Venezuela: Maduro comemora baixa adesão da greve geral

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Algumas das principais ruas e avenidas de Caracas e de outras cidades da Venezuela amanheceram nessa sexta-feira quase desertas. Várias lojas decidiram não abrir suas portas no país

Por Redação, com ABr – de Caracas:

 

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se disse satisfeito com a baixa adesão da greve geral convocada para sexta-feira pela oposição do país. Para ele, a tentativa de pressioná-lo “fracassou”. “Hoje triunfou a paz, fracassou a greve da oligarquia. Vitória popular!”, disse Maduro a centenas de chavistas que se reuniram em frente ao Palácio Miraflores, sede do governo, para demostrar o seu apoio ao líder político.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Algumas das principais ruas e avenidas de Caracas e de outras cidades da Venezuela amanheceram nessa sexta-feira quase desertas. Várias lojas decidiram não abrir suas portas no país devido à convocação da greve geral. No entanto, com o passar das horas, o movimento quase chegou a se normalizar até na capital venezuelana.

A oposição, no entanto, negou o fracasso na greve. “O dia de protestos de hoje foi absolutamente voluntário. Os venezuelanos disseram mais uma vez a Maduro e a sua cúpula que respeitem a Constituição”, explicou o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles.

Golpe parlamentar

Na Venezuela, governo e oposição dizem lutar pela aplicação da Constituição, mas brigam por coisas opostas. Enquanto Maduro alega que a oposição tenta dar um “golpe parlamentar” e, com isso, desrespeitando a Carta Magna do país, os opositores exigem a realização do referendo que pode revogar o mandato do chavista.

A greve geral desta sexta-feira foi convocada pela oposição para exigir que a decisão de suspender o referendo revogatório seja revertida. Maduro é acusado pelos adversários políticos, e  pela parcela da população que deseja sua saída, de tentar dar um “golpe de Estado” no país após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ter barrado o processo de coleta de assinaturas para a consulta popular.

Maduro chegou a ameaçar de prisão aqueles que tentarem alijá-lo do poder. “Se eles iniciarem o eventual julgamento político, que não está previsto na nossa Constituição. A procuradoria poderá abrir um processo judicial e prender aqueles que violam a Constituição. Mesmo se estes forem membros do Congresso”.

A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que a realização do processo de impeachment contra o presidente Nicolás Maduro não está previsto pela lei. Pois esse conceito jurídico “não existe na Constituição do país”. Por isso a oposição insiste em reativar o referendo popular, que é a forma legalmente prevista de tirar o Maduro da presidência.

Tribunal da Venezuela anula inquérito parlamentar sobre US$11 bilhões desaparecidos

Ex-presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA Rafael Ramírez

Uma comissão parlamentar informou neste mês que fundos desapareceram durante o período de Ramírez no poder, de 2004 a 2014, citando 11 casos de suposta corrupção incluindo superfaturamento de plataformas

Por Redação, com Reuters – de Caracas:

O Supremo Tribunal da Venezuela aprovou na quinta-feira um mandado de segurança contra um inquérito parlamentar que descobriu que o ex-presidente da petroleira estatal PDVSA Rafael Ramírez foi responsável por corrupção e improbidade que custaram 11 bilhões de dólares à companhia.

Ex-presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA Rafael Ramírez
Ex-presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA Rafael Ramírez

Uma comissão parlamentar informou neste mês que fundos desapareceram. Durante o período de Ramírez no poder, de 2004 a 2014. Citando 11 casos de suposta corrupção incluindo superfaturamento de plataformas de perfuração e um escândalo de lavagem de dinheiro através de um banco de Andorra.

Ramírez, nega as acusações. Ele pediu um mandado de segurança no Supremo Tribunal para bloquear a investigação. Líderes da oposição no Parlamento disseram que podem usar a investigação para mantê-lo politicamente responsável ou tomarem ações legais contra ele.

Decisão

Um resumo da decisão publicado no site da corte informou que o pedido de liminar foi concedido. Ramírez, contatado pela Reuters, confirmou a decisão.

O relatório também acusa de corrupção outros executivos de alto escalão. Incluindo o atual presidente da companhia, Eulogio Del Pino.

A PDVSA tem sido centro de diversos escândalos de corrupção nos últimos anos. O caso mais recente envolve um grupo de empresários sediados em Houston que se declararam culpados nos Estados Unidos por administrar um esquema de propinas de US% 1 bilhão para obter contratos.

