Pesquisa revela que autismo está ligado a até 33 genes

O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença

Um enorme estudo internacional começou a desvendar os “pequenos detalhes” da razão de algumas pessoas desenvolverem autismo, informaram pesquisadores. Eles observaram milhares de amostras de DNA de crianças com autismo e de seus pais.

O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença
O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença

Os resultados, publicados na revista científica Nature, constataram que até 33 genes estão envolvidos no desenvolvimento da condição.

A National Autistic Society (NAS), no Reino Unido, no entanto, afirmou que ainda há “um longo caminho” para a descoberta das causas do autismo.

O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença, de acordo com o autor principal, professor Joseph Buxbaum, do Icahn School of Medicine at Mount Sinai New York.

– O gatilho é a genética – mas há um monte de diferentes possíveis causas – disse Buxbaum.

Análise do DNA

O autismo é um transtorno que afeta a capacidade das pessoas de se socializarem.

Os pesquisadores avaliaram 15.480 amostras de DNA para determinar o impacto de mutações genéticas passadas de pai para filho, bem como as que surgem espontaneamente.

Dos até 33 genes ligados ao autismo, 7 genes são completamente novos para os cientistas (em sua conexão com o autismo), enquanto 11 não eram considerados risco real devido à falta de dados. Do total, 15 genes já eram conhecidos como potenciais propagadores da condição.

O estudo também afirma que mutações genéticas pequenas, raras, em 107 genes podem contribuir para o risco de autismo.

Mais de 5% das pessoas autistas estudadas apresentaram mutações genéticas (com perda de funções nos genes) não herdadas.

‘Detalhe mais fino’

O estudo deve ajudar a melhorar a compreensão de algumas das causas do autismo, disse o professor David Skuse, chefe da equipe de distúrbios da comunicação social, no Great Ormond Street Hospital, em Londres, e um contribuinte para o relatório.

– Até agora, nós realmente não fomos capazes de compreender os mecanismos que levam ao autismo – disse ele. “Este (estudo) chegou a pequenos detalhes”.

Skuse acrescentou que o estudo poderia começar a ajudar as famílias a entender o autismo. A National Autistic Society (NAS) disse que havia muitas lacunas no conhecimento do tema.

Carol Povey, diretora do Centro para Autismo do NAS, disse: “O autismo vem de uma relação altamente complexa de genes que não apenas interagem com outros genes, mas também com fatores não-genéticos também”.

– Pesquisas como esta nos ajudam a entender a genética envolvida em algumas formas de autismo e abrem a possibilidade de famílias obterem uma melhor compreensão da condição – disse ela.

– No entanto, ainda estamos muito longe de saber o que causa o autismo. O que as pessoas com a doença, suas famílias e cuidadores precisam, acima de tudo, é de acesso agora para o tipo certo de apoio, para serem capazes de levar uma vida plena – acrescentou .

Após realizar último desejo, mulher fala em adiar morte

Acompanhada de seus pais e seu marido, Brittany visitou o Grand Cânion, o último item de sua lista
Acompanhada de seus pais e seu marido, Brittany visitou o Grand Cânion, o último item de sua lista
Acompanhada de seus pais e seu marido, Brittany visitou o Grand Cânion, o último item de sua lista

Sofrendo com um câncer terminal, a norte-americana Brittany Maynard, de 29 anos, havia decidido colocar fim à sua vida neste sábado. Ela também havia decidido que antes de morrer completaria uma lista de coisas que sonhava em fazer.

Mas, depois de realizar o último desejo da lista há poucos dias, ela visitou o Grand Cânion com seus pais e o marido,  ela decidiu esperar um pouco mais para morrer.

Em um vídeo divulgado em seu blog, a norte-americana deixou em aberto a data de sua morte.

– Ainda me sinto bem o suficiente e ainda tenho alegria o suficiente. Ainda dou risada com a minha família e amigos e apenas não me parece que seja a hora certa agora.

