China alerta sobre tensão na Península da Coreia do Norte

Pequim propõe suspensão dos testes de misses norte-coreanos em troca do fim dos exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington. ONU denuncia “graves violações” de Pyongyang

Por Redação, com DW – de Pequim:

A China lançou nesta quarta-feira um apelo pela suspensão das atividades nucleares e balísticas da Coreia do Norte em troca do fim dos exercícios militares conjuntos realizados por Coreia do Sul e Estados Unidos.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, este seria o primeiro passo para evitar uma “colisão frontal” entre as duas partes.

A Coreia do Norte lançou quarto mísseis balísticos em direção a bases americanas no Japão
A Coreia do Norte lançou quarto mísseis balísticos em direção a bases americanas no Japão

– Os dois lados são como dois trens acelerando um na direção do outro, sem que nenhuma das partes esteja disposta a ceder – disse Wang a repórteres. “Nossa prioridade agora é acionar as luzes vermelhas e puxar o freio de ambos os trens.”

A suspensão das atividades dos dois lados do conflito poderá ajudar a “romper o dilema de segurança. Trazer as duas partes de volta à mesa de negociações”, ressaltou o ministro.

Na segunda-feira, a Coreia do Norte lançou quarto mísseis balísticos em direção a bases norte-americanas localizadas no Japão, três dos quais caíram em águas territoriais japonesas.

Seul e Washington, por sua vez, iniciaram na semana passada os exercícios militares conjuntos realizados anualmente. Que ambos os países afirmam ser de caráter estritamente defensivo. Pyongyang, porém, os considera uma provocação e uma preparação do país vizinho para uma eventual guerra entre as Coreias.

Outro motivo do acirramento das tensões é a prevista instalação do sistema norte-americano de defesa em altitudes altas THAAD na Coreia do Sul. Que visa impedir a chegada de mísseis lançados pelo país vizinho. Pequim acredita que o sistema seja capaz de atingir também o seu território. Ameaçando seus interesses de segurança.

ONU condena “grave violação”

Nesta terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma declaração condenando os recentes lançamentos de mísseis da Coreia do Norte. Considerando-os uma “grave violação” das resoluções da ONU. Que proíbem o país de desenvolver tais tecnologias. O órgão expressou preocupação com o que chamou de “comportamento cada vez mais desestabilizador” de Pyongyang.

O órgão máximo da ONU lamentou também que o país utilize recursos para desenvolver armamentos. Enquanto a população enfrenta sérias dificuldades, e ameaçou “adotar novas medidas substanciais” contra Pyongyang. A declaração foi aprovada pelos representantes dos 15 países do Conselho de Segurança, apesar das tensões entre os EUA e a China em razão da instalação do THAAD na Coreia do Sul.

O Conselho pediu aos 193 países que integram a ONU que realizem esforços para implementar assanções impostas desde 2006 à Coreia do Norte. Um relatório recente de um painel de especialistas questionava o comprometimento da China com as sanções. E denunciava que a Coreia do Norte estabeleceu empresas de fachada em outros países. Principalmente na China e na Malásia – para tentar driblar as restrições.

Cristiano Ronaldo e United são líderes da Internet na China

O engajamento online de Cristiano Ronaldo foi mais de “10 vezes” maior que o de qualquer outro jogador, segundo o relatório

Por Redação, com Reuters – de Pequim/Madri:

O atacante Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, é confortavelmente o jogador de futebol mais influente na internet na China, enquanto o Manchester United é o clube dominante no país, segundo relatório.

O atacante Cristiano Ronaldo, do Real Madrid
O atacante Cristiano Ronaldo, do Real Madrid

O relatório anual “Cartão Vermelho”, da consultora Mailman, sediada em Xangai. Compilou dados dos principais clubes europeus e seus jogadores. Utilizando variáveis de análise de números de seguidores nas redes sociais. Ccompromisso e participação dos fãs e comércio online.

O português liderava o índice, à frente do meia do Arsenal Mesut Ozil. Em segundo lugar, e o companheiro de Real Madrid Gareth Bale, em terceiro. A dupla do Manchester United Anthony Martial e Wayne Rooney completavam o Top Cinco.

O engajamento online de Ronaldo foi mais de “10 vezes” maior que o de qualquer outro jogador, segundo o relatório.

A China, em plena febre futebolística, tem se provado nos anos recentes um mercado cada vez mais lucrativo para as grandes ligas da Europa, clubes e jogadores.

