Brasil enfrenta encruzilhada econômica em 2013

Uma das medidas de estímulo do governo foi prorrogar IPI reduzido para carros até junho de 2013
Uma das medidas de estímulo do governo foi prorrogar IPI reduzido para carros até junho de 2013

Em 2013, o Brasil deve enfrentar uma encruzilhada econômica: ou o país volta a crescer de forma acelerada no patamar dos 3% ou 4% -, ou até seu status de ‘Bric’ começará a ser questionado. Essa é a visão de analistas como Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, que em 2001 criou o acrônimo Bric para designar as nações emergentes que em 2050 igualariam seu peso econômico ao de países do mundo rico além do Brasil, Rússia, Índia e China.

O’Neill é, na realidade, otimista sobre o potencial de crescimento do Brasil a partir de 2013. Para ele, apesar da decepção com a expansão de apenas 1% do PIB em 2012, no ano que vem o país deve voltar a crescer, alcançando um crescimento de 4% a 5% já em 2014.

A previsão do último relatório Focus divulgado pelo Banco Central – que faz uma média das previsões do mercado – ainda é de uma alta de 3,3% do PIB em 2013 (apesar de tal estimativa ter sido revista para baixo recentemente).

Em entrevista à agência britânica de notícias BBC, O’Neill enfatizou que em 2012 o PIB brasileiro sofreu com a chamada contribuição real negativa do setor financeiro (menor fluxo de capital no país) uma consequência de curto prazo da política de queda dos juros que, no médio e longo prazo, deve estimular investimentos.

Para ele, as medidas de estímulo econômico aprovadas pelo governo neste segundo semestre devem ser suficientes para impulsionar o PIB em 2013. Ele faz referência à desoneração de alguns setores e a desvalorização do real, além da queda da taxa básica de juros (Selic) de 12,5%, em julho, para os atuais 7,25%.

– Mas se isso não ocorrer e o crescimento brasileiro voltar a decepcionar, como em 2012, o status do Brasil como um país do Bric de fato será colocado em xeque – disse O’Neill.

Crescimento sustentável

Wilber Colmerauer, diretor da consultoria Brasil Funding, em Londres, concorda que 2013 será decisivo para a economia brasileira após um ano marcado pelo fim da euforia dos mercados e investidores internacionais em relação ao país.

Em 2010, o entusiasmo com o Brasil foi inflado por um crescimento de 7,5% do PIB. A alta de 2,7% de 2011 foi interpretada por analistas como um ajuste sobre o ano anterior – em que o país teria crescido mais que seu PIB “potencial”, de 4%.

– Mas neste final de 2012 é possível que haja até um excesso de pessimismo sobre o Brasil, potencializado pelo crescimento de apenas 1% – diz Colmerauer.

Para o analista, para ajustar as expectativas sobre a economia brasileira é importante que em 2013 o país demonstre que tem condições “de iniciar uma trajetória de crescimento sustentável”, em vez de apenas “mais um ciclo curto de expansão” o que alguns economistas chamam de “voo de galinha”.

“O objetivo não pode ser crescer em 2013, mas sim crescer de 2013 a 2023”, concorda Marcos Troyjo, diretor do BricLab, centro de estudos sobre o Bric da Universidade de Columbia, nos EUA.

Ameaças

Para Troyjo, entre os fatores externos que podem dificultar a aceleração do crescimento brasileiro está o acirramento da crise internacional – por exemplo, em decorrência de um fracasso dos EUA em evitar o chamado “abismo fiscal” ou da complicação dos problemas da Europa.

– O impacto direto de um acirramento da crise seria limitado, porque o Brasil tem uma economia relativamente fechada. Mas haveria um impacto indireto em função da mudança nas expectativas e confiança dos investidores – opina Troyjo.

Fabiano Bastos, do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID), também menciona o risco de um desaquecimento maior que o esperado na China, que poderia reduzir o preço das commodities e afetar a percepção de risco para investimentos em mercados emergentes.

Colmenauer acredita que há um risco de ordem interna, relacionado ao possível aumento da inflação. Para ele, ainda não está claro se os pacotes de estímulo do governo serão suficientes para aumentar a taxa de investimentos na economia.

