Equador diz que acordo com Odebrecht está próximo

Maior grupo de construção da América Latina, a Odebrecht admitiu em dezembro que pagou propina a autoridades de 12 países da região

Por Redação, com Reuters – do Quito:

O Equador está próximo de fechar um acordo com a empreiteira Odebrecht que permitirá ao país obter informações detalhadas sobre uma suposta rede de subornos e receber uma indenização, disse nesta quinta-feira um procurador equatoriano.

Até o momento não foram identificadas as autoridades equatorianas suspeitas de receberem pagamentos ilegais
Até o momento não foram identificadas as autoridades equatorianas suspeitas de receberem pagamentos ilegais

Maior grupo de construção da América Latina, a Odebrecht admitiu em dezembro que pagou propina a autoridades de 12 países da região. Em troca de obter contratos lucrativos, em um esquema revelado no âmbito da operação Lava Jato. No Equador, os subornos da empresa teriam alcançado US$ 33,5 milhões.

– O tema central, o penal, acho que está praticamente acordado. O que falta? Estão definindo o esquema sobre possíveis indenizações a serem pagas – disse o procurador Galo Chiriboga ao canal de TV Ecuavisa.

O procurador acrescentou que a empresa brasileira aceitou que o acordo seja público em sua maior parte. E concordou em entregar a Quito as mesmas informações repassadas a Brasil, Suíça e Estados Unidos sobre sua rede de propinas.

Até o momento não foram identificadas as autoridades equatorianas suspeitas de receberem pagamentos ilegais.

Irregularidades

O presidente do Equador, Rafael Correa, expulsou a Odebrecht em 2008 por irregularidades na construção de uma central hidrelétrica. Mas dois anos depois a empresa retornou ao país após fechar um acordo que incluiu o pagamento de uma indenização.

As autoridades locais analisam, como parte da investigação aberta pela Procuradoria em dezembro. Cerca de 30 contratos firmados pela Odebrecht com empresas públicas equatorianas.

Dentro da investigação a Procuradoria pediu que o Estado equatoriano fosse proibido de firmar novos contratos com a Odebrecht. O bloqueio de pagamentos de US$ 40 milhões à empreiteira e a apreensão de documentos e equipamentos nos escritórios da companhia no país.

O Equador trabalha no caso em parceria com Peru e Colômbia.

Eleição no Equador e reflexos na América Latina

Pelo resultado da pesquisa realizada, no  Equador, pelo Centro de Pesquisa Social, o candidato Lenin Moreno obteve 59%, enquanto Lasso ficou com 41%, o que para muitos observadores dificilmente haverá alguma reversão no resutado do segundo turno a se realizar no dia 2 de abril próximo. O destino de Julian Assange, criador de Wikileaks, depende dessa eleição.

Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

O destino de Julian Assange depende do resultado da eleição equatoriana
O destino de Julian Assange depende do resultado da eleição no Equador

Uma semana depois da realização do primeiro turno presidencial do Equador, o candidato Lenin Moreno, que por uma pequena fração (0,7%) não chegou a 40% dos votos, o que lhe daria a vitória no primeiro turno, em recente pesquisa o candidato que pretende levar adiante a Revolução Cidadã do Presidente Rafael Correa, está 18 pontos na frente do candidato da direita, o banqueiro Guillermo Lasso. 

A direita equatoriana com o apoio da direita continental que tem grandes espaços na mídia comercial conservadora tentará de todas as formas fazer o jogo de Lasso, porque não se conforma com uma possível vitória do candidato de Rafael Correa.

Por estas e outras é preciso acompanhar com muita atenção a cobertura sobre o desenrolar do segundo turno equatoriano. A mídia comercial conservadora fará de tudo e muito mais para queimar a imagem de Lenin Moreno e tentar jogar mentiras e meias verdades sobre as gestões do Presidente Correa.

O esquema Globo e demais veículos subordinados ao grupo Diário das Américas vão dedicar páginas e páginas, além de acionar os colunistas de sempre para evitar a vitória consagradora de Lenin Moreno. Não é à toa que recentemente um editorial do jornal da família Marinho já se posicionou contra a Revolução Cidadã, que pode servir de exemplo positivo para muitos países, entre os quais o Brasil, que vivem em tempo de retrocesso social de fazer espécie.

Na verdade, a eleição equatoriana de dois de abril próximo terá reflexos na América Latina. Os equatorianos deverão decidir sobre duas propostas antagônicas, quais sejam o avanço da Revolução Cidadã ou o esquema neoliberal de Lasso nos moldes do Brasil do usurpador Michel Temer e do argentino Maurício Macri.

É por aí também que se pode entender melhor o motivo pelo qual a mídia comercial conservadora tenta de todas as formas dar uma sobrevida a Guilherme Lasso, que as primeiras pesquisas indicam a vitória de Lenin Moreno por ampla margem. É claro também que dificilmente a mídia comercial divulgará o resultado com a diferença acentuada em favor de Moreno. O primeiro pretexto neste momento é de que em pleno Carnaval, o tema segundo turno presidencial equatoriano se perde ao sabor da folia. Mas resta saber qual será o espaço que será dado ao tema mencionado durante o mês de março com o advento de novas pesquisas confirmando os percentuais da divulgada neste momento.

Aliás, o Carnaval serve também para justificar o fato das mais recentes denúncias envolvendo o Ministro Chefe da Casa Civil, Eliseo Padilha saírem do foco do noticiário. Vale então outra pergunta que não quer calar: políticos do PSDB que estão sendo acusados por delatores na Lava Jato, no Carnaval ou fora da festa, simplesmente não ganham repercussão na mídia comercial conservadora. Qual o motivo?

Como o Carnaval termina nesta quarta-feira, espera-se que o noticiário volte com novas informações, independente dos protagonistas serem deste ou daquele partido, sobretudo do PSDB, visivelmente poupado ao longo do tempo pelo noticiário diário.

Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum democrático de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

Pesquisa aponta que eleitores voltarão às urnas no Equador

No Equador, é possível ser eleito presidente em primeiro turno com o apoio de apenas 40% do eleitorado, desde que haja uma diferença de pelo menos 10 pontos percentuais

Por Redação, com ABr – do Quito:

Dados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira, indicam que o candidato governista à presidência do Equador, o esquerdista Lenin Moreno, será o mais votado nas eleições desse domingo. Mas ele provavelmente terá que disputar um segundo turno, no dia 2 de abril, com o segundo colocado, o conservador Guillermo Lasso.

Dados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira, indicam que o candidato governista à presidência do Equador, o esquerdista Lenin Moreno, será o mais votado nas eleições
Dados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira, indicam que o candidato governista à presidência do Equador, o esquerdista Lenin Moreno, será o mais votado nas eleições

No Equador, é possível ser eleito presidente em primeiro turno com o apoio de apenas 40% do eleitorado. Desde que haja uma diferença de pelo menos 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 81,4% dos votos apurados, Moreno estava na frente, com 38,9% dos votos, seguido por Lasso, com 28,5%.

