Grupos de sem-teto ocupam prédios do centro de São Paulo

Movimentos que atuam na área de luta pela moradia ocuparam dois prédios na região central da capital paulista
Movimentos que atuam na área de luta pela moradia ocuparam dois prédios na região central da capital paulista

Movimentos que atuam na área de luta pela moradia ocuparam na madrugada desta segunda-feira dois prédios na região central da capital paulista. As ocupações ocorrem de forma tranquila, de acordo com os coordenadores das organizações.

Por volta da meia-noite, integrantes do Movimento de Moradia da Região Central (MMRC) chegaram ao prédio de quatro andares na Rua General Couto Magalhães, no bairro Santa Efigênia. Nelson de Cruz Souza, coordenador do movimento, informou que a ocupação deve permanecer até que consigam abrir diálogo com o governo municipal.

– Só vamos sair quando conseguirmos abrir negociação com o governo. É uma forma de pressionar já no começo dessa nova gestão. Estamos reivindicando 2 mil moradias – explicou.

Outro grupo, ligado ao Movimento de Moradia da Cidade de São Paulo (MMC), ocupou um prédio de três andares na Avenida Celso Garcia, no Brás. “Queremos fazer a denúncia para a sociedade de que vivemos anos de descaso da questão da moradia por parte do Poder Público municipal. Mas nossa ideia é pressionar todas as esferas de governo”, disse o coordenador Luiz Gonzaga da Silva.

Apesar de terem ocorrido no mesmo dia e horário, as ocupações não fazem parte de uma ação articulada dos dois movimentos.

Haddad anuncia medidas para prevenir desastres com chuvas em SP

Alagamento no Jardim Pantanal, Zona Leste de São Paulo
Alagamento no Jardim Pantanal, Zona Leste de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou medidas para prevenir danos causados por enchentes, alagamentos e deslizamentos na cidade. “A prefeitura tem, sempre teve, um plano de contingência para esse período, mas nós entendemos que deveríamos aperfeiçoar o marco regulatório e as ações coordenadas para que, no curto espaço que nós temos, algumas providências adicionais possam dar mais segurança para a população”, disse à imprensa.

Haddad afirmou que vai consultar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para que seja retomada a discussão sobre uma medida proposta há pelo menos 18 meses pelo próprio Instituto: o aumento do contingente de geólogos durante o período das chuvas para que façam fiscalização diária em 93 áreas com maior risco de deslizamento. Segundo Haddad, a medida custaria R$ 400 mil por temporada, o que o prefeito considera baixo para uma prefeitura do porte de São Paulo, mas que tem grande impacto na redução de riscos.

O trabalho desses técnicos seria complementado com a ajuda de pessoas de comunidades treinadas para identificar sinais de deslizamentos. Atualmente, 193 cidadãos exercem essa função, mas, de acordo com o prefeito, o ideal seriam 417, uma para cada área de risco da cidade.

Haddad também anunciou mudanças no esquema de limpeza de bocas de lobos e ramais de escoamento de água. Atualmente, elas são de responsabilidade da secretária de obras e subprefeituras, respectivamente. O objetivo é coordenar os trabalhos para que não haja “retrabalho e seja mais eficaz a limpeza da cidade”. A medida terá ênfase em 132 pontos de maior reincidência de alagamentos e sub-bacias de maior risco no município. Nessas regiões, a periodicidade da limpeza diminuirá de 60 dias para 15 dias.

Também visando a melhorar a eficiência de gestão, o Centro de Gerenciamento de Emergências deixa de estar sob o comando da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obra e passa para a Defesa Civil, que redistribuirá o contingente de técnicos pelas subprefeituras.

O prefeito também prometeu aumentar a capacidade dos ecopontos e estudar junto às concessionárias de lixo formas de instalar contêineres de recolhimento para a captação de lixo em regiões como Santa Ifigênia, Pari, Brás e Bom Retiro e 25 de março. “O lixo [ nessas regiões] muitas vezes é depositado nas calçadas e nas ruas à espera dos catadores e, muitas vezes, quando as chuvas caem, não há tempo suficiente para as empresas coletarem esse lixo ou de os catadores coletarem para a reciclagem”, disse Haddad. Para o prefeito, essa medida, além de prevenir o entupimento de bocas de lobo, aumenta a capacidade de aferição na fiscalização de grandes produtores.