– Certamente, a queda dos juros deve gerar crescimento no primeiro semestre de 2013 – até porque ela funcionará como um estímulo ao consumo – opina. “Mas se o investimento não acompanhar essa alta da demanda, poderíamos ter uma elevação da inflação para 7% ou 8%, caso em que seria difícil para o governo manter a política de queda dos juros.”

Investimentos

Para evitar uma nova decepção com o PIB, para Colmerauer e Troyjo o governo deveria sinalizar claramente sua intenção de fazer reformas estruturais. “Desde os anos 1990 criou-se um consenso em torno da responsabilidade fiscal e controle da inflação e isso fez bem para o país”, diz Colmerauer.

– Se queremos crescer de forma sustentável está na hora de se criar novos consensos em torno de temas como a simplificação tributária.

Os baixos níveis de investimento foram apontados por muitos analistas como uma das causas do desaquecimento brasileiro nos dois últimos anos.

Mudança de modelo

Entre 2004 e 2010 o país cresceu a uma média de quase 4% ancorado em uma expansão do consumo e gastos do governo, como explica Troyjo.

O setor privado, porém, não investiu o necessário para acompanhar a expansão da demanda – problema em geral atribuído a fatores como os juros altos, a sobrevalorização do real e o chamado Custo Brasil (associado a falta de infra-estrutura, burocracia e etc).

Bastos, porém, não concorda que haja um “esgotamento” do modelo de crescimento baseado na demanda e medidas anticíclicas do governo.

– Para o ano que vem o governo está decidido a aumentar os investimentos das estatais, estados, municípios e União – e conta com uma folga fiscal e boa relação dívida/PIB para isso – diz.

– Certamente para manter o crescimento no médio e longo prazo são necessárias reformas estruturais e mais investimentos em educação, mas as atuais medidas de estímulo devem ser suficientes para que o país volte a crescer mais de 3% em 2013 – acredita.

 

Economista considera que 2012 foi ano negativo para o setor industrial

Os resultados negativos são generalizados pelos diversos setores industriais do Rio de Janeiro
Os resultados negativos são generalizados pelos diversos setores industriais do Rio de Janeiro

O ano de 2012 foi “bastante negativo” para o setor  indústrial nacional e para a Fluminense, disse à Agência Brasil o gerente de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Guilherme Mercês. Até outubro, a produção industrial geral Fluminense mostra queda de 6,2%. Na indústria de transformação, o acumulado está negativo em 7,5%.

Vários fatores vêm impulsionando a queda. Um dos setores mais fortes no estado, que é a indústria automotiva, localizada no centro-sul fluminense, sofreu os efeitos da crise externa, disse o economista. “A queda de produção automotiva, em relação a 2011, está em 35% no acumulado do ano. Isso tem grande responsabilidade pelo recuo da produção industrial geral, de 6,2%”.

Os resultados negativos são generalizados pelos diversos setores industriais do Rio de Janeiro. “Certamente, este é um ano perdido para a indústria do Rio e do Brasil”. Para 2013, ele disse que os dados recentes mostram sinais de recuperação não muito consistentes. “A gente espera, sim, uma recuperação para 2013, mas não muito robusta”.

O economista acredita que dois fatos vão ajudar a indústria no próximo ano. O primeiro deles é a base de comparação, que vai ser melhor em relação a 2012. O segundo é que se esperam para os próximos meses os reflexos positivos dos diversos estímulos dados pelo governo federal à economia, entre os quais a redução da taxa de juros e os incentivos tributários. “Então, a economia está demorando a reagir, mas esses estímulos devem, sim, fazer efeito no ano que vem”. Ele espera que com isso a indústria mostre resultados melhores do que os deste ano.

Em função dos incentivos do governo, Guilherme Mercês avaliou que alguns setores, como o automotivo, começam a mostrar reação, embora os sinais sejam ainda muito pontuais. “É importante que essa recuperação seja mais disseminada para o próximo ano”. Referiu-se, em especial, à indústria em geral, onde predominam os resultados negativos. Apenas quatro segmentos produtos químicos excluído refino, perfumaria, higiene e farmacêutico têm se sustentado de forma positiva no estado.