Presidentes depostos

Antes mesmo de a contagem de votos terminar, Lasso recebeu o apoio da candidata Cynthia Viteri, que ficou em terceiro lugar, com 16,3% dos votos. Ela prometeu votar nele, em abril. Mas o presidente do CNE, Juan Pablo Pozo, alertou que só poderá confirmar a realização de uma segunda votação depois que todas as urnas forem apuradas.

As eleições presidenciais deste ano marcam o fim da era Rafael Correa, que conclui seu terceiro mandato em maio, depois de governar o Equador durante uma década. Ele ainda conta com a aprovação de quatro em cada dez equatorianos. Associam os governos dele à estabilidade política e econômica. De 1997 até a primeira eleição de Correa em 2006, o país teve oito presidentes, sendo que três foram depostos.

Economista com formação nos Estados Unidos e na Bélgica, Correa aproveitou a alta dos preços das commodities. Para investir em educação, saúde e infraestrutura, reduzindo a pobreza. Ele foi reeleito em 2009 e em 2013. Mas também foi criticado por sua política personalista e populista e por avançar sobre as instituições e a imprensa. Correa diz que vai voltar à Bélgica quando deixar o cargo. Sua mulher é belga e dois de seus três filhos vivem na Europa.

Cargo

Seu coordenador de campanha, Zambrano Patricio Restrepo, um dos articuladores da Revolução Cidadã de Correa, foi entrevistado pela economista e jornalista Marilza de Melo-Foucher. Restrepo falou sobre a chance de seguir adiante com os projetos de Correa, caso Moreno seja eleito, no segundo turno.

Restrepo tem mestrado em Relações Internacionais na Universidade Simon Bolívar Andina, é licenciado em Sociologia pela Université de Paris VIII, com diploma em Políticas Públicas e Integração do Instituto Superior de Estudos de Integração e Desenvolvimento Bogotá, Colômbia.

Parlamentar andino, Restrepo vem exercendo a vice-presidência do Escritório de Representação Parlamentar Nacional do Equador. É presidente da Comissão Especial de Combate à Corrupção e da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Comunicação.

– Você poderia fazer um breve resumo da esquerda no Equador?

– Contextualizando um pouco vamos narrar os anos da esquerda no Equador. Em 1926 ocorre a primeira reunião para a fundação do Partido Socialista Equatoriano, e, nesse mesmo ano um grupo de pessoas decidiu formar o terceiro partido no Equador, chamando Partido Socialista do Equador; antes havia o Partido Liberal e o Partido Conservador como em todas as cidades latino-americanas. Em 1932 um grupo pró-russo decide romper com o PSE e criam o Partido Comunista do Equador.

Estes partidos participaram da disputa eleitoral, durante os anos 60, quando houve em seguida uma ditadura no Equador (1972-1979) e, posteriormente, culminou em um triunvirato. O retorno da democracia se da com a eleição do presidente Jaime Roldós, que foi morto na fronteira com o Peru, em um acidente de avião por um ataque da CIA, enquanto participava de uma viagem presidencial; informações que em atualidade sabemos.

Nesta época, um novo processo político se começa a construir com a participação de intelectuais equatorianos que se unem e buscam uma atuação política livre e presente. Assim, durante os anos 70 vamos ter uma participação política nos diversos municípios e províncias do Equador, adquirindo mandatos na legislatura equatoriana.

Todavia, vale ressaltar que o poder sempre esteve nas mãos da direita, que procurou manter suas sinecuras, seus próprios compromissos.

A esquerda vai se unir e nesse período e vai propor políticas sociais que possam beneficiar as camadas sociais até então esquecidas pelos partidos de direita. Durante os anos 70/80 a esquerda aumenta sua influência, e consegue revitalizar os movimentos sociais e outras organizações, promovendo o sindicalismo. Mais tarde irão participar no processo de retorno ao governo civil.

O PSE torna-se então a força política eleitoral mais importante da esquerda.

Este terceiro partido faz emergir temáticas anteriormente ausentes, que antes não surgiam da sociedade. Começa então a luta em defesa dos trabalhadores, na aquisição de espaços e plataformas de trabalhadores, segurança social. Muitas dessas categorias sociais, atores sociais eram até então, invisíveis pelos partidos tradicionais. Essa luta será aderida por grandes personagens que encontram o seu lugar dentro dessa proposta de política, grandes intelectuais como Carrera Andrade, Benjamin Carrion; estes irão propor uma mudança radical dentro do Partido Socialista no que se refere à matriz exercida no Equador, mas especialmente a matriz econômica equatoriana.

– Quais são os fundamentos do PS equatoriano?

– Uma das bases fundamentais de todos os membros do Partido Socialista ou que passaram pelo PS, foi o marxismo. Identificamos-nos com o traçado filosófico de Marx. Por exemplo, a luta de classes, nós pensamos que é essencial em uma sociedade livre, exigimos um mundo sem conflitos sociais, porém, até agora a luta de classe social é iminente. A redistribuição da riqueza deve ser uma das propostas fundamentais de atores políticos, destacando especialmente o papel do estado, que deve salvaguardar a integridade e boa distribuição dos recursos que pertencem a todos os cidadãos equatorianos.

– Quando se inicia a instabilidade política e a luta contra o modelo econômico neoliberal?

– No início dos anos 90, realizou-se uma das mais fortes manifestações do movimento indígena no Equador, a marcha percorreu desde oriente equatoriano até cidade de Quito, trazendo queixas e reivindicações à Presidência da República. E, nesse momento surge um novo movimento e é criado um partido político chamado Pachakutik, representando o movimento indígena equatoriano.

É então que se inicia um grande período de instabilidade política, com nove ou 10 presidentes em exercício. O povo equatoriano elegia um presidente, entretanto, as classes dominantes, não satisfeitas com as suas decisões decidiam mobilizar a sociedade para protestar nas ruas.

A partir desse momento, eles tinham argumentos para retirar do poder o presidente legitimamente eleito pelo povo. Esta instabilidade durou dez anos.

Citando alguns casos: Abdala Bucaram assumiu como presidente interino em dez de agosto de 1996, seu mandato dura pouco tempo, ele será destituído em 6 de fevereiro de 1997, por uma votação no Congresso que justifica sua “incapacidade mental para governar” sem que haja um atestado médico que o comprovasse.

Depois de sua queda disputou o poder a então vice-presidente Rosalia Arteaga e o presidente do Congresso Fabian Alarcon. Será Alarcon que ira substituir o presidente deposto.

Democracia Popular

Ele permanecera na presidência no período de 11 de fevereiro de 1997 a 09 de agosto de 1998. Alarcón não tinha um rumo traçado na condução econômica do país que estava com um déficit fiscal insustentável, além das relações conflitantes com o Peru.

Em seguida Jamil Mahuad será eleito Presidente pelo Partido Democracia Popular em duo Gustavo Noboa. Seu mandato também será curto (1998 a 2000) e vai ser interrompido por um golpe cívico-militar.

