Homem-bomba mata sete e fere 20 em atentado no Afeganistão

O homem-bomba explodiu um carro cheio de explosivos em frente à agência de um banco

Entre as vítimas do homem-bomba estavam quatro civis e três soldados. Dezesseis civis e quatro soldados ficaram feridos, segundo as informações do porta-voz

 

Por Redação, com Reuters – de Lashkar Gah, Afeganistão 

 

Um homem-bomba deixou sete mortos e feriu 20 pessoas em frente a um banco na capital da província Helmand, no Afeganistão, neste sábado. Ele estacionou o carro e detonou os explosivos próximo a um veículo do Exército afegão, enquanto soldados chegavam ao banco em Lashkar Gah para retirar seus pagamentos, disse o porta-voz do governo de Helmand, Omar Zwak.

Homem-bomba

O homem-bomba explodiu um carro cheio de explosivos em frente à agência de um banco
O homem-bomba explodiu um carro cheio de explosivos em frente à agência de um banco

Entre os mortos estavam quatro civis e três soldados. Dezesseis civis e quatro soldados ficaram feridos, segundo as informações do porta-voz. A ONG italiana Emergency, que administra um hospital local, disse que uma mulher e uma criança estão entre os feridos.

Não houve reivindicação de autoridade imediata. O Talebã, no entanto, conquistou grandes áreas de Helmand. E tem ameaçado com frequência Lashkar Gah. Insurgentes do grupo radical islâmico sitiam a cidade há meses. Eles controlam dez dos 14 distritos de Helmand, onde se produz 85% do ópio do país, a principal fonte de renda.

Chanceler alemã e premiê britânica fazem coro contra discriminação a imigrantes

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Tanto Angela Merkel quanto Theresa May disseram ao presidente dos EUA que sua política contrária aos imigrantes fere tratados internacionais. Um deles é o de Genebra, considerado um dos mais importantes na questão dos refugiados

 

Por Redação – de Berlim e Londres

 

A primeira-ministra Theresa May e a chanceler Angela Merkel fizeram coro contra as restrições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imigração. May pronunciou-se depois de ser criticada por parlamentares de seu próprio partido por não condenar o decreto quando questionada, inicialmente.

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes
Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Em uma visita à Turquia no sábado, ela foi questionada três vezes sobre o movimento de Trump em estabelecer um período de quatro meses para permitir a entrada de refugiados nos Estados Unidos. Ele proibiu, temporariamente, a entrada de viajantes da Síria e de outros seis países de maioria muçulmana. A justificativa é que isso protegerá os norte-americanos de islamistas violentos.

Pressão britânica

May havia voado para a Turquia dos Estados Unidos. Ela foi a primeira líder estrangeira a encontrar-se com o novo presidente dos EUA para conversações que ela chamou de bem-sucedidas. Ainda assim, não respondeu sobre a política de refugiados. Mas, após ser atacada por seu próprio partido, o porta-voz dela disse que o Reino Unido discorda da proibição de Trump.

— A política de imigração nos Estados Unidos é uma questão para o governo dos Estados Unidos. Assim como a política de imigração para este país deve ser definida pelo nosso governo — disse ele.

E acrescentou:

— Mas não estamos de acordo com este tipo de abordagem e não é uma que iremos seguir. Estamos estudando este novo decreto presidencial para ver o que significa. E quais são os efeitos jurídicos. Em particular, quais são as consequências para os cidadãos do Reino Unido — afirmou.

Merkel e os imigrantes

A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, conversou com presidente dos EUA, por telefone. Ela lhe disse que a luta global contra o terrorismo não é desculpa para proibir que refugiados ou pessoas de países de maioria muçulmana entrem nos Estados Unidos, afirmou neste domingo o porta-voz.

— Ela está convencida de que mesmo a necessária e decisiva batalha contra o terrorismo não justifica colocar pessoas de um passado ou fé específicos sob suspeita geral — disse o porta-voz Steffen Seibert.

Convenção de Genebra

De acordo com ele, o governo alemão lamenta a proibição da entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Merkel prometeu rever as consequências para os cidadãos alemães com dupla nacionalidade. E que a Alemanha “representará seus interesses, se necessário, em relação aos nossos parceiros dos EUA”.

Ele disse que Merkel expressou suas preocupações a Trump durante um telefonema no sábado. Ela lembrou-lhe que as Convenções de Genebra exigem que a comunidade internacional receba refugiados de guerra por motivos humanitários.

