Angela Merkel faz apelo por unidade europeia

Antes de reunião com líderes do bloco, chanceler federal afirma que Alemanha só vai prosperar se Europa também for bem. Sobre Erdogan, ela diz que comparações com o nazismo precisam parar

Por Redação, com DW – de Berlim:

Em pronunciamento no Parlamento alemão nesta quinta-feira, a chanceler federal Angela Merkel relembrou, pouco antes da conferência dos líderes da União Europeia, a história de sucesso do bloco europeu e alertou que o Brexit – a saída do Reino Unido da UE após decisão em referendo – deve servir como alerta.

A chanceler federal Angela Merkel
A chanceler federal Angela Merkel

Ela mencionou também a questão da imigração e o recente acirramento das tensões diplomáticas entre seu país e a Turquia. Aliado-chave na contenção do fluxo de refugiados em direção à Europa..

Merkel disse que a reunião em Bruxelas deveria tratar de temas econômicos. Mas, citando como exemplo a crise dos refugiados e o Brexit. Assegurou que outros temas também serão discutidos.

Ao mencionar a atual relutância de alguns países do Leste Europeu em ceder liberdades nacionais em nome do projeto da UE. Merkel disse que a União pode progredir sem os Estados-membros. A Alemanha, afirmou, pode prosperar “apenas se a Europa estiver bem”.

Merkel fez elogios ao Tratado de Livre Comércio e Investimentos entre a UE e o Canadá (Ceta, na sigla em inglês). E pediu que a Europa evite isolar-se do resto do mundo. Numa referência indireta à postura adotada pelo presidente americano, Donald Trump. A chanceler deixou claro que a UE se defenderá contra medidas injustas de protecionismo.

Merkel avaliou de modo critico a atual política europeia para os refugiados: “Não há dúvida que fizemos progressos, mas o sistema de concessão de refúgio da UE precisa ser reformado.”

Tensões com a Turquia

A chanceler mencionou as polêmicas declarações feitas recentemente pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Em meio ao acirramento das tensões diplomáticas entre seu país e Berlim, ele acusou a Alemanha de adotar “práticas nazistas” após o cancelamento de eventos políticos turcos em várias cidades alemãs sobre o referendo da reforma constitucional proposta por Ancara, que visa estabelecer o regime presidencialista na Turquia, ampliando os poderes do presidente.

Merkel afirmou que tais declarações são tão fora de propósito que é difícil comentá-las. Os comentários de Erdogan “não podem ser justificados”, afirmou. “As comparações com o nazismo geram apenas sofrimento. Isso precisa parar.”

Ela ainda fez críticas às restrições à liberdade de imprensa na Turquia, acrescentando que a Alemanha fará todo o possível pela libertação do jornalista teuto-turco Deniz Yücel, correspondente do jornal alemão Die Welt preso em Istambul, acusado por Erdogan de ser agente da Alemanha e membro do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

A chanceler ressaltou que não é do interesse da Alemanha romper relações com a Turquia, mas acrescentou que seu país deve manter seus valores essenciais, da maneira que achar apropriado. Ela expressou o desejo de assegurar as liberdades da comunidade turca no país, que vive tensões internas entre os apoiadores do PKK e da extrema direta.

Os turcos, disse Merkel, são parte do país e contribuem para a prosperidade da Alemanha..

França: Macron consolida vantagem sobre Le Pen em pesquisa

Foi a segunda pesquisa no intervalo de uma semana que colocou o político de 39 anos à frente de Le Pen já no primeiro turno

Por Redação, com Reuters – de Paris:

O favoritismo de Emmanuel Macron para a eleição presidencial da França se fortaleceu com uma pesquisa de intenção de voto divulgada nesta quinta-feira que mostra o candidato de centro derrotando a líder de extrema-direita Marine Le Pen tanto no primeiro quanto no segundo turno da disputa.

Emmanuel Macron
Emmanuel Macron

Na sondagem da empresa Harris Interactive, Macron aparece vencendo a votação de 23 de abril com 26 % dos votos e Le Pen chegando em segundo com 25 %. O que colocaria os dois na decisão de 7 de maio. Na qual ele a derrotaria facilmente ficando com 65 % das urnas.

Foi a segunda pesquisa no intervalo de uma semana que colocou o político de 39 anos à frente de Le Pen já no primeiro turno. Sinal de que o ex-ministro da Economia centrista pode estar consolidando sua posição a 45 dias da etapa inicial.

