Coreia do Norte testa outro míssil mas Trump prefere não polemizar

O míssil lançado pela Coreia do Norte tem capacidade média, segundo a inteligência norte-americana

O teste da Coreia do Norte parece ter sido feito com um míssil de alcance intermediário do tipo Musudan, que caiu no mar do Japão. De acordo com o Exército sul-coreano, não seria um Míssil Balístico Intercontinental

 

Por Redação, com agências internacionais – de Pyongyang e Washington

 

A Coreia do Norte lançou, neste domingo, um míssil balístico com capacidade para transportar ogivas nucleares. O projétil foi lançado de um submarino, pela manhã (hora de Brasília). Trata-se do primeiro teste desse tipo desde a eleição do presidente norte-americano, Donald Trump, cujo governo indicou que não dará uma resposta calibrada “para evitar a escalada de tensões”.

O míssil lançado pela Coreia do Norte tem capacidade média, segundo a inteligência norte-americana
O míssil lançado pela Coreia do Norte tem capacidade média, segundo a inteligência norte-americana

O teste parece ter sido feito com um míssil de alcance intermediário do tipo Musudan, que caiu no mar do Japão. De acordo com o Exército sul-coreano, não seria um Míssil Balístico Intercontinental (ICBM, na sigla em inglês), cujo teste a Coreia do Norte havia anunciado.

Míssil balístico

Os Estados Unidos também informaram que se tratou de um teste de médio alcance — ou intermediário — pela Coreia do Norte, segundo o Comando Estratégico do Exército dos Estados Unidos. O teste não representa uma ameaça para a América do Norte, disse a corporação.

— Os sistemas do Comando Estratégico dos EUA detectaram e rastrearam o que avaliamos como um lançamento de míssil norte-coreano às 16h55 (hora local). O lançamento de um míssil balístico de alcance médio ou intermediário ocorreu perto da cidade de Kusong — acrescentou o porta-voz tenente-coronel Martin O’Donnell.

O Comando Estratégico disse ainda que rastreou o míssil da Coreia do Norte até o mar do Japão. O órgão não especificou se o lançamento foi um sucesso ou se falhou.

O Comando acrescentou que as forças militares dos EUA “permanecerão vigilantes diante das provocações da Coreia do Norte e estão totalmente comprometidas a trabalhar de perto com aliados da República da Coreia e Japão para manter a segurança”.

Surpresa da
Coreia do Norte

Uma autoridade dos EUA, falando em condição de anonimato, disse que o governo Trump estava esperando uma “provocação” da Coreia do Norte logo após o início do mandato e considerará uma ampla gama de opções em resposta ao teste de míssil de Pyongyang, mas calibrada para mostrar a determinação dos EUA enquanto evitam a escalada da tensão. Foi a primeira vez que o país isolado testou um dispositivo do tipo desde a eleição do presidente Trump.

— Isto não foi uma surpresa. O líder da Coreia do Norte gosta de chamar a atenção em momentos como este — disse a fonte.

O teste ocorreu em meio a visita do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, aos EUA. Logo após Trump conversar, por telefone, na semana passada com o presidente chinês, Xi Jinping. O novo governo também pode aumentar a pressão sobre a China para que controle a Coreia do Norte, refletindo a visão expressada anteriormente por Trump de que Pequim não fez o suficiente neste front, disse a autoridade.

Apoio total

O presidente Donald Trump afirmou, na noite passada que os Estados Unidos apoiam plenamente o Japão. Ele falou logo após lançamento de míssil feito pela Coreia do Norte.

— Eu quero que todo mundo entenda, e saiba plenamente, que os Estados Unidos da América apoiam o Japão. É nosso grande aliado, 100% — disse Trump a jornalistas. Ele falou durante uma declaração conjunta com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, sem fazer nenhum outro comentário.

Ainda segundo a administração Trump, os Estados Unidos estão comprometidos com a segurança de seus aliados na região do Pacífico. E vão dar apoio a esses aliados contra qualquer hostilidade da Coreia do Norte.

