Estoque de crédito do Brasil chega ao pior resultado da série histórica

Ilan Goldfajn

Apesar de o BC ter iniciado o ciclo de redução dos juros básicos em outubro, o ano de 2016 foi também marcado pelo encarecimento do crédito e aumento da inadimplência e dos spreads bancários

 

Por Redação – de Brasília

 

O estoque total de crédito no Brasil caiu 3,5% em 2016, a R$ 3,107 trilhões. Trata-se do pior resultado anual e o primeiro no vermelho na série histórica iniciada em março de 2007. Este é mais um reflexo da forte recessão econômica e da deterioração do mercado de trabalho. O resultado divulgado nesta quinta-feira veio pior que a expectativa do BC de uma retração de 3%, divulgada no mês passado.

Ilan Goldfajn
Ilan destacou que a oferta de crédito deverá aumentar ao longo do ano. A previsão, no entanto, não é confirmada pela área técnica do BC

“A contração do crédito em 2016 refletiu a retração da atividade econômica e seus impactos na demanda de consumo e investimento, e o aumento da percepção de risco do sistema financeiro. Destacou-se a redução na carteira de pessoas jurídicas, que repercutiu, adicionalmente, o efeito de expressivas liquidações de contratos de grandes empresas”, avaliou o BC em nota.

Apesar de o BC ter iniciado o ciclo de redução dos juros básicos em outubro, o ano de 2016 foi também marcado pelo encarecimento dos financiamentos e aumento da inadimplência e dos spreads bancários. Considerando apenas o segmento de recursos livres, em que as taxas são definidas livremente pelas instituições financeiras, houve elevação de 4,7 pontos percentuais nos juros médios no ano, a 52,0% em dezembro.

Previsão sobre crédito

Por sua vez, o spread, que mede a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final, subiu 8,1 pontos em 2016. Foi a 40,2 pontos percentuais. Já a inadimplência, ainda segundo o BC, cresceu 0,4 ponto, a 5,7%. Na comparação mensal, porém, os indicadores apresentaram melhoria. Começa, assim, a aparecer o efeito das duas reduções na Selic, de 0,25 ponto cada, que foram feitas no ano.

Entre novembro e dezembro, os juros médios no segmento de recursos livres caíram 2 pontos percentuais. O spread recuou 1,7 ponto percentual e a inadimplência, 0,1 ponto. Em dezembro, o estoque de crédito também apresentou modesto crescimento de 0,1% sobre sobre o mês anterior.

Em 2017, o atual governo espera uma recuperação econômica após dois anos de profunda retração na atividade. O BC, no período, prevê o estoque total de crédito subindo 2%.

Uso do cartão

Na semana passada, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que o Conselho Monetário Nacional (CMN) editaria uma norma sobre os cartões. Em breve, pretende limitar o prazo máximo do rotativo do cartão de crédito para 30 dias. O CMN se reúne nesta quinta-feira. O governo chegou também a estudar uma diminuição do prazo de pagamento das empresas de cartões aos lojistas. A medida poderá valer, caso os juros do segmento não diminuam.

Em dezembro, a taxa cobrada no rotativo do cartão de crédito para pessoas físicas seguiu em alta, encerrando 2016 a um patamar recorde de 484,6% ao ano. A elevação foi de 2,4 pontos sobre novembro e de robustos 53,2 pontos percentuais no ano.

Comércio em crise

No Rio de Janeiro, as vendas do comércio caíram 6,6% em 2016 na comparação com o ano anterior. Foi o pior resultado desde 2003, segundo a pesquisa Termômetro de Vendas, divulgada nesta manhã pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL Rio).

O presidente da instituiçaão, Aldo Gonçalves, destacou que em 2016 todos os meses registraram queda nas vendas na comparação com 2015. Em dezembro, a redução foi de 3,3%, pior resultado para o mês desde 2006. Gonçalves atribuiu o desempenho negativo à crise econômica que o país atravessa, com queda do emprego e da renda, que desestimularam as compras.

Todos os segmentos

Segundo Gonçalves, estratégias adotadas pelos comerciantes, como descontos e promoções, não foram suficientes para reverter o mau resultado. Em 2016, acrescentou, o Natal espelhou a recessão, com juros elevados e desemprego. Estes fatores também tiveram impacto sobre outras datas comemorativas importantes para o faturamento do comércio. Ele cita o Dia dos Pais, Dia das Mães e Dia das Crianças.

A pesquisa mostra que, em dezembro, todos os segmentos tiveram resultados negativos. As maiores quedas foram registradas nos ramos de tecidos (-12,2%), calçados (-7,4%), joias (-7,3%) e confecções (-6,6%).

De acordo com o presidente do CDL Rio, a falta de segurança e mudanças no trânsito no centro e na Zona sSl da cidade também contribuíram para a queda nas vendas do comércio carioca no ano passado, principalmente nas lojas de rua.

Inadimplência

A pesquisa revela também aumento de 2,3% da inadimplência no comércio lojista do Rio de Janeiro em dezembro. O cálculo é em relação ao mesmo mês de 2015. Foi o maior índice de aumento para o mês desde 2007, de acordo com os registros do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) do CDL Rio.

No acumulado de 2016, a inadimplência cresceu 2,1% em relação a 2015.

