Professora sofre retaliação na escola por opinar contra reformas no ensino

A cientista social Carina Santos fez críticas à reforma do ensino, proposta pelo governo, e sofreu a censura na escola pública onde trabalha

Segundo Carina Santos, os professores das disciplinas ”técnicas” na escola serão admitidos por notório saber

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Professora de Sociologia em um educandário no Sul do Estado do Rio, a cientista social Carina Santos denunciou, em sua página de uma rede social, ter sido “retaliada na escola onde atuo por conta da minha posição crítica à Medida Provisória (MP) do Ensino Médio”.

A cientista social Carina Santos fez críticas à reforma do ensino, proposta pelo governo, e sofreu a censura na escola pública onde trabalha
A cientista social Carina Santos fez críticas à reforma do ensino, proposta pelo governo, e sofreu a censura na escola pública onde trabalha

“Publiquei aqui (no Facebook) que estava sendo retaliada na Escola onde atuo por conta da minha posição crítica à MP do Ensino Médio e o Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI)”. As razões que levaram a educadora a formular as críticas, pelas quais sofreu a retaliação, em seu local de trabalho, foram especificadas:

“O projeto aumenta a carga horária, com foco no letramento e desenvolvimento das operações matemáticas. O restante do tempo vai se dividir na opção do aluno entre: Sociologia, Historia , Artes, Educação Física, Física, Química e mais letramento, com foco para a linguagem formal sem considerar a diversidade da nossa língua mater e das suas formas. Dentro dessas ”opções” consta, também, as disciplinas técnicas que tem o nome genérico de ‘’Projeto de Vida”.

Ainda segundo Santos, os professores das disciplinas ”técnicas” serão admitidos por notório saber. As regras para tal contrato não estão evidenciadas no projeto”, acrescentou.

‘Bom comportamento’

Sobre o ProEMI adaptado às regionais, a professora ressalta:

“Criam-se núcleos regionais de educação (CICs) — área de conhecimento para desenvolvimento de saberes, onde a opção será do aluno. Refletindo as divisões citadas. A carga horária aumenta gradualmente, mas o projeto tem apenas três parcelas a serem vencidas e, até onde sei, não se tem garantia de efetivo pagamento. Além da chegada de uma PEC que reduz os gastos com Educação. A conta não bate”.

Para Carina Santos, “a meritocracia está presente e tem características médias esperadas para o estudantes. Dentre elas , termos que lembrar substantivos utilizados para defesa da ‘moral e bons costumes’. Alguém se lembra a ultima vez que isso esteve em questão? 
Exemplos : ‘bom comportamento’, ‘ter bom letramento’, ‘ser bem conhecido dentre sua turma’. Quais são as perdas com isso?”.

“O projeto já chega solapando de maneira autoritária. A divisão se dará entre estudantes para o mercado de trabalho e estudante que ingressará na universidade seguindo as ‘opções’ oferecidas. O que vcs acham que irá acontecer?”, questiona.

Espaço na aula

Para a educadora, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), “há um alinhamento com a tese da Escola sem Partido. Uma vez que o estudante não precisará optar por aulas de humanas”.

E cita, como exemplo:

“No ano passado tive em sala dois estudantes que mais participaram dos debates. Um deles, do Partido Militar, defensor do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). E o outro do campo popular democrático, que apoiou Lula. Ambos tinham espaço na aula, e os debates ocorriam.

“No final do período o aluno que apoiava Bolsonaro não entregou um trabalho sobre movimentos sociais por conta da sua ideologia. Esse aluno, nessa divisão, não se sentirá obrigado a refletir sobre pensamentos divergentes ao dele. Há de se constar que, embora eu tenha militado no mesmo grupo politico do aluno do campo popular, apenas no último dia de aula a sala teve conhecimento disso”.

Meritocracia

A Lei 16.639/03 do Ensino da História da África no Brasil, segundo Santos, “sequer é citada”. “O que permite à ideologia meritocrática ter mais destaque é o fato de não discutimos a origem da desigualdade racial e social no Brasil”, pontua.

