Colômbia investiga suposto repasse da Odebrecht a Santos

Procurador pede que se apure verba proveniente de subornos pagos pela construtora que teria beneficiado campanha à reeleição. Presidência nega acusação, classificando-a de “temerária”

Por Redação, com DW – de Bogotá:

O procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, pediu que se investigue o suposto repasse de 1 milhão de dólares da Odebrecht para campanha de reeleição do presidente Juan Manuel Santos em 2014.

Juan Manuel Santos foi reeleito em 2014
Juan Manuel Santos foi reeleito em 2014

Segundo Martínez, o dinheiro pode ter entrado na campanha de Santos por meio do ex-congressista Otto Bula. Ele foi detido por sua participação no esquema de subornos pagos pela construtora brasileira na Colômbia. Em troca de contratos de infraestrutura, somando mais de US$ 11 milhões.

Desse montante, Bula teria “tramitado” subornos no valor de US$ 4,6 milhões, dos quais US$ 1 milhão teria tido como “beneficiado final a gerência da campanha de Santos de 2014”. Uma comissão de 10% teria sido descontada a favor de terceiros.

Diretor de campanha rejeita acusação

O então diretor da campanha pela reeleição de Santos, Roberto Prieto, disse não conhecer Bula. Ele classificou suas declarações à procuradoria de “infundadas, tendenciosas e caluniosas”.

– Não deixa de ser tendenciosa essa tentativa de manchar a campanha de 2014. Assim como se tentou fazer com a de 2010 – criticou.

A presidência também negou o ingresso de dinheiro da Odebrecht na campanha. “A presidência solicita às autoridades competentes que antecipem todas as investigações necessárias. Para estabelecer a verdade sobre esta nova acusação temerária”. Disse o secretário de Transparência da presidência, Camilo Enciso.

Citando Pietro, o secretário afirmou que “a ordem clara e categórica foi de não receber nenhuma doação, de nenhuma pessoa, natural ou jurídica para financiar a campanha”.

– Os recursos da campanha provêm exclusivamente do dinheiro da reposição de votos nos termos da lei colombiana – afirmou Enciso. A reposição de votos é o dinheiro que o Estado devolve aos candidatos. De acordo com o número de votos obtidos, pelas despesas que tenham tido na campanha.

O ex-presidente Andrés Pastrana (1998-2002). Também se pronunciou sobre as suspeitas levantadas pelo procurador-geral. Afirmando que Santos deve analisar “a possibilidade de renunciar” no caso de se comprovar que a sua campanha recebeu dinheiro da Odebrecht.

Na eleição de 2014, Santos teve como principal rival o candidato do partido Centro Democrático, Oscar Ivan Zuluaga. Também favorecido por suposto financiamento da Odebrecht a sua campanha. Zuluaga foi citado pelo publicitário Duda Mendonça, que há algumas semanas disse à revista Veja que a construtora lhe pagou honorários para ajudar a campanha do rival Santos.

EUA mudam regras de emissão de visto para os brasileiros

As exceções são para solicitantes de vistos diplomáticos e oficiais de governos estrangeiros e organizações internacionais

Por Redação, com ABr – de Washington:

O decreto de controle imigratório assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também trouxe mudanças na concessão do visto para brasileiros que quiserem viajar ao país. Segundo a assessoria de imprensa da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, grupos que eram isentos da entrevista pessoal, agora terão de passar pelo procedimento.

"O governo dos Estados Unidos está empenhado em facilitar viagens legítimas de visitantes internacionais e ao mesmo tempo garantir a segurança de suas fronteiras”, informou a embaixada
“O governo dos Estados Unidos está empenhado em facilitar viagens legítimas de visitantes internacionais e ao mesmo tempo garantir a segurança de suas fronteiras”, informou a embaixada

Com as novas regras, solicitantes que renovassem os vistos na mesma categoria, até 48 meses após o vencimento; brasileiros e argentinos, entre 14 e 15 anos, e entre 66 e 79 anos, que solicitavam vistos pela primeira vez, terão de fazer a entrevista. Antes, esses grupos eram isentos.

