Estados prometem acionar Justiça contra decreto de Donald Trump

Procuradores-gerais de estados como Washington e Nova York afirmam que novo veto migratório fere Constituição. Medida, que entra em vigor na próxima semana, barra entrada de refugiados e cidadãos de países muçulmanos

Por Redação, com DW – de Washington:

Anunciada há três dias, a nova ordem executiva anti-imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para enfrentar processos na Justiça de diferentes estados do país.

"Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal", diz o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson
“Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal”, diz o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson

Washington, Oregon, Nova York e Massachusetts anunciaram na quinta que entrarão com ações contra o decreto, que proíbe a entrada em território norte-americano de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. O Havaí já havia anunciado que questionaria o veto na quarta-feira.

– Não vamos nos deixar intimidar por ameaças do governo federal – declarou o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson. Em entrevista coletiva. “Você não pode usar o Twitter para escapar desta. Isso não funciona no tribunal”. Acrescentou ele, dirigindo-se ao presidente norte-americano.

Veto a muçulmanos

Em comunicado, o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, classificou a ordem executiva como “um veto a muçulmanos, mas com outro nome”, que, segundo ele, impõe políticas e protocolos que ferem a Constituição dos Estados Unidos, assim como o decreto original de janeiro.

Assinada na segunda-feira passada, a nova medida entra em vigor em 16 de março. Por 90 dias, estarão proibidos de entrar nos EUA cidadãos de Irã, Somália, Iêmen, Líbia, Síria e Sudão. A ordem executiva também suspende o programa de amparo a refugiados de qualquer país durante 120 dias.

O primeiro veto migratório foi emitido por Trump em 27 de janeiro e suspenso pela Justiça uma semana mais tarde, após um processo dos estados de Washington e Minnesota. A medida foi seguida por protestos em todo o país, gerou caos nos aeroportos e foi alvo de críticas de líderes mundias.

Os procuradores-gerais de Washington, Oregon e Nova York, os três governados por democratas, defendem que a liminar que suspendeu o primeiro decreto deveria valer também para a nova medida.

Como deter o avanço do fascista Bolsonaro

Por Celso Lungaretti, de São Paulo:

Bolsonaro é uma perigosa ameaça à nossa democracia
Bolsonaro é uma perigosa ameaça à nossa democracia
Às vezes me sinto como a Cassandra troiana, amaldiçoada com a indiferença do seu povo aos alertas que lançava, tão corretos quanto inúteis em termos práticos.
 
No segundo semestre de 2014, p. ex., eu já tinha percepção clara de que o novo mandato presidencial transcorreria sob aguda recessão. Tudo fiz para abrir os olhos da companheirada, no sentido de que Dilma Rousseff não tinha competência para administrar uma crise dessas e seu fracasso anunciado seria catastrófico para a esquerda brasileira. 
 
Vi como preferível, primeiramente, a candidatura de Marina Silva, pois, com ela no poder, a responsabilidade pelo desastre econômico ficaria ao menos diluída. 
 
Depois que Marina foi destruída pela mais torpe campanha de calúnias e falácias já vista na política brasileira, incentivei o Volta Lula!, pois ele, com todos os defeitos, ainda seria capaz de amenizar um pouco a devastação que se prenunciava. Mas, os petistas vacilaram miseravelmente, encaminhando-nos para a perda total.
 
Mal assumiu, Dilma jogou as promessas de campanha no lixo e empossou o neoliberal Joaquim Levy como ministro da Fazenda. Imediatamente lembrei que estava repetindo o erro de João Goulart, cujas tentativas de adotar a política econômica do inimigo sempre foram inviabilizadas pelo fogo amigo do Brizola e do PCB, lançando o país na confusão e preparando o terreno para a intervenção militar. Dito e feito, Dilma também acabaria sendo derrubada, desta vez não pelos tanques, mas por um peteleco parlamentar.

