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Putin e presidente indiano reforçam laços durante reunião dos BRICS

“A Rússia e a Índia são nações aliadas em prol da promoção da segurança e estabilidade estratégica, construção de uma justa ordem mundial. Colaboramos estreitamente nos principais organismos internacionais – BRICS, G20, ONU”, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin

 

Por Redação, com Sputnik – de Goa, Índia

 

Presidente russo, Vladimir V. Putin valorizou, nesta quinta-feira, o encontro que realizará em Pangim, no Estado de Goa. Estará com o presidente indiano, Pranab Mukherjee, para estreitar laços comerciais e de amizade entre os dois países. Neste fim de semana, acontecerá também a reunião dos BRICS. O Brasil, no entanto, esvaziou sua presença no encontro. Às vésperas da cúpula, Putin concedeu uma entrevista exclusiva à agência russa de notícias Sputnik e à agência indiana IANS, que o Correio do Brasil reproduz, a seguir.

— As relações entre a Rússia e a Índia podem ser caraterizadas como parceria estratégica privilegiada. Um expressivo exemplo disso na área econômica é a cooperação na energia atômica, evidenciada pelo projeto da construção da central atômica Kudankulam. Em que outras áreas de cooperação russo-indiana se pode destacar sucesso semelhante?

— A Índia é um parceiro estratégico da Rússia particularmente privilegiado. A cooperação entre os nossos países se desenvolve com sucesso em todas as áreas. Sempre com base nos fortes laços de amizade, confiança e respeito mútuo.

A Rússia e a Índia são nações aliadas em prol da promoção da segurança e estabilidade estratégica, construção de uma justa ordem mundial. Colaboramos estreitamente nos principais organismos internacionais – BRICS, G20, ONU.

Neste mês de outubro, o documento fundamental das relações russo-indianas, a Declaração sobre Parceria Estratégica, completa seus 16 anos. Este período vivenciou um grande trabalho a favor do desenvolvimento de todo o conjunto dos laços bilaterais.

Intercâmbio

Putin concedeu entrevista, nesta quinta-feira, às vésperas da reunião dos BRICS, em Goa
Putin concedeu entrevista, nesta quinta-feira, às vésperas da reunião dos BRICS, em Goa, um pequeno Estado da Índia, onde ainda se fala português

Realizamos um intensivo diálogo político através das reuniões de alto nível, realizadas anualmente. Funciona com êxito a Comissão Intergovernamental de Cooperação Comercial, Econômica, Científica, Técnica e Cultural. Mantêm-se contatos regulares entre os chefes das diplomacias dos dois países, líderes dos conselhos de segurança nacionais e ministérios de outras áreas. Gradualmente, ampliam-se intercâmbios interparlamentares, inter-regionais e humanitários. Contamos com uma sólida base jurídica de cerca de 250 acordos.

A Índia sempre foi e continua sendo um importante parceiro comercial da Rússia. Embora em 2015 o volume das trocas comerciais tenha caído 7,8%, pretendemos reverter, junto com os nossos parceiros indianos, essa tendência negativa que, acreditamos, muito se deve à volatilidade dos mercados globais e à instabilidade das cotações das moedas estrangeiras. Isso, até porque o nosso intercâmbio comercial tem caráter mutuamente benéfico, enquanto a estrutura dele evidencia a complementariedade das economias dos dois países. Grande parte das exportações russas, bem como dos bens provindos do seu país é constituída por produtos da engenharia mecânica e da indústria química.

Crédito estatal

O setor de energia desempenha um papel importante na cooperação econômico-comercial russo-indiana. O maior projeto de longo prazo é a construção da central atômica Kudankulam. Em agosto, eu e o primeiro-ministro, Narendra Modi, participamos da cerimônia de entrega do primeiro bloco gerador de energia para a referida central. Em um futuro próximo, será lançado ainda o segundo bloco gerador. O alcance da potência nominal dos dois blocos elevará significativamente o nível da produção de energia da Índia, reforçando a sua segurança energética.

