Remessa de lucros ao exterior impulsiona novo déficit bilionário

Contas públicas

Apesar de representar um rombo maior na comparação anual, o dado de janeiro veio melhor que o déficit de US$ 5,3 bilhões estimado por analistas

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

O Brasil teve déficit em transações correntes de US$ 5,085 bilhões em janeiro, alta de 5,6% sobre igual mês do ano passado, com maior gasto líquido nas contas de serviços e maiores remessas de lucros e juros ao exterior ofuscando o desempenho positivo da balança comercial.

Contas públicas
Em fevereiro deste ano, houve déficit primário de R$ 23,040 bi, divulgou o Banco Central

Apesar de representar um rombo maior na comparação anual, o dado de janeiro veio melhor que o déficit de US$ 5,3 bilhões estimado por analistas em pesquisa Reuters.

Também foi coberto com folga por Investimentos Diretos no País de (IDP) de US$ 11,528 bilhões, acima da expectativa de mercado de US$ 9,1 bilhões.

Transportes

Na conta de serviços, o destaque ficou com os gastos líquidos de brasileiros fora do país, que somaram US$ 914 milhões em janeiro, ante apenas US$ 190 milhões no mesmo mês do ano passado. Os gastos com transportes também saltaram 151% na mesma base, a US$ 436 milhões.

Já na conta de renda primária, as remessas de lucros e dividendos subiram a US$ 870 milhões, sobre US$ 314 milhões em janeiro de 2016. As despesas líquidas de juros, por sua vez, avançaram 11,7%, a US$ 4,5 bilhões.

Atuando no sentido contrário, de diminuição do rombo, a balança comercial teve superávit de US$ 2,504 bilhões em janeiro. Foi muito superior à cifra de US$ 647 milhões um ano antes.

Desta vez, o saldo positivo foi fruto de um aumento nas exportações superior ao observado nas importações. Tudo isso, em meio a um cenário de valorização do preço de commodities.

Rombo

Nos últimos dois anos, o superávit vinha sendo obtido por quedas mais fortes nas importações que nas exportações. Com as compras de produtos estrangeiros sendo fortemente afetadas pela recessão econômica.

Em 12 meses, o déficit em transações correntes manteve-se em 1,30% do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo patamar de dezembro. Para 2017, o BC prevê déficit em transações correntes de US$ 28 bilhões. É maior do que o rombo de US$ 23,507 bilhões do ano passado, justamente por maiores remessas de lucros e dividendos para o exterior e gastos com viagens internacionais em função da modesta recuperação prevista para a economia.

A pesquisa Focus mais recente aponta uma expectativa de expansão de apenas 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Bancos e consultorias vêm melhorando suas projeções na esteira de surpresas positivas no lado da inflação. Também, por uma perspectiva de juros mais baixos para economia.

O BC registrou, ainda, entrada líquida de investimento em títulos negociados no país de US$ 502 milhões, no mês passado.

GM, Ford e VW pisam no freio e reduzem produção com folgas e férias coletivas

veículos

Depois das férias coletivas na GM, a Ford é a segunda fabricante com mais operários em lay-off (suspensão de contrato de trabalho). Ao todo, são 710 pessoas, o que equivale a 18% de seus 4 mil funcionários

 

Por Redação – de São Paulo

 

Seguindo a General Motors (GM), a montadora Ford também vai conceder férias coletivas de 21 dias a cerca de 3 mil trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo. Eles ficam em casa do dia 6 a 31 de março. Segundo a Ford, a parada ocorre para ajustar o volume de produção à demanda do mercado.

Setor de veículos
Em termos de produção, a estimativa dele é de que GM reduza a produção ao longo deste ano

Depois da GM, a Ford é a segunda fabricante com mais operários em lay-off (suspensão de contrato de trabalho). Ao todo, são 710 pessoas, o que equivale a 18% de seus 4 mil funcionários. Desse total, 450 estão afastados desde outubro e 260, desde janeiro de 2016. Esta é a segunda vez em menos de dois meses que a montadora concede férias coletivas. As últimas paradas havia sido entre 26 de dezembro de 2016 e 6 de janeiro de 2017.

Na terça-feira, a GM estendeu por 70 dias a manutenção de 751 metalúrgicos da fábrica de São Caetano do Sul, no ABC paulista, no regime de lay-off. A informação foi dada pelo sindicato da categoria. Há dois anos, esses funcionários estão parados.