— A mensagem é que nós vamos fortalecer e assegurar nossas alianças vitais na região do Pacífico. Faremos isso como parte de nossa estratégia para deter e prevenir um aumento na hostilidade. É o que temos visto por parte do regime norte-coreano — disse o assessor da Casa Branca Stephen Miller.

Homem-bomba mata sete e fere 20 em atentado no Afeganistão

O homem-bomba explodiu um carro cheio de explosivos em frente à agência de um banco

Entre as vítimas do homem-bomba estavam quatro civis e três soldados. Dezesseis civis e quatro soldados ficaram feridos, segundo as informações do porta-voz

 

Por Redação, com Reuters – de Lashkar Gah, Afeganistão 

 

Um homem-bomba deixou sete mortos e feriu 20 pessoas em frente a um banco na capital da província Helmand, no Afeganistão, neste sábado. Ele estacionou o carro e detonou os explosivos próximo a um veículo do Exército afegão, enquanto soldados chegavam ao banco em Lashkar Gah para retirar seus pagamentos, disse o porta-voz do governo de Helmand, Omar Zwak.

Homem-bomba

O homem-bomba explodiu um carro cheio de explosivos em frente à agência de um banco
O homem-bomba explodiu um carro cheio de explosivos em frente à agência de um banco

Entre os mortos estavam quatro civis e três soldados. Dezesseis civis e quatro soldados ficaram feridos, segundo as informações do porta-voz. A ONG italiana Emergency, que administra um hospital local, disse que uma mulher e uma criança estão entre os feridos.

Não houve reivindicação de autoridade imediata. O Talebã, no entanto, conquistou grandes áreas de Helmand. E tem ameaçado com frequência Lashkar Gah. Insurgentes do grupo radical islâmico sitiam a cidade há meses. Eles controlam dez dos 14 distritos de Helmand, onde se produz 85% do ópio do país, a principal fonte de renda.

Chanceler alemã e premiê britânica fazem coro contra discriminação a imigrantes

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Tanto Angela Merkel quanto Theresa May disseram ao presidente dos EUA que sua política contrária aos imigrantes fere tratados internacionais. Um deles é o de Genebra, considerado um dos mais importantes na questão dos refugiados

 

Por Redação – de Berlim e Londres

 

A primeira-ministra Theresa May e a chanceler Angela Merkel fizeram coro contra as restrições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imigração. May pronunciou-se depois de ser criticada por parlamentares de seu próprio partido por não condenar o decreto quando questionada, inicialmente.

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes
Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Em uma visita à Turquia no sábado, ela foi questionada três vezes sobre o movimento de Trump em estabelecer um período de quatro meses para permitir a entrada de refugiados nos Estados Unidos. Ele proibiu, temporariamente, a entrada de viajantes da Síria e de outros seis países de maioria muçulmana. A justificativa é que isso protegerá os norte-americanos de islamistas violentos.

Pressão britânica

May havia voado para a Turquia dos Estados Unidos. Ela foi a primeira líder estrangeira a encontrar-se com o novo presidente dos EUA para conversações que ela chamou de bem-sucedidas. Ainda assim, não respondeu sobre a política de refugiados. Mas, após ser atacada por seu próprio partido, o porta-voz dela disse que o Reino Unido discorda da proibição de Trump.

— A política de imigração nos Estados Unidos é uma questão para o governo dos Estados Unidos. Assim como a política de imigração para este país deve ser definida pelo nosso governo — disse ele.

E acrescentou:

— Mas não estamos de acordo com este tipo de abordagem e não é uma que iremos seguir. Estamos estudando este novo decreto presidencial para ver o que significa. E quais são os efeitos jurídicos. Em particular, quais são as consequências para os cidadãos do Reino Unido — afirmou.

Merkel e os imigrantes

A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, conversou com presidente dos EUA, por telefone. Ela lhe disse que a luta global contra o terrorismo não é desculpa para proibir que refugiados ou pessoas de países de maioria muçulmana entrem nos Estados Unidos, afirmou neste domingo o porta-voz.

— Ela está convencida de que mesmo a necessária e decisiva batalha contra o terrorismo não justifica colocar pessoas de um passado ou fé específicos sob suspeita geral — disse o porta-voz Steffen Seibert.