– Se chegar o dia 2 de Novembro e eu tiver morrido, espero que a minha família ainda esteja orgulhosa de mim e das decisões que tomei – afirmou.

– Mas se chegar o dia 2 de novembro e eu ainda estiver viva, simplesmente vamos seguir e continuar como uma família, cheios de amor uns pelos outros e essa decisão vai chegar mais para a frente.

Ainda assim, Brittany vê seus dias chegando ao fim. “Vai acontecer, porque eu sinto todos os dias que estou ficando mais e mais doente.”

Sonho

Alguns dias antes de desistir da data prevista para sua morte, Brittany realizou o sonho de visitar o Grand Cânion com sua família.

– Tive a oportunidade de desfrutar meu tempo com as coisas que mais amo na vida: minha família e a natureza – afirmou a jovem em seu blog.

A experiência, no entanto, não foi totalmente positiva porque, como ela disse, “é impossível esquecer do meu câncer”.

– As fortes dores na cabeça e no meu pescoço estão sempre por perto. E, infelizmente, tive a pior convulsão até agora. Fiquei sem falar por tempo, até retomar a consciência.

No mesmo texto, a norte-americana diz que seu sonho é que todos que sofrem de doenças terminais possam morrer da maneira que desejarem.

Eutanásia

A história de Brittany vem tendo uma grande repercussão nos Estados Unidos, onde ganhou fôlego o debate sobre a eutanásia.

A jovem e seu marido se mudaram da Califórnia para o Estado do Oregon, um entre cinco Estados norte-americanos onde o suicídio com assistência de médicos é permitido.

Após se estabelecer como residente no local, ela teve de provar que tem menos de seis meses de vida.

Agora, a paciente possui uma receita médica para as drogas que usará para morrer.

Em seu primeiro artigo, que foi amplamente compartilhado nas redes sociais, ela contou que pretendia tomá-las no dia 1º de novembro, dois dias após o aniversário de seu marido.

Brittany compartilhou sua experiência com a entidade sem fins lucrativos Compassion & Choices, que faz pressão por uma legislação que legalize a eutanásia.

O especialista em bioética Arthur Caplan diz que a história de Maynard tem o potencial de mudar a forma como muitas pessoas, particularmente os mais jovens, vêem a questão.

– Uma geração inteira está agora olhando para Brittany e se perguntando por que seus Estados não permitem que médicos receitem doses letais de drogas para quem está morrendo – Caplan escreveu para à agência britânica de notícias  BBC.

– Brittany está tendo e terá um grande impacto sobre o movimento para que medidas sejam apresentadas a eleitores e legisladores.

Capla acredita que opiniões em torno da questão do suicídio assistido podem mudar rapidamente, da mesma forma como mudaram em relação ao casamento entre homossexuais.

Estudo diz que consumo de leite não diminui o risco de fraturas ósseas

Pesquisa aponta que mulheres que consumiam altas quantidades do produto tinham mais chances de fraturas
Pesquisa aponta que mulheres que consumiam altas quantidades do produto tinham mais chances de fraturas
Pesquisa aponta que mulheres que consumiam altas quantidades do produto tinham mais chances de fraturas

Um estudo publicado pelo British Medical Journal (BMJ) sugere que o consumo de leite não diminui o risco de fraturas por fragilidade óssea.

Com base em pesquisas realizadas pela Universidade de Uppsala, na Suécia, o estudo mostrou que mulheres que bebiam mais de três copos de leite por dia na verdade mostravam mais tendência a sofrer lesões do gênero que mulheres consumindo menores quantidades do produto.

Os pesquisadores, porém, alertam que os resultados apontam uma tendência e não devem ser interpretados como prova de que o maior consumo de leite causou as fraturas de fragilidade óssea.

Fatores como o peso e o consumo de álcool também devem ser levados em conta, alertam.

Chances dobradas

O leite durante anos tem sido recomendado como uma boa fonte de cálcio, mas estudos investigando uma relação entre o consumo do produto e o fortalecimento ósseo apresentaram resultados conflitantes.