Prefeito de São Paulo quer levantamento de áreas para construção de 72 creches

Em seu primeiro dia à frente da prefeitura, Fernando Haddad (PT) também anunciou como uma de suas primeiras medidas a formação de um comitê formado pelas secretarias de Educação, Saúde, Obras e Negócios Jurídicos para fazer um levantamento de áreas para a construção de três hospitais municipais e 172 creches, duas de suas promessas de campanha.

Segundo Haddad, as secretarias deverão apresentar relatórios mensais sobre o levantamento das áreas. “De preferência, vamos procurar áreas públicas, mas em locais onde não houver, vamos desapropriar para construir as 172 creches”, afirmou.

Os três hospitais municipais que Haddad pretende construir são em Parelheiros (zona sul), Vila Matilde (zona leste) e Brasilândia (zona norte).

O prefeito também afirmou que pretende resolver em seu primeiro ano de mandato a renegociação da dívida de São Paulo com o governo federal, estimada em mais de R$ 50 bilhões. Só de juros da dívida, a cidade paga cerca de R$ 4 bilhões por ano. De acordo com o prefeito, uma das propostas em discussão com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é que o indexador da dívida seja a taxa Selic ou o IPCA mais 4%.

Haddad disse que já orientou a todos os secretários que façam uma “revisão da matriz de custeio” na tentativa de diminuir os custos da administração. O prefeito afirmou que pretende dobrar a capacidade de investimento da prefeitura. “O investimento per capita de São Paulo (R$ 264) é metade do investimento per capita do Rio de Janeiro (R$ 526)”, disse.

Haddad anuncia ‘luta diária’ contra a miséria

Haddad tomou posse como prefeito de São Paulo, nesta terça-feira
Haddad tomou posse como prefeito de São Paulo, nesta terça-feira

Durante a cerimônia de transmissão do cargo, o novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que o combate à miséria e a renegociação da dívida da cidade com a União serão os principais focos de seu governo, que começa nesta terça-feira. “Não é possível conviver por mais tempo com tanta desigualdade, com tanto descaso, com tantas mazelas. Crianças brincando no esgoto a céu aberto”, ressaltou, no evento que aconteceu na sede da prefeitura, no Viaduto do Chá, centro paulistano. “Existe ainda muita miséria na cidade de São Paulo. E nós temos que lutar todos os dias deste mandato contra a miséria da cidade”, acrescentou.

Para Haddad, a capital paulista pode se tornar um exemplo de sucesso na erradicação da pobreza. “Vamos identificar as pessoas, vamos fazer uma busca ativa, vamos reconhecê-las. Vamos interagir com o governo do estado, com o governo federal. Vamos equacionar esse problema. Vamos dar o exemplo de como o programa federal de erradicação da miséria pode apresentar o seu primeiro resultado pleno na cidade mais rica do país”, pontuou o prefeito, que enfatizou a importância de se ter uma visão baseada na solidariedade para enfrentar os problemas da cidade.

“Eu sou daqueles que acredita não apenas que haja amor em São Paulo. Eu acredito que esse amor está pronto para se manifestar com cada vez mais força, mais presença nessa cidade”, disse em referência a uma manifestação popular feita à época da campanha eleitoral com o lema Existe Amor em SP. “Eu entendo que talvez, durante toda a campanha, essa manifestação não partidária, que não procurava angariar votos para um ou outro candidato, diz muito sobre o que a cidade de São Paulo espera de nós” , completou.

Haddad reconheceu, entretanto, que para poder colocar em prática seus planos para São Paulo precisará renegociar a dívida do município com a União. O tema também foi enfatizado pelo prefeito que deixou o cargo, Gilberto Kassab, no discurso de despedida. “São Paulo, apesar do seu orçamento bilionário, um dos maiores do país, hoje perdeu a sua capacidade de investimento, em função de um acordo de dívida literalmente insustentável, hoje e no futuro”, destacou Haddad. “Nós não podemos conviver com uma dívida que é 200% da nossa arrecadação”.

A solução deve vir, segundo Haddad, de um acordo com o governo federal e com o Congresso Nacional.“Nós temos que levar ao Congresso Nacional, com todas as tratativas com o governo federal, com o ministro [da Fazenda] Guido Mantega, uma proposta de repactuação da dívida federativa de estados e municípios”, disse.