Tão logo a Câmara Federal aprovou a abertura do processo de impeachment, escrevi que a batalha no Congresso já estava perdida e o único contra-ataque com alguma possibilidade de êxito seria sua imediata renúncia, seguida pelo lançamento de uma nova campanha por diretas-já, unindo toda a esquerda. Mas, Dilma, sempre berrando que não iria cair, marchou de derrota em derrota até o mais amargo fim.

Fiz esta introdução porque novamente há um cenário horroroso se desenhando no horizonte e a esquerda está fazendo tudo errado mais uma vez.
 
Ao invés de depurar-se e reciclar-se como é inescapável após fiascos tão acachapantes como o de 2016, continua apostando no populismo, ao lançar uma campanha sebastianista pela candidatura de Lula que é simplesmente asnática: a direita, por via judicial, o fulminará quando bem entender.
 
E não percebe que, se o confronto for entre o populismo decadente do Lula e o populismo ascendente de Jair Bolsonaro, afinado com o espírito da era Trump, é o segundo que prevalecerá.
 
As lambanças do PT já levaram a direita ao poder. Se persistirem, acabarão conduzindo um fascista explícito ao Palácio do Planalto, enquanto quatro centenas de signatários de um manifesto altamente inoportuno ficarão tentando justificar sua estreiteza de visão política.
 
Eis os trechos principais de um artigo do Vladimir Safatle que dá uma boa noção do inimigo que temos pela frente:

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UM FASCISTA MORA AO LADO
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Por Vladimir Safatle
…poderíamos dizer que todo fascismo tem ao menos três características fundamentais.
 
Primeiro, ele é um culto explícito da ordem baseada na violência de Estado e em práticas autoritárias de governo. 
 
Segundo, ele permite a circulação desimpedida do desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados. O ocupante desses grupos pode variar de acordo com situações históricas específicas. Já foram os judeus, mas podem também ser os homossexuais, os árabes, os índios, entre tantos outros. 
 
Por fim, ele procura constituir coesão social através de um uso paranoico do nacionalismo, da defesa da fronteira, do território e da identidade a eixo fundamental do embate político.
 
Neste sentido, não seria difícil demonstrar todo o fascismo ordinário do sr. Bolsonaro. Sua adesão à ditadura militar é notória, a ponto de saudar e prestar homenagens a torturadores. Não deixa de ser sintomático que pessoas capazes de se dizerem profundamente indignadas contra a corrupção reinante afirmem votar em alguém que louva um regime criminoso e corrupto como a ditadura militar brasileira (vide casos Capemi, Coroa-Brastel, Paulipetro, Jari, entre tantos outros).
 
Bem, quem começa tirando selfie com a Polícia Militar em manifestações só poderia terminar abraçando toda forma de violência de Estado.
 
Por outro lado, sua luta incansável contra a constituição de políticas de direito, reparação e conscientização da violência contra grupos vulneráveis expressa o desprezo que parte da população brasileira sempre cultivou, mas que agora se sente autorizada a expressar.
 
Por fim, o primarismo de um nacionalismo que expressa o simples culto do direito secular de mando, algo bem expresso no slogan devolva o meu país, fecha o círculo.
 
Ora, o fato significativo é que a maioria da classe média brasileira, com sua semi-formação característica, assumiu de forma explícita uma perspectiva simplesmente fascista.
 
Ela operou um desrecalque, já que até então se permitia representar por candidatos conservadores mais tradicionais. Essa escolha é resultado de uma reação à desordem e à abertura produzida pela revolta de 2013.
 
Todo evento real produz um sujeito reativo, sujeito que, diante das possibilidades abertas por processos impredicados, procura o retorno de alguma forma de ordem segura capaz de colocar todos nos seus devidos lugares. Nesse contexto, a última coisa a fazer é acreditar que devamos dialogar com tal setor da população.
Faz parte de um iluminismo pueril a crença de que o outro não pensa como eu porque ele não compreendeu bem a cadeia de argumentos. Logo, se eu explicar de forma pausada e lenta, você acabará concordando comigo.
 
