Rebeldes lutam entre si antes mesmo de derrubar regime sírio de Al Assad

Neva em certas regiões da Síria, onde segue a luta dos rebeldes contra o regime de Al Assad
Neva em certas regiões da Síria, onde segue a luta dos rebeldes contra o regime de Al Assad

A guerra civil na Síria está às portas de um impasse entre os próprios revoltosos, após a morte de um importante comandante rebelde. O vácuo de poder, na opinião de analistas, pode significar o começo de uma guerra entre grupo armados, complicando a luta para derrubar o presidente Bashar al-Assad. Fontes ouvidas no país pela agências inglesa de notícias Reuters revelam que Thaer al Waqqas, comandante regional das Brigadas Al Farouq, um dos maiores grupos rebeldes sírios, foi morto a tiros na manhã desta quarta-feira na localidade de Sermin, cidade do norte controlada pelos rebeldes, a poucos quilômetros da fronteira com a Turquia. A informação é atribuída a fontes rebeldes.

Al Waqqas, segundo essas fontes, era suspeito de envolvimento com a morte, há quatro meses, de Firas al Absi, principal líder da Frente Al Nusra, grupo jihadista ligado à Al Qaeda e qualificado em dezembro por Washington como organização terrorista. Além de crônicos problemas de abastecimento e da escassez de dinheiro e armas pesadas, os rebeldes sírios sofrem com a falta de unidade, após quase dois anos de mobilização para tentar derrubar o regime de Assad.

– Os assassinos chegaram em um carro branco, desembarcaram e crivaram Waqqas de balas quando ele estava em um depósito de distribuição de alimentos – disse um dos rebeldes.

As suspeitas imediatamente recaíram sobre a Frente Al Nusra.

– O irmão de Absi é um comandante (na cidade) de Homs. Ele prometeu vingança por Firas, e parece que ele cumpriu sua promessa. A Farouq está em um período de luto agora, mas parece questão de tempo até que os confrontos com a Nusra comecem em Bab al Hawa – acrescentou a fonte, referindo-se à passagem fronteiriça onde Absi morreu.

Um ambiente de tensão pairava entre grupos como o Nusra, composto principalmente por civis e apoiado por jihadistas estrangeiros, e grupos de oposição como o Farouq, que incorpora mais desertores do Exército e das forças de segurança oficiais, e que alguns consideram mais propenso a infiltrações por agentes de Assad. Um novo comando rebelde formado em dezembro na cidade turca de Antalya, com apoio do Ocidente, da Turquia e da países árabes, parece ter tido pouco sucesso em acabar com as divisões entre centenas de grupos rebeldes, especialmente nas regiões que já não estão mais sob controle de Assad, nas províncias nortistas de Idlib e Aleppo.

Os grupos Nusra, Farouq e Ahrar al Sham –três principais organizações rebeldes no norte– ficaram de fora do novo comando. O Departamento de Estado dos EUA diz que o Nusra está usando a luta síria para os “propósitos malignos” da Al Qaeda, e que não deve poder participar em uma eventual transição política síria. Um funcionário das Brigadas al Farouq disse que a morte de Absi é misteriosa, mas admitiu que ela complicou as relações com o Nusra. No entanto, ele não culpou o Nusra pelo assassinato de Waqqas.

– O regime está por trás do assassinato de Waqqas. Não temos nenhuma política de atacar o Al Nusra, e cooperamos militarmente com eles em algumas regiões – afirmou a fonte.

Aeroporto militar

Ainda nesta sexta-feira, militantes islâmicos contrários ao presidente Bashar Al Assad tomaram o controle total da base aérea de Taftanaz, noroeste do país. A tomada da estratégica posição representa um significativo golpe sobre as forças do governo, afirmam ativistas.

– No momento, os rebeldes estão no controle total da base aérea – disse o ativista Mohammad Kanaan, morador de Idlib. Rami Abdul-Rahman, diretor do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, sediado em Londres. Ele afirma que esse é o primeiro grande aeroporto militar a cair em mãos de opositores.

Os rebeldes tentavam tomar o controle de Taftanaz há meses. Embora o fato possa constranger o regime de Assad, não deve ter muito efeito sobre os ataques aéreos realizados por aviões do governo, já que a maioria parte de bases mais ao sul.

Diante da nova ofensiva militar rebelde, o enviado especial para a Síria da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, reúne-se nesta sexta-feira com importantes representantes dos Estados Unidos e da Rússia para discutir a crise em seu país. Brahimi, o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov, e o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, reuniram-se na sede da ONU em Genebra. Nenhum deles fez declarações ao chegar para o encontro, realizado a portas fechadas.

As discussões ocorrem um dia depois de a Síria ter acusado Brahimi de ser “flagrantemente tendencioso”, aumentando as dúvidas sobre se ele pode permanecer como mediador internacional. Damasco criticou o veterano diplomata argelino depois de ele ter descrito como “unilaterais” as propostas que Assad fez no domingo, apresentadas por ele como uma “solução política”.

