Bumlai assume pagamentos a Delcídio, mas nega obstrução à Lava Jato

O pecuarista negou qualquer envolvimento com Cerveró, com quem não tinha nenhuma relação antes do ex-diretor ser preso, em 2015

Por Redação, com ABr – de Brasília:

O pecuarista José Carlos Bumlai confirmou nesta sexta-feira que seu filho, Maurício Bumlai, fez dois repasses de R$ 50 mil ao ex-senador Delcídio do Amaral, mas negou que o dinheiro tenha qualquer relação com a compra do silêncio do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

O pecuarista José Carlos Bumlai
O pecuarista José Carlos Bumlai

Na ação em que prestou depoimento nesta sexta-feira, Bumlai é réu junto com Delcídio, Lula. O banqueiro André Esteves e mais duas pessoas. Todos acusados de buscar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Ao tentarem impedir que Cerveró assinasse um acordo de delação premiada com a Justiça.

O pecuarista, que já foi condenado a nove anos de prisão na primeira instância em outro caso da Lava Jato. Cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele foi interrogado nesta sexta-feira pelo juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

Bumlai confirmou que Delcídio de fato falou sobre uma possível delação de Cerveró em uma conversa que teve em 2015 com seu filho, Maurício Bumlai, mas este teria recusado qualquer envolvimento com o assunto.

– Ele (Maurício) falou não, que ele não ia fazer isso, porque não tínhamos nada a ver com Nestor Cerveró. Depois ele (Delcídio) voltou e pediu ajuda em caráter pessoal. Para manter o padrão de vida que ele tem, não era com salário de senador – disse José Carlos Bumlai.

– Inicialmente o pedido foi R$ 50 mil , ele (Maurício) deu. Ai teve um segundo pedido de mais R$ 50 mil e ele deu também, e é só – afirmou Bumlai, reiterando que as quantias teriam sido entregues por seu filho somente para manter uma boa relação com o então senador, cujo poder poderia prejudicar os negócios dos Bumlai.

Envolvimento com Cerveró

O pecuarista negou qualquer envolvimento com Cerveró, com quem não tinha nenhuma relação antes do ex-diretor ser preso, em 2015. Os dois dividiram uma cela por quase um ano na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. “Se eu tivesse que pedir alguma coisa teria pedido ali”, disse Bumlai, que classificou a acusação de “absolutamente mentirosa”.

À época dos repasses, em 2015, Delcídio chegou a ser preso em pleno exercício do cargo de senador, acusado de tentar montar um esquema para impedir a delação premiada de Cerveró. Ao Conselho de Ética do Senado, no processo que resultaria na cassação de seu mandato, ele disse ter encaminhado R$ 250 mil dados por Bumlai para o ex-diretor da Petrobras a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em depoimento anterior no mesmo caso, Bernardo Cerveró, filho de Nestor, admitiu ter recebido dois repasses de R$ 50 mil de Delcídio, a título de “ajuda à família”. Segundo ele, o então senador chegou a pedir para que seu pai não celebrasse acordo de delação premiada.

Na próxima terça-feira, às 10h está marcado o depoimento de Lula no caso. O advogado do ex-presidente confirmou que ele comparecerá à audiência. 

Mais duas ações contra Lula caem por terra na Lava Jato

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)

Amaral prestou depoimento nesta na 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramita o processo contra Lula. Por cerca de três horas, na noite passada, o ex-parlamentar mostrou uma aparente “confissão”

 

Por Redação – de Brasília

 

Não bastassem a falta de provas no caso do triplex no Guarujá e o depoimento da empresa Granero, que nega qualquer irregularidade no armazenamento do legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em bens materiais, o juiz Sérgio Moro vê mais um processo contra o líder petista cair no vazio. De cinco inquéritos a que responde, no âmbito da Operação Lava Jato, restam apenas dois adiante.

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)
O senador cassado Delcídio do Amaral (PT-MS) admitiu ter agido por vontade própria

Esta ação penal segue contra Lula e mais seis pessoas por suposta compra de silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. O senador cassado Delcídio do Amaral (PT-MS) agora apresenta uma nova versão dos fatos. Ele reiterou a tese contra Lula, mas não apresentou provas materiais e, menos ainda, assumiu o compromisso de dizer a verdade, e apenas a verdade.

