Museu do Amanhã concorre a prêmio internacional de arquitetura

Museu do Amanhã

Recentemente, o museu ganhou o Selo LEED (Liderança em Energia e Projeto Ambiental, em português) série Ouro em termos de edificação

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

O Museu do Amanhã, localizado na Praça Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro, concorre no próximo dia 16 deste mês ao prêmio internacional MIPIM (Mercado Internacional dos Profissionais Imobiliários), em Cannes, na França, na categoria Edifício Verde Mais Inovador. Na quinta-feira, o ministro do Turismo, Marx Beltrão, visitou o local pela primeira vez.

Inaugurado no final de  2015, o museu localiza-se na zona portuária do Rio
Inaugurado no final de  2015, o museu localiza-se na zona portuária do Rio

– Estou saindo daqui impressionado com a grandeza do museu, com o conceito do museu. Beltrão destacou que o Brasil é o oitavo país do mundo em recursos culturais. Ele avaliou que as chances de o Museu do Amanhã sair vitorioso na premiação são muito boas.

– É um museu ecologicamente correto. Isso é um grande diferencial. Ele tem todo um conceito moderno, mas um conceito de sustentabilidade muito diferente de outros museus. Os benefícios do ponto de vista ecológico são fundamentais para que possa funcionar gastando pouca energia. Com relação a seu sistema de refrigeração. O que torna mais barata sua manutenção. Aqui, não só conhecemos quem nós fomos, quem nós somos e quem queremos ser, a questão do amanhã. Mas há um conceito de modernidade, de tecnologia, de sustentabilidade que está impregnado aqui no museu – afirmou.

Disputa

O Museu do Amanhã disputa com projetos de Londres e de Estocolmo e de Munique, na Alemanha. “Tudo que se faz aqui, no museu, nós não fazemos pensando meramente no resultado eficaz daquilo que se implanta, mas de que forma sustentável podemos fazer aquilo acontecer”, explicou o diretor executivo do museu, Henrique Oliveira.

Segundo Oliveira, isso ocorre desde a limpeza dos vidros, feita com produtos biodegradáveis, até a limpeza do espelho d’água, que usa cloração natural, para evitar o envolvimento de produtos químicos. A energia captada é solar.

Recentemente, o museu ganhou o Selo LEED (Liderança em Energia e Projeto Ambiental, em português) série Ouro em termos de edificação, que comprova o grau de sustentabilidade no local. O espanhol Santiago Calatrava é o arquiteto do Museu do Amanhã, cujos desenvolvedores são a prefeitura do Rio e a Fundação Roberto Marinho.

Petrópolis irá receber primeira faculdade de Arquitetura da Uerj

Petrópolis receberá primeira faculdade de Arquitetura da Uerj
Petrópolis receberá primeira faculdade de Arquitetura da Uerj

O Governo do Estado do Rio de Janeiro assinou o contrato de compra da Casa do Barão do Rio Branco, em Petrópolis, onde será instalada a primeira faculdade de Arquitetura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O prédio, adquirido por R$ 2,2 milhões, será reformado e adaptado para as primeiras turmas. A expectativa é de que o curso tenha início em 2015.

– Cursos técnicos de áreas afins ao de Arquitetura, como o de restauro, poderão ser desenvolvidos, afinal estamos em uma cidade histórica. A faculdade representa um salto para o futuro – afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca.

A universidade vai ocupar um prédio histórico. A Casa do Barão do Rio Branco é um dos casarios mais importantes do século XIX, onde, em 1903, o Brasil e a Bolívia assinaram o tratado que resultou na incorporação do território do Acre ao país. O edifício é Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Segundo o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, a previsão é de que o campus cresça e ofereça outros cursos no futuro.

– Arquitetura está diretamente ligada a Petrópolis pela sua condição histórica e cultural. A Cidade Imperial pode ser considerada uma sala de aula ao ar livre – disse o reitor.

Nova Friburgo
Na mesma ocasião, também ocorre a assinatura a escritura de compra do prédio onde funciona o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro, em Nova Friburgo, orçado em R$12 milhões.

