Número de cesarianas cai pela primeira vez no Brasil

Cesariana

Os números mostram ainda que, considerando apenas partos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), o percentual de partos normais permanece maior, 59,8% contra 40,2% de cesarianas

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Pela primeira vez desde 2010, o número de cesarianas na rede pública e privada de saúde não cresceu no país. Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde revelam que esse tipo de procedimento, que apresentava curva ascendente, caiu 1,5 ponto percentual em 2015. Dos 3 milhões de partos feitos no Brasil no período, 55,5% foram cesáreas e 44,5%, partos normais.

Em 2016, o ministério publicou o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para Cesariana, com parâmetros que devem ser seguidos pelos serviços de saúde
Em 2016, o ministério publicou o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para Cesariana, com parâmetros que devem ser seguidos pelos serviços de saúde

Os números mostram ainda que, considerando apenas partos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS). O percentual de partos normais permanece maior, 59,8% contra 40,2% de cesarianas. No ano passado, segundo a pasta, dados preliminares indicam tendência de estabilização do índice, que ficou em torno de 55,5%.

Novas diretrizes

Esta semana, o governo anunciou novas diretrizes de assistência ao parto normal, que servirão de consulta para profissionais de saúde e gestantes. “A partir de agora, toda mulher terá direito de definir o seu plano de parto. Que trará informações como o local onde será feito, as orientações e os benefícios do parto normal”. Informou o ministério.

Segundo a pasta, as medidas visam ao respeito no acolhimento. Mais informações para o empoderamento da mulher no processo de decisão ao qual tem direito. “Assim, o parto deixa de ser tratado como um conjunto de técnicas. E representa momento fundamental entre mãe e filho”, acrescentou.

Para o ministério, a estabilização das cesarianas no país é consequência de medidas como a implementação da Rede Cegonha. E investimentos em 15 centros de Parto Normal; a qualificação das maternidades de alto risco. A maior presença de enfermeiras obstétricas na cena do parto e a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar junto às operadoras de planos de saúde.

Capacitação

A pasta informou ainda que, por meio de cooperação com a Universidade Federal de Minas Gerais. Vai capacitar profissionais de saúde em 86 hospitais de ensino. Localizados nas 27 unidades da Federação, que fazem mais de mil partos por ano.

– Trata-se de um projeto de qualificação da atenção obstétrica e neonatal hospitalar com atividades de ensino, com produção de impacto em toda a rede de serviços da linha de cuidados da saúde da mulher e da criança. A medida totaliza, em quatro anos, investimento de R$ 13,6 milhões.

Riscos da cesárea

Em 2016, o ministério publicou o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para Cesariana, com parâmetros que devem ser seguidos pelos serviços de saúde. A proposta é auxiliar e orientar profissionais da saúde a diminuir o número de cesarianas desnecessárias, já que o procedimento, quando não indicado corretamente, traz riscos como o aumento da probabilidade de surgimento de problemas respiratórios para o recém-nascido e grande risco de morte materna e infantil.

Número de transplantes cresce 5% no Brasil

Ao todo, 2.983 pessoas foram doadoras de órgãos no ano passado, sendo 357 para o transplante de coração. O aumento desse tipo de procedimento foi de 13% no período

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

A taxa de doadores de órgãos efetivos aumentou 5% no Brasil no ano passado, em comparação com 2015, mas continua abaixo da esperada. A informação faz parte de um levantamento estatístico sobre a realização de transplantes no país, divulgado no dia anterior pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, na sede da Academia Nacional de Medicina, no Rio. Segundo Barros, a recusa de doação de órgãos pela família ainda é um desafio para a expansão do serviço.

O número de transportes de órgãos feitos pela Força Aérea Brasileira (FAB) aumentou de cinco, em 2015, para 172 em 2016
O número de transportes de órgãos feitos pela Força Aérea Brasileira (FAB) aumentou de cinco, em 2015, para 172 em 2016

– A cada ano, batemos novos recordes, mas em algumas modalidades de transplante temos cinco anos de fila de espera. Cerca de 40% das famílias se recusam a fazer a doação dos órgão de parentes falecidos. Então, há um conjunto de medidas a tomar – disse Barros.

– Para reduzir as filas, já que temos excelente infraestrutura de hospitais especializados em transplantes. Precisamos fazer campanhas de conscientização para que as famílias autorizem a doação de órgãos. Facilitar a regulação da legislação que envolve essa questão – acrescentou.

