As esquerdas e algumas pedras no caminho

Maria Fernanda Arruda

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Os estragos que os golpistas escravagistas, entreguistas e higienistas fazem no tardio Estado de Bem Estar Social, que vínhamos experimentando sua construção desde a promulgação de nossa Constituição Cidadã, de 1988. É importante mexer em nossas memórias, tivemos mais de 11 milhões de brasileiros assinando as emendas populares, que obrigou o Estado implantar Políticas Públicas, tais como: SUS; SUAS; ECA; Combate ao Racismo; a tímida Reforma Agrária entre outras.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas. Claro que faltaram algumas Políticas Estruturantes, como: a demarcação das Terras dos Povos Originários (índios é expressão do colonizadores); Reforma Tributária Progressiva; Regulamentação da Mídia ; Auditoria da Dívida Pública.

Disputa

Essas políticas e muitas outras não foram frutos só dos governos Lula/Dilma, foram e são frutos das lutas históricas, provavelmente passando desde a invasão dos colonizadores, dos mais de 380 anos do escravagismo, das inúmeras formas de resistencia pela Democracia profunda do Estado, desprivatizando e/ou desparticularizando o Estado apropriado por grupos que o dominam já alguns séculos.

Nossa preocupação é com segmentos da esquerda que cultivam uma saída do atual momento pela via única: Lula em 2018. Tenho clareza de sua importância histórica. E de fazer essa disputa, sem deixar de ficarmos alerta, se ocorrer um adiantamento das eleições do próximo ano.

É que, da forma proposta, essa devoção e responsabilidade à “São Lula” desconsidera os estragos que golpistas estão fazendo no aparato legal. Será que teremos uma mudança significativa na representação do Congresso Nacional?

Militantes

Chamo para refletir quem está nessa direção. Podemos levar parcelas de militantes ativos e/ou vias de a se transformar em expectadores das mudanças, quando o que mais necessitamos é de militantes protagonistas ativos. 

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil.

Águas de Março estão aí

Val Carvalho

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o Março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos e a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção

 

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

 

Val CarvalhoCada dia nos deparamos com um oceano de péssimas notícias para o país e o povo brasileiro. Por isso é bom sabermos que 84% dos brasileiros acham que o país “segue rumo errado”, como apurou recente pesquisa. Claro que nesse universo cabem todas as correntes ideológicas, do PT aos neofascistas de Bolsonaro. Mas importa é que o governo golpista não consegue base social, só mesmo apoio da oligarquia financeira e midiática.

Lula, ao lado das mulheres do MST, faz uma 'selfie' na abertura da manifestação
Lula, maior líder popular do país, tem sido o alvo da ultradireita

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos. E a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção, mas agora do governo Temer. Diante da evidente inviabilidade política de Temer, os protagonistas do golpe já se movimentam para substituí-lo. Por meio de um golpe dentro do golpe.

É o que ocorre com todos os golpes. E o golpe parlamentar-judicial-midiático contra Dilma também se afunda numa maior radicalização, em crescente ilegitimidade e mais violência contra as liberdades democráticas.

Março de luta

Alguns pensam na presidente do Supremo, Carmem Lúcia. Outros, na volta dos militares. Mas todas essas “alternativas” golpistas seriam para manter a mesma orientação ultraliberal, de arrocho dos trabalhadores e de entrega total do país ao capital estrangeiro.

O fato objetivo é que o golpe está se mostrando insustentável e a única saída já aceita até por setores da direita, como a Folha de S.Paulo, é a “volta da política”, o seja, eleições diretas. Mas caberá à força e unidade do movimento democrático e popular garantir que as eleições diretas não tenham veto a Lula, que sejam realmente livres e democráticas, caso contrário o impasse político vai continuar.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.

Lula lidera pesquisa; Aécio empata com Marina e Bolsonaro em 2º lugar

Lula

Na pesquisa, o primeiro cenário coloca Lula com 22,6% de intenções de voto. Senador Aécio Neves (PSDB) aparece em segundo

 

Por Redação – de São Paulo

 

Uma nova edição de pesquisa realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira, confirma levantamento da CNT/MDA, da última semana. Em ambos os estudos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito à Presidência da República, em todos os cenários apresentados.