As exceções são para solicitantes de vistos diplomáticos e oficiais de governos estrangeiros e organizações internacionais. Pessoas com idade inferior a 14 anos ou superior a 79 anos e aqueles que anteriormente tinham um visto na mesma categoria e que expirou menos de 12 meses antes do novo pedido.

– O governo dos Estados Unidos está empenhado em facilitar viagens legítimas de visitantes internacionais e ao mesmo tempo garantir a segurança de suas fronteiras – informou a embaixada, em nota.

Decreto presidencial

A embaixada orienta aos solicitantes de vistos que revisem as alterações anunciadas no decreto presidencial. Incluindo o programa de entrevista de visto, para saber se estas mudanças afetarão a categoria de visto. O decreto está disponível, em português, na página da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Na última sexta-feira. Trump determinou novos mecanismos de controle de imigrantes e refugiados nos Estados Unidos. Segundo ele, impedir a entrada de terroristas no país. Uma das medidas barra a entrada de cidadãos do Iraque, Síria, Irã, Sudão, Líbia, Somália e Iêmen por 90 dias. O decreto suspende, a entrada de refugiados por 120 dias, até que os procedimentos de admissão sejam revistos.

Venezuelanos voltam às ruas para exigir eleições

Na capital, as manifestações transcorreram sem incidentes graves, enquanto pequenos distúrbios foram registrados em outros pontos do país

Por Redação, com France Presse – de Caracas:

Pelo menos 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, para exigir a antecipação das eleições como caminho para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder e resolver a grave crise política e econômica do país. A informação é da Agência France Presse (AFP).

Pelo menos 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, para exigir a antecipação das eleições
Pelo menos 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, para exigir a antecipação das eleições

Agentes da Polícia Civil e Militar impediram a multidão de avançar até a sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Caracas. Na capital, as manifestações transcorreram sem incidentes graves, enquanto pequenos distúrbios foram registrados em outros pontos do país.

– Viemos exigir o direito que os venezuelanos têm de votar. É a única maneira de mudar isso – declarou o presidente do Parlamento, Julio Borges, ao entregar uma carta com esse pedido a Luis Emilio Rondón, único dos cinco reitores do CNE alinhado com a oposição.

Rondón compareceu à marcha na avenida Libertador, ponto onde a multidão foi contida pela polícia. Ele prometeu encaminhar a solicitação, afirmando que a crise é “impossível de ser escondida” e “as instituições têm de responder”.

Chavistas

Milhares de chavistas marcharam do Centro de Caracas até o Panteão Nacional, em “defesa da revolução”. Com a faixa presidencial no peito, Maduro compareceu ao local para homenagear o dirigente político Fabricio Ojeda, assassinado em 1966 pela “oligarquia” e considerado um “mártir” pelo chavismo.

– O povo está na rua apoiando o presidente. Não vamos permitir que acabem com nossa revolução, que nos dá tantos benefícios sociais – defendeu Pedro Camargo.

A tensão entre o governo e a Mesa da Unidade Democrática (MUD), frente de oposição, voltou a subir nas últimas semanas. Um grupo de opositores, entre eles um suplente de deputado, foi detido pelo recém-criado “comando antigolpe”, liderado pelo vice-presidente Tareck El Aissami, um chavista radical.

Maduro

As manifestações contra e a favor de Maduro ocorrerm em data simbólica. É em 23 de janeiro que se comemora a queda da ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez.

Essa é a primeira marcha organizada pela MUD. Desde que o CNE suspendeu em outubro passado o processo sobre o referendo revogatório contra Maduro. A oposição iniciou um diálogo com o governo. Essa tentativa de diálogo desativou os protestos provisoriamente.

– Vim porque quero eleições. É a melhor forma de sair um governo que nos faz tão mal – disse à AFP Dora Valero, uma enfermeira aposentada de 63 anos, que segurava um cartaz com a frase “Eleições já”, na concentração no leste de Caracas.

