Amigo de Temer conta história bem diferente a Moro para livrar Padilha

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

Caso prevaleça essa versão do amigo de Temer, Padilha estaria distante dos fatos e caberia a Cunha, em última análise, responder por mais este crime

Por Redação – de São Paulo

A versão do empresário José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente de facto, Michel Temer, de que teria sido ‘mula’ do chefe da Casa Civil afastado Eliseu Padilha, não bate com o depoimento do ex-diretor da Odebrecht José Carvalho Filho. Ele teria autorizado o pagamento de R$ 4 milhões, dos R$ 11 milhões negociados, diretamente, com o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, num jantar com Temer e Padilha. Temer saiu da sala e deixou Padilha para negociar a divisão do butim, confessou o ex-executivo em sua delação premiada.

Quadrilha

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos
Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data, com um histórico de negócios muito bem sucedidos

No repasse do dinheiro, Carvalho Filho disse aos investigadores da Operação Lava Jato, em uma versão vazada para a mídia conservadora, que um operador da Odebrecht levou uma parte dos recursos combinados ao escritório de advocacia de Yunes, em São Paulo. O mensageiro, porém, não era o doleiro Lúcio Funaro. Este seria ligado ao presidiário Eduardo Cunha, ex-deputado do PMDB fluminense. O ex-executivo foi chamado a depor, nesta sexta-feira, para explicar melhor a história de José Yunes.

Caberá ao preposto da empreiteira citar o nome do homem que transportou um pacote de dinheiro, supostamente, ao escritório de Yunes, no centro financeiro da capital paulista, em 2014, que procurou, espontaneamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) para detalhar, segundo seu ponto de vista, o trânsito de recursos obtidos de forma criminosa, da principal empresa que integrou a quadrilha montada para desviar recursos da Petrobras.

Dinheiro sujo

Yunes disse aos investigadores que Lúcio Funaro, ligado Cunha, deixou um pacote a seu escritório a pedido de Padilha. Garantiu, no entanto, desconhecer o conteúdo. Caso prevaleça essa versão, Padilha estaria distante dos fatos e caberia a Cunha, em última análise, responder por mais este crime.

Carvalho Filho admite a entrega do pacote e informa que continha cerca de R$ 1 milhão, em notas de R$ 100, segundo versão passada à mídia aliada ao governo. Mas quem levou o dinheiro ao escritório de Yunes foi um funcionário do Departamento de Operações Estruturadas (propinas). E ele não era Lúcio Funaro.

Quem citou Carvalho Filho à polícia foi Cláudio Melo Filho, em depoimento ao TSE na segunda-feira. Segundo Melo Filho, cabia a José Filho distribuir os R$ 4 milhões iniciais, do total de R$ 11 milhões, para o PMDB comandado por Michel Temer, nas eleições de 2014. Uma outra parte desses recursos foi entregue, segundo o ex-executivo, no escritório de Padilha, na capital gaúcha, alguns dias depois.

A história contada por Yunes foi negada também por Funaro, que também presta uma delação premiada à PGR. encaminhou ofício em que pede para prestar depoimento. Ele nega ter feito qualquer entrega no escritório do amigo de Temer. Seus advogados disseram a jornalistas que ele pretende processar Yunes por calúnia e difamação, pelas declarações prestadas, em juízo. Funaro está preso, em Curitiba, por determinação do juiz Sérgio Moro. Funaro admite que esteve, certa vez, no escritório de Yunes, mas a agenda não incluía um pacote milionário.

As respostas

José Yunes afirmou aos vários jornalistas que o procuraram, nesta manhã, por meio de seu advogado, que “jamais recebeu qualquer documento de algum representante da empresa Odebrecht”.

“(Yunes) não sabe, não conhece, nunca viu a pessoa de José Filho. A única pessoa que esteve em seu escritório foi o senhor Lúcio Funaro. Conforme esclareceu à PGR, José Yunes está à disposição para prestar qualquer outro esclarecimento. Inclusive uma acareação, conforme ele mesmo já se antecipou em dizer em sua declaração”, disseram os defensores, em nota.

José Padilha ainda não se manifestou sobre o assunto. Ele evita a pauta desde que Yunes falou à PGR. Quanto à delação de Cláudio Melo, em dezembro, negou qualquer irregularidade.

O advogado de Lúcio Funaro, Bruno Espiñera, diz que seu cliente “jamais foi operador da Odebrecht”. E “jamais foi levar dinheiro da construtora” no escritório de José Yunes.

Lava Jato e sua fantástica ‘recuperação’ de recursos

Contribuindo, não se sabe se conscientemente ou não, para dar uma “levantada na bola” da operação, e enganar e manipular a população, parte da mídia comemora, no alto de suas páginas, a suposta “recuperação” – que poderá levar cerca de 25 anos, prazo que algumas empreiteiras terão para “pagar” as penalidades – de mais de 11 bilhões de reais, pela Lava-Jato

 

Por Mauro Santayana – de Brasília:

Como se bilhões em dinheiro “roubado” dos cofres públicos estivessem voltando, vitoriosamente, para os cofres do erário.

E os prejuízos econômicos causados por essa operação, em empregos, quebra de acionistas e fornecedores e projetos sucateados e interrompidos, não fossem muitíssimo maiores do que a quantia publicada nas manchetes em letras garrafais.

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht

Pura conversa.

Primeiro, porque esse dinheiro não foi “recuperado”, já que ainda não foi totalmente pago.

E em segundo lugar, porque não se recupera o que não se tinha antes.

Nem esses recursos foram desviados para contas secretas na Suíça, nem se comprovou, até agora. Inequivocamente, com base em provas factuais, que houve desvios ou superfaturamento nesse fantástico montante.

Mais de 90% dessa soma, certa imprensa ainda fez o favor. Não se sabe se também propositalmente, de misturar alhos com bugalhos colocando no mesmo saco dinheiro apreendido e recursos derivados de acordos de leniência. Será “arrecadado” por meio de multas punitivas, impostas às empresas como parte da estratégia que exige que elas reconheçam publicamente, em amplo e contrito “mea culpa”. Os seus “erros” e pecados cometidos contra nossos “homens de bem” e nossa nunca hipócrita ou dissoluta sociedade.

