Produção da indústria desaba mais uma vez, constata IBGE

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Em 12 meses, a produção da indústria recua 5,4%. Segundo o IBGE, o ritmo de queda tem se reduzido desde junho do ano passado, quando a taxa anualizada foi de -9,7%

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Com destaque para a queda de 10,7% no setor de veículos automotores, interrompendo dois meses de alta, a produção industrial brasileira variou -0,1% de dezembro para janeiro, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 24 ramos pesquisados, 12 tiveram taxa negativa e 12, positiva. Na comparação com janeiro do ano passado, a atividade cresceu 1,4%, após 34 meses seguidos de retração.

Em 12 meses, a produção recua 5,4%. Segundo o IBGE, o ritmo de queda tem se reduzido desde junho do ano passado, quando a taxa anualizada foi de -9,7%.

Indústria
O desempenho da indústria no país volta a decepcionar, em meio à pior crise econômica da história brasileira

Ainda entre dezembro e janeiro, caíram atividades de segmento como equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,5%), máquinas e equipamentos (-4,9%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,0%) e produtos de borracha e de material plástico (-3,8%). Todas os segmentos haviam registrado taxa positiva em dezembro.

Indústria extrativa

Entre os que tiveram crescimento, estão coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (21,6%), produtos alimentícios (1,2%), de bebidas (5,5%),  indústrias extrativas (1,1%)e metalurgia (1,8%).

Na comparação com janeiro de 2016 (com dois dias úteis a menos), o IBGE apurou resultado positivo nas quatro categorias econômicas, 16 dos 26 ramos, 47 dos 79 grupos e 52,8% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, a principal influência positiva veio de indústrias extrativas (12,5%), “impulsionada, em grande parte, pelos itens minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural”.

Outras contribuições consideradas relevantes vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (5,2%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (18%), celulose, papel e produtos de papel (6,9%) e produtos alimentícios (1,6%). Das 10 atividades que tiveram retração, a principal influência veio de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-11,1%), “pressionada, em grande parte, pelo item óleo diesel”. O instituto destaca ainda quedas em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,6%), de máquinas e equipamentos (-4,9%), produtos de metal (-6,2%) e outros equipamentos de transporte (-9,4%).

Petróleo

Dados do IBGE mostraram que a categoria de Bens Intermediários apresentou alta de 0,7% na comparação mensal e 0,8% na anual. Os Bens de Consumo subiram 0,3 e 2,3%, respectivamente.

O grupo Bens de Capital, uma medida de investimento, mostrou contração de 4,1% em janeiro sobre dezembro. Mas subiu 3,3% na comparação com um ano antes.

O IBGE informou, ainda, que dos 24 ramos pesquisados, 12 apresentaram taxas negativas em janeiro na comparação mensal. Com destaque para o recuo de 10,7% em veículos automotores, reboques e carrocerias.

Na outra ponta, a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 4,0%. E a de produtos farmoquímicos e farmacêuticos teve alta de 21,6%.

— A indústria dá sinais de estabilização, talvez esteja parando de cair. Em momentos de transição, temos uma dinâmica (de resultados) mais heterogênea — avaliou o economista-sênior do banco Haitong Flávio Serrano. Ele destaca a recuperação na produção de petróleo em janeiro.

Crescimento

Depois de sofrer com a recessão e fraqueza da confiança, indicadores sobre o setor apontavam melhora este ano. Em fevereiro, a contração da indústria perdeu força segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

A confiança apurada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou com força em janeiro. Voltou a cair no mês seguinte, porém num movimento de acomodação. A FGV não descarta nova melhora, diante de sinais mais favoráveis da economia como a queda dos juros.

— Olhando à frente, esperamos que o setor industrial comece a se beneficiar gradativamente da estabilização da economia. Dos juros mais baixos e da reversão do ciclo de estoques — disse o diretor do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

Os economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central também apontam melhora neste ano. Fazem uma projeção de crescimento de 1,09% da produção industrial, chegando a 2,19% em 2018.

