gestão de Diosdado Cabello (2004-2008), hoje deputado e um dos líderes do chavismo.

Em janeiro, o Ministério Público anunciou que solicitou à Interpol uma ordem de captura contra uma pessoa, que não foi identificada.
Sem mencionar o nome de Capriles, o presidente Nicolás Maduro disse que “há um governador envolvido” que poderia ir preso.

— Já no Brasil é feita uma investigação. E foi ordenado a um banco suíço que entregue os movimentos sobre os depósitos da Odebrecht a Capriles — afirmou Tellerías.

Há duas semanas, o governo venezuelano prendeu dois jornalistas brasileiros que investigavam denúncias de propina da Odebrecht no país. Eles foram liberados um dia depois.

Pesquisa aponta que eleitores voltarão às urnas no Equador

No Equador, é possível ser eleito presidente em primeiro turno com o apoio de apenas 40% do eleitorado, desde que haja uma diferença de pelo menos 10 pontos percentuais

Por Redação, com ABr – do Quito:

Dados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira, indicam que o candidato governista à presidência do Equador, o esquerdista Lenin Moreno, será o mais votado nas eleições desse domingo. Mas ele provavelmente terá que disputar um segundo turno, no dia 2 de abril, com o segundo colocado, o conservador Guillermo Lasso.

Dados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira, indicam que o candidato governista à presidência do Equador, o esquerdista Lenin Moreno, será o mais votado nas eleições
Dados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira, indicam que o candidato governista à presidência do Equador, o esquerdista Lenin Moreno, será o mais votado nas eleições

No Equador, é possível ser eleito presidente em primeiro turno com o apoio de apenas 40% do eleitorado. Desde que haja uma diferença de pelo menos 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 81,4% dos votos apurados, Moreno estava na frente, com 38,9% dos votos, seguido por Lasso, com 28,5%.

Presidentes depostos

Antes mesmo de a contagem de votos terminar, Lasso recebeu o apoio da candidata Cynthia Viteri, que ficou em terceiro lugar, com 16,3% dos votos. Ela prometeu votar nele, em abril. Mas o presidente do CNE, Juan Pablo Pozo, alertou que só poderá confirmar a realização de uma segunda votação depois que todas as urnas forem apuradas.

As eleições presidenciais deste ano marcam o fim da era Rafael Correa, que conclui seu terceiro mandato em maio, depois de governar o Equador durante uma década. Ele ainda conta com a aprovação de quatro em cada dez equatorianos. Associam os governos dele à estabilidade política e econômica. De 1997 até a primeira eleição de Correa em 2006, o país teve oito presidentes, sendo que três foram depostos.

Economista com formação nos Estados Unidos e na Bélgica, Correa aproveitou a alta dos preços das commodities. Para investir em educação, saúde e infraestrutura, reduzindo a pobreza. Ele foi reeleito em 2009 e em 2013. Mas também foi criticado por sua política personalista e populista e por avançar sobre as instituições e a imprensa. Correa diz que vai voltar à Bélgica quando deixar o cargo. Sua mulher é belga e dois de seus três filhos vivem na Europa.

Cargo

Seu coordenador de campanha, Zambrano Patricio Restrepo, um dos articuladores da Revolução Cidadã de Correa, foi entrevistado pela economista e jornalista Marilza de Melo-Foucher. Restrepo falou sobre a chance de seguir adiante com os projetos de Correa, caso Moreno seja eleito, no segundo turno.

Restrepo tem mestrado em Relações Internacionais na Universidade Simon Bolívar Andina, é licenciado em Sociologia pela Université de Paris VIII, com diploma em Políticas Públicas e Integração do Instituto Superior de Estudos de Integração e Desenvolvimento Bogotá, Colômbia.

Parlamentar andino, Restrepo vem exercendo a vice-presidência do Escritório de Representação Parlamentar Nacional do Equador. É presidente da Comissão Especial de Combate à Corrupção e da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Comunicação.

– Você poderia fazer um breve resumo da esquerda no Equador?

– Contextualizando um pouco vamos narrar os anos da esquerda no Equador. Em 1926 ocorre a primeira reunião para a fundação do Partido Socialista Equatoriano, e, nesse mesmo ano um grupo de pessoas decidiu formar o terceiro partido no Equador, chamando Partido Socialista do Equador; antes havia o Partido Liberal e o Partido Conservador como em todas as cidades latino-americanas. Em 1932 um grupo pró-russo decide romper com o PSE e criam o Partido Comunista do Equador.

Estes partidos participaram da disputa eleitoral, durante os anos 60, quando houve em seguida uma ditadura no Equador (1972-1979) e, posteriormente, culminou em um triunvirato. O retorno da democracia se da com a eleição do presidente Jaime Roldós, que foi morto na fronteira com o Peru, em um acidente de avião por um ataque da CIA, enquanto participava de uma viagem presidencial; informações que em atualidade sabemos.

Nesta época, um novo processo político se começa a construir com a participação de intelectuais equatorianos que se unem e buscam uma atuação política livre e presente. Assim, durante os anos 70 vamos ter uma participação política nos diversos municípios e províncias do Equador, adquirindo mandatos na legislatura equatoriana.

Todavia, vale ressaltar que o poder sempre esteve nas mãos da direita, que procurou manter suas sinecuras, seus próprios compromissos.

A esquerda vai se unir e nesse período e vai propor políticas sociais que possam beneficiar as camadas sociais até então esquecidas pelos partidos de direita. Durante os anos 70/80 a esquerda aumenta sua influência, e consegue revitalizar os movimentos sociais e outras organizações, promovendo o sindicalismo. Mais tarde irão participar no processo de retorno ao governo civil.

O PSE torna-se então a força política eleitoral mais importante da esquerda.

Este terceiro partido faz emergir temáticas anteriormente ausentes, que antes não surgiam da sociedade. Começa então a luta em defesa dos trabalhadores, na aquisição de espaços e plataformas de trabalhadores, segurança social. Muitas dessas categorias sociais, atores sociais eram até então, invisíveis pelos partidos tradicionais. Essa luta será aderida por grandes personagens que encontram o seu lugar dentro dessa proposta de política, grandes intelectuais como Carrera Andrade, Benjamin Carrion; estes irão propor uma mudança radical dentro do Partido Socialista no que se refere à matriz exercida no Equador, mas especialmente a matriz econômica equatoriana.