Tudo como na época da Santa Inquisição. Ou dos processos stalinistas, com os “culpados” tendo que corroborar, nesse meio tempo. A tese do MP que transformou automática e retroativamente doações legais ou de Caixa 2. Tanto faz umas como as outras, realizadas desde 2002, em “propina”, além de concordar em pagar também, à vista ou a prazo, bilhões de reais para não ter que fechar, quase que obrigatoriamente, suas portas.

Quem explicou isso muito bem, para quem sabe ler nas entrelinhas, foi o advogado do Sr. Marcelo Odebrecht, Theodomiro Dias Neto, que deu a entender que seu cliente, contra sua vontade, teve que se dobrar às exigências e ao discurso do Ministério Público, sob pena de sua empresa acabar definitivamente:

Acordo

“Um acordo de colaboração premiada – afirmou o advogado – não é um acordo de pessoas, de partes em posições simétricas. Há uma relação de total assimetria de poder nessa relação. O acordo de colaboração premiada é um acordo de rendição, em que uma parte está se rendendo à outra.

O que é importante, é fundamental e um desafio para você fazer um acordo é que no caso de uma empresa ninguém faz um acordo para morrer(ou você faz o acordo ou “morre”, diríamos nós). Você faz um acordo para sobreviver”.

Marcelo Odebrecht

Esclarecendo, em entrevista ao portal UOL – já que para bom entendedor um pingo é letra – as verdadeiras condições em que Marcelo Odebrecht, depois de quase dois anos detido sem flagrante – fechou, “voluntariamente”, o “acordo” que ainda deve mantê-lo preso, “exemplarmente”, em regime fechado, até o final de 2017, enquanto outros “delatores”, especialmente aqueles apanhados com dinheiro de corrupção em suas contas, estão curtindo, há tempos, um uísquinho, nos confortáveis sofás de suas salas.

Resta saber, agora, até onde irão as consequências políticas e a extensão e profundidade da “rendição”, ou melhor, da “colaboração”, do senhor Marcelo Odebrecht à Lava Jato e ao Ministério Público, tanto no caso de Dilma e do PMDB, como no do PSDB, considerando-se não apenas as afirmações feitas até agora pelo ex-executivo do grupo, mas também a dos numerosos, mais de 70, “delatores” “premiados” da empresa, que acompanharam a “decisão” tomada por seu ex-chefe.

Mauro Santayana, é jornalista.

Aloysio Nunes e Serra sabiam o que Paulo Preto fazia, diz PF

Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

“Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio”, disse Paulo Preto a um interlocutor. Ambos os senadores tucanos paulistas constam da delação premiada de outro envolvido no escândalo da Lava Jato, preso em Curitiba

Por Redação – de São Paulo

Mal assumiu o lugar de José Serra, colega no Senado e correligionário do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) leva o impacto de um novo petardo de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto teria sinalizado aos investigadores que prestará depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos ano. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio.

Repasse milionário

Aloysio Nunes e José Serra  precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto
Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal responsável por grandes obras de infraestrutura no estado de São Paulo, Paulo Preto figura na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. A manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010, época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Afastado

Abatido em pleno voo, o chefe da Casa Civil no governo do presidente de facto, Michel Temer, integra o grupo de ex-autoridades listadas em depoimentos à Lava Jato. Eliseu Padilha, diante das denúncias, adiou sua volta ao gabinete. E poderá, definitivamente, ser afastado do cargo. Ele alega razões médicas para manter-se afastado do Palácio do Planalto.

Padilha, no entanto, foi apontado como articulador da propina de R$ 10 milhões, destinadas à eleição do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Temer confirma, em seu depoimento, o que declarou o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho quanto ao dinheiro destinado ao PMDB. E mais. Disse ter servido de “mula” para que Padilha despachasse um pacote de dinheiro.

Agora, foi a vez da empreiteira Andrade Gutierrez citar Padilha. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, colunista em um diário conservador paulistano, Padilha aparece em outros depoimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o homem encarregado das finanças da campanha do PMDB em 2014 e pessoa da confiança de Michel Temer.

Preposto de Temer

“O relato da Andrade Gutierrez, por exemplo, é semelhante ao dos delatores da Odebrecht. Em seu depoimento, Otavio Azevedo, ex-executivo da Andrade, diz que foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer, e lá ofereceu a ele contribuição de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral”.

“Dias depois, comunicou ‘a assessoria dele (Temer) que seria feito (o depósito do dinheiro) na semana seguinte’. E quem era o assessor? ‘Eliseu Padilha’, responde Azevedo”, informa a colunista.

Lobista revela esquema corrupto nos governos de Serra e Alckmin

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

Paulo Preto, citado por Assad, atuava nas obras do Rodoanel durante os governos de Geraldo Alckmin e Serra

 

Por Redação – de Curitiba e São Paulo

 

Acostumado a grandes produções, o empresário Adir Assad, 64, preso em Curitiba há oito meses, está prestes a promover um frenesi maior do que o show da banda inglesa U2, que trouxe ao Brasil em 2011. Atrás das grades desde agosto do ano passado, Assad concordou em falar aos investigadores da Operação Lava Jato, em um acordo de delação premiada.

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin
Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

No pedido feito ao juiz Sergio Moro, coordenador do processo, o promotor de eventos e lobista confesso prometeu detalhes sobre o repasse de cerca de R$ 100 milhões para Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Trata-se do ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), entre 2007 e 2010, época em que o hoje senador José Serra (PSDB-SP) era governador do Estado de São Paulo.

Paulo Preto atuava nas obras do Rodoanel durante os governos de Geraldo Alckmin e Serra. Foi citado por empresários, durante as investigações, como coletor de propinas. Segundo Assad, o ex-diretor da Dersa reunia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Contratos fictícios

Assad também é suspeito de fraude milionária, com a emissão de notas frias para lavagem de dinheiro de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras. Às autoridades, confessou ter usado empresas de fachada para lavar recursos destinados às obras na região metropolitana de São Paulo. Entre elas, o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo o lobista, nos contratos com Dersa, as empreiteiras subcontratavam suas empresas. O valor das notas frias era transformado em dinheiro vivo. Assim, as companhias podiam indicar quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Além da promessa feita aos investigadores, de revelar detalhes do esquema na Dersa, Assad propôs mapear o funcionamento do sistema financeiro paralelo das empreiteiras responsável por abastecer as contas de suas empresas. Em informações vazadas para a mídia conservadora, ele promete adiantar, em detalhes, como funcionava o esquema. Além de esmiuçar o modus operandi das firmas que movimentaram bilhões de reais em bancos. As operações ocorreram no Brasil e no exterior, sem prestar serviços ou manter funcionários ou sede fixa.