Retração na colheita de soja reduz fluxo de navios

A colheita de soja, nos Estados do Sul do país, foi redimensionada pela agência

O ritmo de embarques do Brasil é fator considerado no mercado internacional, uma vez que o país é o maior exportador global de soja

 
Por Redação, com Reuters – de São Paulo

 

A escala de navios previstos para embarcar soja nos portos brasileiros em março e no início de abril está 41% abaixo do registrado um ano atrás, apesar de uma safra recorde sendo colhida no país, em decorrência da retração dos produtores em venderem suas colheitas.

A colheita de soja, nos Estados do Sul do país, foi redimensionada pela agência
A colheita de soja, nos Estados do Sul do país, foi redimensionada pela agência

Levantamento da agência inglesa de notícias Reuters com dados da agência marítima Williams mostra que há no momento navios escalados para embarques de 6,26 milhões de toneladas de soja, ante 10,64 milhões de toneladas da escala de 12 meses atrás.

O ritmo de embarques do Brasil é fator considerado no mercado internacional, uma vez que o país é o maior exportador global de soja. Analistas disseram que um dos principais motivos para o atual “line-up” de navios é a baixa comercialização por parte dos agricultores. Eles têm reclamado dos baixos preços do grão em meio a uma valorização do real ante o dólar e a valores pouco atrativos no mercado internacional. Isso afeta a formação das cotações na moeda brasileira – no porto de Paranaguá (PR), estão em níveis registrados em 2015, em termos reais.

Volume recorde

As vendas de produtores da safra 2016/17 atingem 45% do total, ante 54% neste mesmo estágio da safra 2015/16 e 50% da média histórica, segundo levantamento mais recente da consultoria França Júnior.

— As tradings não estão conseguindo originar direito e, com isso, estão evitando fazer novas nomeações (de navios) no escuro — disse o analista Flávio França Júnior.

Além disso, o Brasil realizou fortes embarques nos dois primeiros meses do ano, com a ajuda de uma largada rápida da colheita da oleaginosa.

— Isso (retração das vendas de produtores) pesa bastante… mas olhe janeiro e fevereiro, adiantamos já uma parte (dos embarques — disse o analista de inteligência de mercado de uma trading estrangeira, que pediu anonimato.

As exportações de soja do Brasil atingiram um volume recorde para o mês de fevereiro de 3,51 milhões de toneladas, alta de 72% ante o mesmo mês de 2016 e quase quatro vezes superior aos embarques de janeiro, informou na última quinta-feira a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Com exportações acumuladas nos dois primeiros meses do ano de 4,4 milhões de toneladas, o Brasil registra o início de temporada de embarques de soja mais acelerado desde que os registros da Secex começaram, em 2006.

Meta frustrada

Operadores ouvidos pela Reuters no fim de fevereiro disseram que muitas empresas estão com dificuldade de obter todos os volumes necessários para completar os navios com os quais já se comprometeram. Nesse casos, oferecem valores mais elevados para adquirir as cargas, algumas vezes com prejuízos.

— Pedidos adicionais você acaba não atendendo ou deslocando para outras origens (outros países) — disse, na ocasião, um executivo de uma outra trading.

Todos esses percalços ocorrem em meio a uma colheita recorde no Brasil.

Segundo a Abiove, associação que reúne as grandes empresas processadoras e exportadoras de soja no país, a safra 2016/17 deverá atingir um recorde de 104,6 milhões de toneladas, com exportações recordes de 58,7 milhões de toneladas de soja em 2017, ante 51,58 milhões em 2016.

Carga de soja

Os trabalhos de colheita no país já alcançam 45% da área total, ante 38% da média histórica. Contudo, o calendário de plantio permitiria que 60% da safra já estivesse disponível no mercado, caso não fossem registrados atrasos pelas chuvas. Essa espécie de frustração do ritmo de oferta, segundo França Junior, também seria um fator a pressionar os compromissos firmados pelas tradings, que se traduzem na escala de navios nomeados nos portos.

Os dados da Williams mostram também que a escala total de embarques de grãos, incluindo soja em grão, farelo de soja e milho, apresenta agora 13,4 milhões de toneladas, metade do volume previsto 12 meses atrás.

