Trump fala em ‘caça às bruxas’ contra Jeff Sessions

Presidente dos EUA defende procurador-geral, acusado de mentir sob juramento sobre contatos com russos durante a campanha eleitoral. “Ele é um homem honesto”, diz Trump após democratas pedirem a renúncia do jurista

Por Redação, com DW – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa do procurador-geral Jeff Sessions, acusado de ter mentido sobre contatos com autoridades russas durante seu processo de confirmação no Senado e cuja renúncia foi pedida por democratas.

Sessions (esq.), a esposa Mary e Trump na Casa Branca
Sessions (esq.), a esposa Mary e Trump na Casa Branca

– Jeff Sessions é um homem honesto. Ele não disse nada de errado – afirmou Trump em mensagem publicada no Twitter. Embora tenha admitido que Sessions “poderia ter respondido de forma mais precisa” nas audiências. O republicano defendeu que qualquer falta de clareza “não foi intencional”.

– Essa narrativa é uma forma de os democratas manterem as aparências após perderem uma eleição que todos pensavam que eles venceriam. Os democratas estão se excedendo. Perderam as eleições e agora perderam a noção da realidade – acusou o presidente. “É uma verdadeira caça às bruxas”.

Nesta semana, o jornal The Washington Post revelou que Sessions realizou duas reuniões com o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak. Durante a campanha presidencial no ano passado. Os encontros aconteceram em julho e setembro, em meio a uma tempestade política pela suposta ingerência do governo russo nas eleições norte-americanas por meio de ataques cibernéticos.

Sessions, apoiador de Trump e assessor político do candidato republicano. Não divulgou que manteve essas comunicações durante sua audiência de confirmação no Senado, em janeiro. Quando foi questionado se alguém afiliado à campanha presidencial teria tido contato com os russos.

Após a revelação dos encontros, o Partido Democrata intensificou suas críticas contra Sessions. Afirmando que a explicação dele sobre as comunicações com o embaixador russo em 2016 é “simplesmente inacreditável”. A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, acusou o procurador-geral de mentir sob juramento e exigiu que ele renuncie.

Investigação

Na quinta-feira, Sessions afirmou, em pronunciamento à imprensa, que se afastará de qualquer investigação do Departamento de Justiça. Sobre a possível interferência do Kremlin no pleito presidencial. Ele ainda disse que nunca chegou a discutir sobre a eleição norte-americana com qualquer funcionário ou intermediário russo e descartou uma possível renúncia ao cargo. Como clamam os democratas.

O episódio ameaça criar uma nova crise no governo republicano, depois da renúncia, em fevereiro, do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o general Michael Flynn, que também manteve contatos com o embaixador Kislyak antes da posse de Trump. Por sua parte, o presidente sempre negou qualquer tipo de conexão de sua campanha presidencial com o Kremlin.

Alemanha detém sírio acusado de crimes de guerra

Homem de 35 anos seria membro de grupo ligado à Al Qaeda e teria executado dezenas de civis na Síria. Outro suspeito, que seria membro da mesma unidade de combate, foi preso pela autoridades alemãs

Por Redação, com DW – de Berlim:

Dois sírios suspeitos de serem membros da organização extremista Frente al-Nusra foram detidos na Alemanha, divulgou a polícia nesta quinta-feira. Um deles teria participado da execução de dezenas de civis na Síria, sendo acusado de crimes de guerra.

Prisões foram feitas nestas quarta e quinta-feira, em Düsseldorf e Giessen
Prisões foram feitas nestas quarta e quinta-feira, em Düsseldorf e Giessen

O Tribunal Federal de Justiça alemão afirmou que Abdalfatah H.A., detido na cidade de Düsseldorf. Ele é suspeito de envolvimento na morte de 36 funcionários do governo sírio em março de 2013. Ele teria executado uma sentença de morte sob a sharia (lei islâmica).

Uma porta-voz da corte se recusou a confirmar a informação divulgada pela mídia alemã de que o sírio chegou à Alemanha como requerente de asilo.

O outro suspeito. Abdulrahman A.A., de 26 anos, detido em Giessen. Pertencia à mesma unidade de combate de Abdalfatah H.A., e teria administrado fundos e veículos. Ambos participaram de uma batalha armada contra tropas do regime.