Nas regiões Sul e Sudeste, a taxa de  recusa é de cerca de 30%; nas regiões Norte e Nordeste, o percentual chega a 40%.

Doadores

Ao todo, 2.983 pessoas foram doadoras de órgãos no ano passado, sendo 357 para o transplante de coração. O aumento desse tipo de procedimento foi de 13% no período.

O número de transportes de órgãos feitos pela Força Aérea Brasileira (FAB) aumentou de cinco, em 2015, para 172 em 2016. Desde junho do ano passado, a FAB tem uma aeronave à disposição para o transporte de órgãos ou de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em relação à fila de espera, cerca de 41 mil pessoas aguardavam por um transplante em 2016, a maioria de rim (24.914).

Mulheres ao redor do mundo preferem trabalhar a ficar em casa

A pesquisa ouviu quase 149 mil pessoas em 142 países e territórios, incluindo o Brasil, e representa mais de 99% da população adulta global

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela empresa de pesquisa de opinião Gallup indica que 70% das mulheres e 66% dos homens no mundo entendem que as mulheres devem ter trabalhos remunerados. No Brasil, o índice é de 72% das mulheres e 66% dos homens.

Estátua de menina 'encarando' touro celebra Dia da Mulher em Wall Street
Estátua de menina ‘encarando’ touro celebra Dia da Mulher em Wall Street

O documento Rumo a um futuro melhor para mulheres e trabalho: vozes de mulheres e homens. Fornece um relato inédito sobre atitudes e percepções globais sobre o tema das mulheres no mundo do trabalho. A pesquisa ouviu quase 149 mil pessoas em 142 países e territórios. Incluindo o Brasil, e representa mais de 99% da população adulta global.

Os resultados mostram que mulheres em todo o mundo preferem ter trabalhos remunerados (29%).  Ou estar em situações em que poderiam trabalhar e também cuidar de suas famílias (41%). De acordo com o relatório, apenas 27% das mulheres no mundo querem ficar em casa, exercendo um trabalho não remunerado.

Ainda segundo a pesquisa, o índice de 70% de mulheres no mundo que gostariam de ter trabalhos remunerados. Inclui a maioria das mulheres que não está no mercado de trabalho. Os dados valem para quase todas as regiões do planeta. Incluindo aquelas onde a participação das mulheres na força de trabalho é tradicionalmente baixa, como Estados e territórios árabes.

Opiniões convergem

O relatório aponta que 28% dos homens gostaria que as mulheres de suas famílias tivessem trabalhos remunerados. Enquanto 29% gostariam que elas ficassem apenas em casa e 38% prefeririam que elas pudessem fazer as duas coisas.

Mulheres que trabalham em tempo integral para um empregador (mais de 30 horas por semana). São mais inclinadas a preferir situações nas quais pudessem equilibrar o trabalho e as obrigações da família e da casa. Mulheres e homens com níveis mais elevados de educação também são mais propensos a preferir que as mulheres tenham trabalhos remunerados e cuidem de suas casas e famílias.

– Esta pesquisa mostra claramente que a maioria das mulheres e dos homens em todo o mundo. Prefere que as mulheres tenham trabalhos remunerados. Políticas de apoio às famílias, que permitam que as mulheres permaneçam e progridam no trabalho remunerado. E incentivem os homens a assumir a sua parte justa do trabalho de cuidados da família e da casa. São cruciais para alcançar a igualdade de gênero no trabalho – disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Além de investigar as preferências das pessoas sobre mulheres e trabalho. A pesquisa revelou que as mulheres são mais propensas do que os homens. A considerar trabalhos remunerados perfeitamente aceitáveis (83%). Enquanto os homens ficam um pouco atrás (77%). Os números são mais altos no Brasil, com 96% das mulheres e 94% dos homens considerando o trabalho remunerado perfeitamente aceitável para as mulheres de suas famílias.

Equilíbrio trabalho-família

Conciliar o trabalho com o cuidado das famílias, no entanto, representa um desafio significativo para as mulheres que trabalham em todo o mundo. Tanto homens quanto mulheres da maioria dos países e territórios pesquisados. Mencionam o equilíbrio entre trabalho e família como um dos maiores problemas enfrentados pelas mulheres que têm trabalhos remunerados.

Outras questões como tratamento injusto, abuso, assédio no local de trabalho, falta de trabalhos bem remunerados. E desigualdade salarial também aparecem entre os principais problemas citados em várias regiões do mundo.