– Quais são os fundamentos do PS equatoriano?

– Uma das bases fundamentais de todos os membros do Partido Socialista ou que passaram pelo PS, foi o marxismo. Identificamos-nos com o traçado filosófico de Marx. Por exemplo, a luta de classes, nós pensamos que é essencial em uma sociedade livre, exigimos um mundo sem conflitos sociais, porém, até agora a luta de classe social é iminente. A redistribuição da riqueza deve ser uma das propostas fundamentais de atores políticos, destacando especialmente o papel do estado, que deve salvaguardar a integridade e boa distribuição dos recursos que pertencem a todos os cidadãos equatorianos.

– Quando se inicia a instabilidade política e a luta contra o modelo econômico neoliberal?

– No início dos anos 90, realizou-se uma das mais fortes manifestações do movimento indígena no Equador, a marcha percorreu desde oriente equatoriano até cidade de Quito, trazendo queixas e reivindicações à Presidência da República. E, nesse momento surge um novo movimento e é criado um partido político chamado Pachakutik, representando o movimento indígena equatoriano.

É então que se inicia um grande período de instabilidade política, com nove ou 10 presidentes em exercício. O povo equatoriano elegia um presidente, entretanto, as classes dominantes, não satisfeitas com as suas decisões decidiam mobilizar a sociedade para protestar nas ruas.

A partir desse momento, eles tinham argumentos para retirar do poder o presidente legitimamente eleito pelo povo. Esta instabilidade durou dez anos.

Citando alguns casos: Abdala Bucaram assumiu como presidente interino em dez de agosto de 1996, seu mandato dura pouco tempo, ele será destituído em 6 de fevereiro de 1997, por uma votação no Congresso que justifica sua “incapacidade mental para governar” sem que haja um atestado médico que o comprovasse.

Depois de sua queda disputou o poder a então vice-presidente Rosalia Arteaga e o presidente do Congresso Fabian Alarcon. Será Alarcon que ira substituir o presidente deposto.

Democracia Popular

Ele permanecera na presidência no período de 11 de fevereiro de 1997 a 09 de agosto de 1998. Alarcón não tinha um rumo traçado na condução econômica do país que estava com um déficit fiscal insustentável, além das relações conflitantes com o Peru.

Em seguida Jamil Mahuad será eleito Presidente pelo Partido Democracia Popular em duo Gustavo Noboa. Seu mandato também será curto (1998 a 2000) e vai ser interrompido por um golpe cívico-militar.

Durante seu mandato foi emitido uma lei de resgate bancário que destinou recursos do estado para resolver os problemas dos bancos privados que tinham quebrado.

Em 1999 explode uma crise financeira, chamado “feriado bancário”, que levou ao encerramento de vários bancos do Equador. A partir desse momento, piora instabilidade política e econômica, as pessoas saíram às ruas e decidiu que Jamil Mahuad não era mais o presidente do Equador.

Em 21 de janeiro de 2000, foi derrubado quando as Forças Armadas do Equador retiraram o seu apoio. As ruas de Quito foram ocupadas pelos membros da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) que avançaram rumo ao Congresso Nacional.

Amigo dos EUA

A CONAIE teve apoio de um grupo de coronéis das Forças Armadas que agia independentemente da instituição militar. À meia-noite foi anunciada a criação de um triunvirato em que índios foram representados por Antonio Vargas, o coronel Lucio Gutierrez e Carlos Solorzano Constantino, que representou a sociedade civil.

Assume o poder o senhor Gustavo Noboa, o novo presidente assume constitucionalmente diante do Congresso, no dia seguinte a presidência do Equador, Senhor Mahuad é declarado destituído pelo congresso segundo a cláusula de “abandono de poder”.

Em seguida, uma nova eleição popular é organizada e Lucio Gutierrez, um ex-coronel do exército será eleito pelos atores da esquerda como Pachakutik, MPD, Partido Socialista, porque os seus requisitos estavam focados em igualdade de classe. O coronel Lucio Gutierrez vai imediatamente se declarar como o melhor amigo dos Estados Unidos e abandona as propostas sociais que faziam parte do acordo que a esquerda tinha selado com ele.

O mandato de Gutierrez vai durar de 15 de Janeiro de 2003 e 20 de abril de 2005. Ele será deposto da presidência por uma revolta popular. Assume então o poder Alfredo Palácio que governou no período de 20 de abril de 2005 a 14 de janeiro de 2007. Esse relato é para vocês terem idéia da instabilidade que o pais viveu.

– Qual foi o presidente começou a dolarização?

– O Equador adotou oficialmente o dólar como em 2000, durante o governo de Jamil Mahuad. Essa medida ocasionou uma forte desvalorização da moeda nacional, o “sucre” combinado com uma forte inflação. Isto causou um efeito inflacionário negativo sobre a economia do país. A instabilidade monetária e a falta de credibilidade na moeda Sucre afetou a solvência do sistema financeiro do país, causando entre outros, a deterioração dos salários, pensões, afetando mais a classe média baixa. Com Lucio Gutierrez já estávamos na época dolarizada e continuamos com os mesmos problemas econômicos e instabilidade política.

– Quando Esquerda unida chega ao poder?

– No final de 2006, temos uma vitória e foi eleito Presidente da República, Rafael Correa Delgado, formado na Universidade Católica do Equador com os jesuítas, mais tarde foi fazer seu mestrado em Louvin, na Bélgica, terminando seu doutorado nos Estados Unidos, na Universidade de Illinois.
Em 2007, o Partido Socialista Equatoriano, em unidade com os partidos de esquerda do Equador, decidiu apoiar este jovem cujo discurso sustentava uma mudança radical para o Equador.