Enquanto as autoridades conversam o número de refugiados sírios registrados em países vizinhos e no norte da África aumenta de forma exponencial. Foram mais de 100 mil no último mês e ultrapassou os 600 mil, informou o Alto Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) nesta sexta-feira. Segundo a organização, até quinta-feira 612.134 sírios haviam se registrado como refugiados em países vizinhos ou estavam no processo de registro, ante 509.550 em 11 de dezembro.

Tumulto na Caxemira e estupro de jovem mantêm Índia em sobressaltos

Mulher se desespera durante um dos funerais ocorridos, recentemente, na Caxemira, onde os confrontos entre indianos e paquistaneses é frequente
Mulher se desespera durante um dos funerais ocorridos, recentemente, na Caxemira, onde os confrontos entre indianos e paquistaneses é frequente

A Índia tem vivido dias de sobressalto após confrontos em sua fronteira com os paquistaneses e a morte de uma estudante após um violento estupro. O governo do país emitiu duras críticas ao Paquistão, nesta quarta-feira, devido ao confronto armado entre soldados de ambos os países na disputada região da Caxemira, em que dois militares indianos foram mortos. O incidente, porém, não deverá se transformar em uma crise diplomática plena. A Índia convocou o embaixador paquistanês em Nova Délhi para apresentar um protesto pelo confronto de terça-feira, e acusou os soldados do país vizinho de adotarem um comportamento “bárbaro e desumano”. Autoridades indianas disseram que os paquistaneses cruzaram a militarizada Linha de Controle da Caxemira e dispararam contra uma patrulha da Índia.

O corpo de um dos soldados foi achado mutilado em uma mata no lado controlado pela Índia, segundo Rajesh K. Kalia, porta-voz do Comando Norte do Exército indiano. Mas ele negou relatos da imprensa indiana de que um dos corpos teria sido decapitado, e que outro teria tido a garganta cortada.

“Dois soldados indianos foram mortos no ataque, e seus corpos foram submetidos a mutilações bárbaras e desumanas”, disse a chancelaria indiana em nota, sem descer a detalhes sobre a violência cometida contra os militares.

O ministro indiano da Defesa descreveu o incidente como “altamente provocativo”, mas seu colega das Relações Exteriores buscou acalmar a situação, dizendo que o caso não deve prejudicar os atuais esforços de aproximação entre os dois rivais.

– Acho importante no longo prazo que o que aconteceu não seja ampliado. Não podemos e não devemos permitir a escalada de qualquer evento prejudicial como este. Precisamos ser cuidadosos para que as forças… que tentam descarrilar todo o bom trabalho que tem sido feito pela normalização (das relações) não tenham sucesso – disse Salman Khurshid em entrevista coletiva. Khurshid não explicou a quais forças se referia.

Índia e Paquistão já travaram três guerras desde sua independência, em 1947, sendo duas delas por causa da Caxemira. Ambos os países possuem armas nucleares. Disparos e pequenas escaramuças são comuns ao longo dos 740 quilômetros da Linha de Controle, apesar de um cessar-fogo e da gradual melhora nas relações. O Exército indiano diz que oito dos seus soldados foram mortos em 75 incidentes ocorridos em 2012. Mas incursões de qualquer das partes são raras, e uma reportagem da imprensa indiana disse que o incidente de terça-feira – a 600 metros da fronteira “de facto”- marcou “o primeiro grande ingresso” desde o cessar-fogo de 2003.

A Índia considera que toda a região da Caxemira, um cenário de montes nevados e vales férteis, com população majoritariamente muçulmana, pertence a seu território. Já o Paquistão cobra a implementação de uma resolução de 1948 da ONU que estabelece a realização de um plebiscito para que os caxemires decidam a qual país querem pertencer.

Estupro

Outro ponto de inquietação na Índia é a questão do estupro a uma jovem, por vários homens, dentro de um ônibus na periferia da capital Nova Délhi. Três dos homens acusados de participação no estupro e morte de uma estudante indiana em dezembro vão se declarar inocentes, disseram seus advogados nesta quarta-feira, citando lapsos na investigação policial. O caso da aluna de fisioterapia de 23 anos, que morreu duas semanas depois de ser atacada dentro de um ônibus em movimento e em seguida atirada na rua, causou protestos na Índia, abrindo um debate sobre a suposta incapacidade da polícia em coibir a violência contra as mulheres.

Cinco homens foram indiciados por acusações que incluem homicídio, estupro e sequestro. Um sexto envolvido está sendo investigado separadamente, para determinar se é de fato menor de 18 anos, como ele diz ser. Caso isso seja confirmado, ele deve ser submetido a um juizado de menores, e poderá ser internado em um reformatório por até três anos. O advogado Manohar Lal Sharma, que representa o motorista do ônibus, o irmão dele e outro homem, disse que está ansioso para que o processo siga para julgamento, de modo que as provas policiais possam ser contestadas.

– Nós vamos declarar a inocência. Queremos que isso vá a julgamento. Estamos só ouvindo o que a polícia está dizendo. Isso é indício manipulado. É tudo na base do ouvir dizer e da suposição – disse Sharma à agência inglesa de notícias Reuters.

Não está claro se os outros dois acusados adultos constituíram advogado. Sharma disse que a polícia acelerou a investigação contra os cinco homens, apesar da incerteza sobre a idade do sexto envolvido, que atraiu a vítima e um amigo dela para dentro do ônibus e que, segundo relatos vindos à tona, teria sido o mais brutal dos agressores.