Os dados também revelam que mulheres entre 15 e 29 anos são mais propensas do que as mulheres mais velhas a mencionar tratamento injusto, abuso ou assédio no trabalho. Já as mulheres entre 30 e 44 anos são mais propensas do que as de outras faixas etárias a mencionar a falta de acesso a cuidados para seus filhos e famílias. À medida que as mulheres envelhecem, elas se tornam mais propensas a mencionar os salários desiguais em relação aos homens.

Renda e emprego

Em todo o mundo, a maioria das mulheres que trabalha diz que o que ganha é uma fonte significativa (30%). Ou a principal fonte (26%) de renda da família. Os homens ainda são mais propensos que as mulheres a se declararem como principais provedores: 48% dos homens que trabalham dizem que seus rendimentos são a principal fonte de renda de sua família.

No entanto, entre mulheres e homens que trabalham e têm níveis mais elevados de educação. A diferença em relação à contribuição para a renda familiar é menor.

O relatório revela que, se uma mulher tem educação e experiência semelhantes à de um homem, mulheres e homens. São mais propensos a dizer que ela tem a mesma oportunidade de encontrar um bom trabalho na cidade ou área onde vive. Em todo o mundo, 25% das mulheres e 29% dos homens afirmam que as mulheres têm melhores oportunidades de encontrar bons trabalhos.

No Brasil, 35% das pessoas entrevistadas acham que as mulheres com experiências e qualificações educacionais. Semelhantes às dos homens têm a mesma oportunidade de encontrar um bom trabalho. Apesar disso, a proporção de brasileiros que acredita que as mulheres têm oportunidades piores em relação aos homens é maior (32%). Do que a proporção de brasileiros que enxerga oportunidades melhores para as mulheres (29%).

Brasil: mais de 500 mulheres são agredidas por hora, segundo estudo

As agressões verbais e morais, como xingamentos e humilhações, atingiram 22% da população feminina. Ao longo do ano passado, 29% das mulheres passaram por algum tipo de violência

Por Redação, com ABr – de Brasília:

A cada hora, 503 mulheres sofreram algum tipo de agressão física em 2016, segundo pesquisa do instituto Datafolha encomendada pelo Fórum de Segurança Pública. O estudo, divulgado nesta quarta-feira, foi feito com entrevistas presenciais em 130 municípios brasileiros. No total, foram 4,4 milhões de mulheres, 9% da população acima de 16 anos, que relataram ter sido vítimas de socos, chutes, empurrões ou outra forma de violência.

A cada três brasileiros, incluídos homens e mulheres, dois presenciaram algum tipo de agressão a mulheres em 2016
A cada três brasileiros, incluídos homens e mulheres, dois presenciaram algum tipo de agressão a mulheres em 2016

As agressões verbais e morais, como xingamentos e humilhações, atingiram 22% da população feminina. Ao longo do ano passado, 29% das mulheres passaram por algum tipo de violência, física ou moral. Entre as pretas (expressão usada pelo IBGE), o índice sobe para 32,5% e chega a 45% entre as jovens (de 16 a 24 anos).

Foram vítimas de ameaças com armas de fogo ou com facas 4% – 1,9 milhão de mulheres. Espancamentos e estrangulamentos vitimaram 3%, o que representa 1,4 milhão de mulheres. Enquanto 257 mil, 1% do total, chegaram a ser baleadas.

A cada três brasileiros, incluídos homens e mulheres, dois presenciaram algum tipo de agressão a mulheres em 2016, desde violência física direta, a assédio, ameaças e humilhações. O percentual é de 73% entre as pessoas pretas e 60% entre as brancas.

Companheiros e conhecidos

A maior parte dos agressores, segundo os relatos das mulheres, era conhecida (61%). Os cônjugues, namorados e companheiros aparecem como responsáveis em 19% dos casos. Os ex-companheiros representam 16% dos agressores. A própria casa das vítimas recebeu o maior percentual de citações como local da violência (43%). Entre as mulheres entre 35 e 44 anos, 38% das agressões partiram dos namorados ou cônjugues.

Sobre as reações após a violência, 52% disseram não ter feito nada após a agressão, 13% procuraram ajuda da família, 12% buscaram apoio de amigos e 11% foram a uma delegacia da mulher. Entre as mais jovens (16 a 24 anos), o índice das que não fizeram nada após a agressão é de 59%.