Todavia, toda a sua visão política, o componente ideológico nasceu a partir da esquerda, de lutas sociais. Não da própria filiação em partidos políticos, mas sim, da luta nas universidades, sendo ele um economista brilhante, decano da Faculdade de Economia, uma das mais prestigiadas universidades no Equador. Depois ele engloba todas as nossas plataformas de luta e assume como suas próprias reivindicações, anti-neoliberal, anti-imperialista; Diante da crise econômica buscávamos uma economia mais solidária e, uma pessoa que abraçasse todas as nossas propostas.

Nesse momento, quando assumimos o poder, a esquerda estava unificada, forte e com um compromisso para construir um novo estado, com a responsabilidade de consolidar a fundação de um novo país, era urgente unir a esquerda para o benefício da grande maioria do Equador. Assim, em 2007, começou a construção deste novo processo de mudança que conhecemos como Revolução Cidadã.

– Como explicar a “revolução da cidadania»?

– A esquerda política agrupa as posições políticas que tem como ponto central a defesa da igualdade social. A busca da igualdade social se apresenta como um objetivo prioritário do seu programa político, embora muitas vezes a igualdade seja obtida à custa de alguns direitos individuais. No entanto, a direita política considera as diferenças sociais, como inevitável, normal ou natural.

Nós sempre dissemos que a esquerda se caracteriza pela nossa capacidade de reflexão, de análise e de crítica. Uma pessoa, que se diz de esquerda deve ser sempre crítica e autocrítica, porque a autocrítica é a base fundamental da concepção ideológica pessoal, mas, as críticas devem ser construtivas, visando beneficiar a sociedade, e, não somente para o benefício dos pensamentos; muitas vezes refletir sobre ações que podem ser benéficos para a maioria, pode parecer utópico na sua construção ou, podem destruir outros setores, dos quais nós não percebemos porque não somos parte deles.

O exercício da administração pública, sem dúvida, leva-nos a tomar decisões que muitas vezes podem acomodar vários setores e prejudicar os outros. Quando falamos em favorecer a determinados sectores, tais como os setores produtivos, devemos considerar que o Equador deve ter um crescimento permanente e, pode por vezes, prejudicar fragmentos que são ideologicamente contra esses setores.

No governo do presidente Rafael Correa, a administração pública tem sido repletas de necessidades, o que poderia chamá-las de necessidades prementes, urgentes que beneficiam certos sectores. Porém, ao prevalecer certo pragmatismo na execução de políticas governamentais, podemos afetar certos ideais, não princípios, ideais de construir o nosso estado ou nação.

E como é que vamos começar? Começamos pela prioridade mais urgente para garantir uma governabilidade, depois de tantos anos de instabilidade institucional. Tínhamos que realizar uma mudança da constituição. Propor uma nova constituinte, a escolha de um novo sistema.

Quando falamos de constituinte, nos referimos a um regime nascido de zero, que é dado ao legislador todo o poder para que ele possa exercer as mudanças necessárias, tanto na lei, como na administração pública. Para este desafio de elaboração de uma constituinte era necessário uma esquerda unida e solida, necessitávamos de uma constituinte com um povo unido.

Começamos a consolidar o estado que queremos e o resultado é uma constituição avançada em seus princípios, eu acho que é uma Constituição com a maior quantidade de direitos no mundo, ela foi realizada com a participação de todos os sectores, todos os segmentos de esquerda, do centro e da direita.

Todos unidos participaram na construção de uma constituição para o benefício de todo o povo, não como antes, que era em beneficio apenas do setor econômico. Aprovamos esta constituição e começamos de novo a lutar na arena política, ou seja, a existência ou a imposição de nosso pensamento que venha da esquerda ou da direita.

Expulsos do Equador

Em 2009, tivemos eleições gerais, e, os resultados obtidos, vão ser favoráveis ao nosso projeto político da “revolução da cidadania”, ao presidente Correa. Porém, para gerir um estado, nós também temos que adquirir a confiança dos partidos políticos, que teve um descrédito e desgaste de 10 anos devido à instabilidade política.

Isso nos permite refletir sobre os rumos do país, o que queremos é ver um país que possa progredir. Um país dotado de tecnologia, de infra-estruturas, com uma malha rodoviária que permite comunicar e escoar nossos produtos do interior para os mercados.

Um país que toma as suas decisões a nível internacional, com autodeterminação, sem imposições vindas do estrangeiro. Não queremos que o capital financeiro chegue por um mês e se retire novamente.

Livre de tudo o que chamamos de aconselhamento específico em detrimento do crescimento que nós definimos para o estado, ou seja, nós não acreditamos em receitas do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, que, aliás, foram expulsos do Equador.

– Para deixar claro para os nossos leitores, vocês enfrentaram a instabilidade política e também ao neoliberalismo não só como um modelo econômico, também como uma ideologia. Como criaram as condições de governabilidade?

– Tudo isto se combate destruindo os cimentos, não só do pensamento, para isto, temos que ter alternativas políticas, propostas concretas que têm custos e devemos assumir esses custos. Muitas vezes, nossos pensamentos políticos ou nossos princípios políticos, entre aspas, não nos deixam assumir esses custos, e, é desse modo que o exercício da administração pública também precisa de certo grau de pragmatismo na tomada de decisões.

Pode ser que alguns segmentos da população irão discordar de certas decisões, porém, temos que toma-las em conta, isto é, ou construirmos escolas, hospitais, estradas, melhoramos os salários, aperfeiçoamos oProduto interno Bruto (PIB), otimizamos as condições de vida dos cidadãos, para conseguir isso, necessitávamos gerar mais recursos; ou nós não geramos recursos e não fazemos nada para conseguir que todas as pessoas tenham uma vida boa e digna.

– Explique então porque hoje a esquerda é contra a esquerda no Equador? Por que esta ruptura na esquerda antes unida?

– Um dos problemas foi ocasionado por uma proposta de iniciativa geral lançada no Equador, uma proposição que causou uma ruptura nos setores de esquerda. Geralmente, esses setores são aqueles que defendem a natureza, o ambiente, mas, também temos que considerar que devemos confrontar enormes desafios na gestão de um estado, por isso, se tomou a decisão de propor ao mundo a não extração do petróleo.

