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Produção da indústria desaba mais uma vez, constata IBGE

Em 12 meses, a produção da indústria recua 5,4%. Segundo o IBGE, o ritmo de queda tem se reduzido desde junho do ano passado, quando a taxa anualizada foi de -9,7%

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Com destaque para a queda de 10,7% no setor de veículos automotores, interrompendo dois meses de alta, a produção industrial brasileira variou -0,1% de dezembro para janeiro, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 24 ramos pesquisados, 12 tiveram taxa negativa e 12, positiva. Na comparação com janeiro do ano passado, a atividade cresceu 1,4%, após 34 meses seguidos de retração.

Em 12 meses, a produção recua 5,4%. Segundo o IBGE, o ritmo de queda tem se reduzido desde junho do ano passado, quando a taxa anualizada foi de -9,7%.

Indústria
O desempenho da indústria no país volta a decepcionar, em meio à pior crise econômica da história brasileira

Ainda entre dezembro e janeiro, caíram atividades de segmento como equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,5%), máquinas e equipamentos (-4,9%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,0%) e produtos de borracha e de material plástico (-3,8%). Todas os segmentos haviam registrado taxa positiva em dezembro.

Indústria extrativa

Entre os que tiveram crescimento, estão coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (21,6%), produtos alimentícios (1,2%), de bebidas (5,5%),  indústrias extrativas (1,1%)e metalurgia (1,8%).

Na comparação com janeiro de 2016 (com dois dias úteis a menos), o IBGE apurou resultado positivo nas quatro categorias econômicas, 16 dos 26 ramos, 47 dos 79 grupos e 52,8% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, a principal influência positiva veio de indústrias extrativas (12,5%), “impulsionada, em grande parte, pelos itens minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural”.

Outras contribuições consideradas relevantes vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (5,2%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (18%), celulose, papel e produtos de papel (6,9%) e produtos alimentícios (1,6%). Das 10 atividades que tiveram retração, a principal influência veio de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-11,1%), “pressionada, em grande parte, pelo item óleo diesel”. O instituto destaca ainda quedas em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,6%), de máquinas e equipamentos (-4,9%), produtos de metal (-6,2%) e outros equipamentos de transporte (-9,4%).

Petróleo

Dados do IBGE mostraram que a categoria de Bens Intermediários apresentou alta de 0,7% na comparação mensal e 0,8% na anual. Os Bens de Consumo subiram 0,3 e 2,3%, respectivamente.

O grupo Bens de Capital, uma medida de investimento, mostrou contração de 4,1% em janeiro sobre dezembro. Mas subiu 3,3% na comparação com um ano antes.

O IBGE informou, ainda, que dos 24 ramos pesquisados, 12 apresentaram taxas negativas em janeiro na comparação mensal. Com destaque para o recuo de 10,7% em veículos automotores, reboques e carrocerias.

Na outra ponta, a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 4,0%. E a de produtos farmoquímicos e farmacêuticos teve alta de 21,6%.

— A indústria dá sinais de estabilização, talvez esteja parando de cair. Em momentos de transição, temos uma dinâmica (de resultados) mais heterogênea — avaliou o economista-sênior do banco Haitong Flávio Serrano. Ele destaca a recuperação na produção de petróleo em janeiro.

Crescimento

Depois de sofrer com a recessão e fraqueza da confiança, indicadores sobre o setor apontavam melhora este ano. Em fevereiro, a contração da indústria perdeu força segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

A confiança apurada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou com força em janeiro. Voltou a cair no mês seguinte, porém num movimento de acomodação. A FGV não descarta nova melhora, diante de sinais mais favoráveis da economia como a queda dos juros.

— Olhando à frente, esperamos que o setor industrial comece a se beneficiar gradativamente da estabilização da economia. Dos juros mais baixos e da reversão do ciclo de estoques — disse o diretor do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

Os economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central também apontam melhora neste ano. Fazem uma projeção de crescimento de 1,09% da produção industrial, chegando a 2,19% em 2018.