A Liga Inglesa vendeu três anos de direitos televisivos na China a partir da temporada 2019-2020 ao serviço de streaming PPTV por US$ 700 milhões. Disse uma fonte à agência inglesa de notícias Reuters em novembro. Diversas vezes maior do que um acordo anterior de seis anos com a Super Sports Media, sediada em Pequim.

Manchester United

O Manchester United realizou uma turnê de pré-temporada no ano passado pela China e ficou à frente do Bayern de Munique, Arsenal e Liverpool em influência online.

O rival Manchester City ficou em quinto lugar.

Embora os clubes ingleses tenham dominado o Top Cinco, a Liga Alemã foi classificada a mais influente, à frente da Liga Inglesa e da Liga Espanhola.

A Liga Alemã foi a única liga europeia a ter lançado uma “presença totalmente digital. Incluindo um site em chinês”, segundo o relatório.

A China tem o maior número de usuários na internet no mundo. Com o aplicativo de mensagens WeChat tendo 800 milhões de usuários.

Rex Tillerson afirma importância de laços construtivos entre EUA e China

A ligação pareceu ser o esforço mais recente das duas maiores economias do mundo para restabelecer o equilíbrio das relações

Por Redação, com Reuters – de Washington:

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, conversou por telefone com o diplomata mais graduado da China e afirmou a importância de um relacionamento construtivo entre as duas nações, e os dois concordaram com a necessidade de abordar a ameaça representada pela Coreia do Norte, informou o Departamento de Estado dos EUA.

Secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson
Secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson

Tillerson e Yang Jiechi, conselheiro de Estado chinês, cargo que supera o do ministro das Relações Exteriores. Também debateram economia e comércio. Além de uma cooperação em potencial em contraterrorismo, aplicação da lei e crimes transnacionais, disse o Departamento em um comunicado.

A ligação pareceu ser o esforço mais recente das duas maiores economias do mundo para restabelecer o equilíbrio das relações. Após um início atribulado na esteira da vitória eleitoral do presidente norte-americano, Donald Trump, em novembro.

– O secretário Tillerson e o conselheiro de Estado Yang afirmaram a importância de um relacionamento bilateral construtivo – disse o informe dos EUA. “Os dois lados concordaram com a necessidade de abordar a ameaça que a Coreia do Norte representa à estabilidade regional”.

Reunião

O telefonema ocorreu após uma reunião entre o chanceler chinês, Wang Yi, e Tillerson na sexta-feira, o primeiro encontro pessoal entre os dois desde que Tillerson assumiu o posto no início deste mês.

Na reunião, Wang enfatizou que os interesses compartilhados pela China e pelos EUA superam de longe suas diferenças.

China finaliza instalações no Mar do Sul, dizem EUA

O acontecimento deve levar muitos a questionarem se e como os EUA irão reagir, dadas suas promessas de endurecer com Pequim em relação ao Mar do Sul da China

Por Redação, com Reuters – de Washington:

A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China que parecem projetadas para abrigar mísseis terra-ar de longa distância, disseram duas autoridades dos Estados Unidos à agência inglesa de notícias Reuters, o que foi considerado um teste precoce ao presidente norte-americano, Donald Trump.

A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China
A China praticamente finalizou a construção de quase duas dezenas de estruturas em ilhas artificiais no Mar do Sul da China

O acontecimento deve levar muitos a questionarem se e como os EUA irão reagir. Dadas suas promessas de endurecer com Pequim em relação ao Mar do Sul da China.

A China reivindica quase todas as águas, pelas quais circula um terço do comércio marítimo mundial. Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietnã também têm reivindicações no local. O governo Trump classificou a construção de ilhas chinesas no Mar do Sul da China como ilegal.

Construir as estruturas de concreto com tetos retráteis nos recifes de Subi, Mischief e Fiery Cross. Parte da cadeia de Ilhas Spratly. Onde a China já instalou pistas de voo de uso militar, pode ser considerado uma escalada militar. Disseram as autoridades dos EUA nos últimos dias, falando sob condição de anonimato.

– Não é típico dos chineses construir nada no Mar do Sul da China só por construir. Estas estruturas lembram outras que abrigam baterias SAM. Então a conclusão lógica é que são para isso – disse um funcionário de inteligência norte-americano. Referindo-se a mísseis terra-ar.