Lula
Lula segue como o candidato preferido da maioria dos eleitores brasileiros e deverá vencer as eleições, caso aconteçam em 2018

Na pesquisa, o primeiro cenário coloca Lula com 22,6% de intenções de voto. Senador Aécio Neves (PSDB) aparece em segundo, com 12,9%, empatado com a ex-senadora Marina Silva (Rede), com 12,6%, e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) ficaria com 12,0%. O ex-ministro Joaquim Barbosa surge com 11,7% de intenções, Ciro Gomes, 4,9%; Michel Temer 3,8%, e Ronaldo Caiado 2,0%. Não sabe, 4,5% e votos brancos ou nulos, 13,1%.

Na hipótese de Geraldo Alckmin aparecer como o nome do PSDB na disputa, Lula também venceria. O líder petista lidera com 22,9%, seguido de Marina Silva, com 12,8%, Jair Bolsonaro, com 12,2%. Geraldo Alckmin tem 11,9%, Joaquim Barbosa, 11,5% e Ciro Gomes 4,7%. Michel Temer aparece com apenas 3,8% e Ronaldo Caiado, 1,9%.

A Paraná Pesquisas ouviu 2.020 eleitores de 146 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 12 e 15 de fevereiro de 2017. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.

Ensino superior

O dado novo desta última pesquisa é que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa desponta como favorito na disputa presidencial de 2018 entre os eleitores com ensino superior.

De acordo com a pesquisa, o ex-ministro teria 17,3% dos votos entre aqueles que têm ensino superior. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em segundo lugar, com 16,1%, e Jair Bolsonaro em terceiro, com 14,5%.

Lula convoca militância do PT à luta

Lula

No vídeo, Lula conclama aos filiados que compareçam, em massa, a estes encontros regionais

 

Por Redação – de São Paulo

 

Em vídeo divulgado pelas redes sociais, desde as primeiras horas desta sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convoca militância para uma missão até 2018. A de reconstruir o partido, destruído pelas investidas da extrema direita e os reflexos da Operação Lava Jato, que levou à prisão o ex-ministro José Dirceu, figura legendária no partido. O ex-presidente Lula, no vídeo, convida os filiados ao partido para que compareçam ao 6º Congresso Nacional do PT. E reforça: “Está na hora de levantar a cabeça”.

Lula
Lula, possivelmente voltará como candidato do PT em 2018, se houver eleições, com chances de alcançar um terceiro mandato pela legenda do PT

Em meados de Janeiro deste ano, houve o lançamento do 6º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores. A reunião nacional ocorrerá em junho e será precedido de etapas municipais e estaduais entre abril e maio. No vídeo, Lula conclama aos filiados que compareçam, em massa, a estes encontros regionais.

Assista ao vídeo:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=b9k0aKCFi4M]

 

Militância desperta

Lula convoca a militância à unidade e à luta contra o governo golpista e pela reconstrução da imagem da legenda.

— Eu trabalho com a ideia de que 2017 é o ano para recuperarmos a imagem do PT. Eu quero me dedicar de corpo e alma a reconstruir, no bom sentido, e a limpar a imagem desse partido — disse Lula aos filiados do PT.

Ele também desafiou as forças da extrema direita a questionar o legado petista à frente do governo.

— Esse partido tem muito mais virtudes do que defeito. Nós não fizemos tudo (no governo), mas ninguém fez mais do que nós — acrescentou.

Golpe no PT

Segundo Lula, o PT sofreu com um golpe que é resultado de uma concertação das elites brasileiras.

— Eles construíram um pacto, talvez o mais importante pacto que a elite brasileira já fez — denuncia.

O ex-presidente também criticou o atual bloco de poder que comanda o Executivo, referindo-se sempre ao “governo golpista” do presidente de facto, Michel Temer, e da direita.

— Se quisermos resolver o problema da economia, temos que voltar a incluir os pobres no orçamento da união. Eles estão tentando resolver a economia fazendo um ajuste em cima de quem não merece ajuste, que é o povo pobre e trabalhador deste país. Quando eu vejo eles destruírem a Petrobras que nós fizemos (…) eu acho que estamos retrocedendo ao longo da história. E nós temos que brigar agora — avalia Lula.

As distorções no uso da bandeira do combate à corrupção é outro tema caro ao ex-presidente.

— Não dá para em nome de combater a corrupção, você quebrar o país e a economia brasileira. Se tem um partido que batalhou pelo combate à corrupção, esse partido se chama Partido dos Trabalhadores e eu tenho muito orgulho disso — declarou.