As declarações de Seibert são os primeiros indicativos de discórdia entre Merkel e Trump sobre o tema.

Exército da Síria expulsa insurgentes e retoma manancial que abastece Damasco

Homens do exército sírio fazem o reconhecimento do terreno abandonado por extremistas islâmicos

O Exército da Síria e seus aliados lançaram uma ofensiva no mês passado para expulsar insurgentes do vale de Wadi Barada, que eles controlavam desde 2012

 

Por Redação, com agências internacionais – de Wadi Barada e al-Bab, Síria

 

Forças do governo sírio retomaram o controle de uma área perto de Damasco que fornece a maior parte da água usada na capital, depois de alcançar um acordo para que combatentes rebeldes se retirassem, disseram a imprensa pró-governo e um grupo de monitoramento.

Homens do exército sírio fazem o reconhecimento do terreno abandonado por extremistas islâmicos
Homens do exército sírio fazem o reconhecimento do terreno abandonado por extremistas islâmicos

O Exército da Síria e seus aliados lançaram uma ofensiva no mês passado para expulsar insurgentes do vale de Wadi Barada, que eles controlavam desde 2012, e para recapturar uma importante fonte de água e estação de bombeamento.

Água na Síria

Os principais grupos rebeldes sírios estão sob intensa pressão, depois de perderem áreas que mantinham no norte da cidade de Aleppo para forças do governo no fim do ano passado, e agora enfrentam também ataques de militantes islâmicos em outras regiões.

Wadi Barada, a noroeste de Damasco, tornou-se um dos campos de batalha mais sangrentos da guerra civil da Síria. A interrupção do fornecimento de água, incluindo danos às estruturas, vinha causando severo racionamento na capital ao longo deste mês.

“O Exército sírio entrou… e hasteou a bandeira sobre a instalação da fonte de água”, disse a unidade em comunicado, acrescentando que o avanço ocorreu após um acordo de retirada dos rebeldes da área.

Novo front

De acordo com fontes militares, os terroristas do grupo Daesh (ou Estado Islâmico) estão se preparando para abandonar a cidade de al-Bab, no norte do país, no meio da ofensiva turca.

— Tendo em conta a última informação proveniente da região, o Daesh está se preparando para deixar al-Bab, como resultado da operação das forças militares turcas, — informou a fonte, citada pelo jornal turno Hurriyet.

A fonte sublinhou também que, de acordo com os dados da inteligência em sua posse, o Daesh transferiu seus centros de comando para Tadif, localizado ao sul de al-Bab.

O exército da Turquia está realizando a operação militar Escudo de Eufrates contra o grupo Daesh desde 24 de agosto. As forças turcas, juntamente com soldados da oposição síria armada, tomaram o controle da cidade síria de Jarablus e atualmente estão realizando uma ofensiva para retomar al-Bab.

Irã recusa negociar acordo mesmo sob risco de novas sanções dos EUA

Trump, que tomará posse na sexta-feira, ameaçou acabar com o acordo. O tratado restringe o programa nuclear do Irã, em troca da suspensão das sanções contra o país

 

Por Redação, com Irna – de Teerã

 

O Irã não vai renegociar seu acordo nuclear com as potências mundiais. Mesmo que enfrente novas sanções dos Estados Unidos depois que Donald Trump assumir a Presidência norte-americana. A afirmação é do vice-chanceler iraniano, Abbas Araqchi, neste domingo.

O vice-chanceler Araqchi afirmou que o Irã não pretende renegociar o acordo nuclear assinado com os EUA
O vice-chanceler Araqchi afirmou que o Irã não pretende renegociar o tratado nuclear assinado com os EUA

Trump, que tomará posse na sexta-feira, ameaçou acabar com o entendimento. O tratado restringe o programa nuclear do Irã, em troca da suspensão das sanções contra o país.

— Não haverá renegociação e o acordo não será reaberto — disse Araqchi. Ele é o principal negociador nuclear iraniano nas negociações que levaram ao acordo em 2015, citado pela agência iraniana de notícias Irna.

Ainda segundo Araqchi, os iranianos e outros analistas acreditam que o (tratado) está consolidado.

Novas sanções

— O novo governo dos EUA não será capaz de abandoná-lo. As negociações nucleares com os Estados Unidos acabaram e não temos mais nada a discutir — acrescentou. Araqchi concedeu a entrevista coletiva em Teerã. É a primeira realizada um ano depois que o acordo entrou em vigor.