Como colocar a extrema direita no poder

Piketty, filósofo e economista francês, avalia o quadro em que a direita tende a voltar ao poder na Europa

Le Pen é capaz de se posicionar como a única oposição credível para a direita liberal no segundo turno

 

Por Thomas Piketty – de Nova York, EUA

Em menos de quatro meses, a França terá um novo presidente. Ou uma presidente: depois de Trump e do Brexit, não se pode excluir que as pesquisas, mais uma vez, estejam erradas. E que a direita nacionalista de Marine Le Pen esteja se aproximando da vitória. E, mesmo que se conseguisse evitar o cataclisma, existe um risco real. Le Pen é capaz de se posicionar como a única oposição credível para a direita liberal no segundo turno.

Piketty, filósofo e economista francês, avalia o quadro em que a direita tende a voltar ao poder na Europa
Piketty, filósofo e economista francês, avalia o quadro em que a direita tende a voltar ao poder na Europa

No lado da esquerda radical, espera-se, naturalmente, no sucesso de Jean-Luc Mélenchon, mas, infelizmente, não é o cenário mais provável.

Essas duas candidaturas têm um ponto em comum: põem novamente em discussão os tratados europeus e o regime atual de concorrência exacerbada entre países e territórios. Isso atrai muitos daqueles que a globalização deixou para trás.

Há também diferenças substanciais: apesar de uma retórica destrutiva e de um imaginário geopolítico às vezes inquietante, Mélenchon conserva, apesar de tudo, uma certa inspiração internacionalista e progressista.

Direita xenófoba

O risco desta eleição presidencial é que todas as outras forças políticas – e a grande mídia – se contentem em fustigar essas duas candidaturas e em colocar ambas no mesmo saco, definindo-as como “populistas”. Esse novo insulto supremo da política, já utilizado nos Estados Unidos com Sanders, com o resultado que sabemos, corre o risco, mais uma vez, de ocultar a questão de fundo.

O populismo nada mais é do que uma resposta, confusa, mas legítima, ao sentimento de abandono das classes populares dos países desenvolvidos diante da globalização e do aumento da desigualdade. É preciso confiar nos elementos populistas mais internacionalistas (e, portanto, na esquerda radical, encarnada nos diversos países pelo Podemos, pelo Syriza, por Sanders ou por Mélenchon, independentemente dos seus limites) para construir respostas precisas a esses desafios. Caso contrário, a tendência nacionalista e xenófoba acabará por abalar tudo.

Infelizmente, é a estratégia da negação que os candidatos da direita liberal (Fillon) e do centro (Macron), estão se preparando para seguir, determinados, ambos, a defender o status quo integral sobre o fiscal compact, o pacto de orçamento europeu assinado em 2012.

Não que isso chame a atenção, já que um o negociou, e o outro o aplicou. Todas as pesquisas confirmam isto: esses dois candidatos seduzem, acima de tudo, os vencedores da globalização com nuances interessantes (os católicos com o primeiro, e os burgueses radical-chic com o segundo). Mas, em última análise, são pontos secundários em relação à questão social.

Zona do euro

Os candidatos citados pretendem encarnar o perímetro da razão: quando a França tiver reconquistado a confiança da Alemanha, de Bruxelas e dos mercados, desregulando o mercado de trabalho, reduzindo os gastos públicos e os déficits, eliminando o imposto sobre o patrimônio e aumentando o imposto sobre o consumo (IVA), então, finalmente, será possível pedir que os nossos parceiros venham ao nosso encontro a respeito da austeridade e da dívida.

O problema desse discurso que parece ser razoável é que ele não o é de todo. O tratado de 2012 é um erro monumental, que aprisiona a zona do euro em uma armadilha mortífera, impedindo-a de investir no futuro. A experiência histórica mostra que é impossível reduzir uma dívida pública desse nível sem recorrer a medidas excepcionais. A menos que os países se condenem a registrar superávits primários durante décadas, comprometendo, no longo prazo, qualquer capacidade de investimento.

De 1815 a 1914, o Reino Unido passou um século registrando excedentes orçamentários enormes para reembolsar os seus rentistas e reduzir a dívida exorbitante produzida pelas guerras napoleônicas. Essa escolha nefasta produziu investimentos em formação inadequados e um novo impasse do país.

Dívidas

Entre 1945 e 1955, ao contrário, Alemanha e França conseguiram se desembaraçar rapidamente de uma dívida de proporções semelhantes com uma combinação de medidas de cancelamento da dívida, inflação e impostos excepcionais sobre o capital privado, colocando-se em condições de investir no crescimento.

Seria preciso fazer o mesmo hoje, impondo à Alemanha um Parlamento da zona do euro para aliviar as dívidas com toda a legitimidade democrática necessária. Se não for assim, o atraso nos investimentos e a estagnação da produtividade já observados na Itália acabarão por se estender para a França e para toda a zona do euro (já há sinais nesse sentido).

É mergulhando novamente na história que conseguiremos sair do impasse atual, como acabaram de recordar os autores da magnífica Histoire mondiale de la France, ótimo antídoto às tendências identitárias do país. De maneira mais prosaica e menos divertida, é preciso também mergulhar nas primárias organizadas pela esquerda de “governo” (chamamo-la assim por não ter  conseguiu organizar primárias com a esquerda radical, algo que pode afastá-la do governo).

Frente Nacional

É essencial que essas primárias designem um candidato decidido a colocar drasticamente em discussão novamente as regras europeias. Hamon e Montebourg parecem mais próximos dessa linha do que Valls ou Peillon.

Mas, desde que superem as suas posições sobre a renda universal e o made in France e, finalmente, formulem propostas específicas para substituir o pacto fiscal de 2012. Este acordo foi mencionado apenas de passagem no primeiro debate da televisão. Talvez porque, há cinco anos, todos votaram nele.