Outro funcionário disse que as edificações parecem ter 20 metros de comprimento por 10 metros de altura.

O porta-voz do Pentágono disse que os EUA continuam comprometidos com a “não-militarização do Mar do Sul da China”. Ele pediu a todos os envolvidos que adotem ações consistentes com a lei internacional.        

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, disse nesta quarta-feira que está a par do relato, embora não tenha dito se a China planeja instalar mísseis nos recifes.

Construção

– A China realizar atividades normais de construção em seu próprio território, inclusive montando instalações de defesa territorial necessárias e apropriadas, é um direito normal de nações soberanas, segundo a lei internacional – disse ele aos repórteres.

Na audiência no Senado em que foi confirmado no posto no mês passado, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, provocou a ira da China ao dizer que Pequim não deveria ter acesso às ilhas que está construindo no Mar do Sul da China.

Mais tarde Tillerson suavizou a linguagem, e Trump reduziu ainda mais as tensões prometendo honrar a já antiga política de “uma China” endossada por seu país em um telefonema ao presidente chinês, Xi Jinping, no dia 10 de fevereiro.

China promete Jogos Olímpicos de Inverno ‘verdes e limpos’

Xi disse que os Jogos de 2022 serão um “memorável, extraordinário e excelente evento”. Relatou a agência estatal de notícias Xinhua

Por Redação, com Reuters – de Pequim/Davos:

A China vai realizar uma competição limpa e verde quando sediar os Jogos Olímpicos de Inverno em 2022, um evento que também ajudará na paz e na estabilidade da região, disse o presidente chinês, Xi Jinping, ao chefe do Comitê Olímpico Internacional (COI). 

Presidente da China, Xi Jinping, e presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, durante encontro em Lausanne, Suíça
Presidente da China, Xi Jinping, e presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, durante encontro em Lausanne, Suíça

Pequim e a cidade próxima de Zhangjiakou ganharam em 2015 o direito de sediar os Jogos. A única outra cidade que se candidatou foi Almaty, no Cazaquistão. Após outros concorrentes terem desistido, citando custos e outras preocupações. 

Embora Pequim tenha sediado os Jogos de Verão de 2008 com sucesso, sua candidatura para os Jogos de Inverno foram manchadas por diversas questões. Como corrupção, poluição na cidade, falta de neve e o fraco histórico de direitos humanos da China. 

No mês passado, um tribunal chinês condenou à prisão um ex-vice-ministro de Esportes, por suborno. Ele foi membro do comitê olímpico do país por mais de 10 anos. 

Ao se reunir com o presidente do COI, Thomas Bach, na cidade suíça de Lausanne, Xi disse que os Jogos de 2022 serão um “memorável, extraordinário e excelente evento”. Relatou a agência estatal de notícias Xinhua na quarta-feira. 

– As preparações para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 serão uma grande tarefa para a China nos próximos anos. A China vai se preparar e sediar os Jogos de 2022 de maneira verde. Compartilhada, aberta e limpa – afirmou Xi, segundo a agência. 

– Sediar os Jogos vai impulsionar o crescimento econômico da China e de outros países. E vai melhorar a paz e a estabilidade regionais – acrescentou o presidente, referindo-se ao novo esquema comercial da Rota da Seda na China.

Alibaba

A varejista online chinesa Alibaba tornou-se uma grande patrocinadora dos Jogos Olímpicos. Após assinar um acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) até 2028. Informaram as duas partes nesta quinta-feira. 

A Alibaba, que se tornou a parceira oficial de comércio eletrônico e serviços em nuvem, junta-se a outras 12 companhias. Incluindo a Coca-Cola e o McDonald’s, como grandes patrocinadoras olímpicas.

Não foram revelados detalhes financeiros. Fontes do COI haviam dito anteriormente à agência inglesa de notícias Reuters que grandes patrocinadoras pagam cerca de US$ 100 milhões em um ciclo de quatro anos, que inclui uma edição dos Jogos de Verão e uma dos Jogos de Inverno. 

O acordo com a Alibaba acontece em um momento no qual a Ásia se prepara para realizar três jogos consecutivos, com Pyeongchang, na Coreia do Sul, sediando os Jogos de Inverno de 2018; Tóquio, com as Olimpíadas de 2020; e Pequim, com os Jogos de Inverno de 2022. 

– Esta é uma revolucionária e inovadora aliança, e ajudará a melhorar a eficiência na organização dos Jogos Olímpicos até 2028 – disse o presidente do COI, Thomas Bach. 