Para o negociador, “é bem provável que o Congresso dos EUA ou a próxima administração aja contra o Irã e imponha novas sanções”.

Sob o acordo do Irã com os Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Rússia e China, a maioria das sanções da ONU foi levantada há um ano. Mas o Irã ainda está sujeito a um embargo de armas da ONU e outras restrições, que não são tecnicamente parte do tratado nuclear.

Exército de Israel abre fogo contra posições do Hamas na Palestina

Os tanques de Israel invadiram a Faixa de Gaza, na Palestina, e abriram fogo contra o Hamas

O Ministério do Interior do Hamas confirmou que o posto foi atingido na região de Al-Fukhari, na Palestina. Fica perto da fronteira com Israel. Os palestinos alegaram que tanques e escavadeiras israelenses já haviam cruzado a fronteira

 

Por Redação, com agências internacionais – da Faixa de Gaza

 

Tanques das Forças de Defesa de Israel atacaram e destruíram, neste domingo, uma posição do Hamas na Faixa de Gaza. O ataque, segundo o governo de Benjamin Netanyahu, ocorreu em resposta ao fogo aberto na Zona Sul, informou a mídia local.

Os tanques de Israel invadiram a Faixa de Gaza, na Palestina, e abriram fogo contra o Hamas
Os tanques de Israel invadiram a Faixa de Gaza, na Palestina, e abriram fogo contra o Hamas

O Ministério do Interior do Hamas confirmou que o posto foi atingido na região de Al-Fukhari. Fica perto da fronteira com Israel. Os palestinos alegaram que tanques e escavadeiras israelenses já haviam cruzado a fronteira. Porta-voz militar israelense disse não poder confirmar a alegação.

Os militantes palestinos em Gaza, liderados pelo movimento islâmico Hamas, e Israel já encararam três guerras desde 2008. A Faixa de Gaza está bloqueada por Israel há uma década, aproximadamente. Segundo a nação israelense, tal atitude é necessária para impedir que Hamas importe armas ou materiais, que poderão ser usados para fabricação das mesmas.

Salto no escuro

Enquanto Israel abria fogo contra os palestinos, em Paris, a conferência em curso com as potências ocidentais parece ser o último ato de uma série de compromissos em favor de um processo de paz baseado na solução de dois Estados. O encontro ocorre antes do salto no desconhecido que representa o futuro governo dos Estados Unidos.

Um mês antes de sua saída da Casa Branca, a administração Obama surpreendeu sobre a questão ao se abster em uma resolução no Conselho de Segurança da ONU condenando os assentamentos israelenses,  para desgosto do presidente eleito Trump, que pediu o veto de Washington.

Alguns dias mais tarde, em um discurso na forma de testamento político, o secretário de Estado americano, John Kerry, que participa da conferência, denunciou novamente a colonização e reiterou os parâmetros de referência para a solução do conflito.

Ocidente pressiona Trump para aceitar criação do Estado da Palestina

Cerca de 70 países, incluindo importantes países europeus e árabes, bem como os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, estão em Paris para discutir a criação do Estado da Palestina. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou o encontro, classificando-o como “fútil”

 

Por Redação, com agências internacionais – de Paris

 

As grandes potências sinalizaram, neste domingo, ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que uma solução com dois Estados para israelenses e palestinos é a única solução para o Oriente Médio. A França alertou Trump de que os planos para mudar a embaixada norte-americana para Jerusalém poderiam prejudicar os esforços para a paz.

Jean-Marc Ayrault escreveu artigo em que aponta solução para o Oriente Média, com a criação do Estado Palestino
Jean-Marc Ayrault escreveu artigo em que aponta solução para o Oriente Média, com a criação do Estado da Palestina

Cerca de 70 países, incluindo importantes países europeus e árabes, bem como os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, estão em Paris para uma reunião que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou como “fútil”. Nem os israelenses nem os palestinos serão representados no encontro.

No entanto, apenas cinco dias antes de Trump ser empossado presidente, a conferência fornece uma plataforma para os países enviarem fortes sinais ao futuro presidente norte-americano. Trump prometeu perseguir mais políticas pró-Israel e mudar a embaixada dos EUA de Tel Aviv, onde está localizada há 68 anos, para Jerusalém, o que praticamente consagra a cidade como a capital de Israel, apesar das objeções internacionais.