Ciro Gomes pega pesado e afirma: Michel Temer é um ‘desastre total’

Ciro Gomes

“O Michel Temer, que eu conheço e sei que está envolvido até o pescoço com tudo o que não presta nos últimos 20 anos”, disse o pré-candidato pedetista, Ciro Gomes

 

Por Redação – de São Paulo

 

Ex-ministro da Fazenda, ex-governador do Ceará e presidenciável em 2018, se houver eleições, o economista Ciro Gomes não economizou nos adjetivos ao presidente de facto, Michel Temer. Ciro classificou o governo do peemedebista de um “desastre total”. Mas não ficou por aí.

— Michel Temer, que eu conheço e sei que está envolvido até o pescoço com tudo o que não presta nos últimos 20 anos — disse o pedetista a um dos diários conservadores paulistanos.

Ciro versus Lula

Ciro Gomes
Ciro Gomes levanta suspeitas sobre a idoneidade moral do presidente de facto, Michel Temer

Ciro também abriu fogo contra o Congresso, classificando-o de “fisiológico e corrupto”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi outro que não escapou à artilharia do possível candidato. Ele disse que a possível candidatura de Lula, em 2018, seria um “desserviço”.

— O Lula ainda tem força para canalizar a favor e contra ele todo o processo eleitoral. O que seria lamentável, tanto para o país quanto para ele. Seria um desserviço. Porque na melhor hipótese ele ganha potencializando essa hostilidade mesquinha que vai agredir na porta do hospital a mulher dele que estava moribunda — disse.

Depressão econômica

Para Ciro Gomes, a gestão de Temer, tanto na política quanto na economia, “é um desastre”.

— É um desastre em todos os ângulos que se queira considerar. Hoje você tem taxa de juros de 13% com uma inflação projetada inferior a 4%. Ou seja, a taxa real de juros do governo Temer está subindo no momento de depressão econômica — afirmou.

O ex-governador coloca em xeque a idoneidade moral de Temer.

— Hoje o Congresso é fisiológico e corrupto. Você tem na linha de sucessão delatados: Michel Temer, que eu conheço e sei que está envolvido até o pescoço com tudo o que não presta nos últimos 20 anos. Tem o Enuncio Oliveira (presidente do Senado), que o Brasil vai conhecer. Chega a ser vulgar e inacreditável como a maioria esmagadora dos senadores vota — acrescentou.

Tudo ou nada

Embora siga em plena campanha, Ciro Gomes ainda não assumiu, integralmente, seu papel como candidato ao Palácio do Planalto.

— Eu vou pensar cem vezes antes de ser candidato. Eu tenho vontade de ser presidente do Brasil, isso é notório há muitos anos. Me preparo para isso. Porque se eu entendo que é minha tarefa, vou fazer história. E não tem conversa, não vou me reeleger. Não vou para fazer graça com ninguém, eu vou para fazer o que tem de ser feito e ir pra casa. Quebrar ou ser quebrado — conclui.

O instante político nas eleições presidenciais do Equador

O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda

No Equador, perguntei a várias pessoas, aos taxistas, porque não havia nada que pudesse indicar que as eleições vão acontecer dia 19 de fevereiro

 

Por Marilza de Melo-Foucher – de Quito

 

Aproveitei de meu primeiro final de semana em Quito para sentir e apreender a cidade. Nada melhor que ir ao centro, ao coração da cidade. Caminhei bastante, parei nas esquinas em busca de mobilizações políticas, de algum evento, comício, mas, para minha surpresa não se passava nada! Não vi nenhum cartaz pregado nos muros, nenhum grafite, a cidade estava impecavelmente limpa e sem agitação política. Uma estranha calma reinava…

O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda
O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda

Perguntei a várias pessoas, aos taxistas, porque não havia nada que pudesse indicar que as eleições vão acontecer dia 19 de fevereiro. Recebi varias respostas: “Os equatorianos não são agressivos, dai não existem brigas como em outros países”; “Os equatorianos já sabem em quem irão votar”; “Aqui existe uma Lei que proíbe fixar cartazes nos muros, pichar as paredes e fazer propagandas barulhentas”; “Depois que mudaram as leis de financiamento melhorou muito, pois os partidos políticos não podem receber dinheiro das empresas para fazer campanhas, o financiamento é publico”.

Na segunda-feira sondei o pessoal do hotel antes de sair para visitar algumas organizações sociais. Perguntei sobre esta aparente calma na cidade em pleno período eleitoral. Algumas das respostas: “As coisas só irão esquentar quando faltar uma semana para as eleições”; “A crise não favorece ao candidato do governo”; “Os escândalos de corrupção prejudicam a reeleição”. Nenhum dos empregados respondeu a minha questão sobre em quem iam votar, apenas um sorriso maroto.