Sentado ao lado do presidente-executivo do Alibaba, Jack Ma, em uma coletiva de imprensa, Bach acrescentou: “esta é uma parceria estratégica histórica no mundo digital. Vai transformar o movimento olímpico global.”

O COI espera que o acordo torne o movimento olímpico mais tecnologicamente eficiente e seguro, que crie uma plataforma para promover produtos licenciados e que estenda o alcance de sua recém-criada plataforma digital, o Olympic Channel.

– Compartilhamos os mesmo valores e a visão do COI – disse Ma. “O Alibaba pode trazer muita qualidade para os Jogos Olímpicos com tecnologia na nuvem.”

Ele disse que o acordo ajudaria a varejista a dar um novo passo para se tornar uma “companhia global”.

Empresas norte-americanas alertam para guerra comercial com China

Companhias sediadas no país asiático temem retaliações por eventuais restrições ao comércio prometidas por Donald Trump. “Washington precisa ser realista”, afirmam

Por Redação, com DW – de Washington:

Empresas norte-americanas na China alertaram nesta quarta-feira para uma possível guerra comercial com Pequim caso o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, impuser de fato as restrições ao comércio ou aos investimentos entre os dois países prometidas durante a campanha presidencial.

"Como o empresário Trump mudará o mundo": capa de revista chinesa
“Como o empresário Trump mudará o mundo”: capa de revista chinesa

Segundo a Câmara de Comércio Americana na China, medidas nesse sentido provavelmente implicarão retaliações.

– A China não está desarmada para responder às ações que os EUA podem ou não executar – afirmou Lester Ross, membro do conselho da instituição na capital chinesa.

Ross apresentou nesta quarta-feira um estudo sobre a situação das empresas norte-americanas no país. Segundo ele, Pequim já teria começado a adotar algumas medidas. Como a imposição de normas antidumping mais rígidas sobre produtos químicos agrícolas americanos.

De acordo com o levantamento da Câmara. Empresas norte-americanas veem suas operações cada vez mais desfavorecidas na China. O estudo aponta que quatro em cada cinco companhias se sentem menos “bem-vindas” em comparação com o ano anterior. A maioria dos entrevistados vê inclusive um “ambiente desanimador” para investimentos.

As críticas das empresas norte-americanas surgem um dia após discurso do presidente chinês, Xi Jinping, na cidade suíça de Davos. Onde ele se posicionou contra o protecionismo e alertou para uma “guerra comercial” que prejudicaria todos os países envolvidos.

– A mensagem que queremos trazer para Washington é que sejam realistas – acrescentou Ross.

Trump

Trump, que toma posse na sexta-feira, ameaçou durante sua campanha elevar as taxas de importação de produtos chineses para 45%. Além de ter acusado o país de manipular sua moeda e de roubar empregos de norte-americanos.

Frustradas com as barreiras do mercado chinês, empresas americanas querem que Washington adote uma postura mais dura em relação a Pequim, mas temem que ações ousadas possam desencadear retaliação.

China e Egito promovem novo alinhamento no Oriente Médio, avalia analista

Com a mídia comercial dedicada apenas à Síria, praticamente não se levou ao conhecimento do público o afastamento Arábia Saudita/Egito, sob a sempre crescente influência da China como ator hoje já crucial no Oriente Médio

 

Por Christina Lin – de Washington

 

A separação Riad-Cairo começou em abril de 2016, quando o presidente do Egito Abdel Fattah al-Sisi aceitou ceder o direito territorial sobre duas de suas ilhas no Mar Vermelho, Tiran e Sanafir, em troca de lucrativos contratos e a promessa de que Riad garantiria apoio diplomático ao governo do Egito.

Mas a cessão do território despertou a fúria da população egípcia, com o ex-candidato á presidência (2014) Hamdeen Sabahi denunciando que a cessão violava a Constituição do Egito. O fato provocou ataques à legitimidade de Sisi por ter se ‘rendido’ à antes sempre orgulhosa nação árabe do Egito, aos sauditas.