Resolução internacional

Chamando de provocação, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, disse que a mudança teria sérias consequências na prática.

— Não se pode ter uma posição tão clara, tão unilateral. Você precisa criar condições para a paz — disse ele ao canal France 3.

Paris afirmou que a reunião não irá impor nada sobre Israel ou sobre os palestinos. Apenas negociações diretas poderão resolver o conflito.

Um comunicado de imprensa visto pela agência inglesa de notícias Reuters reafirma resoluções internacionais existentes, pede que ambos os lados reafirmem seu comprometimento com a solução de dois Estados e repudiem autoridades que a rejeitem. O comunicado pede que os protagonistas “se abstenham de passos unilaterais que prejulguem o resultado das negociações”.

Colonização

A solução de dois Estados (criação de um Estado palestino que coexista em paz com Israel) “está em perigo”, reforçou Ayrault. Ele escreveu um artigo publicado na nos jornais francês Le Monde e no israelense Haaretz.

“A colonização israelenses nos territórios palestinos, os atentados palestinos em Israel, frustrações, radicalização do discurso, negociações completamente paralisadas há dois anos… A cada dia que passa, nos distanciamos ainda mais das perspectivas de uma resolução do conflito”, escreveu Ayrault.

Anúncio concreto

A conferência deste domingo não levará a um anúncio concreto. Mas a um comunicado que recordará os textos de referência sobre o conflito israelense-palestino. Abordará, ainda, os princípios aceitos pela comunidade internacional em quase 70 anos.

“Parece ser importante, no contexto atual, que 70 países reafirmem que a solução de dois Estados é a única possível. É tão simples quanto isso, não é mais do que isso. Precisamos que essa posição seja gravada e defendida neste período de incerteza”, explicou um diplomata francês.

China e Egito promovem novo alinhamento no Oriente Médio, avalia analista

Com a mídia comercial dedicada apenas à Síria, praticamente não se levou ao conhecimento do público o afastamento Arábia Saudita/Egito, sob a sempre crescente influência da China como ator hoje já crucial no Oriente Médio

 

Por Christina Lin – de Washington

 

A separação Riad-Cairo começou em abril de 2016, quando o presidente do Egito Abdel Fattah al-Sisi aceitou ceder o direito territorial sobre duas de suas ilhas no Mar Vermelho, Tiran e Sanafir, em troca de lucrativos contratos e a promessa de que Riad garantiria apoio diplomático ao governo do Egito.

Mas a cessão do território despertou a fúria da população egípcia, com o ex-candidato á presidência (2014) Hamdeen Sabahi denunciando que a cessão violava a Constituição do Egito. O fato provocou ataques à legitimidade de Sisi por ter se ‘rendido’ à antes sempre orgulhosa nação árabe do Egito, aos sauditas.

A analista geopolítica Christina Lin observa o realinhamento de países do Oriente Médio com a China, a Rússia e o Irã
A analista geopolítica Christina Lin observa o realinhamento de países do Oriente Médio com a China, a Rússia e o Irã

Adiante, a Suprema Corte do Egito anulou o acordo,. Em setembro, a anulação foi anulada e hoje tramita, novamente, para se anular a anulação. Atualmente, ninguém sabe com certeza se as ilhas continuarão a pertencer ao Egito ou se serão anexadas à Arábia Saudita, marcando o que Issandr El Amrani, do International Crisis Group, descreve como um relacionamento “baseado numa espécie de renegociação passiva-agressiva perpétua”.

China, Egito e Eurásia

Em outubro último, a fissura aprofundou-se. Teerã convidou o Egito para participar das conversações internacionais sobre a Síria e, dias depois, o Cairo votou a favor da resolução do Conselho de Segurança da ONU, proposta pela Rússia, de apoio ao governo sírio. Riad retaliou, cortando 700 mil toneladas de produtos refinados de petróleo, como parte do acordo e US$ 23 bilhões assinado no início de 2016.

Apesar de o Egito já ter mantido no passado boas relações com o rei Abdullah da Arábia Saudita, o relacionamento azedou depois que subiu ao trono o rei Salman mais amistoso em relação à Fraternidade Muçulmana – que é considerado grupo terrorista no Egito. Nesse contexto, Sisi começou a afastar o Cairo, do eixo Arábia Saudita, Turquia e Qatar no Oriente Médio.

