Desperdício e fome se aliam no sistema capitalista nacional

Os animais saboreiam os tomates maduros que faltam no prato de mãe desesperada com a fome dos filhos

Enquanto o homem do campo chorava o desperdício de sua safra, a fome no distante balneário de Camboriú leva mãe a abandonar seus dois filhos

 

Por Redação – de Florianópolis e Vitória

 

Enquanto 20 toneladas de tomate foram descartadas em Ibitirama, Região do Caparaó (ES), duas crianças eram abandonadas pela mãe, em Santa Catarina. Ela já não suportava mais vê-las passando fome. Enquanto o motivo do desperdício foi o baixo preço do produto no dia: R$ 10,00 a caixa, para a mãe desesperada a razão do gesto extremo se explica no sistema econômico em vigor.

Os animais saboreiam os tomates maduros que faltam no prato de mãe desesperada com a fome dos filhos
Os animais saboreiam os tomates maduros que faltam no prato de mãe desesperada com a fome dos filhos

Contra esse mesmo sistema, em 1964, guerrilheiros morreram na luta contra as forças da repressão, instaladas após o golpe de Estado civil-militar. A exemplo de hoje, derrubaram um presidente eleito para que se instalasse um regime alinhado com os interesses capitalistas.

Desperdício

No campo, o técnico agrícola Rodrigo Alves Oliveira estava no local onde os tomates foram dispensados. O preço ruim “não compensava pagar o caminhão de frete para vender o produto”, disse.

— Tem que vender por, no mínimo, R$ 30,00 a caixa, para custear o gasto com mão de obra e frete — explicou, a jornalistas locais.

O agricultor que plantou e colheu os frutos Alexander Souza Ramalho fez as contas. Viu que, se mandasse os tomates para o Ceasa, teria um prejuízo de R$ 20,00 por caixa. Diante dos números, preferiu doar cerca de 3 toneladas para asilos e hospitais da região.

— Também liberamos para as pessoas pegarem e alimentamos o gado. Mas as outras 20 toneladas tivemos que descartar porque não tinha quem consumir. Se a gente for levar para outros lugares, vamos ter que pagar o frete. Dá muita dó descartar, mas eu não tinha alternativa — lamenta.

Abandonados

Enquanto o homem do campo chorava a perda de sua safra, no distante balneário de Camboriú duas crianças eram abandonadas pela mãe. O fato ocorreu na noite desta quinta-feira. Elas foram deixadas no quintal de uma casa no bairro Monte Alegre, no Litoral Norte catarinense. No bilhete deixado, a mãe dizia que não aguentava mais ver os filhos passando fome. Pedia, apenas, que as crianças fossem encaminhadas ao conselho tutelar.

Junto das crianças, uma menina de três anos e o irmão de um ano e meio, havia ainda uma mochila com pertences. A caderneta de vacinação, mamadeiras, fraldas e encaminhamentos médicos. De acordo com a documentação encontrada, o menino seria epilético.

Pessoas viram uma mulher abrir o portão da casa, colocar os filhos para dentro e seguir adiante. Um casal que estava no local chamou a Polícia Militar. Segundo o conselheiro tutelar Diego Raphael Rocha Pereira, as crianças estavam sujas e tinham piolhos, mas sem sinais de agressões.

Brasileira avalia IPO de US$ 1,5 bilhão em venda de ações da OneFoods

A comida halal é preparada de forma diferenciada para o mercado muçulmano

A BRF, pela OneFoods, é a maior exportadora mundial de carne de frango. E espera precificar a operação até o final de março ou início de abril. Mas depende das condições dos mercados, afirmaram as fontes

 

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

 

A BRF está se preparando para tentar levantar cerca de US$ 1,5 bilhão com a venda de participação de 20% da unidade OneFoods. A indústria, focada em alimentos para o público muçulmano, será negociada por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO). A informação foi divulgada à agência inglesa de notícias Reuters, nesta quinta-feira, por duas fontes com conhecimento direto do assunto.

A comida halal é preparada de forma diferenciada para o mercado muçulmano
A comida halal da OneFoods é preparada de forma diferenciada para o mercado muçulmano

A BRF é a maior exportadora mundial de carne de frango e espera precificar a operação até o final de março ou início de abril. Mas depende das condições dos mercados, afirmaram as fontes. Londres provavelmente será escolhida como local para a listagem, acrescentaram.

