Números negativos forçam Temer a projetar aumento de impostos

Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, anuncia reforma trabalhista

A recente adoção de um teto para limitar a expansão dos gastos do governo está longe de ser uma solução. Para deter o rombo nas contas públicas, segundo o Credit Suisse, será preciso aumentar impostos

 

Por Redação, com agências internacionais – de São Paulo

 

Ou o país alcança um aumento na arrecadação de impostos ou o rombo nas contas do setor público realizará um deficit menor apenas do que o da Venezuela, entre 2015 e 2018. Um estudo inédito do Credit Suisse, com dados de 68 países, divulgado nesta terça-feira, reforça a tese dos partidos de esquerda quanto à incapacidade de um governo de exceção resolver a crise econômica.

Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, anuncia reforma trabalhista
Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, precisará aumentar impostos, para deter o déficit público

A recente adoção de um teto para limitar a expansão dos gastos do governo está longe de ser uma solução para o rombo nas contas públicas, segundo o Credit Suisse. A possível aprovação da reforma da Previdência também será insuficientes para evitar o aumento no déficit público, acrescenta a pesquisa.

Déficit impressionante

Na véspera, a agência Fitch alertou para o risco de rebaixamento da nota soberana de crédito do Brasil. A medida ocorrerá, caso o governo não adote medidas extras para conter a expansão da dívida pública.

Nos cálculos do banco suíço, se não houver um ajuste, via aumento de impostos, o deficit nominal (diferença entre receitas e despesas) do Brasil será de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em média, entre 2015 e 2018.

Nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI, o déficit nominal da Venezuela será de 24,7% do PIB, no mesmo período. Outros países em situação econômica crítica, a exemplo da Grécia, Espanha e Portugal, não tiveram um deficit tão impressionante quanto o brasileiro.

Com a trajetória de gastos prevista pelo banco, a dívida chegará a 99% do PIB em 2024. Essa projeção considera saída da recessão em 2017 e expansão média de 2% ao ano nos dez anos seguintes.

Mais impostos

O relatório, ainda mais pessimista, conclui que o desafio de equilibrar as contas do governo é extremamente alto. Embora haja uma aparente calmaria no mercado financeiro, as correções necessárias podem não resolver o drama econômico do Brasil. Pode ser tarde demais até para subir os impostos, aponta o estudo.

Ainda que este e o próximo governo mantenham-se dentro do limite de expansão de gastos e a reforma da Previdência seja aprovada, a dívida pública pararia de crescer apenas na metade da próxima década. Na avaliação do banco, é muito perigoso calcular as diretivas em um prazo tão alongado.

O banco levantou dados de 191 países desde 1980. Verificou, dentre todos eles, que apenas em 24 países permaneceram quatro anos seguidos com deficit acima de 9% do PIB. Um deles é o Brasil. Em apenas sete casos, o deficit ficou acima de 6% por 11 anos, como pode ocorrer com o país entre 2014 e 2025.

Obstáculos

A saída, na avaliação do banco, é antecipar os efeitos do ajuste da próxima década. E aplicar um aumento de impostos imediato e provisório.

A necessidade da adoção de medidas para reduzir a gravidade do quadro fiscal tem ganhado defensores nas últimas semanas. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que apoiou a deposição da presidenta Dilma Rousseff, tem dito em ambientes empresariais que o governo precisa cortar gastos imediatamente. E fazer algum ajuste na carga tributária.

Para a agência de classificação de risco Fitch Ratings, o cenário econômico do Brasil melhorou com a queda da inflação. Mas a queda na confiança de empresários, o endividamento ainda elevado de consumidores e o desemprego alto são obstáculos gigantescos para a recuperação econômica brasileira.

Planalto nega, mas base aliada inicia operação para “estacar a sangria” da Lava Jato

Petrobras por mais de uma década, colocou o presidente Michel Temer pela primeira vez diretamente no centro da Operação Lava Jato

Temer, aconselhado por seus assessores, adota a estratégia de se distanciar, ao máximo, das repercussões negativas causadas pelas delações de mais de 70 executivos da empreiteira Norberto Odebrecht na Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

A base aliada ao governo do presidente de facto, Michel Temer (PMDB), passou agora a discutir, publicamente, uma estratégia para tentar deter a ação das investigações sobre o escândalo de corrupção que atingiu a Petrobras, entre outras estatais brasileiras. Parcela considerável de seus assessores mais próximos e líderes das legendas que o apoiam no Congresso, está citada na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF).

Petrobras por mais de uma década, colocou o presidente Michel Temer pela primeira vez diretamente no centro da Operação Lava Jato
Petrobras, por mais de uma década, colocou Temer pela primeira vez diretamente no centro da Operação Lava Jato

Temer, aconselhado por seus assessores, adota a estratégia de se distanciar, ao máximo, das repercussões negativas causadas pelas delações de mais de 70 executivos da empreiteira Norberto Odebrecht. A construtora confessou sua participação no cartel que causou prejuízos bilionários aos cofres públicos. A Lava Jato, assim, apressou o passo do governo imposto com a deposição da presidenta Dilma Rousseff na tentativa de paralisar as investigações.

A discussão se intensificou com o desgaste do ex-governador Wellington Moreira Franco. Um dos coordenadores do golpe de Estado, em curso, Moreira foi citado por mais de um dos executivos da Odebrecht como corrupto passivo. Ele agora tenta evitar seu julgamento na corte do juiz Sérgio Moro. Para isso, segundo ações em curso na Justiça, foi levado ao primeiro escalão do governo. Com foro privilegiado, tenta a sorte no Supremo Tribunal Federal (STF), para onde Temer indicou seu amigo e colaborador na pasta da Justiça, Alexandre Moraes.

Blindagem

Em tom legalista, Temer reafirmou, nesta segunda-feira, que seu governo não pretende interferir na Lava Jato. E prometeu que qualquer ministro denunciado, judicialmente, será afastado em caráter provisório, o que poderá ocorrer nas próximas semanas. Se a autoridade se tornar ré, diz ele, o afastamento será definitivo. Para tanto, o prazo previsto é de mais de um ano, a seguir o passo das matérias analisadas no STF.