O governo estadual negociou com a Triumph Internacional a aquisição de 15,5 mil metros quadrados de área construída junto às instalações da tradicional Fábrica Filó na Vila Amélia. Sem impactos na capacidade produtiva da fábrica, a Triumph terá que desocupar, em aproximadamente 12 meses, uma área que inclui a atual instalação que o IPRJ (Instituto Politécnico) ocupava desde 2012, mais dois prédios e o estacionamento na entrada, para que a Universidade consolide o local como sede definitiva do Instituto.

A instituição alugou o espaço em 2012, após as enchentes que interditaram o acesso ao antigo campus na Fundação Getúlio Vargas, já visando sua compra definitiva. O IPRJ foi criado há 20 anos com o objetivo de interiorizar a pesquisa tecnológica e reduzir a distância entre a universidade e a indústria. Atualmente, oferece os cursos de graduação em Engenharia de Computação e Engenharia Mecânica e de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais e Modelagem Computacional. Na graduação, são cerca de 600 alunos e aproximadamente 100 na pós-graduação.

 

Reflexões sobre a Teoria da Deriva

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Por Arlindenor

Os situacionistas europeus de meados do século XX têm um lugar destacado na história devido a forma singular que tinham de encarar a vida e a forma de vivê-la .

Recém saídos da guerra buscaram contrapor com suas idéias libertárias as propostas de reconstrução do mundo europeu originárias da burguesia liberal turbinada pelo Plano Marshall, que apresentam uma forma de urbanismo mais de acordo com a sociedade moderna de consumo. Neste momento as cidades se modificam , mudando inclusive a relação do cidadão com o espaço urbano.

“…defendemos o Urbanismo Unitário como negação do urbanismo que não constrói nada “sobre o terreno” e sim “sobre o papel”. Buscamos um urbanismo de novas espacialidades que permitam modos de vida em consonância com processos de subjetivação apropriados, que integrem a cidade em uma rede permanente de interações com as devidas ressonâncias nas construções intersubjetivas inerentes à pluralidade da vida comum”, assim se colocavam os situacionistas, contrapondo-se , inclusive , às propostas modernistas de Le Corbusier, que naquela época empolgava segmentos importantes da esquerda e dos comunistas .

Enquanto a arquitetura modernista organizava o espaço, impedindo a revolução, os situacionistas viam o espaço urbano no seu aparente caos como o campo profícuo para o desenvolvimento de uma arquitetura que incentivasse as relações pessoais que impeliriam os homens para contestação e a revolta, tirando-os da passividade e alienação .Os situacionistas chegaram então a uma convicção exatamente contrária àquela dos arquitetos modernos. Enquanto estes acreditavam em um primeiro momento, que a arquitetura e o urbanismo poderiam mudar a sociedade, os situacionistas estavam convictos de que a própria sociedade deveria mudar a arquitetura e o urbanismo.

Armados com os conceitos da Psicogeografia – concebida como “ciência” destinada a analisar e decifrar as interações entre humanos e contextos ambientais – os situacionistas desenvolveram práticas em que buscavam avaliar os efeitos do meio ambiente, ordenado conscientemente ou não, sobre o comportamento afetivo e os sistemas perceptivo e cognitivo dos indivíduos. Trata-se de um procedimento estratégico utilizado pela Internacional Situacionista que ela trouxe a público , nos 12 números da Revista da IS , através de magistrais artigos de seus integrantes, destacando -se aí Guy Debord e Raoul Vaneigem.

Uma das ferramentas principais para a construção dessa nova forma de olhar os grandes espaços urbanos foi a prática da deriva ( teoria da deriva ) utilizada na formulação dos conceitos libertários sobre urbanismo , nas suas mais variadas formas , tendo em Debord um dos seus mais entusiastas praticante e defensor .

“As grandes cidades são favoráveis à distração que chamamos de deriva. A deriva é uma técnica do andar sem rumo. Ela se mistura à influência do cenário. Todas as casas são belas. A arquitetura deve se tornar apaixonante. Nós não saberíamos considerar tipos de construção menores. O novo urbanismo é inseparável das transformações econômicas e sociais felizmente inevitáveis. É possível se pensar que as reinvidicações revolucionárias de uma época correspondem à idéia que essa época tem da felicidade. A valorização dos lazeres não é uma brincadeira. Nós insistimos que é preciso se inventar novos jogos”. Assim os situacionistas definiam a ” deriva” em sua Revista IS.