Após o discurso, foram anunciados os nomes dos novos secretários municipais e a criação da Secretaria  de Políticas para Mulheres. Depois da cerimônia, transmitida por um telão para o público do lado de fora do prédio, Haddad subiu em um palco externo, onde saudou os apoiadores. “Nós não teríamos tomado posse hoje, se não fosse a militância de vocês, se não fosse a cumplicidade de vocês. E o que eu peço a Deus é nunca perder o contato com vocês”, disse o prefeito que convocou a população a participar do governo, inclusive com críticas. “Nós não vamos acertar sempre, mas podemos corrigir um eventual erro que cometermos”.

Haddad vai devolver taxa de inspeção de carros 

O paulistano que pagar pela inspeção veicular em 2013 terá o reembolso da taxa. Em entrevista nesta sexta-feira à Rádio Bandeirantes, o futuro secretário de Governo, Antonio Donato (PT), revelou que um projeto de lei para acabar com a cobrança vai chegar à Câmara Municipal no dia 1.º de fevereiro. A taxa foi reajustada nesta semana para R$47,44 pelo atual prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Segundo Donato, os donos de carros com placas de final 1, que terão de passar pela inspeção em fevereiro, já vão ter o reembolso da taxa, que vale assim que o Legislativo aprovar o projeto. A proposta também vai incluir uma mudança na obrigação da inspeção: só carros com cinco anos de fabricação passarão pelo teste.

– Nos países desenvolvidos a inspeção só começa depois de quatro anos. Certamente vamos mudar o que nós chamamos de ‘frota alvo’. A gente vai ter de manter a inspeção nos moldes atuais até a aprovação da proposta. Vamos fazer o debate necessário na Câmara, mas foi um tema também já muito debatido na campanha.” Donato argumentou que o orçamento de 2013 comporta a mudança. O custo para acabar com a taxa da inspeção é estimado em R$180 milhões, valor que não consta na previsão de gastos do Executivo – disse o futuro secretário e coordenador da campanha de Fernando Haddad. Donato afirmou que espera rapidez da Câmara na votação.

Haddad
Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT)

O futuro secretário criticou o modelo em vigor para a inspeção, criado na capital em 2008. “Precisamos estudar todas as possibilidades. Temos mais de 30% da frota que não é licenciada, portanto não passa pela inspeção. Temos um programa que de fato tem problemas de execução. Se ele for feito de outra maneira, poderemos até dar uma resposta melhor na área do meio ambiente.”

Kassab afirmou ontem que o reajuste de 6,9% ocorreu por ser “contratual” e “obrigatório”.
Sobre o fato de que a gestão Haddad devolverá o dinheiro para quem fizer a inspeção veicular, Kassab disse que isso foi um “compromisso de campanha” do petista. “É legítimo isso, é um compromisso que ele tem. Acho correto, se essa é sua vontade. É uma decisão política, não é técnica”, afirmou.

O futuro secretário de Governo também adiantou que o bilhete único mensal (modelo no qual o usuário pagará uma tarifa única e poderá andar de ônibus quantas vezes quiser) será colocado em prática a partir do segundo semestre. “O bilhete único mensal não precisa de aprovação na Câmara. Temos de mudar os validadores dos veículos, fazer as adaptações tecnológicas necessárias”, disse Donato.

Kassab dá R$ 2,5 milhões para financiar lutas do UFC em São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) assinou hoje (28) um convênio com a empresa IMX Esporte e Entretenimento visando a “conjunção de esforços” para a realização do evento UFC Brasil 2013, que será realizado dia 19 de janeiro, no Ginásio do Ibirapuera.

Demonstrando excelente humor no último dia útil de seu mandato, Kassab gracejou em alguns momentos, vestiu um par de luvas da modalidade e chegou a simular um combate com o lutador brasileiro Daniel Sarafian, presente ao evento, na sede da prefeitura paulistana.

O município vai desembolsar R$ 2,5 milhões para o evento. A parceira IMX é uma agência de marketing esportivo formada pela EBX, holding do bilionário Eike Batista, e a gigante multinacional IMG. Criada em 2011, possui uma estratégia de atuação considerada extremamente agressiva pelo mercado. Os preços dos ingressos para o “espetáculo” custarão de R$ 400 e R$ 1.800.

Para Kassab, que concedeu uma rápida coletiva após a assinatura do convênio, o esforço da prefeitura se justifica porque “o UFC tem hoje muita visibilidade”. Segundo ele, trata-se de “um esporte que teremos o prestígio de receber aqui em São Paulo, um evento muito importante que vai trazer visibilidade para a cidade”. De olho na popularidade do esporte, Kassab tenta conquistar alguns pontos de aprovação: ele chega ao final de seu segundo mandato (2009-2012) na prefeitura de São Paulo no próximo dia 31 com reprovação de 42% da população.