Durante seu mandato foi emitido uma lei de resgate bancário que destinou recursos do estado para resolver os problemas dos bancos privados que tinham quebrado.

Em 1999 explode uma crise financeira, chamado “feriado bancário”, que levou ao encerramento de vários bancos do Equador. A partir desse momento, piora instabilidade política e econômica, as pessoas saíram às ruas e decidiu que Jamil Mahuad não era mais o presidente do Equador.

Em 21 de janeiro de 2000, foi derrubado quando as Forças Armadas do Equador retiraram o seu apoio. As ruas de Quito foram ocupadas pelos membros da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) que avançaram rumo ao Congresso Nacional.

Amigo dos EUA

A CONAIE teve apoio de um grupo de coronéis das Forças Armadas que agia independentemente da instituição militar. À meia-noite foi anunciada a criação de um triunvirato em que índios foram representados por Antonio Vargas, o coronel Lucio Gutierrez e Carlos Solorzano Constantino, que representou a sociedade civil.

Assume o poder o senhor Gustavo Noboa, o novo presidente assume constitucionalmente diante do Congresso, no dia seguinte a presidência do Equador, Senhor Mahuad é declarado destituído pelo congresso segundo a cláusula de “abandono de poder”.

Em seguida, uma nova eleição popular é organizada e Lucio Gutierrez, um ex-coronel do exército será eleito pelos atores da esquerda como Pachakutik, MPD, Partido Socialista, porque os seus requisitos estavam focados em igualdade de classe. O coronel Lucio Gutierrez vai imediatamente se declarar como o melhor amigo dos Estados Unidos e abandona as propostas sociais que faziam parte do acordo que a esquerda tinha selado com ele.

O mandato de Gutierrez vai durar de 15 de Janeiro de 2003 e 20 de abril de 2005. Ele será deposto da presidência por uma revolta popular. Assume então o poder Alfredo Palácio que governou no período de 20 de abril de 2005 a 14 de janeiro de 2007. Esse relato é para vocês terem idéia da instabilidade que o pais viveu.

– Qual foi o presidente começou a dolarização?

– O Equador adotou oficialmente o dólar como em 2000, durante o governo de Jamil Mahuad. Essa medida ocasionou uma forte desvalorização da moeda nacional, o “sucre” combinado com uma forte inflação. Isto causou um efeito inflacionário negativo sobre a economia do país. A instabilidade monetária e a falta de credibilidade na moeda Sucre afetou a solvência do sistema financeiro do país, causando entre outros, a deterioração dos salários, pensões, afetando mais a classe média baixa. Com Lucio Gutierrez já estávamos na época dolarizada e continuamos com os mesmos problemas econômicos e instabilidade política.

– Quando Esquerda unida chega ao poder?

– No final de 2006, temos uma vitória e foi eleito Presidente da República, Rafael Correa Delgado, formado na Universidade Católica do Equador com os jesuítas, mais tarde foi fazer seu mestrado em Louvin, na Bélgica, terminando seu doutorado nos Estados Unidos, na Universidade de Illinois.
Em 2007, o Partido Socialista Equatoriano, em unidade com os partidos de esquerda do Equador, decidiu apoiar este jovem cujo discurso sustentava uma mudança radical para o Equador.

Todavia, toda a sua visão política, o componente ideológico nasceu a partir da esquerda, de lutas sociais. Não da própria filiação em partidos políticos, mas sim, da luta nas universidades, sendo ele um economista brilhante, decano da Faculdade de Economia, uma das mais prestigiadas universidades no Equador. Depois ele engloba todas as nossas plataformas de luta e assume como suas próprias reivindicações, anti-neoliberal, anti-imperialista; Diante da crise econômica buscávamos uma economia mais solidária e, uma pessoa que abraçasse todas as nossas propostas.

Nesse momento, quando assumimos o poder, a esquerda estava unificada, forte e com um compromisso para construir um novo estado, com a responsabilidade de consolidar a fundação de um novo país, era urgente unir a esquerda para o benefício da grande maioria do Equador. Assim, em 2007, começou a construção deste novo processo de mudança que conhecemos como Revolução Cidadã.

– Como explicar a “revolução da cidadania»?

– A esquerda política agrupa as posições políticas que tem como ponto central a defesa da igualdade social. A busca da igualdade social se apresenta como um objetivo prioritário do seu programa político, embora muitas vezes a igualdade seja obtida à custa de alguns direitos individuais. No entanto, a direita política considera as diferenças sociais, como inevitável, normal ou natural.

Nós sempre dissemos que a esquerda se caracteriza pela nossa capacidade de reflexão, de análise e de crítica. Uma pessoa, que se diz de esquerda deve ser sempre crítica e autocrítica, porque a autocrítica é a base fundamental da concepção ideológica pessoal, mas, as críticas devem ser construtivas, visando beneficiar a sociedade, e, não somente para o benefício dos pensamentos; muitas vezes refletir sobre ações que podem ser benéficos para a maioria, pode parecer utópico na sua construção ou, podem destruir outros setores, dos quais nós não percebemos porque não somos parte deles.

O exercício da administração pública, sem dúvida, leva-nos a tomar decisões que muitas vezes podem acomodar vários setores e prejudicar os outros. Quando falamos em favorecer a determinados sectores, tais como os setores produtivos, devemos considerar que o Equador deve ter um crescimento permanente e, pode por vezes, prejudicar fragmentos que são ideologicamente contra esses setores.

No governo do presidente Rafael Correa, a administração pública tem sido repletas de necessidades, o que poderia chamá-las de necessidades prementes, urgentes que beneficiam certos sectores. Porém, ao prevalecer certo pragmatismo na execução de políticas governamentais, podemos afetar certos ideais, não princípios, ideais de construir o nosso estado ou nação.

E como é que vamos começar? Começamos pela prioridade mais urgente para garantir uma governabilidade, depois de tantos anos de instabilidade institucional. Tínhamos que realizar uma mudança da constituição. Propor uma nova constituinte, a escolha de um novo sistema.

Quando falamos de constituinte, nos referimos a um regime nascido de zero, que é dado ao legislador todo o poder para que ele possa exercer as mudanças necessárias, tanto na lei, como na administração pública. Para este desafio de elaboração de uma constituinte era necessário uma esquerda unida e solida, necessitávamos de uma constituinte com um povo unido.

Começamos a consolidar o estado que queremos e o resultado é uma constituição avançada em seus princípios, eu acho que é uma Constituição com a maior quantidade de direitos no mundo, ela foi realizada com a participação de todos os sectores, todos os segmentos de esquerda, do centro e da direita.

Todos unidos participaram na construção de uma constituição para o benefício de todo o povo, não como antes, que era em beneficio apenas do setor econômico. Aprovamos esta constituição e começamos de novo a lutar na arena política, ou seja, a existência ou a imposição de nosso pensamento que venha da esquerda ou da direita.

Expulsos do Equador

Em 2009, tivemos eleições gerais, e, os resultados obtidos, vão ser favoráveis ao nosso projeto político da “revolução da cidadania”, ao presidente Correa. Porém, para gerir um estado, nós também temos que adquirir a confiança dos partidos políticos, que teve um descrédito e desgaste de 10 anos devido à instabilidade política.