Amaral prestou depoimento nesta na 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramita o processo. Por cerca de três horas, na noite passada, o ex-parlamentar mostrou uma aparente “confissão”. Afirmou, no entanto, ter sido uma “sandice” procurar a família do pecuarista José Carlos Bumlai. Ele o teria feito, supostamente, a pedido de Lula, para obstruir a Justiça.

Cerveró

A investigação com base apenas na delação premiada de Amaral, prestada à Procuradoria-Geral da República no último ano, sustenta que o ex-presidente atuou para comprar o silêncio de Cerveró. Tentava fazê-lo antes que fechasse um acordo de delação com os procuradores da República.

O ex-senador narrou a conversa com o ex-presidente em uma reunião no Instituto Lula, ainda em maio de 2015. Teriam conversado sobre a possibilidade de Cerveró comprometer a ele e Bumlai em uma eventual delação. De forma completamente genérica, Lula teria dito a Delcídio para “ver essa questão do Bumlai”.

O “ver essa questão” teria sido interpretado por Amaral como uma “ordem”. O ex-senador decidiu, então, procurar a família do pecuarista. Este, por sua vez, teria sugerido o pagamento de R$ 50 mil mensais de ajuda financeira à família de Cerveró.

Uma sandice

“É nesse contexto que entendemos ter ele atribuído ao ex-Presidente Lula uma frase para que verificasse o que poderia ser feito para ajudar a família de José Carlos Bumlai. Essa afirmação, não foi comprovada. Não configura qualquer tentativa de obstrução à justiça”, informaram os advogados de Lula, em nota.

A narrativa hipotética confirma que o ex-presidente não emitiu uma “ordem” efetivamente. Delcídio admitiu, em seu depoimento, total responsabilidade.

“Cometi a sandice de tomar essa atitude”, confessou.

A fragilidade do depoimento prestado nesta quarta vai além. Tenta envolver o ex-presidente. O senador cassado afirmou que teve “muitas conversas solitárias com o presidente Lula”. Mas não apontou uma testemunha, sequer, que confirmasse a sua versão.

“Delcidio ainda admitiu não haver testemunha dessa narrativa. Ele reconheceu não ter intimidade com Lula. Apenas proximidade política por ser líder do governo a partir do início de 2015. E foi nessa categoria que o ex-Presidente o recebeu”, reportaram os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.

Contratos

Delcídio do Amaral foi preso em novembro de 2015, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão ocorreu após o filho do ex-diretor da estatal, Bernardo Cerveró, apresentar aos investigadores um áudio de Amaral. Ele esteve com a família de Cerveró, negociando a “mesada” e, inclusive, incentivando uma fuga do ex-diretor à Espanha.

Em nota, Zanin e Teixeira afirmaram que as declarações “revelaram de forma inequívoca que ele tinha interesse próprio no processo de delação premiada de Nestor Cerveró”.

“Delcidio Amaral admitiu que se sentiu ameaçado em conversas com familiares de Cerveró diante da possibilidade de o ex-diretor da Petrobras delatar supostos recebimentos de propina por ele, Delcidio, em contratos que a Petrobras firmou com a Alston e a GE, e, ainda, por supostas contribuições ilegais relativas à campanha de 2006 para o governo do Estado do Mato Grosso do Sul”, publicaram.

‘Mesada’

Ainda, a defesa de Lula lembrou que em depoimento prestado também à Justiça de Brasília, o próprio ex-diretor Nestor Cerveró disse que Delcídio do Amaral tinha interesses próprios em suas investidas e que a negociação da “mesada” buscavam dissuadi-lo de delatar contra o próprio ex-parlamentar.

E não apenas Nestor Cerveró, como também a advogada do ex-diretor e seu filho Bernardo, confirmaram os interesses individuais de Amaral. Assim, tentou envolver o ex-presidente Lula na tratativa planejada pelo ex-senador.

“Todos os demais depoimentos colhidos nessa ação penal colidem com a versão de Delcídio e deixaram claro que Lula jamais fez direta ou indiretamente qualquer intervenção no processo de delação premiada de Nestor Cerveró, seja para impedir, seja para retardar o ato”, concluiu a defesa de Lula. 