— Se houver denuncia, o que significa um conjunto de provas que eventualmente possam conduzir ao seu acolhimento, o ministro será afastado provisoriamente. Se acolhida a denuncia, ai sim, a pessoa, no caso de o ministro se transformar em réu, o seu afastamento será em definitivo. Não há tentativa de blindagem. Se alguém converter-se em réu, estará afastado definitivamente — disse Temer.

Em breve pronunciamento, Temer negou que o governo busque blindar aliados da Lava Jato. O discurso ocorreu em meio à judicialização da nomeação de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral da Presidência. E disse que o governo jamais terá como impedir a Lava Jato.

— O governo não quer blindar ninguém. E não vai blindar ninguém. Apenas não pode aceitar que a simples menção inauguradora de um inquérito, para depois inaugurar um processo, possa ser tomada em definitivo — disse Temer.

Previdência

Para conter aqueles que pediram a cassação de Dilma, Temer se dirá contrário a anistia ao caixa 2 dos partidos. A pauta passa a ser analisada, em regime de urgência, no Senado. Presidente da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado e seu correligionário, Edison Lobão (PMDB-MA) não disfarça. Passou a defender, abertamente, o fim da punição.

Pesquisa encomendada pelo Palácio do Planalto e vazada para a mídia conservadora, no entanto, guarda notícias ainda mais graves. A rejeição à reforma da Previdência, fundamental para a agenda neoliberal que sustenta o apoio da direita ao governo, porém, aumenta em escala geométrica.

Junto ao público em geral, segundo a pesquisa, a ampla maioria dos entrevistados manifestou-se contra a reforma. Principalmente, em relação à exigência de 49 anos de contribuição para que o trabalhador tenha direito à aposentadoria integral. Os números da pesquisa tem peso na posição dos parlamentares, que já não estão dispostos a apoiar as medidas.

Prisão de advogados da Mossack Fonseca respinga na Globo

Moro (C) recebeu um prêmio da TV Globo, entregue por João Roberto Marinho

Os advogados presos trabalhavam no escritório de advocacia Mossack Fonseca, que atuava pela Globo. Eles foram detidos por suspeita de lavagem de dinheiro ligada à Operação Lava Jato

 

Por Redação, com Reuters – de Cidade do Panamá e Rio de Janeiro

 

A prisão de quatro advogados, neste sábado, por ordem da procuradoria da República panamenha atinge, em cheio, as Organizações Globo. Líder do cartel da mídia conservadora, no Brasil, a empresa que gerencia a TV Globo e uma série de jornais, revistas e retransmissoras, no país, passa a ser observada, ainda mais de perto, pela Polícia Internacional (Interpol, na sigla em inglês).

Os advogados presos trabalhavam no escritório de advocacia Mossack Fonseca. Eles foram detidos por suspeita de lavagem de dinheiro ligada à Operação Lava Jato. Os principais sócios da banca advocatícia, Ramón Fonseca e Jürgen Mossack, foram denunciados no caso conhecido como Panama Papers, em que a Globo também e citada. Ambos, juntos com dois outros colaboradores, foram detidos depois de dois dias de interrogatórios. A ordem de prisão inclui uma quarta advogada que não fora localizada.

Moro (C) recebeu um prêmio da TV Globo, entregue por João Roberto Marinho
Moro (C) recebeu um prêmio da TV Globo, entregue por João Roberto Marinho

“Informação identifica a empresa panamenha supostamente como uma organização criminal que se dedica a ocultar ativos ou dinheiro de origem suspeita”, disse a procuradora-geral da República, Kenia Porcell. Os advogados cumprem prisão preventiva para evitar que, durante o processo de investigação, fujam do país.

Odebrecht

Kenia Porcell acrescentou que a investigação, que durou um ano e levou ao pedido de prisão, contou com ajuda de procuradores de Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Suíça e Estados Unidos. O escritório Mossack Fonseca está no centro o escândalo conhecido como Panama Papers, que envolve milhões de documentos roubados da empresa e vazados pela mídia em abril do ano passado.

Na quinta-feira, promotores fizeram buscas nos escritórios do Mossack Fonseca atrás de provas, e as casas dos fundadores da empresa foram revistadas na sexta-feira. Fonseca, ex-assessor presidencial no Panamá, negou anteriormente que a empresa tenha qualquer ligação com a Odebrecht. Na delação premiada, no Brasil, executivos da empreiteira admitiram o pagamento de propina no Panamá e em outros países para obter contratos governamentais na região entre 2010 e 2014.

— Esta investigação, em princípio, não está relacionada à Odebrecht, mas ao caso Lava Jato — disse a procuradora.

Fonseca também negou qualquer relação com a Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção no Brasil, mas se calou diante das acusações de envolvimento com a Globo. O advogado Elías Solano, que defende o Mossack Fonseca, disse que buscará a “nulidade do material probatório”, já que a defesa considera que as acusações para a ordem de prisão são “fracas”.

Bem tratados

No Brasil, diferentemente do Panamá, os representantes da Mossack Fonseca foram bem tratados quando presos pela Polícia Federal. No ano passado, o juiz Sérgio Moro, que recebeu prêmios e agrados editoriais nos meios de comunicação das Organizações Globo, foi brevíssimo. Ao contrário de outros presos, eles não amargaram longos períodos na cadeia. Sequer tiveram os pedidos de prisões temporárias convertidos em detenções preventivas, cuja suspensão fica a critério da Justiça. Foram soltos em tempo recorde, menos de dez dias após a operação. Entre os libertados encontrava-se o principal representante da companhia no Brasil, Ricardo Honório Neto.

O executivo trabalha na Mossack Fonseca há dez anos e é bem relacionado, com contatos na própria Polícia Federal. Em 2007, um e-mail interceptado prova que Honório Neto havia sido informado a respeito de uma operação da PF, no escritório da empresa.

A eclosão do escândalo internacional que envolve diretamente a empresa panamenha, causou constrangimentos na força-tarefa da Lava Jato. Os investigadores sabem que serão cobrados por causa do “desinteresse” em relação às atividades da Mossack Fonseca. Abordado por jornalistas, o juiz Moro preferiu não comentar sobre o tratamento diferenciado aos funcionário do escritório de advocacia, no Brasil.