“Pode-se derivar sozinho, mas tudo indica que a repartição numérica a mais frutífera consiste em muitos pequenos grupos de 2 ou 3 pessoas chegando a uma mesma tomada de consciência, o recorte das impressões desses diferentes grupos devendo permitir conclusões objetivas. É desejável que a composição desses grupos mude de uma deriva a outra. Acima de 4 ou 5 participantes, o caráter próprio a deriva decresce rapidamente, e em todo acaso é impossível superar a dezena sem que a deriva se fragmente em muitas derivas dirigidas simultaneamente. A prática deste último movimento é, aliás, de um grande interesse, mas as dificuldades que ele desencadeia não permitiram até o presente organizá-lo com amplitude desejável.

A duração média de uma deriva é um dia, considerado como o intervalo de tempo compreendido entre dois períodos de sol. Os pontos de partida e chegada, no tempo, em relação ao dia solar, são indiferentes, mas é preciso notar, entretanto, que as últimas horas da noite são geralmente impróprias para a deriva.

Esta duração média da deriva não tem senão um valor estatístico. Logo ela se apresenta diferente de sua pureza, os interessados evitando dificilmente, no começo ou no fim deste dia, de se distrair uma ou duas horas para empregá-las em ocupações banais; no fim do dia a fadiga contribui muito a este abandono. Mas, sobretudo, a deriva se desenvolve frequentemente em algumas horas deliberadamente fixadas, ou mesmo fortuitamente durante muitos breves instantes, ou ao contrário durante muitos dias sem interrupção. Apesar das paradas impostas pela necessidade de dormir, certas derivas com uma intensidade suficiente são prolongadas por 3 a 4 dias, mesmo mais que isto. É verdade que no caso de uma sucessão de derivas, durante um longo período, é quase impossível determinar com alguma precisão o momento em que o estado de espírito próprio de uma deriva dá lugar a de outra.

A influência das variações do clima sobre a deriva, embora real, não é determinante senão no caso de chuvas prolongadas, que a impedem quase absolutamente. Mas as trovoadas ou as outras espécies de precipitações aí são ao contrário propícias…” ( in Internatonale Situationniste, pp.51-55).

Eu acentuaria, então , que devemos ter em conta que o acaso é um elemento determinante no processo da deriva. Portanto, o planejamento para este tipo de estudo não deve ultrapassar além da escolha do ponto de partida. Nao se trata aí de um passeio turístico e nem de se querer chegar a um local definido. O ato de se perder no espaço e no tempo tem um importante reflexo no conteúdo do que se colher: com sapatos confortáveis, água , sanduíches , máquinas fotográficas, papel para anotações, abrigo para o sol, etc, devem àqueles que se lançam na deriva deixar o ambiente envolvê-los e caminhando ou parando, muito de acordo com a percepção do espaço e das pessoas que nele transitam, vivem ou apenas fazem comércio .

Após a deriva deve-se então sistematizar a empreitada, através das impressões, das imagens, dos sons e das anotações colhidas.

Por que viramos em uma determinada rua e não em outra? Que impressões ficamos da praça onde parou- se para conversar. Como variou a temperatura, durante as mudanças de locais. Que tipos vimos pelos caminhos ? Que impressão nos dão as fachadas encontradas.

Aqui no Brasil, com o processo de integração da economia aos grandes mercados globais, as nossas metrópoles estão passando por um processo de grandes transformações e mudanças.

Em apenas algumas décadas, num movimento fantástico, fez-se o transplante de levas inimagináveis de pessoas para as grandes cidades. Em pouco tempo deixamos, então , de ser um país rural, e hoje, quase que 90 % da população vive nas áreas urbanas, num processo constante e desordenado que transformou essas cidades em uma fonte de problemas insuperáveis . Impossível uma máquina pública que dê conta das questões apresentadas por essas megacidades: transporte insuficiente, insegurança , precárias condições de deslocamento, sistema de saúde e atendimento médico são alguns dos elementos que as transformaram em verdadeiros barris de pólvora, onde reina a insatisfação em todos os segmentos sociais.