Leia, adiante, a nota da defesa do ex-presidente:

Delcidio do Amaral foi interrogado nesta data (15/2) pelo juízo da 10ª Vara Federal de Brasília, no processo relativo à suposta “compra do silêncio de Nestor Cerveró”, sem ter assumido o compromisso de dizer a verdade.

Suas declarações revelaram de forma inequívoca que ele tinha interesse próprio no processo de delação premiada de Nestor Cerveró. Delcidio Amaral admitiu que se sentiu ameaçado em conversas com familiares de Cerveró diante da possibilidade de o ex-diretor da Petrobras delatar supostos recebimentos de propina por ele, Delcidio, em contratos que a Petrobras firmou com a Alston e a GE, e, ainda, por supostas contribuições ilegais relativas à campanha de 2006 para o governo do Estado do Mato Grosso do Sul.

Nestor Cerveró, quando ouvido como testemunha pelo mesmo juízo (8/11/2016), reconheceu, com o compromisso de dizer a verdade, que as investidas de Delcidio tinham interesse próprio – buscavam dissuadi-lo de delatar o próprio Delcidio. A advogada Alessi Brandão, que assessorou Cerveró no processo de delação, depôs na mesma data e confirmou o que foi dito pelo seu cliente. Na mesma direção foi o depoimento de Bernardo Cerveró, em 28/11/2016, na qualidade de principal responsável pelo processo de delação de seu pai.

‘Bazofia’

Hoje, Delcidio também admitiu em seu interrogatório fazer uso recorrente de “bazofia”, usando de afirmações que não correspondem à realidade. É nesse contexto que entendemos ter ele atribuído ao ex-Presidente Lula uma frase para que verificasse o que poderia ser feito para ajudar a família de José Carlos Bumlai. Essa afirmação, além de não comprovada, não configura qualquer tentativa de obstrução à justiça. Delcidio ainda admitiu não haver testemunha dessa narrativa. Ele reconheceu não ter intimidade com Lula, apenas proximidade política por ser líder do governo a partir do início de 2015 e foi nessa categoria que o ex-Presidente o recebeu.

Todos os demais depoimentos colhidos nessa ação penal colidem com a versão de Delcidio e deixaram claro que Lula jamais fez direta ou indiretamente qualquer intervenção no processo de delação premiada de Nestor Cerveró, seja para impedir, seja para retardar o ato.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

Dólar sobe mais de 1,5%

dólar

A moeda norte-americana chegou a reduzir a alta durante a manhã, após o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS)

 

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

O dólar subia quase 2,5% se aproximava de R$ 3,75 nesta terça-feira, com notícia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria aceitado se tornar ministro, o que operadores entendem que poderia postergar ou reduzir as chances de eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff.

dólar
Às 10:03, o dólar avançava 0,79%, a R$ 4,0870 na venda

A moeda norte-americana chegou a reduzir a alta durante a manhã, após o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que incluiria acusações contra Lula e Dilma. Mas o movimento durou pouco e logo o dólar voltou a ganhar força.

Às 12:34, o dólar avançava 2,46%, a R$3,7424 na venda, depois de atingir R$ 3,7475 na máxima da sessão. No pregão passado, a moeda norte-americana já havia saltado 1,71% diante do cenário político.

– Se o governo der uma guinada populista agora, o país vai piorar cada vez mais rápido – disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, acrescentando que a possível volta de Lula para o governo “reduz a chance de impeachment e prolonga a discussão. É a última cartada”.

Lula embarcou para Brasília, nesta manhã, para conversar com a presidente Dilma e fechar sua ida para um ministério, que poderia ser a Casa Civil ou a Secretaria de Governo. O ex-presidente estaria negociando, segundo noticiou a imprensa, mudanças na política econômica.

Lula ficaria encarregado das relações políticas, em um momento em que o PMDB, principal partido da base aliada, dá sinais de que pretende se afastar do governo, com alguns membros do partido apoiando o processo pelo impeachment de Dilma.

Segundo publicou o Correio do Brasil, na véspera, Lula já aceitou ser ministro apesar de que ainda teria uma conversa definitiva com a presidente sobre sua nomeação.

– Boa parte do mercado deve estar revendo para baixo as projeções sobre a chance de impeachment – disse o operador de uma corretora nacional.

