Autoridades proíbem mesquita radical na Alemanha

Associação Fussilet 33 era frequentada pelo autor do atentado a um mercado de Natal e seu líder é acusado de radicalizar jovens muçulmanos e enviar pessoal e armas para o Oriente Médio

Por Redação, com DW – de Berlim:

 

Autoridades proibiram uma mesquita radical de Berlim que foi frequentada por Anis Amri, o autor do atentado terrorista a um mercado de Natal em dezembro passado, comunicou a polícia da capital alemã nesta terça-feira.

Policiais diante do prédio onde funcionava a mesquita Fussilet 33, no bairro de Moabit
Policiais diante do prédio onde funcionava a mesquita Fussilet 33, no bairro de Moabit

A autorização para o fechamento do local é de duas semanas atrás, e há uma semana a própria mesquita fechou as portas. Nesta terça-feira, a polícia fez buscas em 24 imóveis da capital alemã. Em conexão com a proibição. Ao todo, 450 agentes participaram da ação.

A associação religiosa Fussilet 33. Nome que faz referência ao endereço da mesquita no bairro de Moabit. É considerada um reduto de radicais islâmicos e teria enviado pessoal e equipamento militar para regiões em conflito no Oriente Médio, como a Síria.

jovens muçulmanos

O líder da associação, que está em prisão preventiva, é acusado de radicalizar jovens muçulmanos.

A Fussilet 33 era monitorada pelo serviço secreto interno da Alemanha. Pelo menos 10 pessoas que estavam na lista de radicais islâmicos das autoridades frequentavam o local. Em janeiro de 2005, as instalações da mesquita já haviam sido alvo de operações de busca pela polícia.

Polícia alemã descobre ser mentira denúncia contra refugiados sobre assédio sexual

Neonazistas alemães querem expulsar os refugiados recebidos pela política de portas abertas de Angela Merkel

A polícia alemã informou, no último dia 13, que “durante a noite de Réveillon, não houve ataques em massa de refugiados na Fressgass. As acusações são infundadas”

 

Por Redação, com agências internacionais – de Frankfurt, Alemanha

 

Uma investigação da polícia alemã revelou que eram mentirosos os relatos de abuso sexual supostamente cometidos por refugiados no último Réveillon em Frankfurt. O suposto ataque foi noticiado no último dia 5 pelo jornal alemão Bild.

Neonazistas alemães querem expulsar os refugiados recebidos pela política de portas abertas de Angela Merkel
Neonazistas alemães querem expulsar os refugiados recebidos pela política de portas abertas de Angela Merkel

A publicação classificou como “assédio em massa” os relatos de que um grupo de homens, de aparência árabe, teriam molestado mulheres que estavam em um bar na Fressgass. Trata-se de uma tradicional rua de bares e restaurantes na cidade ao sul da Alemanha.

Mentiras deslavadas

A polícia alemã informou, no último dia 13, que “durante a noite de Réveillon, não houve ataques em massa de refugiados na Fressgass. As acusações são infundadas”. “Entrevistas com testemunhas, clientes e empregados levaram a grandes dúvidas quanto à versão dos eventos que foi apresentada inicialmente”, diz o relatório policial.

Uma das vítimas do suposto ataque relatou ao Bild que “eles (os homens árabes) me tocaram embaixo da minha saia, entre as pernas e no meu peito”. A investigação da polícia, no entanto, apontou que essa mulher sequer estava em Frankfurt na noite do Réveillon.

Funcionários do bar onde teria ocorrido o caso e donos de outros estabelecimentos na mesma rua afirmaram não ter lembrança de qualquer incidente durante o Ano-Novo. O registro de ocorrências policiais também não aponta incidentes na Fressgass durante a festa de Réveillon.

Pedido de desculpas

Duas pessoas estão sob investigação por espalharem os falsos rumores e desperdiçar os recursos policiais. Com circulação diária de cerca de 3 milhões de exemplares, o Bild é o maior jornal da Europa. Em nota divulgada neste domingo, o jornal pediu desculpas pela reportagem.