Além da soja, a queda é influenciada pelos embarques de milho, que ainda eram fortes neste estágio do ano passado (previsão de 1,3 milhão de toneladas) e que agora são nulos, em meio a um aperto da oferta no mercado brasileiro.

Indústria nacional mergulha na depressão econômica

indústria

A queda da confiança da indústria em fevereiro ante janeiro segue-se a uma alta expressiva, retratando um movimento de acomodação. Após avançar além do que os fundamentos da economia sugeriam, o índice reflete agora a depressão econômica em curso no país

 

Por Redação – de São Paulo

 

Mais um indicador de que a crise segue no setor industrial nacional. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas recuou 1,2 ponto em fevereiro, para 87,8 pontos, ante janeiro, feito o ajuste sazonal, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Houve piora tanto das expectativas quanto da avaliação sobre a situação atual.

Produção industrial
Os dados fazem parte da sobre o nível de confiança da indústria na economia brasileira

A queda do ICI em fevereiro ante janeiro segue-se a uma alta expressiva do índice, retratando um movimento de acomodação. Após avançar além do que os fundamentos da economia sugeriam entre abril e setembro do ano passado, o índice encontra-se agora em patamar mais realista.

— O cenário econômico, que inclui notícias favoráveis à atividade como a queda de juros e injeção de recursos das contas inativas do FGTS, pode levar a novos ganhos de confiança na indústria, caso o ambiente político não se deteriore nos próximos meses — afirmou a jornalistas Aloisio Campelo Junior, superintendente de estatísticas públicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

Os níveis de ociosidade da indústria também aumentaram em fevereiro. A utilização da capacidade instalada (Nuci) diminuiu 0,3 ponto percentual, para 74,3%, na série com ajuste sazonal. A sondagem colheu informações de 1.084 empresas.

Juros em queda

A pesquisa da FGV também não teve tempo hábil para captar a perspectiva de redução para a taxa básica de juros no final deste ano. É o que mostra a pesquisa Focus divulgada nesta quarta-feira pelo Banco Central (BC), com projeção mais baixa para a inflação.

Os economistas consultados reduziram a conta para a Selic a 9,25% no final deste ano, de 9,5% no levantamento anterior. Isso, depois que o BC reduziu a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual novamente, para os atuais 12,25%.

Os dados do levantamento mostram que a expectativa é de novos corte de 0,75 ponto percentual nas reuniões de abril junho do BC. Seguidos de duas reduções de 0,50 ponto e de outras duas de 0,25. Para o fim de 2018 permanece a projeção de Selic a 9,0%.

Entretanto, o grupo que reúne as instituições que mais acertam as projeções no médio prazo, o Top-5, continua vendo a taxa básica de juros a 9,5% ao final de 2017. Mas para o ano que vem a estimativa foi reduzida a 9,25%, de 9,38% antes na mediana das projeções.

Meta de inflação

Os especialistas aguardam agora a divulgação da ata da última reunião do BC. Ela será divulgada na quinta-feira e tende a calibrar as apostas.

Com o afrouxamento monetário, as expectativas de inflação permanecem em declínio. E os especialistas veem agora uma alta do IPCA de 4,36% este ano, 0,07 ponto percentual a menos do que no levantamento anterior.

A projeção para 2018 continua sendo de um avanço de 4,5%. Para ambos os anos a meta de inflação é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA-15 subiu 0,54% em fevereiro, mas no acumulado em 12 meses atingiu 5,02%, menor nível desde junho de 2012.