A pesquisa sueca examinou os hábitos alimentares de 61.400 mulheres entre 1987-90 e de 45.300 homens em 1997 para então monitorar sua saúde ao longo de um período de até 20 anos.

Participantes preencheram questionários sobre a frequência no consumo de alimentos como leite, iogurte e queijo.

Os pesquisadores, então, viram quais participantes sofreram fraturas e tiveram outros problemas nos anos seguintes.

– As mulheres com alto consumo de leite tinham um risco 50% maior de sofrer fraturas de bacia – explica Karl Michaelsson, pesquisador-chefe da Universidade de Uppsala.

Os homens foram monitorados por 11 anos e os resultados mostraram uma tendência parecida, porém menos acentuada.

Padrões opostos

Curiosamente, produtos à base de leite fermentado, como o iogurte, apresentaram o padrão oposto: o maior consumo reduziu o risco de fraturas.

Para o professor Michaelsson, outro fator que pode influenciar a força óssea são os açúcares do leite, que testes de laboratório já mostraram acelerar o envelhecimento em alguns animais.

– Os resultados do nosso estudo questionam a validade das recomendações do consumo de grandes quantidades de leite para a prevenção de fraturas de fragilidade óssea – afirma o pesquisador.

– Mas esses resultados precisam ser interpretados de forma cautelosa por conta da natureza observacional do nosso estudo.

Michaelsson defende ainda que as recomendações sobre o consumo de leite não sejam alteradas até que se conduzam mais pesquisas sobre o tema.

Pesquisadores descobrem genes associados à violência

Estudo revela genes que podem estar associados à violência
Estudo revela genes que podem estar associados à violência
Estudo revela genes que podem estar associados à violência

Uma análise genética de quase 900 criminosos na Finlândia revelou dois genes que podem ser associados à violência. Os criminosos identificados com os dois genes foram 13 vezes mais propensos a terem um histórico de comportamento violento frequente.

Os autores do estudo, publicado no jornal Psiquiatria Molecular, disseram que cerca de 5% a 10% de todo crime violento praticado na Finlândia poderia ser atribuído a pessoas com esses genes.

Ainda assim, eles ressaltam que os genes identificados não poderão ser usados para ‘mapear’ criminosos.

Vários outros genes podem estar envolvidos na propensão à violência e fatores do ambiente também têm um papel fundamental para gerar esse tipo de comportamento.

Mesmo se uma pessoa tem uma combinação de “alto risco” desses genes, a maioria nunca irá cometer um crime, segundo explica o principal autor da pesquisa, Jari Tiihonen do Instituto Karolinska na Suécia.

– Cometer um crime violento e pesado é extremamente raro na população em geral. Então mesmo que o risco relativo seja maior, o risco absoluto é muito baixo – disse à agência britânica de notícias BBC.

O estudo é o primeiro com foco na composição genética de tantos criminosos dessa forma.

Estudo

Um perfil de cada criminoso foi feito baseado nos crimes cometidos por eles,  categorizando-os em ‘violentos’ ou ‘não violentos’. A associação entre os genes e um comportamento violento anterior foi a mais forte para os 78 que tinham o perfil ‘extremamente violento’.

Esse grupo tinha cometido um total de 1.154 homicídios, tentativas de homicídio ou lesões corporais. Em um grupo replicado de 114 criminosos, todos tinham cometido pelo menos um assassinato.

Todos esses carregavam uma versão do gene MAOA de baixa atividade, que pesquisas anteriores já haviam apelidado de “gene da violência” por causa de sua ligação com o comportamento agressivo.

Uma deficiência da enzima que esse gene controla poderia resultar em uma “hiperatividade de dopamina”, principalmente quando uma pessoa bebe álcool ou usa drogas como anfetamina, conforme explica Jari Tiihonen. A maioria das pessoas que cometem crimes violentos na Finlândia faz isso sob efeito de álcool ou drogas.