“A equipe editorial do Bild pede desculpas pela reportagem não verdadeira e as acusações aos envolvidos. Essa reportagem não corresponde de forma alguma aos padrões jornalísticos do Bild”. O texto foi retirado do site do jornal.

Logo após a publicação da reportagem, o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) criticou a segurança da cidade. A sigla, de cunho neonazista, tem discurso anti-imigração. E ataca a política da chanceler Angela Merkel de portas abertas aos refugiados. Ao investigar o dono do bar, Jan Mai, a polícia descobriu na página do Facebook dele publicações de apoio à AfD.

Portas abertas

Depois da investigação policial apontar que os relatos de assédio eram falsos, o partido recuou. “Nossa avaliação do caso foi obviamente errada”, afirmou o líder da AfD em Frankfurt, Rainer Rahn.

A crise dos refugiados e o temor com a insegurança serão temas importantes da eleição federal alemã, marcada para setembro.

Os ataques a mulheres no Réveillon de Colônia em 2016 impulsionaram as críticas à política de Merkel. O país recebeu quase 1 milhão de refugiados em 2015.

Em campanha eleitoral, Merkel quer destinar mais dinheiro para Defesa

Angela Merkel, Alemanha

Merkel vem sofrendo crescente pressão desde a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, para alcançar a meta da OTAN de gastos com defesa

 

Por Redação, com agências internacionais – de Stralsund, Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou neste sábado que seu país precisa cumprir seus compromissos para impulsionar os gastos com defesa e alcançar a meta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O valor é de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Merkel quer elevar os gastos com armamentos militares e tropas até o limite de 2% do PIB

Merkel quer elevar os gastos com armamentos militares e tropas até o limite de 2% do PIB

O país vem sofrendo crescente pressão desde a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, para alcançar a meta da OTAN de gastos com defesa, que foi acertado entre os 28 membros da aliança em 2014.

— Obrigações precisam ser cumpridas e outros no mundo vão exigir que nós, e eu acredito que eles estejam certos, façamos isso — afirmou Merkel em uma campanha eleitoral no distrito eleitoral de Stralsund, no nordeste da Alemanha.

Nas urnas

Os conservadores de Angela Merkel e o partido de centro-esquerda Social Democrata (SPD) estão empatados na última pesquisa Emnid, sete meses antes das eleições federais na Alemanha.

A pesquisa, realizada para o jornal Bild and Sonntag, mostrou que o SPD vem crescendo nas últimas semanas. O crescimento ocorre desde que indicou o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz como candidato. Mas perdeu um ponto percentual desde a última pesquisa, ficando com 32% das intenções de voto.

O bloco conservador de Merkel manteve o mesmo percentual nas duas pesquisas, também 32%.

O bloco anti-imigração Alternativa para a Alemanha ficou em terceiro lugar, com 9%. O partido de extrema-esquerda Linke teve 8% das intenções de voto. Já o Partido Verde e o pró-negócios Free Democrats (FDP) ficaram ambos com 7%.

A pesquisa foi feita com 1.880 pessoas entre os dias 16 e 22 de fevereiro.

Hollande se aborrece com declarações de Donald Trump sobre Paris

Hollande, desmoralizado por sua política frouxa diante da ultradireita francesa, é atacado por Donald Trump

Durante um discurso, na sexta-feira, Trump repetiu suas críticas à maneira de a Europa lidar com os ataques de grupos radicais islâmicos. Disse que um amigo não queria mais levar sua família a Paris

 

Por Redação, com agências internacionais – de Paris

 

Presidente francês, François Hollande reagiu, neste sábado, aos comentários do colega norte-americano, Donald Trump, de que “Paris não era mais Paris”. Trump referia-se aos ataques terroristas de grupos radicais islâmicos, cobrando apoio a países aliados.

— Há terrorismo e temos que lutar contra isso juntos. Eu acredito que nunca é bom mostrar o menor sinal de provocação a um país aliado. Eu não faria isso com os Estados Unidos e estou insistindo com o presidente dos Estados Unidos a não fazer isso com a França — disse Hollande.