Mas a corrida continua difícil de prever devido a uma série de surpresas. Como a decisão do atual presidente francês, o socialista François Hollande, de não concorrer à reeleição. E vitórias surpreendentes de pré-candidatos que os institutos de pesquisa haviam descartado nas primárias partidárias.

Favorito

Além disso, escândalos financeiros envolveram Le Pen e o conservador François Fillon. Que após um êxito inesperado na primária do partido Os Republicanos ainda em janeiro havia se tornado o favorito a conquistar a presidência.

Na enquete mais recente. Fillon, que está lutando para relançar uma campanha abalada. Por uma investigação judicial de alegações de que ele teria pago sua esposa regiamente por um trabalho de assistência parlamentar que ela pouco exerceu. Apareceu em terceiro lugar no primeiro turno, com 20 por cento dos votos.

Isso eliminaria o outrora líder da disputa, mas caso recupere o terreno nas próximas semanas. E garanta uma vaga no segundo turno enfrentando Le Pen. O ex-primeiro-ministro de 63 anos também a venceria por 59 %.

Nas duas simulações do 7 de maio, a margem de derrota de Le Pen é maior do que em algumas pesquisas recentes.

O chefe de campanha da política de direita, David Rachline. Minimizou o levantamento desta quinta-feira, dizendo em referência ao primeiro turno: “A realidade neste momento é que Marine (Le Pen) está na frente em quase todas as pesquisas”.

Embora as cifras de Le Pen não tenham mudado em relação à última sondagem da Harris uma quinzena atrás. Macron cresceu seis pontos percentuais. A sondagem mais recente da Harris entrevistou 4.932 pessoas entre os dias 6 e 8 de março.

Alemanha tenta aplacar tensão com Turquia

Berlim diz ser inaceitável declaração de Erdogan sobre “práticas nazistas” na Alemanha atual. Mas exalta relações bilaterais como especiais e pede que “cabeças frias” prevaleçam

Por Redação, com DW – de Berlim:

Autoridades alemãs rebateram nesta segunda-feira as declarações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que comparou o cancelamento de comícios na Alemanha sobre o referendo constitucional na Turquia, com a presença de ministros turcos, a “práticas nazistas”.

Erdogan atribuiu o cancelamento de comícios na Alemanha sobre o referendo constitucional na Turquia a "práticas nazistas"
Erdogan atribuiu o cancelamento de comícios na Alemanha sobre o referendo constitucional na Turquia a “práticas nazistas”

Nos últimos dias, diversas cidades alemãs cancelaram os eventos alegando preocupações com a segurança. Os ministros do governo de Erdogan fariam campanha a favor da reforma constitucional que visa introduzir o sistema presidencialista no país. Ampliando os poderes do presidente. A Alemanha abriga a maior diáspora turca, e em torno de 1,4 milhão de pessoas poderão votar no referendo no dia 16 de abril.

O governo turco acusou Berlim de atuar contra a campanha a favor da reforma constitucional por não querer uma Turquia estável.

– Alemanha, você não tem qualquer relação com a democracia e você deveria saber que suas práticas atuais não são diferentes das do período nazista – disse o presidente em Istambul. Num evento de campanha para o referendo. “Eu pensava que a Alemanha havia abandonado práticas nazistas há muito tempo. Estávamos enganados.”

Steffen Seibert, porta-voz da chanceler federal Angela Merkel. Ele afirmou que “comparações com o nazismo são sempre absurdas e fora de lugar. Uma vez que leva a apenas uma coisa: a banalização dos crimes contra a humanidade cometidos pelos nazistas”.

“Absolutamente inaceitável”

Ao mesmo tempo em que encorajou a Turquia a “falar abertamente e de modo crítico”. Seibert disse que os dois países devem lembrar o “significado especial” de suas relações próximas e “deixar que as ‘cabeças frias’ prevaleçam”.

Horas antes, o chefe de gabinete da chancelaria, Peter Altmaier, afirmou que a comparação com o nazismo é “absolutamente inaceitável”. “O governo deixará isso bem claro”, afirmou. “Não há qualquer razão para permitir que sejamos repreendidos dessa maneira.”

Erdogan alertou que Berlim não deve tentar impedi-lo de falar em solo alemão. “Se não me deixarem entrar ou não me deixarem falar. Farei com que o mundo se levante”, ameaçou.