Crime ambiental

Entre os documentos apreendidos durante a Operação Triplo X , um estrato da Lava Jato, aparecem os registros de offshore ligadas a Alexandre Chiapetta de Azevedo. O empresário foi casado, até recentemente, com Paula Marinho Azevedo, filha de João Roberto Marinho, um dos herdeiros das Organizações Globo. Ele foi autor da indicação e da entrega de um prêmio da empresa ao juiz Moro. Na lista encontrada na sede da Mossack & Fonseca aparece ainda a Vaincre LLC.

A offshore faz parte de uma teia de empresas, no exterior. É sócia da Agropecuária Veine Patrimonial que, por sua vez, é dona de uma mansão, com praia privativa em Paraty, litoral do Rio de Janeiro. Segundo a emissora norte-americana de TV Bloomberg, o imóvel seria utilizado pela família Marinho. A propriedade é alvo de uma ação do Ministério Púbico Federal, por crime contra o meio ambiente. Os Marinho negam ser os donos do imóvel.

Endereço

As relações dos herdeiros da Globo com a casa em Paraty, no entanto, consolidam-se em uma série de documentos. Na mesma lista apreendida no escritório da Mossack Fonseca, ao lado do registro a respeito da Vaincre LLC, aparece o nome de outra empresa, a Glem Participações. Esta detém um contrato com o governo estadual do Rio de Janeiro para a exploração do parque de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Segundo o blog Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a Glem pertence a Azevedo, ex-marido de Paula Marinho. A neta de Roberto Marinho aparece ainda como fiadora do contrato entre o governo fluminense e a Glem. Outro documento revela que a Agropecuária Veine é dona de uma cota de um helicóptero do modelo Augusta A-109, matrícula PT-SDA, utilizado pela família Marinho. O endereço para entrega de correspondências no contrato de importação do helicóptero é o mesmo da empresa de Azevedo.

A empresa dona da mansão, em Paraty, recebe suas correspondências no escritório do ex-marido de uma das herdeiras da Rede Globo.

As Organizações Globo, na tentativa de explicar suas ligações com as empresas offshore, o helicóptero e o imóvel, em Paraty, afirma em nota que ninguém da família é proprietário da empresa que administra a casa. Diz também que Paula Marinho não é dona da offshore Vaincre. Mas, pela primeira vez, confirma que a empresa é de propriedade do ex-marido. O genro de Marinho foi procurado por jornalistas, à época, mas não comentou o caso.

Perguntas respondidas

Na nota, as Organizações Globo responderam às perguntas da revista Carta Capital:


1- Existe alguma relação entre os proprietários do Grupo Globo e a empresa Agropecuaria Veine Patrimonial?
R: Não. Os proprietários do Grupo Globo não são donos dessa empresa.



2 – Existe alguma relação entre a offshore Vaincre LCC e Paula Marinho Azevedo?

R: Paula Marinho não é proprietária dessa empresa, direta ou indiretamente. O responsável por essa empresa é o ex-marido de Paula Marinho.



3 – Existe alguma relação entre a Glem Participações e Paula Marinho Azevedo?

R: Paula Marinho não é e nunca foi proprietária dessa empresa. A empresa é de propriedade da família do ex-marido de Paula Marinho.

O helicóptero



4 – Um contrato do helicóptero Agusta A-109, matrícula PT-DAS, tem como endereço de correspondência a Glem Participações. Paula foi fiadora do termo entre o Estado do Rio e a Glem Participações para a concessão do estádio de remo na Lagoa Rodrigues de Freitas. Qual a relação dela com o helicóptero e com a empresa?

R: O helicóptero que teve as documentações expostas não pertence e nem é utilizado pela família ou pelo Grupo Globo. Quanto à fiança, se operou na época em que esteve casada, a pedido do então marido.

5 – Um heliponto em Paraty foi registrado em nome da Agricultura Veine com o direito de uso de tal aeronave acima mencionada. O ex-marido dela fez ou faz uso da aeronave? Qual a relação de Paula com este heliponto?
R: O Grupo Globo não tem relações com essa empresa nem com o heliponto. O possuidor da aeronave é o ex-marido de Paula.

Libertadores

6 – Tal heliponto fica em uma praia e presta serviço a uma residência a beira mar. Qual a relação da propriedade com a empresária?

R: O Grupo Globo informa que a citada casa não pertence e nunca pertenceu a qualquer membro da família Marinho.

7 -Segundo o jornal holandês De Verdieping Trouw, documentos revelam que a emissora teria usado empresas de fechada para pagar intermediários em direitos de transmissão da Libertadores da América.

Qual o posicionamento da empresa?

R: A Globo adquiriu os direitos de transmissão da Copa Libertadores da América da empresa detentora e autorizada a cedê-los. Toda a movimentação financeira foi registrada e realizada via Banco Central e todos os impostos recolhidos conforme a regulação vigente.

Serra, chamado de ‘corrupto’ pela Venezuela, não reage

Serra, ao lado dos tucanos Alckmin e Neves, responde a processos no âmbito da Operação Lava Jato

A declaração da Venezuela, em situações normais, praticamente romperia as relações entre os dois países. Sequer o embaixador brasileiro em Caracas foi chamado a Brasília, imediatamente

 

Por Redação – de Brasília

 

O senador José Serra (PSDB-SP), levado à chefia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil após o golpe de Estado, em Maio do ano passado, foi chamado de ‘chanceler de facto’ e corrupto pela representante da Venezuela, a ministra Delcy Rodrigues. E não houve qualquer reação. Até o fechamento dessa matéria, o Itamaraty não havia respondido ao pronunciamento da autoridade venezuelana para a representação internacional.

Serra, ao lado dos tucanos Alckmin e Neves, responde a processos no âmbito da Operação Lava Jato
Serra, ao lado dos tucanos Alckmin e Neves, responde a processos no âmbito da Operação Lava Jato

A declaração de Rodrigues, em situações normais, praticamente romperia as relações entre os dois países. Sequer o embaixador brasileiro em Caracas foi chamado a Brasília, imediatamente.

Venezuela reage

A chanceler venezuelana, por sua vez, reagiu de pronto à reunião de Serra, em Brasília, com o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Julio Borges. É público que Borges pretende levar adiante um golpe parlamentar contra o governo eleito de Nicolás Maduro, nos moldes deste, em curso, no Brasil.