Carina Santos cita o professor de História Felipe Duque, ao afirmar que a perda de autonomia do professor, afinal o projeto fala em presença constante de representações federais, como se não bastasse a tal da Gestão Integrada de Desenvolvimento (GID), embora aponte o alinhamento do projeto governamental à Escola sem Partido.


Como resultado da MP, Santos acrescenta o “aumento de trabalho, afinal, há zilhões de relatórios para justificar a contemplação do projeto. E a pulverização de professores em mais colégios, afinal há o enxugamento do currículo que se amplia gradativamente em todas as turmas nos próximos”.

Para a educadora, “o professor será agente descartável na escola onde não tem pertencimento”.

“É preciso resistir”, conclui.

Ocupação de escola em SP eleva consciência e participação popular

Escola estadual de Diadema foi a primeira a ser ocupada. "A escola não é mais a mesma, e nós também não”, diz estudante

Estudantes cobram mais democracia em decisões de escolas e inspiram a maior mobilização da história do país. “A escola não é mais a mesma, e nós também não”, diz aluno do Fernão Dias. Autoritarismo reage

Por Redação, com RBA – de São Paulo:

Há um ano, estudantes da Escola Estadual de Diadema decidiram, em assembleia, ocupar o colégio localizado na região do ABC paulista contra o projeto de reorganização escolar do governo Geraldo Alckmin, que pretendia fechar escolas, e que após a mobilização foi suspenso pelo governador.

Escola estadual de Diadema foi a primeira a ser ocupada. "A escola não é mais a mesma, e nós também não”, diz estudante
Escola estadual de Diadema foi a primeira a ser ocupada. “A escola não é mais a mesma, e nós também não”, diz estudante

De lá para cá, os estudantes paulistas seguiram o caminho da mobilização. E conseguiram reformas nos prédios, oferta de cursinhos populares e, sobretudo, abrir caminho para aquela que hoje é a maior mobilização estudantil da história do país.

No último mês, escolas e universidades de 20 Estados e do Distrito Federal passam ou passaram por um movimento de ocupação contra a reforma do ensino médio. Prevista na Medida Provisória (MP) 746, e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55. Que restringe os investimentos sociais do governo federal, inclusive em educação, ambas propostas do governo Temer.

– Os secundaristas pensam a escola como um espaço democrático – conta o aluno de Contabilidade Rodrigo dos Santos Silva. Ele apoia a ocupação e dá aula em cursinho popular implantado na escola em agosto. Por reivindicação e articulação dos próprios alunos. “Da mesma forma que eles foram inspirados por outros secundaristas, eles abriram caminho para ocupações em outros Estados. Primeiro foi no Rio de Janeiro, depois em Goiás e agora esse movimento com milhares de escolas ocupadas em todo país.”

O número de universidades ocupadas chega a 171. O balanço oficial de escolas em movimento foi suspenso temporariamente devido à inconsistência de dados no Paraná, Estado com maior número de ocupações. No auge, em 28 de outubro, eram 1.198 ocupações no país, 845 naquele Estado.

No Estado de São Paulo, a mobilização teve força no início do ano, com as ocupações especialmente de escolas técnicas. Em maio, a Procuradora-Geral do Estado liberou as delegacias regionais a recorrer à Justiça para fazer reintegração de posse de imóveis públicos ocupados. “Agora houve ocupações de diretorias de ensino e de escolas nos municípios de Embu das Artes e Taboão da Serra, mas foram todas desocupadas sem mandato”, lembra Rodrigo.

Diadema

Na Escola Estadual Diadema, os estudantes permaneceram ocupados por 42 dias. Sofrendo pressões jurídicas, da imprensa comercial e de membros da direção da escola para que liberassem o prédio.

De lá para cá, conseguiram reativar o grêmio escolar, garantir representação estudantil no Conselho da Escola. Abrir o prédio aos sábados para a comunidade e implantar um cursinho pré-universitário popular e gratuito, que atende 150 vestibulandos da região.