– Quando você não estabeleceu nem a idade dessa pessoa, como você pode ir à corte imputando acusações contra os outros, e dizer que suas investigações estão completas. Todos nós sabemos como as investigações judiciais são realizadas na Índia – disse Sharma.

Durante vários dias depois da prisão, ocorrida logo depois do incidente, os cinco acusados comprovadamente adultos ficaram sem advogados, porque nenhum profissional se dispunha a defendê-los. A polícia interrogou prolongadamente os homens na ausência de advogados, e diz ter confissões gravadas. Juristas dizem que a falta de representação jurídica para os suspeitos pode dar margem a recursos caso eles sejam condenados.

Sharma e outro advogado, V. K. Anand, se ofereceram para defender os cinco réus quando eles compareceram à primeira audiência judicial em Nova Délhi, na segunda-feira.

Bombas, negligência e barbárie ameaçam tesouros arqueológicos na Faixa de Gaza

No Porto de Gaza, submersas, ruínas contam parte da história do Império Bizantino
No Porto de Gaza, submersas, ruínas contam parte da história do Império Bizantino

Os anos de conflito na Faixa de Gaza têm ameaçado os esforços de preservação da rica história local, que remonta à Idade do Bronze. Gaza foi colonizada ao longo de cinco milênios por diferentes civilizações, que deixaram rastros como igrejas, monastérios, palácios e mesquitas, além de milhares de artefatos preciosos.

– No subsolo de Gaza há uma outra Gaza, mas todos os sítios arqueológicos daqui são descobertos por acaso – diz Hayam Albetar, arqueóloga do Ministério de Turismo e Antiguidades.

O ministério, comandado pelo grupo Hamas, é o órgão oficial encarregado de escavações e da preservação, mas seu trabalho vem enfrentando uma série de obstáculos. Sua sede foi danificada durante os bombardeios de novembro em Gaza. Alguns sítios históricos também foram afetados, dizem autoridades.

– Uma bomba atingiu diretamente uma igreja bizantina nos últimos conflitos, danificando os mosaicos de seu piso – afirma Ahmed al-Bursh, vice-ministro de Turismo.

Segundo ele, o palácio histórico de Al-Basha e antigas muralhas do centro antigo de Gaza também sofreram rachaduras causadas por bombardeios indiretos.

Reparação

Peças de antiguidade desaparecem do conhecimento humano durante os bombardeios à Faixa de Gaza
Peças de antiguidade desaparecem do conhecimento humano durante os bombardeios à Faixa de Gaza

Ruínas do monastério de S. Hilário, um dos locais que estão sendo escavados na região. Com poucos recursos, muitos dizem que será difícil consertar os danos causados à igreja bizantina. Além disso, como a maior parte do trabalho de restauração e preservação é feito pelo ministério, outros grupos e países raramente oferecem apoio aos esforços, já que fazê-lo significaria associar-se ao Hamas – grupo considerado terrorista por Israel, EUA e União Europeia.

E o controle israelense das fronteiras de Gaza impede a entrada de equipamentos, sob a suspeita de que estes poderiam ser usados pelos militantes.

– As pessoas daqui não podem viajar para treinamentos externos e só podemos usar ferramentas locais, que não nos permitem escavar de maneira precisa – relata Hayam Albetar.

Atualmente, a maioria dos antigos mosaicos está coberta por camadas de areia, o que, segundo Albetar, seria a melhor forma de preservá-los. As ferramentas arqueológicas de Gaza são rudimentares, pouco adequadas à tarefa delicada de escavar relíquias frágeis.

– Há dois meses, um homem encontrou um lindo mosaico ao escavar perto de sua casa, em Beit Lahiya, no norte de Gaza. Ele nos notificou, mas ainda não sabemos se descobrimos uma igreja ou um monastério, já que escavamos apenas uma pequena parte. Só sabemos que é algo grande – relata Albetar.

Ruínas submersas

Por centenas de anos, o porto de Gaza foi a porta de entrada ao Oriente, exportando perfumes, grãos, têxteis e especiarias. A costa prosperou, mas em seguida entrou em declínio, deixando submerso um tesouro arqueológico costeiro.

– Num dia calmo, dá para ver as fundações do porto de Mayumas sob as águas. Descobrimos moedas, vidro e cerâmicas nessas costas – conta Salim, historiador local.

Mayumas, um porto comercial romano tão grande a ponto de abrigar dez igrejas, há muitos anos desapareceu sob as areias e o mar.

– Muito pouco foi descoberto (a respeito do local), em comparação com o que deve estar escondido embaixo de nossos pés. Não temos a oportunidade de sair e procurar ruínas históricas escondidas – prossegue Salim.

Essas ruínas muitas vezes se revelaram por conta própria. Dois anos atrás, durante um forte vendaval, oito colunas romanas foram levadas à costa e posteriormente identificadas como partes de uma antiga igreja.