Segundo o sindicato, o prazo para o fim do lay-off seria nesta quinta-feira, mas foi prorrogado até 19 de abril. Paralelamente, a montadora pretende abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV).

Férias coletivas

A expectativa dos líderes dos trabalhadores é ganhar tempo para tentar preservar os empregos ameaçados. Por meio de nota divulgada na segunda-feira (6), o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, Francisco Nunes, tinha manifestado a intenção de uma prorrogação por prazo um pouco maior, por mais três meses.

A unidade da GM em São Caetano do Sul tem cerca de 9,5 mil trabalhadores que entrarão em férias coletivas de 7 a 26 de março. Com o feriado de carnaval, eles ficarão em torno de um mês sem trabalhar.

A unidade de São José dos Campos também vai conceder férias coletivas para 2,2 mil trabalhadores, do total de 5 mil que atuam na fábrica. Eles interrompem as atividades na próxima segunda-feira, mas o retorno está programado para 2 de março.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o cancelamento da exportação de 15 mil veículos pela GM para o México levou a montadora a abrir férias coletivas na fábrica da cidade. O sindicato informou que vai pedir uma audiência pública com os ministros da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, e das Relações Exteriores, José Serra, para debater o tema.

Folgas estendidas

Incluída no Plano de Proteção ao Emprego (PPE), a unidade da Volkswagen em São José dos Campos adota folgas semanais às sextas-feiras. A parada será condensada em um período corrido, de 22 de fevereiro a 6 de março. Após o retorno, a carga horária será normalizada, de segunda a sexta. A montadora não comenta a interrupção.

As paralisações acontecem após um início de ano considerado positivo pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na segunda-feira, a entidade anunciou que a produção de veículos em janeiro cresceu 17,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, chegando a 174,1 mil unidades fabricadas.

As vendas de veículos, no entanto, registram queda de 5,2% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado. “O número de janeiro frustrou as nossas expectativas. Claro que tem a questão da sazonalidade [queda da produção típica do início do ano], mas esperávamos chegar, pelo menos, no mesmo nível de janeiro de 2016”, disse o presidente da Anfavea, Antonio Megale. A entidade mantém a projeção do setor para 2017.

— Continuamos com a previsão de crescimento de 4% na venda de autoveículos novos; 7,2% nas exportações e de 11,9% na produção — concluiu Megale.

Liminar impede julgamento da Bovespa de multa bilionária

Bovespa

O caso envolve a BM&F Bovespa e seria julgado nesta quarta-feira. Uma liminar obtida pela operadora da bolsa, na Justiça Federal, impediu a análise do processo

Por Redação – de São Paulo

A Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) retirou de pauta o julgamento de uma multa bilionária. O caso envolve a BM&F Bovespa e seria julgado nesta quarta-feira. Uma liminar obtida pela operadora da bolsa, na Justiça Federal, impediu a análise do processo.

Sem data

Bovespa
Multa de mais de R$ 1 bilhão pode complicar as contas da BMF Bovespa

A ação trata do questionamento de critérios fiscais usados na fusão que deu origem à companhia, em 2008, para pagar menos impostos. Por isso, a empresa foi multada em cerca de R$ 1,1 bilhão.

O Carf não informou nova data para o julgamento.

No vermelho

Nesta quarta-feira, o principal índice da bolsa paulista operava no vermelho. Seguia pressionado pelas quedas nas ações da Petrobras, em sessão de baixa nos preços do petróleo. Às 11:56, o Ibovespa caía 0,45%, a 63.907 pontos. O giro financeiro era de R$ 1,29 bilhão.

No front local, a inflação oficial do país subiu 5,35% em 12 meses até janeiro, menor patamar desde setembro de 2012, reforçando o cenário para queda da Selic. O noticiário corporativo seguia no radar dos investidores em meio à temporada de divulgação dos balanços trimestrais. Entre os destaques no calendário desta quarta-feira está a Suzano, cujo resultado é esperado depois do fechamento do pregão.

“Mercados mostram alguma cautela com nível de rentabilidade das empresas locais e registraram pouca força ao longo do dia de ontem”, escreveram os analistas da corretora Lerosa Investimentos, acrescentando que esse movimento pode levar a mais realizações neste pregão.