Mercês destacou também o desempenho da indústria da construção civil, que tem apresentado resultados bons no Rio de Janeiro em 2012, “mesmo nesse cenário negativo”. Ele revelou que a construção civil foi o único setor que contratou mais trabalhadores que no ano passado, somando 34.488 funcionários. Esse foi um dos melhores resultados dos últimos dez anos no estado. “Isso está atrelado às grandes obras de infraestrutura que a gente está vendo no estado e, também, à chegada de muitas empresas e de investimentos”. A tendência deve ter continuidade no próximo ano.

O economista lembrou que o mapeamento de investimentos para o Rio de Janeiro, nos próximos anos, é volumoso. No triênio 2012/2014, os investimentos previstos atingem R$ 211 bilhões. No levantamento anterior, relativo ao período 2010/2012, os investimentos totalizavam R$ 180 bilhões. “Teve um novo acréscimo dessa perspectiva de investimento refletindo, inclusive, a busca dos investidores internacionais por diversificação dos investimentos, uma vez que os países desenvolvidos estão apresentando taxas muito baixas de crescimento”.

A indústria extrativa mineral, um dos carros-chefes da indústria geral fluminense, apresentou resultados “tímidos” até a metade deste ano, iniciando um processo de recuperação a partir do segundo semestre, disse Mercês. “E agora, já começa a mostrar alguns sinais positivos”. A indústria extrativa fluminense está relacionada ao desempenho das atividades de exploração e refino de petróleo, cuja produção está concentrada mais de 80% no Rio de Janeiro. Segundo Mercês, no próximo ano, com a economia e a demanda se recuperando, a indústria extrativa e de refino também deve acompanhar esse movimento. “Por enquanto, está no zero. Não está crescendo, nem caindo”.

Seguindo a retração da produção industrial, as contratações de pessoal efetuadas pela indústria fluminense também mostraram recuo na maioria dos setores. Na indústria da transformação, o saldo é inferior ao do ano passado. Em 2012, a indústria de transformação gerou 13.187 empregos. Em 2011, foram quase 16 mil vagas. O economista sublinhou que também o setor de serviços, que é o principal contratante no estado, gerou um total de 58 mil empregos até agora, contra mais de 85 mil em 2011. “O mercado de trabalho também reflete essa desaceleração da economia como um todo”.

O gerente da Firjan estima que o emprego não deverá apresentar recuperação em 2013, na mesma intensidade que a produção industrial, porque o Brasil e a maioria dos estados já estão com uma taxa de desemprego muito baixa. “Acredito que a recuperação, nos próximos meses, será mais apoiada em capital. Esse é o grande desafio: aumentar os investimentos”. No Rio de Janeiro, a taxa de desemprego é 4,6%. O dado se refere a outubro passado, informou o economista.

Investimentos estrangeiros em 2012 superam expectativas

Os investimentos de empresas estrangeiras no Brasil voltaram a superar as expectativas e continuaram entrando de forma expressiva em 2012
Os investimentos de empresas estrangeiras no Brasil voltaram a superar as expectativas e continuaram entrando de forma expressiva em 2012

Os investimentos de empresas estrangeiras no Brasil voltaram a superar as expectativas e continuaram entrando de forma expressiva em 2012. Em parte, o desempenho do consumo e do emprego em meio à crise econômica internacional explica o interesse das multinacionais no país. No entanto, o forte volume de ingressos tem despertado receios de que parte do dinheiro que deveria gerar investimentos produtivos esteja sendo aplicada em especulações no mercado financeiro.

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central (BC), os investimentos estrangeiros diretos (IED) totalizaram US$ 59,893 bilhões de janeiro a novembro. O resultado é o segundo melhor para o período, só perdendo para 2011, quando as entradas tinham somado US$ 60,017 bilhões. Mesmo assim, os investimentos das empresas estrangeiras têm superado as expectativas mais otimistas.