História negligenciada

Numa região assolada por altos índices de desemprego, más condições de moradia e restrições à agricultura e à pesca, poucos em Gaza dão atenção às relíquias do passado. Apesar disso, a história está por todos os lados. O centro antigo de Gaza concentra diversos prédios antigos, e passeios por ruas paralelas levam a estruturas de pedra de épocas passadas.

Alguns foram restaurados, como os banhos de Al-Samra e a mesquita de Al-Omari, que acredita-se ser o local do antigo templo de Dagon, destruído pela figura bíblica de Sansão. Mas muitas estruturas antigas na velha Cidade de Gaza estão dilapidados ou repletos de lixo. E, à medida que a população de Gaza cresce, muitos constroem “puxadinhos” de concreto sobre prédios históricos.

Com isso, bem como com os conflitos e as limitações à preservação, a rica história local corre o risco de ficar perdida para sempre.

Executivo do Google e político dos EUA visitam Coreia do Norte por negócios e questões humanitárias

O ex-governador Bill Richardson, do Novo México (EUA), e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, chegam à Pyongyang
O ex-governador Bill Richardson, do Novo México (EUA), e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, chegam à Pyongyang

O ex-governador Bill Richardson, do Novo México (EUA), e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, iniciaram na segunda-feira uma polêmica visita particular à Coreia do Norte, o que pode incluir esforços pela libertação de um norte-americano preso no país, segundo a imprensa. A viagem ocorre num momento de tensão por causa do recente lançamento de um foguete pela Coreia do Norte, que, segundo fontes estrangeiras de inteligência, estaria preparando-se para testar uma arma nuclear pela terceira vez. Entretanto, a viagem de Schmidt suscitou o descontentamento do Departamento de Estado norte-americano. Segundo a porta-voz Victoria Nuland, as datas da visita foram mal escolhidas.

A TV sul-coreana MBC disse que Richardson, Schmidt, a filha dele e Jared Cohen, executivo do Google, viajariam de Pequim a Pyongyang num voo da empresa norte-coreana Air Koryo. A agência estatal de notícias norte-coreana, KCBA, posteriormente confirmou o desembarque, sem dar detalhes.

– Vamos perguntar sobre o norte-americano que está detido. Uma visita humanitária particular – disse Richardson.

A missão foi criticada pelo governo dos EUA, que não mantém relações diplomáticas com Pyongyang. Uma fonte do governo norte-americano disse que a viagem ocorre num momento particularmente infeliz, quando o Conselho de Segurança da ONU avalia retaliações pelo lançamento do foguete norte-coreano em 12 de dezembro. Sanções atualmente em vigor proíbem a Coreia do Norte de realizar atividades ligadas a mísseis balísticos -o regime comunista norte-coreano diz que o foguete serviu para colocar um satélite em órbita.

– Estamos num período clássico de provocação com a Coreia do Norte. Geralmente, seus lançamentos de mísseis são seguidos por testes nucleares. Durante esses períodos, é muito importante que a comunidade internacional se una, certamente no nível do Conselho de Segurança da ONU, para demonstrar à Coreia do Norte que eles pegam um preço por descumprir suas obrigações – disse a fonte dos EUA, pedindo anonimato.

Richardson, ex-embaixador dos EUA na ONU, já foi várias vezes à Coreia do Norte. O propósito da atual viagem e as razões para o envolvimento de Schmidt não ficaram clara. O Google disse se tratar de uma visita “pessoal”. Muitos observadores esperam que Richardson negocie a libertação de Kenneth Bae, um guia turístico norte-americano de origem coreana, que foi preso no ano passado. Richardson disse na sexta-feira a uma TV dos EUA que foi procurado pela família de Bae e levaria o caso às autoridades norte-coreanas.

Foguete criticado

Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Alemanha criticaram duramente o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte, no mês passado. Também a China lamentou o teste. Apesar de todas as advertências internacionais, o foguete de longo alcance foi lançado na costa oeste norte-coreana. O lançamento aconteceu de forma inesperada, pois a Coreia do Norte havia anunciado que, por problemas técnicos, pretendia prorrogar o prazo para o lançamento até o dia 29 de dezembro.

Segundo a agência de notícias estatal do país, a KCNA, o foguete colocou um satélite científico em órbita terrestre. No entanto, para Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, o lançamento do satélite foi um pretexto de Pyongyang para testar um foguete com fins militares. Praticamente toda a comunidade internacional condenou o lançamento do foguete pela Coreia do Norte. Os Estados Unidos criticaram o procedimento norte-coreano como um “ato altamente provocador que ameaça a segurança regional” e viola resoluções das Nações Unidas. O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA afirmou que o lançamento seria mais um exemplo do “padrão de comportamento irresponsável norte-coreano.”

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também qualificou o teste norte-coreano como um ato provocador. O secretário-geral está preocupado com a segurança em toda a região, disse um porta-voz de Ban. O Japão também expressou duras críticas a Pyongyang e exigiu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. O teste do foguete não seria permitido, disse um porta-voz do governo em Tóquio. Além disso, destroços do foguete teriam caído na península sul-coreana e no leste das Filipinas.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, anunciou uma reunião extraordinária sobre a segurança nacional ainda para esta quarta-feira. O ministro do Exterior sul-coreano, Kim Sung-hwan, ameaçou a Coreia do Norte com graves consequências.