STF homologa delação premiada de Delcídio do Amaral

Delcídio Amaral

Delcídio do Amaral contou, ainda, que se reuniu com o desembargador Marcelo Navarro, presidente do Superior Tribunal de Justiça “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”

Por Redação – de Brasília

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki homologou, nesta terça-feira, a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso no âmbito da Operação Lava Jato, sob a acusação de atrapalhar as investigações. Agora, a força-tarefa da Polícia Federal passará a analisar se as citações feitas pelo senador trazem indícios suficientes para que abram inquéritos contra os parlamentares.

Delcídio Amaral
Delcídio do Amaral teve a delação premiada autorizada no STF

Delcídio, ex-líder do PT no Senado, citou a presidenta Dilma Rousseff no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, o ex-presidente Lula, o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves e o vice-presidente, Michel Temer, entre outros senadores. A delação foi vazada à revista semanal IstoÉ, antes da confirmação no STF e um dia antes da deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, que realizou a condução coercitiva de Lula.

No acordo de Delcídio consta o pagamento de uma multa de R$ 1,5 milhão, que será paga em 10 parcelas.

Delcídio entrega tudo

Delcídio do Amaral contou, ainda, que se reuniu com o desembargador Marcelo Navarro, presidente do Superior Tribunal de Justiça “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança. Na reunião, segundo o delator, Navarro “ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o dr. Falcão (presidente do STJ, Francisco Falcão) já o havia alertado sobre o assunto”.  A reportagem do Correio do Brasil procurou a Presidência do STJ para confirmar as declarações do senador mas não obteve resposta, até o fechamento dessa matéria.

A repórter de IstoÉ afirma que “o acerto foi cumprido à risca. Em recente julgamento dos habeas corpus impetrados no STJ, Navarro, na condição de relator, votou pela soltura dos dois executivos. O problema, para o governo, é que o relator foi voto vencido. No placar: 4×1 pela manutenção da prisão”. Delcídio do Amaral, no anexo 17 da delação premiada, porém, foi incisivo: “Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria”.

“A aquisição foi feita com conhecimento de todos. Sem exceção”, acusa o senador. Não seria a primeira vez que o líder do Governo, no Senado, desmentiria Dilma na delação. No anexo 03, “o senador garante que ela teve participação efetiva na nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da BR Distribuidora, contrariando o que ela havia afirmado anteriormente”, acrescenta a revista.

Aos procuradores, Delcídio afirma que “tem conhecimento desta ingerência (de Dilma), tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma”. “Ex-diretor internacional da Petrobras, Cerveró foi preso em janeiro de 2015, acusado de receber propina em contratos da estatal com empreiteiras. Até então, a indicação de Cerveró era atribuída a Lula e José Eduardo Dutra, ex-presidente da BR Distribuidora, falecido no ano passado. Mas segundo Delcídio, a atuação de Dilma foi ‘decisiva’. A presidente ligou para ele duas vezes”, diz o texto.

Ministro acusa Delcídio do Amaral de mentir em depoimento questionável

Jose-Cardozo

Advogado-geral da União, recém chegado ao cargo, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo afirmou, na tarde desta quinta-feira, que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) “mentiu” ao prestar um suposto depoimento à Justiça Federal, no Paraná, sob a gestão do juiz Sergio Moro

Por Redação – do Rio de Janeiro

O ministro Cardozo negou exercer qualquer tipo de pressão sobre o Judiciário e desqualificou o líder do Governo no Senado, afastado do cargo por motivos de saúde, ao afirmar que “não seria a primeira vez” que Delcídio do Amaral teria mentido.

Jose-Cardozo
Cardozo afirmou que foram cumpridos todos os 49 mandados de busca e apreensão expedidos

A repórter Débora Bergamasco, que assina a matéria de capa da publicação semanal, diz que “pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato”. Após confirmar que a revista “teve acesso às revelações feitas pelo senador”, informa que o depoimento de Amaral forma um compêndio de “cerca de 400 páginas” e, na opinião da jornalista, trata-se do “mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o mensalão”. Cardozo também nega ter qualquer conhecimento sobre o suposto depoimento.

A delação premiada de Delcídio do Amaral, segundo a reportagem, descreve “com extraordinária riqueza de detalhes” a suposta participação da presidenta Dilma Rousseff e do líder petista Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de esconder provas e dissimular a participação deles no esquema de propina descoberto na Petrobras. Bergamasco afirma que houve uma “ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato”.