Os recursos do IPO poderão ser usados para ajudar a impulsionar a unidade em países muçulmanos da Ásia. A companhia já controla 45% do mercado de produtos de frango na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e Omã.

O início das operações da OneFoods foi anunciado oficialmente na quarta-feira. Até então, a unidade era conhecida como Sadia Halal. De acordo com a BRF, a OneFoods é a maior companhia halal de proteína animal do mundo. Atuará em um mercado estimado de 1,8 bilhão de pessoas.

OneFoods

Com sede em Dubai, a OneFoods tem cerca de 15 mil funcionários. Mantém, ainda, uma cadeia integrada, com fornecimento de produtos por meio de dez fábricas. Dentre elas, oito são localizadas no Brasil, uma nos Emirados Árabes Unidos e uma na Malásia.

As ações da BRF subiram 1,6%, para R4 49,68 na máxima da sessão verificada mais cedo. Mas perderam o fôlego e recuavam 0,37%, a R$ 48,73, às 12:33. O Ibovespa tinha variação positiva de 0,2%.

Em nota a clientes, o BTG Pactual diz que o IPO da OneFoods ajudaria a BRF a “destravar bastante valor”. A BRF contratou unidades dos bancos de investimento Bank of America e Morgan Stanley para assessorá-la no IPO da OneFoods. O Citigroup também participa da operação, disseram as fontes.

As empresas não comentaram o assunto. Segundo uma das fontes, a BRF estima que a OneFoods tenha um valor de US$ 6,5 bilhões.

Queda nas vendas de máquinas agrícolas acompanha fraqueza na indústria

Na produção de máquinas para a agricultura, que somou 53.017 unidades, o panorama é ainda mais sombrio para a indústria. Uma queda de 4,1% ante 2015

 

Por Redação – de São Paulo

 

A queda nas vendas de máquinas agrícolas no Brasil foi mais um dado negativo para investidores, depois dos números fracos na produção industrial do país. A comercialização destes veículos fecharam 2016 com recuo de 4,8% ante o ano anterior, com um total de 42.839 unidadas negociadas. O informe, divulgado nesta quinta-feira, é da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Máquinas agrícolas são insumo necessário para manter a competitividade na área rural
Máquinas agrícolas são insumo necessário para manter a competitividade na área rural. Fator preponderante para a indústria

Na produção de máquinas para a agricultura, que somou 53.017 unidades, o panorama é ainda mais sombrio. Uma queda de 4,1% ante 2015.

Segundo a Anfavea, a venda e a produção de máquinas começaram a apresentar recuperação a partir do segundo semestre de 2016, mas em ritmo insuficiente para superar o desempenho do ano anterior. Em dezembro, foram comercializadas 4.093 unidades em máquinas agrícolas, com alta de 14,8% ante novembro e de 84% ante o mesmo mês de 2015.

No mês passado, a Anfavea contabilizou a produção de 5.536 unidades dessas máquinas, uma alta de 1% ante novembro. Na comparação anual houve forte avanço, de mais de 500% ante as 906 unidades produzidas em dezembro de 2015.

Resultado pífio

A produção industrial do Brasil voltou a subir em novembro após forte queda no mês anterior, porém muito menos do que o esperado e sem dar indícios de reversão do quadro de fraqueza pelo qual passa a economia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira que a produção industrial avançou 0,2% em novembro na comparação com o mês anterior, contra expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 2,0%. Em outubro, a indústria havia recuado 1,2%.

Na comparação com o mesmo mês de 2015, a produção apresentou queda de 1,1% em novembro, 33ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação e frustrando a expectativa de avanço de 0,45%.

— Com isso a indústria entra em 2017 com carregamento negativo, e vai ficando mais difícil o cenário de crescimento para o setor — avaliou a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Marzola Zara.

Papel e papelão

Segundo ela, o dado deve levar a uma nova revisão por economistas dos números do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre.
— Já tínhamos recuo de 0,5%, e podemos revisar para baixo — acrescentou.

Entre as categorias pesquisadas, segundo o IBGE, a categoria que apresentou queda em novembro foi a de Bens de Consumo Semiduráveis e não Duráveis, de 0,5% sobre o mês anterior, chegando ao quinto mês seguido de perdas. Para Zara, essa foi a surpresa negativa no mês, após aumento das vendas de papel e papelão.