Mas é precisamente por isso que é ainda mais urgente esclarecer as coisas, apresentando uma alternativa detalhada. Nem tudo está perdido, mas é preciso agir com pressa, se se quiser evitar colocar a Frente Nacional em uma posição de força.

Thomas Piketty é francês, economista, doutor em Filosofia pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e escritor do livro O Capital no Século XXI.

Publicado em português, originariamente, no site Outras Palavras, com tradução do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

Recessão no país reduz gastos de brasileiros no exterior

dólar

Sem recessão, as viagens de estrangeiros ao Brasil, por sua vez, aumentaram de US$ 5,844 bilhões em 2015, para US$ 6 bilhões em 2016. Um crescimento nominal de 3%

 

Por Redação – de Brasília

 

Em decorrência da recessão econômica porque passa o Brasil, os gastos dos brasileiros no exterior caíram 16,5% em 2016. O termo de comparação refere-se a 2015. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC), nesta terça-feira. A redução foi US$ 17,357 bilhões para US$ 14,497 bilhões.

dólar
O gasto de dólares, no exterior, com as compras de turistas brasileiros, observou nova queda. A recessão tem espantado os turistas dos shoppings

As receitas com viagens de estrangeiros ao Brasil, por sua vez, aumentaram de US$ 5,844 bilhões em 2015, para US$ 6 bilhões em 2016. Um crescimento nominal de 3%. A alta ocorreu no ano em que o Rio de Janeiro sediou as Olimpíadas, atraindo turistas de várias partes do mundo.

No mês de dezembro, em que parte da população tira férias, os gastos de brasileiros com viagens internacionais aumentaram em relação ao mesmo período de 2015. A elevação foi R$ 1,245 bilhão para R$ 1,392 bilhão, o equivalente a 11,8%.

Transações correntes

Os gastos de turistas estrangeiros no país passaram de US$ 592 milhões, em dezembro de 2015, para US$ 451 milhões em igual mês de 2016. Houve queda, portanto, de 23,8%.

A conta de viagens internacionais encerrou o ano passado com déficit, negativa em US$ 8,473 bilhões. No mês de dezembro, a conta teve déficit de US$ 941 milhões.

A conta de viagens internacionais é parte das transações correntes. Ou seja, das trocas comerciais de produtos e serviços do Brasil com o resto do mundo. Em 2016, as transações correntes registraram déficit de US$ 23,5 bilhões.

Em recessão

Em vez de gastar dinheiro em compras no exterior, parte dos brasileiros tem preferido pagar dívidas. O número de famílias endividadas caiu 3,9% no ano passado, segundo estudo da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em contrapartida, o número de famílias com contas ou dividas atrasadas (inadimplentes) aumentou 18,4% em comparação a 2015. A recessão econômica tem sido decisiva nesse fator. Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de 2016, divulgada nesta terça-feira.

O levantamento mostra que apesar da redução no número médio de famílias endividadas em relação a 2015, os indicadores de inadimplência apresentaram alta no período. Principalmente no terceiro trimestre do ano. Com isso, a parcela de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou em relação a 2015, atingindo 23,6% do total.

Já o número de famílias inadimplentes (que não tiveram condições de pagar suas contas em atraso) alcançou 8,9%. Representa um aumento de 25,2% em comparação com o ano anterior.

Para o economista da Confederação, Bruno Fernandes, tanto a queda do nível de endividamento como o aumento da inadimplência “foram reflexos da retração da economia doméstica em 2016”. Para ele, “a desaceleração do consumo, proveniente da piora do mercado de trabalho e das altas taxas de juros, ocasionou maior dificuldade às famílias para honrar os seus compromissos no período”.

Cartão de Crédito

A pesquisa divulgada pela CNC constatou, mais uma vez que, assim como nos anos anteriores, o cartão de crédito foi o principal vilão. Foi o responsável pelo endividamento, com a modalidade atingindo no ano passado 77,1% das famílias. O carnê vem em segundo lugar, atingindo 15,4% das famílias. E, em terceiro lugar, as dividas contraídas por famílias para financiamento de carro, que chegam a 11,2% do total.

Outro dado importante, constatado pela pesquisa, foi o crescimento do crédito pessoal entre os tipos de dividas mais citados. Aparece com 10,3% de participação. Segundo o estudo, “contrariando uma tendência de redução neste tipo de endividamento, que vinha sendo observado nos últimos três anos”. No ano passado, por exemplo, a média deste tipo de endividamento era de 9%.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de 2016 constatou uma piora na percepção das famílias quanto ao seu nível de endividamento. Parcela média da renda mensal, porém, segue comprometida com o pagamento de dívidas. O dado permanece estável em 30,6%.

Já a média anual do percentual de entrevistados que relataram estar muito endividados aumentou de 12,4% em 2015 para 14,3% em 2016.

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional) é apurada mensalmente pela CNC, desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

A ‘esquerda trumpista’ está perdendo o juízo

A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas foi recebida como um terremoto político

Trump foi eleito defendendo uma política econômica interna ultraliberal, como não se via desde Reagan, prometendo criar empregos às custas de reduzir impostos de empresas e dos mais ricos, desregulamentar a legislação trabalhista, reduzir a intervenção do Estado na economia interna

 
Por Breno Altman – de São Paulo

 

Duas novas fantasias da rapaziada.

A primeira delas é achar que o novo presidente norte-americano está se voltando contra a “globalização neoliberal”.

Que piração é essa?