Cardozo falou aos jornalistas após reunir-se com a presidenta Dilma Rousseff e outros ministros, no Palácio do Planalto.

O ministro Cardozo negou exercer qualquer tipo de pressão sobre o Judiciário e desqualificou o líder do Governo no Senado, afastado do cargo por motivos de saúde, ao afirmar que “não seria a primeira vez” que Delcídio do Amaral teria mentido.

A repórter Débora Bergamasco, que assina a matéria de capa da publicação semanal, diz que “pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato”. Após confirmar que a revista “teve acesso às revelações feitas pelo senador”, informa que o depoimento de Amaral forma um compêndio de “cerca de 400 páginas” e, na opinião da jornalista, trata-se do “mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o mensalão”. Cardozo também nega ter qualquer conhecimento sobre o suposto depoimento.

A delação premiada de Delcídio do Amaral, segundo a reportagem, descreve “com extraordinária riqueza de detalhes” a suposta participação da presidenta Dilma Rousseff e do líder petista Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de esconder provas e dissimular a participação deles no esquema de propina descoberto na Petrobras. Bergamasco afirma que houve uma “ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato”.

Cardozo falou aos jornalistas após reunir-se com a presidenta Dilma Rousseff e outros ministros, no Palácio do Planalto.

PGR nega delação

Ainda na tarde desta quinta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou nesta quinta-feira, 3, que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) tenha firmado acordo de delação premiada.
“Não sei nem se ele fez delação… Ele vai fazer?”, ironizou Janot ao ser questionado.

Janot disse que não discute “ato jornalístico, que não é jurídico” e enfatizou que que caberá à Procuradoria-Geral da República tomar o depoimento de Delcídio do Amaral, que foro privilegiado.

O procurador-geral falou aos jornalistas ao participar da solenidade de posse do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

Corte do juiz Moro vaza depoimento de Delcídio, que cita Dilma e Lula

Delcídio Amaral

A delação premiada de Delcídio do Amaral, afastado da Liderança do Governo no Senado — cargo ao qual ainda não renunciou —, segundo a reportagem, descreve “com extraordinária riqueza de detalhes” a suposta participação da presidenta Dilma Rousseff e do líder petista Luiz Inácio Lula da Silva

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

A Justiça Federal do Paraná, sob a égide do juiz Sergio Moro, vazou mais um documento referente à Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF). Normalmente, era à revista semanal de ultradireita Veja mas, desta vez, selecionaram a revista semanal de centro IstoÉ para divulgar o depoimento do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). A repórter Débora Bergamasco, que assina a matéria de capa da publicação semanal, correu para entregar o texto e permitir que a Editora Três liberasse a edição com um adiantamento de dois dias. Normalmente, chega aos assinantes no sábado, mas em face do ‘presente’ concedido pela fonte, no Judiciário, já está disponível com repercussão imediata nos blogs e nas rádios. O jornalista Ricardo Boechat, colunista de IstoÉ e apresentador de programas na Rede Bandeirantes fez o anúncio do vazamento, nas primeiras horas da manhã.

Delcídio Amaral
Delcídio tentava fazer uma delação premiada e seu depoimento foi vazado a uma revista semanal

Segundo a repórter Bergamasco, “pouco antes de deixar a prisão, no dia 19 de fevereiro, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato”. Após confirmar que a revista “teve acesso às revelações feitas pelo senador”, informa que o depoimento de Amaral forma um compêndio de “cerca de 400 páginas” e, na opinião da jornalista, trata-se do “mais explosivo relato até agora revelado sobre o maior esquema de corrupção no Brasil – e outros escândalos que abalaram a República, como o ‘mensalão”. Exagera.

A delação premiada de Delcídio do Amaral, afastado da Liderança do Governo no Senado — cargo ao qual ainda não renunciou —, segundo a reportagem, descreve “com extraordinária riqueza de detalhes” a suposta participação da presidenta Dilma Rousseff e do líder petista Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de esconder provas e dissimular a participação deles no esquema de propina descoberto na Petrobras. Bergamasco afirma que houve uma “ação decisiva da presidente Dilma Rousseff para manter na estatal os diretores comprometidos com o esquema do Petrolão (como a mídia conservadora batizou o escândalo da Petrobras) e demonstrou que, do Palácio do Planalto, a presidente usou seu poder para evitar a punição de corruptos e corruptores, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato”.