Hollande, desmoralizado por sua política frouxa diante da ultradireita francesa, é atacado por Donald Trump
Hollande, desmoralizado por sua política frouxa diante da ultradireita francesa, é atacado por Trump

Segundo o presidente francês, há diferenças culturais consideráveis entre os dois países.

— Não farei comparações, mas aqui as pessoas não tem acesso a armas. Aqui, você não tem pessoas abrindo fogo em uma multidão simplesmente pela satisfação de causar drama e tragédia — disse o presidente francês. Ele respondia às perguntas de jornalistas, durante uma visita a Feira de Agricultura de Paris.

Ataque de Trump

Durante um discurso na Conferência da Ação Política Conservadora, na sexta-feira, Trump repetiu suas críticas à maneira de a Europa lidar com os ataques de grupos radicais islâmicos. Disse que um amigo não queria mais levar sua família a Paris.

Mais de 200 pessoas morreram em uma série de ataques na França desde o começo de 2015 e o país está em estado de emergência desde novembro do mesmo ano.

Suspeitos

Enquanto Hollande respondia a Trump, em uma feira de agricultura, a Justiça francesa prendia duas pessoas, em paris, sob investigação formal e prisão. Tratam-se de suspeitos por de viajar para Síria, para se reunir com integrantes de facções extremistas. Também, por planejar ataques na França, segundo divulgou a agência inglesa de notícias Reuters, neste sábado, citando fontes.

Os dois foram presos na última terça-feira junto com uma terceira pessoa por agentes de inteligência nas cidades de Clermont-Ferrand e Marselha, e na região de Paris.

Os presos enfrentam acusações de conspiração para cometer ato terrorista e posse de armas, disse a fonte. A terceira pessoa foi solta.

De acordo com a fonte, há uma possível ligação entre essas duas pessoas e outros presos. Ambos os casos estão ligados a outra ação da polícia em Montepellier, por suspeita de um ataque iminente à França.

O país está sob alerta desde janeiro de 2015, depois de uma série de ataques de radicais islâmicos. Nos atentados, morreram cerca de 230 pessoas.

Atentado na Alemanha deixa três feridos, um em estado grave

Alemanha, Heidelberg, atentado

Em nota, a polícia da Alemanha afirmou que o suspeito foi visto deixando o veículo com uma faca e foi depois e encontrado, com a ajuda de uma testemunha, em uma piscina

 

Por Redação, com agências internacionais – de Heidelberg, Alemanha

 

Um homem atacou com um veículo um grupo de pessoas em frente a uma padaria na cidade de Heildelberg, no sul da Alemanha, deixando três feridos, um deles seriamente, informou a polícia local.

A polícia cercou o local onde o carro foi atirado contra pedestres, em uma pequena cidade da Alemanha
A polícia cercou o local onde o carro foi atirado contra pedestres, em uma pequena cidade da Alemanha

O porta-voz da polícia, David Faulhaber, afirmou à agência inglesa de notícias Reuters que ainda não era possível dizer se o incidente pode ou não ser considerado um ataque terrorista.

Em nota, a polícia afirmou que o suspeito foi visto deixando o veículo com uma faca e foi depois e encontrado, com a ajuda de uma testemunha, em uma piscina. No momento da prisão, o homem foi atingido a tiros por um policial e está no momento no hospital, em estado grave.

As investigações sobre o caso estão a cargo da polícia e da promotoria de Heidelberg. Segundo o jornal Rhein-Neckar Zeitung, o homem teria distúrbios mentais e jogou propositalmente o carro contra as pessoas.

As autoridades alemãs estão em alerta desde que um tunisiano que teve seu pedido de asilo negado jogou um caminhão em uma feira de natal em Berlim, no dia 19 de dezembro, matando 12 pessoas.

Conservadores de May ganham assento no parlamento britânico

Os conservadores conquistaram o assento de Copeland, região do noroeste onde o Partido Trabalhista dominava desde 1935

Por Redação, com Reuters – de Londres:

O Partido Conservador da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, obteve uma vitória história em uma eleição parlamentar extraordinária nesta sexta-feira, fortalecendo sua posição às vésperas das negociações da desfiliação britânica da União Europeia, o chamado Brexit, enquanto seus rivais sofreram contratempos danosos.