A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas foi recebida como um terremoto político
A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas foi recebida como um terremoto político devido ao conteúdo fascista contido em seu discurso

Trump foi eleito defendendo uma política econômica interna ultraliberal, como não se via desde Reagan, prometendo criar empregos às custas de reduzir impostos de empresas e dos mais ricos, desregulamentar a legislação trabalhista, reduzir a intervenção do Estado na economia interna e eliminar investimentos na rede de bem-estar social, afetando especialmente os grupos sociais mais vulneráveis, como é o caso dos imigrantes.

Montou um gabinete na medida para essa política e já começou a entregar o que prometeu.

Burguesia

Do ponto de vista internacional, seus “ataques à globalização”, salvo eventualmente em casos pontuais, como pode provisoriamente ocorrer com Rússia e Siria, Trump não representa menos imperialismo, mas exatamente o oposto: os pactos atuais com as burguesias europeias, asiáticas e dos países emergentes serão revistos para impor mais benefícios e vantagens à burguesia norte-americana, não ao contrário.

Trump é contra a Nafta porque considera esse acordo excessivamente condescendente com os mexicanos e canadenses, desejando alterar o equilíbrio de uma balança já desequilibrada.

A mesma coisa com o TPP.

Trump será o presidente mais anti-Cuba e pró-Israel das últimas décadas.

A derrota de Hillary foi positiva, de um ponto de vista geopolítico, porque Trump terá mais dificuldade de manter a unidade da burguesia mundial e o acirramento das contradições nas classes dominantes pode ajudar a reorganização e a retomada de iniciativa do campi anti-imperialista.

‘Neoliberalismo progressista’

Daí a considerar Trump um adversário da “globalização neoliberal”, vai uma enorme é intransponível distância.

A segunda fantasia da “esquerda trumpista” se revela de forma melíflua, na crítica velada ou aberta às gigantescas manifestações de mulheres contra o novo presidente.

O argumento: seria a reação do “neoliberalismo progressista” contra uma política que deseja superar o Consenso de Washington e burlar o resultado eleitoral.

Trump e a esquerda

Papo furado: as marchas foram chefiadas pela esquerda norte-americana, Angela Davis à frente, e não há qualquer protagonismo dos democratas de Hillary e Obama, que simplesmente foram deslocados do centro da disputa política que se trava nas ruas, pois são incapazes, por interesses da classe a qual se vinculam, a mesma de Trump, de fazer uma crítica frontal às opções do récem-empossado mandatário.

Se a fração mais progressista dos democratas, Sanders e seus seguidores, se juntar com o movimento liderado por mulheres e negros, mas que arrasta o conjunto das forças progressistas, talvez a esquerda norte-americana volte a ter uma chance, cinquenta anos depois da mobilização contra a guerra do Vietnã e dos levantes negros dos anos 60, de construir uma alternativa unitária e viável de poder.

A “esquerda trumpista” pode continuar ladrando, mas é melhor se dar conta de qual caravana está passando.

Breno Altman é jornalista, diretor da Revista Samuel e do site de notícias Opera Mundi.

Expectativa de crescimento do PIB para 2017 foi para o vinagre, antecipa economista

Meirelles, falando a bilionários em Davos, tentou passar algum otimismo, mesmo sem números fortes o suficiente para provar sua tese

O cenário econômico aponta para um desempenho mais fraco do que o previsto há apenas um mês e meio. Em Davos, na Suíça, onde se encontrava nesta quarta-feira o chefe da pasta, Henrique Meirelles, tentou enfatizar que haverá uma recuperação trimestral do PIB

 

Por Redação, com agências internacionais – de Davos, Suíça, e São Paulo

 

Diante da crise político-econômica que se agravou no país, após o golpe de Estado em Maio do ano passado, o Ministério da Fazenda indica que vai reduzir a expectativa de crescimento econômico do Produto Interno Bruto (PIB) para 2017. O resultado negativo é previsto, apesar da aceleração na queda dos juros oficiais.

Meirelles, falando a bilionários em Davos, tentou passar algum otimismo, mesmo sem números fortes o suficiente para provar sua tese
Meirelles, falando a bilionários em Davos, tentou passar algum otimismo, mesmo sem números fortes o suficiente para provar sua tese

O cenário econômico aponta para um desempenho mais fraco do que o previsto há apenas um mês e meio. Em Davos, na Suíça, onde se encontrava nesta quarta-feira o chefe da pasta, Henrique Meirelles, tentou enfatizar que haverá uma recuperação trimestral. Ele acredita que a tendência é de alguma aceleração ao longo do ano. Mas, na realidade, os números mencionados por ele mesmo já ‘foram para o vinagre’, segundo um analista econômico ouvido pela reportagem do Correio do Brasil, em São Paulo.

Sem compras

Um dos pontos que reforça o passo atrás por parte da equipe econômica do presidente de facto, Michel Temer, é a queda nas vendas do comércio. O fluxo de clientes em shopping centers caiu 2,5% em dezembro sobre um ano antes. O dado é equivalente a 9,3 milhões de visitas a menos, mostrou o Iflux, índice do mercado de shoppings, desenvolvido pelo Ibope Inteligência e pela Mais Fluxo.

A pesquisa aponta que a maior queda no mês passado aconteceu na semana que antecedeu o Natal – de 17 a 24 de dezembro, com queda de 4,1% no fluxo ante o mesmo período do ano anterior. Nas duas primeiras semanas do mês houve acréscimo de 0,4% e declínio de 0,4%, respectivamente, com a última semana do ano mostrando recuo de 0,2%.

“Confirmando a tendência observada em meses anteriores, os shoppings que apresentam melhores resultados em dezembro são os classificados como ‘dominantes’ em seus mercados e os que atendem a um perfil de clientes mais qualificado – predominância de classe AB”, afirmou trecho do documento.