O CNE havia adiado para 2017 as eleições regionais, as quais deveriam ter sido realizadas em dezembro passado.

– Neste momento, não há qualquer garantia de eleições no país. E não há democracia sem votos – ressaltou o ex-candidato presidencial pela oposição Henrique Capriles, anunciando que os próximos protestos serão “surpresa”.

Segundo pesquisas de institutos privados, oito em cada dez venezuelanos reprovam o governo, cansados da severa escassez de alimentos e de remédios e de uma inflação que chegou a 475% no ano passado – segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) – e que deve pular para 1.660% em 2017.

Na contramão dessas previsões, o governo prometeu que este será um ano de “recuperação”. Para isso, em parte, trocou o presidente do Banco Central no domingo.

– O governo teme que uma reação em cadeia das ruas, pela terrível situação econômica, possa criar uma tempestade perfeita que saia do controle – disse à AFP o analista Diego Moya-Ocampos, do IHS Markit Country Risk, de Londres.

Negociaçõe

Dividida entre o diálogo e a estratégia para tirar Maduro do poder, a oposição congelou as negociações, em 6 de dezembro passado. A alegação é que o governo descumpriu acordos já feitos, entre eles a definição do cronograma eleitoral.

Os dois lados se acusam de descumprir a palavra empenhada ao papa Francisco. No fim de semana, nos esforços para descongelar o processo, delegados do Vaticano e da Unasul propuseram um mecanismo para verificar o cumprimento dos acordos.

A oposição respondeu que estudará a proposta, mas garante que não abrirá mão de eleições.

– O povo vai continuar na rua até conseguir o voto – garantiu Julio Borges, durante a manifestação.

Colômbia prende ex-vice-ministro suspeito de receber propina da Odebrecht

A Odebrecht, maior companhia de engenharia da América Latina, se disse culpada em dezembro em tribunal federal norte-americano por conspiração de violação da lei de propinas estrangeiras

Por Redação, com Reuters – de Bogotá:

A procuradoria da Colômbia prendeu um ex-vice-ministro do governo do ex-presidente Álvaro Uribe suspeito de ter recebido US$ 6,5 milhões em suborno da Odebrecht em um caso envolvendo um contrato de rodovia assinado em 2009.

A procuradoria da Colômbia prendeu um ex-vice-ministro do governo do ex-presidente Álvaro Uribe suspeito de ter recebido US$ 6,5 milhões em suborno da Odebrecht
A procuradoria da Colômbia prendeu um ex-vice-ministro do governo do ex-presidente Álvaro Uribe suspeito de ter recebido US$ 6,5 milhões em suborno da Odebrecht

Gabriel Garcia Morales, que era diretor de um instituto que coordenava concessões de rodovias e que foi vice-ministro de Transportes de Uribe. É a primeira pessoa presa na Colômbia em conexão com o escândalo de propinas da Odebrecht.

– A Procuradoria tem evidência de que o sr. Garcia exigiu o pagamento de US$ 6,5 milhões para garantir que a Odebrecht seria a empresa escolhida para a Ruta del Sol Dos. Excluindo outros competidores – disse o promotor Nestor Humberto Martínez a repórteres.

Ele disse que uma investigação irá buscar estabelecer quem mais estaria envolvido. Afirmou que propinas no valor de US$ 4,5 milhões. Foram pagas pela empresa brasileira durante a atual administração do presidente Juan Manuel Santos.

Odebrecht

A Odebrecht, maior companhia de engenharia da América Latina, se disse culpada em dezembro em tribunal federal norte-americano. Por conspiração de violação da lei de propinas estrangeiras. Após uma investigação envolvendo pagamentos de suborno na Petrobras.

De 2001 a 2016. A Odebrecht pagou centenas de milhões de dólares em propinas relacionadas a projetos em 12 países. Incluindo Brasil, Argentina, Colômbia, México e Venezuela. De acordo com documentos da acusação nos EUA.