Isto significava que todos os países que precisam de petróleo seriam co-partícipe do pagamento de petróleo que estamos deixando de explorar. O governo propôs emitir os chamados “Yasuni certificados de garantia” (CGY), documentos que garantiam que o Equador ia deixar o petróleo no subsolo. Infelizmente, a iniciativa fracassou, o mundo decidiu que não, deu a entender que eles não estavam interessados no petróleo do Equador.

O governo precisava ter recursos para executar os projetos de melhoria do setor de saúde, construções de hospitais, para a educação, para as estradas, e muitos outros serviços para a sociedade equatoriana. Foi por isso, que eles decidem explorar o Yasuni, e assim, começa um momento de tensão entre a esquerda que diz que se deve explorar o petróleo e outra que não deve explorar.

Para a esquerda governista era necessário explorar o petróleo, porque eram necessários esses recursos para melhorar a vida todos os cidadãos.

Isto é um dos fatos que levou o afastamento de algumas organizações sociais? Este foi o debate entre as esquerdas por um tipo de distinto de governabilidade.

 

Ações políticas

Começa então um momento de conflito entre certos grupos de esquerda que estão a favor do governo e alguns grupos de esquerda abandonaram o governo, que inicialmente o apoiaram. Estes grupos de esquerda que já não estão apoiando o governo nacional se radicalizaram, e voltaram para o seu exercício natural que é a reivindicação nas ruas.

Passaram a lutar, organizando manifestações contra o governo. Tentaram assim, criar uma instabilidade política ao governo Correia, mais um novo desequilíbrio político.

O governo decide contrariar essas ações, a resposta aos opositores era realizar o maior número de execução de obras e propostas. Geralmente, distinto do que fazia a direita quando estava no poder. Para calar os protestos dos movimentos de esquerda o governo concedia certos benefícios para os dirigentes de classe para satisfazê-los e deixavam continuarem suas ações políticas.

Essa é a forma como a direita no passado funcionava, eles ofereciam certas sinecuras a certos líderes de esquerda para que possam continuar a fazer suas reivindicações e seguir a luta popular à maneira deles. Essa sempre foi uma tática da direita em todo o mundo.

– Depois da saída de muitos representantes da esquerda no governo, como passou a agir o governo? Como são distribuídos as secretarias e Ministérios? São escolhidos por competências ou por filiação política?

Correa decidiu que ele não daria privilégios a ninguém e que se deveria mudar. Era o momento de despolitizar certos sectores, como o sector da educação que era dirigido pelo colega MPD – Movimento Democrático Popular, que tinha este espaço como algo que a direita tinha deixado para eles. Apenas aqueles que eram membros deste movimento político tinham acesso ao setor de educação.

Correa decidiu terminar com essa má política, porque esse modo de agir político não podia perdurar no país. Não devemos permitir que determinados grupos políticos se apoderassem de setores como neste caso, o da educação. Atualmente a educação já é acessível a todos e podemos acessar esse direito.

Nós acreditamos que não estamos em um país socialista, mas estamos contribuindo na construção do socialismo, no momento que a sociedade se apodera da competência política, ela pode assumir suas próprias decisões, mas não para a classe política.

– A esquerda é capaz de se questionar, de refletir e de trabalhar suas próprias contradições e fazer autocrítica? Que opina o Presidente do maior partido de esquerda do Equador?

Evidentemente, eu penso que quando você não aceita entender as contradições, não pode agir para corrigi-las. Quando aqueles que participam de um projeto comum tentam boicotar ou derrubar o governo porque não cumpriu com o que eles queriam, torna-se difícil de aceitar refutações que são direcionados para formular um golpe estado. Um governo responsável deve proteger a propriedade privada e evitar a pilhagem dos ministérios, isto não se pode aceitar.

– Como você analisa esta situação, quando a esquerda se volta contra a esquerda? A esquerda não consegue identificar mais quem é o adversário político e o inimigo? Na frente dos desafios do mundo global e da ideologia neoliberal como criar estratégias e alternativas? Eis uma longa questão…

Acredito que nossa sociedade na América Latina se tem convertido em uma busca de um melhor estilo de vida para os cidadãos, se isso é chamar de socialismo, se isto é dizer-se de esquerda…, o que eu posso dizer e estou convencido que quando alguém se diz de esquerda, deve lutar por melhoria de todos. Seu oponente ou adversário não é a esquerda e sim a direita, o fato de termos diferenças não quer dizer ser adversário. Nosso adversário comum é o império, dai seremos sempre anti-imperialista.

Todo homem, toda mulher de esquerda deve ser anti-imperialista, porque não vamos permitir que, em qualquer caso, que o império imponha suas decisões em nossos países soberanos. Sempre vamos ser plural no econômico, nossa meta é construir uma economia de baixo para cima e, sempre transparente.

Organizações sociais

Você aceita que os governos de esquerda tenham contra-poderes para revitalizar a democracia? A chamada “revolução da cidadania” no Equador, em princípio, era para congregar diferentes grupos políticos, cidadãos de diferentes categorias sociais. Logicamente, esta iniciativa leva o governo a trabalhar com diferenças e contradições. Muitos funcionam como contrapoderes para fazer que as coisas avancem.

Sim, concordo, todavia, com contra-poderes que venham fortalecer a democracia. Necessitamos de propostas concretas que nos levem a tomar decisões conjuntas. Ou seja, que os coletivos, as organizações sociais tragam propostas para serem analisadas e que coletivamente possam tomar decisões corretas.

Um grupo político, não pode impor sozinho, sua decisão para a maioria, e, em caso de ver rejeitada ir para as ruas para desestabilizar o governo. Isto é seu direito, mas não é uma decisão coletiva. Sabemos quem são os nossos inimigos, temos que lutar para que os postulados neoliberais não se imponham e venham assumir os governos em nossos países na América Latina.

– Qual avaliação deste final de governo “Correrista”, quais são as perspectivas futuras?

Nós acreditamos que é hora de continuar com as mudanças, para perpetuar um deslocamento para a esquerda e, isso significa que o Estado moderno no Equador foi consolidado. Podemos dizer também que avançamos na consolidação do estado de direito. Todavia, agora temos que entrar em um estado de obrigações para com a sociedade em benefício da maioria.