Putin e presidente indiano reforçam laços durante reunião dos BRICS

“A Rússia e a Índia são nações aliadas em prol da promoção da segurança e estabilidade estratégica, construção de uma justa ordem mundial. Colaboramos estreitamente nos principais organismos internacionais – BRICS, G20, ONU”, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin

 

Por Redação, com Sputnik – de Goa, Índia

 

Presidente russo, Vladimir V. Putin valorizou, nesta quinta-feira, o encontro que realizará em Pangim, no Estado de Goa. Estará com o presidente indiano, Pranab Mukherjee, para estreitar laços comerciais e de amizade entre os dois países. Neste fim de semana, acontecerá também a reunião dos BRICS. O Brasil, no entanto, esvaziou sua presença no encontro. Às vésperas da cúpula, Putin concedeu uma entrevista exclusiva à agência russa de notícias Sputnik e à agência indiana IANS, que o Correio do Brasil reproduz, a seguir.

— As relações entre a Rússia e a Índia podem ser caraterizadas como parceria estratégica privilegiada. Um expressivo exemplo disso na área econômica é a cooperação na energia atômica, evidenciada pelo projeto da construção da central atômica Kudankulam. Em que outras áreas de cooperação russo-indiana se pode destacar sucesso semelhante?

— A Índia é um parceiro estratégico da Rússia particularmente privilegiado. A cooperação entre os nossos países se desenvolve com sucesso em todas as áreas. Sempre com base nos fortes laços de amizade, confiança e respeito mútuo.

A Rússia e a Índia são nações aliadas em prol da promoção da segurança e estabilidade estratégica, construção de uma justa ordem mundial. Colaboramos estreitamente nos principais organismos internacionais – BRICS, G20, ONU.

Neste mês de outubro, o documento fundamental das relações russo-indianas, a Declaração sobre Parceria Estratégica, completa seus 16 anos. Este período vivenciou um grande trabalho a favor do desenvolvimento de todo o conjunto dos laços bilaterais.

Intercâmbio

Putin concedeu entrevista, nesta quinta-feira, às vésperas da reunião dos BRICS, em Goa
Putin concedeu entrevista, nesta quinta-feira, às vésperas da reunião dos BRICS, em Goa, um pequeno Estado da Índia, onde ainda se fala português

Realizamos um intensivo diálogo político através das reuniões de alto nível, realizadas anualmente. Funciona com êxito a Comissão Intergovernamental de Cooperação Comercial, Econômica, Científica, Técnica e Cultural. Mantêm-se contatos regulares entre os chefes das diplomacias dos dois países, líderes dos conselhos de segurança nacionais e ministérios de outras áreas. Gradualmente, ampliam-se intercâmbios interparlamentares, inter-regionais e humanitários. Contamos com uma sólida base jurídica de cerca de 250 acordos.

A Índia sempre foi e continua sendo um importante parceiro comercial da Rússia. Embora em 2015 o volume das trocas comerciais tenha caído 7,8%, pretendemos reverter, junto com os nossos parceiros indianos, essa tendência negativa que, acreditamos, muito se deve à volatilidade dos mercados globais e à instabilidade das cotações das moedas estrangeiras. Isso, até porque o nosso intercâmbio comercial tem caráter mutuamente benéfico, enquanto a estrutura dele evidencia a complementariedade das economias dos dois países. Grande parte das exportações russas, bem como dos bens provindos do seu país é constituída por produtos da engenharia mecânica e da indústria química.

Crédito estatal

O setor de energia desempenha um papel importante na cooperação econômico-comercial russo-indiana. O maior projeto de longo prazo é a construção da central atômica Kudankulam. Em agosto, eu e o primeiro-ministro, Narendra Modi, participamos da cerimônia de entrega do primeiro bloco gerador de energia para a referida central. Em um futuro próximo, será lançado ainda o segundo bloco gerador. O alcance da potência nominal dos dois blocos elevará significativamente o nível da produção de energia da Índia, reforçando a sua segurança energética.

A estatal Rosatom e a Corporação Indiana de Energia Atômica já começaram os preparativos para a construção dos 3º e 4º blocos geradores de energia. Os trabalhos são realizados conforme o plano estabelecido. O projeto é financiado pela Rússia e possui um crédito estatal de US$ 3,4 bilhões (85% do valor total dos contratos assinados com organizações russas). Estamos passando para a fase de localização da produção dos componentes na Índia. Também começamos a estudar as possibilidades de construção de centrais atômicas em outras plataformas na Índia. Estamos aprimorando a nossa cooperação tecnológica na área de enriquecimento de urânio.

Mercado indiano

Consolida-se também a cooperação bilateral na área da energia tradicional. Durante o Fórum Econômico de São Petersburgo, realizado em junho, a Rosneft assinou um acordo. Um entendimento, em um consórcio com companhias indianas, sobre a venda de 23,9% das ações da Vankorneft S.A. Esta eé proprietária da jazida Vankorskoe, na região de Krasnodar. Além disso, a Rosneft vendeu paras as companhias indianas parcelas das ações da Taas-Yuryah Neftegazodobytcha, na Sibéria Oriental.

