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Chanceler alemã e premiê britânica fazem coro contra discriminação a imigrantes

Tanto Angela Merkel quanto Theresa May disseram ao presidente dos EUA que sua política contrária aos imigrantes fere tratados internacionais. Um deles é o de Genebra, considerado um dos mais importantes na questão dos refugiados

 

Por Redação – de Berlim e Londres

 

A primeira-ministra Theresa May e a chanceler Angela Merkel fizeram coro contra as restrições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imigração. May pronunciou-se depois de ser criticada por parlamentares de seu próprio partido por não condenar o decreto quando questionada, inicialmente.

Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes
Merkel e May pronunciaram-se contrariamente ao decreto de Trump sobre os imigrantes

Em uma visita à Turquia no sábado, ela foi questionada três vezes sobre o movimento de Trump em estabelecer um período de quatro meses para permitir a entrada de refugiados nos Estados Unidos. Ele proibiu, temporariamente, a entrada de viajantes da Síria e de outros seis países de maioria muçulmana. A justificativa é que isso protegerá os norte-americanos de islamistas violentos.

Pressão britânica

May havia voado para a Turquia dos Estados Unidos. Ela foi a primeira líder estrangeira a encontrar-se com o novo presidente dos EUA para conversações que ela chamou de bem-sucedidas. Ainda assim, não respondeu sobre a política de refugiados. Mas, após ser atacada por seu próprio partido, o porta-voz dela disse que o Reino Unido discorda da proibição de Trump.

— A política de imigração nos Estados Unidos é uma questão para o governo dos Estados Unidos. Assim como a política de imigração para este país deve ser definida pelo nosso governo — disse ele.

E acrescentou:

— Mas não estamos de acordo com este tipo de abordagem e não é uma que iremos seguir. Estamos estudando este novo decreto presidencial para ver o que significa. E quais são os efeitos jurídicos. Em particular, quais são as consequências para os cidadãos do Reino Unido — afirmou.

Merkel e os imigrantes

A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, conversou com presidente dos EUA, por telefone. Ela lhe disse que a luta global contra o terrorismo não é desculpa para proibir que refugiados ou pessoas de países de maioria muçulmana entrem nos Estados Unidos, afirmou neste domingo o porta-voz.

— Ela está convencida de que mesmo a necessária e decisiva batalha contra o terrorismo não justifica colocar pessoas de um passado ou fé específicos sob suspeita geral — disse o porta-voz Steffen Seibert.

Convenção de Genebra

De acordo com ele, o governo alemão lamenta a proibição da entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Merkel prometeu rever as consequências para os cidadãos alemães com dupla nacionalidade. E que a Alemanha “representará seus interesses, se necessário, em relação aos nossos parceiros dos EUA”.

Ele disse que Merkel expressou suas preocupações a Trump durante um telefonema no sábado. Ela lembrou-lhe que as Convenções de Genebra exigem que a comunidade internacional receba refugiados de guerra por motivos humanitários.

As declarações de Seibert são os primeiros indicativos de discórdia entre Merkel e Trump sobre o tema.