Dentro do conceito de sociedade da mercadoria, as próprias cidades transformaram-se em produtos, e como tais, são vendidas no mercado internacional do turismo como centros de lazer, de sexo, de negócios, de esporte , etc, obrigando aos seus moradores a uma rápida adaptação a nova finalidade comercial da cidade.O ato de morar, de ocupar um imóvel, passa a estampar uma situação onde o valor de uso ( as condições reais da moradia) se submete ao valor de troca ( o preço de mercado da moradia ). Mora-se, ou tem-se um ou mais imóvel em um bairro, de acordo com o valor adquirido no mercado imobiliário.

Impulsionado por este mercado , áreas que antes se colocavam como reserva da especulação ( e por isto a décadas não recebiam investimentos públicos ) recentemente passaram a viver um momento de mudanças radicais para atender aos traçados feito nas pranchetas dos investidores em eventos como Copa de Mundo, Olimpíadas , etc. Para isto, populações são deslocadas e instaura-se um momento de grande especulação imobiliária com a alta nos preços de compra, aluguéis, serviços, etc, que atinge não só os bairros alvos como a cidade como um todo.

Projetos como o “Porto Maravilha” , “Cidade Olímpica”, no Rio e outros semelhantes em outras cidades, são implementados a toque-de-caixa, alterando -se traçados e a forma de viver de importantes segmentos da população .Santuários ecológicos, como o Cocó, em Fortaleza, dão lugar a vias expressas e viadutos, para atender a ganância dos investidores, que vorazmente vão ocupando todos os,espaços,em nome de um pretenso progresso.

Nas décadas de 50/60 na Europa a atividade política dos situacionistas , dentre outros, conseguiu impedir a destruição de inúmeros logradouros em cidades importantes, como Paris, Amsterdã, etc. Suas atitudes , que chegaram ao auge nas grandes insurreições de 68 ,em toda a Europa, foram decisivas na conscientização de parcelas importantes de diversos países que exigiram melhores condições de vida nas cidades que habitavam.

Penso que os movimentos atuais no Brasil, como o Catraca Livre , Ocupar Cocó, Ocupa Câmara , e outros , que têm levado milhões de pessoas às ruas, são filhos diretos das manifestações e movimentos de debate e contestação, daquela época , onde os situacionistas se destacavam.

Suas ideias estão muito atuais e têm influenciado muitos ativistas desses movimentos, haja vista a intensa republicação de seus artigos e apontamentos, notadamente os que saíram através da IS.

A prática da deriva nessas grandes metrópoles pode se tornar um valioso instrumento de compreensão da real vida real, a vida- vivida, que nela ocorre, ultrapassando-se o irreal que nos é vendido através das peças publicitárias das agências que servem às grandes corporações imobiliárias .

Derivar pelo Bexiga, em São Paulo, pela Rua do Jogo da Bola , na zona portuária do Rio, ou mesmo pelo centro de Recife, Fortaleza, BH e outras cidades , certamente será um grande prazer , pois são áreas que estão alterando sua forma centenária de viver e logo entrarão na lógica da sociedade da mercadoria. Os apontamentos e contextualização da realidades desses logradouros torna-se imperiosa para o nascimento de uma nova realidade que virá após o capitalismo . Para isto basta nos apropriarmos das novas tecnologias como a Internet, You Tube, etc .,e registramos nossas experiências .

Serra da Mantiqueira, 21 de novembro de 2013

Arlindenor Pedro

Piscina transparente é opção de bom gosto no projeto da casa

Um escritório de arquitetura em Melbourne, na Austrália, teve a ideia de deixar dois lados da piscina transparentes
Um escritório de arquitetura em Melbourne, na Austrália, teve a ideia de deixar dois lados da piscina transparentes

Ter uma piscina em casa é, em si mesmo, um conforto cultivado desde a antiguidade. No Rio de Janeiro, onde as estações vão de quente a muito quente, muito mais do que um luxo, trata-se de um excelente senso de oportunidade. Para fugir do convencional, os arquitetos australianos do escritório OFTB – Out of the Blues criaram no país deles, onde o calor é semelhante, uma opção de bom gosto. Em Melbourne, uma das maiores cidades australianas, a piscina de uma das residências planejadas recebeu duas extremidades fechadas com acrílico transparente.

O visual impressiona pela cor e a leveza. O conteúdo líquido é visível por quem está de fora e quem está mergulhando percebe toda a luminosidade do exterior. O projeto valoriza as linhas retas tanto na piscina quanto na arquitetura da casa. No subsolo, os arquitetos abriram uma uma janela de vidro com vista para o fundo da piscina. À noite, a luz é refrescante. Se precisar de uma sala escura, basta fechar a persiana.