Atualmente, na nossa agenda, está reforçado o aprimoramento da estrutura das trocas bilaterais. Através do aumento da comercialização de produtos de alta tecnologia e desenvolvimento da cooperação produtiva. Tais empresas russas, conhecidas como Silovye machiny, Gazprom, Stroytransgaz, Grupo NLMK, Uralmashzavod, SIBUR Holding, Mechel, Kamaz e muitas outras, já vêm trabalhando no mercado indiano.

Grandes projetos promissores são realizados na área da engenharia mecânica, indústria química e mineira, construção de aviões, ciência farmacêutica, medicina, nano e biotecnologia. Vem ganhando fôlego a cooperação financeira e bancária, inclusive com a participação do Banco VTB e do Sberbank da Rússia. É evidente que as empresas russas vislumbram perspectivas viáveis e alta atratividade do mercado indiano.

Quinta geração

Os nossos países cooperam de forma ativa no setor técnico-militar. A Rússia mantém liderança tanto na área do fornecimento direto dos mais novos modelos de armamentos e equipamentos militares quanto nas pesquisas conjuntas com a Índia e produção de artigos militares. Entre os projetos conjuntos bem-sucedidos destacam-se a construção de míssil de cruzeiro supersônico BraMos e a elaboração de um caça da nova quinta geração.

Vou acrescentar ainda que muitos dos projetos russos na Índia têm importância não só comercial, mas também socioeconômico, sendo benéficos para os dois países. Eles se encaixam de forma harmoniosa no programa da nova industrialização da Índia, iniciado pelo primeiro-ministro Modi.

– O nível da cooperação de investimento é um dos critérios das relações sólidas bilaterais e de confiança entre os países. Neste contexto, quais passos dará a cúpula russo-indiana? Os planos de privatização das empresas russas poderão resultar em fortalecimento da parceria de investimento russo-indiana?

– No decorrer da visita à Índia, nós, claro, demos um novo impulso aos laços econômico-comerciais bilaterais – ainda mais que as empresas dos dois países estão interessadas na execução de novos projetos de vantagem mútua. O quantia de investimentos de capitais acumulados russos na Índia é de aproximadamente US$ 4 bilhões, enquanto as empresas indianas investiram na economia russa duas vezes mais – por volta de US$ 8 bilhões.

Investimento

Estou convencido de que a Rússia e a Índia são capazes de aumentar as quantias de investimentos bilaterais. Visando incentivar o fluxo de capitais recíproco, planejamos discutir com os parceiros indianos a possibilidade de atualizar o Acordo bilateral para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos. Preparamos os institutos de desenvolvimento – a Fundação Russa dos Investimentos Diretos e o Banco para Desenvolvimento e Economia Exterior (Vnesheconombank) – para a realização de uma participação financeira mais ativa nas atividades de investimento das empresas russas.

No âmbito da Comissão Intergovernamental, foi estabelecido e funciona com sucesso o Grupo de Trabalho para os projetos de investimento prioritários. As instituições especializadas dos dois países, junto com o Fórum Rússia-Índia para Comércio e Investimentos, efetuam uma seleção minuciosa das iniciativas de negócios promissoras; trabalham para verificar e eliminar os obstáculos em prol da movimentação livre de mercadorias, capitais e serviços.

Borracha butílica

Até hoje, foram selecionados 20 projetos prioritários – 10 russos e 10 indianos – em tais áreas como construção de máquinas de transporte, indústria química, construção de aviões e ciência farmacêutica. Entre eles, destacam-se a construção, pela empresa SIBUR, de uma fábrica da produção de borracha butílica com potência de 100 mil toneladas por ano na cidade de Jamnagar e a produção pela empresa russa Tecnologias de Luz dos equipamentos de iluminação para fins comuns e especiais na cidade de Jigani, estado Karnataka.

A corporação de ações financeira “Sistema” está elaborando o modelo da “cidade inteligente” na Índia. A Dauria Aerospace está trabalhando para instalar um grupo de aparelhos de telecomunicação NextStar na órbita geoestacionária da Terra. Esses projetos serão executados com apoio dos governos dos dois países.

Médio Oriente

– As cúpulas dos BRICS já fazem parte da agenda global e se realizam regularmente. Entretanto, quase não há diferença entre as declarações finais de cada cúpula. O que, na sua opinião, deve ser feito para que a cooperação no âmbito do BRICS se torne mais substancial, eficiente e concreta?

– O BRICS é um dos elementos chave do mundo multipolar em formação. Os participantes do “quinteto” invariavelmente reafirmam o seu apego aos princípios fundamentais do direito internacional, promovem a consolidação do papel central da ONU. Os nossos países não aceitam a política de pressão com força e de abalo da soberania de outros Estados. Temos abordagens parecidas aos problemas internacionais atuais – inclusive, quanto à crise na Síria, sobre regularização no Médio Oriente.