Nicolás Maduro anuncia renovação de seu gabinete

Reforma ministerial visa "combinar a experiência com o compromisso", disse Maduro

Presidente venezuelano nomeia 11 ministros e aponta um novo vice-presidente executivo, além fundir ministérios da área econômica no “superministério” da Economia e Finanças

Por Redação, com agência internacionais – de Caracas/Bogotá:

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira a renovação de seu gabinete, nomeando 11 ministros e um novo vice-presidente. Tareck El Aissami, governador do Estado de Aragua, substituirá Aristóbulo Istúriz como vice-presidente executivo do país, potencial sucessor de Maduro.

Reforma ministerial visa "combinar a experiência com o compromisso", disse Maduro
Reforma ministerial visa “combinar a experiência com o compromisso”, disse Maduro

– Designei Tareck El Aisammi como vice-presidente executivo da República Bolivariana da Venezuela, para que assuma em 2017-2018 – disse o presidente em pronunciamento transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão.

Entre suas novas atribuições. Aisammi fica encarregado da segurança nacional e da luta contra os “terroristas de direita”, como afirmou o presidente. Seu antecessor Istúriz foi transferido para o comando do Ministério das Comunas e Trabalho Social. Sendo também vice-presidente da pasta Socialismo Territorial.

Entre as mudanças no gabinete, Maduro nomeou para o Ministério do Petróleo Nelson Martínez. Atual presidente da petrolífera Citgo, mpresa venezuelana nos EUA, filial da estatal petrolífera PDVSA. E fundiu os ministérios da área econômica numa só instituição, o “poderoso” Ministério da Economia e Finanças, que ficará sob o comando do parlamentar chavista Ramón Lobo.

Renovação do gabinete

– Necessitamos de uma renovação do gabinete executivo e chamar às fileiras do governo um conjunto de companheiros, de forma que se combine a experiência com o compromisso – disse Maduro. 

Os 11 ministros têm como objetivos principais libertar o país da criminalidade. Recuperar a economia, consolidar os programas sociais do governo e garantir a paz. “Não me importa o cargo que tenham. Vamos com tudo contra os criminosos, os corruptos e os extremistas”, disse o presidente.

Colômbia

O governo da Colômbia pediu na quarta-feira a uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU). Incumbida de supervisionar a desmobilização de rebeldes das Farc que mantenha neutralidade. Após a divulgação de um vídeo que mostrou funcionários da ONU dançando com rebeldes durante a celebração do Ano Novo.

Rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão começando o processo de desmobilização que vai encerrar mais de cinco décadas de guerra. Após a assinatura de um acordo de paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos.

A missão da ONU confiscará todas as armas das Farc e administrará mais de duas dúzias de campos de desmobilização. 

Em uma carta pública, Maria Emma Mejia, embaixadora da Colômbia na ONU, disse que a conduta mostrada no vídeo, que foi divulgado nesta semana pela imprensa nacional e internacional. Foi fonte de “grande preocupação e surpresa”.

– Esse tipo de comportamento distorce o profissionalismo e a neutralidade que deveriam caracterizar, a todo momento, a equipe que é parte do mecanismo tripartite para monitorar e verificar o cessar-fogo e o definitivo abandono das armas – disse a carta.

A ONU deve assegurar que o incidente não se repita, acrescenta a carta, a fim de não colocar em risco a confiança pública na organização multinacional. 

A ONU disse que as ações dos funcionários mostradas no vídeo. Que resultaram em críticas ao acordo de paz nas redes sociais por parte de oponentes de direita. Foram inapropriadas e que vai adotar medidas para evitar que seu profissionalismo seja questionado. 

As Farc disseram que a reação ao vídeo é exagerada.“Vamos deixar para trás o ódio. Entrar em paz e reconciliação”. Disse o líder das Farc, Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timochenko, pelo Twitter na quarta-feira.

A ONU tem atualmente 280 observadores trabalhando como parte da missão de desmobilização. 