Em novembro, o BC projetava a entrada de US$ 3 bilhões de investimentos estrangeiros diretos no país. No entanto, o ingresso no mês passado somou US$ 4,587 bilhões, a ponto de o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, dizer, no dia 18 deste mês, que as “surpresas positivas [no IED] têm sido a tônica do ano”.

O motivo para a desconfiança dos especialistas está nos empréstimos intercompanhias, empréstimos de matrizes no exterior para filiais da mesma empresa no Brasil cuja proporção no IED está aumentando. Esses recursos representaram 18% do total do investimento estrangeiro direto que ingressou no país de janeiro a novembro de 2011. No mesmo período deste ano, a proporção subiu para 20,6%.

– Os empréstimos intercompanhias ocorrem dentro de uma mesma empresa ou conglomerado. São realizados em condições especiais e não existe qualquer acompanhamento por parte do governo onde esses recursos são aplicados – diz o economista André Nassif, professor de Economia Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Na avaliação do professor, os juros no Brasil, que ainda são altos, apesar da queda observada neste ano, permanecem como atrativos para investidores que querem se aproveitar da diferença em relação às baixas taxas dos países desenvolvidos para fazer especulação financeira. Para Nassif, existe uma boa chance de que os empréstimos intercompanhias estejam camuflando aplicações no mercado produtivo. Um indício disso seria a estagnação do investimento privado observada neste ano.

– Se os investimentos estrangeiros estão batendo recordes, por que a taxa de investimento privado não está se expandindo? Para onde o dinheiro está indo, se a capacidade produtiva não se expandiu em 2012? – questiona o professor. De acordo com o Ministério da Fazenda, a taxa de investimentos deve encerrar o ano em torno de 18,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a soma de bens e serviços produzidos no país –  depois de ter ficado em torno de 20% em 2011.

Para o professor, o próximo ano será decisivo para que a situação seja esclarecida. “Podemos ter uma prova em 2013. Se a economia continuar com baixo crescimento e os investimentos estrangeiros diretos forem mantidos, é porque tem alguma coisa estranha”, avalia.

Apesar da desconfiança de especialistas, o BC não acredita que os empréstimos entre matrizes e filiais representem fonte de preocupação. Os técnicos do órgão avaliam que a taxação do capital estrangeiro previne as operações com fins especulativos. “Os empréstimos intercompanhia só representam uma categoria estatística. Na verdade, eles são tributados com IOF [Imposto sobre Operações Financeiras], como qualquer operação”, disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

Atualmente, os empréstimos adquiridos no exterior com prazo de até um ano pagam 6% de IOF quando os recursos ingressam no país. Em relação à participação dos empréstimos intercompanhia no total dos investimentos estrangeiros diretos, Rocha disse não considerar relevante a proporção de 20%.

Juros de bancos públicos cairão mais, prevê Guido Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou na quinta-feira que mantém em 4% sua previsão para o crescimento da economia brasileira, valor que está acima dos 3,3% de expansão estimados pelo mercado financeiro para o ano que vem. Disse também que os bancos públicos – Banco do Brasil e Caixa – continuarão a reduzir taxas de juros. A declaração foi feita em entrevista ao portal G1.

Guido Mantega
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, 2013 começará com “condições muito melhores”

– Em 2013, a economia vai começar muito melhor do que começou em 2011. Em 2011, os juros estavam altos. Tínhamos algum tributo que estamos tirando. Não tinha redução de energia elétrica e o câmbio estava desfavorável – declarou ele.

Para o ministro, 2013 começará com “condições muito melhores”. “Vamos ter redução de energia elétrica, vamos começar com os juros mais baixos da nossa história, ou seja, com custo financeiro reduzido, com um câmbio mais elevado, a R$ 2, R$ 2 e pouquinho [cotação do dólar]. Em janeiro de 2012, era de R$ 1,65”, disse. Para ele, a taxa de câmbio pouco acima de R$ 2 por dólar dá mais competitividade para o setor industrial. “Então, nós terminamos este ano com o setor industrial crescendo 1,5% no terceiro trimestre e com a agricultura está indo bem. E esperamos uma melhoria do setor de serviços, que no terceiro trimestre deixou a desejar [no terceiro trimestre de 2012]”, acrescentou.