Ataque

Segundo procuradores, Abd Arahman A.K., sírio detido em junho passado por suspeita de planejar um ataque a bomba em Düsseldorf, também era membro da mesma unidade da Frente al-Nusra – ligada à Al Qaeda e que passou a se chamar Frente Fateh al-Sham (Conquista do Levante, em árabe) no ano passado.

Grupos defensores dos direitos humanos vêm pressionando governos para julgar pessoas suspeitas de cometer crimes de guerra e contra a humanidade na Síria, como parte dos esforços para solucionar a guerra civil no país, iniciada em 2011.

O Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) argumenta que na Síria a “impunidade é total, o que produz ainda mais violência”.

Sob o princípio da jurisdição universal, tribunais alemães podem julgar crimes cometidos fora do país. O juiz de instrução do Tribunal Federal de Justiça deve decidir ainda nesta quinta-feira se cabe aos dois sírios permanecer em prisão preventiva.

México diz que irá defender direitos de seus imigrantes

Miguel Ruiz Cabañas, subsecretário de direitos humanos, não mencionou os Estados Unidos, mas se referiu claramente à contenda com o presidente norte-americano, Donald Trump

Por Redação, com Reuters – da Cidade do México:

Uma autoridade de alto escalão do México disse a um fórum de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira que seu governo irá defender os direitos de seus imigrantes contra medidas de segurança discriminatórias.

Os mexicanos estão irritados com os clamores de Trump
Os mexicanos estão irritados com os clamores de Trump

Miguel Ruiz Cabañas, subsecretário de direitos humanos, não mencionou os Estados Unidos. Mas se referiu claramente à contenda com o presidente norte-americano, Donald Trump. Devido à sua proposta de construir um muro na fronteira. Entre os dois países e à política imigratória severa dos EUA.

Ruiz Cabañas também repudiou o que chamou de “ultranacionalismo populista”.

Medidas de segurança visando uma parte da população ou criminalizando certos grupos violam o Estado de Direito. São gravemente discriminatórias, afirmou Ruiz Cabañas em seu discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

– É por isso que o governo do México reitera seu compromisso de defender nossos cidadãos no exterior – disse.

– Queremos ter certeza de que todos os mexicanos estão cientes de seus direitos e de que sabem como reagir quando confrontados com possíveis violações.

Os mexicanos estão irritados com os clamores de Trump para que empresas dos EUA não invistam ao sul da fronteira. Com seus insultos a imigrantes e com as ameaças de obrigar o México a financiar o muro.

– Também reiteramos a convicção do México de que muros entre nações também são muros entre pessoas. E provocam extremismo e intolerância criando barreiras físicas e ideológicas que em nenhuma circunstância aceitaremos – afirmou o subsecretário.

Não houve reação imediata da delegação norte-americana.

Acordo

Ruiz Cabañas disse que seu país acaba de assinar um acordo com o escritório de direitos humanos da ONU, testemunhando “nossa cooperação e nossa abertura aos mecanismos de direitos humanos internacionais”.

O México vivenciou uma década terrível de violência do narcotráfico, uma mistura ameaçadora de assassinatos, acobertamentos e incompetência.

Na semana passada, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein. Disse em um comunicado sobre a assinatura do acordo que seu escritório irá apoiar os esforços de enfrentamento da impunidade e de garantia de responsabilização no México.

Isso inclui a investigação de desaparecimentos e torturas, os direitos dos povos indígenas, a proteção de ativistas e jornalistas e o acesso à Justiça, explicou Zeid.

Ataque a mesquita em Mossul mata civis e combatentes do EI

As forças do Iraque capturaram o lado leste de Mossul em janeiro, depois de 100 dias de combates, e lançaram um ataque aos bairros situados a oeste do rio Tigre no dia 19 de fevereiro

Por Redação, com Reuters – de Mossul:

Vários civis e membros do Estado Islâmico morreram em um ataque que atingiu uma mesquita administrada pelos militantes e danificou casas de uma vizinhança no oeste da cidade iraquiana de Mossul na quarta-feira, disseram três moradores nesta quinta-feira.