Bem, nada mais equivocado. O que nos diferencia é a adesão a forma de vida radicalmente diferentes. Quem quer um fascista não fez essa escolha porque compreendeu mal a cadeia de argumentos. Ele o escolheu porque adere a formas de vida e afetos típicos desse horizonte político. Não é argumentando que se modifica algo, mas desativando os afetos que sustentam tais escolhas.
 
De toda forma, há de se nomear claramente o caminho que parte significativa dos eleitores tomou. Essa radicalização não desaparecerá, mas é embalada pelo espírito do tempo e suas regressões. Na verdade, ela se aprofundará. Contra ela, só existe o combate sem trégua
 
Celso Lungaretti, jornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Náufrago da Utopia (Geração Editorial). Tem um ativo blog com esse mesmo título.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

 

Donald Trump apoia novo plano de saúde da Câmara

A proposta irá desmantelar a lei de saúde pública de 2010 do ex-presidente democrata Barack Obama, anulando a penalidade para os norte-americanos sem plano médico

Por Redação, com Reuters – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoiou nesta terça-feira o esboço de uma proposta dos republicanos para substituir o sistema de saúde de seu antecessor, conhecido como Obamacare, que foi revelada na véspera, dizendo que a legislação proposta está “disponível para análise e negociação”.

Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump

Em um tuíte publicado nesta manhã, Trump descreveu o projeto de lei apresentado por seus correligionários na Câmara dos Deputados como “nosso novo maravilhoso projeto de lei para o sistema de saúde”.

A proposta irá desmantelar a lei de saúde pública de 2010 do ex-presidente democrata Barack Obama, anulando a penalidade para os norte-americanos sem plano médico e cortando um financiamento adicional para os pobres.

A medida logo foi criticada pelos democratas.

Obamacare

Embora o Obamacare seja um alvo em comum dos republicanos há tempos. A proposta também foi recebida com ceticismos por alguns membros do partido. Preocupados com os créditos fiscais da nova lei para a compra de planos de saúde. E com as mudanças na cobertura do Medicaid, o programa de saúde governamental voltado para os pobres.

A proposta precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados, que tem maioria republicana. E pelo Senado, onde enfrenta mais exigências para sua aprovação. O que torna seu futuro incerto.

FBI pressiona governo a desmentir Donald Trump

Agência põe Departamento de Justiça, do qual depende, em rota de colisão com o presidente, que acusa, sem provas, gestão Obama de ter grampeado seu telefone. Denúncia causa mal-estar institucional em Washington

Por Redação, com DW – de Washington:

Após o presidente Donald Trump pedir ao Congresso norte-americano uma investigação sobre supostas escutas telefônicas em suas conversas durante a campanha eleitoral, o FBI pediu no domingo ao Departamento de Justiça, ministério do qual depende, que rejeite a denúncia.

No fim de semana, Trump acusou seu antecessor, Barack Obama, de ter ordenado a interceptação de suas conversas telefônicas
No fim de semana, Trump acusou seu antecessor, Barack Obama, de ter ordenado a interceptação de suas conversas telefônicas

No fim de semana, Trump acusou seu antecessor, Barack Obama, de ter ordenado a interceptação de suas conversas telefônicas na Trump Tower, em Nova York. Antes das eleições de novembro. O ex-presidente negou a acusação.

Ao pedir que o Departamento de Justiça rejeite a acusação de Trump. O diretor do FBI, James Comey, questionou a veracidade das declarações do presidente, que não apresentou provas sobre as supostas interceptações telefônicas.

A solicitação de Comey está sendo encarada pela imprensa norte-americana como rara: ela coloca a maior autoridade de Justiça do governo na posição de questionar a honestidade de uma declaração do presidente.

Segundo o jornal New York Times, citando autoridades do governo. Comey alegou que “não há provas para sustentar (a denúncia) e insinuar que o FBI desobedeceu a lei”. O FBI mantém silêncio sobre o assunto.

Relatórios

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, citou apenas a existência de relatórios sobre “investigações de motivação política”. Ao comentar o pedido do presidente para que o Congresso abrisse uma investigação sobre o caso. Sarah Sanders, porta-voz de Trump, afirmou que, se confirmada a denúncia, este seria o “maior caso de abuso de poder já ocorrido por parte do Executivo”.    