A estatal Rosatom e a Corporação Indiana de Energia Atômica já começaram os preparativos para a construção dos 3º e 4º blocos geradores de energia. Os trabalhos são realizados conforme o plano estabelecido. O projeto é financiado pela Rússia e possui um crédito estatal de US$ 3,4 bilhões (85% do valor total dos contratos assinados com organizações russas). Estamos passando para a fase de localização da produção dos componentes na Índia. Também começamos a estudar as possibilidades de construção de centrais atômicas em outras plataformas na Índia. Estamos aprimorando a nossa cooperação tecnológica na área de enriquecimento de urânio.

Mercado indiano

Consolida-se também a cooperação bilateral na área da energia tradicional. Durante o Fórum Econômico de São Petersburgo, realizado em junho, a Rosneft assinou um acordo. Um entendimento, em um consórcio com companhias indianas, sobre a venda de 23,9% das ações da Vankorneft S.A. Esta eé proprietária da jazida Vankorskoe, na região de Krasnodar. Além disso, a Rosneft vendeu paras as companhias indianas parcelas das ações da Taas-Yuryah Neftegazodobytcha, na Sibéria Oriental.

Atualmente, na nossa agenda, está reforçado o aprimoramento da estrutura das trocas bilaterais. Através do aumento da comercialização de produtos de alta tecnologia e desenvolvimento da cooperação produtiva. Tais empresas russas, conhecidas como Silovye machiny, Gazprom, Stroytransgaz, Grupo NLMK, Uralmashzavod, SIBUR Holding, Mechel, Kamaz e muitas outras, já vêm trabalhando no mercado indiano.

Grandes projetos promissores são realizados na área da engenharia mecânica, indústria química e mineira, construção de aviões, ciência farmacêutica, medicina, nano e biotecnologia. Vem ganhando fôlego a cooperação financeira e bancária, inclusive com a participação do Banco VTB e do Sberbank da Rússia. É evidente que as empresas russas vislumbram perspectivas viáveis e alta atratividade do mercado indiano.

Quinta geração

Os nossos países cooperam de forma ativa no setor técnico-militar. A Rússia mantém liderança tanto na área do fornecimento direto dos mais novos modelos de armamentos e equipamentos militares quanto nas pesquisas conjuntas com a Índia e produção de artigos militares. Entre os projetos conjuntos bem-sucedidos destacam-se a construção de míssil de cruzeiro supersônico BraMos e a elaboração de um caça da nova quinta geração.

Vou acrescentar ainda que muitos dos projetos russos na Índia têm importância não só comercial, mas também socioeconômico, sendo benéficos para os dois países. Eles se encaixam de forma harmoniosa no programa da nova industrialização da Índia, iniciado pelo primeiro-ministro Modi.

– O nível da cooperação de investimento é um dos critérios das relações sólidas bilaterais e de confiança entre os países. Neste contexto, quais passos dará a cúpula russo-indiana? Os planos de privatização das empresas russas poderão resultar em fortalecimento da parceria de investimento russo-indiana?

– No decorrer da visita à Índia, nós, claro, demos um novo impulso aos laços econômico-comerciais bilaterais – ainda mais que as empresas dos dois países estão interessadas na execução de novos projetos de vantagem mútua. O quantia de investimentos de capitais acumulados russos na Índia é de aproximadamente US$ 4 bilhões, enquanto as empresas indianas investiram na economia russa duas vezes mais – por volta de US$ 8 bilhões.

Investimento

Estou convencido de que a Rússia e a Índia são capazes de aumentar as quantias de investimentos bilaterais. Visando incentivar o fluxo de capitais recíproco, planejamos discutir com os parceiros indianos a possibilidade de atualizar o Acordo bilateral para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos. Preparamos os institutos de desenvolvimento – a Fundação Russa dos Investimentos Diretos e o Banco para Desenvolvimento e Economia Exterior (Vnesheconombank) – para a realização de uma participação financeira mais ativa nas atividades de investimento das empresas russas.

No âmbito da Comissão Intergovernamental, foi estabelecido e funciona com sucesso o Grupo de Trabalho para os projetos de investimento prioritários. As instituições especializadas dos dois países, junto com o Fórum Rússia-Índia para Comércio e Investimentos, efetuam uma seleção minuciosa das iniciativas de negócios promissoras; trabalham para verificar e eliminar os obstáculos em prol da movimentação livre de mercadorias, capitais e serviços.