As respostas

Para o advogado criminalista Miguel Pereira Neto, contratado por Adir Assad, “não é de conhecimento da defesa técnica a existência da colaboração premiada”. O defensor negou ter sido firmado algum acordo de delação.

O senador José Serra (PSDB-SP) não quis se pronunciar.

Em nota, a Dersa afirmou que, em todos os empreendimentos mencionados, firmou contratos de obras “apenas com os consórcios executores que venceram as respectivas licitações” e não com as empresas de Assad. De acordo com a estatal, foi criado em 2011 um departamento de Auditoria Interna. Teriam implatado, ainda, um Código de Conduta Ética, “aprimorando a análise e a fiscalização dos contratos dos empreendimentos de modo permanente e organizado”.

“A Companhia não compactua com irregularidades. E se mantém pronta para colaborar com as autoridades no avanço das investigações”, diz a nota.

Por meio de sua assessoria, a Andrade Gutierrez, em nome do consórcio SVM, disse que não iria se manifestar.

Aécio Neves pediu e Odebrecht pagou propina milionária, diz BJ

Aécio tem mostrado uma outra face, depois do riso no canto da boca, nos confrontos com a presidenta Dilma Rousseff

Os recursos pedidos por Aécio Neves, segundo BJ, foram divididos por outras campanhas eleitorais. Entre elas, a do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que atuou como relator do golpe de Estado, no Senado

 

Por Redação – de Brasília e Curitiba

 

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB foi, novamente, citado como corrupto em um inquérito na Polícia Federal. Desta vez, o delator foi Benedicto Júnior, segundo executivo mais importante da empreiteira Norberto Odebrecht. Em depoimento nesta tarde, BJ, como é conhecido, disse que Aécio lhe pediu R$ 9 milhões em dinheiro de propina, nas eleições de 2014.

Aécio tem mostrado uma outra face, depois do riso no canto da boca, nos confrontos com a presidenta Dilma Rousseff
Aécio Neves mostra uma outra face, de caráter golpista e de apoio às forças mais retrógradas

Os recursos, segundo BJ, foram divididos por outras campanhas eleitorais. Entre elas, a do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que atuou como relator do golpe de Estado, no Senado. Ainda, para Pimenta da Veiga, derrotado na disputa pelo governo de Minas, e Dimas Toledo Fabiano Júnior, filho do notório Dimas Toledo, nomeado por indicação de Aécio na estatal Furnas S.A, com a missão desviar recursos públicos.

A ação no TSE, que teve início após Neves não aceitar a derrota na disputa presidencial de 2014, agora se volta contra ele. Segundo BJ, uma parte do dinheiro foi também para Paulo Vasconcelos, marqueteiro pessoal de Aécio.

Nesta quinta-feira, o TSE também cobrou explicações de Aécio sobre os pagamentos via caixa dois recebidos da Andrade Gutierrez. Na quarta-feira de Cinzas, o procurador-geral Rodrigo Janot pediu que ele seja ouvido pelos desvios de Furnas.

Mulher inocente

Marcelo Odebrecht, superior imediato de BJ, disse que Dilma Rousseff, ao contrário de Neves, nunca pediu dinheiro à empreiteira. Em seu depoimento no processo sobre a cassação da chapa Dilma-Temer, o Odebrecht foi questionado três vezes. Os procuradores perguntaram se, em alguma oportunidade, a presidenta cassada lhe pediu alguma doação de campanha.

— Não, não e não — disse Marcelo.

Segundo fonte que teve acesso ao depoimento e conversou com jornalista de um diário conservador do Rio de Janeiro, com Michel Temer, no entanto, “as coisas foram bem diferentes”.

“Na condição de vice-presidente da República e presidente do PMDB, que tinha sete ministérios na administração Dilma, ele organizou um jantar, em pleno Palácio do Jaburu, para arrancar doações da Odebrecht. Os R$ 11,3 milhões foram entregues em dinheiro no escritório de seu melhor amigo, José Yunes, que disse ter sido ‘mula’ de Eliseu Padilha, ministro licenciado da Casa Civil”, diz o jornal.

Ou seja: por mais que tentem distorcer a realidade, o depoimento de Marcelo Odebrecht comprova que o Brasil executou o golpe dos corruptos contra uma mulher honesta.

Confirmado

Deputado estadual, Rogério Correia (PT-MG) afirmou nesta sexta-feira, que as revelações de BJ, de que o tucano mineiro pediu, e recebeu, R$ 9 milhões em caixa dois para campanhas do PSDB. Isso, afirma, comprova sua ligação com Furnas. 

— Esqueceram de combinar o jogo com o vice-presidente da Odebrecht. Ele colocou claramente, mais uma vez, que Aécio Neves recebeu propina. E uma parte dela era para o filho de Dimas Toledo. Aquele da lista de Furnas, que já denuncio há anos. Isso mostra que, realmente, Aécio Neves tem rabo preso com Dimas Toledo e com as falcatruas de Furnas — afirmou a jornalistas.

Ainda segundo Correia, ”agora parece que a blindagem vai acabar”.

— Mas só tem um jeito de acabarmos com a suruba geral. Essa que esse governo golpista do Temer com o PSDB está fazendo com o Brasil. É o povo na rua — concluiu.

Escolhas de assessores envolvidos na Lava Jato comprometem Temer

Aloysio Cunha

Padilha pede para prorrogar licença e Aloysio Nunes responde como réu a inquérito na Corte Suprema que investiga diversas práticas criminosas no âmbito da Operação Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

Chefe da Casa Civil licenciado, o ex-deputado Eliseu Padilha, sem foro privilegiado, quer se manter distante do seu escritório, no Palácio do Planalto. Ele segue internado após uma cirurgia na próstata, no Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha. Padilha apresentou um atestado médico por obstrução urinária, emitido no último dia 20.



Sem previsão de alta, assessores do ministro informaram que ele passa bem e pretende retornar ao trabalho na segunda-feira, caso seja liberado pelos médicos. Observadores da cena política, no entanto, consideram como certo o adiamento na sua volta ao trabalho. Nem tanto pelas condições de saúde e mais por sua exposição pública, após citado no depoimento do empresário José Yunes. O amigo pessoal do presidente de facto, Michel Temer, acusou-o de receptação de propina.

