Impeachment mergulha Coreia do Sul em incerteza

Tribunal confirma impedimento de Park Geun-hye, passo que abre caminho para guinada na política interna e que pode gerar mudanças no balanço de poderes na Ásia. Em meio a protestos, país tem 20 mil policiais nas ruas

Por Redação, com DW – de Seul:

O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul removeu oficialmente do cargo a presidente Park Geun-hye nesta sexta-feira. O afastamento, devido a um escândalo de corrupção, ocorre em um momento de tensões crescentes com os vizinhos Coreia do Norte e China, e pode gerar mudanças não só na política interna, como também no balanço de poderes na Ásia.

Simpatizantes de Park Geun-hye entram em confronto com a polícia em Seul
Simpatizantes de Park Geun-hye entram em confronto com a polícia em Seul

A decisão provocou protestos de centenas de simpatizantes de Geun-hye. As autoridades tiveram que acionar mais de 20 mil policiais para conter os tumultos nas ruas da capital Seul. Dois manifestantes morreram nos confrontos.

A comissão de oito juízes ratificou uma votação no Parlamento que determinava o impeachment de Park por envolvimento em um caso de fraude. Abrindo o caminho para um processo penal.

– (Os atos de Park) violam a Constituição e a lei e traem a confiança pública – disse o magistrado-chefe Lee Jung-mi. “Os benefícios de proteger a Constituição que podem ser ganhos ao afastar a ré são incrivelmente grandes”.

Park foi apontada como suspeita criminal. O que a torna a primeira líder democraticamente eleita da Coreia do Sul a ser afastada do cargo. Desde que a democracia substituiu a ditadura no final dos anos 1980. Choi Soon-sil, amiga íntima da presidente, é acusada de cobrar propina de conglomerados sul-coreanos, como a Samsung.

O advogado de Park, Seo Seok-gu, que anteriormente comparou o impeachment com a crucificação de Jesus Cristo. Qualificou o veredicto como uma “decisão trágica” nascida sob pressão popular e questionou a imparcialidade do que ele chamou de um “tribunal fantoche”.

Pesquisas indicam que mais de 70% dos sul-coreanos apoiam o impeachment. Número reforçado pelas centenas de milhares de manifestantes que passaram as últimas semanas clamando nas ruas pela saída definitiva da presidente.

Provocações do Norte

O ministro da Defesa sul-coreano ordenou ao Exército que monitore possíveis provocações da Coreia do Norte que eventualmente tentem explorar “situações de instabilidade no país e no exterior.”

Durante uma vídeo-conferência com os comandantes militares nesta sexta-feira, Han Min Koo advertiu que o país vizinho poderia incorrer em provocações “estratégicas ou operacionais” a qualquer momento.

Nas últimas semanas, a Coreia do Norte testou mísseis balísticos. O país também aproveitou a decisão do tribunal para afirmar que Park agora será investigada como uma “criminosa comum”.

A decisão aprofundou o clima de incerteza política e de insegurança na Coreia do Sul. Em meio a tensões com a Coreia do Norte. O país também sofre ameaças de retaliação econômica da China após um acordo de cooperação entre Seul e Washington por um sistema antimísseis.

Guinada política

A Coreia do Sul deverá realizar eleições no prazo de dois meses para a escolha de um sucessor para Park. O primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn, presidente em exercício. Disse que vai trabalhar com seu gabinete para estabilizar o país e garantir a realização do pleito.

– Eu respeito a decisão constitucional da corte.  O gabinete deverá conduzir os assuntos de Estado de maneira estável e garantir a ordem social de forma a evitar a intensificação de conflitos internos – afirmou.

Segundo a imprensa local, Hwang poderá concorrer à presidência como candidato dos conservadores. O liberal Moon Jae-in, que perdeu para Park nas eleições de 2012. Aparece na liderança nas últimas pesquisas de opinião.

Com os conservadores enfraquecidos, o impeachment deve mudar a política sul-coreana. Com a oposição de esquerda assumindo o poder pela primeira vez numa década. Isso afetaria o balanço de poderes da Ásia. A esquerda pode reavivar a chamada “política do raio de Sol”, que prega maior contato político com a Coreia do Norte.