Temos que baixar os juros bancários, realizar uma reforma agrária, precisamos de uma sociedade, na qual todos têm a oportunidade de estudar e de educar-se. Precisamos liquidar com todas as dívidas que o Equador adquiriu, mas, tudo isto deve ser feito ao seu preço justo e, não aqueles que não são adequadas para o país. Precisamos continuar o processo de mudanças que nos permitem melhorar a sociedade como um todo.

– O que fazer para reaproximar os movimentos sociais, os movimentos de mulheres, movimento camponês, por exemplo?

Com a mesma capacidade que se tem para autocriticar, também devemos criticar a postura de certos companheiros (as) dentro dos movimentos, logicamente, eles podem ideologicamente ter razão em muitas coisas, todavia, às vezes é mais fácil destruir do que construir, o problema é que alguns nunca quiseram construir.

Temos que levar em conta que, existem movimentos sociais que são contra o governo de Rafael Correa, porém, existem também movimentos sociais que o apoiam, dentre estes, movimentos indígenas, trabalhadores, mulheres, que reconhecem que muitas coisas foram realizadas. Por exemplos: A violência de gênero é uma das maiores lutas que teve este governo, porque é o único na história do Equador, que tem permitido o acesso das mulheres aos lugares de tomada de decisão, é o único governo da América Latina em que seu gabinete é composto de 50% de mulheres e 50% dos homens.

Foram dados direitos de inscrição na segurança social interna as empregadas domésticas com um tratamento e salário justo. O Equador já mudou, mas precisamos continuar avançando nas reformas estruturais.

Lenin Moreno lidera eleição presidencial no Equador

Em uma eleição com oito candidatos, Moreno se aproximava do número necessário para evitar um segundo turno em abril e continuar um período de uma década de governo esquerdista

Por Redação, com Reuters – do Quito:

O candidato esquerdista governista Lenin Moreno estava nesta segunda-feira dentro da margem de vitória no primeiro turno da eleição presidencial do Equador, à medida que o órgão eleitoral do país contava cédulas durante a noite.

Lenin Moreno durante evento em Quito
Lenin Moreno durante evento em Quito

Em uma eleição com oito candidatos, Moreno se aproximava do número necessário para evitar um segundo turno em abril. E continuar um período de uma década de governo esquerdista, enquanto a América do Sul segue para a direita.

Embora equatorianos estejam irritados pela situação econômica e escândalos de corrupção. A oposição divide votos entre candidatos e o governista Aliança País continua popular entre muitos eleitores, graças a programas sociais.

Resultados

À medida que resultados saíam em partes do Equador, Moreno, ex-vice-presidente, estava com pouco menos de 40 % dos votos válidos. Uma diferença de 10 pontos percentuais com o rival mais próximo.

Ele tinha 38,88 %  dos votos válidos, contra 28,50 %  de Guillerme Lasso, com 80,9 %  dos votos apurados. Segundo contagem eleitoral oficial preliminar.

Simpatizantes do governo disseram que os votos de províncias favoráveis à atual administração e a votação de equatorianos no exterior pode levar Moreno, de 63 anos, à vitória.

Equatorianos vão às urnas para escolher novo presidente

Mais de 12 milhões de pessoas vão às urnas para escolher sucessor de Rafael Correa e representantes parlamentares. Últimas pesquisas mostram candidato governista, Lenín Moreno, na frente

Por Redação, com DW – do Quito:

As eleições presidenciais e legislativas começaram sem incidentes neste domingo no Equador, onde 12,8 milhões de pessoas estão aptas a eleger o sucessor do atual presidente, Rafael Correa, assim como o vice-presidente, cinco representantes para o Parlamento Andino e 137 integrantes da Assembleia Nacional para o período 2017-2021.

As eleições presidenciais e legislativas começaram sem incidentes neste domingo no Equador
As eleições presidenciais e legislativas começaram sem incidentes neste domingo no Equador

Além disso, os eleitores vão responder a uma consulta popular sobre uma iniciativa do governo que quer proibir todo funcionário público de ter bens em paraísos fiscais. As urnas abriram às 7h (9h de Brasília) e fecharam às 17h (19h), momento em que se conhecerão os resultados das pesquisas de boca de urna.

Para três horas mais tarde há a expectativa da divulgação de uma contagem rápida organizada pelo Conselho Nacional Eleitoral, com os resultados de uma apuração rápida de votos dos candidatos à presidência, com uma margem de erro inferior a 1%. Cinco horas depois do fechamento das urnas serão disponibilizados os primeiros resultados da eleição legislativa.

As últimas pesquisas davam vantagem ao candidato governista, Lenín Moreno, ex-vice-presidente de Correa (2007-2013) e que forma chapa com o atual vice-presidente, Jorge Glas. Atrás de Moreno aparecem o ex-banqueiro Guillermo Lasso, a social-cristã Cynthia Viteri, o social-democrata Paco Moncayo, os populistas Abdullah “Dalo” Bucaram e Patrício Zuquilanda, e os independentes Ivan Espinel e Washington Pesántez. Este são os principais candidatos:

Lenín Moreno, ex-vice-presidente

Eleito em 2007 vice-presidente de Correa, Moreno tem sido o rosto afável e bem-humorado do “correismo”. Sob uma cadeira de rodas desde 1998, após ser assaltado, ele é formado em administração pública. Os programas desenvolvidos sobre a defesa dos direitos das pessoas com necessidades especiais lhe deram prestígio internacional. Moreno, que nasceu em 1953, propõe seguir o curso social e econômico da chamada Revolução Cidadã e criar universidades de ensino técnico. Ele não fez novas propostas para tirar o país da severa crise econômica.

Guillermo Lasso, ex-ministro e ex-banqueiro

Este administrador de empresas de 61 anos foi presidente do Banco de Guayaquil entre 1994 e 2012, uma das instituições financeiras mais importantes do país. Em 1997, ele foi nomeado governador de Guayas, uma das três províncias mais importantes da nação. Logo se tornou ministro da Economia.