Segundo boletim médico divulgado nesta sexta-feira, Padilha “encontra-se com boa evolução do quadro de saúde, recuperando-se adequadamente do procedimento urológico cirúrgico realizado no dia 27 de fevereiro”. Em setembro, o ministro, que tem 71 anos, recebeu atendimento médico após um pico de pressão arterial.

Ex-comunista

Aloysio Cunha
Através de assessoria, Nunes negou o recebimento de dinheiro de caixa 2, proveniente da Lava Jato

Aparentemente bem de saúde, o ex-comunista Aloysio Nunes, hoje senador do PSDB paulista, poderá ser afastado do cargo de chanceler do governo instituído após o golpe de Estado, em curso. Nunes é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de crime eleitoral, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O ex-motorista do guerrilheiro Carlos Marighella foi convidado para o cargo na quinta-feira, e aceitou a missão. Ele ocupará, não se sabe ainda por quanto tempo, a vaga deixada por José Serra, que pediu demissão alegando fortes dores na coluna. Historiadores investigam se Nunes estava infiltrado pela agência norte-americana de inteligência (CIA, na sigla em inglês), na ação que culminou na morte de Marighella, em São Paulo, durante a ditadura civil-militar instaurada em 1º de Abril de 1964.

Atualmente, Nunes responde à investigação no STF desde setembro de 2015. Citado no processo da lavra do ministro Celso de Mello, foi citado na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC. Segundo Pessoa, Nunes recebeu da construtora R$ 300 mil de forma oficial e outros R$ 200 mil em dinheiro do caixa 2, na campanha ao Senado, em 2010. O dinheiro seria oriundo de propina paga para favorecer contratos entre a empreiteira e a Petrobras.

Explosivo

Segundo o pedido assinado por Rodrigo Janot, procurador-Geral da República, para a abertura da investigação, Nunes estaria mais complicado ainda. Apesar de o testemunho de Pessoa estar relacionado à Operação Lava Jato, os “fatos criminosos” atribuídos ao senador tucano estariam ligados a fraudes diversas.

Questionado sobre outras práticas delituosas, durante tentativa de entrevista efetuada por Rodrigo Pilha, blogueiro e ativista digital, em Brasília, Nunes quis partir para as vias de fato. Foi impedido por seus seguranças, após dirigir uma série de impropérios ao repórter.

Assista à reação de Aloysio Nunes:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=yuO6wPidF7I]

 

Este fato apenas comprova o temperamento explosivo do senador tucano, escolhido por Temer para a condução da política externa brasileira. O fato preocupa muitos diplomatas do Itamaraty. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Aloysio também ganhou fama pelo tom destemperado de suas manifestações.

Alinhado

Diplomatas de alto escalão, ouvidos por um dos diários conservadores paulistanos, “preferiam a chamada ‘solução externa’ para o cargo”. O governo Temer já encerra um caráter de provisoriedade – acaba em pouco mais de um ano e meio.

Nunes tende a manter a linha de Serra. Este último promoveu a reorientação que afastou o Brasil dos governos de esquerda na América Latina. Apoia a expulsão do Mercosul, na prática, da Venezuela e alinha, integralmente, o país à linha imperialista de Washington.

Denúncia de corrupção atinge Comitê Olímpico da Rio 2016

O Le Monde disse que Papa Massata Diack pagou quase US$ 300 mil ao alto membro do COI Frankie Fredericks, que afirmou não ter feito nada de errado

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro/Paris:

O comitê organizador dos Jogos Rio 2016 negou nesta sexta-feira que tenha sido beneficiado por compra de votos na eleição pelo direito de sediar a Olimpíada, depois que um jornal francês disse que um empresário brasileiro fez pagamentos ao filho de um então membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) antes da votação.

O COI anunciou nesta sexta-feira que sua comissão de ética abriu uma investigação sobre a acusação
O COI anunciou nesta sexta-feira que sua comissão de ética abriu uma investigação sobre a acusação

De acordo com o Le Monde, uma empresa relacionada com o executivo Arthur César de Menezes Soares Filho fez um pagamento de US$ 1,5 milhão a Papa Massata Diack, filho do então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf). Membro do COI Lamine Diack, três dias antes da votação de 2009 que definiu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos.

– A vitória do Rio foi claríssima – disse à agência inglesa de notícias Reuters o diretor de Comunicação do Rio 2016, Mario Andrada, em resposta à acusação. “A investigação francesa diz respeito a seis membros do COI, e seis membros não mudariam nada no resultado. A eleição foi limpa”.

O Rio foi eleito sede dos Jogos Olímpicos em uma votação em que derrotou Chicago, Tóquio e Madri. Na votação final, contra a cidade espanhola, a candidatura carioca obteve um triunfo com margem folgada, 66 a 32 votos.

O Le Monde disse que Papa Massata Diack pagou quase US$ 300 mil ao alto membro do COI Frankie Fredericks. Que afirmou não ter feito nada de errado e disse que o dinheiro foi um pagamento por serviços para promover o esporte na África.

O COI anunciou nesta sexta-feira que sua comissão de ética abriu uma investigação sobre a acusação.

Investigação

– O COI continua totalmente comprometido em esclarecer esta situação, trabalhando em cooperação com a Procuradoria (da França) – informou a organização em comunicado.

A reportagem do Le Monde afirma que três dias antes da votação do COI em outubro de 2009, em Copenhague. A empresa Pamodzi Consulting, de propriedade de Papa Massata Diack. Recebeu US$ 1,5 milhão da Matlock Capital Group, uma holding com sede nas Ilhas Virgens Britânicas.

Diack, cujo pai Lamine está atualmente aguardando julgamento na França por acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Também recebeu US$ 500 mil da Matlock Capital Group através de um banco russo, segundo o Le Monde.

Papa Massata Diack foi banido pela federação de atletismo no ano passado devido a acusações milionárias de corrupção.

Segundo o Le Monde, Papa Massata Diack transferiu quase US$ 300 mil para uma companhia ligada a Fredericks. Múltiplo medalhista olímpico e mundial dos 100 e 200 metros.

Fredericks, atualmente membro do Conselho da Iaaf, disse ao Le Monde que o dinheiro foi pago por um trabalho feito por ele para promover o atletismo na África entre 2007 e 2001.

– O pagamento não tem nenhuma relação com os Jogos Olímpicos, e eu não era membro da diretoria da Iaaf naquela época e não infringiu qualquer regulamento ou regra ética – disse ele ao jornal.