A categoria Bens de Capital, uma medida de investimento, apresentou alta de 2,5% em novembro sobre o mês anterior, depois de mostrar contração por 4 meses seguidos e longe de reverter as perdas. A produção de Bens de Consumo Duráveis avançou 4% na mesma base de comparação, ainda segundo o IBGE.

Atividade na indústria

Dos 24 ramos pesquisados, 13 apresentaram alta na comparação mensal, com destaque para o aumento de 6,1% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. Na outra ponta, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou recuo de 3,3% na mesma comparação.

O setor industrial enfrentou no ano passado a fraqueza da demanda interna diante do cenário de recessão e baixa confiança no Brasil.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial do Brasil atingiu em dezembro o patamar mais fraco em seis meses, com a situação econômica afetando com força a entrada de novos negócios e a produção.

Na pesquisa Focus do Banco Central, os economistas projetam retração de 6,58% da produção industrial em 2016, contribuindo para a queda de 3,49% do PIB. Para este ano, a expectativa é de que a indústria apresente crescimento de apenas 0,88%, com a economia expandindo 0,50%.

Venda de carros novos sofre queda de quase 10%

Volkswagen

Com o resultado do mês passado, os licenciamentos de carros e comerciais leves em 2016 somaram 1,989 milhão de unidades. A queda é de 19,8% sobre 2015, o quarto recuo anual consecutivo

 

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

 

As vendas de automóveis e comerciais leves novos no Brasil em dezembro caíram 9,8% sobre o mesmo período do ano anterior. O número chega a 199,2 mil unidades produzidas. Foi o que informou, nesta terça-feira, uma fonte do setor com acesso a dados preliminares de emplacamentos.

veículos
A entidade estima queda de 9,8% nos licenciamentos de carros e comerciais leves em dezembro

Porém, na comparação com novembro, as vendas de dezembro subiram 14,7%. Foi o melhor desempenho mensal do ano desde a alta de 22% de março contra fevereiro. Os dados são da agência inglesa de notícias Reuters.

Com o resultado do mês passado, os licenciamentos de carros e comerciais leves em 2016 somaram 1,989 milhão de unidades. A queda é de 19,8% sobre 2015, o quarto recuo anual consecutivo.

Juros

A associação de fabricantes de veículos, Anfavea, estimava que as vendas de veículos leves, categoria formada por automóveis e comerciais leves, recuasse 18,8% no ano passado, a 2,014 milhões de unidades. A instituição espera que o mercado brasileiro comece a apresentar recuperação das vendas mais para o segundo semestre deste ano. Apoiada na melhora das perspectivas da economia e por cortes de taxas de juros.

As expectativas de recuperação, no entanto, são modestas. Espera-se crescimento de um dígito, na avaliação da maior parte do setor e da própria Anfavea. No auge, em 2012, as vendas de veículos leves no Brasil somaram 3,6 milhões de unidades.

Em dezembro, General Motors e Fiat Chrysler (FCA) empataram na liderança de vendas de carros e comerciais leves no Brasil. Cada grupo registrou licenciamentos de 37,2 mil veículos, informou a fonte.

Já em todo 2016, a liderança ficou com grupo FCA, com vendas de 364 mil carros e comerciais leves. A GM ficou na segunda posição, com licenciamentos de 345,9 mil unidades, segundo a fonte.

Inflação inicia o ano acelerada em sete capitais do país

IPCA-15

Os dados sobre inflação foram divulgados, nesta terça-feira, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Indicam que o Rio de Janeiro foi a capital com a maior variação percentual entre um período e outro

 

Por Redação – de São Paulo

 

A inflação da última semana de 2016, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) voltou a subir. Fechou com variação de 0,33%, alta de 0,09 ponto percentual em relação aos 0,24% da semana imediatamente anterior. A pesquisa constatou aumento no conjunto das sete capitais do país. São elas Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Porto Alegre.

IPCA-15
A inflação voltou a aumentar nas últimas semanas do ano passado e tende a permanecer em alta

Os dados foram divulgados, nesta terça-feira, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Indicam que o Rio de Janeiro foi a capital com a maior variação percentual entre um período e outro. O Rio fechou com variação de 0,28 ponto percentual, ao passar de 0,27% para 0,55%.