Isso nos permite refletir sobre os rumos do país, o que queremos é ver um país que possa progredir. Um país dotado de tecnologia, de infra-estruturas, com uma malha rodoviária que permite comunicar e escoar nossos produtos do interior para os mercados.

Um país que toma as suas decisões a nível internacional, com autodeterminação, sem imposições vindas do estrangeiro. Não queremos que o capital financeiro chegue por um mês e se retire novamente.

Livre de tudo o que chamamos de aconselhamento específico em detrimento do crescimento que nós definimos para o estado, ou seja, nós não acreditamos em receitas do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, que, aliás, foram expulsos do Equador.

– Para deixar claro para os nossos leitores, vocês enfrentaram a instabilidade política e também ao neoliberalismo não só como um modelo econômico, também como uma ideologia. Como criaram as condições de governabilidade?

– Tudo isto se combate destruindo os cimentos, não só do pensamento, para isto, temos que ter alternativas políticas, propostas concretas que têm custos e devemos assumir esses custos. Muitas vezes, nossos pensamentos políticos ou nossos princípios políticos, entre aspas, não nos deixam assumir esses custos, e, é desse modo que o exercício da administração pública também precisa de certo grau de pragmatismo na tomada de decisões.

Pode ser que alguns segmentos da população irão discordar de certas decisões, porém, temos que toma-las em conta, isto é, ou construirmos escolas, hospitais, estradas, melhoramos os salários, aperfeiçoamos oProduto interno Bruto (PIB), otimizamos as condições de vida dos cidadãos, para conseguir isso, necessitávamos gerar mais recursos; ou nós não geramos recursos e não fazemos nada para conseguir que todas as pessoas tenham uma vida boa e digna.

– Explique então porque hoje a esquerda é contra a esquerda no Equador? Por que esta ruptura na esquerda antes unida?

– Um dos problemas foi ocasionado por uma proposta de iniciativa geral lançada no Equador, uma proposição que causou uma ruptura nos setores de esquerda. Geralmente, esses setores são aqueles que defendem a natureza, o ambiente, mas, também temos que considerar que devemos confrontar enormes desafios na gestão de um estado, por isso, se tomou a decisão de propor ao mundo a não extração do petróleo.

Isto significava que todos os países que precisam de petróleo seriam co-partícipe do pagamento de petróleo que estamos deixando de explorar. O governo propôs emitir os chamados “Yasuni certificados de garantia” (CGY), documentos que garantiam que o Equador ia deixar o petróleo no subsolo. Infelizmente, a iniciativa fracassou, o mundo decidiu que não, deu a entender que eles não estavam interessados no petróleo do Equador.

O governo precisava ter recursos para executar os projetos de melhoria do setor de saúde, construções de hospitais, para a educação, para as estradas, e muitos outros serviços para a sociedade equatoriana. Foi por isso, que eles decidem explorar o Yasuni, e assim, começa um momento de tensão entre a esquerda que diz que se deve explorar o petróleo e outra que não deve explorar.

Para a esquerda governista era necessário explorar o petróleo, porque eram necessários esses recursos para melhorar a vida todos os cidadãos.

Isto é um dos fatos que levou o afastamento de algumas organizações sociais? Este foi o debate entre as esquerdas por um tipo de distinto de governabilidade.

 

Ações políticas

Começa então um momento de conflito entre certos grupos de esquerda que estão a favor do governo e alguns grupos de esquerda abandonaram o governo, que inicialmente o apoiaram. Estes grupos de esquerda que já não estão apoiando o governo nacional se radicalizaram, e voltaram para o seu exercício natural que é a reivindicação nas ruas.

Passaram a lutar, organizando manifestações contra o governo. Tentaram assim, criar uma instabilidade política ao governo Correia, mais um novo desequilíbrio político.

O governo decide contrariar essas ações, a resposta aos opositores era realizar o maior número de execução de obras e propostas. Geralmente, distinto do que fazia a direita quando estava no poder. Para calar os protestos dos movimentos de esquerda o governo concedia certos benefícios para os dirigentes de classe para satisfazê-los e deixavam continuarem suas ações políticas.

Essa é a forma como a direita no passado funcionava, eles ofereciam certas sinecuras a certos líderes de esquerda para que possam continuar a fazer suas reivindicações e seguir a luta popular à maneira deles. Essa sempre foi uma tática da direita em todo o mundo.

– Depois da saída de muitos representantes da esquerda no governo, como passou a agir o governo? Como são distribuídos as secretarias e Ministérios? São escolhidos por competências ou por filiação política?

Correa decidiu que ele não daria privilégios a ninguém e que se deveria mudar. Era o momento de despolitizar certos sectores, como o sector da educação que era dirigido pelo colega MPD – Movimento Democrático Popular, que tinha este espaço como algo que a direita tinha deixado para eles. Apenas aqueles que eram membros deste movimento político tinham acesso ao setor de educação.

Correa decidiu terminar com essa má política, porque esse modo de agir político não podia perdurar no país. Não devemos permitir que determinados grupos políticos se apoderassem de setores como neste caso, o da educação. Atualmente a educação já é acessível a todos e podemos acessar esse direito.

Nós acreditamos que não estamos em um país socialista, mas estamos contribuindo na construção do socialismo, no momento que a sociedade se apodera da competência política, ela pode assumir suas próprias decisões, mas não para a classe política.

– A esquerda é capaz de se questionar, de refletir e de trabalhar suas próprias contradições e fazer autocrítica? Que opina o Presidente do maior partido de esquerda do Equador?

Evidentemente, eu penso que quando você não aceita entender as contradições, não pode agir para corrigi-las. Quando aqueles que participam de um projeto comum tentam boicotar ou derrubar o governo porque não cumpriu com o que eles queriam, torna-se difícil de aceitar refutações que são direcionados para formular um golpe estado. Um governo responsável deve proteger a propriedade privada e evitar a pilhagem dos ministérios, isto não se pode aceitar.

– Como você analisa esta situação, quando a esquerda se volta contra a esquerda? A esquerda não consegue identificar mais quem é o adversário político e o inimigo? Na frente dos desafios do mundo global e da ideologia neoliberal como criar estratégias e alternativas? Eis uma longa questão…

Acredito que nossa sociedade na América Latina se tem convertido em uma busca de um melhor estilo de vida para os cidadãos, se isso é chamar de socialismo, se isto é dizer-se de esquerda…, o que eu posso dizer e estou convencido que quando alguém se diz de esquerda, deve lutar por melhoria de todos. Seu oponente ou adversário não é a esquerda e sim a direita, o fato de termos diferenças não quer dizer ser adversário. Nosso adversário comum é o império, dai seremos sempre anti-imperialista.

Todo homem, toda mulher de esquerda deve ser anti-imperialista, porque não vamos permitir que, em qualquer caso, que o império imponha suas decisões em nossos países soberanos. Sempre vamos ser plural no econômico, nossa meta é construir uma economia de baixo para cima e, sempre transparente.