Membro da Opus Dei e contrário ao aborto, Lasso prometeu durante a campanha criar um milhão de empregos – porém, não deu muitos detalhes de como irá fazê-lo – e reduzir impostos. Ele apoia o livre-comércio e os acordos comerciais com os EUA e a União Europeia e se declarou abertamente contra o chamado Socialismo do Século 21.

Cynthia Viteri, ex-apresentadora de televisão

Ligada desde o começo da década de 1990 ao Partido Social-Cristão do Equador, Viteri é uma advogada que nasceu em 1965 em Guayaquil. Ela ficou conhecida como apresentadora de televisão. Como legisladora desde 1998, ela tem ocupado muitos cargos. Entre eles o de vice-presidente do Legislativo.

Para as eleições de 2017, depois de vários anos de intensa e ativa oposição à Revolução Cidadã, suas probabilidades de chegar ao segundo turno são baixas. Suas principais propostas são um plano de recuperação econômica familiar. A criação de 200 mil postos de trabalho e que o setor privado seja o promotor do emprego e desenvolvimento. Viteri buscaria a retirada do Equador de associações regionais, como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba).

Paco Moncayo, um militar com honras

A lista de condecorações que o general Paco Mocayo recebeu em seus 40 anos de vida militar preenchem uma página. Economista especializado em ciências internacionais, Mocayo. Depois de se aposentar da carreira militar. Ele foi duas vezes prefeito de sua cidade natal, Quito, entre 2000 e 2009.

Antes de se aposentar do Exército, ele participou ativamente da política. Apoiando os movimentos cívicos que eram contra a má gestão e fraudes nos governos que antecederam a 2007. Uma análise da Faculdade Iberoamericana de Ciências Sociais (Flacso) coloca Moncayo. Como único dos oito candidatos à presidência – no centro do espectro político.

Procurado pela Interpol, ex-presidente do Peru vai embarcar tranquilamente para Israel

Segundo a fonte, que pediu anonimato, não está claro por que os Estados Unidos não quiseram prender o ex-presidente do Peru

 

Por Redação, com Reuters – de Los Angeles, EUA

 

Autoridades norte-americanas informaram ao Peru que vão permitir que o ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que está sendo procurado, embarque em um avião da Califórnia com destino a Israel, nas próximas horas, segundo afirmou uma fonte do Ministério do Interior à agência inglesa de notícias Reuters. Toledo é alvo de uma ordem de de prisão no Peru devido a investigações sobre corrupção.

Ex-presidente do Peru, Toledo teria fugido com mais de US$ 20 milhões em propina recebida da Odebrecht
Ex-presidente do Peru, Toledo teria fugido com mais de US$ 20 milhões em propina recebida da Odebrecht

Segundo a fonte, que pediu anonimato, não está claro por que os Estados Unidos não quiseram prender o ex-presidente. A fonte afirmou ainda que o governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski estava pressionando para que os EUA mudassem de opinião. O ex-presidente havia reservado voo de San Francisco a Tel Aviv, acrescentou a fonte.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não respondeude imediato aos pedidos de comentários sobre o caso. O Peru ofereceu recompensa de US$ 30 mil por qualquer informação que possa levar à prisão de Toledo. Também informou que a Interpol emitiu alerta vermelho a 190 países membros para ajudar a encontrá-lo.

Toledo governou o Peru entre 2001 e 2006. Ele é acusado de receber pagamento ilícito da Odebrecht, estimado em US$ 20 milhões. Teria recebido a propina em troca da concessão de trechos da rodovia interoceânica.

O instante político nas eleições presidenciais do Equador

O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda

No Equador, perguntei a várias pessoas, aos taxistas, porque não havia nada que pudesse indicar que as eleições vão acontecer dia 19 de fevereiro

 

Por Marilza de Melo-Foucher – de Quito

 

Aproveitei de meu primeiro final de semana em Quito para sentir e apreender a cidade. Nada melhor que ir ao centro, ao coração da cidade. Caminhei bastante, parei nas esquinas em busca de mobilizações políticas, de algum evento, comício, mas, para minha surpresa não se passava nada! Não vi nenhum cartaz pregado nos muros, nenhum grafite, a cidade estava impecavelmente limpa e sem agitação política. Uma estranha calma reinava…

O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda
O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda

Perguntei a várias pessoas, aos taxistas, porque não havia nada que pudesse indicar que as eleições vão acontecer dia 19 de fevereiro. Recebi varias respostas: “Os equatorianos não são agressivos, dai não existem brigas como em outros países”; “Os equatorianos já sabem em quem irão votar”; “Aqui existe uma Lei que proíbe fixar cartazes nos muros, pichar as paredes e fazer propagandas barulhentas”; “Depois que mudaram as leis de financiamento melhorou muito, pois os partidos políticos não podem receber dinheiro das empresas para fazer campanhas, o financiamento é publico”.

Na segunda-feira sondei o pessoal do hotel antes de sair para visitar algumas organizações sociais. Perguntei sobre esta aparente calma na cidade em pleno período eleitoral. Algumas das respostas: “As coisas só irão esquentar quando faltar uma semana para as eleições”; “A crise não favorece ao candidato do governo”; “Os escândalos de corrupção prejudicam a reeleição”. Nenhum dos empregados respondeu a minha questão sobre em quem iam votar, apenas um sorriso maroto.

Eleições equatorianas

Os contatos mantidos com pessoas ligadas aos movimentos sociais e professores universitários apresentam visões distintas. Alguns são severos com Correa e sua administração. Outros são críticos, porém não negam os avanços sociais. Muitos assinalaram que o presidente Correa tem governado com certo autoritarismo. Segundo alguns, houve muitas repressões junto aos movimentos que deixaram de apoiar o governo. Deu pra perceber que existem muitas divisões no seio das organizações sociais.