Primeira-ministra britânica, Theresa May, durante evento em Londres
Primeira-ministra britânica, Theresa May, durante evento em Londres

Os conservadores conquistaram o assento de Copeland, região do noroeste onde o Partido Trabalhista dominava desde 1935. O primeiro êxito obtido por um partido governista em uma votação de preenchimento de vaga parlamentar em 35 anos. Um resultado que aumenta a pressão sobre o líder socialista opositor Jeremy Corbyn, já sob fogo cerrado.

Em Stoke-on-Trent, cidade do centro da Inglaterra, Paul Nuttall, líder do oposicionista, populista e anti-UE Partido da Independência do Reino Unido. Não conseguiu superar uma maioria trabalhista apesar de quase 70 %  dos eleitores locais terem apoiado o Brexit no referendo do ano passado. Também lançando dúvidas seu futuro.

Os conservadores também viram sua fatia de votos crescer em Stoke na comparação com a eleição de 2015.

Os dois resultados apontam para um aumento do poder político de May na sequência da votação do Brexit. E serão usados como indício de que sua estratégia de buscar um rompimento total com a UE. Está contendo o populismo de direita crescente sem afetar sua capacidade de roubar votos de um Partido Trabalhista cada vez mais à esquerda.

Embora os trabalhistas tenham evitado o pior cenário de duas derrotas, Corbyn deve enfrentar novas críticas.

Resultado

– O resultado… é um desastre para nós. Não deveríamos tentar insultar a inteligência das pessoas insinuando outra coisa – disse o parlamentar trabalhista John Woodcock à rádio BBC.

Muitos de seus colegas temem que a liderança de Corbyn esteja prejudicando sua luta por um Brexit “mais suave”. Que preservaria laços mais próximos com o mercado comum da UE. E que sua pauta da esquerda esteja tornando o partido inelegível antes do pleito nacional de 2020.

– Na verdade estamos a caminho de uma derrota histórica e catastrófica – afirmou Woodcock.

– Este é um momento em que o país realmente precisa de uma oposição eficiente. Eles precisam de uma alternativa ao que acho ser uma abordagem muito prejudicial que o governo conservador está adotando na questão da saída da União Europeia – disse.

Apesar do desassossego já antigo nos primeiros escalões de seu partido, é improvável que Corbyn tenha sua posição desafiada porque tem um apoio forte do movimento de base dos trabalhistas, que o reelegeu no ano passado após um golpe malsucedido.

Representante da ultradireita francesa elogia Donald Trump

Candidata francesa reitera críticas à Otan e à União Europeia, focando na figura de Merkel. Populista de direita defende a independência nacional e diz que novo presidente dos EUA representa uma mudança positiva

Por Redação, com DW e Reuters – de Paris:

A candidata de extrema direita e líder nas pesquisas eleitorais para presidente da França Marine Le Pen promoveu uma nova rejeição pública ao comércio global e à governança multilateral, defendendo a importância da identidade cultural e da independência nacional.

Marine Le Pen, se recusou a ser interrogada pela polícia quando foi convocada pelos policiais na quarta-feira. Em um caso em que é acusada de fazer pagamentos ilegais para funcionários com recursos da União Europeia. Disse seu advogado nesta sexta-feira.

Le Pen, atenderá a quaisquer convocações após as eleições deste ano, disse seu advogado, Rudolphe Bosselut, à agência inglesa de notícias Reuters.

Em pesquisas de opinião, Le Pen aparece como favorita no primeiro turno
Em pesquisas de opinião, Le Pen aparece como favorita no primeiro turno

Em uma palestra sobre política externa em Paris, na quinta-feira. Le Pen criticou duramente a União Europeia (UE) e a Otan. Ela também denunciou o que chama de intromissão ocidental em países como Iraque, Síria, Líbia, Rússia e Turquia. Algo, que segundo ela, aumentou a instabilidade, quebrou compromissos bilaterais e traiu os desejos do povo.