Principais destaques

PETROBRAS PN caía 1,5% e PETROBRAS ON recuava 0,9%, acompanhando as baixas no preço do petróleo no mercado internacional devido à alta nos estoques da commodity nos Estados Unidos.

ITAÚ UNIBANCO perdia 0,3%, em sessão de baixa para o setor bancário e um dia após fechar na maior cotação histórica.

BRADESCO PN recuava 0,64%.

EMBRAER caía 1,67%, após o governo canadense anunciar um empréstimo à Bombardier, principal concorrente da fabricante brasileira de aviões. Nesta quarta-feira, o governo brasileiro apresentou pedido de consultas na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra o Canadá pelos subsídios concedidos à Bombardier.

VALE PNA tinha alta de 0,38%, enquanto VALE ON tinha variação positiva de 0,79%, em linha como avanço do preço do minério de ferro na China, o que ajudava a limitar as perdas do Ibovespa.

MOVIDA, que não compõem o Ibovespa, tinha baixa de 1% no dia de estréia de seus papéis na bolsa, após sua oferta inicial de ações sair à R$ 7,50, no piso da faixa indicativa.

Banco eleva provisão para impacto da Lava Jato em seu balanço anual

O banqueiro Roberto Setúbal torce, abertamente, pela vitória de Marina Silva

Para 2017, o Itaú Unibanco previu forte queda no volume de provisões consolidadas para perdas com inadimplência da Lava Jato, fixando uma faixa de R$ 14,5 bilhões a R$ 17 bilhões

 
Por Redação – de São Paulo

 

As provisões para créditos de liquidação duvidosa no Itaú Unibanco relacionadas a empresas envolvidas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, estão em níveis adequados, afirmou o presidente-executivo do banco, Roberto Egydio Setubal. Em coletiva à imprensa, nesta terça-feira, sobre o resultado do quarto trimestre de 2016, Setubal disse que um declínio contínuo na inadimplência garantirá que o banco termine o ano com provisões menores do que em 2016.

O banqueiro Roberto Setúbal diz que calculou o volume de dívidas das empreiteiras na Lava Jato
O banqueiro Roberto Setúbal diz que calculou o volume de dívidas das empreiteiras na Lava Jato

Para 2017, o Itaú Unibanco previu forte queda no volume de provisões consolidadas para perdas com inadimplência, fixando uma faixa de R$ 14,5 bilhões a R$ 17 bilhões. Em 2016, o volume total provisionado foi de R$ 22,4 bilhões. O banco também previu para sua carteira de crédito de estabilidade a expansão de 4% neste ano, mas que a margem financeira terá contração de 0,5% a 4% no período, para o qual é esperada mais queda da Selic.

Para as despesas não decorrentes de juros, as chamadas despesas administrativas, a faixa de crescimento prevista pelo banco é de 1,5 a 4,5%.

Lava Jato

O Itaú Unibanco relata, ainda, que teve leve alta sequencial do lucro no quarto trimestre, uma vez que conseguiu compensar a queda nos empréstimos com menores despesas administrativas e com provisões para calotes, além de maiores receitas com recuperação de crédito, e melhores resultados de tesouraria.

O maior banco privado do país por ativos anunciou nesta terça-feira que seu lucro recorrente atingiu R$ 5,817 bilhões no período, alta de 4% sobre o trimestre anterior e de 1,8% contra mesmo período do ano anterior. Em termos líquidos, o lucro de outubro a dezembro somou R$ 5,543 bilhões, alta sequencial de 2,8% e queda de 2,7% na comparação ano a ano.

O número refletiu principalmente a provisão para perdas com calotes, líquido das recuperação de crédito, que caiu 7,8% ante o trimestre anterior, a R$ 4,82 bilhões. Além de ter feito provisões menores, o banco também conseguiu maiores receitas de recuperação de créditos já baixados a prejuízo.

Serviços

No fim de 2016, o índice de inadimplência acima de 90 dias era de 3,4%, recuo de 0,5 ponto ante o trimestre anterior e alta de 0,2 ponto sobre o final do ano anterior. A forte queda na base sequencial refletiu em parte o efeito de uma grande empresa, que fez o índice dar um pico no trimestre anterior.

Já a despesa não decorrente de juros, que inclui pagamento de salários, caiu 3,6% na base sequencial e ficou praticamente estável ano a ano, a R$ 11,9 bilhões. Na outra ponta, as receitas de prestação de serviços subiram 2% sobre o terceiro trimestre e 1,36% ano a ano, para R$ 7,98 bilhões.