Tal política, afirmam observadores, pode complicar os esforços dos EUA sob o governo Donald Trump. Para isolar a Coreia do Norte, num momento em que países da região gravitam cada vez mais em direção a Pequim. Outro objetivo da oposição é justamente tentar aplacar as tensões com a China.

Japão propõem criação de arsenal para contrapor ameaça da Coreia do Norte

O Japão vem evitando dar o passo polêmico e custoso de adquirir bombardeiros ou armas como mísseis de cruzeiro com alcance suficiente para atingir outros países

Por Redação, com Reuters – de Tóquio:

Abalados pelos avanços militares da Coreia do Norte, parlamentares japoneses influentes estão aumentando a pressão para que o país desenvolva a capacidade de atacar preventivamente as instalações de mísseis do vizinho detentor de armas nucleares.

Ex-ministro da Defesa do Japão Itsunori Onodera durante discurso em Tóquio
Ex-ministro da Defesa do Japão Itsunori Onodera durante discurso em Tóquio

O Japão vem evitando dar o passo polêmico e custoso de adquirir bombardeiros ou armas. Como mísseis de cruzeiro com alcance suficiente para atingir outros países. Preferindo contar com seu aliado Estados Unidos para se contrapor a seus inimigos.

Mas a ameaça crescente representada por Pyongyang. Incluindo o lançamento simultâneo de quatro mísseis na segunda-feira, está fortalecendo o argumento de que mirar o arqueiro. Ao invés de suas setas, é uma defesa mais eficiente.

– Se bombardeiros nos atacassem ou aviões de guerra nos bombardeassem. Responderíamos ao fogo. Atacar um país atirando mísseis contra nós não é diferente – disse Itsunori Onodera, ex-ministro da Defesa que preside um comitê do governista Partido Liberal Democrata que estuda como o Japão pode se defender da ameaça dos mísseis norte-coreanos.

– A tecnologia avançou e a natureza do conflito mudou – acrescentou.

Pós-guerra

Tóquio vem ampliando há décadas os limites de sua constituição pacifista do pós-guerra. Governos sucessivos vêm dizendo que a nação tem o direito de atacar bases inimigas no exterior. Quando a intenção do inimigo de atacar o Japão é evidente, a ameaça é iminente e não há outras opções de defesa.

Embora governos anteriores tenham evitado adquirir o equipamento para fazê-lo. O partido do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, vem exortando-o a cogitar a medida.

– É hora de obtermos essa capacidade – disse Hiroshi Imazu, presidente do conselho de política de segurança da legenda. “Não sei se seriam mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro ou até o (bombardeiro) F-35, mas sem um dissuasor a Coreia do Norte irá nos ver como fracos”.

A ideia enfrentou uma resistência acirrada no passado, mas a rodada mais recente de testes norte-coreanos pode levar o Japão a agir com mais rapidez para aprovar uma política defensiva mais rígida.

– Já fizemos os trabalhos iniciais para saber como adquirir uma capacidade ofensiva – revelou uma fonte a par do planejamento militar japonês, pedindo para não ser identificada devido à sensibilidade do tema.

Qualquer arma que Tóquio adquirisse com alcance suficiente para atingir a Coreia do Norte também deixaria partes do litoral leste da China expostos a seus armamentos pela primeira vez, o que provavelmente revoltaria Pequim.

China alerta sobre tensão na Península da Coreia do Norte

Pequim propõe suspensão dos testes de misses norte-coreanos em troca do fim dos exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington. ONU denuncia “graves violações” de Pyongyang

Por Redação, com DW – de Pequim:

A China lançou nesta quarta-feira um apelo pela suspensão das atividades nucleares e balísticas da Coreia do Norte em troca do fim dos exercícios militares conjuntos realizados por Coreia do Sul e Estados Unidos.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, este seria o primeiro passo para evitar uma “colisão frontal” entre as duas partes.