Sobre as taxas de juros, disse que os bancos públicos continuarão reduzindo suas taxas para os clientes em 2013, mesmo com a perspectiva do mercado financeiro de que a taxa básica da economia, definida pelo Banco Central a cada 45 dias, permaneça estável em 7,25% ao ano até o fim do ano que vem. “Os bancos públicos vão continuar reduzindo os juros. Apesar de os juros terem caído bastante ultimamente, ainda estamos defasados em relação ao resto do mundo. No Brasil, se pratica juros elevados. Então, temos condições de ter uma trajetória benigna em relação aos juros”.

– Avaliamos que 2012 foi um ano difícil, um ano de adaptação às novas condições. Foi um ano em que baixamos os juros, foi uma queda grande [de 12,5% ao ano em agosto de 2011 para 7,25% ao ano em dezembro de 2012]. E isso obriga os bancos a se adaptarem. Antes, eles ganhavam mais com tesouraria, aplicando em títulos públicos. Agora, se eles quiserem ganhar pouquinho, eles podem continuar com títulos públicos. Só que é mais interessante eles emrpestarem o dinheiro para a produção, para o consumo – disse ele.

Mantega lembrou que os bancos que liberaram mais recursos, em 2012, foram os públicos. “Mas porque os bancos privados não quiserem liberar crédito. Os bancos têm essa natureza mais conservadora. Quando a economia está em crise, como a economia mundial em 2012, eles se retraem. É quase uma reação instintiva dos bancos. Eles [bancos privados] vão voltar em 2013. Já começaram a aumentar um pouco o crédito no fim de 2012. Estão sentindo mais segurança”, afirmou o ministro. Segundo ele, as instituições privadas podem crescer mais do que os bancos públicos no próximo ano.

Sobre as críticas feitas pela revista The Economist e pelo jornal Financial Times, Mantega declarou que isso se deve ao fato de ter pisado em “calos” de alguns especuladores. “Neste ano, eu contrariei o interesse dos especuladores internacionais. Não dos investidores, do pessoal que vem para a bolsa, mas dos especuladores que não são nem os grandes bancos. São meia dúzia que tem por aí. Tinham uma ‘boquinha’ aqui no Brasil. Ganhavam fácil dinheiro, especulando”, disse. Segundo o ministro, estes especuladores buscavam recursos no Japão, e Estados Unidos, com juros baixos (próximos de 1% ao ano) e aplicavam no Brasil, que rendia 12% a 13% ao ano. “Essa ‘boquinha’ acabou. Então, eles estão melindrados. Tem muita gente na praça de Londres, que é a sede destas revistas, que estão la. Uma delas chegou a citar um fundo, que é de segunda linha, que tem aplicações no Brasil e que deixou de ganhar dinheiro”, afirmou ele.

Com apoio da presidenta da República, Dilma Rousseff, que declarou que irá manter Mantega no governo, ele completará, em março de 2014, mais de oito anos no cargo, superando Pedro Malan, da gestão Fernando Henrique Cardoso, se tornando o ministro da Fazenda a ter permanecido por mais tempo no cargo.

Comerciantes da 25 de Março estimam vendas de Natal melhores do que em 2011

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O movimento na Rua 25 de Março, maior centro de comércio popular de São Paulo, foi intenso neste sábado (8), com muitas pessoas antecipando suas compras de Natal. A expectativa dos lojistas é que as vendas no Natal deste ano sejam melhores do que em 2011.

“Estamos trabalhando com a expectativa de aproximadamente 8% a 10% a mais [nas vendas reais] do que no mesmo período do ano anterior. Da forma como as coisas estão fluindo aqui, acredito que vai ser fácil atingir esse percentual”, disse Ondamar Antonio Ferreira, gerente da loja Armarinhos Fernando, em entrevista à Agência Brasil. Os Armarinhos Fernando trabalham com cerca de 180 mil produtos, entre eles, artigos de Natal, lingerie, brinquedos, confecções e papelaria.

Para Ferreira, este sábado foi um dia especial para vendas, pois é feriado em muitas cidades do interior de São Paulo. “Isso favorece o movimento na região”, disse.