Livre-arbítrio

Por enquanto, a informação genética recém-descoberta não deve ter nenhuma influência nos resultados de condenações na Justiça, esclarece Tiihonen.

– Há muitas coisas que podem contribuir para a capacidade mental de uma pessoa. A única coisa que importa é a capacidade mental do criminoso para entender as consequências do que ele ou ela está fazendo e se esse criminoso consegue ou não controlar seu próprio comportamento.

Christopher Ferguson, da Universidade de Stetson, na Flórida, concordou e acrescentou que “não há um ou mesmo dois genes que podem só por eles mesmos representar um ‘código’ para a violência ou para o crime.”

– De alguma forma, todos somos produtos da genética e do ambiente em que vivemos, mas não acho que isso tira da gente o livre-arbítrio ou a capacidade de distinguir certo e errado – diz.

Apesar desse ponto de vista, compartilhado por muitos outros cientistas, existem vários casos de advogados de defesa que utilizaram a informação genética para tentar reduzir sentenças.

Em 2009, um tribunal na Itália reduziu a pena de um criminoso com genes ligados ao mau comportamento. Em um caso semelhante nos EUA, o perfil genético de um assassino foi apontado como um fator que contribuiu para o crime cometido por ele.

– Estudos como esse realmente documentar que uma grande porcentagem do nosso comportamento em termos de violência ou agressão é influenciado por nossa biologia, nossos genes, e nossa anatomia do cérebro – contou Tiihonen.

– É importante para conceituar o crime e a violência, saber de onde vêm, mesmo que isso não consiga mudar radicalmente o sistema de justiça criminal.

Crítica

Brett Haberstick da Universidade do Colorado, disse que o trabalho mostra que “encontrar genes para o comportamento criminoso vai ser difícil”, apesar de uma longa tradição de trabalho biológico na área de criminologia.

– Valeria a pena olhar quais são as contribuições biológicas para o comportamento criminoso ou anti-social e como é o impacto delas sobre os indivíduos, as comunidades e a sociedade em geral. O que eu penso, no entanto, é que é vital que a influência do ambiente seja considerada também – disse.

Jan Schnupp na Universidade de Oxford era crítico do trabalho. Ele comentou que até metade da população poderia ter um dos genes envolvidos.

– Para chamar de ‘genes para a violência’ seria um exagero enorme. Em combinação com muitos outros fatores, esses genes podem fazer com que fique um pouco mais difícil para você controlar impulsos violentos, mas mais enfaticamente eles não podem predeterminar você para uma vida de crime.

Pesquisadores transformam células-tronco em ‘assassinas’ de câncer

Células-tronco geneticamente modificadas podem produzir toxina que 'mata' tumores
Células-tronco geneticamente modificadas podem produzir toxina que 'mata' tumores
Células-tronco geneticamente modificadas podem produzir toxina que ‘mata’ tumores

Cientistas da Escola de Medicina de Harvard descobriram um jeito de transformar células-tronco em ‘máquinas’ para lutar contra o câncer cerebral.

Em uma experiência com ratos, as células-tronco foram geneticamente modificadas para produzir toxinas que podem matar tumores no cérebro sem matar as células normais.

Pesquisadores dizem que o próximo passo seria testar esse processo em seres humanos.

– Depois de fazer toda a análise molecular e de imagem para controlar a inibição da síntese de proteínas dentro de tumores cerebrais, nós vimos as toxinas matarem as células cancerígenas – explicou Khalid Shah, principal autor da pesquisa e diretor do Laboratório de Neuroterapia no Hospital de Massachusetts e na Escola de Medicina de Harvard.

– Toxinas para matar o câncer têm sido utilizadas com grande sucesso em uma variedade de tumores sanguíneos, mas eles não funcionam bem em tumores sólidos, porque os tumores não são tão acessíveis e as toxinas têm uma vida curta.

Mas geneticamente, a manipulação de células-tronco pode ter mudado tudo isso, segundo Khalid Shah.