Convenção de Genebra

De acordo com ele, o governo alemão lamenta a proibição da entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Merkel prometeu rever as consequências para os cidadãos alemães com dupla nacionalidade. E que a Alemanha “representará seus interesses, se necessário, em relação aos nossos parceiros dos EUA”.

Ele disse que Merkel expressou suas preocupações a Trump durante um telefonema no sábado. Ela lembrou-lhe que as Convenções de Genebra exigem que a comunidade internacional receba refugiados de guerra por motivos humanitários.

As declarações de Seibert são os primeiros indicativos de discórdia entre Merkel e Trump sobre o tema.

Exército da Síria expulsa insurgentes e retoma manancial que abastece Damasco

Homens do exército sírio fazem o reconhecimento do terreno abandonado por extremistas islâmicos

O Exército da Síria e seus aliados lançaram uma ofensiva no mês passado para expulsar insurgentes do vale de Wadi Barada, que eles controlavam desde 2012

 

Por Redação, com agências internacionais – de Wadi Barada e al-Bab, Síria

 

Forças do governo sírio retomaram o controle de uma área perto de Damasco que fornece a maior parte da água usada na capital, depois de alcançar um acordo para que combatentes rebeldes se retirassem, disseram a imprensa pró-governo e um grupo de monitoramento.

Homens do exército sírio fazem o reconhecimento do terreno abandonado por extremistas islâmicos
Homens do exército sírio fazem o reconhecimento do terreno abandonado por extremistas islâmicos

O Exército da Síria e seus aliados lançaram uma ofensiva no mês passado para expulsar insurgentes do vale de Wadi Barada, que eles controlavam desde 2012, e para recapturar uma importante fonte de água e estação de bombeamento.

Água na Síria

Os principais grupos rebeldes sírios estão sob intensa pressão, depois de perderem áreas que mantinham no norte da cidade de Aleppo para forças do governo no fim do ano passado, e agora enfrentam também ataques de militantes islâmicos em outras regiões.

Wadi Barada, a noroeste de Damasco, tornou-se um dos campos de batalha mais sangrentos da guerra civil da Síria. A interrupção do fornecimento de água, incluindo danos às estruturas, vinha causando severo racionamento na capital ao longo deste mês.

“O Exército sírio entrou… e hasteou a bandeira sobre a instalação da fonte de água”, disse a unidade em comunicado, acrescentando que o avanço ocorreu após um acordo de retirada dos rebeldes da área.

Novo front

De acordo com fontes militares, os terroristas do grupo Daesh (ou Estado Islâmico) estão se preparando para abandonar a cidade de al-Bab, no norte do país, no meio da ofensiva turca.

— Tendo em conta a última informação proveniente da região, o Daesh está se preparando para deixar al-Bab, como resultado da operação das forças militares turcas, — informou a fonte, citada pelo jornal turno Hurriyet.

A fonte sublinhou também que, de acordo com os dados da inteligência em sua posse, o Daesh transferiu seus centros de comando para Tadif, localizado ao sul de al-Bab.

O exército da Turquia está realizando a operação militar Escudo de Eufrates contra o grupo Daesh desde 24 de agosto. As forças turcas, juntamente com soldados da oposição síria armada, tomaram o controle da cidade síria de Jarablus e atualmente estão realizando uma ofensiva para retomar al-Bab.

Empresas norte-americanas alertam para guerra comercial com China

Companhias sediadas no país asiático temem retaliações por eventuais restrições ao comércio prometidas por Donald Trump. “Washington precisa ser realista”, afirmam

Por Redação, com DW – de Washington:

Empresas norte-americanas na China alertaram nesta quarta-feira para uma possível guerra comercial com Pequim caso o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, impuser de fato as restrições ao comércio ou aos investimentos entre os dois países prometidas durante a campanha presidencial.

"Como o empresário Trump mudará o mundo": capa de revista chinesa
“Como o empresário Trump mudará o mundo”: capa de revista chinesa

Segundo a Câmara de Comércio Americana na China, medidas nesse sentido provavelmente implicarão retaliações.