No domingo, o ministro alemão da Justiça. Heiko Maas, afirmou que os comentários de Erdogan eram “absurdos, lamentáveis e grotescos”. E que tinham como objetivo provocar reações de Berlim. “Temos que cuidar para que não nos deixemos ser provocados”, observou.

Ele alertou contra romper relações diplomáticas ou não permitir a entrada de Erdogan no país. Afirmando que essas medidas jogarão a Turquia “diretamente nos braços de (presidente russo) Vladimir Putin, o que ninguém deseja”.

Acirramento das tensões

O ministro alemão do Exterior e vice de Merkel, Sigmar Gabriel, disse que, apesar de a Alemanha respeitar os valores da liberdade de expressão, os que fizerem pronunciamentos no país devem “respeitar as regras”.

O líder da comunidade turca na Alemanha, Gökay Sofuoglu, condenou a fala do presidente turco, afirmando que desta vez Erdogan foi longe demais.

As tensões entre Berlim e Ancara já haviam se agravado nos últimos dias com a prisão do jornalista teuto-turco Deniz Yücel na Turquia, que gerou uma onda de indignação por parte do governo, políticos e intelectuais alemães. Erdogan acusou o correspondente do jornal Die Welt de ser um agente da Alemanha e integrante do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Alemanha e Turquia são, além disso, parceiros importantes na crise migratória. Mais de um milhão de refugiados – em sua maioria sírios – entraram na Alemanha desde 2015. E foi só o acordo firmado entre a União Europeia e a Turquia para impedir a chegada de migrantes ao continente, em vigor desde março de 2016, conseguiu sustar decisivamente o fluxo migratório.

Erdogan acusa Alemanha de ‘práticas nazistas’

Presidente turco critica cancelamento de comícios em que ministros fariam campanha sobre reforma constitucional, a ser decidida em referendo. Milhares de cidadãos turcos residentes no país estão aptos a votar no pleito

Por Redação, com DW – de Berlim:

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste domingo que o cancelamento de comícios na Alemanha com ministros turcos por autoridades do país se assemelha a práticas do período nazista.

Erdogan: "Eu pensava que a Alemanha havia abandonado práticas nazistas há muito tempo"
Erdogan: “Eu pensava que a Alemanha havia abandonado práticas nazistas há muito tempo”

– Alemanha, você não tem qualquer relação com a democracia e você deveria saber que suas práticas atuais não são diferentes das do período nazista – disse o presidente em Istambul, num evento de campanha para o referendo constitucional marcado para 16 de abril.

– Eu pensava que a Alemanha havia abandonado práticas nazistas há muito tempo. Estávamos enganados – afirmou.

Autoridades alemãs cancelaram eventos políticos marcados para esta semana no país. Nos quais ministros do governo de Erdogan fariam campanha a favor da reforma constitucional. Que visa introduzir o sistema presidencialista no país, ampliando os poderes do presidente. A Alemanha abriga a maior diáspora turca, e em torno de 1,4 milhão de pessoas poderão votar no referendo de abril.

O cancelamento dos comícios provocou críticas por parte do governo turco. Acusou Berlim de atuar contra a campanha a favor da reforma constitucional por não querer uma Turquia estável.

– Vocês nos falam sobre democracia e então não permitem que nossos ministros falem no país – disse Erdogan.

Já na sexta-feira, o presidente turco havia criticado as autoridades alemãs por terem impedido a realização dos comícios. Em que ministros turcos pretendiam dirigir-se à comunidade turca residente no país. Mas permitirem que dirigentes curdos falem livremente. Por tal motivo, as autoridades alemãs deveriam ser levadas a julgamento por “apoiar e abrigar o terrorismo”.

Tentativa de acalmar os ânimos

Para tentar acalmar os ânimos, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, telefonou para o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, neste sábado, o qual descreveu a conversa como “produtiva”. Os ministros do Exterior de ambos os países devem se reunir nesta semana.

As tensões já haviam se acirrado nos últimos dias com a prisão do jornalista teuto-turco Deniz Yücel na Turquia, que gerou uma onda de indignaçãopor parte do governo, políticos e intelectuais na Alemanha. Erdogan acusou o correspondente do jornal Die Welt de ser um agente alemão e integrante do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Neste domingo, o ministro do exterior alemão, Sigmar Gabriel, alertou em um artigo publicado pelo jornal Bild am Sonntag sobre uma piora das relações entre Alemanha e Turquia, pedindo que não se desfaça a amizade entre ambos os países.