O apoio do governo Obama à Fraternidade Muçulmana aprofunda no Egito o sentimento de o país ter sido traído pelos EUA, acrescido das ameaças dos Republicanos de cortar a ajuda a Sisi, por causa do que definem como “legislação antidemocrática” de Sisi, e do arrocho imposto pelas condições do FMI para não suspender subsídios à energia. Suspensão que pode desestabilizar ainda mais o Egito, mergulhado em ondas de ataques terroristas.

Oriente Médio

Bem diferente de Washington, Sisi vê Assad como uma muralha secular de defesa contra o extremismo islamista no Levante. Se Assad cair, o Líbano e a Jordânia cairão em seguida, e o Egito não quer acabar como a Líbia, com a Fraternidade e outras facções estraçalhando o país. Resposta a tudo isso, o Cairo se volta na direção de Rússia e Irã, formando o que a ex-professora de Oxford University Sharmine Narwani descreve como um novo “Arco de Segurança” contra o terror no Oriente Médio.

Com o Egito mudando sua posição para mais perto de Síria e Irã, solidifica-se a emergente coalizão eurasiana de Síria, Irã, Rússia, China e Índia. Forma-se, portanto, a grande e nova divisão que separa a Coalizão Eurasiana, em luta contra o terrorismo salafista, e a atual Coalizão de EUA/Turquia/Arábia Saudita/Qatar, que apoia jihadistas salafistas, tentando provocar mudança de regime na Síria.

Mais do que isso, com o Egito, que é a grande nação árabe sunita, já se alinhando ao governo sírio e o bloco eurasiano, o argumento de Riad – que não se cansa de repetir que o conflito na Síria seria conflito sectário – perde absolutamente todo o sentido.

Canal do Suez

Cairo também está rapidamente aprofundando seus laços com a China para ajudar a estabilizar a própria economia. Como maior estado comercial do mundo, a economia que rapidamente se aproxima de ser a maior do planeta, com a União Europeia como principal mercado para exportação, o comércio e o bem-estar econômico da China ainda dependem do Canal de Suez como importante rota de sobrevivência.

China e Sisi reconhecem que o apoio externo para a Fraternidade Muçulmana e o terrorismo que está crescendo no Sinai ameaçam a estabilidade do Canal de Suez. Esta, inseparavelmente ligada ao próprio desenvolvimento econômico e ao futuro do Egito. Segundo fontes militares, a colaboração de Morsi com grupos jihadistas do Sinai foi fonte do desentendimentos e eventual ruptura.

Na verdade, com US$5 bilhões anuais de renda que lhe vem dali, o Canal é fonte vital de moeda forte para um país que sofreu grave redução no turismo e nos investimentos exteriores desde 2011. Por tudo isso, a China ajudou a construir a Zona Econômica do Canal de Suez.

E, agora, tem planos para construir uma capital comercial-empresarial de US$45 bilhões a leste do Cairo. Pronta para investir US$15 bilhões em projetos de eletricidade, transporte e infraestrutura. Alguns desses projetos são financiados pelo Banco Asiático para Investimento e Infraestrutura chinês (BAII) do qual o Cairo é membro fundador.

Democracia de peões

A União Europeia também pode participar desses projetos. A maioria dos países europeus já se associaram ao BAII (EUA e Japão decidiram manter-se de fora). Sem dúvida, abre-se aí a possibilidade para China e UE coordenar o próprio Fundo Juncker da UE e o BAII, para cofinanciar projetos em terceiros países. Seguem em linha com a Política da Vizinhança Europeia para integrar no Mediterrâneo os vizinhos orientais e ocidentais e do sul.

Artigo recente publicado no jornal Al Ahram fala do desconforto no Egito contra a política de intervencionismo/mudança de regime dos EUA como a causa dessa ‘deriva’ do país em direção à Eurásia. E o presidente de Al Ahram El-Sayed Al-Naggar elogiou a iniciativa chinesa OBOR, “One Belt One Road” (Um Cinturão, Uma Estrada), como “exemplo de cooperação pacífica, com justiça, igualdade e liberdade para os países escolherem com quem preferem relacionar-se”. E que faz agudo contraste com o modo como os EUA “exploram as democracias como peões num jogo, para chantagear outros países” e “política vil, obsessiva de invasões”, que destruiu o Iraque, a Líbia e agora tenta destruir a Síria com “suas hordas de terroristas bárbaros”.