Organizações sociais

Você aceita que os governos de esquerda tenham contra-poderes para revitalizar a democracia? A chamada “revolução da cidadania” no Equador, em princípio, era para congregar diferentes grupos políticos, cidadãos de diferentes categorias sociais. Logicamente, esta iniciativa leva o governo a trabalhar com diferenças e contradições. Muitos funcionam como contrapoderes para fazer que as coisas avancem.

Sim, concordo, todavia, com contra-poderes que venham fortalecer a democracia. Necessitamos de propostas concretas que nos levem a tomar decisões conjuntas. Ou seja, que os coletivos, as organizações sociais tragam propostas para serem analisadas e que coletivamente possam tomar decisões corretas.

Um grupo político, não pode impor sozinho, sua decisão para a maioria, e, em caso de ver rejeitada ir para as ruas para desestabilizar o governo. Isto é seu direito, mas não é uma decisão coletiva. Sabemos quem são os nossos inimigos, temos que lutar para que os postulados neoliberais não se imponham e venham assumir os governos em nossos países na América Latina.

– Qual avaliação deste final de governo “Correrista”, quais são as perspectivas futuras?

Nós acreditamos que é hora de continuar com as mudanças, para perpetuar um deslocamento para a esquerda e, isso significa que o Estado moderno no Equador foi consolidado. Podemos dizer também que avançamos na consolidação do estado de direito. Todavia, agora temos que entrar em um estado de obrigações para com a sociedade em benefício da maioria.

Temos que baixar os juros bancários, realizar uma reforma agrária, precisamos de uma sociedade, na qual todos têm a oportunidade de estudar e de educar-se. Precisamos liquidar com todas as dívidas que o Equador adquiriu, mas, tudo isto deve ser feito ao seu preço justo e, não aqueles que não são adequadas para o país. Precisamos continuar o processo de mudanças que nos permitem melhorar a sociedade como um todo.

– O que fazer para reaproximar os movimentos sociais, os movimentos de mulheres, movimento camponês, por exemplo?

Com a mesma capacidade que se tem para autocriticar, também devemos criticar a postura de certos companheiros (as) dentro dos movimentos, logicamente, eles podem ideologicamente ter razão em muitas coisas, todavia, às vezes é mais fácil destruir do que construir, o problema é que alguns nunca quiseram construir.

Temos que levar em conta que, existem movimentos sociais que são contra o governo de Rafael Correa, porém, existem também movimentos sociais que o apoiam, dentre estes, movimentos indígenas, trabalhadores, mulheres, que reconhecem que muitas coisas foram realizadas. Por exemplos: A violência de gênero é uma das maiores lutas que teve este governo, porque é o único na história do Equador, que tem permitido o acesso das mulheres aos lugares de tomada de decisão, é o único governo da América Latina em que seu gabinete é composto de 50% de mulheres e 50% dos homens.

Foram dados direitos de inscrição na segurança social interna as empregadas domésticas com um tratamento e salário justo. O Equador já mudou, mas precisamos continuar avançando nas reformas estruturais.

Lenin Moreno lidera eleição presidencial no Equador

Em uma eleição com oito candidatos, Moreno se aproximava do número necessário para evitar um segundo turno em abril e continuar um período de uma década de governo esquerdista

Por Redação, com Reuters – do Quito:

O candidato esquerdista governista Lenin Moreno estava nesta segunda-feira dentro da margem de vitória no primeiro turno da eleição presidencial do Equador, à medida que o órgão eleitoral do país contava cédulas durante a noite.

Lenin Moreno durante evento em Quito
Lenin Moreno durante evento em Quito

Em uma eleição com oito candidatos, Moreno se aproximava do número necessário para evitar um segundo turno em abril. E continuar um período de uma década de governo esquerdista, enquanto a América do Sul segue para a direita.

Embora equatorianos estejam irritados pela situação econômica e escândalos de corrupção. A oposição divide votos entre candidatos e o governista Aliança País continua popular entre muitos eleitores, graças a programas sociais.

Resultados

À medida que resultados saíam em partes do Equador, Moreno, ex-vice-presidente, estava com pouco menos de 40 % dos votos válidos. Uma diferença de 10 pontos percentuais com o rival mais próximo.

Ele tinha 38,88 %  dos votos válidos, contra 28,50 %  de Guillerme Lasso, com 80,9 %  dos votos apurados. Segundo contagem eleitoral oficial preliminar.

Simpatizantes do governo disseram que os votos de províncias favoráveis à atual administração e a votação de equatorianos no exterior pode levar Moreno, de 63 anos, à vitória.

O instante político nas eleições presidenciais do Equador

O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda

No Equador, perguntei a várias pessoas, aos taxistas, porque não havia nada que pudesse indicar que as eleições vão acontecer dia 19 de fevereiro

 

Por Marilza de Melo-Foucher – de Quito

 

Aproveitei de meu primeiro final de semana em Quito para sentir e apreender a cidade. Nada melhor que ir ao centro, ao coração da cidade. Caminhei bastante, parei nas esquinas em busca de mobilizações políticas, de algum evento, comício, mas, para minha surpresa não se passava nada! Não vi nenhum cartaz pregado nos muros, nenhum grafite, a cidade estava impecavelmente limpa e sem agitação política. Uma estranha calma reinava…

O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda
O militar reformado Paco Moncayo disputa as eleições presidenciais do Equador por um conjunto de partidos da esquerda

Perguntei a várias pessoas, aos taxistas, porque não havia nada que pudesse indicar que as eleições vão acontecer dia 19 de fevereiro. Recebi varias respostas: “Os equatorianos não são agressivos, dai não existem brigas como em outros países”; “Os equatorianos já sabem em quem irão votar”; “Aqui existe uma Lei que proíbe fixar cartazes nos muros, pichar as paredes e fazer propagandas barulhentas”; “Depois que mudaram as leis de financiamento melhorou muito, pois os partidos políticos não podem receber dinheiro das empresas para fazer campanhas, o financiamento é publico”.

Na segunda-feira sondei o pessoal do hotel antes de sair para visitar algumas organizações sociais. Perguntei sobre esta aparente calma na cidade em pleno período eleitoral. Algumas das respostas: “As coisas só irão esquentar quando faltar uma semana para as eleições”; “A crise não favorece ao candidato do governo”; “Os escândalos de corrupção prejudicam a reeleição”. Nenhum dos empregados respondeu a minha questão sobre em quem iam votar, apenas um sorriso maroto.

Eleições equatorianas

Os contatos mantidos com pessoas ligadas aos movimentos sociais e professores universitários apresentam visões distintas. Alguns são severos com Correa e sua administração. Outros são críticos, porém não negam os avanços sociais. Muitos assinalaram que o presidente Correa tem governado com certo autoritarismo. Segundo alguns, houve muitas repressões junto aos movimentos que deixaram de apoiar o governo. Deu pra perceber que existem muitas divisões no seio das organizações sociais.