A analista geopolítica Christina Lin observa o realinhamento de países do Oriente Médio com a China, a Rússia e o Irã
A analista geopolítica Christina Lin observa o realinhamento de países do Oriente Médio com a China, a Rússia e o Irã

Adiante, a Suprema Corte do Egito anulou o acordo,. Em setembro, a anulação foi anulada e hoje tramita, novamente, para se anular a anulação. Atualmente, ninguém sabe com certeza se as ilhas continuarão a pertencer ao Egito ou se serão anexadas à Arábia Saudita, marcando o que Issandr El Amrani, do International Crisis Group, descreve como um relacionamento “baseado numa espécie de renegociação passiva-agressiva perpétua”.

China, Egito e Eurásia

Em outubro último, a fissura aprofundou-se. Teerã convidou o Egito para participar das conversações internacionais sobre a Síria e, dias depois, o Cairo votou a favor da resolução do Conselho de Segurança da ONU, proposta pela Rússia, de apoio ao governo sírio. Riad retaliou, cortando 700 mil toneladas de produtos refinados de petróleo, como parte do acordo e US$ 23 bilhões assinado no início de 2016.

Apesar de o Egito já ter mantido no passado boas relações com o rei Abdullah da Arábia Saudita, o relacionamento azedou depois que subiu ao trono o rei Salman mais amistoso em relação à Fraternidade Muçulmana – que é considerado grupo terrorista no Egito. Nesse contexto, Sisi começou a afastar o Cairo, do eixo Arábia Saudita, Turquia e Qatar no Oriente Médio.

O apoio do governo Obama à Fraternidade Muçulmana aprofunda no Egito o sentimento de o país ter sido traído pelos EUA, acrescido das ameaças dos Republicanos de cortar a ajuda a Sisi, por causa do que definem como “legislação antidemocrática” de Sisi, e do arrocho imposto pelas condições do FMI para não suspender subsídios à energia. Suspensão que pode desestabilizar ainda mais o Egito, mergulhado em ondas de ataques terroristas.

Oriente Médio

Bem diferente de Washington, Sisi vê Assad como uma muralha secular de defesa contra o extremismo islamista no Levante. Se Assad cair, o Líbano e a Jordânia cairão em seguida, e o Egito não quer acabar como a Líbia, com a Fraternidade e outras facções estraçalhando o país. Resposta a tudo isso, o Cairo se volta na direção de Rússia e Irã, formando o que a ex-professora de Oxford University Sharmine Narwani descreve como um novo “Arco de Segurança” contra o terror no Oriente Médio.

Com o Egito mudando sua posição para mais perto de Síria e Irã, solidifica-se a emergente coalizão eurasiana de Síria, Irã, Rússia, China e Índia. Forma-se, portanto, a grande e nova divisão que separa a Coalizão Eurasiana, em luta contra o terrorismo salafista, e a atual Coalizão de EUA/Turquia/Arábia Saudita/Qatar, que apoia jihadistas salafistas, tentando provocar mudança de regime na Síria.

Mais do que isso, com o Egito, que é a grande nação árabe sunita, já se alinhando ao governo sírio e o bloco eurasiano, o argumento de Riad – que não se cansa de repetir que o conflito na Síria seria conflito sectário – perde absolutamente todo o sentido.

Canal do Suez

Cairo também está rapidamente aprofundando seus laços com a China para ajudar a estabilizar a própria economia. Como maior estado comercial do mundo, a economia que rapidamente se aproxima de ser a maior do planeta, com a União Europeia como principal mercado para exportação, o comércio e o bem-estar econômico da China ainda dependem do Canal de Suez como importante rota de sobrevivência.

China e Sisi reconhecem que o apoio externo para a Fraternidade Muçulmana e o terrorismo que está crescendo no Sinai ameaçam a estabilidade do Canal de Suez. Esta, inseparavelmente ligada ao próprio desenvolvimento econômico e ao futuro do Egito. Segundo fontes militares, a colaboração de Morsi com grupos jihadistas do Sinai foi fonte do desentendimentos e eventual ruptura.

Na verdade, com US$5 bilhões anuais de renda que lhe vem dali, o Canal é fonte vital de moeda forte para um país que sofreu grave redução no turismo e nos investimentos exteriores desde 2011. Por tudo isso, a China ajudou a construir a Zona Econômica do Canal de Suez.

E, agora, tem planos para construir uma capital comercial-empresarial de US$45 bilhões a leste do Cairo. Pronta para investir US$15 bilhões em projetos de eletricidade, transporte e infraestrutura. Alguns desses projetos são financiados pelo Banco Asiático para Investimento e Infraestrutura chinês (BAII) do qual o Cairo é membro fundador.