Também o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, condenou duramente o lançamento. Segundo ele, “com esta provocação deliberada, a Coreia do Norte viola de forma irresponsável suas obrigações internacionais e exacerba a tensão na região.”

O lançamento do foguete norte-coreano também não agradou à China, tradicional aliado de Pyongyang, e tampouco à Rússia. A China disse “lamentar o lançamento do foguete”. Este teria se concretizado “apesar da grande preocupação da comunidade internacional”, disse um porta-voz do Ministério do Exterior nesta quarta-feira, em Pequim. Segundo o porta-voz, a paz e a estabilidade na península coreana só podem ser alcançadas através do diálogo.

Já o Ministério do Exterior da Rússia declarou em Moscou que o lançamento do foguete seria “profundamente lamentável” e que ele não contribuiria para o fortalecimento da estabilidade na região. Ao contrário, teria “efeitos negativos”. É inaceitável que o teste do foguete tenha acontecido apesar da resolução 1874 da ONU, que proíbe a Coreia do Norte de testar foguetes de longo alcance, declarou o ministério russo.

O lançamento foi a segunda tentativa desde que Kim Jong-un subiu ao poder na Coreia do Norte, após seu pai, Kim Jong-il, ter falecido há cerca de um ano. O primeiro teste aconteceu em abril último, mas o projétil caiu pouco após o lançamento. A Coreia do Norte possui foguetes de curto e médio alcance, mas diversos testes de foguetes de longo alcance – em 1998, 2006, 2009 e 2011 – fracassaram. Após tais testes, as Nações Unidas impuseram sanções contra a Coreia do Norte. Além disso, segundo uma resolução da ONU de 2009, o governo em Pyongyang está proibido de lançar foguetes balísticos.

Especialistas norte-americanos acreditam que a Coreia do Norte possua plutônio suficiente para armar dezenas de bombas atômicas. Mas, até agora, não se sabia que o país possuía foguetes capazes de transportar tais bombas.

Abertura aos negócios

O regime comunista da Coreia do Norte propôs manter uma estreita cooperação com o setor privado sul-coreano para “conseguir a reconciliação”, informou nesta segunda-feira o Conselho de ONGs de Cooperação com a Coreia do Norte. Esta entidade, que engloba mais de 50 entidades privadas do Sul dedicadas a dar assistência humanitária ao empobrecido país vizinho, revelou à agência de notícias sul-coreana Yonhap o conteúdo da mensagem de Ano Novo enviado por fax pelo regime norte-coreano.

O comunicado afirma que “os projetos privados de cooperação entre o Sul e o Norte são uma importante missão para conseguir a reconciliação e a unidade das pessoas, assim como para aumentar a prosperidade nacional”. A mensagem é assinada pelo Conselho Nacional para a Reconciliação, uma organização estatal da Coreia do Norte dedicada a promover a amizade com o Sul.

Um dos primeiros passos na direção da abertura do país ao mundo foi a modernização do portal de sua agência de notícias (KCNA) na internet, a fim de oferecer um serviço mais completo e um design renovado, em que a imagem e os arquivos multimídia ganham destaque, como informaram as agências de notícias. O portal (www.kcna.kp) abre agora um grande mosaico de imagens associadas a textos e vídeos que contemplam, em 26 imagens, os maiores feitos alcançados pelo país em 2012, e que precede as habituais seções informativas da agência norte-coreana.

A nova web, que oferece conteúdos em coreano, espanhol, chinês, japonês e inglês e se encontra hospedada em servidores da capital, Pyongyang, se aproxima “ao design e à funcionalidade das principais páginas na web no Ocidente”, como apontou um especialista da agência sul-coreana Yonhap. À margem dos habituais espaços para acompanhar as atividades do líder Kim Jong-un, o novo portal do regime também inclui um espaço para contar sobre o lançamento recente de um satélite, que foi colocado em órbita, em 12 de dezembro, por um foguete de longo alcance. O acesso da página da KCNA segue restrito à Coreia do Sul. O líder norte-coreano, que assumiu o poder há apenas um ano, após o falecimento de seu pai, Kim Jong-il, tem sua imagem cada vez mais destacada na internet.

Assad chama opositores de fantoches e questiona “revolução”

Bashar Al Assad, Síria,  discurso
Al Assad dirige-se ao local onde pronunciou um de seus raros discursos à nação, desde o início da guerra civil na Síria

O presidente sírio, Bashar Al Assad, fez um raro pronunciamento de TV, no qual chamou seus adversários de “inimigos de Deus e fantoches do Ocidente”. Ele lamentou o sofrimento das pessoas por conta da guerra civil, dizendo que uma “nuvem negra” de dor cobriu todos os cantos do país.

Assad também se disse disposto a definir um plano de paz envolvendo uma conferência de diálogo nacional e um referendo sobre uma nova Carta (Constituição). A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 60 mil pessoas foram mortas no levante contra o presidente, que começou em março de 2011.

Ele rejeitou o movimento de oposição da Síria, qualificando os rebeldes como marionetes fabricadas pelo Ocidente, e disse que a Síria queria negociar com os “os mestres e não com os servos”. Assad afirmou que a Síria não rejeita a diplomacia, mas insistiu que não iria negociar com as pessoas com ideias “terroristas”.