— O chanceler de facto é acusado de graves delitos de corrupção e se intromete em assuntos internos da Venezuela. Golpistas não poderão com nosso povo! — disse a ministra Delcy Rodriguez. Ela avalia que Michel Temer, o argentino Mauricio Macri e o paraguaio Horacio Cartes formam a “tríplice aliança golpista”, que afastou a Venezuela do comando do Mercosul.

Serra, de fato, foi citado nas delações de executivos da empreiteira Norberto Odebrecht. Teria recebido R$ 23 milhões por meio de uma conta na Suíça, em nome do tesoureiro Ronaldo Cezar Coelho. A pedido da procuradoria-geral da República, a conta foi bloqueada e Serra deve ser alvo de inquérito assim que for levantado o sigilo das delações.

Golpista

Em uma rede social, Rodríguez referiu-se ao deputado Borges como “usurpador de funções” por considerar que só o governo tem o direito de representar o país no exterior.

“O senhor Julio Borges, envolvido em delitos contra a ordem constitucional da Venezuela, ostenta amizades corruptas”, disse.

Segundo Rodríguez, a oposição venezuelana representa uma quadrilha formada com governos adversários da democracia:

“A direita corrupta, golpista e criminosa se carteliza internacionalmente contra os povos de nossa América e favorece poderes imperiais”.

Julio Borges foi recebido por Serra na quarta-feira, depois de o venezuelano ter se reunido no Congresso com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDBCE). O governo venezuelano não reconhece o presidente Michel Temer, por considerar que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe de Estado.

Suspensão

Serra atuou, ativamente, pela suspensão da Venezuela do Mercosul. Ele disse que o país tinha sido advertido quanto a essa possibilidade.

— Já tinha sido anunciado (que a Venezuela seria suspensa do bloco econômico) se não cumprisse certos requisitos. E foi — tripudiou o senador tucano.

Pelo restabelecimento da democracia brasileira: Diretas Já!

Lewandowski colocou uma pá de cal na tentativa de golpe ao governo Dilma

Os senadores desconsideraram a Constituição, à frente do inibido presidente do Supremo Tribunal Federal. Reduziram o julgamento à esfera política, do qual são impedidos nesse julgamento

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Um governo resultado de um golpe parlamentar, confessadamente, golpe. Isto é irrefutável quando os senadores da República, revestidos de jurados, decidem pelo afastamento da presidenta eleita pelo voto popular. Mas não a punem pelo suposto “Crime de Responsabilidade”, o único, constitucionalmente possível para afastar do cargo maior da nação alguém eleito.

Lewandowski colocou uma pá de cal na tentativa de golpe ao governo Dilma
Lewandowski (E), quando presidente do STF, foi cúmplice do golpe de Estado, em curso no país

Os senadores desconsideraram a Constituição, à frente do inibido presidente do Supremo Tribunal Federal. Reduziram o julgamento à esfera política, do qual são impedidos nesse julgamento. Ao ponto de reconhecerem a lisura da chefa do Executivo, deixando-a sem nenhuma punição. Livre, sem qualquer culpa ou condenação. Condenaram um crime sem o criminoso. Ridículo. À cínica atitude do Senado com a explícita cumplicidade do STF não pode ser dado outro nome. Desculpem-me os moderados ou ricos em matéria de linguística. Foi um golpe parlamentar dos mais tristes de nossa América Latina.

Portanto, reconhecer o atual governo de Michel Temer é ser complacente com esse estupro à democracia brasileira, ainda uma adolescente. É, portanto, um crime hediondo, inominável.

Mas a democracia não é apenas o respeito ao voto. Essa é uma questão fundamental. A democracia tem vários vieses. O viés participativo social, econômico, cultural. A democracia é algo que se espraia na vida de um povo, de uma nação.

Impeachment

Neste sentido a democracia é um processo em permanente construção, disputada em todos os momentos, em seus valores e conquistas. É o campo de batalha onde se apresentam os interesses antagônicos de classe, onde emerge o contraditório. Todas as regras dessa construção histórica foram destruídas, demolidas com o golpe parlamentar de maio-agosto de 2016.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

O impeachment, sob normalidade democrática, exigiria do vice, alçado à condição de Presidente, condenado o titular, a continuidade do Programa, o Plano de governo eleito. Foi assim no impeachment de Fernando Collor. Detectou-se o crime cometido, condenou-se o crime e o criminoso. Superado a questão política, o governo Itamar Franco, vice eleito na chapa junto com Fernando Collor, continuou seu programa de governo, suas diretrizes foram respeitadas.

No caso, uma Política Econômica de viés neoliberal. Só para lembrar as leitoras e leitores. Foi ainda no governo Itamar que se privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Lógico que em função da rearrumação de forças, o governo resultado do impeachment adquire novas colorações, composições. Mas no essencial Itamar iniciou as reformas neoliberais com e a qual Fernando Collor houvera sido eleito e não demonstrou estatura moral e equilíbrio para tal.

Programas

Não é o caso do processo atual. Qualquer leitor mais atento lembra-se do acirrado processo eleitoral de 2014. Daquele processo se evidenciaram duas coisas. A primeira:o resultado eleitoral apertadíssimo. A distância eleitoral, o quantitativo de votos que deu a vitória a Dilma foi relativamente pequena. Lembrando como foi o quantitativo: Dilma: 51,64%, isto é: 54.501.118. Aécio: 48,36%, exatos: 51.041.155. Uma diferença de 3,28% que em votos significou 3.459.963 votos a mais para Dilma.

Em um país com essa dimensão é um número relativamente baixo. A segunda, e certamente mais importante evidencia daquela eleição foi a gigantesca distância pragmática entre as duas candidaturas que disputaram o 2º turno. Foi certamente, depois de 1989, quando se formaram os blocos Brizola (à esquerda) e o anti-Brizola (à direita), com programas antagônicos, a eleição que mais se discutiu e mais se evidenciou a diferença . Melhor dizendo, a distância entre os programas de Dilma e Aécio eram gigantescas. E os rumos econômicos, políticos, sociais, culturais que se daria ao fim da eleição eram límpidos e claros.

O governo Temer, que emerge do Golpe, adere, sem nenhum respeito a Constituição e ao Programa eleito, por ele assinado, jurado. Pode-se resumir em uma frase. Assume o Programa derrotado, que foi longamente e acirradamente, repito, discutido por todas e todos no Brasil sob as regras em vigor do processo eleitoral.