Essa visão ecoa com o que disse um colaborador já veterano do diário Asia Times, George Koo. Ele criticou a visão de liderança dos norte-americanos, comparando-a ao Projeto OBOR de Xi Jinping. O projeto do governo chinês é inclusivo e oferece “cooperação e colaboração como um caminho para a prosperidade de todos”. Enquanto “Obama vive de oferecer uma ‘cobertura’ de mísseis e uma trilha de morte e destruição”.

Realinhamento

Como disse a professora japonesa Saya Kiba na revista do Center for Strategic and International Studies (CSIS), a recente separação entre Filipinas e EUA não é movida pela quantidade de ajuda econômica ou militar que EUA ou China garantam ao país. Mas porque os dois blocos operam sobre valores opostos. Enquanto os EUA divulgam e tentam impor uma definição muito estreita de democracia e direitos humanos, que só cuida de encenar eleições e só tem expressão política, sem atenção séria ao engajamento de longo prazo para combater o terrorismo, ou a redução da miséria, a posição da China – de total não interferência e total respeito à soberania dos parceiros – vem ganhando cada vez mais atração nos países em desenvolvimento.

Para Duterte, a política dos EUA “é potencialmente de atropelar a soberania das Filipinas”, preocupação que também existe no Egito de Sisi e em outros aliados. Assim sendo, sem profunda reformulação da política exterior de invasões dos EUA, parece que o novo arco de segurança no Oriente Médio. E, para o Oriente Médio, continua a firmar-se cada vez mais. A paisagem geopolítica no Oriente Médio está em visível processo de realinhamento.

Christina Lin é bolsista do Centro de Relações Transatlânticas da Universidade SAIS-Johns Hopkins, onde se especializou nas relações entre a China, o Oriente Médio e o Mediterrâneo. É também consultora para o Centro de Inteligência Química, Biológica, Radiológica e Nuclear da Jane no IHS Jane’s.

Artigo publicado, originariamente, no Asia Times Online e traduzido para o português pelo Coletivo Vila Vudu.

Banho de sangue na Síria ‘é o preço que se paga’, diz Assad

Síria, Aleppo

Bashar al-Assad admitiu que a decisão de combater os rebeldes resultou na morte de mais de 310 mil pessoas em pouco mais de cinco anos

Por Redação, com ABr – de Paris:

Em uma entrevista concedida à mídia francesa, depois da retomada total da cidade de Aleppo pelas forças de Damasco, o presidente sírio, Bashar al-Assad, falou sobre o conflito que massacra o povo há mais de cinco anos. O “banho de sangue” na Síria é “dolorido”, mas “é o preço que se paga”, afirmou à Rádio França Internacional.

A cidade de Aleppo, na Síria, foi duramente castigada durante os conflitos  
A cidade de Aleppo, na Síria, foi duramente castigada durante os conflitos

– Claro que é dolorido para nós, sírios, ver uma parte de nosso país destruído e ver um banho de sangue. (…). Todas as guerras provocam destruição, todas as guerras provocam mortos. (…). Você não pode dizer que uma guerra é boa.

– Nunca ouvi falar, na história, de uma boa guerra. Mesmo que ela aconteça por boas razões, para defender seu país, não é a solução – explicou o presidente sírio às rádios France Info e RTL e ao canal de televisão LCP.

Bashar al-Assad admitiu que a decisão de combater os rebeldes resultou na morte de mais de 310 mil pessoas em pouco mais de cinco anos. “A questão que se deve fazer é. Como você pode libertar os civis dos terroristas nessas áreas (bairros rebeldes)?”. Perguntou a um repórter. “O que é melhor. Abandoná-los nas mãos de terroristas que os decapitam, que os assassinam? O papel do Estado é ficar de braços cruzados?”, questionou.

A caminho de uma vitória

Para Assad, a reconquista de Aleppo foi “um momento crítico no conflito sírio”, mas o regime está “a caminho de uma vitória”. Entretanto, a verdadeira façanha será, segundo o presidente sírio, “quando teremos eliminado todos os terroristas”.

Segundo ele, seria inadmissível não ter agido em Aleppo. Retomada pelo regime sírio das mãos dos rebeldes no dia 22 de dezembro, com a ajuda da Rússia. A cidade se tornou o símbolo da catástrofe humanitária na Síria, com os civis no fogo cruzado entre insurgentes, forças do governo e russas, e diante do fracasso da comunidade internacional em tentar encontrar uma saída para a situação.

– Tínhamos que libertar os civis. Esse é o preço que pagamos. E, no final, as pessoas estão livres dos terroristas –  alegou.