Banco Central proíbe cobrança dos juros de mercado em conta vencida

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Atualmente, os bancos podem cobrar juros de mora (punitivos) e remuneratórios. No caso dos juros remuneratórios, cobrados por dia de atraso, os bancos podem fixar a taxa com base naquelas definidas na ocasião da assinatura do contrato

 
Por Redação – de Brasília

 

O Diário Oficial da União publicou, nesta quarta-feira, a íntegra da resolução que oficializa decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciada na última quinta-feira. A resolução do Banco Central (BC), que entra em vigor em 1° de setembro, estabelece que as instituições financeiras não poderão mais cobrar taxas de juros de mercado dos clientes, no caso de atraso nos pagamentos.

juros
A cobrança de juros influi, diretamente, na composição do PIB

Atualmente, os bancos podem cobrar juros de mora (punitivos) e remuneratórios. No caso dos juros remuneratórios, cobrados por dia de atraso, os bancos podem fixar a taxa com base naquelas definidas na ocasião da assinatura do contrato ou de acordo com as taxas vigentes de mercado.

Com a decisão do CMN, os bancos podem cobrar os juros de mora, e, no caso dos juros remuneratórios, a mesma taxa pactuada no contrato para o período de adimplência da operação. Segundo a publicação no Diário Oficial, “é vedada a cobrança de quaisquer outros valores além dos encargos previstos nesta resolução”.

Ao anunciar a medida, o BC destacou que ela traz mais uniformidade às operações de crédito e torna as regras mais claras para os clientes. No atual momento de queda da taxa Selic, no entanto, ela não significa cobrança menor, já que as taxas de mercado (dos novos contratos) podem estar mais baixas do que os juros fixados no momento de assinatura dos contratos.

Bancos abertos

Para elucidar estas e outras questões sobre a cobrança das taxas, os consumidores que tiverem assuntos a resolver pessoalmente em agências bancárias podem fazê-lo desde o meio-dia. Os bancos, que não funcionaram na segunda e terça-feiras de carnaval, reabrem nesta Quarta-feira de Cinzas, mas no período da tarde.

As contas de consumo que venceram durante o carnaval – como de água, energia e telefone, por exemplo – podem ser pagas sem o acréscimo.

Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destaca que, geralmente, os tributos já vêm com datas ajustadas ao calendário de feriados nacionais, estaduais e municipais. A entidade havia sugerido antecipar o pagamento nos casos em que a data não estivesse corrigida.

Lula propõe plano econômico de emergência para o Brasil pós-Temer

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia

 

Por Redação – de São Paulo

 

Diante do cenário de terra arrasada na economia brasileira, na crise que se ampliou após a cassação da presidenta Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou seus principais assessores para dar início a um plano econômico de emergência para 2018. Lula tem chances reais de voltar à Presidência da República, segundo todas as pesquisas de opinião divulgadas no último mês.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de opinião, começa a estruturar um plano emergencial para o país sair da crise

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia. O petista pretende, agora, subir o tom da oposição contra as políticas do presidente de facto, Michel Temer. Em seus planos, está o lançamento do “programa nacional de emergência”, para o país sair da crise.

O ponto central da plataforma para 2018, caso haja eleições e o PT volte ao poder, será redução do desemprego. O Brasil amarga cerca de 13 milhões de desempregados. Segundo Lula, o quadro não será revertido sem crédito para a produção e o aumento no consumo das famílias.

Entre as propostas que Lula defende para debelar a crise está a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego. Pretende, ainda, reajustar em 20% o Bolsa Família e conceder aumento real do salário mínimo. Propõe, ainda, a correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual.

Lula e o PT não defendem mais a volta da presidenta Dilma. Mas a realização de eleições diretas, no prazo constitucional. Entre os colaboradores do plano econômico estão os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento na gestão passada.

Juros bancários sobem apesar da queda sucessiva nas taxas do BC

Impacto do volume da dívida e do nível da taxa de juros

Em meados de janeiro, a autoridade cortou os juros básicos pela terceira vez consecutiva, a 13% ao ano, voltando a aplicar o mesmo nível de corte na quarta-feira, o que levou a Selic a 12,25% ao ano

 

Por Redação – de Brasília

 

Os juros médios e o spread bancário seguiram em trajetória de alta no primeiro mês do ano, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira, apesar da continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo BC e da estabilidade da inadimplência sobre dezembro.

contas públicas
Os gastos com os juros que incidem sobre a dívida tiveram uma leve redução

Em meados de janeiro, a autoridade cortou os juros básicos pela terceira vez consecutiva, a 13% ao ano, voltando a aplicar o mesmo nível de corte na quarta-feira, o que levou a Selic a 12,25% ao ano.