A carteira de crédito do Itaú Unibanco voltou a registrar retração, refletindo a economia do país em recessão. No fim de 2016, o estoque de financiamentos da instituição, incluindo avais e fianças, somava 562 bilhões de reais, queda de 1% em três meses e de 11,5% sobre o fim de 2015.

Dólar

O movimento refletiu sobretudo a queda anual de 17,3% na carteira para grandes empresas e de 14,9% das operações latino-americanas, estas refletindo a queda do dólar.

No último trimestre de 2016, o banco também registrou queda de 3,9% da margem financeira com clientes em relação aos três meses anteriores, refletindo principalmente um baixa contábil de R$ 1,255 bilhão.

O retorno recorrente anualizado sobre o patrimônio líquido atingiu 20,7%, acima dos 19,9% do trimestre anterior e menor que os 22,1% de um ano antes.

Em contração prolongada, economia vê novos negócios cada vez mais raros

setor industrial

Com o cenário econômico fraco no país, escassez de capital de giro e ausência de novos negócios, o PMI de serviços permaneceu em janeiro no mesmo nível do mês anterior, de 45,1. Chega, assim, ao 23º mês abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração

 

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

 

A entrada de novos negócios caiu em janeiro pelo terceiro mês seguido e manteve o setor de serviços do Brasil em contração. O fato leva a confiança ao menor nível em sete meses, indicou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês). A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira.

setor industrial
O PMI destacou uma deterioração acentuada das condições de negócios no setor como um todo

Com o cenário econômico fraco no país, escassez de capital de giro e ausência de novos negócios, o PMI de serviços permaneceu em janeiro no mesmo nível do mês anterior, de 45,1. Chega, assim, ao 23º mês abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

Novos negócios

De acordo com o IHS Markit, que realiza o levantamento, o volume de entrada de novos negócios apresentou queda pelo terceiro mês consecutivo. A razão apontada é a fraqueza da demanda. A taxa de contração em janeiro foi mais lenta do que a média registrada em 2016.

As entradas de novos negócios recuaram em quatro das seis categorias monitoradas. As exceções ficaram com Intermediação Financeira e Hotéis e Restaurantes.

O grau de otimismo entre os fornecedores de serviços atingiu um recorde de baixa de sete meses. Embora haja expectativas de recuperação econômica, as preocupações com a rapidez dessa retomada restringiram o otimismo.

— A demanda persistentemente fraca e a crise econômica continuam a impactar o desempenho do setor. As empresas mantêm alguma esperança de que a situação vai melhorar em 2017. Mas as preocupações com a velocidade da recuperação pesam sobre a confiança — destacou a economista do IHS Markit Pollyanna De Lima.

Em queda

Capacidade produtiva ociosa, dificuldades econômicas e redução de custos. Estes foram o principais pontos negativos, que fizeram os fornecedores de serviços do Brasil reduzirem os níveis de emprego de forma mais acentuada do que em dezembro. Os mais afetados foram os funcionários dos setores de Intermediação Financeira e de Transporte e Armazenamento.

Em relação à inflação, a de insumos acelerou em janeiro diante dos preços mais altos de alimentos e combustíveis. Porém, as empresas reduziram os preços de venda buscando atrair a demanda.

Com a queda mais forte do PMI da indústria em janeiro, o PMI Composto do Brasil caiu para a mínima de cinco meses de 44,7, sobre 45,2 em dezembro.

Mais inflação

No varejo, os preços de vestuário recuaram em janeiro e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo desacelerou a alta a 0,32% no mês, contra 0,72% em dezembro.

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou nesta sexta-feira que os preços de Vestuário apresentaram queda. O declínio foi de 0,86% em janeiro, exercendo um peso de -0,0575 ponto percentual, após alta de 1,83% no mês anterior.

Na outra ponta, os preços de Educação aceleraram a alta a 6,51%. Trata-se de um movimento sazonal de início de ano, contra 0,03% em dezembro.

A leitura do primeiro mês do ano ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,51%. O IPC-Fipe mede as variações quadrissemanais dos preços às famílias paulistanas com renda mensal entre 1 e 10 salários mínimos.