COI

O COI afirmou: “Até onde envolve o sr. Fredericks, ele informou ao COI e explicou a situação e enfatizou sua inocência imediatamente após ser contatado pelo jornalista. O COI confia que o sr. Fredericks irá trazer todos os elementos para provar sua inocência contra estas acusações feitas pelo Le Monde“, acrescentou.

– Imediatamente após uma ligação ser feita entre o pagamento contratual e a votação para a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o sr. Fredericks foi à Comissão de Ética do COI, que agora acompanha todas as acusações para esclarecer totalmente esta questão.

Segundo o diretor da Rio 2016, a investigação das autoridades francesas está focada em Lamine Diack e “não tem nenhuma ligação” com a candidatura do Rio.

– Só quando os franceses concluírem a sua investigação será possível dizer quem são os beneficários desse esquema. De antemão, porém, está claro que os Jogos do Rio não têm nada a ver com isso – disse Mario Andrada.

À Reuters não conseguiu contato com Arthur César de Menezes Soares Filho.

Janot prepara lista de investigados com foro especial na Corte Suprema

Alckmin está citado em mais de um processo que investiga corrupção ocorrida durante seu governo, no Estado de São Paulo

Ao todo, cerca de 30 pedidos contra ministros, senadores e deputados já estariam prontos para ser apresentados por Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF)

 

Por Redação – de Brasília

 

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot tentará apresentar, no início da semana que vem, os primeiros pedidos de abertura de inquérito com base nas delações de executivos da Odebrecht. A lista tende a atingir, frontalmente, a carreira de políticos em pleno voo no Congresso e no atual governo. A expectativa é forte e tem sido alimentada desde dezembro do ano passado. Na ocasião, foram concluídos os acordos de delação com 78 executivos da construtora Norberto Odebrecht.

Alckmin está citado em mais de um processo que investiga corrupção ocorrida durante seu governo, no Estado de São Paulo
Alckmin está citado em mais de um processo que investiga corrupção ocorrida durante seu governo, no Estado de São Paulo

Ao todo, cerca de 30 pedidos contra ministros, senadores e deputados já estariam prontos para ser apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles, ao menos um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) já estaria alinhavado.

De resto, três ministros do TCU foram citados nas investigações da Operação Lava Jato: Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo. Os nomes de Cedraz e Carreiro constam das investigações sobre possível tráfico de influência e venda de informações privilegiadas do advogado Tiago Cedraz, filho do ex-presidente do TCU, para o dono da UTC, Ricardo Pessoa, um dos primeiros empreiteiros a fazer acordo de delação.

Lista de Janot

Os procuradores também finalizam os pedidos de inquéritos a serem apresentados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra governadores suspeitos de receberem propina para facilitar a concessão de contratos da Odebrecht. Até agora, não foram vazados os nomes dos suspeitos, no primeiro escalão da República. Sabe-se, no entanto, que os delatores citaram os nomes dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Os procuradores avaliam um extenso material sobre políticos que receberam algum tipo de vantagem da empreiteira. Principalmente, aqueles sem foro nos tribunais superiores. As informações serão destinadas a 120 procuradores ou promotores que participaram, no ano passado, de um esforço concentrado da PGR. Eles interrogaram os 78 delatores e cumpriram as metas e os acordos de delação foram fechados em tempo recorde.

Promotores e procuradores nos Estados dependem de decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF. Cabe a ele enviar o material apurado. Mas, para deliberar sobre cada caso, Janot terá que destacar as acusações que pesam contra cada um dos suspeitos. Além disso, apontar os motivos legais que justificariam a transferência das investigações para a Justiça de primeira instância.

Aécio Neves presta depoimento à PF na condição de suspeito

Aécio

Aécio Neves será ouvido sobre a possível existência de um esquema de corrupção na estatal Centrais Elétricas de Furnas, pela primeira vez na condição de investigado sobre o escândalo de Furnas

 

Por Redação – de Brasília

 

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot pediu ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG) seja ouvido, perante um escrivão, na Polícia Federal (PF). Também prestarão depoimento o ex-ministro José Dirceu, o senador cassado e delator Delcídio Amaral (sem partido-MS) e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira.

Aécio
Em depoimento, Rocha disse que entregou R$ 300 mil, em 2013, a um diretor da UTC e que o pacote estaria destinado a Aécio Neves

Todos serão ouvidos sobre a possível existência de um esquema de corrupção na estatal Centrais Elétricas de Furnas. Caso Mendes, relator do inquérito no STF, autorize a convocação, será a primeira vez que Aécio prestará depoimento, na condição de investigado, sobre o escândalo da companhia.

“Os elementos informativos já reunidos nos autos apontam para a verossimilhança dos fatos trazidos pelos colaboradores (uma suposta partilha de propina entre políticos) e denotam a necessidade de aprofundamento das investigações, notadamente quanto ao envolvimento de Dimas Fabiano Toledo (ex-diretor de Engenharia da estatal) no evento criminoso e a sua relação com o senador Aécio Neves”, escreveu Janot no pedido protocolado no STF na quinta-feira passada, dia 23.

Propina

Janot, no processo, requereu também a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. A investigação foi instaurada em maio do ano passado e já fora prorrogada por 60 dias em novembro último. As primeiras denúncias sobre corrupção em Furnas surgiram na CPI Mista dos Correios, em 2005, por meio do ex-deputado e delator do Mensalão Roberto Jefferson.

O procurador-geral pretende, ainda, esclarecer a versão apresentada pelo delator e lobista Fernando Horneaux de Moura. Ele disse ter sido informado por Dirceu, em 2003, do pedido de Aécio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que Toledo fosse mantido na diretoria da estatal.

Moura teria participado das discussões com o ex-ministro da Casa Civil e Pereira, ex-secretário-geral do PT, sobre o loteamento de cargos, incluindo as diretorias de estatais, como a Petrobras. Segundo Moura, Toledo foi comunicado da permanência no cargo, em 2003. Toledo então teria definido a partilha da propina: um terço para o PT nacional, um terço para o PT paulista e um terço para Aécio. O ex-diretor e Aécio rechaçam a versão. Em acareação, Moura manteve seu depoimento, e Toledo o acusa de “mentiroso”.

Tucano investigado

Em dezembro passado, o tucano depôs à PF em outro inquérito, no qual é investigado por supostamente atuar para “maquiar” dados da CPI que poderiam implicar tucanos. De todos os envolvidos no episódio, Dirceu, Pereira e Moura já foram denunciados na Lava Jato.