– Eu não quero promover um sistema francês ou ocidental. Eu não quero promover um sistema universal – disse Le Pen para o público repleto de repórteres, diplomatas e apoiadores. Em uma sala elegante de conferências na avenida dos Campos Elísios. “Pelo contrário, quero promover o respeito a culturas e povos.”

O discurso de Le Pen ofereceu um contraponto à imagem mais agressiva da base do seu partido. A Frente Nacional, que carrega uma imagem de agremiação populista anti-imigrante e anti-muçulmana. A candidata afirmoun que a França sob seu governo seria um país defensor das “pessoas oprimidas. Que fala para os que não têm voz e projeta algo poderoso e grandioso”.

Le Pen não respondeu a nenhuma pergunta e continuou a falar calmamente. Mesmo depois de uma integrante do grupo Femen, nua, tentar interromper o discurso. A manifestante foi carregada, ainda gritando, para fora da sala.

Favorita nas pesquisas

Pesquisas divulgadas nesta quinta-feira confirmaram que Le Pen continua a ser a candidata favorita nesta eleição presidencial cheia de surpresas. Apesar de seu envolvimento recente em um escândalo sobre o uso impróprio de verbas da União Europeia. Para pagar funcionários da Frente Nacional.

No entanto, quase todas as pesquisas apontam que ela deve vencer o primeiro turno das eleições presidenciais em abril. Mas perder o segundo turno, previsto para ocorrer em maio.

Para Le Pen, de 48 anos, o discurso de quinta-feira foi sua segunda chance em uma semana de aprimorar suas credenciais em matéria de política externa.

Líderes europeus já manifestaram desprezo em relação à populista de direita. Mas ela se saiu melhor no início da semana no Líbano. Onde se encontrou com o presidente e o primeiro-ministro do país. Ela também provocou polêmica ao cancelar uma reunião. Com um líder muçulmano libanês depois de se recusar a usar o véu.

– Ir ao Líbano mostrou que ela pode parecer presidencial – disse Philippe Moreau Defarges, pesquisador do Instituto Francês de Relações Internacionais em Paris. Chamando a atenção para o fato de o Líbano ser uma antiga colônia francesa. Possuir uma importante comunidade cristã – tema-chave para a Frente Nacional –, Moreau Defarges afirmou que a viagem “permitiu que Le Pen parecesse tanto uma patriota quanto uma cristã”.

Velhos e novos temas

Em seu discurso de quinta-feira, Le Pen abordou alguns temas conhecidos, como as críticas à União Europeia, à OTAN e ao livre comércio. Mas ela também adentrou em um novo território. Ou pelo menos ofereceu novas nuances – ao descrever uma nova relação com a África, baseada em “franqueza, respeito e cooperação mútua”.

No entanto, grande parte do discurso foi pouco específico. Le Pen pediu segurança ambiental sem definir o que é isso. E não abordou questões-chave, como se a França iria aderir ao acordo nuclear com Irã sob sua liderança. Também não disse se o país iria apoiar uma solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos.

– Se você não prestar atenção aos detalhes e apenas ouvir a retórica, soa muito francês. E como um legalismo muito clássico – disse Manuel Lafont Rapnouil, chefe do escritório em Paris do Conselho Europeu de Relações Exteriores, ao descrever o discurso tradicional de Le Pen.

– Se você prestar um pouco mais de atenção, trata-se de um claro afastamento do tipo de política externa desempenhada pela França desde a guerra fria – apontou.

Aumento das despesas em defesa

No tema da defesa, Le Pen reiterou sua aversão à Otan. Ela pediu uma política baseada nos interesses nacionais franceses e prometeu elevar os gastos de defesa da França para 2% do PIB – e novamente aumentar para 3% ao final do seu mandato de cinco anos.

Sobre o Oriente Médio, ela criticou os esforços ocidentais para chegar a acordos com a oposição moderada da Síria. O que, segundo ela, “ajudou a armar o ‘Estado Islâmico'”.