– A amizade teuto-turca é mais profunda que as tensões diplomáticas que vivemos atualmente – escreveu o ministro. “Alemães e turcos são amigos demais para permitir que, por diferenças quanto a opiniões políticas, se estabeleçam no longo prazo o ódio e a falta de compreensão.”

Campanha pré-referendo acirra tensão entre Alemanha e Turquia

Erdogan lança ataques contra Alemanha após críticas à prisão de jornalista e cancelamento de comícios. Ministro da Justiça afirma que países europeus são contra reforma constitucional por não quererem Turquia estável

Por Redação, com DW – de Berlim/Ancara:

A campanha eleitoral às vésperas de um referendo sobre uma controversa reforma constitucional na Turquia, marcado para 16 de abril, vem acirrando as tensões entre Berlim e Ancara. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, falou em espionagem, e o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, denunciou métodos “fascistas” adotados pelas autoridades do país europeu. Políticos alemães, por sua vez, classificam os ataques de “absurdos”.

Alemanha abriga a maior diáspora turca
Alemanha abriga a maior diáspora turca

Uma das investidas mais ferrenhas foi feita por Erdogan na sexta-feira. Em respostas às críticas de Berlim sobre a prisão do jornalista teuto-turco Deniz Yücel na Turquia. O presidente acusou o correspondente do jornal Die Welt de ser um agente alemão e integrante do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Erdogan criticou também o cancelamento de eventos na Alemanha dos quais participariam ministros turcos. Com o objetivo de fazer campanha pela reforma constitucional. Que visa introduzir o sistema presidencialista na Turquia e, assim, atribuir mais poderes ao presidente. A Alemanha abriga a maior diáspora turca. Em torno de 1,4 milhão de pessoas poderão votar no referendo de 16 de abril.

Um comício na cidade alemã de Gaggenau, do qual o ministro da Justiça turco participaria na última quinta-feira, foi cancelado pelas autoridades locais por motivos de segurança. O político classificou a medida de “fascista”.

Neste domingo, também estava prevista a presença do ministro da Economia turco, Nihat Zeybekci, em Frechen, próxima à Colônia, mas o proprietário do local cancelou o evento. Um comício em Colônia também foi cancelado por motivos de segurança.

Críticas a Merkel

Bozdag criticou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, por não ter se distanciado do cancelamento dos eventos por parte das autoridades locais. Merkel e o ministro do Exterior alemão, Sigmar Gabriel, “não criticaram a decisão”. “Eles não dissera que a decisão tomada pelas autoridades é errada.”

Merkel disse nesta sexta-feira que a decisão foi tomada “pelos municípios e que, por questão de princípios, se aplica a liberdade de expressão na Alemanha”. O porta-voz do Ministério alemão do Exterior, Martin Schäfer, também reiterou que o governo federal não tem nenhuma responsabilidade sobre os cancelamentos dos eventos.

– Eu pergunto: não permitir que o ministro da Justiça turco se manifeste adere ou não aos direitos humanos alemães, sra. Merkel? – questionou Bozdag.

Ele também criticou o governo da Holanda, que na sexta-feira cancelou um evento de campanha com um ministro turco em Roterdã, marcado para 11 de março. Para Bozdag, está “muito claro” que alguns países da União Europeia são contra a reforma constitucional por não terem interesse numa Turquia estável e forte.

Reação alemã

Políticos alemães reagiram aos ataques trucos. A encarregada de integração do governo federal, Aydan Özguz, criticou as reações de Ancara, classificando-as de “totalmente exagerada”. “A atual escalada política não é útil para nenhum dos dois países”, disse.

O secretário do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, também pediu moderação à Turquia. A campanha eleitoral turca não deve migrar para o solo alemão, afirmou.

Antes das críticas feitas por Erdogan nesta sexta-feira, o ministro do Exterior alemão falou ao telefone com seu homólogo turco, Mevlüt Çavuşoğlu. Ambos pretendem se reunir na próxima semana.

Neste sábado, Çavuşoğlu se mostrou decidido a fazer campanha a favor da reforma constitucional para cidadãos turcos que vivem na Europa Ocidental. “Vamos para onde quisermos. Vamos nos reunir com nossos cidadãos”, disse.