Democracia de peões

A União Europeia também pode participar desses projetos. A maioria dos países europeus já se associaram ao BAII (EUA e Japão decidiram manter-se de fora). Sem dúvida, abre-se aí a possibilidade para China e UE coordenar o próprio Fundo Juncker da UE e o BAII, para cofinanciar projetos em terceiros países. Seguem em linha com a Política da Vizinhança Europeia para integrar no Mediterrâneo os vizinhos orientais e ocidentais e do sul.

Artigo recente publicado no jornal Al Ahram fala do desconforto no Egito contra a política de intervencionismo/mudança de regime dos EUA como a causa dessa ‘deriva’ do país em direção à Eurásia. E o presidente de Al Ahram El-Sayed Al-Naggar elogiou a iniciativa chinesa OBOR, “One Belt One Road” (Um Cinturão, Uma Estrada), como “exemplo de cooperação pacífica, com justiça, igualdade e liberdade para os países escolherem com quem preferem relacionar-se”. E que faz agudo contraste com o modo como os EUA “exploram as democracias como peões num jogo, para chantagear outros países” e “política vil, obsessiva de invasões”, que destruiu o Iraque, a Líbia e agora tenta destruir a Síria com “suas hordas de terroristas bárbaros”.

Essa visão ecoa com o que disse um colaborador já veterano do diário Asia Times, George Koo. Ele criticou a visão de liderança dos norte-americanos, comparando-a ao Projeto OBOR de Xi Jinping. O projeto do governo chinês é inclusivo e oferece “cooperação e colaboração como um caminho para a prosperidade de todos”. Enquanto “Obama vive de oferecer uma ‘cobertura’ de mísseis e uma trilha de morte e destruição”.

Realinhamento

Como disse a professora japonesa Saya Kiba na revista do Center for Strategic and International Studies (CSIS), a recente separação entre Filipinas e EUA não é movida pela quantidade de ajuda econômica ou militar que EUA ou China garantam ao país. Mas porque os dois blocos operam sobre valores opostos. Enquanto os EUA divulgam e tentam impor uma definição muito estreita de democracia e direitos humanos, que só cuida de encenar eleições e só tem expressão política, sem atenção séria ao engajamento de longo prazo para combater o terrorismo, ou a redução da miséria, a posição da China – de total não interferência e total respeito à soberania dos parceiros – vem ganhando cada vez mais atração nos países em desenvolvimento.

Para Duterte, a política dos EUA “é potencialmente de atropelar a soberania das Filipinas”, preocupação que também existe no Egito de Sisi e em outros aliados. Assim sendo, sem profunda reformulação da política exterior de invasões dos EUA, parece que o novo arco de segurança no Oriente Médio. E, para o Oriente Médio, continua a firmar-se cada vez mais. A paisagem geopolítica no Oriente Médio está em visível processo de realinhamento.

Christina Lin é bolsista do Centro de Relações Transatlânticas da Universidade SAIS-Johns Hopkins, onde se especializou nas relações entre a China, o Oriente Médio e o Mediterrâneo. É também consultora para o Centro de Inteligência Química, Biológica, Radiológica e Nuclear da Jane no IHS Jane’s.

Artigo publicado, originariamente, no Asia Times Online e traduzido para o português pelo Coletivo Vila Vudu.

Contratação de Oscar é gigante para o futebol da China, diz técnico

Villas-Boas acredita que Oscar ainda tem seus melhores anos pela frente, o que só aumenta a pressão de sucesso na China

Por Redação, com Reuters – de Pequim/Zurique:

O técnico André Villas-Boas acredita que a decisão de Oscar de se juntar ao Shanghai SIPG é uma transferência significativa para o crescimento da Super Liga Chinesa por conta da idade relativamente jovem do brasileiro.

Villas-Boas acredita que Oscar ainda tem seus melhores anos pela frente, o que só aumenta a pressão de sucesso na China
Villas-Boas acredita que Oscar ainda tem seus melhores anos pela frente, o que só aumenta a pressão de sucesso na China

Ao contratar o meia de 25 anos do Chelsea por uma quantia relatada de 60 milhões de euros. O técnico português espera poder ajudar o SIPG a conquistar seu primeiro título da liga na próxima temporada.

– O fato de Oscar ter assinado com o Shanghai significa muito para o futebol chinês – disse Villas-Boas à revista DSP no Catar, onde o time se prepara para a nova temporada.