O inquérito contra Aécio foi aberto com base na delação de Delcídio. O senador cassado afirmou que “sem dúvida” o tucano teria recebido propina. O doleiro Alberto Youssef mencionou em sua delação premiada que Aécio dividia a diretoria de Furnas com o PP e teria recebido propina de cerca de R$ 4 milhões. Seu depoimento foi tomado em 2015, mas na época Janot considerou a versão baseada apenas no que ele teria ouvido dizer e arquivou a investigação contra o tucano. Posteriormente, o caso foi reaberto.

Nesse último requerimento, Janot escreveu que o inquérito apura influência do PSDB “na direção da empresa Furnas, juntamente com o Partido Progressista, no âmbito da qual recai a suspeita de pagamento de vantagens indevidas por empresas contratadas, a revelar possível participação de Aécio Neves em esquema de corrupção”.

‘Cair fora’

Moura, que cita Neves, teve seus benefícios cortados após mudar versão sobre sua saída do país, em 2005, auge do mensalão. Na delação, para atenuar sua pena, afirmou em agosto de 2015 que “resolveu se mudar para Paris após receber a ‘dica’ de José Dirceu para ‘cair fora'”.

Em audiência com o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, no processo em que também é réu, ele apresentou uma versão diferente: “Depois que eu assinei que eu fui ler. Eu disse que foi o Zé Dirceu que me orientou a isso. Não foi esse o caso. Eu saí porque saiu uma reportagem minha na Veja, em março de 2005″.

Moura admitiu depois aos procuradores que mentiu na segunda versão e segue colaborando com as investigações. Os outros depoimentos de sua colaboração não tiveram alterações e são usados pelos investigadores.

Polícia Federal

Toledo era funcionário de carreira em Furnas e atuou como diretor de Engenharia entre 1995 e 2005. Ele foi investigado em primeira instância a partir de 2005, quando a Polícia Federal no Rio instaurou um inquérito para apurar as denúncias de caixa 2 feitas por Jefferson.

Já o lobista Nilton Monteiro, um dos acusados de atuar no esquema, chegou apresentar lista com 156 políticos. Mas a PF não constatou, de imediato, sua veracidade.

Em 2012, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio apresentou denúncia contra 11 acusados de corrupção. Todos eles envolvidos em dois contratos de termelétricas – em Campos dos Goytacazes e São Gonçalo -, incluindo Jefferson e Toledo. Em março daquele ano, porém, a Justiça Federal entendeu que o caso deveria ser remetido para a Justiça Estadual. Quatro anos depois, o caso foi arquivado em primeira instância. Mas, em dezembro passado, o Ministério Público Estadual do Rio encaminhou a “lista de Furnas” para Janot.

O documento não é citado no pedido de prorrogação do inquérito contra Aécio, mas o procurador-geral pediu ao STF que sejam juntadas cópias da quebra de sigilo de Toledo, que tramitou em primeira instância na Justiça do Rio, além das investigações que foram realizadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União sobre Furnas na época.

As respostas

Aécio Neves afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que pedidos de prorrogação de prazo em procedimentos investigatórios são rotina. “A oitiva do senador, como é praxe, está prevista desde o início do procedimento”, diz nota de assessores à imprensa.

A nota acrescenta que as novas diligências não guardam relação com o senador. “Referem-se apenas à solicitação de cópias de documentos da empresa e oitivas de membros do PT”, afirma. Seus assessores dizem, ainda, que o senador “é o maior interessado na realização das investigações”.

“Seu aprofundamento provará a absoluta correção de seus atos”, acrescenta a nota dos assessores.

O advogado de Dimas Fabiano Toledo, Rogério Marcolini, por sua vez, divulgou nota nesta quarta-feira. O ex-diretor de Furnas já foi inquirido pela Polícia Federal “pelo menos meia dezena de vezes”, afirma, em dez anos. E que “sempre foi absolutamente coerente ao narrar os fatos como aconteceram”.

Depoimento

“O senhor Fernando Moura, nas poucas vezes em que foi ouvido, já emendou sua versão diversas vezes. Isso levou o juiz federal condutor da Lava Jato a pôr em dúvida a sinceridade de sua delação”, disse Marcolini. A acareação, de surpresa, foi a oportunidade para Toledo, novamente, reiterar seu testemunho”.

O criminalista Luis Alexandre Rassi, que defende Silvio Pereira, diz que ainda não conversou com seu cliente sobre o caso. Mas afirmou que a defesa vê com ressalva as versões de Moura. Ele cita “impropriedades no depoimento prestado por ele na ação penal em que Silvio responde na Lava Jato“. Os advogados de José Dirceu e Delcídio Amaral não foram localizados por repórteres que os procuravam.

Negócios entre Yunes e Temer são alvos de investigação da Lava Jato

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

O quadro se agrava para Temer quando o corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus, decide processar Yunes por calúnia e difamação

 

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

A rápida aproximação das investigações relativas à Operação Lava Jato do centro de uma organização criminosa que lesa os cofres públicos, em duas décadas ou mais, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, tem causado danos irreparáveis ao governo em curso. Desde a deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT) e mesmo antes, ainda na campanha eleitoral de 2014, as ligações do presidente de facto, Michel Temer, ao empresário José Yunes levantam suspeitas no ambiente jurídico do país.

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos
Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

O quadro se agrava quando o corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus, decide processar Yunes por calúnia e difamação. Advogado de Funaro, o criminalista Bruno Espiñeira disse a jornalistas, nesta segunda-feira, que levará à Procuradoria Geral da República um pedido de acareação entre seu cliente, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o chefe licenciado da Casa Civil Eliseu Padilha e José Yunes.

‘Mula do Padilha’

Se conseguir que o juiz Sérgio Moro, titular do Tribunal Federal do Paraná, coloque frente a frente cada um dos atores na denúncia de corrupção, entre outras, a defesa de Funaro terá marcado um ponto em favor de seu cliente. Mas deixará estremecido o alicerce jurídico da República, caso o nome de Temer seja, novamente, citado em uma delação. Em depoimento voluntário feito à força-tarefa da Lava Jato, Yunes acusou Funaro de levar ao seu escritório de advocacia, em São Paulo, “documentos” a pedido de Padilha que seriam, na verdade, R$ 4 milhões.

Segundo Melo Filho, o dinheiro é uma parte dos R$ 11 milhões solicitados por Michel Temer a Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu para ajudar na campanha do PMDB em 2014.