A Coreia do Norte lançou quarto mísseis balísticos em direção a bases americanas no Japão
A Coreia do Norte lançou quarto mísseis balísticos em direção a bases americanas no Japão

– Os dois lados são como dois trens acelerando um na direção do outro, sem que nenhuma das partes esteja disposta a ceder – disse Wang a repórteres. “Nossa prioridade agora é acionar as luzes vermelhas e puxar o freio de ambos os trens.”

A suspensão das atividades dos dois lados do conflito poderá ajudar a “romper o dilema de segurança. Trazer as duas partes de volta à mesa de negociações”, ressaltou o ministro.

Na segunda-feira, a Coreia do Norte lançou quarto mísseis balísticos em direção a bases norte-americanas localizadas no Japão, três dos quais caíram em águas territoriais japonesas.

Seul e Washington, por sua vez, iniciaram na semana passada os exercícios militares conjuntos realizados anualmente. Que ambos os países afirmam ser de caráter estritamente defensivo. Pyongyang, porém, os considera uma provocação e uma preparação do país vizinho para uma eventual guerra entre as Coreias.

Outro motivo do acirramento das tensões é a prevista instalação do sistema norte-americano de defesa em altitudes altas THAAD na Coreia do Sul. Que visa impedir a chegada de mísseis lançados pelo país vizinho. Pequim acredita que o sistema seja capaz de atingir também o seu território. Ameaçando seus interesses de segurança.

ONU condena “grave violação”

Nesta terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma declaração condenando os recentes lançamentos de mísseis da Coreia do Norte. Considerando-os uma “grave violação” das resoluções da ONU. Que proíbem o país de desenvolver tais tecnologias. O órgão expressou preocupação com o que chamou de “comportamento cada vez mais desestabilizador” de Pyongyang.

O órgão máximo da ONU lamentou também que o país utilize recursos para desenvolver armamentos. Enquanto a população enfrenta sérias dificuldades, e ameaçou “adotar novas medidas substanciais” contra Pyongyang. A declaração foi aprovada pelos representantes dos 15 países do Conselho de Segurança, apesar das tensões entre os EUA e a China em razão da instalação do THAAD na Coreia do Sul.

O Conselho pediu aos 193 países que integram a ONU que realizem esforços para implementar assanções impostas desde 2006 à Coreia do Norte. Um relatório recente de um painel de especialistas questionava o comprometimento da China com as sanções. E denunciava que a Coreia do Norte estabeleceu empresas de fachada em outros países. Principalmente na China e na Malásia – para tentar driblar as restrições.

EUA começam instalação de sistema antimísseis na Coreia do Sul

A medida dos EUA deve ampliar as tensões entre Coreia do Sul e China, que diz que a instalação do Thaad destrói o equilíbrio da segurança regional

Por Redação, com Reuters – de Seul:

Os Estados Unidos começaram as movimentações nesta terça-feira para instalar os primeiros elementos de um avançado sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul, depois que a Coreia do Norte lançou quatro mísseis balísticos em um teste, informou o Comando dos EUA no Pacífico, apesar da firme oposição da China.

A medida dos EUA deve ampliar as tensões entre Coreia do Sul e China
A medida dos EUA deve ampliar as tensões entre Coreia do Sul e China

O anúncio foi feito enquanto a mídia estatal norte-coreana. Dizia que o líder do país, Kim Jong Un, havia supervisionado pessoalmente os lançamentos de segunda-feira. De uma instalação militar que está posicionada de forma a atacar bases dos EUA no Japão. Ampliando as ameaças contra Washington. No momento em que tropas norte-americanas realizam exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

– Ações provocativas contínuas da Coreia do Norte. Incluindo o lançamento ontem de múltiplos mísseis, apenas confirmam a prudência da decisão de nossa aliança no ano passado de instalar o Thaad na Coreia do Sul – disse o comandante dos EUA no Pacífico, almirante Harry Harris. Em comunicado, fazendo referência ao sistema antimísseis Terminal de Defesa Aérea de Alta Altitude (Thaad, na sigla em inglês).

Medida

A medida dos EUA deve ampliar as tensões entre Coreia do Sul e China, que diz que a instalação do Thaad destrói o equilíbrio da segurança regional.