Soldados iraquianos durante operação em Mossul, Iraque
Soldados iraquianos durante operação em Mossul, Iraque

A mesquita de Omar al-Aswad, localizada no bairro de Al-Faruq, no centro da cidade velha, foi alvo de um ataque aéreo. Relataram os moradores da mesma área à agência inglesa de notícias Reuters por telefone.

Moradias vizinhas foram danificadas ou desmoronaram devido à explosão. Disseram eles, sem dar uma estimativa precisa das baixas, já que sua movimentação é limitada pelos militantes.

Um porta-voz da coalizão liderada pelos Estados Unidos disse não estar a par de um ataque visando a mesquita. Assessores de mídia dos militares do Iraque disseram que a batalha está em curso. E que tropas estão atacando o Estado Islâmico onde quer que possam. Mas não informou se a mesquita em questão foi alvejada.

Quando os jihadistas tomaram Mossul, em 2014. Ordenaram que a polícia e as Forças Armadas do país que permaneciam na cidade fossem para a mesma mesquita. Eles tiveram que entregar as armas e se registrar na base de dados do grupo. Em troca de um passe obrigatório para evitar sua prisão e execução nos postos de verificação dos militantes.

Forças do Iraque

As forças do Iraque capturaram o lado leste de Mossul em janeiro, depois de 100 dias de combates, e lançaram um ataque aos bairros situados a oeste do rio Tigre no dia 19 de fevereiro.

Uma derrota do Estado Islâmico em Mossul arrasaria a porção iraquiana do califado declarado pelo líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, em 2014 da grande mesquita de Nuri, localizada na mesma área da mesquita de Omar al-Aswad.

Parlamento Europeu retira imunidade de Marine Le Pen

Órgão legislativo da UE anuncia decisão em meio a investigações sobre imagens de vítimas do “Estado Islâmico” postadas pela candidata da extrema direita à presidência da França

Por Redação, com DW – de Paris:

O Parlamento Europeu retirou nesta quinta-feira a imunidade parlamentar de Marine Le Pen, candidata da extrema direita à presidência da França. A líder do partido Frente Nacional é acusada de divulgar imagens violentas, no caso de vítimas do grupo extremista “Estado Islâmico” (EI), postadas no Twitter.

Marine Le Pen é candidata à presidência na França e deputada no Parlamento Europeu
Marine Le Pen é candidata à presidência na França e deputada no Parlamento Europeu

Os legisladores decidiram por larga maioria privar Le Pen, que é deputada no Parlamento Europeu, de sua imunidade no caso. O qual começou a ser investigado por promotores franceses em 2015. Ela pode agora responder a processo.

Na ocasião, a candidata da extrema direita divulgou imagens de atrocidades cometidas pelo EI. Para, segundo ela, protestar contra comparações entre a Frente Nacional e o grupo extremista feitas por um apresentador de rádio. Entre as imagens está uma do jornalista americano James Foley. Le Pen retirou a imagem depois de os pais de Foley se mostrarem indignados.

A Justiça francesa abriu uma investigação por “difusão de imagens de violência” e pediu ao Parlamento Europeu que retirasse a imunidade parlamentar de Le Pen. O Parlamento acatou, por ampla maioria, a recomendação pela retirada da imunidade feita pela comissão responsável.

Decisão

A decisão divulgada nesta quinta-feira diz respeito apenas às postagens no Twitter e não a supostosdesvios de recursos do órgão legislativo da União Europeia (UE), dos quais Le Pen também é acusada.

Le Pen lidera as pesquisas eleitorais para a presidência da França, mas perderia no segundo turno, segundo as sondagens.

ONU diz que dois lados da guerra síria cometeram crimes em Aleppo

A coalizão liderada pelos Estados Unidos não realizou qualquer missão aérea ofensiva sobre Aleppo na segunda metade do ano

Por Redação, com Reuters – de Genebra:

Os dois lados da batalha pela cidade síria de Aleppo cometeram crimes de guerra, incluindo aeronaves do governo da Síria que bombardearam e alvejaram “deliberadamente” um comboio humanitário, matando 14 trabalhadores e interrompendo operações de ajuda, disseram investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.