— Fui mula do Padilha — afirmou Yunes. Após as acusações, Padilha se licenciou do cargo alegando motivo de saúde.

Novas evidências

Logo em seguida à delação de Melo Filho ao Ministério Público Federal (MPF), no qual cita Temer como autor do pedido de propina à Odebrecht, o consultor de Temer José Yunes entrou em pânico. Dono de um patrimônio milionário, o empresário procurou o MPF para uma delação expontânea.

Aos jornalistas, Yunes se disse surpreso ao ver-se no epicentro da Operação, de longe, a maior de todos os tempos no Judiciário brasileiro. Na semana passada, assustado, procurou Temer no Palácio do Planalto. Teria ouvido do presidente em curso algo parecido com “quem não deve, não teme” e pediu que se acalmasse. Teria acrescentado que pedirá explicações a Padilha, afastado por suposto motivo de saúde, e ganhou um tempo extra.

Nenhum deles contava, porém, que o grupo Anonymous divulgasse um lote de documentos sobre negócios de Yunes, Temer e outros sócios, aos quais o Correio do Brasil teve acesso.

Na manhã desta segunda-feira, em pleno carnaval, o jornalista Luís Nassif anunciou a publicação de uma série de matérias sobre as ligações existentes entre Temer e o esquema investigado pela Lava Jato. No primeiro artigo da série, Nassif mostra que a principal suspeita levantada – a associação de Yunes com grandes bilionários – seria, na verdade, uma sociedade formada para a construção de um condomínio de alto luxo, a ser construído na Bahia.

Leia, adiante, o texto de Luís Nassif:

Peça 1 – As diversas formas de lavagem de dinheiro

Por que interessa conhecer os negócios de José Yunes, o primeiro amigo?

Primeiro, porque, após a delação do executivo da Odebrecht, descobriu-se que ele participava dos esquemas de captação de recursos de Michel Temer.

Depois, porque um dos modus operandi de muitos políticos é o de receberem no exterior, através de depósitos em fundos de investimento com aparência de legalidade. Em vez de contas convencionais em países estrangeiros, fundos de investimento através dos quais entram no Brasil como investimento externo.

De certo modo, é o caso de José Serra, conforme esmiuçado por Amaury Ribeiro Jr no livro “A privataria tucana”.

O fundo de investimentos de sua filha Verônica acumulou um patrimônio significativo. Em pelo menos um caso, sabe-se que foi utilizado para troca de favores com empresas.

Foi o caso da Serasa Experian, que, no final do mandato de Serra como governador de São Paulo, ganhou de graça o Cadin estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais).

Serra e Machado

Assim que Serra deixou o governo, Verônica intermediou para a Serasa-Experian a venda de um site de e-mail marketing, a Virid. Na época, o mercado avaliava o preço em no máximo R$ 30 milhões. A Experian pagou R$ 104 milhões. Empresa de capital aberto na Bolsa de Londres, manteve o valor da transação em sigilo. Para todos os efeitos, foi um lucro legalizado do fundo de investimentos de Verônica.

Sérgio Machado tinha investimentos no exterior, através de um filho que era alto funcionário do Credit Suisse – e, ao que consta, foi sacrificado pela gula do pai e do irmão político.

Portanto, há uma probabilidade de que as empresas de Yunes possam ter servido para abrigar recursos políticos captados por Temer.

Não faltará paraíso fiscal no purgatório político em que se meteu Yunes, caso os Anjos Gabriel do Ministério Público Federal resolvam investigar a sério.

O dossiê disponibilizado pelo grupo Anonymous na Internet traz algumas pistas que precisam ser bem investigadas, das empresas dos Yunes.

Peça 2 – o Banco Pine

Aqui, aí se chega no elo desconhecido, o Banco Pine, ou Fist Pinebank, Inc, ou FPB.

O Banco Pine é o sucessor do BMC (Banco Mercantil de Crédito), da família Pinheiro, do Ceará, de três irmãos, Norberto, Nelson e Jaime Pinheiro, que chegaram a montar um banco médio, bem-sucedido. Assim como outros bancos cearenses, especializou-se em AROs (Antecipação de Receita Orçamentária) para prefeituras e em crédito consignado para funcionários públicos.

Depois, o banco foi vendido por R$ 800 milhões ao Bradesco e, de suas entranhas nasceu em 1997 o Banco Pine, brasileiro, o First Pinebank que, depois de uma passagem turbulenta pelos Estados Unidos, tornou-se um banco panamenho; e a BR Partners, uma associação de Ângela Pinheiro, filha do patriarca Jaime Pinheiro, com Ricardo Lacerda, ex-presidente da Goldman Sachs do Brasil.

Aqui, começa nosso pequeno quebra-cabeça:

Em 2005, o nome do Pine Bank já apareceu associado ao doleiro Toninho Barcelona, no escândalo do Banestado (https://goo.gl/wQh4dq)

Família Pinheiro

Em julho passado, a Lava Jato já tinha batido no Pine (https://goo.gl/opDxOv), através da Operação Caça-Fantasmas, da 32a fase. Identificou o FPB Banc Inc – àquela altura, um banco panamenho, mas de propriedade de Nelson Pinheiro, um dos três irmãos sócios do BMC –, o PKB da Suíça e o Carregosa, de Portugal, suspeitos de montarem representações clandestinas para clientes interessados em abrir contas em paraísos fiscais.

Outro nome que apareceu no FPB foi o de Eduardo Rosa Pinheiro, também a família Pinheiro.

A suspeita da Lava Jato é que esse esquema teria sido usado por doleiros e operadores de propina para esconder o dinheiro da corrupção da Petrobras e de outras empresas públicas, investigadas pelas operações Lava Jato, Custo Brasil, Saqueador e Recebedor.

Os bancos tinham ligação direta com a Mossak Fonseca. A Polícia Federal e o MPF pediram prisão preventiva dos funcionários do banco, mas o juiz Sérgio Moro permitiu apenas condução coercitiva. Alegou que as evidências levantadas pela Lava Jato apenas apontavam atuação clandestina no país.

Mossak Fonseca

Assim como na batida na Mossak Fonseca, quando se constatou que não havia pistas que levassem a Lula – mas a alguns bilionários influentes -, abafou-se a investigação e manteve-se em sigilo as descobertas.