Damasco se refere aos insurgentes como terroristas, sem fazer distinção entre os rebeldes sírios e os membros do grupo Estado Islâmico.

A Rússia passou a apoiar Assad com a justificativa de combater unicamente os jihadistas. Apesar da denúncia de Organizações Não Governamentais e da população dos bombardeios indiscriminados que, durante mais de um ano, não pouparam nem rebeldes, nem civis.

EI explode principal fonte de gás da Síria

Síria, explosão

Por ser a principal fonte de gás do país, milhões de sírios sofrerão com a falta de um aquecimento adequado para os próximos meses de inverno

Por Redação, com Ansa – de Beirute:

O grupo terrorista Estado Islâmico explodiu e danificou o maior depósito de gás natural da Síria, localizado na região central do país. Inicialmente, a explosão foi anunciada pela agência de notícias dos jihadistas, a Amaq, que publicou uma foto e um vídeo que mostravam alguns militantes do grupo na sede da Hayyan Gas Company, localizada na província de Homs, um pouco antes dos explosivos terem sido detonados na tarde de domingo. As informações são da agência Ansa.    

Estado Islâmico explode principal fonte de gás da Síria
Estado Islâmico explode principal fonte de gás da Síria

Segundo o site Al-Masdar News, as imagens divulgadas pela Amaq realmente são de Hayyan. No entanto, ainda não é possível confirmar se o poço de gás natural. Antes de 2011 chegava a produzir cerca de 3 milhões de metros cúbicos de gás por dia, foi completamente destruído. Por ser a principal fonte de gás do país. Milhões de sírios sofrerão com a falta de um aquecimento adequado para os próximos meses de inverno.

Negociações de paz

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou nesta segunda-feira, que o seu governo está pronto para negociar com os rebeldes “sobre tudo”. Mas ressaltou que ainda não está claro quem representará a oposição nas discussões.

As negociações de paz entre o governo sírio e os grupos rebeldes começarão no dia 23 próximo, em Astana, no Cazaquistão. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu. A Turquia, ao lado da Rússia e do Irã, foi o principal negociador do acordo de cessar-fogo. Assinado pelos dois lados do conflito sírio que entrou em vigor em 30 de dezembro do ano passado.

Papa exorta líderes globais a trabalharem juntos contra ‘praga do terrorismo’

O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro

O papa Francisco falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro em seu tradicional discurso. Ele deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna, em Istambul

 

Por Redação, com Reuters – de Roma

 

O Papa Francisco disse, neste domingo, que é urgente que líderes globais trabalhem juntos para combater “a praga do terrorismo”. Ele afirmou, em seu discurso de Ano Novo, que uma mancha de sangue cobre o mundo em sua entrada em 2017.

O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro
O papa Francisco, pouco antes de seu discurso, foi abraçado pela multidão que o aguardava na Praça de São Pedro

O líder católico falou para cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro, em seu tradicional discurso. O papa deixou de lado por um momento o texto que havia preparado. E, com tristeza, condenou o ataque a uma casa noturna em Istambul que matou ao menos 40 pessoas.

— Infelizmente, a violência nos atingiu mesmo nessa noite em que desejamos o bem e a esperança. É com dor que expresso minha solidariedade ao povo turco. Eu rezo pelas muitas vítimas e pelos feridos e por toda a nação em luto — disse.

Ele disse que o ano de 2017 será o que as pessoas fizerem dele.

— Peço ao Senhor que sustente todos os homens de bem para que com coragem levantem suas mangas e lutem contra a praga do terrorismo e sua mancha de sangue que está cobrindo o mundo com uma sombra de medo e uma sensação de perda — acrescentou o papa.

Piedade

Uma multidão que aguardava em uma manhã fria.

— Esse ano será bom à medida em que cada um de nós, com a ajuda de Deus, procurarmos fazer o bem dia após dia — afirmou.

No dia que a Igreja Católica Romana, com seus 1,2 bilhão de fiéis, celebra como de Paz Universal, ele disse que a paz foi construída ao se dizer “não” à violência e ao ódio e “sim” à reconciliação e à irmandade.

Mais cedo, na Basílica de São Pedro, o papa disse em uma homilia que a falta de contato físico entre as pessoas trazida por modernidades como a comunicação virtual “está cauterizando nossos corações e nos fazendo perder a capacidade de sentir ternura e admiração, piedade e compaixão”.