Membros da Defesa Civil resgatam crianças após ataque aéreo na cidade síria de Aleppo
Membros da Defesa Civil resgatam crianças após ataque aéreo na cidade síria de Aleppo

Forças sírias e russas realizaram “ataques aéreos diários” contra o leste de Aleppo. Então dominado por rebeldes, entre julho e sua queda desde dezembro, matando centenas de pessoas e destruindo hospitais, disseram os investigadores em seu relatório mais recente.

Bombas de fragmentação foram “usadas de forma generalizada” e lançadas do ar em áreas densamente povoadas. Segundo o relatório, o que equivale ao crime de guerra de ataque indiscriminado.

Mas os investigadores não souberam dizer se tanto as forças sírias quanto as russas as utilizaram em Aleppo. Ou somente uma delas, nem atribuíram nenhum crime de guerra específico investigado às unidades russas.

– Durante o período em análise, os céus sobre a cidade de Aleppo e seus arredores foram controlados conjuntamente pelas Forças Aéreas síria e russa. Elas usaram predominantemente as mesmas aeronaves e armas. Com isso tornando a atribuição impossível em muitos casos – disse o documento.

O relatório da Comissão de Inquérito da ONU –divulgado simultaneamente às conversas de paz da Síria em Genebra. Cobrem o período entre julho e dezembro e se baseia em 291 entrevistas com vítimas e testemunhas. Além de análises de indícios forenses e imagens de satélite.

Violência

Helicópteros sírios lançaram bombas de gás cloro “no decorrer de 2016” em Aleppo. Um arma proibida que causou centenas de baixas civis na cidade, relatou o documento.

Ao menos 5 mil forças pró-governo também cercaram o leste de Aleppo para aplicar a tática “rendam-se ou passem fome”, de acordo com o relatório.

Grupos de oposição bombardearam o oeste de Aleppo, controlado por Damasco, matando e ferindo dezenas, disse o relatório. Eles impediram que os civis fugissem do leste da localidade, usando-os como “escudos humanos”, e atacaram o bairro residencial curdo de Sheikh Maqsoud, ambos crimes de guerra.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos não realizou qualquer missão aérea ofensiva sobre Aleppo na segunda metade do ano, disseram.

Aviões de guerra sírios e russos lançaram munições sem sistema de rastreamento, conhecidas como “bombas burras”, ao invés de bombas inteligentes que possuem sensores eletrônicos para encontrar seus alvos, afirmou o relatório.

Os investigadores acusaram o governo sírio de um ataque aéreo “planejado meticulosamente e realizado cruelmente” contra um comboio da ONU e do Crescente Vermelho da Síria em Orum al-Kubra, no oeste rural de Aleppo, em 19 de setembro que matou 14 agentes humanitários.

Trump tenta passar de beligerante a negociador

Trump foi menos beligerante e durão e mais inclusivo. Se cinco semanas atrás, na posse, acusou os políticos de Washington de serem elitistas desconectados da realidade

Por Redação, com Reuters – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou um lado diferente em seu primeiro discurso ao Congresso, em parte negociador, em parte vendedor, pedindo união e tentando reformular sua mensagem populista em termos mais palatáveis.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso ao Congresso
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso ao Congresso

Trump foi menos beligerante e durão e mais inclusivo. Se cinco semanas atrás, na posse, acusou os políticos de Washington de serem elitistas desconectados da realidade. Que prosperam à custa do povo, na noite de terça-feira sua mensagem foi diferente: preciso de vocês. Tanto republicanos quanto democratas.

Sempre um showman, o ex-apresentador de programa de TV transformado em político fez muitas promessas. Um programa vultoso de infraestrutura e obras públicas; cortes de impostos para a classe média; uma reforma imigratória; um novo sistema de saúde; um projeto de lei para a educação.

Tudo isso irá exigir aprovação do Congresso, provavelmente por meio de coalizões diferentes de conservadores, moderados e democratas.

– Essa é nossa visão. Essa é nossa missão – disse Trump. “Mas só podemos chegar lá juntos”.

Trump, um republicano que vem provocando os democratas devido à sua vitória eleitoral em 2016 e que expressou revolta pública por estes estarem atrasando suas indicações ao gabinete, não criticou seus opositores desta vez. Repetidas vezes ele pediu por sua ajuda, argumentando que os problemas do país exigem soluções bipartidárias.