Organizaram também uma semana de debates com intelectuais e acadêmicos sobre a crise econômica e política do país no primeiro semestre e planejam outra ainda este ano.

Inspirados no movimento secundarista do Chile, às 19h do dia 9 de novembro de 2015, um grupo de 20 alunos ocupou a escola. Prometendo ficar no local até obter um retorno no governador contra o projeto de reorganização do ensino. “Nosso objetivo é chamar a atenção do governo e obter uma resposta positiva. Nós estamos organizados pacificamente e temos o direito de ocupar o espaço público”, disse na época o porta-voz do grupo, que não se identificou.

– Antes da ocupação a própria diretoria escolhia os representantes do conselho e mantinha toda autoridade. Hoje é diferente: tudo passa pelo conselho. Ela perdeu autoridade e a democracia aumentou – diz o estudante Douglas Alves dos Santos, de 17 anos. “Os alunos conseguiram ter mais autoridade e poder na escola. Temos hoje o conhecimento de coisas que sempre deveríamos ter tido, direitos que sempre tivemos e não sabíamos, mas que começamos a exercer.”

É fato que o movimento dos estudantes elevou o grau de consciência. Mas também é que os governos estaduais, em especial em São Paulo. Passaram a endurecer nas condutas que vão da perseguição à retaliação a estudantes.

Movimento dos estudantes

Conforme reportagem publicada aqui na semana passada. Alckmin, além de tentar impor uma proposta de reorganização, ainda vem utilizando agentes da Segurança Pública do Estado para perseguir, coagir e até espancar estudantes.

A polícia é acusada de carregar lista com fotos e nomes de secundaristas e apoiadores do movimento. Ao ser abordado, o jovem é obrigado a reconhecer os colegas apresentados nas imagens. Quem não consegue, é espancado. As perseguições não cessaram, pelo contrário, se tornaram mais frequentes e e violentas, segundo fontes ouvidas pelo jornal GGN.

Outras ocupações

Algumas horas após da ocupação em Diadema, foi a vez da escola Fernão Dias, na Zona Oeste de São Paulo. A ação daqueles estudantes acabou se tornando um marco na luta dos secundaristas. Depois de a unidade permanecer uma semana sitiada pela Polícia Militar.

A partir daí, explodiram ocupações em todo Estado. No auge do movimento, em 2 de dezembro do ano passado, os estudantes paulistas chegaram a ocupar 213 escolas em todo o Estado, contra o projeto, que pretendia fechar 94 escolas e transferir compulsoriamente 311 mil estudantes.

Os alunos se dividiram em comissões, que eram responsáveis pela limpeza da escola, preparo da comida, contato com a imprensa, controle dos portões e organização de atividades culturais. Foram feitas sessões de cinema ao ar livre, shows, teatros, saraus e leituras de poesias. “As escolas nunca tiveram tanta vida cultural como agora”. Contou na época o secundarista José Vinicius da Escola Estadual Ana Rosa Araújo, na Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo.

Após 25 dias de intensa mobilização, o governador foi a público suspender o projeto. Em seguida, o então secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, pediu demissão. Os frutos do movimento, no entanto, ainda estão sendo colhidos. Na Fernão Dias, o espaço da escola tem sido utilizado para atividades culturais geridas e planejadas pelos alunos. Uma demanda antiga dos estudantes, conquistada apenas após a ocupação.

Na escola Caetano de Campos, uma das mais tradicionais de São Paulo, na região central, os alunos também conseguiram participar do Conselho de Escola. Em Perus, na Zona Oeste da capital paulista, estudantes da escola Gavião Peixoto conseguiram reforma da quadra do colégio. Agora estão se mobilizando por melhorias para o anfiteatro. “As relações mudaram, os professores mudaram. A escola não é mais a mesma, e nós também não”, acredita Douglas.