Segundo informações oficiais, 12,8 milhões de cidadãos e cidadãs são convidados a votar na próxima eleição. Para 82,6% das pessoas cuja idade está entre 18 e 65 anos, o voto é obrigatório. Quanto ao restante, os jovens com idades entre 16 e 17, bem como e aqueles acima de 65 anos, o voto é voluntário. Por outro lado, cerca de 400 mil desses eleitores vivem no exterior e sobre a repartição por sexo, as coisas se movem mais ou menos em 50%.

Uma professora universitária de esquerda que encontrei, por sinal, muito crítica com o governo Correa, disse-me que se no Equador o voto não fosse obrigatório, certamente nesta eleição iria assistir a uma taxa de abstenção perto de 60%. Neste ponto, o indicador de indecisão nas pesquisas permanece muito elevado. Daí qualquer prognostico ser precipitado, segundo ela.

Sem fervor

Em três semanas de Equador seria impossível elaborar uma analise mais refinada, tendo em vista que não sou uma especialista, seria de minha parte uma desonestidade intelectual. O que descrevo aqui é apenas uma percepção geral, a partir dos atores locais encontrados, entrevistas realizadas, leitura de jornais e artigos sobre a situação política e eleitoral no Equador. Confesso que a situação é complexa. O cenário eleitoral atual exige cautela, pois se trata de uma eleição aparentemente sem grande fervor da cidadania, como pude comprovar.

Vale ressaltar que o contexto geral em que se desenvolvem as eleições atuais mudou muito com relação às eleições anteriores, que ocorreram em fevereiro de 2013, tendo em vista que existe um novo cenário geopolítico na região e no mundo, além de uma crise econômica mundial que perdura. Sem dúvida nenhuma, a hegemonia dos chamados governos progressistas ou pós-neoliberais se enfraqueceu na América do Sul; a direita sul-americana e mundial se fortaleceu e com ela a ideologia neoliberal.

Nesses últimos meses viu-se o risco de ruptura com o compromisso de integração regional, devido à vitória eleitoral de Mauricio Macri, na Argentina. Ao golpe político-parlamentar que afastou a presidenta Dilma Rousseff no Brasil. E, por último, a vitória do ultra-direitista Donald Trump em os EUA, entre outros.

‘Correísmo’

Até agora, as pesquisas dão uma vantagem ao candidato do governo, Lenin Moreno. Todavia, a Aliança Pais deve garantir o máximo de votos no primeiro turno para ter chances de aglutinar forças, face uma direita aparentemente dividida, mas que sempre se uniu contra a esquerda. Na outra ponta, existe um verdadeiro dilema para os adeptos da centro-esquerda, dita também esquerda moderada, e extrema esquerda nesta eleição. Como fazer suas campanhas eleitorais sem cair na alimentação do ódio ao “correísmo” forjado pela direita e seus meios de comunicação.

O risco é que seus votos no segundo turno sejam dados à direita e podem facilitar sua volta e a ascensão ao poder. Um partido que se reivindica do ideal de esquerda deve saber diferenciar o adversário político de esquerda do inimigo de direita.

Os partidos da esquerda opositora ao governo Correa criaram o Acordo Nacional para a Mudança. O candidato presidencial é Paco Moncayo, ex-comandante do exército equatoriano. O Acordo Nacional para a Mudança congrega organizações políticas como a Esquerda Democrática, a Unidade Popular, Pachakutik, o movimento da Ação Social e Solidaria (MASS), VIVE e Democracia Sim.

Políticas sociais

O candidato mais cotado da direita é Guillermo Lasso (Aliança CREO-SUMA). Lasso é um político com experiência eleitoral e, desde que perdeu as eleições de 2013, não deixou de viajar pelo país fazendo campanha e construindo sua própria imagem de um empresário moderno, bom gestor e de grande êxito. Em geral os candidatos de direita para a Presidência do Equador estão mais dedicados a atacar e criticar as políticas sociais e as realizações do governo de Correa do que apresentar propostas para a população.

O lema de sua campanha é “vamos para o cambio”. Entretanto, ele faz parte das forças políticas que levaram à crise explosiva de 1999. Outra candidata de direita é Cynthia Viteri, do Partido Social Cristiano. Este partido já teve grande influência no Equador, mas se desgastou desde 2006. Em seguida (segundo as pesquisas), encontra-se Abdala Bucaram, de Força Equador e Patricio Zuquilana, do Partido Sociedade Patriótica. Restam mais dois que são completamente inexpressivos.

A crise econômica que afetou o estado da economia nacional tem gerado um aumento do desemprego. Uma deterioração das condições de trabalho, a perda do poder aquisitivo. Um crescente endividamento das famílias mais humildes e, finalmente, a corrupção. Esta tem levado muitos equatorianos a ter uma visão deteriorada da política, ou seja, de que todo mundo rouba.

Modernização

Apesar das críticas de que tem sido alvo o governo Correa, ninguém pode negar que ele contribuiu para um processo de mudanças, que garantiu a estabilidade política e econômica ao Equador. Este país andino, entre 1996 e 2005, viveu em constante crise de governabilidade e econômica, que levou a derrubada de vários presidentes. Foram quase dez anos de instabilidade.

O governo de Correa se caracterizou pela centralidade do Estado como condutor do processo de modernização. Pela defesa da soberania nacional, desafiando os Estados Unidos ao fechar a base militar de Mante e expulsar o pessoal militar da embaixada norte-americana. E pela luta agressiva contra a Chevron, devido à destruição ambiental causada na Amazônia.

Tentou criar um corredor entre o modo de acumulação capitalista sem afetar a sua essência. E um modo de convivência pacifica com os ricos do Equador. A urgência do governo era gerar recursos para garantir políticas sociais compensatórias, com melhor distribuição de renda e melhores serviços públicos para a população. A exemplo dos investimentos feitos nos setores de saúde, educação e segurança social. Além de melhoria na infraestrutura, construção de estradas, portos, eletricidade etc., a fim de criar no Equador uma sociedade mais moderna e equitativa.

Neoliberalismo

Os campos de forças sociais e políticas hoje no Equador e América do Sul são muito complexos. Isso exige da esquerda realizar uma critica teórica e histórica de suas práticas e sentidos. Essa é a condição sine qua non para se projetar ao futuro. Infelizmente, a crítica é algo que nem sempre se aceita e, quando se aceita, muitas vezes o fazemos com relutância. A análise crítica sempre foi uma reivindicação de anos da esquerda. Porém, muitas vezes é justamente a própria esquerda que tem medo de analisar a realidade com um olhar crítico.

Na verdade, as diferenças ideológicas entre socialistas e comunistas não foram superadas. A unidade de esquerda sempre foi uma aspiração, nunca uma realidade. Todavia, diante da possibilidade de um caos político e social e da consolidação da ideologia neoliberal na América do Sul, o ideal seria que a esquerda buscasse pontos de convergências em seus programas, para garantir a próxima governabilidade.