PIB fraco

Em linha com o raciocínio de Meirelles, a intenção de consumo das famílias caiu 1,7% em janeiro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A queda foi provocada principalmente pela piora na perspectiva de compra a prazo (-11,9%), o que impacta, diretamente, no PIB deste ano.

Também houve quedas na avaliação sobre a renda atual (-6,9%), no nível de consumo atual (-5%) e na perspectiva profissional (-0,9%). Por outro lado, houve crescimento na avaliação sobre o emprego atual (1,2%), perspectiva de consumo (7,3%) e momento para a compra de bens duráveis (8,4%).

Na comparação com dezembro de 2016, a intenção de consumo das famílias manteve-se estável. Se por um lado, houve queda em componentes como o emprego atual (-1%) e a renda atual (1%), por outro, houve crescimento de 3,2% no momento para compra de duráveis e de 1,7% no nível de consumo atual.

Sem moradia

A queda nas vendas de imóveis residenciais novos na capital paulista é outro fator que traduz a crise no país. O setor teve queda de 30,3% em novembro de 2016, na comparação com novembro de 2015. Os dados também foram divulgados pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Foram comercializadas 1.724 unidades em novembro, contra 2.473 unidades no mesmo mês do ano anterior. Em relação a outubro, houve alta de 14,4%. No acumulado de janeiro a novembro de 2016, foram comercializadas 14.048 imóveis, 18,7% menos que o mesmo período em 2015.

A cidade encerrou o mês de novembro com a oferta de 24.968 residencias disponíveis para venda, resultado 1,6% superior a outubro e 8,2% menor em comparação a novembro de 2015. A oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos lançados nos últimos 36 meses.

Em novembro, 3.214 unidades residenciais foram lançadas, volume 45% superior a outubro e 8,8% inferior a novembro de 2015. De janeiro a novembro, foram ofertadas 15.603 residências, queda de 19,5% em comparação ao mesmo período de 2015.

Os imóveis de dois dormitórios predominaram em quase todos os indicadores da pesquisa, foram 758 residencias vendidas e 1.594 lançadas. Imóveis com área útil entre 45 metros quadrados (m²) e 65 m² predominaram nas vendas (584 unidades) e nos lançamentos (1.335 residencias), seguidos pelos imóveis com menos de 45 m², que tiveram 540 unidades vendidas e 754 lançadas.

Novo secretário de Trump levou empregos dos EUA para o exterior

Ross ficará encarregado, no governo Trump, por reativar o mercado de trabalho nos EUA

Secretário de Trump, como um investidor de alto risco há uma década, Ross se especializou em revitalizar companhias com problemas. A ação ocorreu em uma época em que a economia dos EUA estava perdendo mais de 100 mil empregos por ano por conta do comércio global

 

Por Redação, com Reuters – de Washington

 

O bilionário Wilbur Ross, escolhido por Donald Trump para ajudar a implementar a agenda comercial do próximo governo dos Estados Unidos, fez fortuna, em parte, ao gerenciar negócios que levaram milhares de empregos para fora dos Estados Unidos. Os dados são do Departamento de Trabalho dos EUA, obtidos pela agência inglesa de notícias Reuters

Ross ficará encarregado, no governo Trump, por reativar o mercado de trabalho nos EUA
Ross ficará encarregado, no governo Trump, por reativar o mercado de trabalho nos EUA

Como um investidor de alto risco há uma década, Ross se especializou em revitalizar companhias com problemas. A ação ocorreu em uma época em que a economia dos EUA estava perdendo mais de 100 mil empregos por ano por conta do comércio global.

Uma audiência de confirmação do Senado sobre sua nomeação para secretário do Comércio está marcada para quarta-feira. Apoiadores dizem que Ross salvou milhares de empregos nos EUA ao resgatar empresas da falência. Dados obtidos pela Reuters através da Lei de Acesso à Informação dos EUA mostram que esses esforços de resgate vieram com um preço.

Mais empregos

As companhias têxteis, de finanças e de peças de automóveis controladas por ele eliminaram 2,7 mil postos de trabalho nos EUA. O movimento ocorre desde 2004, por conta do envio da produção para outros países. As informações constam de um programa do Departamento de Trabalho que dá assistência a trabalhadores que perderam seus empregos por conta do comércio global.

Os dados inéditos correspondem a uma pequena fração da economia dos EUA, a qual tem visto os dados de emprego flutuarem a cada mês. Mas o histórico de Ross conflita com a promessa de Trump de proteger trabalhadores norte-americanos da globalização.

Recentemente, Trump foi elogiado por salvar 800 empregos na empresa Carrier, em Indiana. Fez até mesmo fazendo um tour pela fábrica para apertar as mãos de funcionários. O presidente eleito também tem pressionado a Ford e outras montadoras a manterem empregos nos EUA.

Ross não respondeu a diversos pedidos de comentários. As atividades do executivo não são incomuns em uma época em que a globalização tem reduzido as fronteiras internacionais de comércio.

Dólar comportado

Apesar da proximidade da posse de Trump, o dólar operava em queda de quase 1% ante o real nesta terça-feira. Internamente, era influenciado pela volta do Banco Central ao mercado cambial e também pelo recuo da moeda norte-americana no exterior.

Às 10:27, o dólar recuava 0,92%, a R$ 3,2087 na venda, depois de ter acumulado ganho de 1,98% nos dois pregões anteriores. Na mínima do dia, o dólar foi a R$ 3,1924. O dólar futuro cedia cerca de 1,10%.