Por isso, nas declarações finais das cúpulas – a reunião em Goa não será uma exceção – reafirma-se o nosso compromisso comum no que se refere aos princípios fundamentais da comunicação interestatal, em primeiro lugar, quanto ao respeito do direito internacional com o papel coordenador central da ONU. No contexto das tentativas de uma série de países ocidentais estarem impondo as suas abordagens unilaterais, tal posição adquire um significado especial.

BRICS fortalecido

Tradicionalmente, as declarações dos líderes do BRICS fixam à base de unanimidade das abordagens de princípio sobre um amplo leque de questões, definem os objetivos do desenvolvimento do “quinteto” para um futuro próximo, que são ponto de referência para os seguintes passos dirigidos à consolidação da parceria estratégica entre os nossos países em várias áreas.

Quanto ao preenchimento prático da interação no âmbito do “quinteto”, gostaria de fazer uma observação. Atualmente, no BRICS, existem mais de 30 formatos interministeriais de cooperação no domínio político, econômico, humanitário, de segurança e policial.

O exemplo concreto da interação é a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS com o capital total de 200 bilhões de dólares. Estou convencido de que com o processo da criação do Banco, o rendimento prático das suas atividades só aumentará, inclusive por conta dos projetos que promovem a integração entre os países do BRICS. Este ano, começaram os trabalhos do Novo Banco de Desenvolvimento, que aprovou os primeiros projetos em todos os países do “quinteto”. Na Rússia, serão construídas pequenas usinas hidrelétricas na Carélia com potência de 50 MW, que custarão 100 milhões de dólares para construção.

Os nossos países interagem ativamente no âmbito do G20, inclusive durante a presidência chinesa em curso. Assim, os países do BRICS assumiram o compromisso de cumprir o Plano de Ação sobre Erosão da Base Tributária e Transferência de Lucros. Desejamos trabalhar sistematicamente no sentido da aproximação das posições na OMC a fim de aperfeiçoar as regras e incentivar as negociações no âmbito da Organização. Por isso, acredito que a cooperação dentro do BRICS já começou a ter resultados práticos. É necessário continuar a consolidá-los e procurar áreas de interesse mútuo para os países do “quinteto”.

Segurança internacional

A agenda da cúpula em Goa inclui o exame dos primeiros resultados da execução da Estratégia para uma Parceria Econômica do BRICS, adotada em Ufá, o aperfeiçoamento do projeto no roteiro da cooperação econômico-comercial e de investimentos dos países do BRICS para até 2020.

Planejamos criar novos formatos e mecanismos de cooperação com os parceiros, no âmbito dos quais serão elaboradas medidas coordenadas para o desenvolvimento dos laços em várias áreas. Com isso, permanecerão no foco as questões relacionadas com o reforço da segurança internacional e estabilidade, o fortalecimento da competividade das nossas economias, a promoção do desenvolvimento internacional.

Apoiamos também as iniciativas da presidência indiana em tais áreas como a interação dos países do BRICS na esfera da agricultura, transporte ferroviário, esporte, turismo e contatos pessoais diretos.

Instabilidade mundial

– Que propostas o Senhor vai apresentar e quais são as Vossas expectativas ligadas à cúpula do BRICS? Na Vossa opinião, quais resultados serão alcançados através do trabalho conjunto dos participantes? Que projetos, além do Novo Banco de Desenvolvimento, poderiam comprovar a utilidade deste formato de interação?

– Antes de qualquer coisa, queria expressar a minha gratidão às autoridades indianas que no âmbito da presidência da Índia no BRICS, constantemente, dão atenção ao aprofundamento e à consolidação da parceria estratégica no grupo. Tenho certeza de que a cúpula em Goa, que será realizada sob o lema de continuidade e inovações, dará frutos.

Este encontro é uma boa oportunidade para os líderes do “quinteto” “sincronizarem seus relógios” quanto às questões chave da agenda internacional. Estamos decididos a cooperar na área de combate ao terrorismo, luta contra tráfego de drogas e corrupção. Conjuntamente, desejamos contribuir para resolução de conflitos, segurança de informação internacional. Todos nós estamos preocupados com a persistente instabilidade na economia mundial. Junto com os parceiros, deliberaremos o que é possível fazer para consolidar futuramente os nossos esforços frente a estes desafios.

Esperamos que a cúpula do BRICS em Goa abra novas oportunidades para atividades nas vertentes econômica e humanitária.

Pesquisas agrícolas

Sem dúvida, serão abordados os temas relacionados à concessão de créditos para os projetos do Novo Banco de Desenvolvimento, o início do pleno funcionamento do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS. Trata-se de troca de opiniões sobre o trabalho que está sendo realizado pelos Altos Representantes Responsáveis pelos Assuntos de Segurança, no decorrer das reuniões especializadas ministeriais, formatos de interação periciais, pela Universidade em Rede do BRICS e pelo Conselho Empresarial. Atualmente, por exemplo, foram concluídos os preparativos para a assinatura dos memorandos sobre a cooperação entre os serviços alfandegários, as academias diplomáticas dos nossos países, bem como sobre a criação de uma plataforma para as pesquisas agrícolas do BRICS.