– Agora, temos células-tronco resistentes a toxinas que podem fazer e liberar essas drogas que matam o câncer – explicou.

Estudo

O estudo, publicado no jornal científico Células-tronco, foi resultado de um trabalho de cientistas do Hospital de Massachusetts e do Instituto de Células-Tronco de Harvard.

Eles passaram muitos anos estudando uma terapia com células-tronco que pudesse curar o câncer, a ideia seria que as células-tronco produzissem algo capaz de matar células cancerígenas, mas que não tivesse efeitos negativos sobre as células normais, ou seja, as células saudáveis não teriam risco algum de serem atingidas pela toxina.

Os cientistas, então, modificaram geneticamente as células-tronco para conseguir fazer isso.

Nos testes em animais, as células-tronco foram colocadas no gel e depois em um tumor cerebral depois de ele ter sido retirado. As células cancerígenas morreram na hora, como se elas não tivessem nenhum tipo de defesa contra a toxina.

Cautela

Para Nell Barrie, cientista do Instituto de Pesquisa de Câncer do Reino Unido, o estudo teve resultados excelentes, mas é preciso ter cautela porque ele traz uma “abordagem engenhosa”.

– Precisamos urgentemente de melhores tratamentos para tumores cerebrais e isso pode ajudar em um tratamento direto exatamente onde ele é necessário.

– Mas até agora a técnica só foi testada em ratos e em células cancerígenas em laboratório. Muito trabalho ainda precisa ser feito antes de nós afirmarmos se esse tratamento é eficiente e pode ajudar os pacientes com tumores cerebrais – completou.

Nell reiterou que esse tipo de pesquisa poderia ajudar a aumentar as taxas de sobrevivência e trazer progresso muito importante para a cura do câncer cerebral.

Já Chris Mason, professor de medicina regenerativa na Universidade de Londres, disse que esse estudo é “bastante inteligente e indica que há uma nova onda de tratamentos contra o câncer surgindo”.

– Isso mostra que podemos atacar tumores sólidos colocando mini-farmácias dentro do paciente que liberam as toxinas diretamente no tumor.

– Essas células-tronco podem fazer tanta coisa. É assim que o futuro será.

Pesquisa investiga diagnóstico de Alzheimer pelos olhos

Os pesquisadores escoceses acreditam que mutações em veias oculares podem revelar indícios de ocorrência do Alzheimer
Os pesquisadores escoceses acreditam que mutações em veias oculares podem revelar indícios de ocorrência do Alzheimer
Os pesquisadores escoceses acreditam que mutações em veias oculares podem revelar indícios de ocorrência do Alzheimer

Pesquisadores das universidades de Dundee e Edimburgo, na Escócia, realizarão um estudo que pretende revolucionar o diagnóstico da doença de Alzheimer. O objetivo é viabilizar a detecção da doença degenerativa a partir de exames de vista.

Pesquisas prévias sugerem que mudanças nas veias e artérias oculares podem estar ligadas à ocorrência de derrames e doenças cardíacas.

Envelhecimento

O estudo das universidades escocesas quer descobrir se tais alterações também não poderiam ser um “alerta prévio” para o Alzheimer, mal que atinge mais de 35 milhões de pessoas no mundo, segundo estatísticas da ONG Alzheimer’s Disease International.

Com o uso de um software especialmente desenvolvido para o projeto, os pesquisadores vão analisar imagens em alta definição de olhos e também estudar uma base de dados médicos do Ninewells Hospital, o maior hospital universitário da Europa.

Para o líder do estudo, Emanuele Trucco, a importância do projeto está na possibilidade de diagnósticos preventivos baratos.

– Estamos examinando a possibilidade de podermos examinar os olhos de um paciente usando equipamento que não custa uma fortuna para termos a chance de descobrir o que pode ser o risco de demência – explica Trucco.

– Além de não ser um método invasivo, poderemos ainda estudar o uso do teste para diferenciar os tipos variados de demência.