Escola de teatro tem problemas com crise que atinge o Rio

Funcionários terceirizados foram demitidos por conta da falta de verba

Funcionários terceirizados foram demitidos por conta da falta de verba para o pagamento e serviços básicos como limpeza e manutenção são feitos de forma voluntária por próprios alunos e professores

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

Alunos, funcionários e professores da Escola Técnica de Teatro Martins Penna, reconhecida por formar e revelar grandes figuras da cultura brasileira, enfrentam reflexos da crise que assola o Estado do Rio de Janeiro.

Funcionários terceirizados foram demitidos por conta da falta de verba para o pagamento e serviços básicos como limpeza e manutenção são feitos de forma voluntária por próprios alunos e professores.

Funcionários terceirizados foram demitidos por conta da falta de verba
Funcionários terceirizados foram demitidos por conta da falta de verba

Segundo o aluno Jovan Ferreira, a escola se encontra em estado precário. Ele lembrou do processo de ocupação da escola no último semestre e destacou que o movimento só acabou por conta de um acordo fechado com a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), que não foi cumprido.

– Um pouco antes da Olimpíada, a Faetec nos procurou propondo um acordo, que nós aceitamos. Mas que eles não cumpriram em nada. Semana passada, eles retiraram as máquinas de recarga do nosso RioCard (cartão de transporte). Além de já não contarmos com alimentação. Como alguém pode vir estudar assim? Sem dinheiro para transporte e sem comida para se manter de pé? – questiona.

Argumentação da escola

O diretor da escola, Marcelo Reis, explicou que a retirada das máquinas do RioCard e o não oferecimento da alimentação não ocorreram por vontade própria da Faetec. Mas por uma questão de legislação.

De acordo com o técnico em eletricidade Eugênio de Oliveira, que está ajudando a instituição de forma voluntária. A última empresa que prestava os serviços de limpeza e manutenção ficou apenas duas semanas.

Oliveira disse torcer por um desfecho diferente do que vislumbra com o atual cenário. “É muito triste. Assim como eu, muitos ainda insistem em vir aqui por amor a essa escola. Não quero ver a Martins Penna, tão tradicional e importante, acabar assim”.

Em nota, a Faetec informou que aguarda o aumento no fluxo de caixa do estado para quitar parcelas atrasadas. Há uma previsão de um novo repasse da Secretaria Estadual de Fazenda após o pagamento da folha salarial dos servidores ativos e inativos, ainda neste mês.

PM paulista usa munição letal ao invadir escola do MST

Os policiais chegaram na escola por volta das 9h25, cercaram o local e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar

Em nota publicada no site, o MST disse “repudiar” a ação da Polícia de São Paulo e “exige que o governo tome as medidas cabíveis nesse processo”

Por Redação, com RBA – de São Paulo:

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil do Paraná e a Polícia Militar de São Paulo invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP). Mesmo sem mandado de busca e apreensão.

Os policiais chegaram na escola por volta das 9h25, cercaram o local e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar
Os policiais chegaram na escola por volta das 9h25, cercaram o local e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar

Os policiais dispararam contra as pessoas na recepção da unidade. Eleprenderam dois militantes. Segundo relatos, o cerco foi feito por 10 viaturas e os policiais não estão identificados.

Os policiais chegaram na escola por volta das 9h25. Cercaram o local e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar. Os estilhaços, que acertaram uma mulher, eram de balas letais e não de borracha.

Violência

– Trata-se de abuso de autoridade, uma violência desnecessária, ilegal – afirmou Giane Alves, advogada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Segundo Giane, os policiais não informam o motivo da invasão. “Desconfiamos que esteja relacionado com operações que estão acontecendo do Paraná. Mas não sabemos quem eles estão procurando”, disse.

MST

Em nota publicada no site, o MST disse “repudiar” a ação da Polícia de São Paulo e “exige que o governo tome as medidas cabíveis nesse processo”. “Somos um Movimento que luta pela democratização do acesso a terra no país e não uma organização criminosa”, diz a nota.