Em declaração no Twitter, Trump chegou a comparar o episódio com o escândalo de Watergate nos anos 1960. Quando o ex-presidente Richard Nixon ordenou a interceptação de conversas telefônicas de adversários políticos.                                               

O diretor de inteligência do governo Obama, James Clapper, também refutou a denúncia de Trump. Ao afirmar que “não houve atividade de interceptação telefônica contra o presidente enquanto candidato ou contra a sua campanha”.

Até o momento, o Departamento de Justiça não fez nenhuma declaração sobre o assunto.

As acusações geraram um novo imbróglio no agitado primeiro mês e meio do governo Trump. Dias antes, o procurador-geral, Jeff Sessions, que chefia o Departamento de Justiça, se afastou do caso sobre ingerência russa nas eleições depois que foi confirmado que ele tinha se reunido no ano passado com o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak

Donald Trump deve assinar novo decreto sobre imigrações

O presidente norte-americano argumenta que a medida tem o objetivo de proteger seus compatriotas dos terroristas e afirma ter confiança em uma vitória nos tribunais

Por Redação, com Télam – de Washington:

O governo dos Estados Unidos deve promulgar nesta segunda-feira um novo decreto sobre a proibição a pessoas de sete países para viajarem aos Estados Unidos. A informação é da Agência Télam.

O presidente norte-americano argumenta que a medida tem o objetivo de proteger seus compatriotas dos terroristas
O presidente norte-americano argumenta que a medida tem o objetivo de proteger seus compatriotas dos terroristas

Os países afetados pela medida são Irã, Iraque, Somália, Sudão, Síria e Iêmen. Segundo informou no sábado o jornal The Washington Post. A expectativa é de que a lei seja uma nova versão da proibição decretada em janeiro, cuja aplicação foi freada pelos tribunais.

Novo decreto

Trump redesenhou e definiu melhor o novo decreto, segundo fontes do governo. O presidente norte-americano argumenta que a medida tem o objetivo de proteger seus compatriotas dos terroristas. Ele afirma ter confiança em uma vitória nos tribunais.

Sábado, Trump se reuniu em sua residência na Flórida com integrantes do seu gabinete. Como o secretário de Segurança Nacional, o general da reserva John Kelly, seu estrategista-chefe Stephen Bannon e o fiscal geral Jeff Sessions.

Donald Trump culpa Obama por vazamentos de informação

Presidente afirma que funcionários ligados ao antecessor estão por trás dos vazamentos para a imprensa e também de protestos contra legisladores republicanos e faz autocrítica sobre comunicação da Casa Branca

Por Redação, com DW – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que seu antecessor, Barack Obama, está por trás dos vazamentos de informações e dos protestos contra legisladores norte-americanos e reconheceu erros na comunicação de sua política migratória.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Em entrevista à emissora Fox News. Trump se referiu aos protestos regionais contra legisladores republicanos e aos vazamentos de informações sobre sua equipe de governo. “Acredito que o presidente Obama está por trás deles porque gente dele certamente está por trás deles. Também entendo que isso seja política.”

Trump afirmou que tem “alguma ideia” sobre quem estaria vazando informações à imprensa sobre o funcionamento da Casa Branca e de agências do governo e reiterou que ainda há “gente de outros governos, de outras administrações” no quadro de funcionários.

Ele também se referiu a uma informação do site Politico, que assegurou que o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. Recolheu os telefones de funcionários para confirmar que os vazamentos não vinham de seu departamento. “Sean é um bom ser humano. Eu teria feito isso de outra maneira, mas Sean fez do seu jeito e está ok para mim”, disse.

Dados

O presidente, que acabou de completar um mês no cargo, deu a si mesmo nota “C ou C+” em comunicação. “Em termos do que fizemos, acho que daria a mim mesmo um A. Porque acho que fizemos grandes coisas. Mas eu não acho que eu tenha – eu e minha equipe – explicado isso bem para o público norte-americano”, disse Trump na entrevista, gravada nesta segunda-feira.

