Homenagem aos 80 anos de Dona Ivone Lara: E a mulher recriou o samba

“Mas porque será que eu coloquei esses sapatos”, ironiza Dona Ivone Lara, magestosamente em seu vestido encorpado, tirando os sapatos apertados para se render aos chamados da cadência. Para ilustrar estas palavras, escritas em 1940 por Dorival Caymmi, em seu clássico “Samba da minha terra”: “quem não gosta do samba, não é um bom sujeito”.” É ruim da cabeça, ou doente do pé.”

Ícone sambista, rara mulher compositora, celebra sobre o palco do Teatro Rival, no Rio de Janeiro, seus 80 anos de idade e seu novo (e sétimo) disco, “Nasci para sonhar e cantar”, diante uma platéia de “gente do meio” e outros apaixonados do gênero. Como Beth Carvalho, passionaria do samba pagode, corrente surgida no fim dos anos 70, Elton Medeiros, ativista do samba, parceiro dos grandes Nelson Sargento e Paulinho da Viola, ou a nova diva da MPB Marisa Monte. Seus sucessos são repetidos de cor: “Os cinco bailes da história do Rio”, primeiro samba enredo escrito por uma mulher, em 1965, “Sonho Meu”, escrito com o fiel parceiro Delcio Carvalho e gravado por Maria Bethânia e Gal costa, “Tendência”, sucesso de 1981, ou “Tiê Tiê”, composto há 12 anos, em homenagem a um pássaro recebido de presente, hoje no repertório como um cri-cri inseparável.

Comunidade chinesa em Paris sofre com a violência

Quem se arrisca a um passeio por Belleville, a leste de Paris, pode ter uma desagradável surpresa. O bairro que, rapidamente, transforma-se no reduto da comunidade chinesa, vem sofrendo com o aumento da criminalidade, com pequenos furtos nas ruas e lojas comerciais. Conhecidos por sua discrição, os asiáticos do bairro estão exasperados: “somos as principais vítimas dos delinqüentes”, reclama um comerciante.
– Isso acontece não é de hoje, mas dessa vez eles excederam os limites – continua.
Pho, 38, gerente de um laboratório fotográfico, observa através de sua pequena vitrine a chegada de bandos que se aproximam dos automóveis quando páram no sinal vermelho. “Um jovem abre a porta do carro, de repente, e leva as sacolas que estavam no banco traseiro”, relata.
– Se prestarem atenção vão ver que as mulheres não carregam mais sacolas ou bolsas de mão. Preferem conservar o dinheiro em seus bolsos – continua.
O perfil dos delinqüentes, “é de jovens de origem africana ou árabe, que conhecem os nossos hábitos”, afirmam vários comerciantes. Um destes hábitos é pagar em dinheiro vivo, o que sempre aumenta a cobiça dos assaltantes. “Alguns de nossos conterrâneos não têm documentos, logo, recebem em dinheiro e os vadios sempre tentam levar-lhes os seus salários”, explica um comerciante.
Eles dizem, ainda, que a comunidade chinesa em Paris “faz a própria lei para parar com a delinqüencia, “mas nunca ví nada igual”, conclui.