O discurso foi intercalado com aplausos e cânticos de seguidores, que lotavam a Ópera de Damasco. Ele disse que a oposição contra ele não faz uma revolução.

– Isso (uma revolução) precisa de pensadores e ser baseado em uma ideia. E precisa de liderança – quem é o líder desta revolução? – questionou. Assad acusou os rebeldes de roubar trigo do povo, privar as crianças de escola e cortar a eletricidade e suprimentos médicos.

Ele disse:

– O sofrimento está tomando a terra da Síria. Não há lugar para a alegria enquanto a segurança e a estabilidade estão ausentes nas ruas de nosso país.

Assad chamou todos os cidadãos a defenderem o país de acordo com seus meios.

– A nação é para todos e todos devemos protegê-la – disse ele.

Ele disse que esperar por ajuda de outros “apenas levaria o país ao desastre”.

Israel reforça ocupação da Palestina

A aprovação de um novo empreendimento habitacional com seis mil casas a Oeste da cidade de Belém, na Cisjordânia
A aprovação de um novo empreendimento habitacional com seis mil casas a Oeste da cidade de Belém, na Cisjordânia

Construção de novos colonatos, cativação de receitas e salários, incursões punitivas e provocadoras, detenções em condições extremamente duras e manutenção do bloqueio a Gaza são algumas das medidas aplicadas por Israel em retaliação ao reconhecimento da Palestina como Estado pela Assembleia-geral das Nações Unidas.

A aprovação de um novo empreendimento habitacional com seis mil casas a Oeste da cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, onde já vivem 310 mil colonos israelitas, foi o último acto da massificação de colonatos imposta nas últimas semanas. Antes, as autoridades sionistas já haviam decidido a construção de mais 2610 habitações em Jerusalém Leste, território anexado pelos sionistas para onde já foram cerca de 200 mil israelitas.

Em contraste, em todo o mundo estima-se que existam cerca de 11 milhões de palestinianos refugiados, metade dos quais dispersos por vários países do Médio Oriente.

A política de expulsão dos palestinianos e edificação de bairros para colonos tem sido empreendida e condenada desde 1967, facto que voltou a repetir-se agora na ONU, com um apelo do Conselho de Segurança para que o governo de Telavive suspenda os projectos que, sublinhou o órgão, violam o direito internacional e inviabilizam a solução pacífica de dois Estados.

Israel não faz caso e prossegue, assim, e de forma agravada, o terrorismo de Estado que vem implementando desde que a ONU sufragou por larga maioria o estatuto de membro-observador ao estado da Palestina.

Entre outras ações de caráter punitivo impostas desde então, estão a confiscação dos salários dos funcionários palestinianos e dos impostos recolhidos à população, num total de quase 93 milhões de euros, justamente quando as Nações Unidas apelaram aos doadores internacionais para que disponibilizem com carácter de urgência fundos para ajudar o povo e a Autoridade palestinianos.

Simultaneamente, continua o férreo bloqueio a Gaza, que desde 2007 empurrou 80 por cento da população para a dependência do auxílio internacional, e destruiu 60 por cento das empresas da Faixa.

Acrescente, por exemplo, a manutenção da destruição de cisternas (44 desde o início de 2011). As infra-estruturas são utilizadas pelas comunidades na agricultura e constituem um elemento histórico da soberania palestiniana sobre o território que, neste contexto, é abandonado por falta de acesso das populações à água.

Sionismo criminoso…

Nas prisões de Israel, neste momento, 18 palestinianos gravemente doentes encontram-se sem a devida assistência médica, e no início deste mês, na Cisjordânia, 20 outros foram feridos durante uma acção de provocação israelita. O exército invadiu Hebrón para capturar um polícia palestiniano, que resistiu à prisão despropositada e foi auxiliado por companheiros locais, o suficiente para desencadear uma batalha que resultou em duas dezenas de vítimas palestinianas em poucas horas.

Nesse mesmo dia 7 de Dezembro, a Human Rights Watch emitia um comunicado no qual acusava Israel de ter violado sistematicamente as leis da guerra na última agressão à Faixa de Gaza, e dois dias antes, a 5 de Dezembro, 174 países votaram nas Nações Unidas um texto que exige a Israel que permita a inspecção internacional do seu programa nuclear. O documento só foi rejeitado pelo Canadá, Micronésia, Palau, Ilhas Marshal, Israel e EUA.

Os norte-americanos foram mesmo mais longe e, em jeito de presente de Natal, anunciaram o enviou para Israel de um novo carregamento de 17 mil bombas de vários tipos. O objectivo é repor o stock gasto no mais recente ataque à Faixa de Gaza, atestando, uma vez mais, o apoio dos EUA em toda a linha aos crimes repetidos dos sionistas.

Pobreza em casa

Israel, cuja população regista uma das mais elevadas taxas de pobreza dos países homólogos. É o que afirma a OCDE, que não esconde, num relatório recentemente publicado, que as carências económicas são a principal preocupação do povo israelita, muito à frente do terrorismo e das agressões externas.