– Ele é um jogador que se junta à Super Liga Chinesa aos 25 anos. Isto significa que ele está com todo seu potencial e tinha opções de ir para clubes maiores.

Times chineses contrataram outros nomes de peso, como o atacante Carlos Tévez, de 32 anos, e John Obi Mikel, de 29 anos, ambos nas fases finais de suas carreiras.

Villas-Boas acredita que Oscar ainda tem seus melhores anos pela frente, o que só aumenta a pressão de sucesso na China.

– O mercado chinês normalmente atrai jogadores estrelas de 27 ou 28 anos. O futebol chinês deveria ser grato por termos conseguido atrai-lo ao Shanghai – acrescentou.

Fifa

A Fifa aprovou em votação nesta terça-feira a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções. Ante 32 atualmente, ignorando preocupações de que o aumento no número de times reduziria o padrão de qualidade da competição e a tornaria grande demais e difícil de ser organizada. 

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, cumpriu uma promessa feita durante a campanha eleitoral do ano passado. Dizendo que a medida significa que “mais times poderão participar e muitos mais terão a chance de sonhar”.

As 211 associações filiadas à Fifa possuem um voto cada na eleição presidencial, e 135 delas nunca jogaram em uma Copa do Mundo. Assim, a expansão do torneio sempre teve certo apelo.

O novo formato, a ser iniciado em 2026, terá uma primeira rodada de 16 grupos com três equipes. Das quais duas vão se classificar para a rodada com 32 equipes. Daí em diante, seria uma disputa tradicional de mata-mata.  

Os anfitriões do torneio de 2026 serão decididos em maio de 2020. A Concacaf, que representa as Américas Central e do Norte e o Caribe, é vista como forte concorrente. E pode apresentar uma proposta conjunta entre EUA, Canadá e México.

O novo formato do torneio vai aumentar o número total de partidas de 64 para 80. Mas Infantino afirmou que isso demandaria o mesmo número de dias e de estádios que se tem atualmente. 

– Este formato pode ser jogado exatamente no mesmo número de dias que temos, 32, e a equipe vencedora jogará o mesmo número de jogos, sete. Assim como hoje, e o número de estádios seria o mesmo, 12, como hoje – disse.

Copa do Brasil

Críticos dizem que a Fifa está mexendo com uma fórmula vencedora. A Copa do Mundo do Brasil foi amplamente considerada como uma das melhores dos 87 anos de história da competição. Com resultados surpreendentes, episódios dramáticos e bons desempenhos de seleções.  

Uma das preocupações é que o novo formato tornaria a fase de grupos uma etapa para se evitar a eliminação. Encorajando jogos mais feios. Infantino disse ainda não estar decidido se cobranças de pênaltis podem ser utilizadas para decidir um empate nas partidas de grupos. 

As eliminatórias, por outro lado, devem se tornar uma mera formalidade para muitos dos times mais fortes. 

O número de vagas extras para cada confederação continental e o formato para as eliminatórias serão decidido em uma data posterior, de acordo com o presidente da Fifa.

Equipes que nunca se classificaram incluem 41 dos 54 membros africanos da Fifa, e 10 de 11 membros da Oceania.

A associação de clubes europeus ECA, que representa mais de 200 times do continente, dos quais a maioria reclama de ter que liberar seus jogadores para jogos de seleções. Disse que a decisão de ampliar o Mundial foi tomada por “razões políticas em vez de esportivas” e “sob considerável pressão política”.

A primeira Copa do Mundo da história, em 1930 no Uruguai, teve apenas 13 equipes e 17 partidas. Dezesseis equipes participaram em 1934. Mais oito foram acrescentadas de 1982 em diante, chegando, finalmente, a mais oito em 1998.

Taipei denuncia presença militar da China no Estreito de Taiwan

Manobra nas águas que separam ilha da China continental acirra tensões entre os dois lados. Governo de Taiwan diz que suas forças acompanham de perto a situação e pede calma à população

Por Redação, com DW – de Pequim:

O governo taiwanês denunciou nesta quarta-feira que a China enviou uma frota naval, liderada por um porta-aviões, ao Estreito de Taiwan, que separa o território insular da China continental, acirrando as tensões entre Pequim e Taipei.