O movimento, contudo, não surtiu efeito no barateamento do crédito no mês passado. Considerando apenas o segmento de recursos livres, em que as taxas são definidas livremente pelas instituições financeiras, os juros médios foram a 52,8% em janeiro, sobre 51,6% em dezembro.

Spread aumenta

Já o spread, que mede a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final, subiu 2 pontos, a 41,7 pontos percentuais.

Isso ocorreu a despeito da inadimplência ter ficado estável sobre o mês anterior, a 5,7%.

O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, estimou que a liberação do saque de contas inativas do FGTS –medida anunciada pelo governo do presidente Michel Temer para impulsionar a atividade– promoverá diminuição do endividamento das famílias, impactando positivamente os índices de inadimplência e as taxas de spread no ano.

Em outra medida para redução do custo do crédito, o governo aprovou no fim de janeiro a instituição de um prazo máximo de 30 dias para uso do rotativo do cartão de crédito. De acordo com a norma, o saldo devedor não liquidado totalmente no vencimento da fatura do cartão só poderá ser financiada pelo rotativo até o vencimento da fatura seguinte.

Estoque menor

Os bancos terão até 3 de abril para implementar as medidas. No mês passado, entretanto, os juros do cartão de crédito seguiram em alta, ao patamar recorde de 486,8% ao ano no rotativo, ante 484,6% em dezembro.

A modalidade de crédito parcelado no cartão também sofreu um ajuste para cima, com juros médios de 161,9% ao ano, contra 153,8% em dezembro.

O estoque total de crédito no Brasil interrompeu dois meses de crescimento consecutivo, caindo 1,0% em janeiro sobre dezembro, a 3,074 trilhões de reais. Com isso, passou a responder por 48,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Após um recuo histórico de 3,5% em 2016, o BC estimou no ano passado que o saldo geral de financiamentos no país terá avanço de 2% em 2017, na esteira da modesta recuperação projetada para a economia.

Receita em queda

Embora o governo tenha celebrado a alta de 0,76% na receita em janeiro, isso se deve a fatores pontuais, como a alta nos royalties do petróleo.

Dados da Receita Federal mostram que, descontada a inflação, a arrecadação de R$ 131,8 bilhões é 0,75% menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado.

No caso da arrecadação da Receita Federal, a queda só não foi maior em razão do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que somaram receitas de R$ 37,3 bilhões no mês passado e tiveram um crescimento real de 3,56% na comparação com janeiro de 2016.

PIS/Cofins

Indicadores que influenciam diretamente na arrecadação federal, como a produção industrial e a venda de bens e serviços, apresentaram piora em janeiro na comparação com mesmo período do ano passado, destacou a Receita.

— O desemprego continua piorando, e isso se reflete sobre os tributos sobre a folha de pagamento e também sobre o consumo — observou Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita.

As receitas com PIS/Cofins, que tradicionalmente acompanham o comportamento do consumo, somaram R$ 25,8 bilhões, ou seja, uma queda de 5,7% na comparação com janeiro de 2016.

A arrecadação de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) também caiu para R$ 4,3 bilhões, queda real de 12,92%% ante o primeiro mês do ano passado.

Inflação em alta

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) subiu 0,08% em fevereiro após alta de 0,64% no mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira.
O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de energia elétrica e aluguel de imóveis.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,40% na terceira quadrissemana de fevereiro, desacelerando ante a alta de 0,49% na segunda quadrissemana do mês, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Perdas em série levam comércio a desconfiar da política

comércio

No comércio, na série com ajuste sazonal, o índice aumentou 1% em fevereiro deste ano na comparação com igual período de 2016, alcançando 95,5 pontos. Porém, o resultado, que ficou abaixo dos 100 pontos

 

Por Redação – de São Paulo

 

A confiança dos empresários do comércio subiu 18,6% em fevereiro deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado. Foi a oitava taxa positiva consecutiva nesta base de comparação, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

comércio
O Índice de Confiança do Comércio (Icom) voltou a subir nos últimos dias