Democracia

Portanto, o golpe desrespeita a Constituição e o voto majoritário do povo brasileiro, no seu quantitativo, e o mais grave, no seu qualitativo. O povo brasileiro de forma consciente escolheu um rumo para o seu país, para sua economia. Agora, de forma arbitrária, antidemocrática se impõe outro Programa de governo, aquele derrotado pelo voto popular.

Concretizam esse golpe absurdo, a PEC do Teto; a Reforma da Previdência; a reforma trabalhista e alguns penduricalhos bárbaros como a supressão da legislação que assegura aumento real do salário mínimo, a desvinculação do reajuste deste, da ativa do reajuste dos aposentados e pensionistas; a Lei da Terceirização; a mudança da lei do pré-Sal, entregando esse tesouro trilionário às “multi-máfias” do petróleo. Enfim, golpeia-se de morte a democracia.

Para tão absurda ação, realmente se fez necessário um governo composto por políticos suspeitos. Suspeitos de idoneidade moral, de corrupção de todo tipo; e o mais grave, um governo suspeito de que seu objetivo principal é blindar seus componentes de continuidade aprofundamentos das investigações que não lhes favorecem. Um governo suspeito de que sua função é estancar a sangria como vaticinou o todo poderoso e intocável Romero Jucá.

Política econômica

Diante de tal situação, dessa ignomínia política e moral, o que fazer?

O ponto de partida é o restabelecimento da ordem democrática. De um governo eleito pelo povo, pelo voto popular. Se o povo decidir na urna que o caminho do Brasil deva ser o neoliberalismo, o arrocho econômico e social, a retirada dos direitos trabalhistas, lutaremos contra, denunciaremos, tentaremos mostrar os equívocos, mas sendo a vontade da maioria, não há muito o que fazer. Mas não é isso que acontece. A Política Econômica do governo golpista é desastrosa, porque é contra o povo. É antidemocrática, porque não tem o aval popular. É antinacional porque atende os interesses dos grupos internacionais.

A reivindicação por Diretas Já, atende a um apelo de restabelecimento da democracia e ao mesmo tempo de uma tentativa da normalidade constitucional, social, econômica e política de que necessita o país, para continuar com o seu processo – apesar de tímido de inclusão social. Alguns setores argumentam que reivindicar Diretas Já, é validar o golpe. Mas, a política não se faz a partir dos desejos pessoais ou vontades subjetivas, sim, a partir das contradições e das necessidades reais e concretas que a realidade histórica exige. Por tudo isso é preciso, é necessário! É absolutamente necessário a interrupção desse governo ilegítimo pelo voto livre, direto de um novo governo.

Diretas Já!

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil.

Circo está armado para Cunha sair da cadeia

Os sorrisos que frequentavam as reuniões entre Temer e Cunha desapareceram

Dono de uma retórica complexa, Cunha teria avisado Temer, ao desmenti-lo e citar tantas vezes o nome do presidente de facto. Temer chegou ao cargo após o golpe parlamentar liderado pelo hoje interno do sistema penitenciário paranaense

 

Por Redação – de Curitiba e São Paulo

 

Sem cabeça raspada, jeans e sandálias de borracha, o ex-deputado e hoje presidiário Eduardo Cunha está pronto a usar uma tornozeleira eletrônica. Na véspera, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, coordenador da Operação Lava Jato, Cunha enviou mensagens cifradas ao presidente de facto, Michel Temer. Quer sair da cadeia o mais rápido possível. A estratégia parece que está dando certo. Até um artigo, em um dos diários conservadores paulistanos, emplacou após o depoimento.

Os sorrisos que frequentavam as reuniões entre Temer e Cunha desapareceram
Os sorrisos que frequentavam as reuniões entre Temer e Cunha desapareceram

Dono de uma retórica complexa, Cunha teria avisado Temer, ao desmenti-lo e citar o presidente de facto. Temer chegou ao cargo após o golpe parlamentar liderado pelo hoje interno do sistema penitenciário paranaense. Nas entrelinhas, segundo o senador peemedebista Roberto Requião (PR).

— O Eduardo Cunha deu um recado muito claro para o governo. Ou vocês conseguem me tirar da cadeia, viabilizam que eu possa responder os processos em liberdade, ou começo a entregar todo mundo. Ele deixou claro que, para ele, quem comandava as nomeações do PMDB na Petrobras era o Michel Temer — disse o parlamentar.

Apoio no STF

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes nunca escondeu sua antipatia pela atuação do juiz Moro. Mendes, crítico persistente da Lava Jato falou, recentemente, em conversa com jornalistas, que a Corte tem “um encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba”.

— Temos que nos posicionar sobre este tema que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos — disse.

O debate, segundo juristas, tende a desidratar as prisões preventivas.

Leia, adiante, o artigo de Cunha na Folha de S. Paulo:

Faz pouco tempo, esta Folha publicou um artigo de Rogério Cezar de Cerqueira Leite com críticas ao juiz Sergio Moro, expressando sua legítima opinião. O juiz escreveu resposta em que criticou a Folha por dar espaço ao texto, como se a democracia comportasse que as opiniões contrárias às nossas fossem censuradas -ou seja, ou me elogie ou se cale. Essa era a lógica da resposta.

Com este artigo que publico agora, sei que minha família e eu poderemos correr o risco de sermos ainda mais retaliados pelo juiz, mas não posso me calar diante do que acontece.

Estou preso por um decreto injusto, o qual contesto através de habeas corpus e da reclamação ao Supremo Tribunal Federal, já que não houve qualquer fato novo para ensejar uma prisão, salvo a necessidade de me manter como troféu.

Fato ilegal

Minha detenção afronta a lei nº 12.043/11, que estabelece que antes da prisão preventiva existam as medidas cautelares alternativas.
Deve-se ainda levar em conta que um dos fundamentos de minha prisão veio de proposta do Ministério Público -prisão preventiva para evitar a dissipação patrimonial- incluída no chamado pacote anticorrupção. Essa medida, todavia, já foi rejeitada pela Câmara.

Para coroar, o juiz, para justificar sua decisão, vale-se da expressão “garantia da ordem pública”, sem fundamento para dar curso de legalidade ao ato ilegal. Isso, afinal, tornou-se mero detalhe em Curitiba, já que basta prender para tornar o fato ilegal em consumado.