Borracha butílica

Até hoje, foram selecionados 20 projetos prioritários – 10 russos e 10 indianos – em tais áreas como construção de máquinas de transporte, indústria química, construção de aviões e ciência farmacêutica. Entre eles, destacam-se a construção, pela empresa SIBUR, de uma fábrica da produção de borracha butílica com potência de 100 mil toneladas por ano na cidade de Jamnagar e a produção pela empresa russa Tecnologias de Luz dos equipamentos de iluminação para fins comuns e especiais na cidade de Jigani, estado Karnataka.

A corporação de ações financeira “Sistema” está elaborando o modelo da “cidade inteligente” na Índia. A Dauria Aerospace está trabalhando para instalar um grupo de aparelhos de telecomunicação NextStar na órbita geoestacionária da Terra. Esses projetos serão executados com apoio dos governos dos dois países.

Médio Oriente

– As cúpulas dos BRICS já fazem parte da agenda global e se realizam regularmente. Entretanto, quase não há diferença entre as declarações finais de cada cúpula. O que, na sua opinião, deve ser feito para que a cooperação no âmbito do BRICS se torne mais substancial, eficiente e concreta?

– O BRICS é um dos elementos chave do mundo multipolar em formação. Os participantes do “quinteto” invariavelmente reafirmam o seu apego aos princípios fundamentais do direito internacional, promovem a consolidação do papel central da ONU. Os nossos países não aceitam a política de pressão com força e de abalo da soberania de outros Estados. Temos abordagens parecidas aos problemas internacionais atuais – inclusive, quanto à crise na Síria, sobre regularização no Médio Oriente.

Por isso, nas declarações finais das cúpulas – a reunião em Goa não será uma exceção – reafirma-se o nosso compromisso comum no que se refere aos princípios fundamentais da comunicação interestatal, em primeiro lugar, quanto ao respeito do direito internacional com o papel coordenador central da ONU. No contexto das tentativas de uma série de países ocidentais estarem impondo as suas abordagens unilaterais, tal posição adquire um significado especial.

BRICS fortalecido

Tradicionalmente, as declarações dos líderes do BRICS fixam à base de unanimidade das abordagens de princípio sobre um amplo leque de questões, definem os objetivos do desenvolvimento do “quinteto” para um futuro próximo, que são ponto de referência para os seguintes passos dirigidos à consolidação da parceria estratégica entre os nossos países em várias áreas.

Quanto ao preenchimento prático da interação no âmbito do “quinteto”, gostaria de fazer uma observação. Atualmente, no BRICS, existem mais de 30 formatos interministeriais de cooperação no domínio político, econômico, humanitário, de segurança e policial.

O exemplo concreto da interação é a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS com o capital total de 200 bilhões de dólares. Estou convencido de que com o processo da criação do Banco, o rendimento prático das suas atividades só aumentará, inclusive por conta dos projetos que promovem a integração entre os países do BRICS. Este ano, começaram os trabalhos do Novo Banco de Desenvolvimento, que aprovou os primeiros projetos em todos os países do “quinteto”. Na Rússia, serão construídas pequenas usinas hidrelétricas na Carélia com potência de 50 MW, que custarão 100 milhões de dólares para construção.

Os nossos países interagem ativamente no âmbito do G20, inclusive durante a presidência chinesa em curso. Assim, os países do BRICS assumiram o compromisso de cumprir o Plano de Ação sobre Erosão da Base Tributária e Transferência de Lucros. Desejamos trabalhar sistematicamente no sentido da aproximação das posições na OMC a fim de aperfeiçoar as regras e incentivar as negociações no âmbito da Organização. Por isso, acredito que a cooperação dentro do BRICS já começou a ter resultados práticos. É necessário continuar a consolidá-los e procurar áreas de interesse mútuo para os países do “quinteto”.

Segurança internacional

A agenda da cúpula em Goa inclui o exame dos primeiros resultados da execução da Estratégia para uma Parceria Econômica do BRICS, adotada em Ufá, o aperfeiçoamento do projeto no roteiro da cooperação econômico-comercial e de investimentos dos países do BRICS para até 2020.