Os quatro mísseis balísticos lançados pela Coreia do Norte caíram no mar na direção da costa noroeste do Japão. Despertando reações indignadas de Seul e Tóquio, dias após o regime de Pyongyang ter prometido retaliar pelos exercícios militares de EUA e Coreia do Sul, que a Coreia do Norte considera ser uma preparação para guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, conversaram sobre o lançamento dos mísseis. Durante um telefonema. Trump também conversou com o presidente interino da Coreia do Sul, Hwang Kyo-ahn.

Coreia do Norte lança quatro mísseis balísticos no mar

Alguns mísseis caíram na água a apenas 300 quilômetros da costa noroeste do Japão, disse o ministro da Defesa japonês, Tomomi Inada, em Tóquio

Por Redação, com Reuters – de Seul:

A Coreia do Norte disparou quatro mísseis balísticos no mar na direção da costa noroeste do Japão nesta segunda-feira, o que provocou protestos de Coreia do Sul e Japão, dias após o regime norte-coreano ter prometido retaliar os exercícios militares conjuntos realizados por Estados Unidos e Coreia do Sul.

A Coreia do Norte disparou quatro mísseis balísticos no mar na direção da costa noroeste do Japão nesta segunda-feira
A Coreia do Norte disparou quatro mísseis balísticos no mar na direção da costa noroeste do Japão nesta segunda-feira

As Forças Armadas da Coreia do Sul disseram que os mísseis provavelmente não eram mísseis balísticos intercontinentais (ICBM). Que podem atingir os Estados Unidos. Os mísseis voaram em média 1.000 quilômetros e atingiram uma altura de 260 quilômetros.

Alguns mísseis caíram na água a apenas 300 quilômetros da costa noroeste do Japão. Disse o ministro da Defesa japonês, Tomomi Inada, em Tóquio.

Mísseis

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que “protestos firmes” foram apresentados à Coreia do Norte. Tem arsenal nuclear e que realiza com frequência testes nucleares e de mísseis desafiando sanções da ONU.

O presidente interino da Coreia do Sul, Hwang Kyo-ahn, condenou os lançamentos e disse que representam uma provocação direta à comunidade internacional. Seul disse ainda que vai agir para implantar rapidamente um sistema antimísseis dos EUA, apesar da forte objeção da China.

Coreia do Sul pede suspensão do Norte da ONU por assassinato em aeroporto da Malásia

A polícia disse que as mulheres esfregaram gás VX, um agente químico presente em uma lista de armas de destruição em massa proibidas pela Organização das Nações Unidas

Por Redação, com Reuters – de Genebra/Kuala Lumpur:

 

A Coreia do Sul pediu “medidas coletivas” de punição à Coreia do Norte por esta ter usado armas químicas para matar o meio-irmão afastado de seu líder, Kim Jong Un, e a Malásia disse nesta terça-feira que acusará duas mulheres de assassinato devido ao ataque ocorrido no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur.

A Coreia do Sul pediu "medidas coletivas" de punição à Coreia do Norte por esta ter usado armas químicas para matar o meio-irmão afastado de seu líder, Kim Jong Un
A Coreia do Sul pediu “medidas coletivas” de punição à Coreia do Norte por esta ter usado armas químicas para matar o meio-irmão afastado de seu líder, Kim Jong Un

A polícia disse que as mulheres esfregaram gás VX. Um agente químico presente em uma lista de armas de destruição em massa proibidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), no rosto de Kim Jong Nam. Em um ataque flagrado por câmeras de segurança no aeroporto da capital malaia no dia 13 de fevereiro.

Em discurso na Conferência de Desarmamento organizada pela ONU em Genebra nesta terça-feira. O ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Yun Byung-se. Ele disse que o uso de armas químicas foi um “toque de despertar”. E que a comunidade internacional deveria agir. Inclusive com a possível suspensão da isolada Coreia do Norte da ONU.

Morte de Kim Jong Nam

Pyongyang vem rejeitando as alegações sobre seu envolvimento na morte de Kim Jong Nam. Mas autoridades de Seul e dos Estados Unidos acreditam que ele foi vítima de um assassinato orquestrado pelo regime.