Os dados indicam que quatro das sete capitais pesquisadas registraram crescimento da inflação medida pelo IPC-S, entre um período e outro, com a maior alta sendo verificada mais uma vez em Recife, onde o IPC-S passou de 0,72% para 0,74%.

Preços sobem

Com resultados maiores do que a média nacional, aparece ainda Brasília. A capital federal, com a variação de 0,6%, registrou o segundo maior IPC-S da última semana do ano de 2016.

Embora tenha registrado alta entre a terceira e a quarta quadrissemana, Belo Horizonte fechou com inflação de 0,1%. Isso, depois de uma deflação de 0,01% na semana imediatamente anterior. Porto Alegre, cuja taxa foi de 0,09%, reverteu uma deflação (inflação negativa) de 0,1% na terceira quadrissemana de dezembro.

Em São Paulo, o IPC-S passou de 0,29% para 0,27%, registrando também uma variação menor de preços entre os dois períodos. Em Salvador, o índice passou de 0,21% para 0,19%.

Bitcoin atinge marca recorde e mostra novo segmento econômico

A bitcoin tem passado por uma valorização constante ao longo dos últimos meses, em todo o mundo

A Bitcoin subiu 2,5%, para US$ 1.022 na Bitstamp na Europa, cotação máxima desde dezembro de 2013. Bitcoin é uma moeda como o real, o dólar, o euro, só que virtual

 

Por Redação, com Reuters – de Berlim

 

A moeda digital bitcoin abriu 2017 avançando para acima de US$ 1 mil pela primeira vez em três anos na manhã desta segunda-feira. Superou, assim, todas as moedas correntes emitidas por bancos centrais, com uma valorização de 125% em 2016.

A bitcoin tem passado por uma valorização constante ao longo dos últimos meses, em todo o mundo
A bitcoin tem passado por uma valorização constante ao longo dos últimos meses, em todo o mundo

A Bitcoin subiu 2,5%, para US$ 1.022 na Bitstamp na Europa, cotação máxima desde dezembro de 2013. Bitcoin é uma moeda como o real, o dólar, o euro, só que virtual. Ela não é emitida por nenhum Banco Central e é liberada de tempos em tempos por um software central criado há oito anos. Trata-se de uma “criptomoeda”, confiando em milhares de computadores em todo o mundo que validam transações e adicionam novos bitcoins ao sistema.

Bitcoin se valoriza

O Mercado Bitcoin, um dos maiores sites para intermediação de compras e vendas de moedas digitais na América Latina, já havia revelado que o preço da moeda valorizara mais de 41% só em 2016. A tendência poderá continuar em 2017.

Nesse momento, a soma de todos os bitcoins existentes já passou de US$ 16 bilhões, o que também significa um novo recorde. 

— O aumento do uso da moeda, principalmente em economias instáveis como a indiana, e as perspectivas das melhoras técnicas da moeda são possíveis explicações para a alta. Mas, pode se tratar de uma bolha temporária — disse Gustavo Chamati, sócio do Mercado Bitcoin.

Recentemente a moeda valorizou-se 41,78% entre o início de janeiro e o fim de novembro de 2016, segundo estudo da plataforma de intermediação, criada em 2011. Em dezembro de 2015, o site completou 100 mil clientes cadastrados.

Embora muitas instituições tenham avisado para os riscos das moedas digitais, que não são reguladas como as moedas tradicionais, esse parece continuar sendo um investimento apetecível. Existe um número limitado de numerário disponível, visto que eles são criados virtualmente por meio da tecnologia Blockchain – que está sendo usada em muitas outras áreas.

Dados negativos sobre atividade industrial e inflação marcam início de 2017

indústria

O IHS Markit informou que o PMI foi a 45,2 em dezembro de 46,2 em novembro. É a recessão econômica, com inflação, afetando com força a entrada de novos negócios e a produção. Amplia-se, assim, o cenário de retração do setor, leitura abaixo da marca de 50 aponta contração

 

Por Redação – de São Paulo

 

A atividade industrial do Brasil atingiu em dezembro o patamar mais fraco em seis meses em meio a fortes quedas nos volumes de produção e no nível de emprego, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira.

indústria
A maioria das atividades industriais tiveram queda na produção na passagem de 2016 para 17, com o panorama agravado pela inflação

O IHS Markit informou que o PMI foi a 45,2 em dezembro de 46,2 em novembro. É a recessão econômica afetando com força a entrada de novos negócios e a produção. Amplia-se, assim, o cenário de retração do setor, leitura abaixo da marca de 50 aponta contração.
Além da fragilidade econômica, a demanda fraca e as pressões competitivas levaram o nível de novos trabalhos a cair em dezembro. Foi a queda mais forte em seis meses. Os novos pedidos para exportação também apresentaram perdas.