O assédio atingiu 40% das mulheres no último ano. Entre as mais jovens (16 a 24 anos), o percentual chega a 70%, sendo que 68% ouviram comentários desrespeitosos quando estavam na rua. O índice é de 52% entre a população feminina entre 25 e 34 anos. Nesse grupo, 47% foram assediados na rua, 19% no ambiente de trabalho e 15% no transporte público.

Lobista revela esquema corrupto nos governos de Serra e Alckmin

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

Paulo Preto, citado por Assad, atuava nas obras do Rodoanel durante os governos de Geraldo Alckmin e Serra

 

Por Redação – de Curitiba e São Paulo

 

Acostumado a grandes produções, o empresário Adir Assad, 64, preso em Curitiba há oito meses, está prestes a promover um frenesi maior do que o show da banda inglesa U2, que trouxe ao Brasil em 2011. Atrás das grades desde agosto do ano passado, Assad concordou em falar aos investigadores da Operação Lava Jato, em um acordo de delação premiada.

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin
Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

No pedido feito ao juiz Sergio Moro, coordenador do processo, o promotor de eventos e lobista confesso prometeu detalhes sobre o repasse de cerca de R$ 100 milhões para Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Trata-se do ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), entre 2007 e 2010, época em que o hoje senador José Serra (PSDB-SP) era governador do Estado de São Paulo.

Paulo Preto atuava nas obras do Rodoanel durante os governos de Geraldo Alckmin e Serra. Foi citado por empresários, durante as investigações, como coletor de propinas. Segundo Assad, o ex-diretor da Dersa reunia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Contratos fictícios

Assad também é suspeito de fraude milionária, com a emissão de notas frias para lavagem de dinheiro de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras. Às autoridades, confessou ter usado empresas de fachada para lavar recursos destinados às obras na região metropolitana de São Paulo. Entre elas, o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo o lobista, nos contratos com Dersa, as empreiteiras subcontratavam suas empresas. O valor das notas frias era transformado em dinheiro vivo. Assim, as companhias podiam indicar quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Além da promessa feita aos investigadores, de revelar detalhes do esquema na Dersa, Assad propôs mapear o funcionamento do sistema financeiro paralelo das empreiteiras responsável por abastecer as contas de suas empresas. Em informações vazadas para a mídia conservadora, ele promete adiantar, em detalhes, como funcionava o esquema. Além de esmiuçar o modus operandi das firmas que movimentaram bilhões de reais em bancos. As operações ocorreram no Brasil e no exterior, sem prestar serviços ou manter funcionários ou sede fixa.

As respostas

Para o advogado criminalista Miguel Pereira Neto, contratado por Adir Assad, “não é de conhecimento da defesa técnica a existência da colaboração premiada”. O defensor negou ter sido firmado algum acordo de delação.

O senador José Serra (PSDB-SP) não quis se pronunciar.

Em nota, a Dersa afirmou que, em todos os empreendimentos mencionados, firmou contratos de obras “apenas com os consórcios executores que venceram as respectivas licitações” e não com as empresas de Assad. De acordo com a estatal, foi criado em 2011 um departamento de Auditoria Interna. Teriam implatado, ainda, um Código de Conduta Ética, “aprimorando a análise e a fiscalização dos contratos dos empreendimentos de modo permanente e organizado”.

“A Companhia não compactua com irregularidades. E se mantém pronta para colaborar com as autoridades no avanço das investigações”, diz a nota.

Por meio de sua assessoria, a Andrade Gutierrez, em nome do consórcio SVM, disse que não iria se manifestar.

Brasil irá apoiar agricultura familiar na Colômbia

Para consolidar o projeto de cooperação, a expectativa é que até o mês de maio a missão da Colômbia seja recebida no Brasil para a troca de experiência

Por Redação, com ABr – de Brasília:

O Brasil vai apoiar e criar alternativas para a agricultura familiar da Colômbia. Segundo o Ministério da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, a medida visa a colaborar com o acordo de paz entre o governo do país vizinho e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Entre os pontos estabelecidos no acordo está a fortalecimento das unidades de produção familiares na região contemplada pelo pacto.