Eleições equatorianas

Os contatos mantidos com pessoas ligadas aos movimentos sociais e professores universitários apresentam visões distintas. Alguns são severos com Correa e sua administração. Outros são críticos, porém não negam os avanços sociais. Muitos assinalaram que o presidente Correa tem governado com certo autoritarismo. Segundo alguns, houve muitas repressões junto aos movimentos que deixaram de apoiar o governo. Deu pra perceber que existem muitas divisões no seio das organizações sociais.

Segundo informações oficiais, 12,8 milhões de cidadãos e cidadãs são convidados a votar na próxima eleição. Para 82,6% das pessoas cuja idade está entre 18 e 65 anos, o voto é obrigatório. Quanto ao restante, os jovens com idades entre 16 e 17, bem como e aqueles acima de 65 anos, o voto é voluntário. Por outro lado, cerca de 400 mil desses eleitores vivem no exterior e sobre a repartição por sexo, as coisas se movem mais ou menos em 50%.

Uma professora universitária de esquerda que encontrei, por sinal, muito crítica com o governo Correa, disse-me que se no Equador o voto não fosse obrigatório, certamente nesta eleição iria assistir a uma taxa de abstenção perto de 60%. Neste ponto, o indicador de indecisão nas pesquisas permanece muito elevado. Daí qualquer prognostico ser precipitado, segundo ela.

Sem fervor

Em três semanas de Equador seria impossível elaborar uma analise mais refinada, tendo em vista que não sou uma especialista, seria de minha parte uma desonestidade intelectual. O que descrevo aqui é apenas uma percepção geral, a partir dos atores locais encontrados, entrevistas realizadas, leitura de jornais e artigos sobre a situação política e eleitoral no Equador. Confesso que a situação é complexa. O cenário eleitoral atual exige cautela, pois se trata de uma eleição aparentemente sem grande fervor da cidadania, como pude comprovar.

Vale ressaltar que o contexto geral em que se desenvolvem as eleições atuais mudou muito com relação às eleições anteriores, que ocorreram em fevereiro de 2013, tendo em vista que existe um novo cenário geopolítico na região e no mundo, além de uma crise econômica mundial que perdura. Sem dúvida nenhuma, a hegemonia dos chamados governos progressistas ou pós-neoliberais se enfraqueceu na América do Sul; a direita sul-americana e mundial se fortaleceu e com ela a ideologia neoliberal.

Nesses últimos meses viu-se o risco de ruptura com o compromisso de integração regional, devido à vitória eleitoral de Mauricio Macri, na Argentina. Ao golpe político-parlamentar que afastou a presidenta Dilma Rousseff no Brasil. E, por último, a vitória do ultra-direitista Donald Trump em os EUA, entre outros.

‘Correísmo’

Até agora, as pesquisas dão uma vantagem ao candidato do governo, Lenin Moreno. Todavia, a Aliança Pais deve garantir o máximo de votos no primeiro turno para ter chances de aglutinar forças, face uma direita aparentemente dividida, mas que sempre se uniu contra a esquerda. Na outra ponta, existe um verdadeiro dilema para os adeptos da centro-esquerda, dita também esquerda moderada, e extrema esquerda nesta eleição. Como fazer suas campanhas eleitorais sem cair na alimentação do ódio ao “correísmo” forjado pela direita e seus meios de comunicação.

O risco é que seus votos no segundo turno sejam dados à direita e podem facilitar sua volta e a ascensão ao poder. Um partido que se reivindica do ideal de esquerda deve saber diferenciar o adversário político de esquerda do inimigo de direita.

Os partidos da esquerda opositora ao governo Correa criaram o Acordo Nacional para a Mudança. O candidato presidencial é Paco Moncayo, ex-comandante do exército equatoriano. O Acordo Nacional para a Mudança congrega organizações políticas como a Esquerda Democrática, a Unidade Popular, Pachakutik, o movimento da Ação Social e Solidaria (MASS), VIVE e Democracia Sim.

Políticas sociais

O candidato mais cotado da direita é Guillermo Lasso (Aliança CREO-SUMA). Lasso é um político com experiência eleitoral e, desde que perdeu as eleições de 2013, não deixou de viajar pelo país fazendo campanha e construindo sua própria imagem de um empresário moderno, bom gestor e de grande êxito. Em geral os candidatos de direita para a Presidência do Equador estão mais dedicados a atacar e criticar as políticas sociais e as realizações do governo de Correa do que apresentar propostas para a população.