— O Banco Central agiu para preservar a segurança do mercado e dar mais tranquilidade aos agentes diante dos fatos externos — destacou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva. O último leilão de swap tradicional havia sido em 12 de dezembro passado.

Volta dos swaps

O BC anunciou, na noite passada, que fará nesta sessão leilão de até 12 mil contratos de swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. A decisão foi tomada após avaliar as condições de mercado. A venda será para rolagem dos contratos que vencem em fevereiro e que somam o equivalente a US$ 6,431 bilhões.

Se mantiver o mesmo ritmo de swaps ofertados nos próximos dias e vendê-los na íntegra, o BC rolará o volume total em 11 leilões. A última vez que o BC entrou no mercado de câmbio foi dia 13 de dezembro.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária poderá sempre fornecer hedge a empresas. Isso, se os mercados não estiverem funcionando bem. E se houver problemas de liquidez, acrescentando ainda que o BC pode usar suas ferramentas cambiais para evitar volatilidade excessiva. Também, no caso da falta de liquidez dentro do regime de câmbio flutuante. Esta, afirmou, seria a primeira linha de defesa da economia contra choques externos.

O mercado externo também contribuía para o movimento de queda do dólar. A moeda norte-americana cedia ante uma cesta de moedas e divisas de emergentes, como o peso mexicano.

Apenas oito bilionários, brancos, detém a riqueza de metade dos pobres do mundo

Bill Gates

A Oxfam, descrevendo essa desigualdade como “obscena”, disse que se os novos dados estivessem disponíveis antes, teriam mostrado que, em 2016, a riqueza de oito pessoas é a mesma de 3,6 bilhões que compõem a metade mais pobre da humanidade

 

Por Redação, com Reuters – de Davos, Suíça

 

Apenas oito indivíduos, todos homens, e brancos, possuem tanto dinheiro quanto a metade mais pobre da população mundial. A constatação está no relatório apresentado, nesta segunda-feira, pela Oxfam. O documento pede por ações que reduzam os ganhos daqueles que já estão no topo.

Bill Gates
Bill Gates preside uma fundação beneficente, pela qual tenta distribuir parte da sua riqueza

Em um momento no qual políticos e muitos bilionários se reúnem para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o relatório da ONG sugere que a desigualdade de renda está maior do que nunca. Novos dados para China e Índia indicam que a metade mais pobre da população mundial possui menos recursos do que anteriormente estimado.

A Oxfam descreveu essa desigualdade como “obscena”. No relatório, disse que se os novos dados estivessem disponíveis antes, teriam mostrado que, em 2016, oito pessoas possuem o mesmo que as 3,6 bilhões que compõem a metade mais pobre da humanidade. Antes, era estimado que 62 pessoas correspondessem a essa parcela da população.

A riqueza das elites

Em 2010, foram necessários os ativos combinados das 43 pessoas mais ricas do mundo para se igualar às riquezas somadas dos 50% mais pobres, de acordo com os mais recentes cálculos.  A desigualdade tem movimentado a agenda internacional nos últimos anos. Inclusive tendo o papa Francisco entre aqueles que alertaram sobre seus efeitos corrosivos. Ao passo que um ressentimento com as elites tem ajudado a motivar um surto no populismo político.

— Vemos muita preocupação, e claramente a vitória de Trump e o Brexit deram novo ímpeto a isso neste ano. Mas há uma falta de alternativas concretas. Há maneiras diferentes de gerenciar o capitalismo que poderiam ser muito, muito mais benéficas para a maioria das pessoas — disse Max Lawson, chefe de políticas da Oxfam. 

A Oxfam pediu em relatório para que se reprimisse evasão fiscal e por uma mudança no chamado capitalismo acionário “sobrecarregado”. O sistema recompensa desproporcionalmente os ricos. Enquanto muitos trabalhadores lutam com rendas estagnadas, a riqueza dos super ricos tem crescido uma média de 11% ao ano desde 2009.

‘Grande filantropia’

Bill Gates, homem mais rico do mundo e rotineiro frequentador de Davos, viu sua fortuna crescer em 50%. É o equivalente a US$ 25 bilhões, desde que anunciou planos de deixar a Microsoft em 2006. Durante o período, Gates tem feito esforços para se desfazer de grande parte dessa riqueza.

Embora Gates exemplifique como a riqueza excessiva possa ser reciclada para ajudar os pobres, a Oxfam acredita que a “grande filantropia” não ajuda a solucionar o problema fundamental. 

— Se bilionários escolherem dar seu dinheiro, essa é uma coisa boa. Mas a desigualdade importa e você não pode ter um sistema onde bilionários estão sistematicamente pagando menos impostos do que suas secretárias ou seus faxineiros — disse Lawson. A Oxfam baseou seus cálculos em dados do banco suíço Credit Suisse e da revista Forbes.

Os oito indivíduos nomeados no relatório são Gates; Amancio Ortega, fundador da Inditex e o investidor veterano Warren Buffett. O magnata mexicano Carlos Slim; o chefe da Amazon, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, do Facebook. Larry Ellison, da Oracle, e o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.

Governo autoriza barreira na internet ‘para o bem do usuário’

Gilberto Kassab

O executivo afirmou que o “objetivo é beneficiar os usuários (…) para o usuário ter melhores serviços (…) As empresas têm seus limites”, disse Kassab. Não ficou claro na entrevista como usuários poderão se beneficiar com a imposição de limites ao uso da banda larga

 

Por Redação, com Reuters – de Brasília

 

Ocupante da pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab antecipou um escândalo. O governo federal está prestes a taxar o uso da internet. Deverá adotar, a partir do segundo semestre, regulamentação que permitirá a venda de pacotes com limites de dados ao serviço. As operadoras de banda larga fixa estarão liberadas para ampliar seus lucros.