Jornais do mundo destacam morte de Oscar Niemeyer

Para diário britânico, Oscar Niemeyer é um ícone brasileiro como Tom Jobim ou Pelé

A morte do arquiteto Oscar Niemeyer, na noite de quarta-feira, foi destacada pela mídia internacional, com textos que comentam sua importância para a história da arquitetura mundial. “Morre Niemeyer, o poeta da curva”, afirma o título destacado na edição online do diário espanhol El País.

– Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (Rio de Janeiro, 1907), Oscar Niemeyer, último sobrevivente dos grandes mestres da arquitetura do século 20, o poeta da curva, o pensador multifacetado que encantou ao mundo com a sinuosidade e a beleza estética de sua prolífica obra, faleceu aos 104 anos no Rio de Janeiro – anuncia o texto do jornal.

O francês Le Monde destaca a obra prolífica do arquiteto. “Nascido no dia 15 dezembro de 1907 no Rio, em uma família de classe média de origens alemã, portuguesa e árabe, Oscar Niemeyer participou da criação de mais de 600 obras em uma carreira de 70 anos. Vinte delas ainda estão em execução em vários países”, diz o jornal.

– Morre o arquiteto estrela Oscar Niemeyer – afirma o diário alemão Frankfurter Allgemeine em sua primeira página da edição online nesta quinta-feira. “O mundo da arquitetura está de luto por um de seus grandes nomes: o brasileiro Oscar Niemeyer morreu aos 104 anos. O Estado do Rio de Janeiro decretou três dias de luto oficial”, informa o jornal.

Outro jornal alemão, Süddeutsche Zeitung, anuncia em sua primeira página: “O último gigante da arquitetura moderna”. “O arquiteto Oscar Niemeyer parecia capaz de desafiar a gravidade. Ele apoiava enormes blocos de apartamentos em pilares que pareciam tão finos e graciosos quanto as pernas de uma mulher. Os caminhos curvilíneos seguem pelo piso como a conectar uma nuvem a outra. Os corrimãos são desnecessários”, diz o texto do Süddeutsche Zeitung.

‘Ícone nacional’

O diário britânico The Times observa que Niemeyer “continuou trabalhando de sua cobertura em Copacabana até poucos dias antes de sua morte” e era considerado um “ícone nacional ao lado do pioneiro da Bossa Nova Tom Jobim e da lenda do futebol Pelé”.

O jornal observa ainda que as obras do arquiteto, um “comunista ardente”, podiam ser encontradas em países diversos como Argélia, Itália, Israel, Estados Unidos e Cuba, onde “o líder de longa data Fidel Castro era um de seus amigos pessoais”.

O diário americano The New York Times afirma que as obras do arquiteto “instilaram o modernismo com uma nova sensualidade e capturaram as imaginações de gerações de arquitetos em todo o mundo”.

– Niemeyer estava entre os últimos de uma longa linha de verdadeiros fieis do modernismo, que iam de Le Corbusier e Mies van der Rohe aos arquitetos que definiram a arquitetura do pós-guerra do fim dos anos 1940 e dos anos 1950 e 1960 – comenta o jornal.

– Ele é mais conhecido por desenhar os prédios do governo em Brasília, uma nova capital moldada a partir do cerrado brasileiro que se tornou um símbolo tanto do salto da América Latina à modernidade quanto, posteriormente, dos limites das aspirações utópicas do modernismo – diz o texto.

Na Argentina, o diário La Nación também destacou a morte e afirmou que “o Brasil e o mundo da arquitetura estão de luto”. O jornal observa que Niemeyer é “considerado, junto a Frank Lloyd Wright, Miles van der Rohe, Le Corbusier e Alvar Aalto, uma das figuras mais influentes da arquitetura moderna e internacional”.

Construções sustentáveis devem reunir preocupações sociais, econômicas e ambientais

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Projeto da Casa Viva Sustentável, feito pela PUC/RJ será apresentado para 500 cientistas em junho

Para professor, construções sustentáveis devem reunir preocupações sociais, econômicas e ambientais

O coordenador do curso de graduação de arquitetura e urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), Fernando Betim, disse que as construções sustentáveis envolvem um conjunto de ações que devem combinar preocupações sociais, ambientais e econômicas.