O Brasil vai apoiar e criar alternativas para a agricultura familiar da Colômbia
O Brasil vai apoiar e criar alternativas para a agricultura familiar da Colômbia

O objetivo brasileiro é conhecer o contexto rural da Colômbia e identificar as necessidades. Além de apresentar ao país o que o governo do Brasil está fazendo em termos de políticas para a agricultura familiar. A pasta trabalha com base em políticas como regularização fundiária. Cadastro de terras, cadastro de agricultura familiar. Comercialização, assistência técnica e extensão rural (Ater) e políticas de gênero e para jovens.

Para consolidar o projeto de cooperação. A expectativa é que até o mês de maio a missão da Colômbia seja recebida no Brasil para a troca de experiência. Em seguida, uma comitiva brasileira deve visitar a região da Colômbia incluída no acordo.

No final de fevereiro, representantes do ministério, do Itamaraty, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Embaixada da Colômbia discutiram o assunto. Por meio de videoconferência, com o Ministério da Agricultura colombiano. A reunião deu prosseguimento às negociações. Para estabelecer a cooperação entre o país e a Colômbia, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Acordo de Paz

Assinado em 1º de dezembro do ano passado, o acordo de paz pôs fim a meio século de enfrentamentos entre o governo colombiano e a maior guerrilha do país. Os rebeldes das Farc têm até maio para entregar todas as suas armas às Nações Unidas.

Ao longo de 52 anos de violência, mais de 200 mil colombianos morreram e 6 milhões deixaram suas regiões e até mesmo o país. O presidente Juan Manoel Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Por seus esforços para negociar o desarmamento do grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina.

Foi um processo que durou quatro anos e quase terminou em fracasso. O primeiro pacto, assinado por Santos e pelo líder das Farc, Rodrigo Londono (conhecido como Timochenko). Foi rejeitado em um plebiscito em outubro. Novas negociações resultaram numa segunda versão, menos tolerante com os rebeldes. Como pediam os que votaram contra na consulta popular.

Genocídio às nações indígenas

Maria Fernanda Arruda

Avá Uerá Arandú é um dos líderes indígenas do povo Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul. Doutorando em Antropologia no Museu Nacional da UFRJ, ele tem a voz que fica muito acima dos grunhidos dos matadores. Pessoas ricas, recrutadas pelas organizações ruralistas e por políticos

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Sob a égide de um governo tíbio, o Congresso Nacional pretende assumir a tarefa de demarcação das terras indígenas, o que em termos práticos significa entrega-las aos ruralistas, todos sabemos. Nos últimos meses, a ação de pistoleiros vai se multiplicando, animada por um Ministério omisso. Os abusos vão tomando todas as formas possíveis. Recentemente, a Agência Nacional de Petróleo lança pré-edital de licitação para exploração de petróleo em sete blocos próximos de 15 terras indígenas, sem qualquer consulta prévia à FUNAI.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Avá Uerá Arandú é um dos líderes do povo Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul. Doutorando em Antropologia no Museu Nacional da UFRJ, ele tem a voz que fica muito acima dos grunhidos dos matadores, que não são gente simples e nem mesmo jagunços. São pessoas ricas, recrutadas pelas organizações ruralistas e por políticos.

É o índio antropólogo que nos diz o que é obrigação nossa saber: “Há fontes consistentes e diversos documentos oficiais que comprovam essa história recente de compra e venda das terras indígenas, envolvendo no comércio dessas terras somente para a elite, a classe rica, políticos poderoso e os agentes dos governos. Os povos indígenas foram expulsos e dispersados. O Estado-Nação brasileiro doou e vendeu as terras indígenas: isso é uma imensa dívida histórica  no Mato Grosso do Sul”.

A política de genocídio do índio, praticada pelos bandidos brancos, é uma tradição profundamente arraigada entre nós. Os ruralistas brancos têm poder de dinheiro e político. Comandam a Polícia e a Justiça. Agora, são donos do Ministério da Agricultura e estão próximos de conseguir a “solução final”.

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil

América Latina: Brasil é campeão em casos de depressão

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 11,5 milhões de brasileiros sofrem da doença. País também lidera ranking mundial de casos de transtorno de ansiedade. Mulheres são mais afetadas

Por Redação, com DW – de Londres:

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o Brasil é o país com maior prevalência de depressão na América Latina. Segundo dados referentes a 20015 e divulgados na semana passada, 5,8% da população, ou 11,5 milhões de brasileiros, sofrem da doença.