Depois de semanas de ataques à mídia, a rivais políticos e a juízes que se pronunciaram contra seu decreto presidencial impedindo temporariamente a entrada de imigrantes de sete países de maioria muçulmana nos EUA, Trump finalmente suavizou a postura, embora suas propostas tenham carecido de detalhes.

– Foi um tom mais suave e ele fez um discurso, não um tuíte, e isso é mais adequado quando você é o presidente dos Estados Unidos – disse o deputado democrata Peter Welch. “Os desafios serão os detalhes de suas políticas”.

O consultor republicano Matt Mackowiak afirmou: “Ele foi presidencial hoje à noite de uma maneira que não havia sido antes disto”.

O pronunciamento

O pronunciamento pareceu mostrar alguma reconhecimento por parte da Casa Branca de que o estilo bombástico de Trump tem seus limites. Após um desfile de decretos presidenciais, agora o líder norte-americano precisa voltar sua atenção aos itens de peso de sua pauta que exigem ação legislativa.

– Ele fez tudo que pode unilateralmente – disse Bradley Blakeman, ex-assessor do presidente George W. Bush. “Agora ele precisa aprovar projetos de lei”.

Apesar do tom mais ameno, as políticas polêmicas de Trump e os meses de retórica hostil não serão esquecidos por seus adversários.

– Se você morou em uma caverna no último mês, pode pensar que este foi um discurso sensato, se você o vê todos os dias só enxerga isto como palavras – disse Rodell Mollineau, antigo assessor do ex-senador democrata

Trump diz que está aberto à discussão de plano para legalizar refugiados

Trump reafirmou que vai dar início à construção de um muro na fronteira com o México. Desta vez, no entanto, não mencionou a ameaça de cobrar a conta do país vizinho

Por Redação, com ABr – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais brando do que o de costume no primeiro discurso em uma sessão conjunta do Congresso norte-americano. O republicano defendeu a redução da entrada de imigrantes com baixa qualificação profissional e destacou a presença, no plenário, de familiares de vítimas de crimes cometidos por estrangeiros sem documentação. Apesar disso, ele sugeriu que republicanos e democratas busquem um consenso para reformar o sistema de imigração.

Trump reafirmou que vai dar início à construção de um muro na fronteira com o México
Trump reafirmou que vai dar início à construção de um muro na fronteira com o México

– Eu acredito que republicanos e democratas podem trabalhar juntos para conseguir um resultado que tem escapado ao nosso país durante décadas – disse Donald Trump.

Antes de ir ao Capitólio. O presidente conversou reservadamente com jornalistas na Casa Branca e foi mais explícito sobre o tema da imigração. Ele disse, encontro, segundo reportagem publicada pela rede de televisão CNN e pelo jornal The New York Times. “Este é o momento certo para uma projeto de lei de imigração. Desde que haja compromisso de ambas as partes”.

A afirmação marca uma mudança significativa na dura retórica adotada desde a campanha eleitoral, quando Trump prometeu deportar imigrantes ilegais. Cerca de 11 milhões de estrangeiros sem documentação vivem atualmente nos Estados Unidos.

Um alto funcionário do governo afirmou à imprensa norte-americana que a reforma permitiria que os ilegais beneficiados pela lei possam viver, trabalhar e pagar impostos sem o risco de serem deportados, desde que não tenham ficha criminal.

No congresso, o presidente disse também que o governo trabalha para aprimorar os procedimentos de permissão de ingresso de estrangeiros e que não se pode permitir que o país se torne um santuário para extremistas.

Muro na fronteira

Trump reafirmou que vai dar início à construção de um muro na fronteira com o México. Desta vez, no entanto, não mencionou a ameaça de cobrar a conta do país vizinho.

No discurso, ele condenou o recente ataque a dois cidadãos indianos, investigado como crime de ódio, e os casos de ameaça a centros judaicos e de vandalismo de cemitérios. Além disso, voltou a defender a revogação da lei que reformou o sistema de saúde, chamado de Obamacare.

No momento mais emocionado da noite, homenageou a viúva de um soldado da Marinha, morto em uma operação no Iêmen. “Ninguém é superior ou mais corajoso do que aqueles que lutam pelos Estados Unidos uniformizados”, disse. Os parlamentares aplaudiram longamente.