O projeto custará cerca de R$ 4 milhões e a verba foi doada ao Conselho de Pesquisas em Engenharia e Ciência, uma agência do governo da Grã-Bretanha.

– O país enfrenta um grande desafio nas próximas décadas. Temos uma população envelhecendo e um provável aumento no número de casos de demência – explica Philip Nelson, presidente da agência.

Com início previsto para abril de 2015, o estudo terá duração de três anos.

Pesquisadores treinam ‘distraídos’ a se focar em tarefas

Pessoas que 'viajam demais' podem estar usando parte menos eficiente do cérebro

Você está sempre adiando suas tarefas? Ou não consegue se concentrar direito no que precisa fazer, deixando sua mente andar por ai? A jornalista e autora Caroline Williams tem os mesmos problemas. Ela resolveu visitar um laboratório dedicado a estudar e “curar” esse problema. Abaixo, ela dá o seu relato da experiência:

Pessoas que 'viajam demais' podem estar usando parte menos eficiente do cérebro
Pessoas que ‘viajam demais’ podem estar usando parte menos eficiente do cérebro

“Estou no Boston Attention and Learning Lab – um laboratório americano que tenta treinar e educar o cérebro a se concentrar melhor.

As técnicas desenvolvidas aqui ajudam pessoas com sofrimento muito maior do que o meu. Algumas não conseguem se concentrar por terem danos cerebrais, doenças ligadas a traumas (transtorno de estresse pós-traumático, ou TEPT) ou deficit de atenção (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, ou TDAH).

Eu queria saber se uma pessoa como eu, sem essas condições extremas, também pode se beneficiar de novas técnicas.

O neurocirurgião Joe DeGutis, que trabalha no laboratório, se mostrou cético com a proposta.

“É difícil melhorar o funcionamento já ‘normal’ para algo acima da média ou de nível superior, apesar de algumas empresas de treinamento de cérebros tentarem vender isso.”

Caroline Williams convenceu cientistas de que tinha um problema crônico de concentração
Caroline Williams convenceu cientistas de que tinha um problema crônico de concentração

Mas depois de alguns testes online de concentração, consegui convencê-lo de que sou péssima em focar minha atenção. Na minha família, sou até famosa pela falta de concentração. Sempre que surge alguma tarefa que foi abandonada na metade, sem conclusão, meus familiares dizem que ela parece uma “Tarefa Caroline”. Meus amigos dizem que tenho um “cérebro borboleta”, já que ele está sempre voando por aí.

Esperança

Mas existe esperança para pessoas que, como eu, costumam interromper o que estão fazendo para olhar seu Facebook, sonhar acordada ou ir tomar um cafezinho no meio do trabalho. Estudos nos Estados Unidos indicam que esse é o quadro de 80% dos estudantes e 25% dos adultos. Com o surgimento de novas distrações, como smartphones, o cenário só piora.

E com prejuízo à saúde mental – com mais doenças, estresse e conflitos em relações. Um estudo de 2010 dos psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, de Harvard, mostrou que as pessoas que deixam seu cérebro “voar longe” são menos felizes do que as que se concentram em suas tarefas.

Para o psicólogo Tim Pychyl, procrastinação é um problema emocional. Diante do estresse, as pessoas resolvem se dar “um pequeno presente” instantâneo, mesmo que isso venha nos prejudicar no futuro.

Áreas do cérebro

A mudança está toda no cérebro. Os pesquisadores do Boston Attention and Learning Lab trabalham para melhorar as ligações entre duas regiões do cérebro: o córtex pré-frontal (acima dos olhos, que nos ajuda a tomar decisões) e o córtex parietal (atrás dos ouvidos, e que coordena nossas sensações).

Juntos, eles formam a rede de atenção dorsal, que é a parte do cérebro que trabalha quando estamos concentrados em uma tarefa. Para que ela opere bem, é preciso “desligar” outra parte do cérebro conhecida como “rede de modo default” – responsável pela criatividade, pelo ócio ou por “viajar” com a cabeça.