Pelo menos 322 milhões de pessoas no mundo sofriam de depressão em 2015
Pelo menos 322 milhões de pessoas no mundo sofriam de depressão em 2015

O segundo colocado na região foi Cuba, com 5,5% de prevalência na população. O país com a menor incidência foi a Guatemala, com 3,7%.

No ranking mundial, o Brasil ocupa o terceiro lugar. A lista é encabeçada pela Ucrânia (6,3%) e seguida por Austrália e Estônia na segunda posição, ambas com 5,9%. Na Alemanha, a depressão atingiu 5,2% da população em 2015.

O Brasil também apareceu como o campeão mundial de casos de transtorno de ansiedade. Segundo a OMS, 9,3% da população brasileira (18,6 milhões de pessoas) sofria do mal em 2015. A proporção é significativamente mais alta do que a verificada na segunda posição dessa categoria, a Noruega, que registrou 7,4%. A Alemanha, por sua vez, registrou 5,8%.

O relatório não aborda em detalhes as causas da prevalência das doenças. Segundo a OMS, pelo menos 322 milhões de pessoas no mundo (4,4% da população) sofriam de depressão em 2015 – um crescimento de 18% em relação a 2005.

Gênero e idade

Os dados também mostram que a depressão é mais comum entre as mulheres (5,1%) do que entre os homens (3,6%). Mas os homens cometem mais suicídio do que as mulheres. A prevalência de suicídio entre homens por grupo de 100 mil habitantes é quase três vezes superior à verificada entre mulheres.

Segundo a OMS, 788 mil pessoas cometeram suicídio em 2015. O número representou 1,5% de todas as mortes registradas no mundo. Entre jovens de 14 a 29 anos, o suicídio foi a segunda causa de morte no ano.

A prevalência de depressão também varia conforme a idade. O pico é registrado entre os 55 e 74 anos. Nesse grupo, a prevalência mundial foi de 7,5% entre as mulheres, e 5,5% entre os homens.

Metade das 322 milhões de pessoas que sofriam de depressão em 2015 vivia no Sudeste Asiático e na região do Pacífico, áreas onde estão situados alguns dos países mais populosos do mundo, como China e Índia.

Já nos casos de transtorno de ansiedade, a média mundial de pessoas que sofrem do mal é 3,6%. A doença também acomete mais mulheres (4,6%) do que homens (2,6%) no mundo. No total, 264 milhões de pessoas têm transtornos de ansiedade – um crescimento de 14,9% em relação a 2005.

A tolerância necessária e urgente

O ser humano deve ser tolerante como toda a realidade o é. A intolerância será sempre um desvio e uma patologia e assim deve ser considerada

Por Leonardo Boff – do Rio de Janeiro:

 

No mundo e mesmo no Brasil impera muita intolerância, face a alguns partidos como o PT ou aos de base socialista e comunista. Intolerância severa, por vezes criminosa, que algumas igrejas neopentecostais alimentam e propagam contra as religiões afro-brasileiras, satanizando-as e até invadindo e danificando terreiros, como ocorreu na Bahia há alguns anos. Há intolerância que leva a crimes especialmente contra o grupo LGBT. Vítima de intolerância é também o Papa Francisco, atacado e caluniado até com cartazes espalhados pelos  muros de Roma, porque se mostra misericordioso e acolhe a todos, especialmente os mais marginalizados, coisa que os conservadores não estão acostumados a ver nas figuras tradicionais dos papas.

No mundo e mesmo no Brasil impera muita intolerância
No mundo e mesmo no Brasil impera muita intolerância

O cristianismo das origens, da Tradição do Jesus histórico. Contrariamente à intolerância da inquisição e de uma visão meramente doutrinária da fé. Era extremamente tolerante. Jesus ensinou que devemos tolerar que o joio cresça junto com o trigo. Só na colheita far-se-á a separação.

São Pedro, já feito apóstolo, seguia os costumes judeus: não podia entrar na casa de pagãos nem comer certos alimentos, pois isso o tornaria impuro. Mas, ao ser convidado por um oficial romano, de nome Cornélio, acabou visitando-o. Constatou sua profunda piedade e seu cuidado pelos pobres.

Então concluiu:”Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano  e impuro; agora reconheço deveras que não há em Deus discriminação de pessoas. Mas lhe é agradável quem, em qualquer nação, tiver  reverencia face a Deus e praticar a justiça”(Atos 10,28-35).

Desse relato se deduz que o diálogo e o encontro entre as pessoas que buscam uma orientação religiosa, como no caso do oficial romano, invalidam o preconceito e o tabu de coibir algum contacto com o diferente.

