No Dia Internacional da Mulher, Dilma denuncia golpe de Estado

“Esse governo golpista não reconhece função social da maternidade, da amamentação e do trabalho que a mulher desempenha”, afirmou Dilma

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

No Dia Internacional da Mulher, a presidenta deposta Dilma Rousseff alertou para os desmontes promovidos pelo governo de Michel Temer (PMDB) das políticas voltadas para a equidade de gênero, que colocam em risco as conquistas nos últimos anos. Em vídeo publicado em seu site oficial e nas redes sociais nesta quarta-feira, Dilma afirmou que as mulheres não têm nada de frágil.

— Todos os nossos avanços foram conquistados com esforço, coragem e determinação. As mulheres sabem, a democracia é o lado certo da história — disse.

Dilma já se prepara, diante do afastamento inevitável, para deixar o governo
Dilma, no Dia Internacional da Mulher, denuncia o desmonte dos programas sociais, após o golpe de Estado

Dilma acrescentou que o governo Temer vem desarticulando e fragilizando políticas de proteção, como a Casa da Mulher Brasileira. O programa Mulher Viver Sem Violência e o Disque 180 foram afetados, afirmou a presidenta. Programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, que beneficiam prioritariamente as mulheres e suas famílias também foram desmontados, acrescentou.

Direitos a menos

A reforma da Previdência é outra ameaça o direito das mulheres.

— Esse governo golpista não reconhece a função social da maternidade, da amamentação e do trabalho que a mulher desempenha, todas essas questões previstas na Constituição de 1988. Querem obriga-las a recolher 49 anos de contribuição previdenciária, uma visão extremamente perversa que exige que a mulher comece a trabalhar com 16 anos para receber integralmente a aposentadoria, que desconhece que ela cumpre pelo menos três jornadas de trabalho — afirmou.

Por fim, Dilma conclama as mulheres a resistir:

— Apesar de todos esses ataques, tenho certeza, resistiremos com todas as nossas energias para defender a democracia e impedir a redução das liberdades e dos direitos individuais e coletivos do povo brasileiro.

Assista ao vídeo:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=GlA0GgHi3sA]

Sem provas

No front jurídico, Dilma tem acumulado algumas vitórias. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm sinalizado que as provas disponíveis até agora no processo que investiga abuso de poder pela chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2014, não obrigam a corte a declarar sua inelegibilidade. Já a situação de Temer segue cada vez mais complicada.


Diante das últimas posições dos magistrados, basta a comprovação do caixa 2 em uma campanha para Temer ser cassado. Como Dilma já não exerce mais a Presidência da República, apenas Temer poderia ser afastado do cargo.

Quanto à inelegibilidade, que atingiria Dilma, somente poderia ocorrer se fosse comprovado que ela tinha conhecimento do caixa 2. Mesmo assim, se o crime ocorresse na época da campanha. Nenhum delator afirmou, até hoje, que Dilma participou de tais tratativas .