Segundo informações oficiais, 12,8 milhões de cidadãos e cidadãs são convidados a votar na próxima eleição. Para 82,6% das pessoas cuja idade está entre 18 e 65 anos, o voto é obrigatório. Quanto ao restante, os jovens com idades entre 16 e 17, bem como e aqueles acima de 65 anos, o voto é voluntário. Por outro lado, cerca de 400 mil desses eleitores vivem no exterior e sobre a repartição por sexo, as coisas se movem mais ou menos em 50%.

Uma professora universitária de esquerda que encontrei, por sinal, muito crítica com o governo Correa, disse-me que se no Equador o voto não fosse obrigatório, certamente nesta eleição iria assistir a uma taxa de abstenção perto de 60%. Neste ponto, o indicador de indecisão nas pesquisas permanece muito elevado. Daí qualquer prognostico ser precipitado, segundo ela.

Sem fervor

Em três semanas de Equador seria impossível elaborar uma analise mais refinada, tendo em vista que não sou uma especialista, seria de minha parte uma desonestidade intelectual. O que descrevo aqui é apenas uma percepção geral, a partir dos atores locais encontrados, entrevistas realizadas, leitura de jornais e artigos sobre a situação política e eleitoral no Equador. Confesso que a situação é complexa. O cenário eleitoral atual exige cautela, pois se trata de uma eleição aparentemente sem grande fervor da cidadania, como pude comprovar.

Vale ressaltar que o contexto geral em que se desenvolvem as eleições atuais mudou muito com relação às eleições anteriores, que ocorreram em fevereiro de 2013, tendo em vista que existe um novo cenário geopolítico na região e no mundo, além de uma crise econômica mundial que perdura. Sem dúvida nenhuma, a hegemonia dos chamados governos progressistas ou pós-neoliberais se enfraqueceu na América do Sul; a direita sul-americana e mundial se fortaleceu e com ela a ideologia neoliberal.

Nesses últimos meses viu-se o risco de ruptura com o compromisso de integração regional, devido à vitória eleitoral de Mauricio Macri, na Argentina. Ao golpe político-parlamentar que afastou a presidenta Dilma Rousseff no Brasil. E, por último, a vitória do ultra-direitista Donald Trump em os EUA, entre outros.

‘Correísmo’

Até agora, as pesquisas dão uma vantagem ao candidato do governo, Lenin Moreno. Todavia, a Aliança Pais deve garantir o máximo de votos no primeiro turno para ter chances de aglutinar forças, face uma direita aparentemente dividida, mas que sempre se uniu contra a esquerda. Na outra ponta, existe um verdadeiro dilema para os adeptos da centro-esquerda, dita também esquerda moderada, e extrema esquerda nesta eleição. Como fazer suas campanhas eleitorais sem cair na alimentação do ódio ao “correísmo” forjado pela direita e seus meios de comunicação.

O risco é que seus votos no segundo turno sejam dados à direita e podem facilitar sua volta e a ascensão ao poder. Um partido que se reivindica do ideal de esquerda deve saber diferenciar o adversário político de esquerda do inimigo de direita.

Os partidos da esquerda opositora ao governo Correa criaram o Acordo Nacional para a Mudança. O candidato presidencial é Paco Moncayo, ex-comandante do exército equatoriano. O Acordo Nacional para a Mudança congrega organizações políticas como a Esquerda Democrática, a Unidade Popular, Pachakutik, o movimento da Ação Social e Solidaria (MASS), VIVE e Democracia Sim.

Políticas sociais

O candidato mais cotado da direita é Guillermo Lasso (Aliança CREO-SUMA). Lasso é um político com experiência eleitoral e, desde que perdeu as eleições de 2013, não deixou de viajar pelo país fazendo campanha e construindo sua própria imagem de um empresário moderno, bom gestor e de grande êxito. Em geral os candidatos de direita para a Presidência do Equador estão mais dedicados a atacar e criticar as políticas sociais e as realizações do governo de Correa do que apresentar propostas para a população.

O lema de sua campanha é “vamos para o cambio”. Entretanto, ele faz parte das forças políticas que levaram à crise explosiva de 1999. Outra candidata de direita é Cynthia Viteri, do Partido Social Cristiano. Este partido já teve grande influência no Equador, mas se desgastou desde 2006. Em seguida (segundo as pesquisas), encontra-se Abdala Bucaram, de Força Equador e Patricio Zuquilana, do Partido Sociedade Patriótica. Restam mais dois que são completamente inexpressivos.

A crise econômica que afetou o estado da economia nacional tem gerado um aumento do desemprego. Uma deterioração das condições de trabalho, a perda do poder aquisitivo. Um crescente endividamento das famílias mais humildes e, finalmente, a corrupção. Esta tem levado muitos equatorianos a ter uma visão deteriorada da política, ou seja, de que todo mundo rouba.

Modernização

Apesar das críticas de que tem sido alvo o governo Correa, ninguém pode negar que ele contribuiu para um processo de mudanças, que garantiu a estabilidade política e econômica ao Equador. Este país andino, entre 1996 e 2005, viveu em constante crise de governabilidade e econômica, que levou a derrubada de vários presidentes. Foram quase dez anos de instabilidade.

O governo de Correa se caracterizou pela centralidade do Estado como condutor do processo de modernização. Pela defesa da soberania nacional, desafiando os Estados Unidos ao fechar a base militar de Mante e expulsar o pessoal militar da embaixada norte-americana. E pela luta agressiva contra a Chevron, devido à destruição ambiental causada na Amazônia.

Tentou criar um corredor entre o modo de acumulação capitalista sem afetar a sua essência. E um modo de convivência pacifica com os ricos do Equador. A urgência do governo era gerar recursos para garantir políticas sociais compensatórias, com melhor distribuição de renda e melhores serviços públicos para a população. A exemplo dos investimentos feitos nos setores de saúde, educação e segurança social. Além de melhoria na infraestrutura, construção de estradas, portos, eletricidade etc., a fim de criar no Equador uma sociedade mais moderna e equitativa.

Neoliberalismo

Os campos de forças sociais e políticas hoje no Equador e América do Sul são muito complexos. Isso exige da esquerda realizar uma critica teórica e histórica de suas práticas e sentidos. Essa é a condição sine qua non para se projetar ao futuro. Infelizmente, a crítica é algo que nem sempre se aceita e, quando se aceita, muitas vezes o fazemos com relutância. A análise crítica sempre foi uma reivindicação de anos da esquerda. Porém, muitas vezes é justamente a própria esquerda que tem medo de analisar a realidade com um olhar crítico.