Do fato resulta também que Deus é encontrado infalivelmente lá onde “em qualquer nação houver reverência face ao Sagrado e se praticar a justiça”, pouco importa sua inscrição religiosa.

Ademais Jesus ensinou que a adoração a Deus vai para além dos templos, porque “os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade e são estes que o Pai deseja”(Jo,4,23). Existe, portanto, a religião do Espírito, quer dizer, todos os que vivem valores não materiais e são fiéis à verdade estão seguramente no caminho que conduz a Deus. Cada um, em sua cultura e tradição, vive à sua maneira, a vida espiritual e se orienta pela verdade. Este merece ser respeitado e positivamente tolerado.

Respeito

Suspeito que não há maior tolerância do que esta atitude de Jesus, abandonada ao largo da história, pela Igreja-poder institucional (parte da Igreja-povo-de-Deus) que discriminou judeus, pagãos, a hereges e tantos  que levou à fogueira da Inquisição.

No Brasil temos o caso clamoroso do Pe.Gabriel Malagrida (1689-1761) que missionou o norte do Brasil mas por razões políticas foi morto pela Inquisição em Lisboa por  “garrote, e depois de morto, seja seu corpo queimado e reduzido a pó e cinza, para que dele e de sua sepultura não haja memória alguma”.

Eis um exemplo de completa intolerância, hoje atualizada pelo Estado Islâmico (EI) que degola a quem não se converte ao islamismo fundamentalista praticado por ele.

Enfim, que é a tolerância hoje tão violada?

Há, fundamentalmente, dois tipos de tolerância, uma passiva e outra ativa.

Tipos de tolerância

A tolerância passiva representa a atitude de quem permite a coexistência com o outro não porque o deseje e veja algum valor nisso,  mas porque não o consegue evitar. Os diferentes se fazem, então,  indiferentes entre si.

A tolerância ativa consiste na atitude de quem positivamente convive com o outro porque tem respeito a ele e consegue ver suas  riquezas que sem o diferente jamais veria. Entrevê a possibilidades da partilha e da parceria e assim se enriquece em contato e na convivência com o outro.

Há um dado inegável: ninguém é igual ao outro, todos têm uma marca que diferencia. Por isso existe a biodiversidade, as milhões formas de vida. O mesmo e mais profundamente vale para o nível humano. Aqui as diferenças mostram a riqueza da única e mesma humanidade. Podemos ser humanos de muitas formas.

O ser humano deve ser tolerante como toda a realidade o é. A intolerância será sempre um desvio e uma patologia e assim deve ser considerada. Produz efeitos destrutivos por não acolher as diferenças.

Democrâcia

A tolerância é fundamentalmente a virtude que subjaz à democracia. Esta só funciona quando houver tolerância com as diferenças partidárias, ideológicas ou outras, todas elas reconhecidas como tais.

Junto com  tolerância está a vontade de buscar convergências através do debate e da disposição ao compromisso que constitui a forma civilizada e pacífica de equacionar conflitos e oposições. Esse é um ideal ainda  a ser buscado.

 

Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor universitário, expoente mundial da Teologia da Libertação.

Venezuelanos buscam emprego e vida nova no Brasil

O Estado de Roraima é a principal porta de entrada dos venezuelanos. Em 2016, o estado recebeu cerca de 30 mil imigrantes

Por Redação, com ABr – de Boa Vist/Brasília:

 

Uma vaga de emprego é o que a maioria dos migrantes venezuelanos procura ao chegar ao Brasil. O grau de qualificação e experiência profissional são variados. Para conseguir um trabalho, os migrantes precisam enfrentar a barreira do idioma e regularizar a situação.

Voluntária com criança venezuelana no Centro de Referência ao Imigrante
Voluntária com criança venezuelana no Centro de Referência ao Imigrante

O Estado de Roraima é a principal porta de entrada dos venezuelanos. Em 2016, o estado recebeu cerca de 30 mil imigrantes. Na capital, Boa Vista, dezenas deles podem ser encontrados às portas da Polícia Federal em busca de documentos que os habilitem a permanecer no país.

Segundo o secretário nacional de Justiça e Cidadania, Gustavo Marrone, ao pedir refúgio no país, o estrangeiro já consegue autorização para trabalhar. Mas se não regularizar a situação em até 90 dias, pode ser deportado.

