Estudantes do Rio combatem racismo com projeto transformador

O Criativos da Escola é um movimento global que ocorre em 35 países. Ele surgiu na Índia, com o nome Planejamento para Mudança

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

Com o título Solta esse Black, alunas da Escola Municipal Levy Miranda, localizada na Pavuna, Zona Norte do Rio, tiveram seu projeto de combate ao machismo e ao racismo dentro do colégio incluído entre as ideias premiadas pelo desafio Criativos da Escola, em sua segunda edição no Brasil. Esse foi o único projeto Fluminense na lista de ganhadores.

O Criativos da Escola é um movimento global que ocorre em 35 países
O Criativos da Escola é um movimento global que ocorre em 35 países

O Criativos da Escola é um movimento global que ocorre em 35 países. Ele surgiu na Índia, com o nome Planejamento para Mudança. A iniciativa foi lançada no Brasil em 2015. Pelo Instituto Alana, com o nome Criativos da Escola, “porque fazia mais sentido para a realidade dos alunos e dos educadores brasileiros”. Disse o assessor do projeto no Instituto Alana, Gabriel Salgado.

Uma das primeiras estratégias do projeto no Brasil foi lançar uma premiação intitulada desafio Criativos da Escola. Cujo objetivo é reconhecer e valorizar o que já é feito no país pelos estudantes do ensino fundamental e médio das escolas da rede pública e particular. “Valorizar o que os jovens já estão fazendo de iniciativas transformadoras”. Dez jurados selecionam os melhores projetos a cada edição.

As estatísticas mostram que cerca de 80% dos inscritos no ano passado eram de escolas da rede pública. Dos 11 premiados, apenas um era de escola particular. Lembrou o assessor. Na primeira edição do prêmio, 419 projetos foram inscritos. Com cinco grupos premiados.

Em 2016, o instituto recebeu 1.014 inscrições. Premiando 11 equipes de alunos e orientadores de várias regiões do país. Uma do Rio de Janeiro, três do Ceará, duas de São Paulo, duas da Bahia, uma de Minas Gerais, uma do Rio Grande do Sul e uma de Mato Grosso do Sul.

Representantes dos 11 grupos viajaram para Salvador, em dezembro passado. Para desenvolver uma série de atividades. Construir um projeto conjunto, passando a mensagem de trabalho em equipe. Cada grupo recebeu R$ 2 mil e cada educador, R$ 500.

Solta esse Black

A professora de artes da escola municipal vencedora do Rio de Janeiro, Pamela Souza da Silva. Ela informou que o projeto foi iniciado por um grupo de mais de 100 meninas. Elas a procuraram para debater questões femininas próprias da adolescência. Como o que é ser mulher. O que é ser mulher na favela. Como a sociedade vê as mulheres negras, gravidez na adolescência.

Os debates começaram com reuniões pequenas. Um grupo de estudantes questionou sobre o cabelo. Em reação a comentários machistas e racistas de colegas do sexo masculino durante as aulas. Muitas estavam na fase de transição capilar e queriam deixar de usar produtos químicos nos cabelos.

– Isso virou uma demanda nossa e decidimos partir para um projeto”. As estudantes promoveram  oficinas e debates, inclusive na internet, sobre o tema. “A gente fez um movimento lindo na escola”. A consequência foi a valorização do cabelo afro e da autoestima entre as alunas. Que “se uniram para passar por aquele momento difícil de parar de passar química e deixar o cabelo crescer”. E suplantaram piadas e comentários maldosos dos meninos – afirmou Pamela.

O movimento ganhou toda a escola. Ampliou o número de estudantes que assumiram o cabelo crespo original. Vendo beleza nisso. “O impacto na escola foi incrível. Foi além do cabelo. Até meninas que não se falavam, que tinham rixas, se uniram. Passaram a se cuidar mais, a se falar, a se olhar”, observou a professora.

Criativos da Escola

Pamela inscreveu o projeto no desafio Criativos da Escola. Disse que nenhuma participante imaginava que elas estariam entre as vencedoras da premiação. “Foi importante no âmbito pessoal e está extrapolando a escola”.

As estudantes querem agora levar o projeto para a comunidade. Um encontro já está marcado para maio próximo. Com essa finalidade, no Complexo do Chapadão, Zona Norte. Onde serão convocadas todas as mulheres de cabelo crespo para participar.

E a coisa não fica por aí. As meninas já pensam em estender o Solta esse Black a outras escolas. Para atender aos pedidos que começam a surgir para valorização do cabelo natural. “O negócio é se achar bonita do jeito que é e querer assumir o cabelo crespo natural”, disse Pamela.

Novo desafio

Entre abril e maio próximos, será divulgado o regulamento da premiação deste ano. As inscrições se estenderão até o fim de setembro. Abertas a projetos que já tenham ocorrido ou que estejam em curso. Podem participar projetos transformadores e protagonizados por estudantes. Que cumpram as exigências estabelecidas. Como trabalho em equipe, ter criatividade e empatia, ou seja,  demonstrar solidariedade.

No caso do Solta esse Black, o assessor do Instituto Alana, Gabriel Salgado. Ele afirmou que o projeto ressalta o acolhimento e a empatia das alunas. Respondendo a uma demanda não só da identidade delas, mas da comunidade onde estão inseridas.