Planejamos criar novos formatos e mecanismos de cooperação com os parceiros, no âmbito dos quais serão elaboradas medidas coordenadas para o desenvolvimento dos laços em várias áreas. Com isso, permanecerão no foco as questões relacionadas com o reforço da segurança internacional e estabilidade, o fortalecimento da competividade das nossas economias, a promoção do desenvolvimento internacional.

Apoiamos também as iniciativas da presidência indiana em tais áreas como a interação dos países do BRICS na esfera da agricultura, transporte ferroviário, esporte, turismo e contatos pessoais diretos.

Instabilidade mundial

– Que propostas o Senhor vai apresentar e quais são as Vossas expectativas ligadas à cúpula do BRICS? Na Vossa opinião, quais resultados serão alcançados através do trabalho conjunto dos participantes? Que projetos, além do Novo Banco de Desenvolvimento, poderiam comprovar a utilidade deste formato de interação?

– Antes de qualquer coisa, queria expressar a minha gratidão às autoridades indianas que no âmbito da presidência da Índia no BRICS, constantemente, dão atenção ao aprofundamento e à consolidação da parceria estratégica no grupo. Tenho certeza de que a cúpula em Goa, que será realizada sob o lema de continuidade e inovações, dará frutos.

Este encontro é uma boa oportunidade para os líderes do “quinteto” “sincronizarem seus relógios” quanto às questões chave da agenda internacional. Estamos decididos a cooperar na área de combate ao terrorismo, luta contra tráfego de drogas e corrupção. Conjuntamente, desejamos contribuir para resolução de conflitos, segurança de informação internacional. Todos nós estamos preocupados com a persistente instabilidade na economia mundial. Junto com os parceiros, deliberaremos o que é possível fazer para consolidar futuramente os nossos esforços frente a estes desafios.

Esperamos que a cúpula do BRICS em Goa abra novas oportunidades para atividades nas vertentes econômica e humanitária.

Pesquisas agrícolas

Sem dúvida, serão abordados os temas relacionados à concessão de créditos para os projetos do Novo Banco de Desenvolvimento, o início do pleno funcionamento do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS. Trata-se de troca de opiniões sobre o trabalho que está sendo realizado pelos Altos Representantes Responsáveis pelos Assuntos de Segurança, no decorrer das reuniões especializadas ministeriais, formatos de interação periciais, pela Universidade em Rede do BRICS e pelo Conselho Empresarial. Atualmente, por exemplo, foram concluídos os preparativos para a assinatura dos memorandos sobre a cooperação entre os serviços alfandegários, as academias diplomáticas dos nossos países, bem como sobre a criação de uma plataforma para as pesquisas agrícolas do BRICS.

Estamos gratos aos nossos parceiros indianos por assegurar a continuidade da agenda do BRICS de acordo com os resultados da cúpula de Ufá, realizada na Rússia, em julho de 2015. A Declaração de Ufá e o Plano de Ação, adotados lá, começaram a tornar-se realidade. Os parceiros indianos também propuseram uma série de iniciativas que pretendemos analisá-las no decorrer da cúpula.

No que se refere às propostas concretas da Rússia para a cúpula em Goa, é de lembrar que, durante a nossa presidência, foi adotada a Estratégia para uma Parceria Econômica que abrange as áreas promissoras da cooperação entre os países do “quinteto”. Agora está sendo elaborado o Plano de Ação para executá-la. A Parte Russa propôs mais de 60 projetos, uma espécie de roteiro, que poderiam ser implementados junto com os parceiros do BRICS (com um deles ou com todos). Acho que se nós pudermos conjuntamente determinar parceiros para a realização dos projetos mencionados, isso seria um passo importantíssimo no processo de modernização das economias dos nossos países.

Propriedade intelectual

A Rússia também está a favor do início da cooperação na área do comércio virtual (a análise de principais barreiras entre os países nesta área, a elaboração de melhores práticas de regulamento etc.), da facilitação dos procedimentos comerciais (junto com a Comissão Econômica Eurasiática), do apoio ao empreendedorismo pequeno e médio (lançamento de web-portal para as empresas pequenas e médias dos países do BRICS), da proteção da propriedade intelectual.