Nesta terça-feira, Trump apresentará seus planos para o próximo ano num discurso ao Congresso depois de um início de governo agitado, marcado pela demissão do seu assessor de segurança nacional e um polêmico decreto que proibia a entrada nos Estados Unidos de pessoas de sete países de maioria muçulmana.

Entre as medidas a serem anunciadas pelo presidente está uma revisão das despesas com saúde e um incremento de US$ 54 bilhões nos gastos militares, o equivalente a cerca de 10% do valor atual.

Campanha de Donald Trump manteve contatos frequentes com russos

“New York Times” revela que consultas com inteligência da Rússia eram frequentes durante o ano que antecedeu a vitória eleitoral do republicano. Ligações coincidem com momento em que magnata começou a elogiar Putin

Por Redação, com DW – de Washington:

Membros da campanha eleitoral do presidente Donald Trump mantiveram contatos frequentes com altos funcionários da inteligência russa ao longo do ano que antecedeu a eleição norte-americana, revela em reportagem na terça-feira o jornal The New York Times.

Os contatos ocorreram na mesma época em que Trump (esq.) elogiava publicamente o presidente russo, Vladimir Putin
Os contatos ocorreram na mesma época em que Trump (esq.) elogiava publicamente o presidente russo, Vladimir Putin

A revelação, feita com base em registros telefônicos e em ligações  interceptadas. Chega ao público um dia após a renúncia do assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, que mentiu à Casa Branca sobre conversas que manteve com o embaixador russo em Washington.

O NYT diz que, segundo quatro fontes familiarizadas com as investigações. As comunicações entre a Rússia e a campanha de Trump foram interceptadas em atividades de rotina dos serviços de inteligência que monitoram cidadãos e autoridades russas conhecidas das agências norte-americanas

Segundo o jornal, agências de segurança e inteligência interceptaram as comunicações na mesma época em que descobriram provas de que a Rússia tentava sabotar as eleições presidenciais através de ciberataques ao Comitê Nacional do Partido Democrata.

Antes da posse do novo governo. O então presidente Barack Obama foi informado das comunicações. Entre supostos membros da inteligência russa e membros da campanha e funcionários das empresas Trump.

Ligações

As agências norte-americanas ficaram alarmadas com a quantidade de contatos. Ocorridos na mesma época em que Trump se pronunciava favoravelmente ao presidente russo, Vladimir Putin. O conteúdo das ligações, porém, não foi revelado pela reportagem.

As conversas gravadas não têm associação com os telefonemas de Flynn. Nos quais ele teria discutido com o embaixador russo as sanções impostas pelo governo Obama em reação à suposta interferência russa nas eleições.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. Ele afirmou na terça-feira que o presidente sabia há semanas que Flynn tinha mentido para o governo. Especialmente para o vice-presidente Mike Pence, mas não tomou nenhuma atitude imediatamente.

Investigação independente

Enquanto aumentam os pedidos por uma investigação independente sobre a controvérsia envolvendo Michael Flynn, a Casa Branca. Informou que semanas de investigações internas não haviam encontrado evidências de má conduta. Mas que o episódio acabou comprometendo a confiança nele, motivo pelo qual o governo pediu sua renúncia.

Inicialmente, o governo tentou dar a impressão de que a decisão de remover Flynn se baseava no fato de que ele tinha mentido para o vice-presidente. No dia seguinte, porém, foi revelado que Pence, que havia publicamente defendido Flynn, foi informado sobre a situação apenas na última quinta-feira.

Republicanos e democratas no Congresso pedem que o caso seja investigado. Ainda que haja divergências sobre o alcance das investigações. Os democratas insistem que o presidente deve prestar esclarecimentos. Enquanto os republicanos querem manter o foco em Flynn.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, afirmou ser “altamente provável” que o ex-assessor tenha que testemunhar perante um comitê de inteligência do Congresso.