– O solicitante de refúgio já pode trabalhar, já recebe a carteira de trabalho. Os outros precisam fazer o pedido de uma permanência temporária com autorização para o trabalho, que é concedida pelo Comitê Nacional de Imigração. Esse é o requisito básico para eles. Ou via solicitação de refúgio ou via de permanência provisória com autorização pro trabalho – disse.

Dados do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Roraima apontam que, no último trimestre do ano passado, 17 candidatos venezuelanos foram para entrevistas de emprego e dois deles foram contratados.

Roraima

Funcionário da Secretaria de Trabalho e Bem-Estar Social de Roraima, Dênes Viana da Silva, atende diariamente dezenas de venezuelanos em busca de emprego. Muitos, segundo ele, têm curso superior e ocupavam bons cargos no país de origem.

– Estamos encontrando muitos deles que têm cargos, são servidores públicos dentro de seu país e que agora estão assim, nessa situação, se encontrando nessa calamidade, mas com a esperança de, no Brasil, no nosso país, encontrar uma oportunidade de poder recomeçar, e quem sabe dentro da sua experiência, da sua área profissional e do seu nível superior, a maioria deles tem condições de conseguir uma oportunidade de começar de novo – afirmou.

Aqueles com formação superior são indicados para vagas em escritórios de contabilidade e de advocacia. Candidatos com menos anos de escolaridade buscam ocupação no comércio, serviços gerais e na construção civil.

É o caso de Marcos Luis Pacheco, de 30 anos, que deixou o município de Maturín, a 416 quilômetros da capital venezuelana Caracas, para conseguir uma oportunidade de trabalho no Brasil.

Ajuda de conterrâneos

Ele chegou em Roraima com a ajuda de conterrâneos e, em Boa Vista, disputa uma vaga de serviços gerais. “Não encontrei forma de conseguir a comida e o trabalho para me sustentar. Para sustentar meu filho e minha mãe. Então consegui uma oportunidade de vir para cá”, contou.

Já a publicitária Jéssica de Souza, há quatro meses no Brasil, precisou passar por várias entrevistas até ser contratada por um jornal de Boa Vista. Filha de mãe brasileira, Jéssica disse que falar e entender o português ajudou para conquistar a vaga.

Ela afirmou que o mercado de trabalho no seu país passa “por um momento muito difícil”. Sem muitas oportunidades. “Já tenho domínio do idioma. Eu falo bastante, para escrever também não tenho problema. Acho que isso ajudou bastante”.

– Pretendo continuar aqui e fazer a minha vida profissional. Porque acho que a Venezuela está em um momento muito difícil e não tem oportunidade para os profissionais – acrescentou a publicitária.

E aqueles que não conseguem uma vaga recorrem à informalidade. Pelas ruas de Boa Vista. Muitos fazem malabares, limpam parabrisas de carros nos semáforos ou vendem artigos em bares e restaurantes.

Nova casa

Sem moradia, o Centro de Referência ao Imigrante, um ginásio de esportes na zona oeste da cidade, virou a casa de centenas deles.

A rotina da casa é organizada por voluntários da organização não governamental Fraternidade. As tarefas do dia, como a preparação da comida e a limpeza das dependências. São distribuídas entre os moradores. Nos horários de maior movimento: o café da manhã e o jantar, o centro chega a receber 160 pessoas.

Como a dona de casa Rita Hernandez, de 25 anos, que vive no abrigo com os dois filhos, um de 3 anos e outro de 5 anos. O terceiro filho, mais novo, ela deixou na Venezuela. “Lá não temos nada, não temos comida. A Venezuela está passando fome. Não temos dinheiro para comprar nada”, disse. 

A nova moradia da família de Rita é um espaço na arquibancada do ginásio. Ela chegou ao local em dezembro, em busca de comida. O abrigo é mantido pelo governo do estado e entrou em funcionamento em dezembro do ano passado.

O coordenador do centro, tenente Fernando Troster, disse que muitos venezuelanos desejam permanecer no Brasil. “Eles não vieram porque queriam vir, eles vieram porque havia uma necessidade.

Ainda que eles tivessem dinheiro, pela crise de abastecimento, eles não tinham condição de adquirir comida. Mas chegando aqui, e vendo que a situação na Venezuela não tem uma perspectiva de curto prazo de melhora eles querem, muitos aqui, dos não indígenas. Especialmente, se inserir no mercado de trabalho”.