Alemanha e Tunísia anunciam acordo migratório

Após problemas na deportação de tunisiano que cometeu atentado em Berlim, pacto deve acelerar expulsão de requerentes que tiveram refúgio negado na Alemanha. Merkel anuncia ainda 250 milhões de euros ao país africano

Por Redação, com DW – de Berlim:

A Alemanha e a Tunísia anunciaram nesta sexta-feira a assinatura de um novo acordo sobre imigração, durante uma visita oficial da chanceler federal alemã, Angela Merkel, à capital Túnis.

O presidente tunisiano, Béji Caïd Essebsi, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Túnis
O presidente tunisiano, Béji Caïd Essebsi, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Túnis

O pacto deve acelerar o processo de deportação para a Tunísia dos requerentes de refúgio que tiveram seus pedidos negados na Alemanha.

Como parte do acordo. O país africano se comprometeu a dar uma resposta em até 30 dias para os pedidos vindos de Berlim para a verificação de identidade de tunisianos. Já os papéis necessários para a deportação devem ser emitidos em uma semana.

O trato ocorre em meio a tensões entre Túnis e Berlim acerca da imigração desde o atentado cometido pelo tunisiano Anis Amri contra uma feira de natal na capital alemã, que deixou12 mortos.

Antes do ataque, Amri teve seu pedido de refúgio recusado pelas autoridades alemãs e deveria ter sido deportado. A expulsão, porém, não ocorreu devido a problemas burocráticos com a Tunísia. Ele não tinha documentos que provassem que ele era tunisiano, e a Tunísia inicialmente negou que ele fosse.

Em pronunciamento à imprensa ao lado de Merkel, o presidente tunisiano Béji Caïd Essebsi. Declarou que o acordo “vai contentar tanto a Tunísia como a Alemanha”. “São boas notícias para nós”, disse, por sua vez, a chanceler federal alemã, após uma reunião com o chefe de Estado em Túnis.

Doação

Merkel também anunciou a doação de 250 milhões de euros ao país africano. Que devem ser usados para promover projetos de desenvolvimento em áreas mais pobres. “Os fundos destinam-se ao desenvolvimento rural, a pequenas e médias empresas. Mas principalmente aos jovens, que são os que mais precisam de formação profissional e oportunidades de emprego”, disse a líder.

A chanceler federal também afirmou que entre 14 e 15 milhões de euros devem ser destinados aos tunisianos deportados. Numa tentativa de incentivar seu retorno voluntário. Como a Tunísia é um país relativamente estável. Os pedidos de refúgio por parte de seus cidadãos são geralmente rejeitados. Merkel estimou que cerca de 1.500 tunisianos na Alemanha devem ser deportados.

A visita da chefe de governo alemã à Tunísia faz parte de uma viagem de dois dias ao Norte da África. Com objetivo de fortalecer a cooperação entre as regiões acerca da imigração. Em Túnis, ela ainda deve se reunir com o premiê Yousseh Chahed, além de discursar perante o Parlamento da Tunísia.

Alemanha detém sírio acusado de crimes de guerra

Homem de 35 anos seria membro de grupo ligado à Al Qaeda e teria executado dezenas de civis na Síria. Outro suspeito, que seria membro da mesma unidade de combate, foi preso pela autoridades alemãs

Por Redação, com DW – de Berlim:

Dois sírios suspeitos de serem membros da organização extremista Frente al-Nusra foram detidos na Alemanha, divulgou a polícia nesta quinta-feira. Um deles teria participado da execução de dezenas de civis na Síria, sendo acusado de crimes de guerra.

Prisões foram feitas nestas quarta e quinta-feira, em Düsseldorf e Giessen
Prisões foram feitas nestas quarta e quinta-feira, em Düsseldorf e Giessen

O Tribunal Federal de Justiça alemão afirmou que Abdalfatah H.A., detido na cidade de Düsseldorf. Ele é suspeito de envolvimento na morte de 36 funcionários do governo sírio em março de 2013. Ele teria executado uma sentença de morte sob a sharia (lei islâmica).

Uma porta-voz da corte se recusou a confirmar a informação divulgada pela mídia alemã de que o sírio chegou à Alemanha como requerente de asilo.