O lema de sua campanha é “vamos para o cambio”. Entretanto, ele faz parte das forças políticas que levaram à crise explosiva de 1999. Outra candidata de direita é Cynthia Viteri, do Partido Social Cristiano. Este partido já teve grande influência no Equador, mas se desgastou desde 2006. Em seguida (segundo as pesquisas), encontra-se Abdala Bucaram, de Força Equador e Patricio Zuquilana, do Partido Sociedade Patriótica. Restam mais dois que são completamente inexpressivos.

A crise econômica que afetou o estado da economia nacional tem gerado um aumento do desemprego. Uma deterioração das condições de trabalho, a perda do poder aquisitivo. Um crescente endividamento das famílias mais humildes e, finalmente, a corrupção. Esta tem levado muitos equatorianos a ter uma visão deteriorada da política, ou seja, de que todo mundo rouba.

Modernização

Apesar das críticas de que tem sido alvo o governo Correa, ninguém pode negar que ele contribuiu para um processo de mudanças, que garantiu a estabilidade política e econômica ao Equador. Este país andino, entre 1996 e 2005, viveu em constante crise de governabilidade e econômica, que levou a derrubada de vários presidentes. Foram quase dez anos de instabilidade.

O governo de Correa se caracterizou pela centralidade do Estado como condutor do processo de modernização. Pela defesa da soberania nacional, desafiando os Estados Unidos ao fechar a base militar de Mante e expulsar o pessoal militar da embaixada norte-americana. E pela luta agressiva contra a Chevron, devido à destruição ambiental causada na Amazônia.

Tentou criar um corredor entre o modo de acumulação capitalista sem afetar a sua essência. E um modo de convivência pacifica com os ricos do Equador. A urgência do governo era gerar recursos para garantir políticas sociais compensatórias, com melhor distribuição de renda e melhores serviços públicos para a população. A exemplo dos investimentos feitos nos setores de saúde, educação e segurança social. Além de melhoria na infraestrutura, construção de estradas, portos, eletricidade etc., a fim de criar no Equador uma sociedade mais moderna e equitativa.

Neoliberalismo

Os campos de forças sociais e políticas hoje no Equador e América do Sul são muito complexos. Isso exige da esquerda realizar uma critica teórica e histórica de suas práticas e sentidos. Essa é a condição sine qua non para se projetar ao futuro. Infelizmente, a crítica é algo que nem sempre se aceita e, quando se aceita, muitas vezes o fazemos com relutância. A análise crítica sempre foi uma reivindicação de anos da esquerda. Porém, muitas vezes é justamente a própria esquerda que tem medo de analisar a realidade com um olhar crítico.

Na verdade, as diferenças ideológicas entre socialistas e comunistas não foram superadas. A unidade de esquerda sempre foi uma aspiração, nunca uma realidade. Todavia, diante da possibilidade de um caos político e social e da consolidação da ideologia neoliberal na América do Sul, o ideal seria que a esquerda buscasse pontos de convergências em seus programas, para garantir a próxima governabilidade.

Segundo François Houtart, outro dos grandes desafios no Equador é reconhecer que o Estado, para ser legítimo e eficaz, tem de ser um Estado heterogêneo, coexistindo com o multiculturalismo e, gradualmente, com a plurinacionalidade, dentro do âmbito da unidade Estado garantida pela Constituição.

Como se diz na campanha do candidato do governo: O Equador já mudou! Agora vamos consolidar mais direitos!

Marilza de Melo-Foucher é doutora em economia, especializada em questões de desenvolvimento. Trabalhou vários anos na cooperação internacional, hoje colabora com a imprensa alternativa e cidadã na França e no Brasil. Escreveu este texto durante uma visita a trabalho que fez ao Equador.

Venezuelanos voltam às ruas para exigir eleições

Na capital, as manifestações transcorreram sem incidentes graves, enquanto pequenos distúrbios foram registrados em outros pontos do país

Por Redação, com France Presse – de Caracas:

Pelo menos 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, para exigir a antecipação das eleições como caminho para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder e resolver a grave crise política e econômica do país. A informação é da Agência France Presse (AFP).