Na série com ajuste sazonal, o índice aumentou 1% em fevereiro deste ano na comparação com igual período de 2016, alcançando 95,5 pontos. Porém, o resultado, que ficou abaixo dos 100 pontos, mostra que os comerciantes estão “atentos em relação às condições do mercado de trabalho e à restrição da renda das famílias”. “Apesar da redução do ritmo de queda nas vendas, os tomadores de decisão do varejo mantêm cautela diante de incertezas quanto à recuperação tanto deste mercado de trabalho como da restrição da renda”, diz a confederação.

Condições atuais

Em nota, a economista da CNC Izis Ferreira afirma que a melhora da confiança dos empresários do setor têm relação com as reformas e medidas de ajuste propostas pelo governo, e que estão em andamento no Congresso, mas também com a “queda das taxas dos juros e à redução da inflação, que propiciam um ambiente mais favorável aos investimentos e, desta forma, estimulando a confiança dos comerciantes”. 

Quanto às condições atuais da economia, a avaliação dos comerciantes melhorou 11,5% em fevereiro. Com isso, caiu a proporção de comerciantes que avaliam as condições econômicas atuais como piores. Em fevereiro, 79,4% dos varejistas fizeram essa avaliação, contra 81,4% no mês passado.

Expectativas 

Sobre o comportamento da economia no futuro, o otimismo do empresariado caiu pelo terceiro mês consecutivo, passando de 82,2% para 73,8% de dezembro para fevereiro. Em janeiro, este percentual era 75,5%.

Para a economista Izis Ferreira, a queda indica que o comércio  não acredita na retomada das vendas no curto prazo. “A retração das expectativas mostra que no curto prazo os comerciantes ainda não enxergam retomada das vendas, principalmente por conta da manutenção das condições do mercado de trabalho e da restrição da renda das famílias”.

A CNC ouviu cerca de 6 mil empresas em todas as capitas do país. Os índices são apurados mensalmente e variam em uma escala de zero a 200 pontos.

Dólar renova alta com valorização no exterior

O mercado de câmbio derrubou a cotação do dólar após discurso de Temer

Lá fora, o dólar passava por correção neste pregão, às vésperas do feriado nos Estados Unidos (Dia do Presidente) na segunda-feira

 

Por Redação – de São Paulo

 

Depois de passar parte do dia com leves oscilações, o dólar firmou a alta nesta sexta-feira, voltando ao nível de 3,10 reais, com fluxo pontual de compra e valorização da moeda norte-americana no exterior. Operadores citavam, no entanto, que a trajetória do dólar ainda era de baixa no mercado local, com perspectivas de fluxo positivo ao país.

O mercado de câmbio derrubou a cotação do dólar após discurso de Temer
O mercado de câmbio elevou a cotação do dólar após a vitória de Trump

Às 12:19, o dólar avançava 0,54%, a R$ 3,1007 na venda, depois de ter subido 0,56% no pregão passado, em movimento de correção após ter batido a mínima intradia na casa de R$ 3,03. Neste pregão, o dólar chegou a R$ 3,1048 na máxima e a R$ 3,0775 na mínima. O dólar futuro operava com alta de cerca de 0,30%.

— Está havendo apenas um ajuste de posição com a cautela vista hoje no exterior — comentou um operador sênior de uma corretora.

Perspectiva

Lá fora, o dólar passava por correção neste pregão, às vésperas do feriado nos Estados Unidos (Dia do Presidente) na segunda-feira. A moeda norte-americana avançava ante uma cesta de moedas e divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

A tendência de baixa do dólar no mercado brasileiro vem sendo sustentada principalmente pela expectativa de ingresso de recursos, sobretudo diante das recentes captações feitas por empresas no exterior. O mercado também estava otimista com a perspectiva de aprovação de reformas no Congresso Nacional, como a Previdência, necessária à recuperação das contas públicas.