Incertezas quanto à era Trump colocam em risco o PIB dos EUA

O presidente norte-americano, Donald Trump

A Ásia, pós Donald Trump, continua a apresentar um forte desempenho e as perspectivas no curto prazo permanecem fortes. Mas enfrenta riscos, disse Furusawa em um seminário em Tóquio nesta quinta-feira

 
Por Redação, com Reuters – de Washington

 

A perspectiva de crescimento dos Estados Unidos permanece em dúvida devido à incerteza sobre as políticas do novo governo, enquanto o aumento do protecionismo nas economias avançadas pode afetar a prosperidade da Ásia, disse o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Mitsuhiro Furusawa.

O presidente norte-americano, Donald Trump
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem tomado decisões erráticas quanto aos acordos internacionais dos EUA

A Ásia continua a apresentar um forte desempenho e as perspectivas no curto prazo permanecem fortes. Mas enfrenta riscos, disse Furusawa em um seminário em Tóquio nesta quinta-feira.

— As incertezas poderiam contribuir para a volatilidade financeira nos próximos meses — disse Furusawa. Ele pede que os governos mantenham taxas de câmbio flexíveis e usem políticas macroprudenciais. Também, que mantenham colchões de reservas mais fortes para lidar com a volatilidade do fluxo de capital.

Protecionismo

Os mercados globais avançaram após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em novembro. Havia expectativas de que sua política inflacionária impulsionaria a economia do país.

Porém, têm crescido a cautela dos investidores, recentemente. As visões protecionistas de Trump podem afetar as perspectivas para o comércio global. Em janeiro o FMI elevou as previsões para o crescimento dos EUA a 2,3% neste ano contra 2,2% antes. E para 2,5% em 2018 ante 2,1%. Mas essas previsões permanecem incertas, disse Furusawa.

A dependência da China de estímulos é outro risco, acrescentou ele. O FMI revisou a projeção de crescimento de 2017 do país para 6,5%, de 6,2%. Com expectativas de apoio fiscal contínuo.

Enquanto o estímulo da China ajuda a sustentar o crescimento no curto prazo, ele implica em um aumento contínuo na relação entre o crédito e o Produto Interno Bruto (PIB), disse ele.

Com Brexit

No outro lado do Atlântico, o Banco Central (BC) britânico elevou a previsão para o crescimento do Reino Unido em 2017. E algumas autoridades estavam mais nervosas com a alta da inflação, mas em geral o Banco da Inglaterra não parece ter pressa para elevar os juros conforme a economia se ajusta à perspectiva do Brexit.

Em sinal de divisão, o Banco da Inglaterra disse que algumas de suas autoridades se “aproximaram um pouco mais” de seus limites para tolerar uma alta da inflação acima da meta de 2%, causada pela queda da libra desde o voto de junho pela saída do Reino Unido.

Mas o BC, anunciando sua última análise trimestral sobre a economia britânica nesta quinta-feira, enviou sinais mais amplos de que está confortável com sua taxa de juros em mínima recorde.

O banco disse que agora espera que a inflação fique ligeiramente mais baixa em dois anos do que projetava em novembro. O Banco da Inglaterra também disse que suas autoridades agora acreditam que a taxa de desemprego pode cair para 4,5% — abaixo de sua estimativa anterior de 5% e da taxa atual — antes que ela comece a impulsionar a inflação.

Juros baixos

Isso pode dar ao banco central mais margem para manter os juros na mínima histórica por mais tempo e pode ser útil já que o banco anunciou o segundo grande aumento em três meses na sua previsão de crescimento econômico de 2017.

A projeção é de um crescimento de 2,0% neste ano, mais alto do que os economistas previram. E muito acima de sua previsão anterior de 1,4%. As previsões para 2018 e 2019 foram elevadas em 0,1 ponto percentual cada.

O Banco da Inglaterra informou ainda que as autoridades votaram por 9 a 0 para manter os juros em 0,25%. Segue em linha com as expectativas de economistas em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters.

Indústria leva tombo e ainda não se levantou, diz o IBGE

veículos

O resultado é o terceiro pior da indústria para um ano na série histórica iniciada em 2002, perdendo apenas para 2015. A queda foi a 8,3% na produção. Perde ainda para 2009, com recuo de 7,1%

Por Redação – do Rio de Janeiro

A indústria brasileira fechou 2016 com queda de 6,6% na produção, terceiro ano seguido de perdas diante da fraqueza nos investimentos e da demanda interna frente à recessão no país.

indústria
As expectativas da Anfavea para a indústria de veículos este ano indicam retração de 5,5% na produção

O resultado é o terceiro pior para um ano na série histórica iniciada em 2002, perdendo apenas para 2015, com queda de 8,3% na produção, e para 2009, com recuo de 7,1%.