“O senador Delcídio também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações – inclusive sendo o mandante do pagamento de dinheiro para tentar comprar o silêncio de testemunhas. O relato de Delcídio é devastador e complica de vez Dilma e Lula, pois trata-se de uma narrativa de quem não só testemunhou e esteve presente nas reuniões em que decisões nada republicanas foram tomadas, como participou ativamente de ilegalidades ali combinadas –a mando de Dilma e Lula, segundo ele”, segue o texto.

A delação vazada à revista tende a ser mais uma peça a ser anexada ao processo sob análise do ministro Teori Zavascki, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ainda não divulgou sua decisão quanto a aceitar, ou não, as confissões do senador, que pedia sigilo no seu depoimento por, no mínimo, seis meses. Após reveladas ao público, as façanhas dos grupos políticos envolvidos no escândalo quebram a exigência do parlamentar sul-matogrossense, egresso do PSDB. Diante da indiscrição cometida na Vara Federal paranaense, o acordo agora tende a ser confirmado por Zavascki, que não havia aceitado a exigência de Amaral e devolvido o processo à Procuradoria-Geral da República (PGR). O senador explicava, antes do vazamento das informações, que seis meses era tempo suficiente para ele contornar o processo de cassação no Conselho de Ética do Senado.

“Agora, seus planos parecem comprometidos”, admite a repórter.

Delcídio diz, na peça acusatória, que a presidenta Dilma tentou, por três vezes, “interferir na Lava Jato, com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo”, diz a repórter.

“É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, supôs Amaral.

O próprio senador teria participado da “terceira investida” contra a Lava Jato. Amaral diz que a presidenta “diante do fracasso das duas manobras anteriores, uma das quais a famosa reunião em Portugal com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski”, o convidou para uma conversa. “Enquanto caminhavam pelos jardins do Alvorada”, diz a IstoÉ, Dilma teria solicitado a Amaral, na condição de líder do governo, que “conversasse como o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez.

Amaral conta, então, que se reuniu com Navarro “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança. Na reunião, segundo o delator, Navarro “ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o dr. Falcão (presidente do STJ, Francisco Falcão) já o havia alertado sobre o assunto”.  A reportagem do Correio do Brasil procurou a Presidência do STJ para confirmar as declarações do senador mas não obteve resposta, até o fechamento dessa matéria.

A repórter de IstoÉ afirma que “o acerto foi cumprido à risca. Em recente julgamento dos habeas corpus impetrados no STJ, Navarro, na condição de relator, votou pela soltura dos dois executivos. O problema, para o governo, é que o relator foi voto vencido. No placar: 4×1 pela manutenção da prisão”. Delcídio do Amaral, no anexo 17 da delação premiada, porém, foi incisivo: “Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria”.

“A aquisição foi feita com conhecimento de todos. Sem exceção”, acusa o senador. Não seria a primeira vez que o líder do Governo, no Senado, desmentiria Dilma na delação. No anexo 03, “o senador garante que ela teve participação efetiva na nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da BR Distribuidora, contrariando o que ela havia afirmado anteriormente”, acrescenta a revista.

Aos procuradores, Delcídio afirma que “tem conhecimento desta ingerência (de Dilma), tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma”. “Ex-diretor internacional da Petrobras, Cerveró foi preso em janeiro de 2015, acusado de receber propina em contratos da estatal com empreiteiras. Até então, a indicação de Cerveró era atribuída a Lula e José Eduardo Dutra, ex-presidente da BR Distribuidora, falecido no ano passado. Mas segundo Delcídio, a atuação de Dilma foi ‘decisiva’. A presidente ligou para ele duas vezes”, diz o texto.

Delcídio ataca Lula

Na delação, Amaral ataca Lula, ao afirmar que o ex-presidente teria sido “o mandante dos pagamentos à família Cerveró”. A declaração consta no anexo 02 da delação. Lula, diz o senador petista, “pediu ‘expressamente’ para que ele ajudasse o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, porque ele estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Bumlai, segundo o senador, gozava de ‘total intimidade’ e exercia o papel de ‘consigliere’ da família Lula – expressão usada pela máfia italiana e consagrada no filme O Poderoso Chefão para designar o conselheiro que detinha uma posição de liderança e representava o chefe em reuniões importantes”, tende a reportagem.