– A China não está desarmada para responder às ações que os EUA podem ou não executar – afirmou Lester Ross, membro do conselho da instituição na capital chinesa.

Ross apresentou nesta quarta-feira um estudo sobre a situação das empresas norte-americanas no país. Segundo ele, Pequim já teria começado a adotar algumas medidas. Como a imposição de normas antidumping mais rígidas sobre produtos químicos agrícolas americanos.

De acordo com o levantamento da Câmara. Empresas norte-americanas veem suas operações cada vez mais desfavorecidas na China. O estudo aponta que quatro em cada cinco companhias se sentem menos “bem-vindas” em comparação com o ano anterior. A maioria dos entrevistados vê inclusive um “ambiente desanimador” para investimentos.

As críticas das empresas norte-americanas surgem um dia após discurso do presidente chinês, Xi Jinping, na cidade suíça de Davos. Onde ele se posicionou contra o protecionismo e alertou para uma “guerra comercial” que prejudicaria todos os países envolvidos.

– A mensagem que queremos trazer para Washington é que sejam realistas – acrescentou Ross.

Trump

Trump, que toma posse na sexta-feira, ameaçou durante sua campanha elevar as taxas de importação de produtos chineses para 45%. Além de ter acusado o país de manipular sua moeda e de roubar empregos de norte-americanos.

Frustradas com as barreiras do mercado chinês, empresas americanas querem que Washington adote uma postura mais dura em relação a Pequim, mas temem que ações ousadas possam desencadear retaliação.

Irã recusa negociar acordo mesmo sob risco de novas sanções dos EUA

Trump, que tomará posse na sexta-feira, ameaçou acabar com o acordo. O tratado restringe o programa nuclear do Irã, em troca da suspensão das sanções contra o país

 

Por Redação, com Irna – de Teerã

 

O Irã não vai renegociar seu acordo nuclear com as potências mundiais. Mesmo que enfrente novas sanções dos Estados Unidos depois que Donald Trump assumir a Presidência norte-americana. A afirmação é do vice-chanceler iraniano, Abbas Araqchi, neste domingo.

O vice-chanceler Araqchi afirmou que o Irã não pretende renegociar o acordo nuclear assinado com os EUA
O vice-chanceler Araqchi afirmou que o Irã não pretende renegociar o tratado nuclear assinado com os EUA

Trump, que tomará posse na sexta-feira, ameaçou acabar com o entendimento. O tratado restringe o programa nuclear do Irã, em troca da suspensão das sanções contra o país.

— Não haverá renegociação e o acordo não será reaberto — disse Araqchi. Ele é o principal negociador nuclear iraniano nas negociações que levaram ao acordo em 2015, citado pela agência iraniana de notícias Irna.

Ainda segundo Araqchi, os iranianos e outros analistas acreditam que o (tratado) está consolidado.

Novas sanções

— O novo governo dos EUA não será capaz de abandoná-lo. As negociações nucleares com os Estados Unidos acabaram e não temos mais nada a discutir — acrescentou. Araqchi concedeu a entrevista coletiva em Teerã. É a primeira realizada um ano depois que o acordo entrou em vigor.

Para o negociador, “é bem provável que o Congresso dos EUA ou a próxima administração aja contra o Irã e imponha novas sanções”.

Sob o acordo do Irã com os Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Rússia e China, a maioria das sanções da ONU foi levantada há um ano. Mas o Irã ainda está sujeito a um embargo de armas da ONU e outras restrições, que não são tecnicamente parte do tratado nuclear.

China e Egito promovem novo alinhamento no Oriente Médio, avalia analista

Com a mídia comercial dedicada apenas à Síria, praticamente não se levou ao conhecimento do público o afastamento Arábia Saudita/Egito, sob a sempre crescente influência da China como ator hoje já crucial no Oriente Médio

 

Por Christina Lin – de Washington

 

A separação Riad-Cairo começou em abril de 2016, quando o presidente do Egito Abdel Fattah al-Sisi aceitou ceder o direito territorial sobre duas de suas ilhas no Mar Vermelho, Tiran e Sanafir, em troca de lucrativos contratos e a promessa de que Riad garantiria apoio diplomático ao governo do Egito.