Só em dezembro, a produção avançou 2,3% sobre o mês anterior, acima da expectativa em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters de alta de 2,1% e o melhor resultado para o mês desde 2011 (+2,7%). Mas o resultado não é suficiente para indicar reversão no setor.

Trajetória

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com dezembro de 2015 houve perda de 0,1%, contra expectativa de queda de queda de 0,9%.

– Mesmo com essa melhora em dezembro, está longe ainda de representar uma reversão de tendência. Há questões conjunturais que precisam ser resolvidas para se pensar em reversão de trajetória – afirmou o economista do IBGE André Macedo.

O IBGE apontou que o pior desempenho em 2016 veio da categoria Bens de Capital, uma medida de investimento, que registrou no ano perdas de 11,1%, pressionada principalmente por bens de capital para equipamentos de transporte e para fins industriais.

As perdas foram generalizadas, com a produção de Bens Intermediários recuando 6,3% e a de Bens de Consumo com queda de 5,9%.
As maiores influências negativas no ano passado foram exercidas por indústrias extrativas (-9,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-8,5%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-11,4%).

Automóveis

Na comparação mensal, Bens de Capital foi a única categoria a apresentar queda em dezembro, de 3,2%. Sobre novembro o destaque foi a alta de 6,5% na produção de Bens de Consumo Duráveis.

Dos 24 ramos pesquisados, 16 apresentaram alta sobre novembro, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias. O segmento subiu 10,8%, melhor resultado desde junho de 2016 (11,7%).

De acordo com Macedo, o aumento da produção de veículos automotores que impulsionou o resultado da produção em dezembro pode ter sido um movimento de antecipação diante da expectativa de alta nos preços do aço.

— Mais parece um movimento de redução de custos do que aumento de demanda. Os estoques dos carros e caminhões continuam um problema não totalmente resolvido — explicou.

Mais otimista

A indústria vem sofrendo com dois anos de recessão, além da fraqueza da confiança de empresários que limita investimentos. O desemprego alto também vem prejudicando a demanda dos consumidores.

— Todas as características negativas de 2016 permanecem. Mercado de trabalho continua com menos ocupados, renda menor, endividamento alto. A melhora por conta da política monetária pode vir no futuro, mas não automaticamente — afirmou o economista do IBGE, referindo-se ao ciclo de corte da Selic iniciado pelo Banco Central.

A confiança da indústria iniciou o ano em alta diante da situação atual mais otimista e também com a melhora das expectativas, atingindo o maior nível desde maio de 2014 segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A pesquisa Focus do Banco Central mostra que a expectativa dos economistas consultados é de expansão da produção industrial este ano de 1%, chegando a 2,10% em 2018.

Isso com projeção de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça respectivamente 0,50 e 2,20%.

Pequena alta

A produção industrial brasileira registrou alta de 2,3% em dezembro na comparação com o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção caiu 0,1%. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de alta de 2,1% na variação mensal e de 0,9% na base anual.

Rombo fiscal do governo Temer bate novo recorde histórico

Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, anuncia reforma trabalhista

O rombo fiscal, contudo, ficou dentro da meta estabelecida pelo governo do presidente de facto, Michel Temer. O déficit previsto era de R$ 163,9 bilhões no ano

 

Por Redação, com ACSs – de Brasília

 

O setor público consolidado brasileiro fechou 2016 com déficit primário de R$ 155,791 bilhões, ou 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se do pior resultado da série histórica iniciada em 2001, informou o Banco Central nesta terça-feira.

Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, anuncia reforma trabalhista
A crise gerada após o golpe, sob a gestão de Temer e seu economista Henrique Meirelles, têm gerado déficits sucessivos no campo fiscal

O resultado, contudo, ficou dentro da meta estabelecida pelo governo do presidente de facto, Michel Temer. O déficit previsto era de R$ 163,9 bilhões no ano.

Apenas em dezembro o déficit primário foi de R$ 70,7 bilhões. Abaixo, portanto, de um saldo negativo em 78,0 bilhões de reais estimado por analistas.