Gilberto Kassab
Kassab está prestes a autorizar um dos maiores saques aos bolsos dos internautas

O executivo afirmou que o “objetivo é beneficiar os usuários (…). Para o usuário ter melhores serviços (…) As empresas têm seus limites”, disse Kassab. Não ficou claro na entrevista como os usuários poderão se beneficiar com a imposição de limites ao uso da banda larga.
Questionado especificamente se haverá um período de adaptação em que os assinantes de banda larga fixa passarão a ter limite no pacote de dados, o ministro respondeu: “Exatamente”.

Kassab, porém, na sequência afirma que o “governo sempre estará ao lado do usuário”, ao responder questionamento sobre se haverá uma redução para os clientes do serviço de banda larga fixa. “Vai ficar muito claro isso (…). O problema não é redução é ponto de equilíbrio”, disse.

Bilhões incorporados

Procurados, representantes do ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações não comentaram o assunto. A limitação dos serviços de banda larga fixa tem sido defendida há meses por executivos do setor. Em abril passado, o ex-presidente da Telefônica Brasil, que atua sob a marca Vivo, afirmou que a empresa poderia criar planos com limites de dados para a banda larga fixa em um ou dois anos.

Já em junho, depois de sofrer fortes críticas de entidades de defesa do direito dos consumidores e de grupos civis, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançou uma consulta pública sobre a imposição de limites à banda larga fixa no país.

A retomada da discussão vem em um momento em que o governo Michel Temer aguarda posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) para sancionar mudanças nas regras da telefonia fixa, permitindo que operadoras como a Oi incorporem bilhões de reais em ativos da União e deixem de ter metas de universalização de serviços que hoje vigoram sobre os contratos de concessão.

BC reduz juros mas medida não atenua recessão, afirma sindicalista

Presidente da CTB, Araújo aponta discrepâncias na política econômico em curso no país

Segundo o presidente da CTB, Adilson Araújo, a redução dos juros “é insuficiente para destravar a economia. Se o BC diz que a inflação era o principal motivo para a alta dos juros é de se estranhar que os juros não caiam na mesma proporção da inflação”

 

Por Redação, com ACS/CTB – de São Paulo

 

Uma redução que pouco influenciará na conjuntura e que não mudará o cenário de crise que o Brasil vive hoje”, avaliou o presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, ao comentar a redução da taxa de juros Selic anunciada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). De acordo com a nota, o Copom reduziu a taxa de juros de 13,75% para 13%. Mesmo com o corte, o país segue líder mundial de juros.

Presidente da CTB, Araújo aponta discrepâncias na política econômico em curso no país
Presidente da CTB, Araújo aponta discrepâncias na política econômico em curso no país e critica as últimas decisões do BC

Segundo ele, a redução “é insuficiente para destravar a economia. Se o BC diz que a inflação era o principal motivo para a alta dos juros é de se estranhar que os juros não caiam na mesma proporção da inflação”. E completou:

— Mesmo com a inflação em queda, os juros reais ainda são os mais altos do mundo. Não haverá alívio.

Heranças

Dados de taxa de juros nominal em relação à expectativa de inflação, coletados no IPEAdata, para o período de 2010 a 2016, comprovam uma relação desapartada entre os juros e a inflação.

— Para enfrentar a crise fiscal é preciso reduzir substancialmente a taxa de juros, reestruturar a dívida pública, combater a sonegação e realizar uma reforma tributária progressista que desonere o trabalho e tribute mais o capital financeiro, aumente o imposto sobre heranças, os lucros (sobretudo os obtidos com a especulação financeira) e taxe as remessas de lucros e dividendos ao exterior — afirma o dirigente sindical.

Araújo lembra que a crise, aqui como em todo o mundo, é uma produção do capitalismo e dos capitalistas.

— Lutaremos para que seja paga pelos ricos — disse.

O Brasil precisa crescer, mas a atual política monetária, em aliança com as políticas fiscal e cambial, tem sido o grande obstáculo à realização deste objetivo nacional.

Círculo vicioso

É bom registrar que a política de juros altos desestimula o investimento e é um dos principais fatores para o processo de desindustrialização que ocorre no Brasil. Ou seja, reduz o aumento da capacidade produtiva. Ao final, a economia não cresce e cria-se um círculo vicioso: a baixa oferta provoca mais inflação, que faz os juros subirem mais, que inibe novos investimentos, o que, ao final, leva a taxas de investimento mais baixas.

E mais, os juros altos também desestimulam o consumo. E sem ter consumidores, os empresários decidem reduzir sua produção, e diminuem as contratações. Mais gente sem emprego significa menos consumo, e o círculo vicioso se perpetuaria.

Araújo lembra que o Brasil segue ocupando o primeiro lugar no ranking dos países que possuem as maiores taxas de juros real, descontada a inflação.

— Os investimentos somente voltarão se houver consumo e redução do desemprego — acrescentou.

Juros básicos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou mais uma vez as expectativas do mercado. Reduziu, novamente, na noite passada, a taxa básica de juros, desta vez com mais intensidade, em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano. Foi o terceiro corte seguido – os anteriores haviam sido de 0,25 ponto cada. A decisão foi unânime e sem viés.