A transcrição da delação pelos procuradores registra o depoimento de Amaral sobre Lula a Bumlai: “No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró”. Em outro trecho da delação, Delcídio diz que “aceitou intermediar a operação”, mas lhe explicou que “com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha boa relação”. De acordo com a reportagem, “o acerto foi sacramentado. Depois de receber a quantia de Maurício Bumlai, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos pelo próprio Delcídio ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também preso pela Lava Jato”.

Na delação, Delcídio tenta envolver o ex-presidente em outra vertente da Operação Lava Jato, na qual Lula teria tentado comprar o “silêncio de testemunhas”. O senador afirma que Lula e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci, em meados de 2006, “articularam o pagamento a Marcos Valério para que ele se calasse sobre o ‘mensalão’. O dinheiro, um total de R$ 220 milhões destinados a sanar uma dívida, segundo Delcídio, foi prometido por Paulo Okamotto. Aos procuradores, o senador relatou uma conversa com Lula em que ele o alerta: ‘Acabei de sair do gabinete daquele que o senhor enviou a Belo Horizonte (Okamotto). Corra, Presidente, senão as coisas ficarão piores do que já estão”. Nenhum desses fatos, porém, ainda foi comprovado.

“Na sequência, Palocci ligou para Delcídio dizendo que o Lula estava ‘injuriado’ em razão do teor da conversa, mas que ele (Palocci), a partir daquele momento, ‘estaria assumindo a responsabilidade pelo pagamento da dívida’. Valério, de acordo com o senador petista, não recebeu a quantia integral pretendida. De todo o modo, diz o trecho da delação, ‘a história mostrou a contrapartida: Marcos Valério silenciou’. Ainda sobre o ‘mensalão’, Delcídio – ex-presidente da CPI dos Correios – disse ter testemunhado na madrugada do dia 5 de abril de 2006 as ‘tratativas ilícitas para retirada do relatório (final da CPI) dos nomes de Lula e do filho Fábio Luís Lula da Silva em um acordão com a oposição’. Assim, conforme o anexo 21 da delação, ‘Lula se salvou do impeachment”, conta a repórter.

Ao ‘dar com a língua nos dentes’, no jargão policial, o senador Delcídio do Amaral também cita os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rego (PMDB-PB); além dos deputados Marco Maia (PT-RS) e Fernando Francischini (SD-PR). O parlamentar os acusa de cobrar “de empreiteiros para não serem convocados na CPI da Petrobras”.

Delcidio do Amaral sabe de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras. A CPI obrigava Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília. O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor na CPI. Os senadores Gim Argello, Vital do Rego e os deputados Marco Maia e Francischini cobravam pedágio para não convocar e evitar maiores investigações contra Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa”, conclui.

Volta de Delcídio do Amaral deixa senadores em situação complicada

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)

Embora o senador negue todas as acusações e ameaças a ele atribuídas, dentro e fora da Casa, o fato é que uma ação para o seu expurgo segue no Conselho de Ética do Senado, após representação feita pela Rede e o PPS

Por Redação – de Brasília

O senador petista Delcídio do Amaral (PT-MS) ficou preso por exatas 86 noites. Ao longo do período em que os carcereiros permitiram ver a luz do sol por apenas uma hora por dia, o político do Mato Grosso do Sul, anteriormente ligado à legenda do PSDB, não conseguia pensar em outra coisa senão na defesa que seus advogados elaboram para a série de crimes dos quais é acusado: obstrução da justiça, desvio de recursos públicos, associação para prática criminosa, entre outros.

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)
O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) é alvo de um processo de cassação

Nesta terça-feira, Delcídio do Amaral volta ao seu gabinete. Sem tornozeleira, mas monitorado pela Polícia Federal, o senador petista precisará se dirigir aos pares com alguma desculpa por tamanho transtorno na vida parlamentar. Amaral, no entanto, ainda não sabe, com precisão, o que dizer, e pedirá, segundo fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Brasil, o prazo de 120 dias para elaborar um discurso com tempo regimental ainda a ser definido pela Mesa Diretora, mas nada além do que uma hora, conforme recomenda a tradição.