A candidata disse que cortar relações com o regime do ditador Bashar al-Assad foi “mais do que um erro” e algo que fez com que a França ficasse mais vulnerável ao terrorismo. “Quantos ataques em solo francês as relações com os serviços sírios poderiam ter evitado?”, perguntou Le Pen.

Elogios a Trump

Le Pen também fez um novo apelo para aprimorar as relações com Moscou, argumentando que a Rússia foi “maltratada” tanto pela UE como pelos Estados Unidos. O cancelamento, em 2014, por parte da França, de um negócio envolvendo a venda de navios de guerra para Moscou por causa do conflito na Ucrânia, disse Le Pen, foi um exemplo inquietante.

Sem surpreender ninguém, Le Pen fez elogios ao presidente dos EUA, Donald Trump. Ela foi um das primeiras políticas estrangeiras a saudar a vitória do norte-americano nas urnas, em novembro passado, mesmo antes de esta ser formalmente anunciada.

Criticando o ex-presidente Barack Obama pelo o que chamou de política externa fracassada no Oriente Médio e em outros lugares, Le Pen previu que o atual governo Trump vai representar “uma espécie de mudança de software que não apenas será positiva para o mundo, mas também para os Estados Unidos”.

Críticas à Alemanha de Merkel

Le Pen gastou uma parte significativa de seu discurso criticando a União Europeia, elegendo a chanceler alemã Angela Merkel como alvo principal. “A concepção dessa Europa fracassada promovida por Merkel desafia a compreensão”, disse.

Se eleita, Le Pen promete renegociar um novo acordo com a UE ou, se isso não der certo, pelo menos realizar um referendo sobre o “Frexit”, a saída do país do bloco.

Após o Brexit no Reino Unido, a UE está sentindo o peso da onda nacionalista. Na vizinha Holanda, o político de extrema direita Geert Wilders também lidera as pesquisas para as eleições de março.

– A questão para a Alemanha é: se deve fazer disso um casus belli ou lidar com as cartas que você tem?”, questionou Lafont Rapnouil. “Assim como o Brexit não era o que todos os membros da UE queriam, você tem que tirar o melhor disso tudo para ambos os lados, e não promover algum tipo de olho por olho estéril”, aponta o analista.

– Será um relacionamento muito difícil e frio – afirma Moreau Defarges sobre as relações diplomáticas entre os principais líderes europeus e Le Pen. “Claro, Merkel ou Teresa May receberão Le Pen como chefe de Estado. Mas será uma grande crise europeia – um terremoto – se ela for eleita.”

Postura contraditória

Le Pen também disse que reformularia as relações com a África, rompendo com o “discurso moralizante” da França em relação às suas ex-colônias e, em vez disso, se concentrando na “não interferência, que não significaria indiferença”.

Ela pediu mais ajuda para o desenvolvimento, particularmente a focada na agricultura, e para manter a presença militar francesa em países como Mali, Chade e Camarões que estão todos lutando contra o terrorismo islâmico

Contudo, essa postura suscita contradições, ressalta Lafont Rapnouil. As operações africanas da França foram realizadas em cooperação com as Nações Unidas e com o apoio da UE – justamente as instituições multilaterais que Le Pen rejeita.

– Como isso funcionaria com uma política externa da Frente Nacional que não é favorável à integração da UE na defesa – e que não está interessada na ONU? – questionou.

Polícia francesa investiga se líder da extrema direita paga guarda-costas com dinheiro público

As detenções desta quarta-feira ocorreram após uma operação policial realizada no inicio da semana na sede do partido de Le Pen

Por Redação, com Reuters – de Paris

A polícia francesa colocou o guarda-costas e a chefe de gabinete da candidata presidencial de extrema-direita Marine Le Pen sob custódia nesta quarta-feira para interrogá-los a respeito de uma suposta malversação de fundos da União Europeia para pagar assistentes parlamentares, disse o advogado de Le Pen.

Guarda-costas e a chefe de gabinete de Le Pen questionados pela polícia da França
Guarda-costas e a chefe de gabinete de Le Pen questionados pela polícia da França

Le Pen repudiou o lance mais recente de um caso de má conduta financeira que a colocou sob os holofotes. Assim como outro presidenciável de destaque. François Fillon, político de direita que está sendo investigado devido a fundos públicos. Com os quais teria remunerado a esposa e os filhos.