– Muitos veículos de mídia internacionais ressaltaram que o uso de armas químicas por parte da Coreia do Norte. Para um assassinato planejado em um terceiro país envia uma mensagem muito clara ao mundo – disse Yun no fórum de Genebra.

A delegação norte-coreana na conferência disse à agência inglesa de notícias Reuters que irá responder ao discurso de Yun ainda nesta terça-feira.

A polícia malaia prendeu uma vietnamita, Doan Thi Huong, e uma indonésia, Siti Aishah. Nos dias seguintes ao ataque.

 

Rex Tillerson afirma importância de laços construtivos entre EUA e China

A ligação pareceu ser o esforço mais recente das duas maiores economias do mundo para restabelecer o equilíbrio das relações

Por Redação, com Reuters – de Washington:

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, conversou por telefone com o diplomata mais graduado da China e afirmou a importância de um relacionamento construtivo entre as duas nações, e os dois concordaram com a necessidade de abordar a ameaça representada pela Coreia do Norte, informou o Departamento de Estado dos EUA.

Secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson
Secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson

Tillerson e Yang Jiechi, conselheiro de Estado chinês, cargo que supera o do ministro das Relações Exteriores. Também debateram economia e comércio. Além de uma cooperação em potencial em contraterrorismo, aplicação da lei e crimes transnacionais, disse o Departamento em um comunicado.

A ligação pareceu ser o esforço mais recente das duas maiores economias do mundo para restabelecer o equilíbrio das relações. Após um início atribulado na esteira da vitória eleitoral do presidente norte-americano, Donald Trump, em novembro.

– O secretário Tillerson e o conselheiro de Estado Yang afirmaram a importância de um relacionamento bilateral construtivo – disse o informe dos EUA. “Os dois lados concordaram com a necessidade de abordar a ameaça que a Coreia do Norte representa à estabilidade regional”.

Reunião

O telefonema ocorreu após uma reunião entre o chanceler chinês, Wang Yi, e Tillerson na sexta-feira, o primeiro encontro pessoal entre os dois desde que Tillerson assumiu o posto no início deste mês.

Na reunião, Wang enfatizou que os interesses compartilhados pela China e pelos EUA superam de longe suas diferenças.

China finaliza instalações no Mar do Sul, dizem EUA

O acontecimento deve levar muitos a questionarem se e como os EUA irão reagir, dadas suas promessas de endurecer com Pequim em relação ao Mar do Sul da China

Por Redação, com Reuters – de Washington:

A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram duas autoridades dos Estados Unidos à agência inglesa de notícias Reuters, o que foi considerado um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump.

A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China
A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China

O acontecimento deve levar muitos a questionarem se e como os EUA irão reagir. Dadas suas promessas de endurecer com Pequim em relação ao Mar do Sul da China.

A China reivindica quase todas as águas, pelas quais circula um terço do comércio marítimo mundial. Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal.

Construir as estruturas de concreto com tetos retráteis nos recifes de Subi, Mischief e Fiery Cross. Parte da cadeia de Ilhas Spratly. Onde a China já instalou pistas de voo de uso militar, pode ser considerado uma escalada militar. Disseram as autoridades dos EUA nos últimos dias, falando sob condição de anonimato.

– Não é típico dos chineses construir nada no Mar do Sul da China só por construir. Estas estruturas lembram outras que abrigam baterias SAM. Então a conclusão lógica é que são para isso – disse um funcionário de inteligência norte-americano. Referindo-se a mísseis terra-ar.

Outro funcionário disse que as edificações parecem ter 20 metros de comprimento por 10 metros de altura.

O porta-voz do Pentágono disse que os EUA continuam comprometidos com a “não-militarização do Mar do Sul da China”. Ele pediu a todos os envolvidos que adotem ações consistentes com a lei internacional.        

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, disse nesta quarta-feira que está a par do relato, embora não tenha dito se a China planeja instalar mísseis nos recifes.