Assessor de Donald Trump renuncia após mentir sobre Rússia

Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional, negou às autoridades em Washington ter conversado com embaixador russo sobre sanções. Conversas, porém, haviam sido interceptadas pelo FBI

Por Redação, com DW – de Washington:

Michael Flynn, assessor de Segurança Nacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renunciou ao cargo na noite anteriro em meio a controvérsias sobre telefonemas com autoridades russas, cujo conteúdo ele teria omitido das autoridades em Washington.

Donald Trump e Miachel Flynn (ao fundo): assessor mentiu ao vice Mike Pence
Donald Trump e Miachel Flynn (ao fundo): assessor mentiu ao vice Mike Pence

Nos telefonemas, interceptados pelo FBI (a polícia federal norte-americana) antes da posse do novo governo em janeiro. Flynn mencionou as sanções impostas pelo ex-presidente Barack Obama contra Moscou em reação a uma suposta interferência russa nas eleições norte-americanas.

– Infelizmente, pelo andamento rápido dos acontecimentos, informei inadvertidamente o vice-presidente (Mike Pence). E outros com informações incompletas sobre meus telefonemas com o embaixador russo – afirmou Flynn em sua carta de renúncia.

O ex-assessor mentiu para o vice-presidente e outras autoridades norte-americanas. Ao afirmar que não havia conversado com o embaixador russo, Sergey Kislyak, sobre as sanções. A atitude de Flynn fez com que Pence negasse à imprensa que tais contatos tivessem ocorrido.

Sanções contra o Kremlin

Uma reportagem publicada pelo jornal Washington Post na semana passada afirmava que Flynn discutiu com Kislyak a remoção das sanções contra o Kremlin no dia 29 de dezembro. No mesmo dia em que Obama as lançou.

Transcrições das conversas interceptadas mostravam que o ex-assessor tinha, de fato, conversado sobre as sanções. Flynn sustenta que esse tipo de conversa é “prática comum, em qualquer transição dessa magnitude”. E que visavam “facilitar uma transição suave e começar a construir uma relação necessária entre o presidente, seus assessores e líderes estrangeiros”.

A então procuradora-geral dos EUA Sally Yates afirmou que Flynn poderia ter se colocado em posição vulnerável. Possivelmente, se tornar alvo de chantagens em razão dos telefonemas. Mais tarde. Yates seria demitida do cargo por sua oposição à proibição da entrada pessoas vindas de países majoritariamente muçulmanos nos EUA.

Antes mesmo da posse do novo governo. Flynn já havia se envolvido em controvérsias ao utilizar as redes sociais. Para propagar noticias falsas sobre a candidata democrata e adversária de Trump na corrida pela Casa Branca, Hillary Clinton. Divulgadas por portais de Internet de extrema direita. 

Após aceitar a renúncia de Flynn, o presidente norte-americano nomeou o tenente-general reformado Joseph Keith Kellogg, um militar de carreira com diversas condecorações, como assessor de segurança nacional interino.

Donald Trump acusa mídia de subnoticiar atentados

Presidente volta a atacar imprensa e afirma que ela deu pouca atenção a ataques como o de Paris e Nice, ambos largamente noticiados. Casa Branca compila lista de 78 atentados para embasar acusação

Por Redação, com DW – de Washington:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar a mídia, acusando-a de dar pouca atenção a alguns ataques perpetrados por “terroristas islâmicos radicais”.

Trump: "Terroristas islâmicos radicais estão determinados a atacar nosso país"
Trump: “Terroristas islâmicos radicais estão determinados a atacar nosso país”

– O ‘Estado Islâmico’ (EI) está envolvido numa campanha de genocídio, cometendo atrocidades mundo afora. Terroristas islâmicos radicais estão determinados a atacar nosso país – disse Trump, em visita ao Comando Central dos EUA em Tampa, na Flórida.

– Vocês viram o que aconteceu em Paris e Nice. Está acontecendo em toda a Europa. Chegou a um ponto que nem mesmo é noticiado – afirmou o magnata, sem fornecer provas. “Em muitos casos, a imprensa muito, muito desonesta não quer abordar o assunto. Eles têm as suas razões.”