A jurisprudência do STF não permite, pela via do habeas corpus, a supressão de instâncias, fazendo com que se leve no mínimo seis meses para que o mérito chegue ao tribunal, punindo quem está preso ilegalmente com uma antecipação de pena, sem condenação. O meu habeas corpus está no Superior Tribunal de Justiça.

Delatores

Convivendo com outros presos, tomo conhecimento de mais ilegalidades -acusações sem provas, por exemplo, viram instrumentos de culpa. A simples palavra dos delatores não pode ser a razão da condenação de qualquer delatado.

Ocorre ainda pressão para transferir a um presídio aqueles que não aceitam se tornar delatores, transformando a carceragem da Polícia Federal em um hotel da delação.

Apesar das condições dignas do presídio e do tratamento respeitoso, é óbvio que a mistura de condenados por crimes violentos e presos cautelares não é salutar.

Uma das principais causas da crise do sistema penitenciário é o contingente de 41% de presos provisórios. Esse fato tende a ser agravado com a decisão do STF de autorizar o encarceramento após condenação em segunda instância.

Foro privilegiado

É bom deixar claro para a sociedade que a minha segurança e a dos demais presos cautelares é de responsabilidade do juiz Sergio Moro. Ninguém questiona a existência de um criminoso esquema de corrupção; punições devem ocorrer, mas observando o devido processo legal.

Não podem ocorrer fatos tais como a entrevista em que a força-tarefa de Curitiba, quando eu ainda era presidente da Câmara, declarou minha culpa e pregou minha prisão, ignorando o fato de que eu ainda desfrutava de foro privilegiado.

Ou ainda o espetáculo deprimente da denúncia contra o ex-presidente Lula – independentemente da opinião ou dos fatos, jamais poderia ter se dado daquela forma.

Algumas propostas legislativas são importantes para combater as ilegalidades praticadas.

1) Definir com clareza o conceito de garantia de ordem pública para motivar uma prisão cautelar.
2) Estabelecer um prazo máximo para a prisão preventiva, caso o habeas corpus não subsista com o trânsito em julgado.
3) Separar os presos cautelares dos condenados.
4) Determinar a perda dos benefícios de delatores que não comprovam suas acusações.
5) Alterar a lei das inelegibilidades para quarentena de no mínimo quatro anos para juízes e membros do Ministério Público que queiram disputar mandato eletivo.
6) O juízo de instrução não pode ser o juízo do julgamento. Os processos não podem ser meros detalhes de cumprimento de formalidades para chegar a condenações já decididas de antemão.

Juízes e membros do Ministério Público devem respeito à Constituição, às leis, ao Estado democrático de Direito. A história mostra que o juiz popular ou o tribunal que lava as mãos como Pilatos não produzem boas decisões.

Eduardo Cunha é ex-deputado federal (PMDB/RJ) e ex-presidente da Câmara dos Deputados (fevereiro de 2015 a julho de 2016). Foi preso em outubro de 2016 pela Lava Jato, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Moreira volta a se proteger contra juiz Moro em foro privilegiado

Moreira Franco foi ministro da presidenta Dilma Rousseff

A informação foi divulgada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e confirmada na Justiça. A decisão de reverter o destino de Moreira Franco é do presidente do TRF, Hilton José Gomes de Queiroz

 

Por Redação – de Brasília

 

Foi rápido. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, uma decisão provisória da Justiça no Distrito Federal, na noite passada. A liminar impedia a nomeação do peemedebista Wellington Moreira Franco para a Secretaria Geral da Presidência. O cargo lhe confere foro privilegiado, para responder às investigações nas quais é suspeito de cometer atos de corrupção. Outras liminares, no entanto, tendem a tumultuar a presença de Moreira Franco na equipe ministerial.

Moreira Franco foi ministro da presidenta Dilma Rousseff
Moreira Franco foi ministro da presidenta Dilma Rousseff

A informação foi divulgada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e confirmada na Justiça. A decisão é do presidente do TRF, Hilton José Gomes de Queiroz, que acatou recurso daquela instância judicial.

Recurso ao TRF

No início da noite passada, o juiz da 14ª Vara Federal do DF, Eduardo Rocha Penteado, acolheu um pedido de estudantes da Universidade de Brasília, em uma ação popular. Ele mandou suspender os efeitos do ato assinado pelo presidente Michel Temer que havia nomeado Moreira Franco.

Os autores afirmavam que Temer havia socorrido Moreira Franco dos efeitos da delação da empreiteira Odebrecht, ao lhe conceder foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF). Franco foi citado na delação de Cláudio Melo, ex-executivo da Odebrecht.

A AGU havia entrado com um recurso na presidência do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Segundo o órgão, a ausência de Moreira Franco na Secretaria-Geral da Presidência, para onde foi nomeado na sexta-feira, geraria “danos irreparáveis à administração pública”.

Reparação histórica

A nomeação de Moreira Franco, no entanto, está longe de ser admitido. As circunstâncias que cercam o ato do presidente de facto, Michel Temer, apontam para mais polêmica, à frente. Alegando que o Supremo Tribunal Federal cometeu um “erro histórico”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à corte que reveja a suspensão de sua posse como ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

A solicitação, entregue nesta segunda-feira, foi enviada ao ministro Gilmar Mendes, responsável pela suspensão do ato, em março de 2016.

Segundo, os advogados de Lula, Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, o ex-presidente, “à época dos fatos, preenchia todos os requisitos previstos no Artigo 87 da Constituição Federal para o exercício do cargo de Ministro de Estado, além de estar em pleno exercício de seus direitos políticos”.

“Ademais, (Lula) sequer era indiciado, denunciado ou mesmo réu em ação penal”, afirmaram.

Perda de objeto

No dia 18 de março, Gilmar Mendes suspendeu o ato a pedido do PPS e do PSDB, que questionavam a posse do ex-presidente. Em seu despacho, o julgador disse que a nomeação de Lula para o cargo de ministro buscou tumultuar e obstruir a investigação promovida pela Operação Lava Jato, devido à transferência de foro da primeira instância da Justiça Federal, em Curitiba, para o STF.

A defesa de Lula pede agora que Gilmar Mendes libere o pedido recém-protocolado para a apreciação dos demais ministros. A decisão nunca chegou a ser apreciada pelos outros integrantes do STF.