Ele afirmou que o UFC se soma a outros “grandes eventos” como a virada cultural, virada esportiva, Fórmula 1, Fórmula Indy e carnaval. “São Paulo tem capacidade para ter um evento grande por semana. Encontramos a cidade com aproximadamente 20 grandes eventos, estamos deixando com cerca de 40. Ainda existe espaço para mais 15, 20 por ano”, esclareceu.

Disse também que a realização das lutas na capital “é uma oportunidade de iniciarmos a futura gestão do prefeito Fernando Haddad com um grande evento. É mais um legado da nossa gestão”.

Coube ao secretário de Esportes, Toni Moreno, que participou da coletiva, responder sobre a prefeitura investir na realização das lutas em São Paulo, um evento por muitos considerado pouco edificante em que a carga de violência é enorme. “Todos nós temos uma interpretação própria. Hoje, o apelo das pessoas que assistem, principalmente os adeptos e quem gosta, é uma coisa que foge de qualquer comentário com a violência (sic). É uma luta que hoje a população gosta, e não cabe a nós dizer se deve ou não ser. Só sei que é um apelo muito grande e todo mundo gosta de assistir”, explicou.

Legado

Na coletiva, o prefeito foi questionado sobre algumas medidas recentes e polêmicas do fim de sua gestão, como o aumento da taxa de inspeção da Controlar, que sobe 6,9% em 2013 (de R$ 44,36 para R$ 47,44). “É contratual. Existem os índices do contrato, a lei preconiza que seja assim. É obrigatoriedade da prefeitura”, disse. Segundo ele, a Controlar chegou a reclamar uma taxa maior. “Está na justiça, é um pedido de reequilíbrio deles. Eles recorreram ao poder Judiciário, que existe para isso. Caberá à justiça definir.”

O novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, prometeu durante a campanha que acabará com a taxa. A equipe de transição de Haddad, que toma posse dia 1° de janeiro, estuda uma fórmula para adotar a medida com as menores sequelas jurídicas.

 

Haddad diz que prioriza qualidade na escolha do secretariado

Haddad diz que prioriza qualidade na escolha do secretariado

Prefeito eleito de São Paulo deve anunciar ao menos a maioria dos cinco nomes restantes para completar sua equipe de governo e confirmou Juca Ferreira na Cultura

Por: Raimundo Oliveira, da Rede Brasil Atual

Publicado em 10/12/2012, 20:53

Última atualização às 20:53

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O prefeito eleito afirmou que não tem pressa para definir a equipe, que demanda qualidade (Foto: Diogo Moreira/Frame/Folhapress)

São Paulo – O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou hoje (10) que a qualidade do secretário é o critério para escolha dos nomes que comporão seu primeiro escalão, e não o prazo cada vez mais curto para definir toda a equipe de governo. Ao ser questionado se deve anunciar, ainda esta semana, os cinco nomes que  faltam para completar o secretariado, Haddad disse que sua maior preocupação é escolher bem: “Não vou nomear uma pessoa a não ser que esteja certo de que seja a pessoa certa para a função. Minha maior preocupação é escolher bem.” 

O nome de Juca Ferreira para a Secretaria de Cultura foi confirmado pelo futuro chefe do Executivo. Ferreira já foi ministro da Cultura no final do segundo mandato do governo Lula. Ainda há secretarias importantes  definir, como Habitação e Segurança. Na Habitação, o prefeito trava uma polêmica com movimentos sociais, de moradia popular e arquitetos e urbanistas ligados ao PT por ter negociado a pasta com o PP de Paulo Maluf desde o início da campanha eleitoral. 

Haddad disse também que esteve reunido com a presidenta Dilma Rousseff (PT) na semana passada, com quem discutiu o projeto de revitalização do centro de São Paulo, um traçado do trem de alta velocidade (TAV) na cidade e parcerias entre o município e a União. “Ela destacou os ministros para que possamos acessar os editais do governo federal que ainda não chegaram a São Paulo, na área de saúde, educação, cultura, e do Ministério das cidades”, disse.