Isso levou a produção a cair pela taxa mais rápida desde junho. Com reduções em todos os três subsetores pesquisados, sendo a mais acentuada entre os bens de capital.

Esse cenário levou a mais cortes de empregos, chegando ao 22º mês de perdas. Com destaque para os trabalhadores do setor de bens de capital.

Inflação

Já a inflação de custos chegou a um recorde de quatro meses em dezembro, levando a um aumento mais forte nos preços de venda. O enfraquecimento da moeda fez com os preços pagos por produtos importados aumentassem. Ao mesmo tempo em que algumas empresas tentaram proteger as margens de lucro.

“O cenário para 2017 parece adverso em meio a vários obstáculos significativos que a economia brasileira enfrenta. Incluindo a deterioração do mercado de trabalho, o consumo fraco, cortes de orçamento, distúrbios políticos e demanda fraca nos mercados externos”, apontou em nota a economista do IHS Markit Pollyanna De Lima.

Em outubro, a produção industrial recuou 1,1% sobre o mês anterior. Foi o pior resultado para o mês desde 2013 e iniciando o quarto trimestre com mais fraqueza, de acordo com os dados do IBGE.

Alta no IPC-S

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acumulou alta de 6,18% entre janeiro e dezembro de 2016. Na última semana do ano, a inflação medida pelo índice divulgado pela Fundação Getúlio Vargas teve alta de 0,33%, 0,09 ponto percentual acima do registrado na semana anterior. 

A elevação foi puxada por seis das oito classes de despesa pesquisadas. O grupo de transportes teve alta de 0,78%, contra 0,55% na aferição anterior. A gasolina teve forte influência nesse resultado ao passar de 0,76% para 2,05%.

Os gastos com alimentação fecharam a última semana do ano com inflação de 0,44%, contra 0,35% no período anterior. As despesas com saúde e cuidados pessoais passaram de 0,63% para 0,71%. Os itens relacionados à comunicação subiram de 0,10% para 0,25%. As despesas diversas variaram de 1,14% para 1,50%.

Os grupos habitação, educação, leitura e recreação apresentaram queda na inflação na última semana do ano, O primeiro caiu de -0,64 para -0,67 e o outro de 1,05% para 0,95%.

Ao longo do ano, os itens com maiores influência para a alta foram: planos de saúde (13,2%), tarifas de ônibus urbano (9,6).

Previsões

Os economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central, nesta segunda-feira, reduziram a expectativa para a taxa básica de juros neste ano, embora tenham elevado ligeiramente a perspectiva para a inflação.

O levantamento divulgado nesta segunda-feira mostrou que a expectativa agora é de que a Selic termine o ano a 10,25%, contra 10,5% esperados anteriormente.

Foi mantida a expectativa de aceleração do corte da Selic em janeiro, a 0,5 ponto percentual, após duas reduções de 0,25 ponto que levaram a taxa básica de juros aos atuais 13,75%.

Já o Top-5, que reúne as instituições que mais acertam as previsões, continua vendo a Selic a 10% no fim de 2017.

Projeções

Em relação à inflação, entretanto, a conta deste ano passou a 4,87%, contra 4,85% na pesquisa anterior, afastando-se um pouco do centro da meta, de 4,5%, com banda de 1,5 ponto.

Para 2016, o cenário de recessão no país vem levando a reduções nas expectativas para a inflação. A pesquisa com uma centena de economistas aponta agora alta do IPCA em 2016 de 6,38%, 0,02 ponto percentual a menos. Dentro da meta oficial, de 4,5% com margem de tolerância de 2 pontos percentuais.

O Focus não mostrou mudanças nas expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB). Prevê retração em 2016 calculada em 3,49% e expansão esperada este ano de 0,50%, na mediana das projeções.