Segundo François Houtart, outro dos grandes desafios no Equador é reconhecer que o Estado, para ser legítimo e eficaz, tem de ser um Estado heterogêneo, coexistindo com o multiculturalismo e, gradualmente, com a plurinacionalidade, dentro do âmbito da unidade Estado garantida pela Constituição.

Como se diz na campanha do candidato do governo: O Equador já mudou! Agora vamos consolidar mais direitos!

Marilza de Melo-Foucher é doutora em economia, especializada em questões de desenvolvimento. Trabalhou vários anos na cooperação internacional, hoje colabora com a imprensa alternativa e cidadã na França e no Brasil. Escreveu este texto durante uma visita a trabalho que fez ao Equador.

Equador admite ter cortado Internet de Assange

Embaixada equatoriana em Londres diz que restrição imposta ao fundador do Wikileaks respeita a “não ingerência” nos assuntos de outro país. Motivo seria vazamento de informações sobre Hillary Clinton

Por Redação, com DW – de Quito:

O governo do Equador admitiu nesta quarta-feira que restringiu temporariamente o acesso à internet do fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, asilado na embaixada do país em Londres há quatro anos.

Julian Assange está asilado na embaixada equatoriana em Londres desde 2012
Julian Assange está asilado na embaixada equatoriana em Londres desde 2012

Na segunda-feira, o Wikileaks denunciou que o acesso de Assange à internet havia sido “interrompido deliberadamente”. Citando “múltiplas fontes dos EUA”. O portal afirma que o Equador acatou um pedido do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para evitar a divulgação de informações confidenciais sobre a candidata democrata Hillary Clinton.

Em comunicado, a embaixada afirmou que “o governo do Equador respeita o princípio de não ingerência nos assuntos de outros países. Ele também afirmou que não interfere em processos eleitorais em curso, nem apoia nenhum candidato em especial”.

Wikileaks

A embaixada afirma ainda que o “Wikileaks divulgou uma grande quantidade de documentos. Essas informações  têm impacto sobre a campanha eleitoral nos Estados Unidos”. Cujo conteúdo “é da responsabilidade do Wikileaks“. Dessa forma, o país decidiu “restringir temporariamente o acesso a parte do seu sistema de comunicações em sua embaixada no Reino Unido”.

O Equador esclarece que concedeu asilo político a Assange em sua embaixada em razão dos “temores legítimos de perseguição política”. Devido a suas atividades como jornalista e fundador do Wikileaks.

O Departamento de Estado americano negou que John Kerry tenha feito o pedido mencionado pelo Wikileaks.

Apesar de admitir que suas preocupações com o portal já vêm de longa data. O órgão central da diplomacia norte-americana afirmou que “qualquer sugestão de que o secretário Kerry ou o Departamento de Estado estivessem envolvidos no bloqueio ao Wikileaks são falsas”.

O Equador não mencionou diretamente o envolvimento de Kerry. Mas afirmou que sua política externa “responde apenas a decisões soberanas e não cede a pressões de outros Estados”.

O país reiterou a decisão de conceder asilo a Assange e disse que “a restrição temporária não impede que a organização Wikileaks prossiga com suas atividades jornalísticas”.

Assange, está asilado na embaixada equatoriana desde 2012. Ele luta contra um pedido de extradição feito pela Suécia em razão de acusações de estupro, as quais ele nega. O fundador do Wikileaks teme que o governo sueco possa entregá-lo às autoridades dos EUA. Onde seria julgado pelo vazamento de milhares de documentos confidenciais diplomáticos e militares em 2010.

Tite repete time que venceu Equador para enfrentar a Colômbia

Depois, aí com o time dividido, Tite ficou com um grupo trabalhando a bola parada. Do outro lado era Sylvinho que extraía ao máximo o restante do grupo, com lances de cruzamento e finalizações

Por Redação, com agências de notícias de Manaus:

O treino da Seleção Brasileira não teve a presença da torcida, que na véspera fizera festa e até se excedera ao invadir o campo no fim da atividade, e o técnico Tite aproveitou o trabalho tático para sinalizar que não pretende mudar o time que fez 3 a 0 no Equador e nesta terça-feira enfrenta a Colômbia em mais um jogo dificil pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Tite e sua comissão técnica comandaram um longo treino tático na Arena da Amazônia
Tite e sua comissão técnica comandaram um longo treino tático na Arena da Amazônia

Tite e sua comissão técnica comandaram um longo treino tático na Arena da Amazônia no domingo, e os titulares escalados foram Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro, Renato Augusto, Paulinho, William e Neymar; Gabriel Jesus.

– Os dois primeiros dias após uma partida são complicados de dar uma carga maior de trabalho por conta da recuperação. Por isso, que ainda não é a véspera do próximo jogo, era o dia ideal para um treinamento maior. Ele precisa aproveitar o tempo que puder para passar aquilo que quer da equipe – explicou Renato Augusto, acostumado com Tite desde os tempos de Corinthians.

De cara, após o aquecimento, Tite coordenou um trabalho tático daqueles tradicionais. Duas equipes escaladas, campo praticamente em seu tamanho normal e bola rolando. A todo instante, o técnico orientava e parecia até que ia jogar junto com seus jogadores, tamanha a proximidade com que acompanhava as jogadas.

Depois, aí com o time dividido, Tite ficou com um grupo trabalhando a bola parada. Do outro lado era Sylvinho que extraía ao máximo o restante do grupo, com lances de cruzamento e finalizações.

No fim, ainda deu tempo para uma brincadeira em forma de treinamento. Taffarel e seus goleiros desafiaram os atacantes em finalizações. O preparador mandava a bola com força, o jogador de linha tinha de dominar e bater direto. Dois toques no máximo. Os goleiros levaram a melhor nas três séries.

– Eles tiveram sorte. Também, com a qualidade deles, fica mais difícil. Não sei nem se vou ter forças para levantar o prato depois de tanta flexão que paguei – brincou Gabriel Jesus, um dos jogadores que participou do exercício.

Seleção brasileira inicia preparativos para enfrentar o Equador

O time brasileiro está atualmente na sexta colocação nas eliminatórias, fora da zona de classificação para a próxima Copa do Mundo

Por Redação, com ARN e Reuters – do Quito:

Após um voo de pouco mais de seis horas, a Seleção Brasileira chegou a Quito, capital equatoriana, no início da madrugada desta segunda. Na próxima quinta-feira, Brasil e os donos da casa se enfrentam pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia. O Brasil,com 9 pontos, é o sexto colocado das Eliminatórias e terá uma parada difícil logo na estreia de Tite como treinador da seleção. O Equador, com 13, é o líder da competição ao lado do Uruguai.

O Brasil,com 9 pontos, é o sexto colocado das Eliminatórias
O Brasil,com 9 pontos, é o sexto colocado das Eliminatórias

Weverton, Gil, Geromel, Paulinho, Gabriel, Willian, Neymar, Renato Augusto, Taison, Fágner, Lucas Lima, além da comissão técnica completa, foram os primeiros a se apresentar. O restante do grupo chega a Quito nesta segunda-feira. Brasil e Equador se enfrentam às 16h (18h de Brasília) na próxima quinta. O palco da partida será o Estádio Olímpico Atahualpa.