Papa exorta líderes globais a trabalharem juntos contra ‘praga do terrorismo’

O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro

O papa Francisco falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro em seu tradicional discurso. Ele deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna, em Istambul

 

Por Redação, com Reuters – de Roma

 

O Papa Francisco disse, neste domingo, que é urgente que líderes globais trabalhem juntos para combater “a praga do terrorismo”. Ele afirmou, em seu discurso de Ano Novo, que uma mancha de sangue cobre o mundo em sua entrada em 2017.

O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro
O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro

O líder católico falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro, em seu tradicional discurso. O papa deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna em Istambul que matou ao menos 40 pessoas.

— Infelizmente, a violência nos atingiu mesmo nessa noite em que desejamos o bem e a esperança. É com dor que expresso minha solidariedade ao povo turco. Eu rezo pelas muitas vítimas e pelos feridos e por toda a nação em luto — disse.

Ele disse que o ano de 2017 será o que as pessoas fizerem dele.

— Peço ao Senhor que sustente todos os homens de bem para que com coragem levantem suas mangas e lutem contra a praga do terrorismo e sua mancha de sangue que está cobrindo o mundo com uma sombra de medo e uma sensação de perda — acrescentou o papa.

Piedade

Uma multidão que aguardava em uma manhã fria.

— Esse ano será bom à medida em que cada um de nós, com a ajuda de Deus, procurarmos fazer o bem dia após dia — afirmou.

No dia que a Igreja Católica Romana, com seus 1,2 bilhão de fiéis, celebra como de Paz Universal, ele disse que a paz foi construída ao se dizer “não” à violência e ao ódio e “sim” à reconciliação e à irmandade.

Mais cedo, na Basílica de São Pedro, o papa disse em uma homilia que a falta de contato físico entre as pessoas trazida por modernidades como a comunicação virtual “está cauterizando nossos corações e nos fazendo perder a capacidade de sentir ternura e admiração, piedade e compaixão”.

Governo Maduro liberta ativistas de extrema direita na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Rosales foi preso em 2015, na gestão de Maduro, após retornar para a Venezuela vindo do Peru, para onde havia fugido. A fuga ocorreu seis anos antes, depois de ser acusado de enriquecimento ilícito pelo governo do ex-líder socialista Hugo Chávez

 

Por Redação, com Reuters – de Caracas

 

As autoridades venezuelanas libertaram neste sábado da prisão domiciliar o ex-governador de oposição e ex-candidato presidencial Manuel Rosales, e ainda soltaram mais cinco ativistas contrários ao governo do presidente Nicolás Maduro.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Rosales foi preso em 2015 após retornar para a Venezuela vindo do Peru, para onde havia fugido. A fuga ocorreu seis anos antes depois de ser acusado de enriquecimento ilícito pelo governo do ex-líder socialista Hugo Chávez, que morreu em 2013. Ele conseguiu o direito a prisão domiciliar em outubro.

“Eu informo ao povo da Venezuela que fui libertado junto com outros prisioneiros políticos”, escreveu Rosales em sua conta no Twitter. “Continuamos lutando pela libertação de todos os prisioneiros políticos e pelo retorno dos exilados”.

Cinco outros ativistas foram libertados da prisão com a condição de que eles não deixem o país. Também precisam aparecer, periodicamente, no tribunal, de acordo com o advogado Gonzalo Himiob, do grupo de direitos humanos Fórum Penal. Eles haviam sido presos em 2014, quando a oposição liderou uma onda de protestos pela renúncia de Maduro.

Venezuela violenta

O Ministério da Informação da Venezuela não respondeu a telefonemas para comentar o assunto.

Líderes da oposição dizem que o governo de Maduro está mantendo cerca de 100 prisioneiros, presos durante violentos protestos contra a administração federal. Entre eles está o ex-prefeito e líder da oposição Leopoldo López.

Representantes internacionais da ultradireita pediram, publicamente, pela libertação dos presos, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O sul-africano ganhador do Nobel da Paz Desmond Tutu também assinou um pedido.

Maduro nega que o país mantenha prisioneiros políticos. Ele informa que os presos foram detidos por envolvimento em violência nas ruas ou em planos para derrubar seu governo.