Testes mostram que as pessoas com problema de concentração estão usando a parte esquerda do cérebro – que é a menos eficiente para esse tipo de tarefa.

Os cientistas queriam descobrir quais das duas hipóteses explicavam minha falta de atenção: estou usando demais a parte errada do cérebro para me concentrar em uma tarefa? Ou não estou conseguindo desligar minha “rede de modo default”?

Foco, foco, foco

Teste "Não Toque na Betty" exibia rostos diferentes em uma tela
Teste “Não Toque na Betty” exibia rostos diferentes em uma tela

Sou submetida a testes de atenção contínua – para ver o quão “ligada” eu consigo ficar em meio a tarefas tediosas e repetitivas.

O primeiro teste se chama “Não Toque na Betty”. A tarefa é aparentemente fácil. Por 12 minutos, vários rostos de homens surgem em uma tela. A cada face masculina, eu devo apertar um botão. Mas quando o único rosto feminino (o de Betty) surge, não posso apertar.

Apesar de parecer fácil, descubro que minha margem de erro é de 51% – muito pior do que a média de voluntários “saudáveis” (20%). O pior resultado que eles haviam registrado nesse teste era de 40%.

Os testes mostram que a tarefa dos cientistas será dura: melhorar minha concentração em apenas quatro dias – que foi o tempo livre que nós tivemos para nos dedicar a essa experiência.

A primeira experiência é usar um pulso magnético fraco para tentar “desacelerar” o meu “campo de olho frontal” – uma região na parte esquerda do cérebro. Com isso, a parte direita – responsável pela concentração – trabalharia mais.

A sensação não é das piores pelos primeiros cinco minutos. Mas depois, sinto como se alguma coisa estivesse estalando dentro do meu cérebro. Cinco minutos depois e a sensação é muito irritante.

Técnicas demoraram para dar resultado, mas no último dia Caroline melhorou
Técnicas demoraram para dar resultado, mas no último dia Caroline melhorou

Passado isso, eu repito testes semelhantes ao “Não Toque na Betty”. Mas meus resultados pioram. No terceiro dia de testes, eu sigo sem apresentar nenhuma melhora – o que gera frustração em mim e nos cientistas.

Mas de repente, no final do terceiro dia, meu índice de acertos começa a saltar. No mesmo dia, eu passo de uma margem de 11 a 30% de acertos para algo como 50 a 70%.

Eu começo a perceber que estava errando vários resultados porque estava pensando em como escreveria este artigo, ou como estaria meu filho sem mim, já que estou viajando. Ou se eu deveria tomar cerveja ou vinho no fim do dia.

Controlando as ‘viagens’ da mente

Para o neurocirurgião DeGutis, isso é um grande avanço. Estar ciente do que você está pensando é conhecido na psicologia como “metaconsciência”, e é uma ferramenta útil para quem está tentando controlar uma cabeça que “viaja longe”.

– Todos que passam pelo treinamento descobrem que estão em um estágio em que ficam um pouco mais metaconscientes. Eles estão cumprindo suas tarefas e conseguem perceber que estão pensando em outras coisas – diz o neurocirurgião.

Partes diferentes do cérebro controlam a concentração e a criatividade
Partes diferentes do cérebro controlam a concentração e a criatividade

Sara Lazar, neurocientista em Harvard, descobriu algo semelhante em seus estudos. Ela identificou outra parte do córtex que facilita que a mente “viaje”. É o córtex cingulado posterior. Quanto maior o controle que exercemos sobre essa parte do cérebro, mais nós nos concentramos.

Eu certamente senti algo assim em meu cérebro quando trabalhava na concentração.

No último dia, eu fiquei ansiosa para saber os resultados dos meus últimos testes. Os cientistas fizeram questão de dizer que os resultados não eram totalmente científicos, e que eles não me incluiriam em seus estudos e artigos.