– Frequentemente o senhor fala sobre a necessidade de conectar os processos de integração, em particular a União Econômica Euroasiática e o Cinturão Econômico da Rota da Seda. Como seria possível usar o formato atual do BRICS para realizar tais iniciativas?

– A situação econômica e financeira mundial continua complicada, ainda não foram superadas as consequências da crise financeira global. É de lamentar que, neste contexto, alguns países procurem resolver os problemas acumulados através das medidas protecionistas. Tentativas de criar tais projetos fechados e não transparentes como o Acordo de Parceria Transpacífico ou o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento.

Princípios da OMC

A Rússia, bem como os nossos parceiros do BRICS, permanece fiel à formação dos espaços econômicos abertos. De caráter não discriminatório e baseados nos princípios da OMC.

É de lembrar que em 9 de julho de 2015, em Ufá, foi realizada a reunião no formato “outreach” com participação dos líderes dos países-membros da União Econômica Euroasiática, da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) e dos países-observadores da OCX. Em particular, durante essa reunião, foi discutida a questão de conexão entre os grandes projetos de infraestrutura de escala regional e trans-regional.

Neste contexto, nós propusemos a ideia da conexão entre a construção da União Econômica Euroasiática e a do Cinturão Econômico da Rota da Seda. No futuro, esse processo poderia servir como base para criação da Grande parceria euroasiática com a participação de amplo leque de países que fazem parte da União Econômica Euroasiática, da OCX e da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Bloco regional

Partimos da ideia de que essa parceria seria aberta para a adesão de todos os países interessados e seria construída levando em consideração os princípios de transparência e respeito mútuo. O potencial da cooperação dos países do BRICS também pode ser utilizado para a realização dessa iniciativa. Esperamos que a Índia, que demonstra grande interesse, apoie a nossa proposta.

Estamos convencidos de que esse tema continuará a ser discutido em Goa, durante a reunião dos líderes dos países do BRICS e do bloco regional BIMSTEC.

– Se imaginarmos o território entre a Índia e a Rússia, entendemos que a situação não é simples, há muitos problemas e contradições. Na Vossa opinião, quais desafios e problemas se tornarão os principais e os mais críticos para os países da região em 10 anos?

– A situação no território entre a Índia e a Rússia continua muito tensa. Em particular, a situação no Afeganistão continua a causar preocupação. São necessárias ações resolutas para ajudar este país a lidar com tais desafios e ameaças como terrorismo, extremismo e tráfego ilícito de drogas. A Rússia e a Índia estão unidas em prol da necessidade de apoiar os esforços para promover reconciliação nacional com base nos princípios do direito internacional. Estão interessados no aprofundamento da cooperação multilateral construtiva que busca prestar apoio ao Afeganistão na resolução dos problemas da segurança doméstica. No aumento do potencial de combate antidrogas, promoção do desenvolvimento socioeconômico e ampliação da interligação.

Espaço econômico

Em um contexto mais amplo, o nosso país está disposto a desenvolver na região mencionada os formatos da interação que permitam reagir rapidamente aos desafios à segurança emergentes, procurar, conjuntamente, meios para coibir as ameaças potenciais. Acreditamos que o papel principal deve pertencer à Organização para a Cooperação de Xangai, que tem ampliado sucessivamente a sua geografia. Por exemplo, a Índia e o Paquistão estão no processo de adesão à OCX. No âmbito da OCX, intensificam-se os esforços para elevar o nível de confiança, consolidando os princípios genuinamente coletivos no processo de reação a crises e desenvolvimento da cooperação multifacetada.

A promoção ativa pela Rússia – com apoio dos nossos parceiros – dos planos já mencionados sobre a criação do espaço econômico único na Eurásia, também contribui para suavizar as contradições. Essa “integração das integrações”, baseada nos princípios de abertura e consideração dos interesses de todas as economias nacionais, permitirá incluir essa região no desenvolvimento geral, promovendo, assim, a sua estabilidade.