Construção

– A China realizar atividades normais de construção em seu próprio território, inclusive montando instalações de defesa territorial necessárias e apropriadas, é um direito normal de nações soberanas, segundo a lei internacional – disse ele aos repórteres.

Na audiência no Senado em que foi confirmado no posto no mês passado, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, provocou a ira da China ao dizer que Pequim não deveria ter acesso às ilhas que está construindo no Mar do Sul da China.

Mais tarde Tillerson suavizou a linguagem, e Trump reduziu ainda mais as tensões prometendo honrar a já antiga política de “uma China” endossada por seu país em um telefonema ao presidente chinês, Xi Jinping, no dia 10 de fevereiro.

Malásia busca quatro suspeito por morte de Kim Jong-nam

Polícia malaia diz que suspeitos deixaram o país no mesmo dia do ataque contra o meio-irmão do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Governo sul-coreano acusa regime de Pyongyang de “estar por trás” do assassinato

Por Redação, com DW – de Kuala Lumpur:

A polícia da Malásia afirmou neste domingo que procura quatro homens de nacionalidade norte-coreana pelo assassinato no aeroporto de Kuala Lumpur de Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

A polícia da Malásia afirmou neste domingo que procura quatro homens de nacionalidade norte-coreana pelo assassinato no aeroporto de Kuala Lumpur de Kim Jong-nam
A polícia da Malásia afirmou neste domingo que procura quatro homens de nacionalidade norte-coreana pelo assassinato no aeroporto de Kuala Lumpur de Kim Jong-nam

– Os quatro suspeitos são da Coreia do Norte (…), e podemos confirmar que os quatro deixaram o país no mesmo dia do ataque no último dia 13 – afirmou o subdiretor da Polícia da Malásia, Noor Rashid Ibrahim.

O responsável da polícia afirmou que não sabia se os quatro suspeitos pertencem ao governo da Coreia do Norte. Mas explicou que estão “em contato com a Interpol e outros organismos relevantes na região” para prendê-los.

As pessoas procuradas são Ri Jae-nam, de 57 anos, que chegou na Malásia em 1 de fevereiro. O Jong-gil, de 55 anos, que entrou no país em 7 de fevereiro. Hong Song Hac, de 34 anos, no dia 31 de janeiro; e Rhi Ji Hyon, de 33 anos, em  4 de fevereiro.

Kim Jong-nam morreu na manhã da segunda-feira dia 13 quando era levado ao hospital. Depois que, aparentemente, duas mulheres o envenenaram no terminal de saídas internacionais do aeroporto de Kuala Lumpur. Onde ia pegar um voo de volta a Macau, onde vivia autoexilado.

A Polícia da Malásia mantém detidos duas mulheres. Uma vietnamita e outra indonésia, um malaio e um norte-coreano em relação ao suposto assassinato.

Seul acusa Pyongyang por morte

O governo da Coreia do Sul disse neste domingo que o regime de Pyongyang “está por trás” do assassinato de Kim Jong-nam. Já que cinco suspeitos são de nacionalidade norte-coreana.

– Levando em conta que cinco suspeitos foram identificados como norte-coreanos. O governo considera que o regime da Coreia do Norte está por trás do incidente – declarou um porta-voz do ministério da Unificação de Seul a veículos de comunicação locais.

A reação da Coreia do Sul é conhecida depois que a polícia da Malásia deteve na sexta-feira um norte-coreano de 46 anos em relação com o suposto assassinato de Kim Jong-nam. Ele revelou que procura outros quatro cidadãos dessa mesma nacionalidade por seu envolvimento no incidente.

As autoridades da Malásia asseguraram que a investigação segue em andamento. E não quiseram assinalar a causa exata da morte nem especular sobre quem está por trás do suposto assassinato.

– Não estamos interessados em política ou outros elementos. No que estamos interessados é por que se cometeu um crime desta classe em nosso país. Nosso trabalho é descobrir a verdade e levar os culpados à justiça – declarou Noor Rashid.

Na terça-feira passada, o governo sul-coreano qualificou de “brutal e desumano”. O assassinato de Kim Jong-nam e os serviços de inteligência de Seul revelaram que Pyongyang já havia tentado assassinar o meio irmão de Kim Jong-un em 2012. 