Após as declarações do presidente, a Casa Branca divulgou uma lista de 78 ataques terroristas supostamente subnoticiados. O documento, ao qual veículos como Washington Post e The Guardiantiveram acesso, inclui a cidade, o mês, o ano, o alvo e o autor dos ataques, perpetrados entre setembro de 2014 e dezembro de 2016.

Terrorismo

Além do ataque executado com um caminhão numa feira natalina em Berlim, em dezembro de 2016. A lista inclui o atentado com um caminhão em Nice, na França, em julho passado. O ataque a uma boate gay em Orlando, em junho; e os ataques de novembro de 2015 em Paris. Entre outros atentados que foram largamente noticiados pela mídia internacional.

Segundo o Washington Post, na sequência das afirmações de Trump, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que o presidente acredita que os atentados são “subnoticiados”, e não ignorados completamente pela mídia.

Republicanos criticam Donald Trump após declarações sobre Putin

 

Membros do próprio partido se distanciam do presidente norte-americano após comentários sobre o líder russo. Em entrevista, magnata respondeu a argumento de que Putin é um “assassino” afirmando que EUA não são “tão inocentes”

Por Redação, com DW  – de Washington:

Os mais recentes comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o presidente russo, Vladimir Putin, levaram alguns nomes do partido Republicano a se distanciarem do magnata. Democratas também lançaram críticas ao líder.

Trump (esq.) afirmou que é melhor que os EUA se entendam com Putin e a Rússia
Trump (esq.) afirmou que é melhor que os EUA se entendam com Putin e a Rússia

Em entrevista concedida por Trump à emissora Fox News no domingo, o jornalista Bill O’Reilly argumentou que o presidente russo é um “assassino”, sem especificar quem teria sido morto. Durante o governo Putin, uma série de jornalistas e opositores foram assassinados.

“Há muitos assassinos. Nós temos muitos assassinos. O que você acha: que nosso país é tão inocente?”, respondeu Trump.

O apresentador disse, então, não conhecer líderes do governo norte-americano que sejam assassinos. E Trump rebateu, referindo-se à guerra do Iraque: “Dê uma olhada no que também fizemos. Cometemos muitos erros.”

“Ele [Putin] é líder de seu país. E digo que é melhor nos entendermos com a Rússia. E se a Rússia nos ajudar na luta contra o ‘Estados Islâmico’ (EI) e contra o terrorismo islâmico em todo o mundo, isso é algo bom”, disse Trump na entrevista. “Vou me entender com ele? Não faço ideia.”

Senadores e Kremlin reagem

Em reação às declarações de Trump, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, criticou ações de Putin, lembrando que o presidente russo foi agente da KGB – o notório serviço secreto da era soviética –, chamando-o de “bandido” e questionando a maneira como ele foi eleito.

– Os russos anexaram a Crimeia, invadiram a Ucrânia e interferiram na nossa eleição – disse. “E não acho que haja uma equivalência entre a maneira que os russos conduzem seu país e a maneira como os Estados Unidos o faz.”

O senador republicano Ben Sasse, crítico de Trump, se manifestou na mesma linha. “Não há equivalência moral entre os EUA, a maior nação livre da história mundial, e os bandidos assassinos que defendem o clientelismo de Putin.” 

EUA e Rússia

O democrata Michael McFaul, que foi embaixador dos EUA na Rússia e conselheiro do ex-presidente Barack Obama, também se manifestou. “Essa equivalência moral que Trump continua traçando entre os EUA e a Rússia é repugnante e imprecisa”, disse.

Nesta segunda-feira, o governo russo exigiu um pedido de desculpas da Fox News pelos comentários de O’Reilly.  “Consideramos tais palavras da Fox TV inaceitáveis e insultantes”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Já na campanha eleitoral, Trump elogiou Putin e sinalizou querer melhorar as relações com a Rússia. O magnata continuou defendendo o colega russo mesmo após as agencias de inteligência norte-americanas denunciarem a interferência de Moscou na eleição presidencial dos EUA em favor do republicano.