Resultado fiscal

Foi o terceiro ano consecutivo de déficit primário do setor público, dando sequência aos saldos negativos de 32,5 bilhões de reais (-0,56% do PIB) em 2014, e de R$ -111,2 bilhões (-1,85%) em 2015.

— O resultado fiscal observado foi o maior para anos calendário na série do Banco Central. Isso mostra o quão desafiadora é a situação fiscal — disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

Na análise detalhada do resultado de 2016, o governo central teve déficit primário de R$ 159,5 bilhões. O resultado foi puxado pelo rombo de quase R$v150 bilhões da Previdência. Já os Estados e municípios contribuíram com um superávit primário de R$ 4,666 bilhões. E as empresas estatais tiveram déficit de R$ 983 milhões.

O resultado nominal, que engloba os gastos com os juros da dívida, caiu para R$ 562,815 bilhões em 2016. Passou a 8,93% do PIB, ante 10,22% do PIB observado em 2015. A queda foi favorecida pela redução do total pago em juros nominais, para R$ 407 bilhões no ano, ante R$ 501 bilhões em 2015.

Rombo primário

Para 2017, a perspectiva é de novo rombo primário, desta vez de R$ 143,1 bilhões. Se confirmado, ele será o segundo pior dado já obtido pelo país em toda sua História. Assim mesmo, a despeito da vigência no ano da regra constitucional que limita o crescimento dos gastos públicos.

A cifra retrata a dificuldade para a retomada do reequilíbrio fiscal com a economia em frangalhos. E diante do tamanho dos gastos do governo.

Reflexo disso foi o crescimento da dívida pública bruta em 2016 para 69,5% do PIB, ou R$ 4,378 trilhões, ante 65,5% em 2015. Esse resultado seria ainda pior se não fosse o pagamento antecipado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$ 100 bilhões ao Tesouro, por empréstimos tomados no passado.

A dívida líquida do setor saltou 10,3 pontos percentuais para 45,9% do PIB, ou R$ 2,893 trilhões. No ano passado, a alta da dívida líquida ocorreu sobretudo pela incorporação de juros nominais (aumento de 6,5 pontos percentuais), da valorização cambial de 16,5% no período (avanço de 3,2 ponto percentual) e do déficit primário (alta de 2,5 ponto percentual).

O BC estima que a dívida líquida do setor público vai subir para 46,4% do PIB em janeiro e a dívida bruta a 70,2% do PIB.

No Brasil pós-golpe, mais de 12 milhões de brasileiros chegam a 2017 sem emprego

Desemprego

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua sobre o emprego, divulgada nesta terça-feira, houve alta de 36% nos três meses até dezembro em relação ao mesmo período de 2015

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

O Brasil chega a 2017 com um número recorde de mais de 12 milhões de pessoas sem trabalho e desemprego de 12%. A renda média dos trabalhadores também fechou o ano passado em queda, num claro reflexo da crise econômica enfrentada pelo país após o golpe de Estado, em curso.

taxa de desemprego
A falta de emprego leva milhões de brasileiros a buscar alternativas para a sobrevivência

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta terça-feira, houve alta de 36% no número de desempregados nos três meses até dezembro em relação ao mesmo período de 2015. Chega ao total de 12,342 milhões de pessoas. Nos três meses até novembro eram 12,132 milhões de trabalhadores sem emprego.

— De 2014 para 2016, a desocupação cresceu 74,4%. Esse é o efeito direto da crise que começou a afetar o mercado de trabalho — explicou o coordenador da pesquisa no IBGE, Cimar Azeredo.

A taxa de desemprego informada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu para 12%, marcando a nova a máxima da série histórica iniciada em 2012, ante 11,9% no trimestre até novembro.

Falta de emprego

Isso aconteceu porque o número de pessoas que entraram na força de trabalho — aquelas que estão em busca de um emprego — não foi absorvido pelo mercado de trabalho, apesar das tradicionais contratações de fim ano.

O número de pessoas na força de trabalho aumentou 1,3%, ou 1,286 milhão de pessoas, no trimestre encerrado em dezembro ante o ano anterior, para 102.604 milhões de pessoas.

— Houve um movimento de busca por trabalho que acontece normalmente no fim do ano. Mas diante do ambiente econômico, não foram absorvidas todas as pessoas que estavam na fila do desemprego há algum tempo. Nem mesmo aquelas que pensavam em um oportunidade sazonal — acrescentou Azeredo.