Estamos gratos aos nossos parceiros indianos por assegurar a continuidade da agenda do BRICS de acordo com os resultados da cúpula de Ufá, realizada na Rússia, em julho de 2015. A Declaração de Ufá e o Plano de Ação, adotados lá, começaram a tornar-se realidade. Os parceiros indianos também propuseram uma série de iniciativas que pretendemos analisá-las no decorrer da cúpula.

No que se refere às propostas concretas da Rússia para a cúpula em Goa, é de lembrar que, durante a nossa presidência, foi adotada a Estratégia para uma Parceria Econômica que abrange as áreas promissoras da cooperação entre os países do “quinteto”. Agora está sendo elaborado o Plano de Ação para executá-la. A Parte Russa propôs mais de 60 projetos, uma espécie de roteiro, que poderiam ser implementados junto com os parceiros do BRICS (com um deles ou com todos). Acho que se nós pudermos conjuntamente determinar parceiros para a realização dos projetos mencionados, isso seria um passo importantíssimo no processo de modernização das economias dos nossos países.

Propriedade intelectual

A Rússia também está a favor do início da cooperação na área do comércio virtual (a análise de principais barreiras entre os países nesta área, a elaboração de melhores práticas de regulamento etc.), da facilitação dos procedimentos comerciais (junto com a Comissão Econômica Eurasiática), do apoio ao empreendedorismo pequeno e médio (lançamento de web-portal para as empresas pequenas e médias dos países do BRICS), da proteção da propriedade intelectual.

– Frequentemente o senhor fala sobre a necessidade de conectar os processos de integração, em particular a União Econômica Euroasiática e o Cinturão Econômico da Rota da Seda. Como seria possível usar o formato atual do BRICS para realizar tais iniciativas?

– A situação econômica e financeira mundial continua complicada, ainda não foram superadas as consequências da crise financeira global. É de lamentar que, neste contexto, alguns países procurem resolver os problemas acumulados através das medidas protecionistas. Tentativas de criar tais projetos fechados e não transparentes como o Acordo de Parceria Transpacífico ou o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento.

Princípios da OMC

A Rússia, bem como os nossos parceiros do BRICS, permanece fiel à formação dos espaços econômicos abertos. De caráter não discriminatório e baseados nos princípios da OMC.

É de lembrar que em 9 de julho de 2015, em Ufá, foi realizada a reunião no formato “outreach” com participação dos líderes dos países-membros da União Econômica Euroasiática, da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) e dos países-observadores da OCX. Em particular, durante essa reunião, foi discutida a questão de conexão entre os grandes projetos de infraestrutura de escala regional e trans-regional.

Neste contexto, nós propusemos a ideia da conexão entre a construção da União Econômica Euroasiática e a do Cinturão Econômico da Rota da Seda. No futuro, esse processo poderia servir como base para criação da Grande parceria euroasiática com a participação de amplo leque de países que fazem parte da União Econômica Euroasiática, da OCX e da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Bloco regional

Partimos da ideia de que essa parceria seria aberta para a adesão de todos os países interessados e seria construída levando em consideração os princípios de transparência e respeito mútuo. O potencial da cooperação dos países do BRICS também pode ser utilizado para a realização dessa iniciativa. Esperamos que a Índia, que demonstra grande interesse, apoie a nossa proposta.

Estamos convencidos de que esse tema continuará a ser discutido em Goa, durante a reunião dos líderes dos países do BRICS e do bloco regional BIMSTEC.

– Se imaginarmos o território entre a Índia e a Rússia, entendemos que a situação não é simples, há muitos problemas e contradições. Na Vossa opinião, quais desafios e problemas se tornarão os principais e os mais críticos para os países da região em 10 anos?

– A situação no território entre a Índia e a Rússia continua muito tensa. Em particular, a situação no Afeganistão continua a causar preocupação. São necessárias ações resolutas para ajudar este país a lidar com tais desafios e ameaças como terrorismo, extremismo e tráfego ilícito de drogas. A Rússia e a Índia estão unidas em prol da necessidade de apoiar os esforços para promover reconciliação nacional com base nos princípios do direito internacional. Estão interessados no aprofundamento da cooperação multilateral construtiva que busca prestar apoio ao Afeganistão na resolução dos problemas da segurança doméstica. No aumento do potencial de combate antidrogas, promoção do desenvolvimento socioeconômico e ampliação da interligação.