O mesmo estudo revela ainda que 75% da população teme o colapso económico e social do país, preocupação fundamentada por uma outra pesquisa, da responsabilidade do Instituto Nacional de Seguros, segundo a qual uma em cada cinco famílias israelitas vive abaixo do limiar da pobreza.

Tudo isto confirma a tese marxista de que “não pode ser livre um povo que oprime outros povos”. E não o são, de facto, os israelitas, amarrados à miséria imposta pelos seus próprios governantes.

Manifestantes saem às ruas da Índia por mais proteção às mulheres após morte de estudante

Milhares foram às ruas, neste sábado, em protestos pacíficos contra a violência na Índia
Milhares foram às ruas, neste sábado, em protestos pacíficos contra a violência na Índia

A Índia é uma nação mergulhada em um extremo sentimento de pesar, após a morte da estudante de Medicina, neste sábado, em Cingapura. Milhares de indianos foram às ruas, em manifestações pacíficas, nas maiores cidades do país, exigir do governo maior proteção para mulheres e uma vida menos violenta. A vítima, de 23 anos, foi vítima de um estupro coletivo em um ônibus em Nova Déli.

As autoridades ainda não informaram a identidade da mulher, que estava internada desde o 16 de dezembro, quando ela e um amigo foram deixados, sem roupa, em uma estrada nos arredores da capital. Milhares participaram, nesta tarde, de caminhadas e vigílias por Nova Déli, Calcutá, Mumbai e Bangalore. Os manifestantes já questionam, mais do que a violência contra a jovem, a forma como o país trata as mulheres.

Em Nova Déli, mais de 6 mil pessoas foram até o observatório Jantar Mantar, uma das poucas áreas onde é permitido protestar na cidade. Após a série de manifestações dos últimos dias, o país vive um regime de exceção e reuniões de mais de cinco pessoas foram reprimidas pela polícia. A medida foi a reação das autoridades durante uma onda de protestos violentos pelas ruas do país, logo após o estupro coletivo da estudante.

Tropas posicionaram-se próximas aos prédios públicos das cidades mais populosas e passaram a dissipar qualquer aglomeração, embora milhares de manifestantes tenham enfrentado o governo e saído em uma marcha silenciosa pela cidade. Um dos manifestantes, Poonam Kaushik, ouvido pela agência inglesa de notícias BBC, culpa a “ineficiência do governo em garantir a segurança das mulheres em Nova Déli”. Kaushik acredita que a morte da estudante provocará “ainda mais ódio”.

Em uma das faixas levantadas por manifestantes, havia um claro recado à classe política indiana:

“Não queremos suas condolências. Não queremos seus sentimentos falsos! Exigimos ação imediata por leis mais duras contra agressões sexuais”.

Sheila Dikshit, ministra do governo do presidente Pranab Mukherjee, descreveu o episódio como “um momento vergonhoso” para o país. Embora tenha tentado dialogar com os manifestantes, Dikshit acabou vaiada. No diário conservador indiano Times of India um editorial pedia mudanças amplas na sociedade e lembrou que a violência contra as mulheres também ocorre em suas próprias casas.

Manifestações contidas

Segundo a equipe do Hospital Mount Elizabeth, em Cingapura, onde a jovem estava internada, ela ”faleceu em paz”, neste sábado, tendo sua família a seu lado. Seu quadro era extremamente delicado. Ela sofreu uma parada cardíaca, uma infecção no pulmão e no abdômen, além de danos cerebrais. A jovem havia saído do cinema e pegado um ônibus com um amigo até a região de Dwarka, no sudoeste de Nova Déli.

Ela foi atacada dentro do coletivo, por mais de uma hora por diversos homens e depois espancada com barras de ferro. Ela e o amigo foram lançados para fora do ônibus nus e com o veículo em movimento. Seis suspeitos são agora acusados de homicídio, com requintes de crueldade. Após os ataques, o governo têm feito anúncios sobre medidas destinadas a tornar Nova Déli mais segura para mulheres.

Uma das medidas foi a de intensificar o número de patrulhas policiais durante a noite, blitzen nos ônibus e a proibição de que esses veículos circular com janelas pintadas ou cobertas por cortinas. Os nomes e fotos de todos os condenados por estupro no país também serão divulgados pela internet, com o endereço dessas pessoas.

Setores da Justiça aventaram a possibilidade de prisão perpétua para estupradores, mas os manifestantes exigem a pena capital.

Índia: Morre a jovem estuprada dentro de um ônibus

A estudante de medicina indiana de 23 anos que foi violada por um grupo de homens dentro de um ônibus, em Nova Deli, morreu nesta sexta-feira num hospital de Singapura. A agressão provocou violentos protestos e manifestações quase diárias a exigir mais proteção de violência sexual que afeta milhares de mulheres todos os dias.

A jovem e um amigo viajavam num ônibus no dia 16 quando foram atacados por seis homens que a violaram e espancaram os dois. Os agressores despiram-nos e abandonaram-nos na estrada. Os protestos, que começaram pacíficos, no final da semana passada, transformaram-se numa batalha campal com a policia a usar a habitual violência, lançando bombas de gás lacrimogênio e agredindo impiedosamente e de maneira indiscriminada os manifestantes.