Mas a cessão do território despertou a fúria da população egípcia, com o ex-candidato á presidência (2014) Hamdeen Sabahi denunciando que a cessão violava a Constituição do Egito. O fato provocou ataques à legitimidade de Sisi por ter se ‘rendido’ à antes sempre orgulhosa nação árabe do Egito, aos sauditas.

A analista geopolítica Christina Lin observa o realinhamento de países do Oriente Médio com a China, a Rússia e o Irã
A analista geopolítica Christina Lin observa o realinhamento de países do Oriente Médio com a China, a Rússia e o Irã

Adiante, a Suprema Corte do Egito anulou o acordo,. Em setembro, a anulação foi anulada e hoje tramita, novamente, para se anular a anulação. Atualmente, ninguém sabe com certeza se as ilhas continuarão a pertencer ao Egito ou se serão anexadas à Arábia Saudita, marcando o que Issandr El Amrani, do International Crisis Group, descreve como um relacionamento “baseado numa espécie de renegociação passiva-agressiva perpétua”.

China, Egito e Eurásia

Em outubro último, a fissura aprofundou-se. Teerã convidou o Egito para participar das conversações internacionais sobre a Síria e, dias depois, o Cairo votou a favor da resolução do Conselho de Segurança da ONU, proposta pela Rússia, de apoio ao governo sírio. Riad retaliou, cortando 700 mil toneladas de produtos refinados de petróleo, como parte do acordo e US$ 23 bilhões assinado no início de 2016.

Apesar de o Egito já ter mantido no passado boas relações com o rei Abdullah da Arábia Saudita, o relacionamento azedou depois que subiu ao trono o rei Salman mais amistoso em relação à Fraternidade Muçulmana – que é considerado grupo terrorista no Egito. Nesse contexto, Sisi começou a afastar o Cairo, do eixo Arábia Saudita, Turquia e Qatar no Oriente Médio.

O apoio do governo Obama à Fraternidade Muçulmana aprofunda no Egito o sentimento de o país ter sido traído pelos EUA, acrescido das ameaças dos Republicanos de cortar a ajuda a Sisi, por causa do que definem como “legislação antidemocrática” de Sisi, e do arrocho imposto pelas condições do FMI para não suspender subsídios à energia. Suspensão que pode desestabilizar ainda mais o Egito, mergulhado em ondas de ataques terroristas.

Oriente Médio

Bem diferente de Washington, Sisi vê Assad como uma muralha secular de defesa contra o extremismo islamista no Levante. Se Assad cair, o Líbano e a Jordânia cairão em seguida, e o Egito não quer acabar como a Líbia, com a Fraternidade e outras facções estraçalhando o país. Resposta a tudo isso, o Cairo se volta na direção de Rússia e Irã, formando o que a ex-professora de Oxford University Sharmine Narwani descreve como um novo “Arco de Segurança” contra o terror no Oriente Médio.

Com o Egito mudando sua posição para mais perto de Síria e Irã, solidifica-se a emergente coalizão eurasiana de Síria, Irã, Rússia, China e Índia. Forma-se, portanto, a grande e nova divisão que separa a Coalizão Eurasiana, em luta contra o terrorismo salafista, e a atual Coalizão de EUA/Turquia/Arábia Saudita/Qatar, que apoia jihadistas salafistas, tentando provocar mudança de regime na Síria.

Mais do que isso, com o Egito, que é a grande nação árabe sunita, já se alinhando ao governo sírio e o bloco eurasiano, o argumento de Riad – que não se cansa de repetir que o conflito na Síria seria conflito sectário – perde absolutamente todo o sentido.

Canal do Suez

Cairo também está rapidamente aprofundando seus laços com a China para ajudar a estabilizar a própria economia. Como maior estado comercial do mundo, a economia que rapidamente se aproxima de ser a maior do planeta, com a União Europeia como principal mercado para exportação, o comércio e o bem-estar econômico da China ainda dependem do Canal de Suez como importante rota de sobrevivência.