O Banco Central realizou nesta sessão seu quarto leilão de até 6 mil swaps tradicionais, equivalentes à venda futura. A rolagem dos vencimentos de março somam quase US$ 7 bilhões. Com esta oferta, o BC continuou indicando que fará apenas rolagem parcial, faltando ainda R$ 5,754 bilhões do total.

Bolsa cai

O principal índice da bolsa paulista recuava nesta sexta-feira, mantendo o movimento do correção da véspera, em um dia marcado por movimentado noticiário corporativo, com as ações da Raia Drogasil e da Rumo Logística entre as maiores quedas após balanço trimestral. Às 11:33, o Ibovespa caía 0,89%, a 67.208 pontos. O giro financeiro era de R$ 1,12 bilhão.

Raia Drogasil, que chegou a subir quase 1,5% , passava a figurar entre as maiores perdas do Ibovespa. Analistas avaliavam os números do último trimestre e as declarações de executivos.

O movimento de ajuste do mercado acionário local tinha respaldo no cenário externo. As bolsas europeias seguem em baixa e Wall Street também sinalizando uma abertura no vermelho. Investidores, enquanto isso, aguardam mais clareza sobre a política econômica. E antes de um fim de semana prolongado, devido a um feriado nos Estados Unidos na segunda-feira.

No front local, participantes aguardam novidades no campo político. Principalmente, quanto ao avanço das reformas no Congresso Nacional. E, ainda, com a ausência de notícias relevantes abrindo mais espaço para a correção da bolsa. Isso, após o Ibovespa romper os 68 mil pontos intradia nesta semana.

Remessa de lucros ao exterior impulsiona novo déficit bilionário

Contas públicas

Apesar de representar um rombo maior na comparação anual, o dado de janeiro veio melhor que o déficit de US$ 5,3 bilhões estimado por analistas

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

O Brasil teve déficit em transações correntes de US$ 5,085 bilhões em janeiro, alta de 5,6% sobre igual mês do ano passado, com maior gasto líquido nas contas de serviços e maiores remessas de lucros e juros ao exterior ofuscando o desempenho positivo da balança comercial.

Contas públicas
Em fevereiro deste ano, houve déficit primário de R$ 23,040 bi, divulgou o Banco Central

Apesar de representar um rombo maior na comparação anual, o dado de janeiro veio melhor que o déficit de US$ 5,3 bilhões estimado por analistas em pesquisa Reuters.

Também foi coberto com folga por Investimentos Diretos no País de (IDP) de US$ 11,528 bilhões, acima da expectativa de mercado de US$ 9,1 bilhões.

Transportes

Na conta de serviços, o destaque ficou com os gastos líquidos de brasileiros fora do país, que somaram US$ 914 milhões em janeiro, ante apenas US$ 190 milhões no mesmo mês do ano passado. Os gastos com transportes também saltaram 151% na mesma base, a US$ 436 milhões.

Já na conta de renda primária, as remessas de lucros e dividendos subiram a US$ 870 milhões, sobre US$ 314 milhões em janeiro de 2016. As despesas líquidas de juros, por sua vez, avançaram 11,7%, a US$ 4,5 bilhões.

Atuando no sentido contrário, de diminuição do rombo, a balança comercial teve superávit de US$ 2,504 bilhões em janeiro. Foi muito superior à cifra de US$ 647 milhões um ano antes.

Desta vez, o saldo positivo foi fruto de um aumento nas exportações superior ao observado nas importações. Tudo isso, em meio a um cenário de valorização do preço de commodities.

Rombo

Nos últimos dois anos, o superávit vinha sendo obtido por quedas mais fortes nas importações que nas exportações. Com as compras de produtos estrangeiros sendo fortemente afetadas pela recessão econômica.

Em 12 meses, o déficit em transações correntes manteve-se em 1,30% do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo patamar de dezembro. Para 2017, o BC prevê déficit em transações correntes de US$ 28 bilhões. É maior do que o rombo de US$ 23,507 bilhões do ano passado, justamente por maiores remessas de lucros e dividendos para o exterior e gastos com viagens internacionais em função da modesta recuperação prevista para a economia.