Pouco após o afastamento de Dilma Rousseff do cargo de presidente, junto com todo seu gabinete, em maio do ano passado, Mendes encerrou a tramitação do julgamento, alegando perda de objeto da ação.

Aliado histórico

Caso o STF decida rever a liminar que suspendeu a posse de Lula, na prática, isso o tornaria ex-ministro-chefe da Casa Civil, já que ele chegou a tomar posse em cerimônia no Palácio do Planalto.

A ação de Lula chegou ao STF depois que Temer elevou Moreira Franco ao status de ministro. Aliado histórico de Temer, o agora ministro tinha cargo de secretário-executivo do Programa de Parceria para Investimentos (PPI). Ele foi citado em delações premiadas da operação Lava Jato.

Com o novo cargo, ele ganha foro por prerrogativa de função, e só poderá ser julgado pelo Supremo.

Moreira Franco, citado na Lava Jato, perde status de ministro

Moreira Franco

A nomeação de Moreira Franco, um dos principais coordenadores do golpe de Estado, em curso no país, é alvo na Justiça da contestação de parlamentares e partidos políticos

 
Por Redação – de Brasília

 

Por força de liminar, o ex-governador Wellington Moreira Franco precisará deixar o cargo de secretário-geral da Presidência da República. O juiz Eduardo Rocha Penteado, da Justiça Federal do Distrito Federal, determinou na tarde desta quarta-feira, a suspensão da nomeação de Moreira Franco para o posto.

Moreira Franco
O secretário Moreira Franco está, novamente, à disposição do juiz Sérgio Moro, coordenador da Operação Lava Jato

A nomeação de Moreira Franco, um dos principais coordenadores do golpe de Estado, em curso no país, é alvo na Justiça da contestação de parlamentares e partidos políticos. Nas ações que tramitam em tribunais brasileiros, o argumento é que o presidente de facto, Michel Temer, abriu a vaga na sua equipe para Moreira Franco, com status de ministro, apenas para lhe conceder o foro privilegiado, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Delação premiada

Citado em delações premiadas como corrupto, o peemedebista ocupava a Secretária-executiva do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), função na qual estaria à disposição do juiz Sérgio Moro, coordenador da Operação Lava Jato. O peemedebista fluminense foi citado na delação de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Odebrecht. As delações foram homologadas pela presidente do STF, Cármen Lúcia.

Os depoimentos foram encaminhados para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que passou a avaliar quem serão os políticos investigados pela Polícia Federal.

Aécio Neves volta a ser investigado por suspeita de corrupção em Minas Gerais

Aécio

O suposto pagamento de propina a Aécio Neves, na obra, porém, consta na delação premiada de outros executivos da Odebrecht. A peça processual foi homologada no STF, no início deste mês

 

Por Redação – de Belo Horizonte

 

Após ser citado nas delações premiadas de réus na Operação Lava Jato, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG) está diante de mais um complicador. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais segue adiante na investigação das suspeitas de fraude em licitações nas obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais. Trata-se do projeto mais caro na gestão do tucano naquele Estado, entre 2003 e 2010.

Propina em Minas

O inquérito civil público foi aberto em setembro do ano passado após denúncia do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Ele citou, em delação premiada na Lava Jato, o suposto pagamento de propina de 3% do valor do empreendimento. O custo da obra chegou a impressionantes R$ 1,2 bilhão, um dos metros quadrados de construção mais caros do país. Um dos principais auxiliares do então governador Aécio Neves, o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho seria o ponto de ligação entre o tucano e a propina.

Aécio Neves é, mais uma vez, citado como corrupto por delator à Polícia Federal
Aécio Neves é, mais uma vez, citado como corrupto por delator à Polícia Federal

O inquérito aponta para ‘supostas irregularidades referentes às obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais, consistentes no pagamento de vantagem indevida pela empresa OAS, uma das participantes de um dos consórcios responsáveis pelo empreendimento, a Oswaldo Borges da Costa Filho, então presidente da Codemig, órgão estatal que realizou o correspondente procedimento licitatório’.

Obra cara

A delação de Léo Pinheiro, porém, foi suspensa pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no ano passado após o empreiteiro – condenado a 26 anos por corrupção e lavagem de dinheiro – citar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, como receptador de dinheiro sujo.


O possível pagamento de propina a Aécio Neves, na obra, porém, consta na delação premiada de outros executivos da Odebrecht.

A peça processual foi homologada no STF, no início deste mês. A PGR, segundo nota de colunistas, na internet, tende a instaurar um novo inquérito contra Aécio Neves, na Suprema Corte, para investigar se recebeu, ou não, dinheiro público desviado das obras na Cidade Administrativa.

Todos citados

Ao mesmo tempo, o Ministério Público de Minas Gerais também apura o episódio envolvendo a licitação do complexo administrativo. Este mesmo conjunto de edifícios já foi alvo de outro inquérito em 2007, quando foi lançada a licitação. Na época, o consórcio formado pela Construcap (CCPS) – Engenharia e Comércio S/A e a Convap Engenharia S/A. A Construtora Ferreira Guedes S/A, que também participou do certame, entrou com uma representação no Ministério Público, questionando o procedimento licitatório da Codemig,

Todos os membros integrantes da comissão especial responsável do órgão pela obra foram citados no processo.

Indicação de Moraes ao STF seria troca de favores, dizem analistas

Moraes e Temer: troca de segredos e favores no passado teriam favorecido colaborador do governo

“Basta de intermediários e faz de conta. Temer indicou Alexandre de Moraes para vaga de juiz no STF. Se aprovado no Senado, onde o governo Temer tem ampla maioria, Alexandre será revisor em certos casos da Lava Jato”, afirma Bob Fernandes

 

Por Redação – de São Paulo

 

A indicação do advogado Alexandre Moraes, que até agora ocupava o Ministério da Justiça, para a vaga deixada após a morte do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu nesta terça-feira, apenas algumas horas depois do anúncio, uma saraivada de denúncias quanto ao motivo de sua escolha para a mais alta Corte de Justiça do país. Figura polêmica, Moraes já foi acusado de advogar para a organização criminosa PCC e defender a tortura; além de penas severas para quem fuma maconha.

