Filme mostra, em Berlim, a crise portuguesa

A cineasta portuguesa Teresa Villaverde estreou seu filme Colo, no Festival Internacional de Cinema de Berlim, afirmando que a crise não é só econômica mas igualmente de falta de comunicação entre as pessoas, decorrente da primeira.

Por Rui Martins, do Festival Internacional de Cinema:

Crise em Portugal é muito mais grave do que se pensa
Crise em Portugal é muito mais grave do que se pensa

A lusofonia este ano bateu um recorde no Festival Internacional de Cinema de Berlim – são 18 filmes brasileiros e portugueses nas diversas competições.

Nesta quarta-feira, foi a vez do longa-metragem da cineasta portuguesa Teresa Villaverde, Colo, mostrando a repercussão da crise econômica numa família portuguesa. O filme tem o título de Colo que, entre coisas quer dizer afeto, porque – diz Villaverde – falta também afeto no casal e filha do seu filme.

Para ela, a crise não é só econômica, mas envolve igualmente um clima de falta de comunicação, porque se de um lado gera o desemprego, outra pessoas são obrigadas a acumular empregos, faltando-lhes tempo para curtir a família.

No filme Colo, o desemprego leva o pai ao desespero e a filha não avalia a gravidade da crise vivida pela família, onde até a luz é cortada por falta de pagamento. Filmado na maior parte do tempo nos interiores e sem muita luz, Colo transmite a sensação de falta de perspectivas de seus personagens.

Teresa Villaverde permanece fiel aos filmes de cenas longas que sempre caracterizam as produções portuguesas. Uma exceção foi, há quatro anos e também com estreia em Berlim,o filme Tabu, de Miguel Gomes, com uma agilidade ainda rara no cinema português.

Embora o tema de Colo seja dos melhores, o     que a crítica chamou de “silêncios”, os planos fixos demorados e a falta de movimento em contraposição às cenas mais rápidas da moderna cinematografia, não foram bem recebidos pela crítica internacional que abandonou a projeção e não foi à coletiva para a imprensa.

Resta a questão da pronúncia do português da antiga metrópole, diferente da maneira mais aberta própria do “brasileiro”, que dificultará sempre a comercialização dos filmes portugueses no Brasil, o mesmo não ocorra com os filmes brasileiros em Portugal, haja visto o sucesso das telenovelas da Globo.

Ocorre praticamente o mesmo com os filmes canadenses, cuja pronúncia é fiel ao francês antigo, geralmente com legendas nas exibições na França. Talvez por influência das telenovelas, a pronúncia portuguesa nas antigas colonias é mais próxima do “brasileiro”.

Rui Martins está em Berlim convidado pelo Festival Internacional de Cinema.