China e Sisi reconhecem que o apoio externo para a Fraternidade Muçulmana e o terrorismo que está crescendo no Sinai ameaçam a estabilidade do Canal de Suez. Esta, inseparavelmente ligada ao próprio desenvolvimento econômico e ao futuro do Egito. Segundo fontes militares, a colaboração de Morsi com grupos jihadistas do Sinai foi fonte do desentendimentos e eventual ruptura.

Na verdade, com US$5 bilhões anuais de renda que lhe vem dali, o Canal é fonte vital de moeda forte para um país que sofreu grave redução no turismo e nos investimentos exteriores desde 2011. Por tudo isso, a China ajudou a construir a Zona Econômica do Canal de Suez.

E, agora, tem planos para construir uma capital comercial-empresarial de US$45 bilhões a leste do Cairo. Pronta para investir US$15 bilhões em projetos de eletricidade, transporte e infraestrutura. Alguns desses projetos são financiados pelo Banco Asiático para Investimento e Infraestrutura chinês (BAII) do qual o Cairo é membro fundador.

Democracia de peões

A União Europeia também pode participar desses projetos. A maioria dos países europeus já se associaram ao BAII (EUA e Japão decidiram manter-se de fora). Sem dúvida, abre-se aí a possibilidade para China e UE coordenar o próprio Fundo Juncker da UE e o BAII, para cofinanciar projetos em terceiros países. Seguem em linha com a Política da Vizinhança Europeia para integrar no Mediterrâneo os vizinhos orientais e ocidentais e do sul.

Artigo recente publicado no jornal Al Ahram fala do desconforto no Egito contra a política de intervencionismo/mudança de regime dos EUA como a causa dessa ‘deriva’ do país em direção à Eurásia. E o presidente de Al Ahram El-Sayed Al-Naggar elogiou a iniciativa chinesa OBOR, “One Belt One Road” (Um Cinturão, Uma Estrada), como “exemplo de cooperação pacífica, com justiça, igualdade e liberdade para os países escolherem com quem preferem relacionar-se”. E que faz agudo contraste com o modo como os EUA “exploram as democracias como peões num jogo, para chantagear outros países” e “política vil, obsessiva de invasões”, que destruiu o Iraque, a Líbia e agora tenta destruir a Síria com “suas hordas de terroristas bárbaros”.

Essa visão ecoa com o que disse um colaborador já veterano do diário Asia Times, George Koo. Ele criticou a visão de liderança dos norte-americanos, comparando-a ao Projeto OBOR de Xi Jinping. O projeto do governo chinês é inclusivo e oferece “cooperação e colaboração como um caminho para a prosperidade de todos”. Enquanto “Obama vive de oferecer uma ‘cobertura’ de mísseis e uma trilha de morte e destruição”.

Realinhamento

Como disse a professora japonesa Saya Kiba na revista do Center for Strategic and International Studies (CSIS), a recente separação entre Filipinas e EUA não é movida pela quantidade de ajuda econômica ou militar que EUA ou China garantam ao país. Mas porque os dois blocos operam sobre valores opostos. Enquanto os EUA divulgam e tentam impor uma definição muito estreita de democracia e direitos humanos, que só cuida de encenar eleições e só tem expressão política, sem atenção séria ao engajamento de longo prazo para combater o terrorismo, ou a redução da miséria, a posição da China – de total não interferência e total respeito à soberania dos parceiros – vem ganhando cada vez mais atração nos países em desenvolvimento.

Para Duterte, a política dos EUA “é potencialmente de atropelar a soberania das Filipinas”, preocupação que também existe no Egito de Sisi e em outros aliados. Assim sendo, sem profunda reformulação da política exterior de invasões dos EUA, parece que o novo arco de segurança no Oriente Médio. E, para o Oriente Médio, continua a firmar-se cada vez mais. A paisagem geopolítica no Oriente Médio está em visível processo de realinhamento.

Christina Lin é bolsista do Centro de Relações Transatlânticas da Universidade SAIS-Johns Hopkins, onde se especializou nas relações entre a China, o Oriente Médio e o Mediterrâneo. É também consultora para o Centro de Inteligência Química, Biológica, Radiológica e Nuclear da Jane no IHS Jane’s.