O outro suspeito. Abdulrahman A.A., de 26 anos, detido em Giessen. Pertencia à mesma unidade de combate de Abdalfatah H.A., e teria administrado fundos e veículos. Ambos participaram de uma batalha armada contra tropas do regime.

Ataque

Segundo procuradores, Abd Arahman A.K., sírio detido em junho passado por suspeita de planejar um ataque a bomba em Düsseldorf, também era membro da mesma unidade da Frente al-Nusra – ligada à Al Qaeda e que passou a se chamar Frente Fateh al-Sham (Conquista do Levante, em árabe) no ano passado.

Grupos defensores dos direitos humanos vêm pressionando governos para julgar pessoas suspeitas de cometer crimes de guerra e contra a humanidade na Síria, como parte dos esforços para solucionar a guerra civil no país, iniciada em 2011.

O Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) argumenta que na Síria a “impunidade é total, o que produz ainda mais violência”.

Sob o princípio da jurisdição universal, tribunais alemães podem julgar crimes cometidos fora do país. O juiz de instrução do Tribunal Federal de Justiça deve decidir ainda nesta quinta-feira se cabe aos dois sírios permanecer em prisão preventiva.

Parlamento Europeu retira imunidade de Marine Le Pen

Órgão legislativo da UE anuncia decisão em meio a investigações sobre imagens de vítimas do “Estado Islâmico” postadas pela candidata da extrema direita à presidência da França

Por Redação, com DW – de Paris:

O Parlamento Europeu retirou nesta quinta-feira a imunidade parlamentar de Marine Le Pen, candidata da extrema direita à presidência da França. A líder do partido Frente Nacional é acusada de divulgar imagens violentas, no caso de vítimas do grupo extremista “Estado Islâmico” (EI), postadas no Twitter.

Marine Le Pen é candidata à presidência na França e deputada no Parlamento Europeu
Marine Le Pen é candidata à presidência na França e deputada no Parlamento Europeu

Os legisladores decidiram por larga maioria privar Le Pen, que é deputada no Parlamento Europeu, de sua imunidade no caso. O qual começou a ser investigado por promotores franceses em 2015. Ela pode agora responder a processo.

Na ocasião, a candidata da extrema direita divulgou imagens de atrocidades cometidas pelo EI. Para, segundo ela, protestar contra comparações entre a Frente Nacional e o grupo extremista feitas por um apresentador de rádio. Entre as imagens está uma do jornalista americano James Foley. Le Pen retirou a imagem depois de os pais de Foley se mostrarem indignados.

A Justiça francesa abriu uma investigação por “difusão de imagens de violência” e pediu ao Parlamento Europeu que retirasse a imunidade parlamentar de Le Pen. O Parlamento acatou, por ampla maioria, a recomendação pela retirada da imunidade feita pela comissão responsável.

Decisão

A decisão divulgada nesta quinta-feira diz respeito apenas às postagens no Twitter e não a supostosdesvios de recursos do órgão legislativo da União Europeia (UE), dos quais Le Pen também é acusada.

Le Pen lidera as pesquisas eleitorais para a presidência da França, mas perderia no segundo turno, segundo as sondagens.

François Fillon anuncia que será investigado, mas mantém candidatura

Candidato conservador à presidência da França nega acusação de ter criado empregos falsos para a mulher e os filhos e afirma que ele e as eleições são vítimas de “assassinato político”

Por Redação, com DW – de Paris:

O candidato dos conservadores à presidência da França, François Fillon, disse nesta quarta-feira que vai ser formalmente investigado por ter supostamente criado empregos falsos para a mulher e os filhos, mas que mantém a sua candidatura às eleições de 23 de abril.

Não apenas eu estou sendo assassinado, mas a eleição presidencial", afirmou Fillon em Paris
Não apenas eu estou sendo assassinado, mas a eleição presidencial”, afirmou Fillon em Paris

Fillon disse em Paris que foi chamado para comparecer perante um juiz no dia 15 de março e negou as acusações. Classificando-as de assassinato político. Ele disse que não vai renunciar a sua candidatura. Porque “só o sufrágio universal e não um processo judicial” pode decidir quem será o próximo chefe do Estado francês.

– Não apenas eu estou sendo assassinado. Mas a eleição presidencial – acrescentou Fillon. “O Estado de Direito está sendo sistematicamente violado” e “a presunção de inocência desapareceu por completo”, afirmou.