A Selic permaneceu em 14,25% do final de julho de 2015 até outubro do ano passado, quando teve duas reduções antes da decidida nesta quarta (11), no encerramento da reunião do Copom. Os 13% significam o menor nível em quase dois anos, desde março/abril de 2015. Em termos reais, descontada a inflação, a taxa é de 6,31%, quase duas vezes maior que há um ano.

Já se esperava uma redução maior da taxa de juros devido às previsões de que a crise econômica vai durar mais do que se previa. O anúncio feito nesta quarta da inflação oficial (IPCA) de 2016, em 6,29%, abaixo do teto da meta, reforçou essa expectativa.

Política monetária

“O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente”, diz o Comitê, em nota divulgada ao término da reunião. “A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico.”

No comunicado, o Copom diz que avaliou reduzir a taxa básica para 13,25%, sinalizando intensidade maior para a próxima reunião, marcada para 21 e 22 de fevereiro. “Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização”.

Teto de gastos

Para o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), a redução é positiva, mas insuficiente. “Esperamos, agora, que esta queda anunciada pelo Copom seja o início de uma nova etapa, com juros mais baixos. Reduzir os juros é um primeiro e decisivo passo rumo à recuperação da economia nacional”, afirmou, em nota.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a decisão acertada “diante da forte desaceleração da inflação e da frustração das expectativas de recuperação da atividade econômica”. Mesmo considerando a medida importante para a recuperação, a entidade acrescenta que “uma trajetória sólida de redução dos juros e a manutenção das taxas em patamares baixos no longo prazo dependem do avanço das medidas de ajuste fiscal”.

A CNI cita a emenda de teto de gastos, já aprovada, e a proposta de reforma da Previdência, em tramitação no Congresso.

Vendas do comércio fecham as contas no vermelho

varejo

Os resultados permanecem negativos para o volume de vendas no comércio. Além dos -6,4% do ano, o acumulado dos últimos doze meses fechou negativo em 6,5%

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta terça-feira, revela que as vendas do comércio varejista do país fecharam o período janeiro-novembro com queda de 6,4%, na comparação com o mesmo período de 2015.

varejo
O Comércio Varejista Ampliado encerrou o ano em queda informou o IBGE

Os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) indicam que, em novembro, a receita nominal do setor cresceu 0,9% frente a outubro. Já no resultado acumulado de janeiro a novembro, a receita nominal do varejo cresceu 4,8%, frente ao mesmo período de 2015.

O IBGE ressalta que a variação positiva do volume de vendas em novembro compensou parte da perda acumulada pelo setor de 2,3% de julho a outubro. Contribuíram, assim, para interromper a trajetória de queda no indicador de média móvel trimestral, de 0,3% observada desde maio de 2016.

Na série sem ajuste sazonal, no confronto com igual mês do ano anterior, o volume de vendas caiu 3,5% em relação a novembro de 2015. Foi a vigésima taxa negativa seguida nesse tipo de comparação. Ainda assim, foi o recuo menos acentuado desde os -2,7% de junho de 2015.

Assim, os resultados permanecem negativos para o volume de vendas. Além dos -6,4% do ano, o acumulado dos últimos doze meses fechou negativo em 6,5%.

Comércio em queda

Os dados divulgados pelo IBGE indicam, ainda, que no comércio varejista ampliado (que inclui, além do varejo, veículos, motos, partes e peças de material de construção) as variações sobre o mês imediatamente anterior também foram positivas.

O volume de vendas cresceu 0,6% e a receita nominal 0,3%, na série livre de influências sazonais. E nas comparações que envolvem o ano anterior (série dessazonalizadas), o volume de vendas apresentou resultados negativos com quedas de 4,5% em relação a novembro de 2015, de 8,8% no acumulado do ano e de 9,1% no acumulado dos últimos 12 meses.

Já a receita nominal acusou crescimento de 1,7% sobre novembro de 2015, mas fechou em queda nos períodos janeiro-novembro e nos últimos 12 meses: -0,6% e -0,8%, respectivamente.

Setor varejista

O crescimento de 2% nas vendas do comércio varejista de outubro para novembro deste ano significa resultados positivos em cinco das oito atividades pesquisadas. O principal destaque veio do avanço de 0,9% em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Seguem, ainda por 7,2% de outros artigos de uso pessoal e doméstico e pelos 2,1% de móveis e eletrodomésticos. O setor de equipamentos de escritório, informática e comunicação cresceu 4,3%.

Na outra ponta, entre as atividades com redução no volume de vendas, entre outubro e novembro, aparecem tecidos, vestuário e calçados (-1,5%), livros, jornais, revistas e papelaria (-0,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,4%).

Nos Estados

O crescimento de 2% nas vendas do comércio varejista, entre outubro e novembro do ano passado (série com ajuste sazonal) reflete resultados positivos em 23 das 27 unidades da federação, com as maiores taxas de variação sendo observadas em Tocantins (6%) e Paraíba (3,8%). Alagoas e Roraima, ambos com taxas de -0,9%, são os estados com recuos mais acentuados.

Frente a novembro de 2015, série sem ajuste sazonal, o comércio varejista registrou queda em 21 dos 27 estados para o volume de vendas, com destaque para Pará (-13,7%). Paraíba (11%) apresentou o maior aumento do volume das vendas em novembro.

No comércio varejista ampliado, 23 unidades da federação apresentaram variações negativas na comparação com novembro do ano passado. Em termos de volume de vendas, destacaram-se Pará (-14,2%) e Paraíba (3,2%). Os estados com maior impacto negativo foram São Paulo (-5,1%) e Rio de Janeiro (-7,4%).