Malásia prende mulher suspeita de matar Kim Jong-nam

Mulher de 28 anos e com passaporte vietnamita é detida no aeroporto de Kuala Lumpur apenas dois dias após assassinato, no mesmo local, do meio-irmão do ditador norte-coreano

Por Redação, com DW – de Kuala Lumpur:

A polícia da Malásia afirmou nesta quarta-feira ter detido uma mulher com passaporte vietnamita, suspeita de envolvimento no assassinato de Kim Jong-nam, irmão mais velho do líder norte-coreano, Kim Jong-un, no aeroporto de Kuala Lumpur, há dois dias.

Kim Jong-nam (e), meio-irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-un
Kim Jong-nam (e), meio-irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-un

A mulher, identificada como Doan Thi Huong, de 28 anos, aparece nas gravações feitas por câmeras de segurança do aeroporto e estava sendo procurada pela polícia. Ela estava sozinha quando foi detida, no aeroporto, nesta quarta-feira.

As imagens das câmeras de segurança do terminal 2 do aeroporto de Kuala Lumpur mostram uma mulher de traços asiáticos, pele branca e cabelo comprido. Ela veste uma camiseta branca e uma saia azul. E deixa o aeroporto num táxi.

As autoridades afirmaram que ela é uma das duas mulheres que teriam jogado um produto químico no rosto de Kim Jong-nam. Emissoras de televisão da Coreia do Sul afirmaram que ele teria recebido uma injeção de veneno.

Um policial relatou ao jornal malaio The Star. Ele disse que Kim Jong-nam dissera a uma recepcionista do aeroporto que alguém teria agarrado seu rosto por trás. Jogado um líquido nele. Ele se preparava para pegar um voo para Macau. Onde morava, e estava caminhando pelo setor de embarque quando foi atacado. Disse o chefe da inteligência sul-coreana, Byung-Ho. Kim Jong-nam foi atendido na clínica do aeroporto e morreu a caminho do hospital.

O inspetor-geral da polícia da Malásia afirmou que, segundo os documentos de viagem. A vítima se chama Kim Chol e nasceu em Pyongyang em junho de 1970.

O Star afirma que a polícia ainda procura a cúmplice de Doan Thi Huong. Além de “vários outros suspeitos” de envolvimento no suposto assassinato do irmão do líder norte-coreano.

O jornal diz que o corpo do norte-coreano foi levado numa ambulância escoltada por várias viaturas da polícia até outro hospital, em Kuala Lumpur. Onde foi submetido a autópsia para determinar a causa da morte. O resultado do exame ainda não foi divulgado.

Ao menos três carros com matrícula diplomática pertencentes à representação da Coreia do Norte na Malásia estão estacionados nas dependências do hospital.

Assassinato “brutal e desumano”

O primeiro-ministro e presidente interino da Coreia do Sul, Hwang Kyo-ahn. Qualificou o assassinato de “brutal e desumano”. O Ministério sul-coreano da Unificação afirmou que Seul acredita que a vítima de fato seja o irmão mais velho do líder norte-coreano.

Kim Jong-nam, de idade entre os 45 anos, é o primeiro filho do falecido ditador norte-coreano Kim Jong-il. Ele chegou a ser considerado como o melhor posicionado para substituir seu pai à frente do regime norte-coreano. Mas perdeu definitivamente sua preferência quando, em 2001, foi detido num aeroporto de Tóquio com um passaporte dominicano falso que pretendia usar para entrar no Japão e supostamente visitar o parque Disneyland.

Durante os últimos anos. Os veículos de imprensa sul-coreanos especularam sobre supostas tentativas do regime de assassinar o primogênito de Kim Jong-il e, em 2012. Informaram sobre a detenção de um suposto espião norte-coreano que teria confessado ter ordens para assassinar Kim Jong-nam na China.

Kim Jong-un estaria tentando fortalecer sua posição no poder diante da pressão internacional por causa do programa nuclear do país. Ele já teria determinado uma série de execuções.