Motor do crescimento mundial, China desacelera neste início de ano

A economia da China cresceu 6,9 % em 2015, o ritmo mais lento em um quarto de século

O Índice de Gerentes de Compras oficial (PMI, na sigla em inglês) da China ficou em 51,4 em dezembro, ante 51,7 em novembro. Números acima de 50 indicam uma expansão em base mensal, enquanto índice abaixo de 50 sugere uma contração

 

Por Redação, com agências internacionais – de Pequim

 

O setor de manufatura da China cresceu pelo quinto mês em setembro. Mas o ritmo de expansão desacelerou mais que o esperado. Trata-se de mais um sinal de que as medidas do governo para conter a alta nos preços de ativos estão começando a ter um efeito. A contração segue em cadeia sobre a economia em geral.

A economia da China cresceu 6,9 % em 2015, o ritmo mais lento em um quarto de século
A economia da China cresceu 6,9 % em 2015, o ritmo mais lento em um quarto de século

O Índice de Gerentes de Compras oficial (PMI, na sigla em inglês) ficou em 51,4 em dezembro, ante 51,7 em novembro. Números acima de 50 indicam uma expansão em base mensal, enquanto índice abaixo de 50 sugere uma contração.

China constrói

O índice de dezembro ficou levemente abaixo do 51,5. A previsão consta de pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters.

Um boom no setor de residências ocorreu no segundo semestre de 2016. Junto, houve uma elevação dos gastos governamentais em infraestrutura. Ambos os fatores ajudaram a impulsionar os preços das commodities do cimento ao aço, dando um necessário apoio ao setor manufatureiro.

Mas o movimento do governo para reprimir compras especulativas de propriedades e sinais de formuladores de política de que haverá mais medidas para conter bolhas em ativos e a alta no endividamento – mesmo que às custas de um crescimento menor – significam que medidas adicionais podem ser limitadas.

“Os dados do PMI de hoje sugerem que a mudança de tom na política fez seu efeito. Este fator ocorre conforme as autoridades mostram-se seriamente preocupadas com bolhas em ativos”. A observação é do economista sênior do Commerzbank, Zhou Hao.

Indústria

A produção da indústria desacelerou em dezembro, com o sub-índice atingindo 53,3 ante 53,9 no mês anterior.

O total de novos pedidos ficou estável em 53,2, mesmo índice de novembro. Enquanto isso, os novos pedidos de exportação caíram para 50,1 ante 50,3.

Os empregos novamente tiveram perda, com o sub-índice de emprego em 48,9, ante 49,2 em novembro. A queda ocorre conforme o país busca reduzir excesso de capacidade em uma série de indústrias.

O PMI oficial não-industrial ficou em 54,5 em dezembro, baixa ante os 54,7 de novembro, mas bem acima da marca dos 50 pontos. A China tem contado com o crescimento do setor de serviços, que responde por mais de metade do produto bruto doméstico. O fator compensa uma persistente queda das exportações que tem pesado sobre a economia. O investimento privado também tem permanecido fraco.

Mas o PIB da China ainda parece a caminho de atingir a meta de crescimento de Pequim em 2016, de entre 6,5 e 7%. Após uma expansão de 6,7% em cada um dos três semestres anteriores.

Indústria norte-americana foge do atravessador e reduz preço

A Smithfield, uma das gigantes do mercado de carnes, conseguiu eliminar a figura do atravessador

A companhia, com sede no Estado de Virgínia (EUA), investiu neste ano em estruturas de armazenagem e transporte. Assim, consegue fugir da figura do atravessador

 

Por Redação, com Reuters – de Nova York, EUA

 

A Smithfield Food, maior produtora de carne suína do mundo, está adquirindo mais grãos diretamente de produtores. Esta é uma medida que afeta as tradings de commodities agrícolas nos Estados Unidos, maior produtor global de soja e milho.

A Smithfield, uma das gigantes do mercado de carnes, conseguiu eliminar a figura do atravessador
A Smithfield, uma das gigantes do mercado de carnes, conseguiu eliminar a figura do atravessador

A companhia, com sede no Estado de Virgínia (EUA), investiu neste ano em estruturas de armazenagem e transporte. Com isso, pela primeira vez, ela poderá embarcar grãos diretamente de Ohio para alimentar suínos que abate em sua unidade de Tar Heel, na Carolina do Norte, a maior do mundo.