O aumento de vendas também é uma expectativa para o Depósito de Meias Ansarah. “Nestes últimos três meses, o comércio voltou a reagir dando uma esperança positiva em relação ao ano passado. Nossa expectativa é aumento entre 10% e 11%”, disse Kelrem Marim de Lima, gerente do Depósito de Meias Ansarah na 25 de Março. Segundo ela, nos finais de ano a loja vende muitas meias, calcinhas, cuecas e lingeries coloridas para o final de ano.

A expectativa dos lojistas, disse Kelrem, é que mais de 1,5 milhão de pessoas passem pela 25 de Março aos sábados e 1 milhão de pessoas nos domingos.

Quem também espera por um aumento nas vendas neste mês são vendedores que tem barracas na 25 de Março. “Este ano, neste mês, teve um aumento nas vendas. Senti aumento de uns 40% [nas vendas]”, disse Ricardo Chaves da Silva. Segundo ele, o que atrai as pessoas para a região durante o Natal é um misto de “atendimento, promoção e preço baixo”.

Maria das Graças Cavalcanti, de Diadema (SP), diz que faz compras na 25 de Março todos os anos. “Vale a pena. O mesmo produto que vemos nos shoppings, como esse conjunto de lavabo [ela mostra o produto para a reportagem]: no shopping custa R$ 60 e aqui comprei por R$ 22”, disse.

Samuel Lopes também esteve hoje na 25 de Março para comprar os presentes de seus dois filhos. Hoje ele contou à reportagem já ter comprado “várias besteiras para as crianças, inclusive roupas. O preço vale a pena”.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima que o consumo no mês de dezembro na região metropolitana de São Paulo, será R$ 4 bilhões superior em comparação média dos demais meses do ano. Do total, R$ 1,7 bilhão deve ser destinado para a compra de presentes. A expectativa da federação é que cada família da região metropolitana de São Paulo compre, em média, quatro presentes e gaste entre R$ 60 e R$ 65 em cada um deles.

Em relação a todo o estado paulista, a FecomercioSP projeta que o resultado do Natal deste ano será “ainda melhor” que o do ano passado. A estimativa é que o comércio paulista fature R$ 44,7 bilhões em dezembro, resultado cerca de R$ 6 bilhões superior ao do ano passado. As compras de Natal e Ano Novo devem impulsionar o comércio varejista paulista em cerca de R$ 9,8 bilhões.

Edição: Fábio Massalli

Setor de serviços volta a crescer em novembro, diz PMI

O setor de serviços do Brasil registrou expansão pelo terceiro mês seguido em novembro, com o crescimento voltando a acelerar em meio ao aumento do volume de novos negócios, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do instituto Markit divulgada nesta quarta-feira.

Serviço
O indicador atingiu 52,5 ante os 50,4 de outubro

Em novembro, o indicador atingiu 52,5, acelerando ante os 50,4 registrados em outubro mas ainda abaixo do nível de 52,8 visto em setembro. Com isso, mantém-se acima do nível de 50 que separa crescimento de contração pelo terceiro mês consecutivo.

– De acordo com os entrevistados, condições econômicas melhores e uma demanda mais forte proveniente tanto dos clientes nacionais quanto dos internacionais levaram a um crescimento do volume de novos negócios – explicou o Markit.

Quase um quinto das empresas monitoradas indicaram um total maior de novos negócios, levando a uma alta neste quesito pelo terceiro mês seguido.

Segundo o Markit, 18% das empresas monitoradas indicaram uma produção mais alta, mencionando um aumento global de negócios, contra quase 12% dos entrevistados citando que a atividade de negócios foi menor.

Diante disso, a força de trabalho no setor registrou em novembro também o terceiro aumento mensal consecutivo, crescendo na taxa mais rápida em cinco meses. O número de funcionários aumentou em cinco dos seis setores monitorados.

Isso permitiu que as empresas de serviços reduzissem os volumes de trabalho em processamento mas ainda não concluídos. Entretanto, o Markit destacou que apenas 4% dos entrevistados indicaram volumes menores desses trabalhos, com 94% citando ausência de mudanças, indicando que a taxa de redução foi apenas modesta.