Colômbia aprova lei de anistia para Farc

Iniciativa é fundamental para a desmobilização de guerrilheiros, além de ser o primeiro tópico aprovado entre os previstos no acordo de paz

Iniciativa é fundamental para a desmobilização de guerrilheiros, além de ser o primeiro tópico aprovado entre os previstos no acordo de paz. Presidente colombiano agradece a parlamentares por sucesso na votação

Por Redação, com DW – de Bogotá:

O Congresso da Colômbia aprovou a lei da anistia que incluiu o perdão jurídico para os integrantes das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) que não cometeram crimes graves no conflito que dura mais de 50 anos.

Iniciativa é fundamental para a desmobilização de guerrilheiros, além de ser o primeiro tópico aprovado entre os previstos no acordo de paz
Iniciativa é fundamental para a desmobilização de guerrilheiros, além de ser o primeiro tópico aprovado entre os previstos no acordo de paz

A lei foi aprovada por unanimidade no Senado e na Câmara dos Representantes. Ela era fundamental para o desarmamento e desmobilização do grupo guerrilheiro. Esta foi a primeira medida apresentada para votação no Congresso. Entre as previstas no acordo de paz assinado pelo presidente Juan Manuel Santos e as Farc.

Santos agradeceu aos parlamentares pela aprovação. “Obrigado ao Congresso, que com uma votação histórica aprovou a lei da anistia, o primeiro passo para a consolidação da paz”. Publicou o presidente no Twitter.

A lei da anistia busca dar segurança jurídica aos membros das Farc que entreguem as armas, como parte do acordo de paz com o governo. O projeto legislativo também contempla um tratamento especial para os agentes do Estado que possam ter cometido crimes durante o conflito armado.

Segundo o presidente do Senado, Mauricio Lizcano, os membros da polícia que se beneficiarão são aqueles “que tenham sido condenados, processados ou acusados de cometer condutas puníveis por causa, com ocasião ou em relação direta ou indireta com o conflito armado”.

A lei de anistia deve beneficiar mais de 6 mil integrantes das Farc indiciados pelos crimes políticos de rebelião. Levante e conspiração, entre outros. A iniciativa exclui, porém, quem cometeu crimes de guerra ou contra a humanidade.

Comunicado em conjunto

Em comunicado em conjunto. O governo e as Farc afirmaram que até o fim de janeiro será estabelecido o número de integrantes da guerrilha a serem beneficiados com a anistia. Os guerrilheiros estão reunidos atualmente em zonas de pré-agrupamento. Onde esperam para entregar as armas, conforme estabeleceu o acordo de paz.

Após esta lei, o presidente precisa apresenta projetos legislativos referentes a outros pontos presentes no acordo. Como a reforma agrária, a compensação de vítimas do conflito. A cooperação no combate ao tráfico de drogas. Além do cessar-fogo bilateral e definitivo, que será supervisionado pela ONU.

Após abertura da fronteira milhares de venezuelanos chegam à Colômbia

Alguns buscavam alimentos e medicamentos. Outros queriam visitar familiares para as festas de Natal e Ano-Novo

Maduro determinou o fechamento das fronteiras com a Colômbia e com o Brasil no dia 12 de dezembro, alegando que “máfias” estariam acumulando o papel-moeda venezuelano no exterior

Por Redação, com France Press– de Bogotá:

Alguns buscavam alimentos e medicamentos. Outros queriam visitar familiares para as festas de Natal e Ano-Novo. Milhares de venezuelanos cruzaram as passagens fronteiriças para pedestres com a Colômbia, reabertas após oito dias por causa de um colapso monetário. A informação é da AFP.

Alguns buscavam alimentos e medicamentos. Outros queriam visitar familiares para as festas de Natal e Ano-Novo
Alguns buscavam alimentos e medicamentos. Outros queriam visitar familiares para as festas de Natal e Ano-Novo

– Graças a Deus, a fronteira foi reaberta. Vinha muita gente fazer suas compras do outro lado. Porque não conseguimos comida, fraldas para nossas crianças, medicamentos – disse Christian Sánchez, locutor de 29 anos. Enquanto atravessava a ponte internacional Simón Bolívar, que liga as cidades de San Antonio (Venezuela) e Cúcuta (Colômbia).