Mas outros países atuaram. No dia 10 de fevereiro de 2017, menos de duas semanas atrás, a Superintendência Bancária do Panamá suspendeu a licença de corretagem do Pine Bank, a partir de informações levantadas pela Lava Jato (https://goo.gl/KYF0gc). No Panamá, era um banco pequeno, com US$ 134 milhões em depósitos e apenas US$ 13 milhões de capitalização declarada,

Constatou-se que o banco recorria apenas à Serasa para analisar sua carteira de clientes. Isso, em vez de colocar relatórios reais das empresas. Além disso, a FPB tinha montado 44 empresas através dos escritórios da Mossak Fonseca, provavelmente para desviar dinheiro de suborno.

Panamá Papers

Os jornais do Panamá apontavam o fato do site do banco não informar nada sobre seus proprietários e acionistas. Sabia-se apenas que o banco pertencia a uma família de empresas debaixo do guarda-chuva de Brickell Group.

O jornal Panama News anotava que o FBK tinha um presidente de nome Eduardo Pinheiro, um gerente geral chamado José Palucci e um convidado especial para a inauguração da sede, de nome Mailson da Nóbrega.

O jornal levantou o nome da consultoria Brickell Management Services Inc, de Miami, com apenas 6 funcionários. E constatou que Pine Bank foi acusado pelo FED de violar vários pontos da lei anti-lavagem de capitais, tendo encerrado as operações nos Estados Unidos.

Segundo o jornal, “propriedade anônima, gestão aparentemente ausente – um banco estranho para se fazer negócios, exceto se houver algum priopósito especial”.

Peça 3 – os negócios da família Yunes

Ao longo das últimas décadas, a família de José Yunes expandiu seus negócios por vários setores. Aparentemente, tem dois filhos bastantes empreendedores. Dentre eles, Marcos Mariz de Oliveira Yunes é o que fica à frente dos negócios.

A principal empresa do grupo é a Yuny.

Trata-se de uma grande incorporadora criada em 1996 (https://goo.gl/9iirmz). Em 2007 recebeu aporte de R$ 700 milhões do Golden Tree Insite Partners. Pode ser coincidência de nomes, mas há uma Golden Tree Insite Partners no Reino Unido (https://goo.gl/0WddPa) que em 2010 foi declarada insolvente.

Mais tarde, a VR tornou-se sócia da Yuny. Hoje em dia, do Conselho participam Abraham  Szajman e Ury Rabinowitz, este alto funcionário da Brasil Telecom nos tempos de Daniel Dantas – em princípio, significa apenas que é um executivo requisitado. Depois, montou uma joint-venture com a Econ Construtora, a Atua Construtora, para imóveis de baixa renda.

No grupo, há outras empresas menos transparentes.

Trump Hotel

Uma delas é a Stargate do Brasil Estética de Produtos e Serviços.

Criada em 30 de abril de 2007, é sociedade de José Yunes com Arlito Caires dos Santos. No Google, consegue-se chegar próximo com um Carlito Aires dos Santos – trocando o C do sobrenome para o nome, empresário mato-grossense de Peixoto de Azevedo, cuja empresa foi aberta em 20 de março de 2015 (https://goo.gl/lv7cpF).

Por sua vez, a Stargate é sócia da Golden Star, Serviços e Participações Ltda. Aparentemente, a intenção da sociedade foi a aquisição dos bens do panamenho Kamal Mohan Mukhi Mirpuri, por Gilberto Pereira de Brito. O endereço de Kamal remete às proximidades do Trump International Hotel em Colon, Panamá. Kamal é proprietário da Multitrade Export Ltda, do Panamá.

Não é o único elo panamenho na nossa história, como se viu no caso do PInebank.

Peça 4 – as ligações do Pine com os Yunes

Como já se viu, o Banco Pine foi apontado como um dos canais para o dinheiro da corrupção das empresas investigadas pela Lava Jato.

Em outros tempos, uma das maneiras de “esquentar” dinheiro frio, depositado fora do país, era através de uma operação cruzada. O investidor depositava seus dólares nas agências externas do banco; e elas serviam de garantias para empréstimos que eram concedidos, aqui, para empresas controladas por ele. Foi assim com o Banco Excel, de um membro da família Safra, que chegou adquirir a massa falida do Econômico. Mas quebrou quando a apreciação do real promoveu o descasamento das garantias externas com os financiamentos internos.

No dossiê do Anonymous são inúmeras as evidências de ligações comerciais do Pine com as empresas dos Yunes, particularmente com a incorporadora Yuny.

·      Em setembro de 2010, a Atua Construtora e Incorporadora convoca AGE para autorizar a contratação de financiamento de R$ 5 milhões junto ao Banco Pine

Peça 5 – os negócios de Temer com Yunes

Os caminhos de Michel Temer, da família Pinheiro, do Banco Pine e da incorporadora Yuny se cruzam em vários imóveis de Michel Temer. Dele e de sua holding, a Tabapuã.

Edifício Lugano

Temer tem duas unidades no edifício Lugano, na rua Pedroso Alvarenga 900. Uma construção luxuosa com conjuntos comerciais de 102 a 202 m2.

Spazio Faria Lima

Temer possui duas salas no edifício na rua Iguatemi  (https://goo.gl/4XecSC), com escritórios que vão de 350 a 700 m2. Na região, escritórios de 350 m2 custam de R$ 3,5 a R$ 7 milhões.

Trata-se de uma obra faustosa também da Yuny.

Em 23 de maio de 2011, transferiu para a Tabaupã, empresa que tem em sociedade com a filha Luciana.

Quem aluga o escritório é Andréa Pinheiros, da BR Partners. É uma das herdeiras do Banco Pine, filha de Jaime Pinheiro, o patriarca.

Conclusão do jogo

Tem-se, então, todas as peças do jogo:

1.     O melhor amigo do presidente, José Yunes,  participava dos processos de arrecadação de propinas das empresas investigadas pela Lava Jato.

2.      As empresas de Yunes tinham financiamento farto com o Banco Pine, da família Pinheiro, envolvido na Lava Jato. Fechado nos Estados Unidos por acusação de lavagem de dinheiro e, há duas semanas, fechado também no Panamá.

3.     Temer com grandes investimentos em projetos da Yuny, a incorporadora da família Yunes. Convidando o patriarca José Yunes para assessor especial.

“Dificilmente toda essa movimentação passaria despercebida pela Lava Jato. Ainda mais depois de invadir os escritórios da Mossak Fonseca e ter identificado o papel do Pine Bank”, conclui Nassif.