A pesquisa Focus mais recente aponta uma expectativa de expansão de apenas 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Bancos e consultorias vêm melhorando suas projeções na esteira de surpresas positivas no lado da inflação. Também, por uma perspectiva de juros mais baixos para economia.

O BC registrou, ainda, entrada líquida de investimento em títulos negociados no país de US$ 502 milhões, no mês passado.

Números negativos forçam Temer a projetar aumento de impostos

Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, anuncia reforma trabalhista

A recente adoção de um teto para limitar a expansão dos gastos do governo está longe de ser uma solução. Para deter o rombo nas contas públicas, segundo o Credit Suisse, será preciso aumentar impostos

 

Por Redação, com agências internacionais – de São Paulo

 

Ou o país alcança um aumento na arrecadação de impostos ou o rombo nas contas do setor público realizará um deficit menor apenas do que o da Venezuela, entre 2015 e 2018. Um estudo inédito do Credit Suisse, com dados de 68 países, divulgado nesta terça-feira, reforça a tese dos partidos de esquerda quanto à incapacidade de um governo de exceção resolver a crise econômica.

Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, anuncia reforma trabalhista
Ao lado de Henrique Meirelles, da Fazenda, o presidente de facto, Michel Temer, precisará aumentar impostos, para deter o déficit público

A recente adoção de um teto para limitar a expansão dos gastos do governo está longe de ser uma solução para o rombo nas contas públicas, segundo o Credit Suisse. A possível aprovação da reforma da Previdência também será insuficientes para evitar o aumento no déficit público, acrescenta a pesquisa.

Déficit impressionante

Na véspera, a agência Fitch alertou para o risco de rebaixamento da nota soberana de crédito do Brasil. A medida ocorrerá, caso o governo não adote medidas extras para conter a expansão da dívida pública.

Nos cálculos do banco suíço, se não houver um ajuste, via aumento de impostos, o deficit nominal (diferença entre receitas e despesas) do Brasil será de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em média, entre 2015 e 2018.

Nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI, o déficit nominal da Venezuela será de 24,7% do PIB, no mesmo período. Outros países em situação econômica crítica, a exemplo da Grécia, Espanha e Portugal, não tiveram um deficit tão impressionante quanto o brasileiro.

Com a trajetória de gastos prevista pelo banco, a dívida chegará a 99% do PIB em 2024. Essa projeção considera saída da recessão em 2017 e expansão média de 2% ao ano nos dez anos seguintes.

Mais impostos

O relatório, ainda mais pessimista, conclui que o desafio de equilibrar as contas do governo é extremamente alto. Embora haja uma aparente calmaria no mercado financeiro, as correções necessárias podem não resolver o drama econômico do Brasil. Pode ser tarde demais até para subir os impostos, aponta o estudo.

Ainda que este e o próximo governo mantenham-se dentro do limite de expansão de gastos e a reforma da Previdência seja aprovada, a dívida pública pararia de crescer apenas na metade da próxima década. Na avaliação do banco, é muito perigoso calcular as diretivas em um prazo tão alongado.

O banco levantou dados de 191 países desde 1980. Verificou, dentre todos eles, que apenas em 24 países permaneceram quatro anos seguidos com deficit acima de 9% do PIB. Um deles é o Brasil. Em apenas sete casos, o deficit ficou acima de 6% por 11 anos, como pode ocorrer com o país entre 2014 e 2025.

Obstáculos

A saída, na avaliação do banco, é antecipar os efeitos do ajuste da próxima década. E aplicar um aumento de impostos imediato e provisório.

A necessidade da adoção de medidas para reduzir a gravidade do quadro fiscal tem ganhado defensores nas últimas semanas. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que apoiou a deposição da presidenta Dilma Rousseff, tem dito em ambientes empresariais que o governo precisa cortar gastos imediatamente. E fazer algum ajuste na carga tributária.

Para a agência de classificação de risco Fitch Ratings, o cenário econômico do Brasil melhorou com a queda da inflação. Mas a queda na confiança de empresários, o endividamento ainda elevado de consumidores e o desemprego alto são obstáculos gigantescos para a recuperação econômica brasileira.