Custos

Em relação aos custos de insumos, estes aumentaram em novembro como acontece desde o início da série em março de 2007, e a taxa de inflação foi a mais rápida em três meses, com aumentos tanto em matérias-primas quanto em mão de obra.

Parte desse aumento foi repassado aos clientes, embora apenas 5% dos entrevistados tenham indicado preços mais elevados, com 93% citando ausência de mudanças. Isso fez com que a taxa de inflação fosse a mais lenta desde janeiro.

Assim, houve indicações de sentimento positivo em relação à perspectiva de negócios de 12 meses no setor de serviços, com os fornecedores prevendo uma demanda mais forte para o próximo ano, embora o grau de confiança tenha sido mais fraco do que em outubro.

Junto com o resultado do setor industrial, cuja expansão acelerou em novembro, a leitura referente às empresas de serviços mostrou que o ritmo geral de expansão do setor privado em novembro foi sólido e o mais rápido em oito meses.

Assim, o índice PMI composto do Markit, que reúne os dois resultados, acelerou para 53,0 em novembro, ante 50,7 em outubro.

Governo reduz prazo de empréstimos externos para facilitar entrada de dólares

O governo anunciou nesta quarta-feira mais uma medida para facilitar a entrada de dólares no país, diminuindo de dois anos para um o prazo de empréstimos externos no qual incide o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%.

Dólar
O dólar recuou 0,35% nesta quarta para R$ 2,1086

– É uma conjuntura em que as empresas estão precisando de mais caixa – disse a jornalistas Dyogo Oliveira, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, acrescentando que espera um aumento do fluxo de dólares com a medida.

O decreto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) e vem na sequência de outra medida do Banco Central divulgada na terça-feira, na qual elevou de 360 dias para 5 anos o prazo para isenção de taxação na modalidade de pagamento antecipado.

O BC tem atuado com mais força no mercado de câmbio desde o início da semana, visando fornecer liquidez e impedir uma alta muito rápida do dólar.

A alteração sobre a modalidade de pagamento antecipado de exportações foi anunciada depois de o BC ter feito na segunda-feira dois leilões de swap cambial tradicional – que na prática equivale a uma venda de dólares no mercado futuro – e dois leilões de venda de dólares conjugados com compra.

Diante desse cenário, o dólar recuava nesta quarta-feira pela terceira sessão seguida. Às 10h18, a moeda norte-americana caía 0,35%, para R$ 2,1086 na venda.

Em junho, o governo já havia decretado a redução do prazo sobre empréstimos externos que têm incidência da alíquota do IOF de 6% para dois anos, ante prazo anterior de até cinco anos. Na época, o governo reagia à recente valorização do dólar ante o real e à crise internacional.

Cuba se aproxima do Mercosul

Do sítio Vermelho:
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, recebeu nesta segunda-feira (29), em Brasília, o vice-ministro cubano de Relações Exteriores, Rogelio Sierra Díaz, em reunião para avaliar o andamento das relações bilaterais entre os países.

Durante a tarde foi realizada uma reunião do mecanismo de consultas políticas e cooperação entre Mercosul e Cuba, presidido pelos vice titulares brasileiro e cubano, assim como por representantes das nações membros deste bloco.

No encontro ficou acordada a realização, antes do final de 2012, da reunião da Comissão administradora do acordo de complementação econômica do Mercosul e Cuba e foi confirmada a possibilidade da participação da ilha em distintas reuniões especializadas dentro desse bloco para tratar assuntos relacionados com agricultura familiar, turismo e a mulher, entre outros.

Brasil-Cuba

Sobre o encontro com Patriota, Díaz ressaltou que a reunião permitiu corroborar o excelente estado das relações entre Brasil e a ilha e traçou as linhas de como devem ser conduzidos estes vínculos durante o ano que vem.

Foi constatada a coincidência de enfoque entre ambos países nas questões regionais, internacionais e multilaterais, assim como manifestou a disposição de continuar trabalhando de maneira conjunta a abordagem dos assuntos internacionais.

Afirmou que o Brasil “manifestou seu respaldo a Cuba em sua luta contra o bloqueio econômico-comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos”.