No quarto trimestre, a população ocupada permaneceu em queda, com recuo de 2,1% no período sobre 2015, ou 1,983 milhão de pessoas a menos, para 90.262 milhões.

Renda média

A atividade que mais perdeu trabalhadores no final do ano passado foi a de construção. A queda chegou a 10,8% no trimestre até dezembro sobre o ano anterior, ou 857 mil pessoas a menos.

Já o número de trabalhadores na indústria recuou 7,7% no quarto trimestre na comparação anual. Isso representa uma queda de 955 mil pessoas.

A renda média do trabalhador no trimestre, ainda segundo a Pnad Contínua, ficou praticamente estável. Houve um ganho de 0,5% sobre o quarto trimestre de 2015m, para R$ 2.043.

Entretanto, no ano como um todo, o poder de compra da população caiu pelo segundo ano consecutivo. Desceu para um salário médio em 2016 de R$ 2.029, ante R$ 2.076 em 2015 e R$ 2.083 em 2014.

— O rendimento caiu por conta de inflação, perda de poder de compra, crise econômica e aumento da informalidade — disse Azeredo.

A forte retração econômica vivida pelo país em 2016 é o principal fator por trás da fraqueza do mercado de trabalho. Os efeitos da ruptura democrática ficam ainda mais claros quando se compara à leitura de 9,0% da taxa de desemprego no quarto trimestre de 2015.

Situação piora

A estimativa na pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters era de taxa de desemprego de 11,9% nos três meses até dezembro. Os cálculos são realizados a partir da mediana das projeções.

Segundo a consultoria Rosenberg Associados, o movimento de pessoas voltando ao mercado de trabalho ainda é incerto em 2017. Sem um vislumbre de melhora da economia, a taxa de desemprego tende a crescer.

“Nossa expectativa é de continuidade da piora da taxa de desocupação, atingindo 13,4% no primeiro trimestre e 13,2% no segundo”. A afirmação é da Rosenberg, em nota assinada pela economista-chefe Thaís Marzona Zara.

Em 2016, o Brasil perdeu 1,32 milhão de postos formais de emprego. E registrou o segundo pior resultado da série histórica iniciada em 1992. Os dados são do Ministério do Trabalho. Somente em dezembro houve fechamento de 462.366 vagas.

Preço dos imóveis comerciais acentua queda no início deste ano

No mês de setembro as vendas de imóveis novos caíram 13,3%, em São Paulo

Considerando uma inflação de 6,29% em 2016, houve queda real de 8,9% no preço de venda e de 13,4% no de locação de imóveis comerciais, mostrou a pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

O preço médio dos imóveis comerciais no Brasil em 2016 caiu, em termos nominais, 3,2% para a venda e 7,9% para locação ante 2015, segundo o índice FipeZap Comercial. O estudo monitora o valor de conjuntos e salas com até 200 metros quadradros nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

No mês de setembro as vendas de imóveis novos caíram 13,3%, em São Paulo
No mês de dezembro, as vendas de imóveis novos caíram em São Paulo

Considerando uma inflação de 6,29% em 2016, houve queda real de 8,9% no preço de venda e de 13,4% no de locação, mostrou a pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o portal Zap.

De acordo com a pesquisa, os investidores em salas comerciais nessas localidades tem registrado perdas em relação a investimentos mais conservadores, como CDIs.

“Em 2016, enquanto o CDI rendeu 14,0%, os proprietários de saletas que estavam locadas tiveram um retorno médio de 2,0%”, disse a pesquisa FipeZap.

Endereços comerciais

Em dezembro, o preço médio do metro quadrado para atividade comercial estava em 10.260 reais para venda, e em 44 reais para locação.

Das quatro cidades pesquisadas, Rio de Janeiro é que tinha os imóveis comerciais mais caros para venda em dezembro (11.666 reais por metro quadrado). Para aluguel, contudo, a capital carioca ficava atrás de São Paulo, onde o metro quadrado era locado por, em média, R$ 47.

Belo Horizonte era região com salas e conjuntos comerciais mais baratos para venda (R$ 7.437 por metro quadrado), e Porto Alegre era a que tinha o menor custo de aluguel, com R$ 32 reais por metro quadrado alugado.