Pelo menos 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, para exigir a antecipação das eleições
Pelo menos 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, para exigir a antecipação das eleições

Agentes da Polícia Civil e Militar impediram a multidão de avançar até a sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Caracas. Na capital, as manifestações transcorreram sem incidentes graves, enquanto pequenos distúrbios foram registrados em outros pontos do país.

– Viemos exigir o direito que os venezuelanos têm de votar. É a única maneira de mudar isso – declarou o presidente do Parlamento, Julio Borges, ao entregar uma carta com esse pedido a Luis Emilio Rondón, único dos cinco reitores do CNE alinhado com a oposição.

Rondón compareceu à marcha na avenida Libertador, ponto onde a multidão foi contida pela polícia. Ele prometeu encaminhar a solicitação, afirmando que a crise é “impossível de ser escondida” e “as instituições têm de responder”.

Chavistas

Milhares de chavistas marcharam do Centro de Caracas até o Panteão Nacional, em “defesa da revolução”. Com a faixa presidencial no peito, Maduro compareceu ao local para homenagear o dirigente político Fabricio Ojeda, assassinado em 1966 pela “oligarquia” e considerado um “mártir” pelo chavismo.

– O povo está na rua apoiando o presidente. Não vamos permitir que acabem com nossa revolução, que nos dá tantos benefícios sociais – defendeu Pedro Camargo.

A tensão entre o governo e a Mesa da Unidade Democrática (MUD), frente de oposição, voltou a subir nas últimas semanas. Um grupo de opositores, entre eles um suplente de deputado, foi detido pelo recém-criado “comando antigolpe”, liderado pelo vice-presidente Tareck El Aissami, um chavista radical.

Maduro

As manifestações contra e a favor de Maduro ocorrerm em data simbólica. É em 23 de janeiro que se comemora a queda da ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez.

Essa é a primeira marcha organizada pela MUD. Desde que o CNE suspendeu em outubro passado o processo sobre o referendo revogatório contra Maduro. A oposição iniciou um diálogo com o governo. Essa tentativa de diálogo desativou os protestos provisoriamente.

– Vim porque quero eleições. É a melhor forma de sair um governo que nos faz tão mal – disse à AFP Dora Valero, uma enfermeira aposentada de 63 anos, que segurava um cartaz com a frase “Eleições já”, na concentração no leste de Caracas.

O CNE havia adiado para 2017 as eleições regionais, as quais deveriam ter sido realizadas em dezembro passado.

– Neste momento, não há qualquer garantia de eleições no país. E não há democracia sem votos – ressaltou o ex-candidato presidencial pela oposição Henrique Capriles, anunciando que os próximos protestos serão “surpresa”.

Segundo pesquisas de institutos privados, oito em cada dez venezuelanos reprovam o governo, cansados da severa escassez de alimentos e de remédios e de uma inflação que chegou a 475% no ano passado – segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) – e que deve pular para 1.660% em 2017.

Na contramão dessas previsões, o governo prometeu que este será um ano de “recuperação”. Para isso, em parte, trocou o presidente do Banco Central no domingo.

– O governo teme que uma reação em cadeia das ruas, pela terrível situação econômica, possa criar uma tempestade perfeita que saia do controle – disse à AFP o analista Diego Moya-Ocampos, do IHS Markit Country Risk, de Londres.

Negociaçõe

Dividida entre o diálogo e a estratégia para tirar Maduro do poder, a oposição congelou as negociações, em 6 de dezembro passado. A alegação é que o governo descumpriu acordos já feitos, entre eles a definição do cronograma eleitoral.

Os dois lados se acusam de descumprir a palavra empenhada ao papa Francisco. No fim de semana, nos esforços para descongelar o processo, delegados do Vaticano e da Unasul propuseram um mecanismo para verificar o cumprimento dos acordos.

A oposição respondeu que estudará a proposta, mas garante que não abrirá mão de eleições.

– O povo vai continuar na rua até conseguir o voto – garantiu Julio Borges, durante a manifestação.