Moraes e Temer: troca de segredos e favores no passado teriam favorecido colaborador do governo
Moraes e Temer: troca de segredos e favores no passado teriam favorecido colaborador do governo

Em sua coluna diária em um canal de TV paulista, o jornalista Bob Fernandes mostra o quanto a indicação de Moraes irá interferir com os objetivos da Lava Jato no STF. Na sua análise do processo, aponta ainda o casuísmo da investigação que atingiu e tolerou ataques a Lula; além de poupar os aliados de Temer. Bob Fernandes também revela o episódio que determinou a indicação de Moraes para Ministro da Justiça.

Leia, adiante, a coluna de Bob Fernandes:

“Basta de intermediários e faz de conta. Temer indicou Alexandre de Moraes para vaga de juiz no Supremo Tribunal. Se aprovado no Senado, onde o governo Temer tem ampla maioria, Alexandre será revisor em certos casos da Lava Jato. Alexandre é ministro da Justiça de Temer. Temer foi citado 43 vezes em delação da Odebrecht na Lava Jato.

Temer acaba de tornar ministro o secretário Moreira Franco. O “Angorá”, citado 34 vezes na mesma delação da Odebrecht. Ministro tem foro privilegiado, só pode ser julgado pelo Supremo. Nesse caso, não pelo juiz Moro.

Moro que ordenou gravar conversa da presidente Dilma com Lula quando Dilma nomeou Lula ministro. Gravação vazada para impedir que Lula obtivesse foro privilegiado ao ser efetivado como ministro.

Novas delações

Gravação ilegal pela captação, e divulgação pelo próprio Moro, de conversa da presidente Dilma, que não era investigada. Alexandre de Moraes foi Secretário de Segurança Pública do governo Alckmin. O governador de São Paulo, segundo vazamentos, seria o “Santo” em planilhas da Odebrecht.

Novas delações de empreiteiras apontam para propinas pagas em governos do PSDB em São Paulo e Minas. Alexandre é o ministro da Justiça. Especula-se que o PMDB herdaria o ministério da Justiça. Que chefia a Polícia Federal.

A Polícia Federal investiga e prende na Lava Jato. Lava Jato a ser “estancada”, segundo célebre pregação do líder do governo Temer, Romero Juca. O “Caju” nas planilhas.

Se Supremo, Senado, Temer e Alexandre levassem em conta a opinião do próprio Alexandre ele não poderia ser ministro do Supremo. Há 17 anos, para se tornar “doutor” pela USP, Alexandre defendeu uma tese…

‘Gratidão política’

Segundo um item dessa tese, quem servisse a um presidente da República “em cargo de confiança” não poderia ser indicado para o Supremo pelo mesmo presidente…

…Isso para se evitar “demonstração de gratidão política”.

A propósito de gratidões…No dia 11 de Maio passado a polícia de São Paulo prendeu Silvonei José de Jesus Souza.

Silvonei invadiu o celular de Marcela Temer, casada com o presidente. Roubou fotos, áudios, e cobrava para não divulgá-los.

Um dia depois da prisão, 12 de Maio, o secretário de segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, foi convidado por Temer para ser ministro da Justiça.

Em 6 meses Silvonei foi julgado e condenado. Ficará preso por 5 anos em “regime fechado”.

Assista ao vídeo:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=POz_cqcfHro]

Nudes de Marcela

Para o editor do site de notícias Diário do Centro do Mundo, Kiko Nogueira, provém a hipótese levantada por Bob Fernandes quanto ao conteúdo do celular de Marcela Temer.

“Quando ainda era secretário de Segurança de São Paulo, mandando a PM bater em estudantes à vontade, Moraes cuidou do caso da clonagem do celular de Marcela. Era abril de 2016. O hacker Silvonei de Souza pedia R$ 300 mil para não vazar fotos íntimas, emails e áudios”.

Na época, Moraes prendeu o hacker, em pouco mais de um mês. Nenhum detalhe foi vazado para a mídia, o que lhe teria valido a gratidão de Temer.

“É uma simplificação, claro”, acrescenta Nogueira.

“Moraes é muito mais do que isso, no mau sentido. Está alinhado com a curriola do golpe, é do PSDB e fará o possível e o impossível para impedir a Lava Jato de chegar a seus chapas, tendo ao lado o gigante Gilmar Mendes. Mas o serviço prestado para o big boss não deve ser subestimado. Temer, um ancião do século XIX, com uma mulher troféu, ficou eternamente grato”, pontua.

Extorsão

“Sem voto, sem carisma, desprezado pela população, tudo que ele não precisava era que os nudes de Marcela viralizassem — se é que eram só nudes. No processo, que ganhou classificação de ‘prioritário’, os nomes das ‘vítimas protegidas’ foram substituídos por codinomes. Quando o hacker mencionava Marcela, o escrivão registrava ‘Mike’. O suspeito era registrado como ‘Tim’. Karlo, o irmão da primeira-dama, virou ‘Kilo’. Silvonei foi condenado a 5 anos de prisão por estelionato e extorsão”, registra Nogueira.

Ainda segundo o editor do DCM, “Moraes não encaminhou solução para um único problema de segurança pública como secretário ou ministro. O pináculo de sua obra foi prender meia dúzia de pobres coitados às vésperas da Olimpíada sob a alegação de que planejavam um ato terrorista. Enquanto presos degolavam uns aos outros nas rebeliões nas cadeias, ele garantia que a situação estava sob controle. Um desastre absoluto em todos os sentidos”.

Dom Corleone

“Mas resolveu um pepino que colocava em risco a honra do chefão. O paralelo com a máfia é inevitável e você já assistiu em diversos filmes: a namorada do líder tem a proteção e a segurança de um capanga competente. O sujeito, em geral um tipo alto, com a cara bexiguenta, sempre de casaco longo de abas levantadas, a trata bem e a livra de encrencas. O patrão é maluco por ela”, observa.

E questiona: “Eram retratos da intimidade dela? Do casal? (Deus é pai) Os emails tratavam somente de assuntos particulares? Jamais saberemos. Alexandre de Moraes, no entanto, sabe o que havia no celular. E Temer sabe que ele sabe”.

“Há coisas que precisam ser feitas, que as fazemos e nunca falamos nelas. Não tentemos justificá-las’, diz Dom Corleone. ‘Não podem ser justificadas. Apenas as fazemos. Depois as esquecemos”, conclui.