Os planos de Delcídio

Delcídio do Amaral tem pleno conhecimento quanto ao peso de cada palavra a ser dita, em Plenário. Juntas, podem garantir a sobrevivência política do senador e uma vida atribulada, mas no conforto de seu mandato, ou a dureza da cama de tijolos que o aguarda, em uma cela de presídio, caso perca o “foro privilegiado” que o cargo lhe possibilita. Nos corredores da Casa circulou, na manhã desta segunda-feira, o boato disseminado por um diário conservador paulistano quanto a atitudes desesperadas do ex-tucano pantaneiro, a de ameaçar colegas e distribuir bravatas.

— Se me cassarem, levo metade do Senado comigo — teria dito a interlocutores, segundo o jornal.

Embora o senador negue todas as acusações e ameaças a ele atribuídas, dentro e fora da Casa, o fato é que uma ação para o seu expurgo segue no Conselho de Ética do Senado, após representação feita pela Rede Sustentabilidade e pelo PPS, sob a acusação de quebra de decoro parlamentar. A defesa de Amaral já impetrou o primeiro recurso e lhe garantiu um tempo extra na possível substituição do relator escolhido, Altaídes Oliveira (PSDB-TO), sob a alegação que o tucano não seria isento no processo.

Ainda que o panorama político no PT seja dos piores, Delcídio tenta passar a mensagem de que é um homem de palavra, ao recusar a deleção premiada que o juiz Sérgio Moro lhe ofereceu. Segundo seus advogados, o réu teria dito que pretende reescrever sua história “sem
revanchismo”.

— Quero virar essa página — disse, segundo a defesa.

A decisão do STF para acatar o pedido de prisão do parlamentar baseou-se em gravação feita por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. No diálogo, gravado, um plano de fuga e uma mesada de R$ 50 mil foram propostos por Delcídio em troca de Cerveró não fazer delação premiada. O ex-diretor, no entanto, acabou assinando acordo de delação e implicou o senador em atos criminosos, contra o Erário.

Polícia aguarda ser oficialmente notificada para receber Delcídio

Em depoimento, Delcídio negou ter tentado obstruir as investigações da Operação Lava Jato

Por Redação, com ABr – de Brasília:

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) aguarda ser oficialmente informada do processo de transferência do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) para sua carceragem. Ainda não foi definido o local da PMDF a ser adaptado para receber o ex-líder do governo Senado. O pedido para a transferência – feito pela defesa de Delcídio – foi autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki. Não há, até o momento, previsão de quando isso ocorrerá. A Polícia Federal, responsável pelo traslado de Delcídio, disse estar negociando com a defesa do senador alguns detalhes do procedimento.

A PMDF informou ter vários alojamentos que podem “rapidamente” ser adaptados para receber o senador, e que situação similar ocorreu em decorrência da prisão do empresário e ex-governador Paulo Octávio, durante Operação Átrio, da Polícia Civil do DF. Acusado de participar de um esquema de corrupção de agentes públicos para a concessão de alvarás, Paulo Octávio ficou detido por menos de uma semana em junho de 2014, no Batalhão de Trânsito da PM.

Delcídio
Delcídio está preso desde o dia 25 de novembro em uma cela na Superintendência da PF, em Brasília

Delcídio está preso desde o dia 25 de novembro em uma cela na Superintendência da PF, em Brasília, por determinação do ministro Zavascki. Como tem mandato parlamentar, ele não pode ocupar uma vaga em presídio comum, ficando portanto em uma sala especial. O senador foi denunciado pelo crime de impedir e prejudicar as investigações da Operação Lava Jato.

PGR

A prisão dele foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base em pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a PGR, o senador tentou obstruir as investigações e prometeu pagamento de R$ 50 mil mensais ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para evitar que ele firmasse acordo de colaboração com o Ministério Público Federal. O documento da PGR ainda diz que o senador ofereceu um plano de fuga ao ex-diretor e garantiu que poderia interferir em decisões do STF a favor de Cerveró. A Polícia Federal também prendeu, no Rio de Janeiro, o banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, que, segundo a PGR, iria arcar com o valor prometido pelo senador.

Em depoimento à Polícia Federal logo após ser preso, o senador negou ter tentado obstruir as investigações da Operação Lava Jato.