Em uma conversa por telefone, na segunda-feira à noite. Os presidentes venezuelano, Nicolás Maduro, e colombiano, Juan Manuel Santos, concordaram em “abrir a fronteira de maneira progressiva, com rígida vigilância e segurança”. Informou o ministro venezuelano de Comunicação e Informação, Ernesto Villegas.

Assim, os cruzamentos limítrofes se restabeleceram desde as 6h locais de terça-feira (8h em Brasília), sob vigilância dos militares. O transporte de carga, entretanto, permanece interrompido.

Maduro determinou o fechamento das fronteiras com a Colômbia e com o Brasil no dia 12 de dezembro. Alegando que “máfias” estariam acumulando o papel-moeda venezuelano no exterior. Para atacar a economia do país, golpeada por uma inflação de 475%. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a mais alta do mundo, e uma aguda escassez de alimentos básicos e medicamentos.

A medida coincidiu com momentos de grande incerteza por violentos protestos. Saques em várias cidades, que deixaram pelo menos três mortos e aproximadamente 300 detidos. Sobretudo no Estado Bolívar (Sul), onde cerca de 600 estabelecimentos comerciais sofreram danos.

Os distúrbios eclodiram na última sexta-feira e no sábado após a decisão do governo de recolher das ruas a nota de 100 bolívares (US$ 0,15 no câmbio oficial mais alto). O de maior valor e circulação, até a entrada gradual de novas unidades monetárias.

Maduro atribuiu os atrasos na entrega dessas unidades monetárias a um “complô” comandado pelos Estados Unidos. O venezuelano classificou de “bem-sucedida” a operação contra as “máfias”. Prorrogou a vigência da nota de 100 e o fechamento das fronteiras com a Colômbia e o Brasil, até o dia 2 de janeiro.

Filas

Longas filas de pessoas, muitas após dormir na rua, se formaram nos dias de fechamento da alfândega de San Antonio. “Queremos passar!”. Gritavam na esperança de receber uma autorização especial para passar por razões médicas e familiares. Mas ela era dada a conta-gotas.

– Vamos passar o Natal com nossos filhos. Não vamos comprar nada e estamos cansados – queixou-se Carmen, aborrecida por ter que “fazer e desfazer” as malas com os recorrentes fechamentos das passagens limítrofes.

A fronteira de 2.200 quilômetros entre a Venezuela e a Colômbia esteve fechada entre agosto de 2015 e agosto de 2016 por ordem de Maduro. Após um ataque armado de supostos paramilitares colombianos contra uma patrulha militar venezuelana.

Segundo alertam sindicatos, 75% do comércio do lado venezuelano da área devem fechar. Tradicionalmente, San Antonio e Cúcuta mantêm intenso intercâmbio comercial.

Normalização da fronteira

Para Marta Cárdenas, colombiana de 51 anos que vive na Venezuela. A reabertura das passagens de pedestres representa “um respiro” aos problemas diários. Agravados nos últimos dias pela falta de efetivo entre longas filas em agências de bancos públicos e privados.

Com o retorno temporário das notas de 100. A situação se normalizou desde a tarde de segunda-feira. O mesmo ocorre na fronteira com a Colômbia. Embora os governos não tenham informado como será feita a abertura total.