Temerosa de que sua imagem e sua dianteira nas pesquisas de intenção de voto possam ser atingidas. Le Pen disse nesta quarta-feira que está convencida de que os eleitores não irão se deixar levar pelo que seu advogado, Marcel Ceccaldi, chamou de “manipulação” concebida para desestabilizá-la.

– Os franceses sabem a diferença entre escândalos genuínos e truques políticos sujos – afirmou Le Pen, que anteriormente já havia negado qualquer irregularidade no caso, a repórteres.

Os dois detidos para interrogatório são seu guarda-costas, Thierry Legier, e sua chefe de gabinete, Catherine Griset. Figuras centrais na investigação iniciada em reação a exigências do Parlamento Europeu. De que Le Pen devolva dinheiro com o qual foi acusada de pagar ambos indevidamente.

Pesquisas de opinião

Le Pen vem aparecendo de maneira consistente nas pesquisas de opinião como favorita ao primeiro turno de 23 de abril. Mas também se prevê que irá perder o segundo turno de 7 de maio. Seja para Fillon ou para o independente centrista Emmanuel Macron.

As detenções desta quarta-feira ocorreram após uma operação policial realizada no inicio da semana na sede do partido de Le Pen, a Frente Nacional, no extremo oeste de Paris. Enquanto ela estava no exterior.

A intenção de voto em Fillon caiu após o escândalo envolvendo seu nome veio à tona em janeiro. Mas desde então seus números se estabilizaram e ele está mais numa disputa acirrada com Macron pela segunda vaga para o segundo turno da eleição.

 

Casa Branca transmitiu mensagem cética em relação à UE, dizem fontes

Bannon, disseram as fontes, sinalizou ao embaixador da Alemanha em Washington que vê a UE como uma estrutura falha e que prefere conduzir as relações com a Europa de forma bilateral

Por Redação, com Reuters – de Berlim:

Na semana que antecedeu a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, a Bruxelas e sua promessa de um compromisso “firme e duradouro” dos EUA com a União Europeia, o estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, se reuniu com um diplomata alemão e transmitiu uma mensagem diferente, de acordo com pessoas a par das conversas.

Estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, durante coletiva de imprensa do presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington
Estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, durante coletiva de imprensa do presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington

Bannon, disseram as fontes, sinalizou ao embaixador da Alemanha em Washington que vê a UE como uma estrutura falha. E que prefere conduzir as relações com a Europa de forma bilateral.

Três pessoas que foram informadas sobre a reunião falaram à agência inglesa de notícias Reuters sob condição de anonimato. Devido à delicadeza do assunto. O governo alemão e o embaixador, Peter Wittig, não quiseram comentar, citando a confidencialidade das conversas.

Um funcionário da Casa Branca que conversou com Bannon em resposta a uma indagação da Reuters confirmou que a reunião ocorreu. Mas disse que o relato da Reuters foi impreciso. “Eles só conversaram por cerca de três minutos e foi só um alô rápido”, afirmou.

Fontes

As fontes descreveram um encontro mais longo, durante o qual Bannon levou o tempo que quis para expor sua visão de mundo. As fontes disseram que sua mensagem foi semelhante à que transmitiu em uma conferência no Vaticano em 2014. Quando estava a cargo do site de direita Breitbart News.

Naqueles comentários, feitos via Skype, Bannon falou de maneira favorável sobre movimentos populistas europeus. Ele descreveu um anseio por nacionalismo por parte de pessoas que “não acreditam nesta espécie de pan-União Europeia”.

A Europa Ocidental, afirmou ele à época, foi erguido tendo com base “movimentos nacionalistas fortes”, acrescentando. “Acho que é o que pode nos levar adiante”.

Encontro

O encontro perturbou integrantes do governo alemão. Em parte porque algumas autoridades vinham alimentando a esperança de que Bannon pudesse moderar suas opiniões. Uma vez no governo dos EUA e demonstrar uma mensagem mais matizada sobre a Europa em conversas particulares.