Espaço econômico

Em um contexto mais amplo, o nosso país está disposto a desenvolver na região mencionada os formatos da interação que permitam reagir rapidamente aos desafios à segurança emergentes, procurar, conjuntamente, meios para coibir as ameaças potenciais. Acreditamos que o papel principal deve pertencer à Organização para a Cooperação de Xangai, que tem ampliado sucessivamente a sua geografia. Por exemplo, a Índia e o Paquistão estão no processo de adesão à OCX. No âmbito da OCX, intensificam-se os esforços para elevar o nível de confiança, consolidando os princípios genuinamente coletivos no processo de reação a crises e desenvolvimento da cooperação multifacetada.

A promoção ativa pela Rússia – com apoio dos nossos parceiros – dos planos já mencionados sobre a criação do espaço econômico único na Eurásia, também contribui para suavizar as contradições. Essa “integração das integrações”, baseada nos princípios de abertura e consideração dos interesses de todas as economias nacionais, permitirá incluir essa região no desenvolvimento geral, promovendo, assim, a sua estabilidade.

Após a passagem do furacão, Haiti registra mortes por cólera

A agência de defesa civil do Haiti elevou seu total oficial de mortos para 336. Trata-se de uma contagem mais lenta porque as autoridades precisam visitar cada vila para confirmar os números

 

Por Redação, com agências internacionais – de Porto Príncipe

 

A cólera matou pelo menos 13 pessoas no sudoeste do Haiti após a passagem do furacão Matthew. O registro foi feito por autoridades, neste domingo. E equipes do governo estão percorrendo a região para reparar centros de tratamento e alcançar o epicentro do surto.

A falta de víveres e água potável tem levado populações inteiras, no Haiti, ao desespero
A falta de víveres e água potável tem levado populações inteiras, no Haiti, ao desespero

A tempestade matou quase 900 pessoas no Haiti, muitas em cidades remotas. Segundo levantamento da agência inglesa de notícias Reuters, base nos números divulgados por autoridades locais, esses números tendem a subir. A agência de defesa civil do Haiti elevou seu total oficial de mortos para 336. Trata-se de uma contagem mais lenta porque as autoridades precisam visitar cada vila para confirmar os números.

Haiti destroçado

Seis pessoas morreram de cólera em um hospital na cidade de Randel e outras sete morreram em Anse-d’Ainault, disseram autoridades. Acrescentaram que é provável que águas de inundação se misturaram com esgoto. Cólera causa diarréia severa e pode matar em horas se não for tratada. A doença se espalha por água contaminada e tem curto período de incubação, o que leva a rápidos surtos.

— Randel está isolada, é preciso cruzar água, subir nas montanhas, os carros não podem passar, motos também não — disse Eli Pierre Celestin.

Celestin integra a equipe que combate cólera apoiada pelo Ministério da Saúde.

— As pessoas começaram a morrer. Há enfermeiras, mas não há médicos — disse.

Ele afirmou ainda que há surtos em Port-a-Piment e Les Anglais, cidades no final da península de Tiburon, que foi a mais atingida pelo Matthew nesta semana. O médico Donald François, diretor do programa de cólera do Ministério da Saúde do Haiti, afirmou que 62 outras pessoas estão com a doença como resultado da passagem do furacão.

Ajuda brasileira

Tropas brasileiras no Haiti trabalham no envio de comida e remédios para a população mais atingida pelo Matthew no país. A região oeste foi a mais castigada pela passagem do fenômeno.

A Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) informou que os militares atuam desde o carregamento de navios que saem da capital Porto Príncipe com donativos até a reconstrução de estradas e organização da distribuição dos mantimentos.

Até o momento, foram confirmadas 877 mortes no Haiti provocadas pelo furacão. A Minustah, entretanto, estima mais de mil óbitos. Não há registro de mortos entre os soldados das forças da Organização das Nações Unidas (ONU).

Furacão rebaixado

Ao tocar solo norte-americano, o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA rebaixou, neste domingo, o Furacão Matthew para a categoria de ciclone pós-tropical. Os fortes ventos deixaram dez mortos no país até o momento. No Haiti, perto de mil pessoas morreram após a passagem do furacão na última semana.

Apesar da redução significativa na intensidade, os ventos chegaram a 210 quilômetros por hora, na última sexta-feira. O serviço meteorológico norte-americano alerta que os perigos ainda são grandes e não devem ser minimizados. Para este domingo, a previsão é que os ventos atinjam até 120 quilômetros por hora.

“Matthew vai continuar a provocar fortes chuvas, com enchentes ameaçadoras e tempestades perigosas em áreas próximas ao Oceano Atlântico”, informou o departamento.

Sites oficiais de Savannah, cidade mais antiga da Geórgia, e de Charleston, na Carolina do Sul, orientam os turistas a permanecerem em seus hotéis. Pedem até mesmo que evitem sair da cidade, se houver um aumento das inundações.