Villegas ressaltou que Maduro e Santos “instruíram seus ministros da Defesa (Vladimir Padrino e Luis Carlos Villegas) a coordenar ações imediatas para a normalização da fronteira”. Uma vez que foram mantidos contatos entre seus bancos centrais para enfrentar o que a Venezuela denomina “ataques” à sua moeda

Evo Morales disputará quarto mandato na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disputará o quarto mandato nas eleições de 2019, com o apoio de seu partido, o Movimento ao Socialismo

Segundo a pesquisa de opinião mais recente, Morales conta com 49% de popularidade, apesar de estar há 10 anos no poder, de onde critica a política econômica norte-americana

Por Redação, com ABr – de Paris:

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disputará o quarto mandato nas eleições de 2019, com o apoio de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), apesar do referendo que lhe negou esta possibilidade em fevereiro passado.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disputará o quarto mandato nas eleições de 2019, com o apoio de seu partido, o Movimento ao Socialismo
O presidente da Bolívia, Evo Morales, disputará o quarto mandato nas eleições de 2019, com o apoio de seu partido, o Movimento ao Socialismo

– Se o povo decidir, Evo continua. Nenhum problema. Vamos derrotar a direita. Tantas vezes derrotamos a direita. Temos confiança nos movimentos sociais – disse o presidente depois que o MAS aprovou de forma unânime a sua candidatura em um congresso feito em Montero, leste da Bolívia.

Se vencer as eleições, o esquerdista Morales permanecerá no poder até 2025. Ele ganhou sua primeira eleição em 2005, com 54% dos votos. Foi reeleito em 2009, com 64%, e voltou a se eleger em 2014, com 61%, sempre enfrentando uma oposição dividida.

Segundo a pesquisa de opinião mais recente, Morales conta com 49% de popularidade. Apesar de estar há 10 anos no poder, de onde critica a política econômica norte-americana. E se declara amigo de Cuba. Além de sintonizar com governos do chamado “socialismo do século 21” na região. Como os de Venezuela, Nicarágua e Equador.

Conhecedor do apoio que tem, o presidente desafiou. “Vamos nos ver nas urnas, nas eleições. Mas que não nos manipulem com mentiras”. Disse, referindo-se aos resultados do referendo de fevereiro, quando, por uma margem apertada, foi negada a ele a possibilidade de disputar as eleições de 2019.

Resultado influenciado por mentiras

Segundo Morales, o resultado foi influenciado por mentiras, após a divulgação de informações sobre um suposto filho seu com a representante da empresa chinesa CAMC, que tem contratos milionários com o governo.

O congresso do MAS recomendou “quatro alternativas legais para habilitar a candidatura dentro da via constitucional”. Explicou um líder sindical ao ler as conclusões, já que o mandato de Morales vai até 22 de janeiro de 2020.

A primeira sugestão é a reforma de parte da Constituição Política por meio de uma iniciativa cidadã , com a coleta de assinaturas equivalentes a 20% do padrão eleitoral.

O segundo caminho se refere a uma reforma constitucional que permita a reeleição de autoridades por mais de um período de forma contínua.

A terceira opção recomenda que o presidente renuncie antes das eleições de 2019. Antecipando a conclusão de seu mandato atual.

A última alternativa diz respeito à habilitação a um novo mandato mediante a interpretação da Constituição Política do Estado.

Reforma parcial da Constituição

Na indicação anterior de Morales, em 2013, foi aplicada uma reforma parcial da Constituição de 2009. Aprovada pelo Congresso, de maioria governista, o qual considerou que sua gestão anterior não deveria ser contabilizada.

Isso porque ela ocorreu quando a Bolívia era considerada uma república. Antes da reforma constitucional de 2009, em que o país se tornou um Estado Plurinacional, denominação sob a qual Morales havia exercido apenas um mandato.

A decisão mostra que não há mudança política no MAS”. Diz o analista e especialista em marketing político Ricardo Paz, ao assinalar que um processo que gerou grande esperança entre a população “se tornou um projeto de poder unipessoal”.

Paz questionou a dimensão legal da indicação de Morales. “Não existe nenhuma possibilidade de apresentá-lo novamente como candidato à presidência”. Afirmou, explicando que a Constituição proíbe “repetir uma votação sobre a qual o povo decidiu” no referendo.

Para o analista, a insistência em indicar Morales “enfraquece o ambiente político. Gera uma institucionalização severa”, que se baseia “na apologia do crime. Já que não importa violar a Constituição em função de objetivos pesoais”.