O técnico Tite comanda seu primeiro treinamento à frente da Seleção também nesta tarde. O início da atividade foi no Estádio Casa Blanca. O atendimento à imprensa foi logo após.

Os jogadores se apresentaram no Rio No fim da tarde de domingo e  juntos no Salão Nobre do Aeroporto Galeão, a conversa fluiu entre atletas e delegação antes do embarque. Muitos não se encontravam há bastante tempo e aproveitaram a oportunidade para começar a colocar o papo em dia. Outros, como Neymar, Renato Augusto, Weverton e Gabriel mal deram tempo para a saudade um do outro, afinal de contas, estiveram juntos até o último sábado na conquista do ouro olímpico. Em Quito, a Seleção fica concentrada no Hotel Sheraton.

O Brasil precisa deixar a situação desconfortável que atravessa nas eliminatórias da Copa do Mundo, e uma vitória sobre o Equador na quinta-feira em Quito seria fundamental para a ascensão da equipe na competição que garante vagas no Mundial da Rússia em 2018, disse o experiente lateral-direito Daniel Alves.

– Estamos em uma colocação desconfortável e sexto lugar não é lugar que a gente quer… mas tenho certeza que vamos mudar isso – disse Alves a jornalistas em Quito. “Na situação que a gente está, desculpa não serve. Tem que fazer o melhor”.

– A gente precisa muito de informação, ele tem que encher nossas ideias com a filosofia dele porque não temos tempo suficiente para trabalhar. Assim vamos assimilar o que precisamos – acrescentou o lateral, recém-contratado pela Juventus.

Para dificultar ainda mais o desafio do Brasil, o jogo contra os equatorianos, vice-líderes das eliminatórias, será na altitude da cidade de Quito.

– As lembranças que tenho da altitude não são fáceis, são bem difíceis, mas temos que superar – disse.

No jogo contra o Equador, o Brasil pode ter um novo capitão, uma vez que depois da conquista do inédito ouro olímpico o atacante Neymar pediu para não exercer mais a função. Daniel Alves e Miranda estariam entre os cotados para a posição.

O lateral disse que pela experiência dentro da seleção está pronto para o cargo, mas não considera a capitania algo fundamental para o sucesso de uma equipe.

– Estou pronto para as situações, mas meu comprometimento é independente de ser capitão ou não. Há muitos que poderiam ser. Aqui na seleção tem mais que jogar futebol do que se importar com braçadeira. A responsabilidade é de todos.

Equador é atingido por terremoto de magnitude 6,7

Presidente equatoriano, Rafael Correa, visitando área atingida por terremoto em abri

O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico também afirmou que não há previsão de que o tremor gere um tsunami no oceano que banha o litoral do país

Por Redação, com Reuters – do Quito:

Um terremoto de magnitude 6,7 atingiu a costa do Equador na madrugada desta quarta-feira na mesma região onde um tremor de magnitude 7,8 matou mais de 650 pessoas no mês passado.

Não houvem relatos de danos significativos do sismo desta quarta, que interrompeu a eletricidade em algumas áreas costeiras e fez as pessoas correrem para as ruas até na região mais alta da capital Quito, segundo testemunhas.

Presidente equatoriano, Rafael Correa, visitando área atingida por terremoto em abri
Presidente equatoriano, Rafael Correa, visitando área atingida por terremoto em abri

O presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que o epicentro foi o vilarejo de pescadores de Mompiche, na costa do oceano Pacífico, e que o terremoto só causou alguns “pequenos danos”.

– Todos fiquem calmos – disse Correa no Twitter, acrescentando que não há alerta de tsunami.

O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico também afirmou que não há previsão de que o tremor gere um tsunami no oceano que banha o litoral do país, e o Instituto Geológico dos Estados Unidos estimou a profundidade do tremor em 10 quilômetros.

O sismo de abril, o pior a vitimar o Equador em quase sete décadas, derrubou edifícios ao longo da costa. Além das fatalidades, o desastre deixou cerca de 16.600 mil feridos e causou estimados US$ 2 bilhões em danos.

Novo terremoto abala costa do Equador

Equipes de resgate e policiais buscam vítimas em hotel afetado por terremoto em Pedernales, no Equador

Nenhum alerta de tsunami foi emitido. O terremoto não foi sentido na capital Quito, que fica em uma área mais elevada, e não surgiram relatos imediatos de danos

Por Redação, com Reuters – do Quito:

Um terremoto de magnitude 6,2 atingiu a costa do Equador nesta quarta-feira, poucos dias depois de um tremor ainda mais forte ter abalado a área e matado quase 500 pessoas, golpeando a economia já frágil do país.

Equipes de resgate e policiais buscam vítimas em hotel afetado por terremoto em Pedernales, no Equador
Equipes de resgate e policiais buscam vítimas em hotel afetado por terremoto em Pedernales, no Equador

O sismo mais recente aconteceu a 70 quilômetros da cidade litorânea de Esmeraldas, às margens do Pacífico, e a 10 quilômetros de profundidade, informou o Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico, numa área próxima ao epicentro do terremoto de magnitude 7,8 de sábado.

Testemunhas na região disseram que dois tremores fortes de cerca de 30 segundos cada foram sentidos nas primeiras horas do dia em Cojimies, mais ao sul da costa em comparação ao sismo do final de semana. As pessoas acordaram e correram para as ruas.

Nenhum alerta de tsunami foi emitido. O terremoto não foi sentido na capital Quito, que fica em uma área mais elevada, e não surgiram relatos imediatos de danos.

O Instituto Geofísico do Equador afirmou que um terremoto de magnitude 6,2 ocorrido às 3h33 do horário local foi seguido por uma série de tremores secundários. O Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estimou sua magnitude em 6,1.

O sismo de sábado matou 480 pessoas, deixou 107 desaparecidos e mais de 4,6 mil feridos. Cerca de 1,5 mil edifícios foram destruídos, houve inundações de lama e ruas foram rasgadas ao meio. Cerca de 20,5 mil pessoas tiveram que dormir em abrigos.

Supervisionando os trabalhos de resgate na zona do desastre, o presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que o terremoto de sábado infligiu um dano de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões à economia do país dependente de petróleo e que pode reduzir o crescimento da nação em 2 ou 3 pontos percentuais.

A queda na arrecadação do petróleo devido à redução do preço da commodity já vinha obrigando o Equador, nação andina pobre de 16 milhões de pessoas, a encarar um crescimento quase zero, cortes nos investimentos e a busca de financiamento.

Em muitos vilarejos ou cidades mais isoladas, os sobreviventes sofrem com a falta de água, eletricidade e transporte, embora a ajuda esteja chegando aos poucos. Estádios de futebol no norte e no sul da costa equatoriana estão servindo como centros de distribuição de ajuda e necrotérios improvisados.

Os socorristas estão perdendo a esperança de encontrar novos sobreviventes, embora os familiares dos desaparecidos implorem para que insistam nas buscas.