Iraque diz que EUA irão enviar mais militares para batalha contra EI em Mosul

Atualmente os EUA têm pelo menos 4.400 soldados em solo iraquiano, parte de uma coalizão liderada por Washington que proporciona amplo apoio aéreo

Por Redação, com Reuters – de Bagdá:

O primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, disse nesta quarta-feira que o governo dos Estados Unidos enviará mais soldados para ajudar as forças locais na batalha para retomar Mosul do Estado Islâmico, que deve acontecer mais perto do final do ano.

Comandantes dos EUA e do Iraque dizem que a ofensiva sobre a cidade pode começar na segunda metade de outubro
Comandantes dos EUA e do Iraque dizem que a ofensiva sobre a cidade pode começar na segunda metade de outubro

– O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi consultado sobre um pedido do governo iraquiano por um aumento final no número de treinadores e conselheiros sob o comando da coalizão internacional no Iraque – disse Abadi em comunicado.

Abadi se reuniu com Obama e o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, na semana passada nos bastidores da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, embora não esteja claro se o acordo foi selado na ocasião.

Tampouco se sabe quantas tropas norte-americanas foram solicitadas, e não houve confirmação imediata da Casa Branca ou do Pentágono.

Oriente Médio

O general do Exército dos EUA Joseph Votel, que supervisiona as forças de seu país no Oriente Médio, disse à agência inglesa de notícias Reuters em julho que os militares norte-americanos pretendem pedir soldados adicionais para o Iraque.

Atualmente os EUA têm pelo menos 4.400 soldados em solo iraquiano, parte de uma coalizão liderada por Washington que proporciona amplo apoio aéreo, treinamento e aconselhamento aos militares do Iraque, que entraram em colapso em 2014 diante do avanço súbito do Estado Islâmico rumo a Bagdá.

As forças iraquianas, incluindo as forças curdas peshmerga e as milícias xiitas majoritariamente apoiadas pelo Irã, retomaram cerca de metade deste território ao longo dos últimos dois anos, mas Mosul, a maior cidade controlada pelo grupo ultrarradical em seu autoproclamado califado, provavelmente será a maior batalha ocorrida até o presente.

Comandantes dos EUA e do Iraque dizem que a ofensiva sobre a cidade pode começar na segunda metade de outubro.

O nível atual de tropas dos EUA no Iraque ainda é uma fração das 170 mil mobilizadas no auge da ocupação de nove anos que derrubou Saddam Hussein em 2003, desencadeando uma insurgência apoiada pela Al Qaeda e mergulhando o país em uma guerra civil sectária.

Poços de petróleo

Os militantes do Estado Islâmico não controlam mais nenhum poço de petróleo no Iraque desde que foram expulsos por forças do governo de uma área perto de Kirkuk na semana passada, informou o Ministério do Petróleo iraquiano nesta quarta-feira.

O grupo sunita ultrarradical foi repelido de Shirqat por forças iraquianas apoiadas pelos Estados Unidos na quinta-feira. No mês passado, os extremistas perderam o campo petrolífero de Qayyara, ao sul de Mosul, para forças governamentais que abriam caminho para o norte em uma ofensiva para retomar a maior cidade controlada pelo Estado Islâmico.

Privado da renda do petróleo, o grupo terá que encontrar outras fontes de financiamento, como aumentar a taxação e as multas em áreas que ainda comanda, disse Muthana Jbara, autoridade de segurança provincial.

As forças do Iraque ainda têm que recapturar o campo petrolífero de Najma, próximo de Qayyara, mas seus poços de produção não estão mais acessíveis ao Estado Islâmico por causa da ofensiva governamental em andamento e dos ataques aéreos, de acordo com autoridades de segurança e do setor petrolífero.

– Najma ainda tem que ser liberado porque alguns locais estão na zona de conflito. A realidade é que é extremamente difícil extrair e contrabandear petróleo enquanto nossas forças estão avançando rumo a Mosul… – disse o porta-voz do Ministério do Petróleo, Asim Jihad.

O Estado Islâmico proclamou um califado em partes do Iraque e da Síria em 2014, mas perdeu uma porção significativa de território desde então para ofensivas auxiliadas pelos EUA, embora ainda controle poços de petróleo em solo sírio.