A Smithfield agora compra 65% de sua ração animal diretamente de agricultores. Isso se comparada aos 10% de ração comprada diretamente em 2010.

Sem atravessador

A estratégia de comprar diretamente visa reduzir os custos de ração. E pode fornecer um modelo para outras grandes empresas de carne que ainda dependem de operadores comerciais de grãos.

Os grãos respondem por até 60% dos custos da Smithfield. Os gastos da companhia em 2015 totalizaram US$ 4,67 bilhões. Em 2014, a Smithfield cancelou um contrato de operação de grãos com a CHS. A maior cooperativa agrícola dos EUA havia, anteriormente, abastecido uma unidade de ração da Smithfield em Yuma, no Colorado.

A Smithfield cancelou contratos com outras operadoras menores de grãos desde 2010. A empresa também almeja trabalhar diretamente com produtores para influenciar o gerenciamento dos campos. Isso afetará desde a rotação de lavouras até aplicações de fertilizantes e fungicidas que poderiam resultar em grãos de maior qualidade, o que agiliza o ganho de peso das criações.

Temer aumenta impostos sobre Netflix, Spotify, vídeos e jogos na internet

Serviços como o Netflix e o Spotfy chegam a milhões de brasileiros e agora serão taxados com mais impostos e taxas

De acordo com publicação no Diário Oficial da União, além da Netflix, outros serviços estão sujeitos à cobrança do imposto. Entre os alvos estão aqueles dispositivos usados no “processamento, armazenamento ou hospedagem de dado e congêneres”

 

Por Redação – de Brasília

 

O presidente de facto, Michel Temer, sancionou nesta sexta-feira, com vetos, a lei complementar sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), incluindo na cobrança serviços de transmissão online de áudio e vídeo. Serviços como o Netflix e Spotify estão entre aqueles que podem ser taxados.

Serviços como o Netflix e o Spotfy chegam a milhões de brasileiros e agora serão taxados com mais impostos e taxas
Serviços como o Netflix e o Spotfy chegam a milhões de brasileiros e agora serão taxados com mais impostos e taxas

De acordo com publicação no Diário Oficial da União, outros serviços estão sujeitos à cobrança do imposto. Entre os alvos estão aqueles dispositivos usados no “processamento, armazenamento ou hospedagem de dados, textos, imagens, vídeos, páginas eletrônicas, aplicativos e sistemas de informação, entre outros formatos, e congêneres”.

A elaboração de programas de computadores, inclusive de jogos eletrônicos, também passa a ser taxada,. Assim como a “disponibilização, sem cessão definitiva, de conteúdos de áudio, vídeo, imagem e texto por meio da Internet”, informa o Diário Oficial. Ficam de fora livros, jornais e periódicos.

A alíquota mínima do imposto foi estipulada em 2%. A lei também trata dos critérios e prazos de crédito das parcelas do produto da arrecadação de impostos de competência dos Estados. E de transferências por estes recebidos, pertencentes a municípios.

Outros vetos

Entre os vetos está o inciso que trata do domicílio do tomador de serviços em alguns casos, em que o governo considerou que “comportaria uma potencial perda de eficiência e de arrecadação tributária, além de pressionar por elevação do valor dos planos de saúde, indo de encontro à estratégia governamental de buscar alternativas menos onerosas para acesso aos serviços do setor”.

Também foi vetado o inciso sobre domicílio do tomador do serviço. No caso, dos serviços prestados pelas administradoras de cartão de crédito ou débito. “Os dispositivos comportariam uma potencial perda de eficiência e de arrecadação tributária, além de redundar em aumento de custos para empresas do setor, que seriam repassados ao custo final, onerando os tomadores dos serviços”, diz o Diário Oficial.

O trecho vetado envolvendo empresas de cartões era uma das principais mudanças feitas na Câmara dos Deputados. Constam no projeto de autoria do Senador Romero Jucá (PMDB-RR). Se não fosse vetado, a cobrança do imposto ocorreria na cidade em que ocorreu a transação. Em vez do dinheiro ser creditado ao município em que está a sede da operadora de cartões.

A proposta tinha como objetivo aumentar a arrecadação de municípios e evitar a chamada “guerra fiscal do ISS”.