Fiocruz entra em crise após desrespeito a resultado de eleições

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ampliou a área de atuação do projeto no Rio de Janeiro, após um ano de testes com mosquitos da dengue

Os funcionários da Fiocruz querem informações acerca do rumor de que Temer não nomeará a vencedora das eleições, a doutora Nísia Verônica Trindade Lima

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Servidores da Fundação Oswaldo Cruz, instituição de referência internacional pelas pesquisas científicas desenvolvidas, ainda não receberam qualquer resposta à carta encaminhada, nesta sexta-feira, ao presidente de facto, Michel Temer. Eles pediram que o governo federal respeite o resultado das eleições internas para a Presidência da fundação.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ampliou a área de atuação do projeto no Rio de Janeiro, após um ano de testes com mosquitos da dengue
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ampliou a área de atuação do projeto no Rio de Janeiro

Os funcionários querem informações acerca do rumor de que Temer não nomeará a vencedora das eleições, a doutora Nísia Verônica Trindade Lima. Ela obteve 2556 votos, mas a segunda colocada, a também doutora Tania Cremonini de Araújo-Jorge, com 1.695 votos dos 4415 servidores, poderá ser nomeada.

Leia, adiante, a carta dos servidores da Fiocruz ao presidente Temer:

“A Fundação Oswaldo Cruz, com 116 anos de dedicação à ciência e saúde em prol da população brasileira, recentemente finalizou um intenso processo democrático, de escolha de candidatos à presidência da instituição, nos termos de seu Estatuto. A taxa de comparecimento às urnas foi de 82,1% (4415 servidores), e apresentou o seguinte resultado: em primeiro lugar, a dra. Nísia Verônica Trindade Lima, que obteve 2.556 votos; em segundo lugar, a doutora Tania Cremonini de Araújo-Jorge, que obteve 1.695 votos.

O resultado da eleição foi homologado pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz e encaminhado à Sua Excelência o Ministro de Estado da Saúde Ricardo Barros na expectativa do referendo ao resultado do pleito, e à decisão e nomeação de Nísia Verônica Trindade Lima, vencedora das eleições, como presidente da Fiocruz.  A comunidade da Fiocruz, com apoio de Instituições Científicas Nacionais e Internacionais, espera que a candidata mais votada, com maioria expressiva dos votos, como tem sido a tradição da Fundação, assuma a Presidência da Fiocruz.

Devemos preservar o processo de gestão democrática e participativa da Fiocruz, tão duramente conquistado e construído por nossas instituições de ensino e pesquisa e que tem sido fundamental para tornar a Fundação Oswaldo Cruz referência na área de ciência e tecnologia nacional e internacionalmente. Tal processo, levando-se em consideração a história da Fundação, tem sido decisivo para uma condução equilibrada e eficaz da instituição, o que tem permitido alcançar resultados de destaque na promoção da saúde.

Decisão séria

A inauguração do Centro Henrique Penna – Protótipos, Biofármacos e Reativos para Diagnósticos, que aumenta o fornecimento de produtos para o SUS; a eleição da pesquisadora Celina Turchi, como uma das dez personalidades do ano na ciência mundial pela revista britânica Nature, por seu trabalho para o estabelecimento da relação entre o vírus zika e a microcefalia em bebês; o registro de teste para zika, dengue e chikungunya, primeiro do país com a chancela da Anvisa; o escalonamento do projeto Eliminar a Dengue (Wolbachia) com mais bairros em Niterói (RJ), entre outros.

O acatamento do nome da dra. Nísia Verônica Trindade Lima como presidente da Fiocruz representa proteger a Fundação, como instituição estratégica de pesquisa, pela sua inegável contribuição para a saúde pública do Brasil. Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, “a comunidade da Fundação espera que o presidente Michel Temer reflita sobre essa decisão tão séria, que poderá pacificar a instituição, dando tranquilidade para que a Fundação continue desempenhando seu papel em favor da saúde do povo brasileiro”.

Termina prazo para justificar ausência no segundo turno das eleições

O portador de título eleitoral que não justificar a ausência fica sujeito a diversas sanções

O portador de título eleitoral que não justificar a ausência fica sujeito a diversas sanções, como requerer passaporte ou carteira de identidade

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Quem não votou no segundo turno das eleições municipais de 2016 tem até esta quinta-feira para justificar a sua ausência junto à Justiça Eleitoral. Para tanto, o eleitor deve preencher o Requerimento de Justificativa Eleitoral (disponível na Internet) e entregá-lo em qualquer cartório eleitoral, onde deve apresentar também um documento oficial original com foto, como carteira de identidade (RG), carteira de habilitação ou carteira de trabalho.

O portador de título eleitoral que não justificar a ausência fica sujeito a diversas sanções
O portador de título eleitoral que não justificar a ausência fica sujeito a diversas sanções

Devem ser anexados ainda documentos que comprovem o motivo da ausência. Tais como atestado médico ou comprovante de viagem. A justificativa será analisada por um juiz eleitoral, que pode acatar ou não a explicação dada pelo eleitor.