Uma fonte a par da reunião disse que ela confirmou a visão de que a Alemanha e seus parceiros europeus devem se preparar para uma política de “hostilidade em relação à UE”.

Uma segunda fonte expressou o temor, baseado em seus contatos com Washington, de que não se esteja valorizando o papel do bloco na manutenção da paz e da prosperidade na Europa do pós-guerra.

– Parece não existir na Casa Branca a compreensão de que um desmonte da UE teria consequências graves – disse a fonte.

França prende homens por suspeitas de planejamento de ataque

Os três foram presos por agentes da inteligência francesa nas cidades de Clermont-Ferrand e Marselha, e na região de Paris, disseram as fontes

Por Redação, com ReutersRFI – de Paris:

Três homens foram presos na França e estão sendo interrogados pelos serviços antiterrorismo por suspeitas de planejarem ir à Síria ou planejarem ataques na França, disseram nesta terça-feira fontes policiais e judiciais.

Três homens foram presos na França e estão sendo interrogados pelos serviços antiterrorismo por suspeitas de planejarem ir à Síria
Três homens foram presos na França e estão sendo interrogados pelos serviços antiterrorismo por suspeitas de planejarem ir à Síria

Os três foram presos por agentes da inteligência francesa nas cidades de Clermont-Ferrand e Marselha, e na região de Paris, disseram as fontes.

Os suspeitos “foram presos como parte de uma investigação preliminar iniciada em janeiro por suspeitas de saírem para a Síria ou cometerem um ato na França”, disse uma fonte.

Turismo

Cerca de 1,5 milhão de turistas deixaram de ir a Paris no ano passado devido à ameaça terrorista. Mostra relatório publicado nesta terça-feira pelo Comitê de Turismo da Île-de-France, região onde fica a capital francesa. A informação é da Radio France Internationale (RFI).

Os atentados de 2015 em Paris assustaram os turistas. Especialmente os estrangeiros. No ano passado, os hotéis registraram queda total de 9% em suas reservas de visitantes em relação a 2015.

A baixa mais significativa está entre os turistas chineses: quase 270 mil deixaram de visitar Paris – uma diminuição de 21,5%. No entanto, no setor hoteleiro, os japoneses são os principais responsáveis pelos prejuízos. Eles fizeram 225 mil reservas a menos em 2016, o que corresponde a uma queda de 41,2%.

Entre os visitantes europeus, os russos foram os que mais deixaram de ir à capital francesa. Paris recebeu cerca de 65 mil visitantes da Rússia em 2016, uma diminuição de 27,6%. Depois deles, estão italianos (-26,1%), espanhois (-9,9%) e britânicos (-8,6%).

Monumentos e centros culturais

Os monumentos e centros culturais também sofreram com os atentados. A Torre Montparnasse. O Arco do Triunfo, os museus do Louvre e d’Orsay, além do Castelo de Versalhes e da Disneylândia, registraram quedas importantes no número de visitantes. O único dos grandes centros culturais a registrar aumento foi o Pompidou, que teve alta de 9% na frequência de turistas.

Segundo Comitê de Turismo da Île-de-France, o setor registrou perda total de € 1,3 bilhão em 2016. A instituição reconhece que esperava números ainda piores.

O comitê também destaca aumento de 12,5% no número de turistas que foram a Paris em novembro e dezembro do ano passado. Em relação ao mesmo período de 2015. Cerca de 581 mil visitantes foram à capital francesa atraídos pela programação de fim de ano, Natal e Ano-Novo.

Mobilização

Para recuperar o setor em 2017, as autoridades francesas se mobilizam. A presidente da região da Île-de-France, Valérie Pécresse. Diz que não poupa esforços para atrair mais turistas este ano. Investindo na segurança, na qualidade do acolhimento e em campanhas de informação.

Apesar da ameaça terrorista, a França continua sendo o primeiro destino turístico no mundo. No total, cerca de 83 milhões de turistas estrangeiros visitaram o país no ano passado. Ou seja, 2 milhões a menos que o recorde registrado em 2015.