No domingo passado, o governo proibiu mesmo as manifestações, mesmo sendo estas plenamente justificadas, já que a Índia ocupa um dos primeiros lugares em termos de violência sexual no mundo, e a população tem a necessidade de defender-se.

Segundo dados da própria polícia, a cada 18 horas ocorre uma violação em Nova Deli, a campeã nacional de agressões sexuais.

A revolta é expressão de um processo social mais profundo que vive este país asiático. A Índia, depois da luta pela independência do Império Britânico, permanece subjugada por uma corrupta elite, na qual se destaca a dinastia Gandhi. Apesar de ser considerada, pelos demagogos da imprensa mundial, a maior democracia do planeta, é um local onde os direitos humanos são sistematicamente violados, sejam eles direitos laborais, humanos ou das inúmeras etnias que formam esse enorme pais.

A atual revolta é um exemplo dessa situação. Não deve existir ninguém que deseje que a sua irmã, filha, crianças ou esposa seja violentada pelas ruas da sua cidade. Mas esse e o quotidiano da vida nesse país que tem a segunda população mundial, depois da China.

A revolta obrigou a chefe do clã, Sonia Gandhi e o seu filho Raul a encontrarem-se com os revoltosos, prometendo interferir no assunto; mas os manifestantes exigiram do governo do primeiro-ministro Singh medidas efetivas para parar as manifestações.

A violência sexual é absolutamente repugnante, e mais ainda se pensarmos que a jovem violada, estudante de medicina, dedicara a sua existência a salvar vidas, mesmo a de pessoas como as que a violaram. A situação de opressão das mulheres indianas é tão grande que, tempos atrás, uma jovem violada por um politico indiano, além da violência a que fora submetida, foi metida na prisão e acabou por ser processada, o que demonstra o absurdo da situação.

Desta vez, a polícia prendeu seis pessoas por suspeita de participação no ataque.

Turismo em Israel é afetado por ofensiva em Gaza

Os viajantes que esperavam visitar a Terra Santa estão começando a pensar duas vezes

Com os combates na Faixa de Gaza entrando em seu quinto dia e os foguetes palestinos aterrissando cada vez mais dentro de Israel, os viajantes que esperavam visitar a Terra Santa estão começando a pensar duas vezes. Vários hotéis em Israel, junto com a empresa El Al, tiveram cancelamentos e acreditam que o número vai aumentar se a violência entrar na segunda semana.

– Houve cancelamentos mínimos atualmente, mas é óbvio que essa é uma situação que se desenvolve – disse uma fonte no Ministério do Turismo, que ainda precisa oferecer estatísticas oficiais.

Israel lançou uma intensa campanha aérea contra a Faixa de Gaza na quarta-feira com a intenção declarada de deter os foguetes de militantes islâmicos contra seu enclave costeiro. Desde o início da conflagração, centenas de mísseis foram lançados contra Israel, e vários em direção ao eixo comercial de Tel Aviv, que anteriormente ficara fora do alcance dos militantes de Gaza.

Sirenes de ataque aéreo soaram em Jerusalém na sexta-feira pela primeira vez em décadas antes que um foguete caísse nas redondezas, na ocupada Cisjordânia.

Três israelenses morreram quando seu prédio foi atingido em uma pequena cidade no Sul de Israel na quinta-feira, mas nenhum dos tiros de alcance mais longo atingiu áreas povoadas ou provocou feridos. No entanto, só a ameaça já tem um preço.

Uma porta-voz do Fattal, a maior rede de hotéis de Israel, disse que algumas reservas já haviam sido canceladas. “Vemos o início de uma tendência, mas apenas em alguns dias seremos capazes de ver em que direção caminha a tendência geral”, disse ela, recusando-se a dar números.

Da mesma fora, o hotel American Colony de Jerusalém divulgou que alguns hóspedes tinham cancelado as visitas no último minuto.

Uma porta-voz da El Al disse que houve alguns cancelamentos “aqui e ali”, embora nada muito significativo, enquanto a Delta e a US Airways disseram que algumas famílias de israelenses convocados pelo exército tinham decidido ficar em casa.

A diminuição não se limita a Israel. A cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, onde a Igreja da Natividade atrai peregrinos cristãos do mundo inteiro, perdeu quase metade de suas reservas devido à violência em Gaza.

– Acho que a porcentagem dos cancelamentos atingiu 40 a 50 %  até o fim de novembro e para o mês seguinte – disse Elias al Arja, chefe da Associação Árabe de hotéis na cidade.

Quatro cruzeiros transportando 6.000 turistas preferiram não aportar em Israel devido à situação de segurança, divulgou a Rádio Israel nesta domingo.

O tráfego aéreo também foi atingido. Planos de voo para aviões que vinham e partiam do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Tel Aviv, foram mudados para o norte e leste para liberar o espaço aéreo para a força aérea de Israel operar em Gaza, disse uma autoridade na indústria da aviação.

Antes do início da campanha em Gaza, Israel vinha desfrutando de um ano recorde de turistas, com 2,6 milhões de visitantes entrando no país nos primeiros nove meses do ano  7%  a mais do que o mesmo período no ano passado.