O portador de título eleitoral que não justificar a ausência fica sujeito a diversas sanções, como requerer passaporte ou carteira de identidade. Receber salário de entidades públicas ou assistidas pelo governo. Solicitar empréstimos em qualquer banco ou estabelecimento de crédito subsidiado pelo governo. Inscrever-se em concursos públicos ou tomar posse de cargos públicos.

Caso não justifique a ausência, o eleitor poderá regularizar sua situação no futuro, por meio do pagamento de multa, que será estabelecida pelo juiz eleitoral de sua região e pode variar de R$ 1,05 a R$ 3,51. Dependendo da situação econômica do eleitor. A penalidade pode ser multiplicada e chegar a R$ 35,10.

Justiça Eleitoral

O eleitor que não votar em três eleições consecutivas, não justificar sua ausência e não quitar a multa devida terá sua inscrição cancelada. A Justiça Eleitoral ressalta que cada turno é considerado uma eleição separada.

Quem se encontrava no exterior no segundo turno das eleições. Possui domicílio eleitoral em algum município brasileiro pode encaminhar a justificativa por via postal. Diretamente a seu respectivo cartório eleitoral. Nesse caso, o eleitor tem o direito de deixar para justificar a ausência somente após o retorno ao Brasil, no prazo de 30 dias.

Em alguns Estados, é possível fazer a justificativa pela Internet. São eles: Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio de Janeiro. Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. Os links para o sistema online de justificação podem ser encontrados nos sites dos Tribunais Regionais Eleitorais de cada Estado.

Delação da Odebrecht servirá no processo de cassação de Temer

Temer tem sido apontado como um dos articuladores de um golpe contra a presidenta Dilma

Como a fase de instrução no TSE segue inconclusa, uma das partes ou o Ministério Público poderão pedir o compartilhamento do material da Lava Jato. As informações sobre a chapa Dilma e Temer encontram-se com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki

 

Por Redação – de Brasília

 

Em depoimentos ao Ministério Público Federal, na semana passada, executivos da Odebrecht afirmaram que houve caixa dois da empreiteira. Recursos ilícitos sustentaram a campanha presidencial de 2014, vencida pela coligação de Dilma Rousseff e Michel Temer. Em um dos depoimentos, até agora, a Odebrecht descreve doação ilegal de cerca de R$ 30 milhões à coligação.

Temer tem sido apontado como um dos articuladores de um golpe contra a presidenta Dilma
Temer tem sido apontado como um dos articuladores do golpe contra a presidenta Dilma

O valor que representa quase 10% do total arrecadado, oficialmente. O relato deve repercutir no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julga o abuso de poder político e econômico na campanha, e pode levar à cassação do mandato de Michel Temer.

Como a fase de instrução no TSE segue inconclusa, uma das partes ou o Ministério Público poderão pedir o compartilhamento do material da Lava Jato. As informações encontram-se com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, após a homologação das delações.

Nenhuma das 37 pessoas que prestaram depoimento na ação que investiga a chapa relatou, até o momento, pagamento de caixa 2 diretamente para a campanha Dilma-Temer. Daí a importância dos depoimentos da Odebrecht. Uma possível explicação é que, na disputa presidencial de 2014, várias empreiteiras já tinham sido alvo da Lava Jato. A 7ª fase, deflagrada em novembro daquele ano, prendeu 17 executivos. Não era o caso da Odebrecht. Marcelo, então presidente do grupo, só foi preso em junho de 2015.

Delação


Neste período, a Odebrecht ainda desafiava os investigadores, primeira explicação para a empresa supostamente ter recorrido ao caixa 2 em meio às investigações. A segunda é a de que o dinheiropara a chapa Dilma-Temer seria uma forma de tentar se blindar das investigações, comprando ainda mais apoio político. “Era a única empreiteira que ‘estava em condições’ de fazer contribuições ilícitas”, diz um dos envolvidos, no processo.

Outra delação premiada em negociação também deve citar caixa 2 para a chapa Dilma-Temer. O casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura já sinalizou que vai relatar pagamento de recursos. Foi dinheiro não contabilizados em 2014, envolvendo a Odebrecht.

O advogado de Temer no processo do TSE disse que não pode se manifestar até a homologação das delações. A defesa de Dilma afirmou que quem responde pelas doações da campanha é o ex-tesoureiro Edinho Silva, que não foi encontrado para comentar.