Mesmo assim, eles dizem que o “treinamento” para melhorar minha concentração funcionou em alguma medida. Meu índice de erro no teste “Não Toque na Betty” baixou de 51% (a pior nota entre todos os “saudáveis”) para 9,6% – um índice considerado entre os melhores. DeGutis diz que a melhora é real – e não apenas dada à minha familiaridade maior com o jogo.

Meta-consciência é estar ciente do que está sendo pensado
Meta-consciência é estar ciente do que está sendo pensado

Outro teste que revela quanto tempo demora para meu cérebro voltar a focar em uma tarefa depois de ser distraído com outra coisa também teve resultado positivo: um escore de 46% subiu para 87% (em uma escala onde 0 é a pior taxa de concentração e 100% a melhor).

De fato, depois dos quatro dias no laboratório, eu me sentia mais calma e focada. Será que realmente consegui mudar meu cérebro em apenas quatro dias?

– Não estruturalmente, mas sim funcionalmente – na forma como você se engaja com seu cérebro. Alguma coisa mudou – diz o cientista.”

Aids: 30 anos após descoberta, cresce expectativa de vida dos pacientes

aidsTrinta anos após a descoberta da aids, a expectativa de vida de pacientes soropositivos que se submetem a tratamento antirretroviral se aproxima de uma pessoa não infectada pelo HIV, de acordo com a diretora do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, Valdiléa Gonçalves Veloso.

– No início da epidemia, a gente media a expectativa de vida dessas pessoas em semanas e meses. Hoje, ela é indefinida. Estudos mais recentes mostram uma proximidade com a expectativa de vida da população em geral – explicou.

A infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) listou alguns avanços registrados nas últimas três décadas no enfrentamento à doença, como o isolamento do HIV em laboratório, a disponibilização do teste-diagnóstico e de exames de carga viral e de contagem de linfócitos, que monitoram a infecção e a multiplicação do vírus no organismo.

Um dos marcos no cenário mundial, segundo ela, foi a implantação da terapia antirretroviral potente, também conhecida como coquetel anti-aids. A partir deste momento, a doença passa a ser vista como um problema crônico grave e não mais como uma sentença de morte. Além de uma expectativa de vida maior, a qualidade de vida dos soropositivos também aumentou.

– Hoje temos drogas que dão um conforto maior ao paciente. Os comprimidos diminuíram, a frequência e a exigência de restrição alimentar também e os remédios têm uma toxidade menor do que no início. São menos efeitos colaterais, o que faz com que o paciente tolere melhor os medicamentos – ressaltou.

Outra vantagem é que pessoas com aids já podem ser submetidas a várias rodadas de tratamento. Há alguns anos, quando os primeiros medicamentos fracassavam, a expectativa de que uma segunda tentativa funcionasse era pequena. Atualmente, há uma lista de remédios que podem ser prescritos em casos de resistência ao HIV.

Valdiléa lembrou que mesmo diante do enfrentamento, a epidemia de aids já acometeu mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo, além de ter provocado a morte de cerca de 25 milhões. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que entre 30 e 35 milhões de pessoas estão infectadas.

– A infecção continua sendo transmitida, mas tivemos resultados de pesquisas muito animadores em relação à prevenção e que demonstram que o uso dos antirretrovirais pode contribuir para a prevenção – destacou, ao se referir a um estudo com casais sorodiscordantes que indica que o risco de transmissão cai em 96% quando o parceiro soropositivo se submete a um tratamento eficaz.

Para a infectologista, o resultado do estudo atesta que, se a população atualmente infectada pelo HIV tiver acesso ao tratamento, isso poderá representar um impacto considerável no controle da epidemia no futuro.

– A ciência vai continuar avançando. Vamos gerar cada vez mais conhecimentos que vão permitir que as pessoas infectadas vivam mais e melhor. Mas tudo o que a ciência gera, no final, depende de uma outra parte, de fatores que não estão associados, de decisões políticas de grandes líderes mundiais que nem sempre optam por tornar o acesso mais igualitário – concluiu.