François Fillon anuncia que será investigado, mas mantém candidatura

Candidato conservador à presidência da França nega acusação de ter criado empregos falsos para a mulher e os filhos e afirma que ele e as eleições são vítimas de “assassinato político”

Por Redação, com DW – de Paris:

O candidato dos conservadores à presidência da França, François Fillon, disse nesta quarta-feira que vai ser formalmente investigado por ter supostamente criado empregos falsos para a mulher e os filhos, mas que mantém a sua candidatura às eleições de 23 de abril.

Não apenas eu estou sendo assassinado, mas a eleição presidencial", afirmou Fillon em Paris
Não apenas eu estou sendo assassinado, mas a eleição presidencial”, afirmou Fillon em Paris

Fillon disse em Paris que foi chamado para comparecer perante um juiz no dia 15 de março e negou as acusações. Classificando-as de assassinato político. Ele disse que não vai renunciar a sua candidatura. Porque “só o sufrágio universal e não um processo judicial” pode decidir quem será o próximo chefe do Estado francês.

– Não apenas eu estou sendo assassinado. Mas a eleição presidencial – acrescentou Fillon. “O Estado de Direito está sendo sistematicamente violado” e “a presunção de inocência desapareceu por completo”, afirmou.

Investigação

Na França, quando um suspeito é submetido a uma investigação formal (mise en examen). Isso significa que há indícios consistentes de que ele tenha cometido um crime. Fillon é suspeito de desvio de fundos públicos por ter alegadamente criado empregos fictícios para a mulher e os dois filhos.

Na manhã desta quarta-feira, o candidato conservador cancelou subitamente, sem apresentar qualquer explicação, uma visita ao Salão da Agricultura de Paris, parada obrigatória para qualquer candidato presidencial francês. Mais tarde, anunciou que faria uma declaração pública. O cancelamento alimentou rumores de que Fillon renunciaria à candidatura, o que acabou não acontecendo.

Donald Trump culpa Obama por vazamentos de informação

Presidente afirma que funcionários ligados ao antecessor estão por trás dos vazamentos para a imprensa e também de protestos contra legisladores republicanos e faz autocrítica sobre comunicação da Casa Branca

Por Redação, com DW – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que seu antecessor, Barack Obama, está por trás dos vazamentos de informações e dos protestos contra legisladores norte-americanos e reconheceu erros na comunicação de sua política migratória.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Em entrevista à emissora Fox News. Trump se referiu aos protestos regionais contra legisladores republicanos e aos vazamentos de informações sobre sua equipe de governo. “Acredito que o presidente Obama está por trás deles porque gente dele certamente está por trás deles. Também entendo que isso seja política.”

Trump afirmou que tem “alguma ideia” sobre quem estaria vazando informações à imprensa sobre o funcionamento da Casa Branca e de agências do governo e reiterou que ainda há “gente de outros governos, de outras administrações” no quadro de funcionários.

Ele também se referiu a uma informação do site Politico, que assegurou que o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. Recolheu os telefones de funcionários para confirmar que os vazamentos não vinham de seu departamento. “Sean é um bom ser humano. Eu teria feito isso de outra maneira, mas Sean fez do seu jeito e está ok para mim”, disse.

Dados

O presidente, que acabou de completar um mês no cargo, deu a si mesmo nota “C ou C+” em comunicação. “Em termos do que fizemos, acho que daria a mim mesmo um A. Porque acho que fizemos grandes coisas. Mas eu não acho que eu tenha – eu e minha equipe – explicado isso bem para o público norte-americano”, disse Trump na entrevista, gravada nesta segunda-feira.

Nesta terça-feira, Trump apresentará seus planos para o próximo ano num discurso ao Congresso depois de um início de governo agitado, marcado pela demissão do seu assessor de segurança nacional e um polêmico decreto que proibia a entrada nos Estados Unidos de pessoas de sete países de maioria muçulmana.

Entre as medidas a serem anunciadas pelo presidente está uma revisão das despesas com saúde e um incremento de US$ 54 bilhões nos gastos militares, o equivalente a cerca de 10% do valor atual.