Número de mortes não para de crescer no Haiti e já se aproxima de mil

O número de mortes no Haiti, o país mais pobre das Américas, saltou para pelo menos 877 na sexta-feira à medida que as informações chegavam aos poucos das áreas remotas que foram isoladas pela tempestade

 

Por Redação, com agências internacionais – de Porto Príncipe

 

O furacão Matthew matou quase 900 pessoas e deslocou dezenas de milhares no Haiti antes de ir rumo ao norte neste sábado. Estava a pouca distância do litoral sudeste dos EUA, onde provocou grandes enchentes e queda de energia generalizada.

O furacão Matthew deixou um rastro de destruição na capital do Haiti, Porto Príncipe, nas últimas 48 horas
O furacão Matthew deixou um rastro de destruição na capital do Haiti, Porto Príncipe, nas últimas 48 horas

O número de mortes no Haiti, o país mais pobre das Américas, saltou para pelo menos 877 na sexta-feira. O número aumenta à medida que as informações chegam, aos poucos, das áreas remotas. Os piores estragos foram causados em áreas isoladas pela tempestade. Os números foram divulgados pela agência inglesa de notícias Reuters, baseada em cifras das autoridades.

O Matthew fez estragos na península ocidental do Haiti na terça-feira com seus ventos de 233 quilômetros por hora e chuva torrencial. Cerca de 61.500 pessoas estão em abrigos, disseram autoridades. As vítimas buscam refúgio desde que a tempestade lançou o mar contra frágeis vilarejos costeiros. Alguns deles somente agora estão sendo contatados.

Destroços

Ao menos três cidades relataram dezenas de baixas, incluindo Chantal, vilarejo de plantio situado em uma colina. O prefeito disse que 86 pessoas pereceram, a maioria quando árvores esmagaram suas casas. Segundo ele, 20 outras pessoas estão desaparecidas.

– Uma árvore caiu na casa e a derrubou, a casa inteira caiu em cima de nós. Eu não conseguia sair. As pessoas vieram retirar os destroços, e depois vimos minha esposa, que havia morrido no mesmo local – disse o motorista Jean-Pierre Jean-Donald. Ele tem de 27 anos, que estava casado há um ano. Jean-Donald estava ao lado da filha, que gritava “mamãe”.

Como as redes de celular não estão funcionando e as estradas estão inundadas, o socorro tem demorado para alcançar as áreas mais atingidas do país. O alimento está escasso e no mínimo sete pessoas morreram de cólera, provavelmente por terem bebido água misturada com esgoto.

O Mesa Verde, uma embarcação anfíbia de transporte da Marinha dos EUA, está a caminho do Haiti para dar apoio aos esforços de ajuda. O navio tem helicópteros habilitados para carga pesada, escavadoras, veículos de entrega de água fresca e duas salas de cirurgias.

Presidente da Colômbia ganha o Nobel da Paz

Presidente diz que prêmio é grande estímulo para a construção da paz e que a Colômbia está muito próxima de alcançar esse objetivo. “Recebo esta distinção em nome do povo colombiano, que tanto sofreu com essa guerra

Por Redação, com DW – de Bogotá:

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou se sentir profundamente honrado ao ser agraciado nesta sexta-feira com o Prêmio Nobel da Paz. Em razão de seus esforços para pôr fim a mais de 50 anos de conflitos entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos

– Recebo (o prêmio) com grande emoção – afirmou Santos em entrevista à Fundação Nobel, divulgada na rede social Facebook. “Este é um grande reconhecimento para meu país”, disse. “Serei eternamente grato.”

– O povo colombiano, e especialmente as vítimas, são importantes para nós. Recebo este prêmio em seu nome, o do povo colombiano, que tanto sofreu com essa guerra, com 52 anos de guerra, com milhares de vítimas – disse Santos.

Paz

Ele acrescentou que a paz está muito próxima em seu país. “Temos que perseverar até chegar ao fim. Estamos muito, muito perto, só precisamos avançar um pouco mais”, observou. “Este é um grande estímulo para chegar ao fim, para a construção da paz na Colômbia.”

Santos destacou ainda que o prêmio será também um estímulo para as Farc. Ele disse que a resolução do conflito com o Exército de Libertação Nacional (ELN) também está próximo. “É simplesmente uma questão de acreditar na causa, de viver numa sociedade em paz. Este é o momento, as condições são as corretas”, afirmou.

O líder máximo das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, que chefiou as negociações do acordo de paz em nome do grupo guerrilheiro, afirmou em seu perfil no Twitter que o único prêmio a que sua organização aspira é a “paz com justiça social para a Colômbia, sem paramilitarismo, sem retaliações”.