– Quando nos propomos a construir algo, devemos, já na escolha dos materiais e processos a serem implementados, conhecer o percurso de cada elemento que será utilizado em sua fabricação, no seu transporte, no seu manuseio, no seu consumo de energia, na sua interação construtiva, na sua manutenção e até no seu descarte – explicou, em entrevista à Agência Brasil. É importante, acrescentou, que os espaços traduzam os desejos e características da identidade cultural local.

Betim esclareceu que o conceito de sustentabilidade deu a essa palavra uma dimensão universal “e, de certo modo, atinge a todos, pois fala da sobrevivência humana no planeta”. Para ele, as edificações e seus métodos de construção seguem esse caminho.

O professor da PUC-RJ deixou claro que não existe arquitetura ou materiais sustentáveis mas, sim, ações e relações humanas que se apropriam dos objetos e espaços de modo sustentável. “Quem garante a sustentabilidade é a maneira de as pessoas fazerem uso das coisas e este é o maior desafio: a mudança comportamental. Nossas ações, portanto, devem ser conduzidas para facilitar e minimizar os impactos no ambiente que habitamos e compartilhamos com os outros seres. A natureza é um conceito que nos inclui e como não podemos nos dissociar dela, devemos aprender a respeitá-la e nos educarmos para preservá-la, usufruindo do melhor que ela pode oferecer para uma longa sobrevivência da espécie humana”, disse Betim.

Segundo ele, a característica comum dos brasileiros de conviver em grupo, coletivamente, é um bom indicio de preparo para uma educação mais aprofundada dos conceitos de sustentabilidade. Destacou que as moradias e as pessoas não podem ser analisadas isoladamente, “já que formam uma rede de interações interdependente e todo sucesso de uma proposta de equilíbrio social baseado em sustentabilidade só pode vir de um trabalho de educação, inclusão e cooperação”.

Fernando Betim avaliou que ser sustentável requer equilíbrio em relação à vida em sociedade, ao ambiente, ao uso dos recursos naturais e às relações humanas, de modo a garantir a harmonia de cada local. Os impactos negativos da falta de equilíbrio nessas áreas serão recebidos em primeiro lugar pelas classes sociais mais desfavorecidas. Ele alertou, contudo, que como as pessoas vivem em uma rede interligada, os impactos acabarão atingindo a todos.

As construções fazem parte desse sistema. Por isso, as questões tecnológicas não podem ser tratadas como prioridade nas construções e, sim, as boas relações de convívio que os espaços projetados devem proporcionar. “As técnicas construtivas hoje são universalizadas e acessíveis”, ressaltou. O professor disse ainda que a questão está mais ligada às políticas públicas implantadas para moradia e educação, uma vez que os espaços construídos devem ser dotados de infraestrutura, serviços, facilidade na manutenção e formação educacional, de modo a assegurar  um convívio coletivo harmônico.

Sob a coordenação de Fernando Betim, o Departamento de Arquitetura da PUC-RJ desenvolveu o projeto da Casa Viva Sustentável, apresentado no evento Casa Viva, realizado naquela universidade em abril deste ano. O modelo de residência ecológica será exibido a cerca de 500 cientistas do mundo inteiro, no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, entre os dias 10 e 15 de junho.

O encontro ocorrerá na PUC-RJ e é organizado pelo Conselho Internacional para a Ciência (Icsu) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Federação Mundial de Organizações de Engenharia (WFEO), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a Academia Brasileira de Ciências, entre outras instituições. A casa terá 70 metros quadrados de área construída e usará a tecnologia wood frame, baseada em estrutura de madeira proveniente de reflorestamento. Todo o material que entra nela, desde a técnica de construção até o produto final, é sustentável.

Betim disse que após estudos de adequação local e uso, o projeto “poderá ser encaminhado como referência de uma possível proposta de ocupação habitacional”. Durante um ano, os pesquisadores e alunos de diversos departamentos da PUC-RJ vão avaliar se o projeto é durável e pode ser reproduzido.

Abrigo de guerra vira galeria de arte em Berlim

Um enorme prédio no centro de Berlim se tornou uma galeria de arte.