Houve encontro também com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com quem discutiu a dívida de São Paulo com a União e a proposta de mudança do indexador para o pagamento. “Não depende só de São Paulo, a mudança de indexador afeta todos os entes da federação. Vai beneficiar a todos, mais São Paulo porque e nossa dívida é maior.” O prefeito observou que nos atuais padrões a inadimplência é mais vantajosa: “Pagando o contrato, paga IGP-M mais 9%. Não pagando, paga Selic mais 1%. É uma distorção absurda”.

Comércio

A agenda do prefeito eleito incluiu ainda reunião com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomércio), na qual foi abordada a possível criação de uma lei de incentivos fiscais e a desoneração tributária para o setor. “São Paulo tem que ter um plano de desenvolvimento”, defendeu.

Ele citou como possíveis alvos que deverão ser beneficiados as regiões das avenidas Jacu-Pêssego, na zona leste, e Cupecê, região sul. “Minha função como chefe do executivo é fazer um mapeamento de setores que vão representar uma transformação dessas regiões, a geração de empregos, trazer de volta empresas que deixaram São Paulo.”

Comerciantes da 25 de Março estimam vendas de Natal melhores do que em 2011

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O movimento na Rua 25 de Março, maior centro de comércio popular de São Paulo, foi intenso neste sábado (8), com muitas pessoas antecipando suas compras de Natal. A expectativa dos lojistas é que as vendas no Natal deste ano sejam melhores do que em 2011.

“Estamos trabalhando com a expectativa de aproximadamente 8% a 10% a mais [nas vendas reais] do que no mesmo período do ano anterior. Da forma como as coisas estão fluindo aqui, acredito que vai ser fácil atingir esse percentual”, disse Ondamar Antonio Ferreira, gerente da loja Armarinhos Fernando, em entrevista à Agência Brasil. Os Armarinhos Fernando trabalham com cerca de 180 mil produtos, entre eles, artigos de Natal, lingerie, brinquedos, confecções e papelaria.

Para Ferreira, este sábado foi um dia especial para vendas, pois é feriado em muitas cidades do interior de São Paulo. “Isso favorece o movimento na região”, disse.

O aumento de vendas também é uma expectativa para o Depósito de Meias Ansarah. “Nestes últimos três meses, o comércio voltou a reagir dando uma esperança positiva em relação ao ano passado. Nossa expectativa é aumento entre 10% e 11%”, disse Kelrem Marim de Lima, gerente do Depósito de Meias Ansarah na 25 de Março. Segundo ela, nos finais de ano a loja vende muitas meias, calcinhas, cuecas e lingeries coloridas para o final de ano.

A expectativa dos lojistas, disse Kelrem, é que mais de 1,5 milhão de pessoas passem pela 25 de Março aos sábados e 1 milhão de pessoas nos domingos.

Quem também espera por um aumento nas vendas neste mês são vendedores que tem barracas na 25 de Março. “Este ano, neste mês, teve um aumento nas vendas. Senti aumento de uns 40% [nas vendas]”, disse Ricardo Chaves da Silva. Segundo ele, o que atrai as pessoas para a região durante o Natal é um misto de “atendimento, promoção e preço baixo”.

Maria das Graças Cavalcanti, de Diadema (SP), diz que faz compras na 25 de Março todos os anos. “Vale a pena. O mesmo produto que vemos nos shoppings, como esse conjunto de lavabo [ela mostra o produto para a reportagem]: no shopping custa R$ 60 e aqui comprei por R$ 22”, disse.

Samuel Lopes também esteve hoje na 25 de Março para comprar os presentes de seus dois filhos. Hoje ele contou à reportagem já ter comprado “várias besteiras para as crianças, inclusive roupas. O preço vale a pena”.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima que o consumo no mês de dezembro na região metropolitana de São Paulo, será R$ 4 bilhões superior em comparação média dos demais meses do ano. Do total, R$ 1,7 bilhão deve ser destinado para a compra de presentes. A expectativa da federação é que cada família da região metropolitana de São Paulo compre, em média, quatro presentes e gaste entre R$ 60 e R$ 65 em cada um deles.

Em relação a todo o estado paulista, a FecomercioSP projeta que o resultado do Natal deste ano será “ainda melhor” que o do ano passado. A estimativa é que o comércio paulista fature R$ 44,7 bilhões em dezembro, resultado cerca de R$ 6 bilhões superior ao do ano passado. As compras de Natal e Ano Novo devem impulsionar o comércio varejista paulista em cerca de R$ 9,8 bilhões.

Edição: Fábio Massalli