Na verdade, as diferenças ideológicas entre socialistas e comunistas não foram superadas. A unidade de esquerda sempre foi uma aspiração, nunca uma realidade. Todavia, diante da possibilidade de um caos político e social e da consolidação da ideologia neoliberal na América do Sul, o ideal seria que a esquerda buscasse pontos de convergências em seus programas, para garantir a próxima governabilidade.

Segundo François Houtart, outro dos grandes desafios no Equador é reconhecer que o Estado, para ser legítimo e eficaz, tem de ser um Estado heterogêneo, coexistindo com o multiculturalismo e, gradualmente, com a plurinacionalidade, dentro do âmbito da unidade Estado garantida pela Constituição.

Como se diz na campanha do candidato do governo: O Equador já mudou! Agora vamos consolidar mais direitos!

Marilza de Melo-Foucher é doutora em economia, especializada em questões de desenvolvimento. Trabalhou vários anos na cooperação internacional, hoje colabora com a imprensa alternativa e cidadã na França e no Brasil. Escreveu este texto durante uma visita a trabalho que fez ao Equador.

Odebrecht: juiz pede prisão de ex-presidente do Peru

Juiz emite ordem de prisão contra Alejandro Toledo, acusado de receber propina de 20 milhões de dólares para favorecer construtora. Empresa admitiu ter pagado subornos a funcionários peruanos entre 2005 e 2014

Por Redação, com DW – de Lima:

Um juiz emitiu nesta sexta-feira uma ordem de prisão preventiva contra o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo, por supostamente receber US$ 20 milhões em propinas da Odebrecht. Se não retornar imediatamente ao Peru, Toledo será incluído na lista dos foragidos mais procurados do país.

Alejandro Toledo foi presidente do Peru de 2001 a 2006
Alejandro Toledo foi presidente do Peru de 2001 a 2006

A lista dos mais procurados do Peru inclui pessoas acusadas de crimes graves e com ordens de prisão. Pelos quais o Ministério do Interior oferece recompensa financeira em troca de informações que permitam localizar e prender os foragidos, dentro ou fora do país.

O juiz Richard Concepción ordenou a prisão de Toledo por considerar que há evidências suficientes de sua intervenção em favor da Odebrecht na licitação das obras da estrada Interoceânica do Sul.

Segundo o promotor Hamilton Castro. Toledo recebeu US$ 20 milhões em subornos pagos entre 2006 e 2010. As propinas foram recebidas por meio de uma rede de empresas offshore. Em nome do empresário peruano-israelense Josef Maiman, amigo íntimo do ex-presidente.

O Ministério do Interior afirmou que enviará um alerta vermelho aos 190 países que compõem o sistema da Interpol. Assim que receber a notificação da decisão do juiz, que ordenou que Toledo fique preso preventivamente por 18 meses.

Esquema de subornos

A Odebrecht admitiu ter pagado US$ 29 milhões em subornos a funcionários peruanos entre 2005 e 2014. A empreiteira fechou um acordo com o Ministério Público do Peru para pagar US$ 9 milhões como uma antecipação da devolução dos lucros ilícitos obtidos com os subornos, além de entregar toda informação ou documentação que seja requerida pelas autoridades peruanas.

Entre os que ocuparam a presidência do Peru após a restauração da democracia no país, em 1980. Toledo é o que, neste momento, está envolvido no caso Odebrecht. A suposta propina de US$ 20 milhões foi denunciada por Jorge Barata, ex-diretor da construtora brasileira no Peru.

Toledo vive nos EUA, onde trabalha como pesquisador da Universidade de Stanford, e na semana passada esteve em Paris. Ele negou ter recebido subornos e acusou seus “inimigos” de terem gerado as acusações para se vingarem por ele ter defendido a recuperação democrática do país.

Colômbia e ELN iniciam negociações públicas de paz

Evento em Quito reuniu negociadores de ambos os lados. Equador mediará as conversas. Agenda abordará questões semelhantes às que foram discutidas com as Farc, como participação política e desarmamento

Por Redação, com DW – de Bogotá:

Depois meses de adiamentos, o governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo armado da Colômbia, começaram a fase pública de negociações para a paz. Um evento em Quito marcou o início do processo histórico, que será mediado pelo Equador.

Governo colombiano e ELN iniciam negociações públicas de paz
Governo colombiano e ELN iniciam negociações públicas de paz

Os líderes das equipes de negociadores do governo colombiano, Juan Camilo Restrepo, e do ELN, Pablo Beltrán. Além de representantes do governo equatoriano, participaram da cerimônia que abriu as mesas públicas de diálogos para a paz.

– Felizmente a Colômbia está tentado chegar a uma solução política para o conflito – disse Beltrán. Já Restrepo afirmou esperar que as negociações sejam francas e realistas.

Embora as negociações com o ELN sejam independentes das conduzidas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a agenda abordará temas semelhantes, como participação política, desarmamento e compensação para as vítimas.

Negociações

As negociações entre governo e o ELN tiveram início em início em 2014. No fim de março e em outubro do ano passado, o grupo e o governo colombiano já haviam anunciado o início de uma fase pública, cuja abertura foi condicionada pelo Executivo à solução de algumas “questões humanitárias”, como o fim dos sequestros. As etapas foram adiadas, pois o grupo não cumpriu na época os pré-requisitos.

O ELN, inspirado na Revolução Cubana, teve origem numa insurreição camponesa de 1964, semelhante às Farc, e ainda mobiliza cerca de 2 mil combatentes. O grupo guerrilheiro é considerado uma organização terrorista pela Europa e pelos Estados Unidos.

Em novembro, a Colômbia ratificou o acordo de paz assinado entre o governo e as Farc, após uma primeira tentativa de estabelecer o fim do conflito ser rejeitada em plebiscito. Os 52 anos de conflito armado no país causaram mais de 220 mil mortes.