O local foi erguido como um abrigo antiaéreo em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

Após o conflito, sob o comunismo, foi uma prisão e local para armazenamento de bananas.

Recentemente, o publicitário e colecionador de arte Christian Boros e sua esposa Karen resolveram reformar o local para expor nele sua coleção.

Para muitos, entretanto, a arquitetura permanece sendo a maior atração do local.

Conferência Nacional de Cultura inclui moda, arquitetura e design

A II Conferência Nacional de Cultura, prevista para os dias 11 a 14 de março, além dos debates realizados nos municípios e Estados, terá representantes de 19 setores artísticos e culturais, que irão incluir no documento final da conferência os temas de interesse de seu segmento. Cerca de 1,3 mil pessoas estarão reunidas em Brasília entre os dias 7 e 9 de março nas Pré-Conferências Setoriais para discutirem e votarem as propostas. A abertura será no domingo, às 19h, no Museu Nacional Honestino Guimarães (Esplanada dos Ministérios), com a participação do ministro da Cultura, Juca Ferreira.

Além das contribuições para a II CNC, os delegados irão também propor diretrizes para os planos setoriais de cultura, que integram o Plano Nacional de Cultura, em tramitação no Congresso Nacional.

– O sucesso da Conferência Nacional depende do sucesso das pré-conferências – afirma o ministro Juca Ferreira. A consolidação das abordagens dessa gama tão diversa de questões, de acordo com ele, garante que no momento da Conferência os pontos de vista dessas áreas já estarão estruturados para a discussão.

As atividades das Pré-Conferências começam na segunda-feira, dia 8, a partir das 9h, nas tendas armadas no gramado central da Esplanada dos Ministérios, em frente ao Museu Nacional. Os setores que se reunirão em Brasília são: Arte Digital; Dança; Arquitetura; Livro, leitura e literatura; Artesanato; Música; Artes Visuais; Moda; Circo; Teatro; Cultura Indígena; Patrimônio Material; Culturas Populares; Patrimônio Imaterial.

Cinco outros setores – audiovisual, arquivos, culturas afro-brasileiras, design e museus – já realizaram suas pré-conferências entre 24 e 28 fevereiro. Na opinião do coordenador das atividades, Maurício Dantas, a qualidade do que foi apresentado nessa primeira rodada mostra o amadurecimento do debate dos setores.

– Com essa participação, a cultura dá passos importantes no sentido da consolidação de suas políticas – disse.

O momento também marca o início das relações institucionais do Ministério da Cultura com três áreas: moda, arquitetura e design. As produções dessas áreas passam, definitivamente, a ser consideradas manifestações da identidade brasileira e por isso devem ser contempladas nas ações do próprio MinC e de outras instituições que fomentam e apoiam a cultura.

Além das propostas, os delegados das Pré-Conferências Setoriais vão eleger seus representantes para compor o Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC). Reestruturado em 2005, o novo órgão colegiado da estrutura básica do Ministério da Cultura possui 46 titulares (dos governos, dos segmentos artísticos e outros representantes da sociedade civil) com direito a voz e voto, e seis convidados com direito a voz.

Sua finalidade é propor a formulação de políticas públicas, com o objetivo de promover a articulação e o debate dos diferentes níveis de governo e a sociedade civil organizada. Entre suas competências estão acompanhar e fiscalizar a execução do Plano Nacional de Cultura; estabelecer as diretrizes gerais para aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Cultura; apoiar os acordos para a implantação do Sistema Nacional de Cultura.

Os nomes dos escolhidos para ocupar assento no CNPC devem ser anunciados também durante a realização da II Conferência Nacional de Cultura.

Artista britânico monta ‘instalação restaurante’

O artista plástico britânico Tony Hornecker montou em Londres uma instalação que funciona como restaurante.

A instalação está na Fundação Britânica de Arquitetura, mas a inspiração veio da casa do artista.

– Minha casa é parte instalação, parte estúdio, parte moradia –, disse Hornecker.

– Tem várias áreas e vários níveis e os visitantes experimentam cada canto –, contou.

Ele reuniu parte da decoração de oito casas onde morou ao longo da vida e as pessoas podem jantar em um dos cômodos. Há até uma mesa montada no que seria um banheiro – a cadeira é a privada.

A instalação será transportada para Santiago, no Chile, no final de janeiro.