Porta-aviões Liaoning se tornou símbolo do poderio militar chinês
Porta-aviões Liaoning se tornou símbolo do poderio militar chinês

As autoridades de Taiwan pediram que a população mantenha a calma, informando que aviões e navios militares monitoram a movimentação dos navios chineses. Caças F-16 e a sistemas militares de vigilância do Japão acompanham de perto a situação. “Nossas forças militares monitoram a situação e agirão se necessário”, afirmou o Ministério da Defesa de Taiwan.

“Quero ressaltar que nosso governo tem capacidade suficiente de proteger nossa segurança nacional. Não é necessário entrar em pânico”, afirmou o ministro do Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan, Chang Hsiao-yueh. Ele avalia que 2017 será um ano difícil para as relações sino-taiwanesas e destacou que “ameaças não vão beneficiar os laços entre os dois lados do Estreito”.

Poderio militar

O porta-aviões Liaoning, o único que a China possui, retornava do Mar da China Meridional. A embarcação foi enviada no mês passado para uma visita ao território disputado entre Pequim e seus vizinhos na região. Localizado numa das principais rotas do comércio marítimo mundial.

O Ministério da Defesa de Taiwan afirma que a frota chinesa não invadiu as águas de Taiwan. Mas entrou numa zona de identificação de seu espaço aéreo ao navegar numa linha que divide o Estreito de Taiwan entre territórios de Pequim e Taipei.

Analistas afirmam que a manobra seria uma manifestação da intenção de Pequim de assegurar seu domínio sobre a região, se necessário, utilizando força militar.

Encomendado pela China em 2012. O Liaoning foi construído a partir da estrutura de um porta-aviões soviético, se tornando símbolo da sofisticação e do poderio militar do país.

Desde a cisão entre Pequim e Taipei em 1949. A relação entre os dois lados é caracterizada por uma trégua instável. Os laços se deterioraram ainda mais após a eleição da presidente pró-independência Tsai Ing-wen, em maio de 2016. A China alertou sobre os riscos de acirramento das tensões caso o novo governo questione a soberania chinesa sobre Taiwan.

Times da China precisam estabelecer limites para salários de jogadores contratados

Meia brasileiro Oscar em desembarque na China, onde jogará pelo Shanghai SIPG

Liderada pelo presidente Xi Jinping, um apaixonado por futebol, a China está utilizando seu poderio financeiro para investir em clubes internacionais

Por Redação, com Reuters – de Xangai:

Os clubes de futebol da China precisam estabelecer limites para os salários dos jogadores contratados e criar fundos especiais para desenvolver talentos próprios, disse nesta quinta-feira um porta-voz da autoridade esportiva do país à imprensa estatal.

Meia brasileiro Oscar em desembarque na China, onde jogará pelo Shanghai SIPG
Meia brasileiro Oscar em desembarque na China, onde jogará pelo Shanghai SIPG

Liderada pelo presidente Xi Jinping, um apaixonado por futebol. A China está utilizando seu poderio financeiro para investir em clubes internacionais. Como a Inter de Milão, e as próprias equipes do país estão gastando em peso para atrair jogadores de renome para a liga chinesa.

Na mais recente grande transferência. O Shanghai SIPG contratou o brasileiro Oscar, do Chelsea, em um acordo que fará do meia o jogador mais bem pago do mundo. De acordo com a mídia britânica.

Mas a agência de notícias estatal Xinhua disse nesta quinta-feira que os clubes chineses estão “queimando dinheiro” na aquisição de caros talentos internacionais. Com altíssimos salários, ao passo que negligenciam o desenvolvimento de jogadores do país. 

Segundo a agência, um porta-voz não identificado da Administração Geral Esportiva da China disse que o país precisa criar novas medidas para encorajar o desenvolvimento de talentos próprios.

– Estabelecer um limite de gastos com a aquisição de jogadores e para salários de jogadores. Conduzir pesquisa para a utilização de parte dos gastos dos clubes com contratações de alto custo. Para criar um fundo de desenvolvimento futebolístico a ser usado no treinamento de jovens – disse o porta-voz à agência. 

Clubes

Para ajudar a cultivar “clubes centenários” arraigados em comunidades locais. A China precisa colocar suas equipes sob uma rigorosa supervisão financeira. Clubes seriamente insolventes devem ser removidos da liga, disse o porta-voz.

Ele até mesmo sugeriu que autoridades podem ajustar a maneira como os pontos são concedidos. Em cada jogo a fim de encorajar talentos nativos a terem um papel maior nas partidas. Embora não tenha dado detalhes sobre como isso poderia funcionar.