Artigo publicado, originariamente, no Asia Times Online e traduzido para o português pelo Coletivo Vila Vudu.

Imprensa chinesa fala em guerra após ameaça de Rex Tillerson

Em audiência de confirmação no Senado, Rex Tillerson, nomeado por Trump para o Departamento de Estado, sugere bloquear acesso de Pequim às ilhas artificiais no Mar da China Meridional

Por Redação, com DW – de Pequim:

A imprensa estatal chinesa reagiu com fúria nesta sexta-feira às declarações de Rex Tillerson, indicado pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para ser o próximo secretário de Estado. Durante sua audiência de confirmação no Senado, Tillerson ameaçou bloquear o acesso da China às ilhas artificiais que os chineses estão construindo no Mar da China Meridional e comparou a ação chinesa à invasão e anexação da Crimeia pela Rússia, no auge da crise política na Ucrânia.

Rex Tillerson, indicado de Trump para o Departamento de Estado do novo governo, foi sabatinado no Senado norte-americano
Rex Tillerson, indicado de Trump para o Departamento de Estado do novo governo, foi sabatinado no Senado norte-americano

– Você precisa enviar um sinal claro à China de que, primeiro, a construção de ilhas deve parar. Segundo, seu acesso a essas ilhas não é algo a ser permitido – afirmou Tillerson aos senadores. “O limite máximo é que águas internacionais são águas internacionais”, disse.

Em resposta, o jornal estatal China Daily alertou que uma interferência norte-americana. “Traçaria o rumo para um confronto devastador” entre China e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, observou que Tillerson estaria “meramente buscando receber favores dos senadores. Aumentar as chances de sua confirmação ao demonstrar intencionalmente uma postura rígida em relação à China”.

Imagens de satélite revelam que a China trabalha intensamente na construção de instalações militares numa região cuja soberania é reivindicada por diversos países, como as Filipinas e o Vietnã.

Durante o governo do presidente Barack Obama, Washington alertou diversas vezes que as atividades chinesas são uma ameaça à liberdade de navegação. Aeronaves norte-americanas realizaram diversos sobrevoos no local. O que Pequim considerou provocação. Washington, porém, não chegou a tomar uma posição sobre a questão da propriedade do arquipélago. O ex-presidente da petrolífera ExxonMobil, porém, afirmou que as ilhas “não são da China por direito”.

Mar da China

– A menos que Washington planeje iniciar uma guerra em larga escala no Mar da China Meridional, quaisquer medidas para bloquear o acesso da China às ilhas serão idiotas – afirmou o jornal chinês Global Times em editorial. O jornal, que tem a reputação de refletir o ponto de vista dos membros mais beligerantes do Partido Comunista chinês. Afirmou ainda que Tillerson deve “renovar suas estratégias nucleares se quiser forçar uma grande potência nuclear a se retirar de seus próprios territórios”.

O Global Times já havia apelo ao governo em Pequim para que aumentasse seu arsenal nuclear após a ameaça de Trump de suspender a chamada “política de uma só China”. Considerada pelos chineses como a base das relações bilaterais sino-americanas. Após uma controvérsia gerada por um telefonema entre Trump e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.

As reações das autoridades chinesas às declarações de Tillerson foram mínimas. Um porta-voz do Ministério chinês do Exterior observou que a tensões no Mar da China Meridional se acalmaram. “Esperamos que os países não regionais respeitem o consenso, que é do interesse fundamental de todo o mundo”, afirmou.

O Global Times afirmou que, por enquanto, Pequim continuará a ignorar os comentários de Tillerson. Mas alertou que, “se a equipe diplomática de Trump tratar as futuras relações sino-americanas do modo como faz agora, os dois lados devem se preparar para um confronto militar”.

Taipei denuncia presença militar da China no Estreito de Taiwan

Manobra nas águas que separam ilha da China continental acirra tensões entre os dois lados. Governo de Taiwan diz que suas forças acompanham de perto a situação e pede calma à população

Por Redação, com DW – de Pequim:

O governo taiwanês denunciou nesta quarta-feira que a China enviou uma frota naval, liderada por um porta-aviões, ao Estreito de Taiwan, que separa o território insular da China continental, acirrando as tensões entre Pequim e Taipei.