Presidente colombiano declara cessar-fogo com Farc até fim de outubro

Trégua, que expirou no dia da vitória do “não” no plebiscito, é estendida até final do mês. Santos espera obter consenso em torno do acordo de paz antes das negociações com a oposição

Por Redação, com DW – de Bogotá:

O cessar-fogo entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em vigor desde 29 de agosto, será mantido até o dia 31 de outubro. Afirmou nesta quarta-feira o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Trégua, que expirou no dia da vitória do "não" no plebiscito, é estendida até final do mês
Trégua, que expirou no dia da vitória do “não” no plebiscito, é estendida até final do mês

Após a vitória do “não” no plebiscito sobre o acordo de paz com a guerrilha. O governo ainda espera obter consenso em torno do tratado. “Espero que possamos avançar nos acordos e nos diálogos para que possamos concretizar as regras que nos permitam iniciar a solução para este conflito”, afirmou o presidente.

O anúncio de Santos significa a extensão da resolução do Ministério da Defesa que estabelece a trégua. Ela expirou no último dia 2, data da votação do plebiscito. Com a medida, o cessar-fogo bilateral e definitivo será mantido.

Líderes

O presidente se reuniu nesta terça-feira na sede do governo com líderes de organizações financeiras e da Igreja, em busca de apoio antes do início das negociações com a oposição, liderada pelos ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana – partidários da campanha pelo “não” ao acordo de paz, que muitos consideram leniente demais com os guerrilheiros.

“Trata-se novamente de buscar os denominadores comuns, saber quais são suas preocupações, quais são suas observações, para ver se podemos introduzir através do diálogo as observações nesse grande acordo nacional que nos permita continuar na busca pela paz”, disse o presidente.

O líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenco”, reagiu com estranheza ao anúncio de Santos de que o cessar-fogo com a guerrilha termina no dia 31 de outubro. “Daí para frente a guerra continua?”, perguntou em seu perfil no Twitter.

Ele permanece em Havana com a equipe negociadora das Farc que participou durante os últimos quatro anos nas conversações de paz na capital cubana. Após o resultado do plebiscito, a guerrilha assegurou que a paz seria mantida. Londoño considera que a consulta popular “não tem qualquer efeito jurídico” sobre o acordo de paz.

Governo colombiano tenta salvar acordo com as Farc

Resultado do plebiscito gera incertezas quanto ao futuro do país. Governo e Farc se dizem dispostos a continuar com as negociações pela paz, mas oposição insiste em mudanças no texto do pacto

Por Redação, com DW – de Bogotá:

Após a vitória do “não” no plebiscito sobre o acordo de paz, o governo colombiano iniciou os esforços para tentar salvar o tratado que visa pôr fim a mais de 50 anos de hostilidades com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Governo e Farc se dizem dispostos a continuar com as negociações pela paz
Governo e Farc se dizem dispostos a continuar com as negociações pela paz

A vitória apertada do “não” (50,22% dos votos) deixou a Colômbia em terreno incerto. Os mercados financeiros reagiram negativamente, uma vez que contavam com a aprovação do acordo e com o capital político do presidente Juan Manuel Santos para atrair investidores e tentar frear a desaceleração da economia.

Entretanto, muitos dos eleitores, principalmente na região central do país, consideraram o acordo leniente demais para com os guerrilheiros, oferecendo-lhes o que muitos consideram como impunidade.

Farc

Santos e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenco”, anunciaram que continuarão com os esforços para tentar impedir o reinício dos confrontos. Ambos confirmaram que o cessar-fogo bilateral será mantido.

Apesar de o presidente não ter a obrigação de levar o acordo para aprovação através da consulta popular, ele assim o fez para que tivesse maior legitimidade. Santos, que chegou a afirmar que não tinha um “plano B” em caso de vitória do “não”, terá que buscar novas opções num país que se mostrou amplamente dividido sobre a questão.

Ele indicou o chefe de sua equipe de negociações Humberto de La Calle, a chanceler María Ángela Holguín, e o ministro da Defesa Luis Carlos Villegas como representantes do governo para dialogar com a oposição, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

– Com a boa vontade de ambas as partes, estou seguro que poderemos chegar rapidamente a soluções satisfatórias a todos, de forma que o país sairá ganhando e o processo terminará fortalecido – afirmou Santos, que pediu urgência para que o acordo não ameaçado.

O partido de Uribe, o Centro Democrático, anunciou sua disposição para negociar e “corrigir” o que considera erros do acordo de paz. “Temos a vontade de negociar, mas existiria a disposição do governo e do presidente da República de escutar para introduzir algumas mudanças?”, questionou o líder oposicionista.

As Farc, em comunicado, afirmam que o cessar-fogo bilateral será mantido. O líder Timochenco disse que o grupo guerrilheiro “mantém sua vontade de paz”, e quer seguir usando “somente a palavra como arma de construção para o futuro”.

O partido de Uribe pede a prisão dos rebeldes que cometeram crimes e defende que os líderes guerrilheiros não possam concorrer a cargos públicos.