* Com informações da Prensa Latina

Angola: o paradoxo

Ao desembarcar em Angola, eu me deparei com um aeroporto mais limpo e organizado, bastante diferente da aparência de improviso, pobreza e pequenos recados nos ouvidos, como na última visita, há dez anos. Na ocasião, um dos funcionários me pediu dinheiro para liberar minhas malas. Não era simplesmente um pedido como conhecemos e sim uma súplica “estou com fome, não comi nada hoje”.
 
A partir de 2000, com a morte do líder da Unita, os angolanos puderam começar a entender o que é viver em paz, muitos pela primeira vez na vida, visto que o país viveu mais de 20 anos em guerra.
 
Muitas ruas continuam esburacadas, mas outras foram ampliadas, existem avenidas que levam a Luanda Sul, a Barra da Tijuca de Luanda. Lá estão os privilegiados, morando nos seus condomínios fechados. Não há violência armada como conhecemos nas grandes cidades brasileiras, apesar da miséria cercar a cidade, tal como retratou Regina Casé, na Central da Periferia.
 
O angolano é sorridente. Agora existe paz. Ele pode viajar livremente pelas províncias. Algumas famílias não se encontraram durante todo o período de guerra. As estradas melhoraram, é permitido rever as terras da infância e muitos contam que se emocionam com essas possibilidades.
 
Os meninos de Luanda que faziam parte da paisagem no período da guerra, trazidos por helicópteros das províncias, jogados ali por suas mães ansiosas em preservá-los da guerra, viraram jovens que vendem de tudo nas esquinas, desde terno a abajur e eletrodomésticos. Alguns conseguiram voltar para suas famílias.
 
A elite de Angola imita o Brasil de hoje. É facílimo nos sentirmos em casa em Angola. Música, alimentação e o jeito alegre de ser.
 
Em Angola se encontram os brasileiros de espírito aventureiro, jovens casais, jovens mulheres. Todos têm oportunidade nessa terra que começa a desabrochar e a mostrar ao mundo suas rosas de porcelana e muitas riquezas; petróleo, minerais, diamantes.
 
As empresas brasileiras estiveram lá desde a guerra, construindo, pesquisando. Os chineses estão lá em seus guetos, calados e rapidamente construindo prédios e prédios. Quem sabe nem eles resistirão às bonitas e sensuais angolanas? Em minha opinião, na próxima visita que fizer, poderei notar os mulatos de olhinhos puxados como já comentam os angolanos.
 
O espanto fica por conta do velho caminho do desenvolvimento. O desejo de consumir. Uma sociedade represada por anos começa a poder comprar, quando a maioria não tem condições básicas de vida.
 
Carros 4×4 são normais num trânsito que não anda. São Paulo fica para trás. Todos que podem tem dois ou três Prados. Todos que podem tem carro. Não há transporte público, o povo anda de vans, as candongas. Há regras de trânsito, mas elas não são muito respeitadas, o que vale segundo explicam, é: “a prioridade é sempre à direita”. Todos se entendem e nós não entendemos como se buzina todo o tempo, consumindo combustível porque os veículos podem ficar meia hora parados a cada 300 metros percorridos.
 
Desenvolvimento sustentável? Não há qualquer referência, entendimento ou empatia. Exportamos professores, publicitários entre muitos outros profissionais, que estavam em perigo aqui e tinham muito a oferecer lá. Muitos aventureiros. É fácil um estrangeiro ganhar US$ 5.000 em Luanda. Falta todo tipo de profissional para acompanhar o ritmo assombroso de crescimento. A corrupção também não tem fronteiras, o “jeitinho” está lá há muito tempo. Nossas novelas se encarregam de exportar estilo de vida, crenças e desejos de consumo.
 
Regina Casé mostrou a importância da novela brasileira. Hoje ela é assistida em tempo real em Angola. Comunidades percorrem quilômetros para assistir TV onde existe energia. Falta tudo na periferia: energia, saneamento, água. Na cidade, as coisas melhoram pouco a pouco. O paradigma do TER, para a elite, é evidente. As mulheres já vendem frutas, as