Porta-aviões Liaoning se tornou símbolo do poderio militar chinês
Porta-aviões Liaoning se tornou símbolo do poderio militar chinês

As autoridades de Taiwan pediram que a população mantenha a calma, informando que aviões e navios militares monitoram a movimentação dos navios chineses. Caças F-16 e a sistemas militares de vigilância do Japão acompanham de perto a situação. “Nossas forças militares monitoram a situação e agirão se necessário”, afirmou o Ministério da Defesa de Taiwan.

“Quero ressaltar que nosso governo tem capacidade suficiente de proteger nossa segurança nacional. Não é necessário entrar em pânico”, afirmou o ministro do Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan, Chang Hsiao-yueh. Ele avalia que 2017 será um ano difícil para as relações sino-taiwanesas e destacou que “ameaças não vão beneficiar os laços entre os dois lados do Estreito”.

Poderio militar

O porta-aviões Liaoning, o único que a China possui, retornava do Mar da China Meridional. A embarcação foi enviada no mês passado para uma visita ao território disputado entre Pequim e seus vizinhos na região. Localizado numa das principais rotas do comércio marítimo mundial.

O Ministério da Defesa de Taiwan afirma que a frota chinesa não invadiu as águas de Taiwan. Mas entrou numa zona de identificação de seu espaço aéreo ao navegar numa linha que divide o Estreito de Taiwan entre territórios de Pequim e Taipei.

Analistas afirmam que a manobra seria uma manifestação da intenção de Pequim de assegurar seu domínio sobre a região, se necessário, utilizando força militar.

Encomendado pela China em 2012. O Liaoning foi construído a partir da estrutura de um porta-aviões soviético, se tornando símbolo da sofisticação e do poderio militar do país.

Desde a cisão entre Pequim e Taipei em 1949. A relação entre os dois lados é caracterizada por uma trégua instável. Os laços se deterioraram ainda mais após a eleição da presidente pró-independência Tsai Ing-wen, em maio de 2016. A China alertou sobre os riscos de acirramento das tensões caso o novo governo questione a soberania chinesa sobre Taiwan.

EI explode principal fonte de gás da Síria

Síria, explosão

Por ser a principal fonte de gás do país, milhões de sírios sofrerão com a falta de um aquecimento adequado para os próximos meses de inverno

Por Redação, com Ansa – de Beirute:

O grupo terrorista Estado Islâmico explodiu e danificou o maior depósito de gás natural da Síria, localizado na região central do país. Inicialmente, a explosão foi anunciada pela agência de notícias dos jihadistas, a Amaq, que publicou uma foto e um vídeo que mostravam alguns militantes do grupo na sede da Hayyan Gas Company, localizada na província de Homs, um pouco antes dos explosivos terem sido detonados na tarde de domingo. As informações são da agência Ansa.    

Estado Islâmico explode principal fonte de gás da Síria
Estado Islâmico explode principal fonte de gás da Síria

Segundo o site Al-Masdar News, as imagens divulgadas pela Amaq realmente são de Hayyan. No entanto, ainda não é possível confirmar se o poço de gás natural. Antes de 2011 chegava a produzir cerca de 3 milhões de metros cúbicos de gás por dia, foi completamente destruído. Por ser a principal fonte de gás do país. Milhões de sírios sofrerão com a falta de um aquecimento adequado para os próximos meses de inverno.

Negociações de paz

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou nesta segunda-feira, que o seu governo está pronto para negociar com os rebeldes “sobre tudo”. Mas ressaltou que ainda não está claro quem representará a oposição nas discussões.

As negociações de paz entre o governo sírio e os grupos rebeldes começarão no dia 23 próximo, em Astana, no Cazaquistão. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu. A Turquia, ao lado da Rússia e do Irã, foi o principal negociador do acordo de cessar-fogo. Assinado pelos dois lados do conflito sírio que entrou em vigor em 30 de dezembro do ano passado.