Investigação

Na França, quando um suspeito é submetido a uma investigação formal (mise en examen). Isso significa que há indícios consistentes de que ele tenha cometido um crime. Fillon é suspeito de desvio de fundos públicos por ter alegadamente criado empregos fictícios para a mulher e os dois filhos.

Na manhã desta quarta-feira, o candidato conservador cancelou subitamente, sem apresentar qualquer explicação, uma visita ao Salão da Agricultura de Paris, parada obrigatória para qualquer candidato presidencial francês. Mais tarde, anunciou que faria uma declaração pública. O cancelamento alimentou rumores de que Fillon renunciaria à candidatura, o que acabou não acontecendo.

Prisão de jornalista na Turquia causa indignação na Alemanha

Governo, políticos e intelectuais criticam detenção do jornalista Deniz Yücel, de nacionalidade turca e alemã. Desde golpe de Estado fracassado de 2016, Erdogan aumentou cerceamento à imprensa

Por Redação, com DW – de Berlim:

 

A prisão preventiva do jornalista teuto-turco Deniz Yücel, determinada por um tribunal de Istambul, foi duramente criticada pelo governo alemão e por políticos e intelectuais da Alemanha.

A chanceler federal Angela Merkel chamou a ordem de prisão de uma decisão dura e decepcionante e disse esperar que Yücel seja libertado em breve. “A medida é desproporcionalmente dura, afinal Deniz Yücel se apresentou voluntariamente à Justiça turca e se colocou à disposição para as investigações”, disse Merkel.

Deniz Yücel é acusado de incitação ao ódio e de fazer propaganda para uma organização terrorista
Deniz Yücel é acusado de incitação ao ódio e de fazer propaganda para uma organização terrorista

Para esta terça-feira foram programados protestos contra a prisão em diversas grandes cidades alemãs. Além de Viena, Graz e Zurique. Um grupo de intelectuais e jornalistas publicou um anúncio de página inteira em grandes jornais alemães pedindo a liberdade de Yücel. Citando o artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos, que se refere à liberdade de expressão e de imprensa.

Reportagem crítica ao governo

Nesta segunda-feira, um juiz de Istambul decidiu decretar a prisão preventiva de Yücel, que é correspondente do jornal Die Welt. Depois de ele passar 13 dias detido sob a acusação de fazer propaganda terrorista.

A prisão preventiva pode durar até cinco anos. Ao fim dos quais o acusado pode ser julgado ou libertado. O jornalista, que possui dupla nacionalidade, alemã e turca. Ele é acusado de incitação ao ódio e de fazer propaganda para uma organização terrorista, em referência à guerrilha curda PKK.

O vice-presidente do opositor Partido Republicano do Povo (CHP), Sezgin Tanrikulu, que acompanhou a audiência. Ele afirmou em sua conta no Twitter que o promotor perguntou a Yücel exclusivamente sobre sua atividade jornalística. E que o alemão foi preso unicamente por isso.

Yücel foi detido no âmbito de uma investigação sobre uma invasão ao e-mail do ministro da Energia, Berat Albayrak. Que é genro do presidente Recep Tayyip Erdogan. A invasão é atribuída ao grupo clandestino de esquerda RedHack, que publicou os e-mails na internet.

Os e-mails indicam haver iniciativas do governo turco para manipulação de contas no Twitter e controle estatal sobre a mídia. Yücel foi um dos poucos jornalistas a escrever sobre o caso, em setembro passado. Ele se apresentou à polícia para responder perguntas sobre a sua reportagem e foi imediatamente detido.

Cerca de 150 jornalistas presos

Yücel é o primeiro jornalista alemão e ser preso desde que o partido conservador islâmico AKP chegou ao poder, em 2002. No ano passado, o correspondente Hasnain Kazim, do site Spiegel Online. Teve que deixar a Turquia porque o governo lhe negou o registro como jornalista e, com isso, o visto de trabalho e residência.

Bem pior é a situação dos jornalistas turcos. Cerca de 150 estão presos, seja de forma preventiva, seja cumprindo sentença. Depois do golpe de Estado fracassado de 15 de julho, 149 jornais, rádios e televisões já foram fechados. E  775 jornalistas tiveram seus registros cancelados. Segundo a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF).

A Turquia ocupa a posição 151, entre 180 países, na lista de liberdade de imprensa da RSF, publicada antes do golpe fracassado e da entrada em vigor do estado de exceção.