Nas redes sociais, o ator Wagner Moura se manifestou: “Para quem tinha dúvidas de que vivemos um Estado de exceção…”

Alunos detidos em ocupação de escola são liberados em SP

Foram liberados por volta das 4h da madrugada desta sexta-feira os 40 estudantes

Os estudantes protestam por pautas específicas referentes à Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) e às Escolas Técnicas Estaduais (Etecs)

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

Foram liberados por volta das 4h da madrugada desta sexta-feira os 40 estudantes detidos após ocuparem o Centro Paula Souza (CPS), região central da capital paulista. Eles foram retirados do local na noite anterior por policiais militares e levados em dois ônibus até o 2º Distrito Policial, no Bom Retiro.

Foram liberados por volta das 4h da madrugada desta sexta-feira os 40 estudantes
Foram liberados por volta das 4h da madrugada desta sexta-feira os 40 estudantes

Os estudantes protestam por pautas específicas referentes à Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec). E às Escolas Técnicas Estaduais (Etecs). Além de pautas nacionais. Como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Gastos Públicos, a reforma do ensino médio e retrocessos na educação.

Segundo o advogado dos estudantes, Veiga Junior. A PM não tinha mandado para a reintegração de posse e não informou o motivo da detenção dos jovens. À Agência Brasil entrou em contato com a secretaria de Segurança Pública, que ainda não se pronunciou sobre o caso.

Adiar provas do Enem

A Justiça Federal no Ceará indeferiu o pedido do procurador da República, Oscar Costa Filho, do Ministério Público Federal (MPF) no Ceará, de adiar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para todos os candidatos do país. Com a decisão da Justiça, a prova está mantida para este final de semana (5 e 6 de novembro).

O procurador pediu o adiamento do exame para todos os candidatos. Após o Ministério da Educação (MEC) adiar a prova de cerca de 191 mil candidatos. Eles fariam o exame em escolas, universidades e institutos federais ocupados por estudantes em protesto a medidas do governo federal. O exame para esses candidatos foi adiado para os dias 3 e 4 de dezembro.

O procurador argumentou que há prejuízo à isonomia do exame. Uma vez que seriam aplicadas provas e temas de redação diferentes para aqueles que forem fazer a prova apenas em dezembro.

A Justiça, no entanto, entendeu que “apesar da diversidade de temas que inafastavelmente ocorrerá com a aplicação de provas de redação distintas. Verifica-se que a garantia da isonomia decorre dos critérios de correção previamente estabelecidos. Em que há ênfase na avaliação do domínio da língua e de outras competências que não têm “o tema” como ponto central”.

MPF

O MPF chegou a pedir, como alternativa, que a prova seja mantida. Mas que não seja válida a prova de redação até “o julgamento de mérito da demanda. Assegurando assim a “igualdade de partes” e a reversibilidade dos efeitos da decisão”. A alternativa seria tomar medidas para assegurar que todos os candidatos submetam-se à mesma prova de redação. O pedido alternativo foi também negado.

Em defesa da manutenção do Enem, a Advocacia-Geral da União (AGU). Argumentou que o adiamento nacional custaria R$ 776 milhões aos cofres públicos. Segundo o MEC, o adiamento de parte dos candidatos custará cerca de R$ 12 milhões.

De acordo com a AGU, como um número elevado de provas teria que ser corrigido em um curto período de tempo. O adiamento certamente também prejudicaria o acesso dos estudantes ao ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Bem como o cronograma do ano letivo das universidades que utilizam o Enem.

Segundo a AGU, o Enem normalmente já é composto por duas provas aplicadas em datas diferentes. Além do exame regular, a avaliação é feita em um segundo momento pelos estudantes privados de liberdade. E aqueles que foram impedidos de participar do certame por desastres naturais, como aconteceu no ano passado em dois municípios de Santa Catarina.

A AGU também defendeu que, embora com temas diferentes, a isonomia das redações está garantida na correção. O resultado da avaliação é definido com base em cinco competências expressas na matriz do Enem. Cada uma, avaliada por quatro critérios correspondentes aos conceitos: insuficiente, regular, bom e excelente. 

Os pontos observados consideram, por exemplo, o domínio da modalidade escrita. A compreensão da proposta da redação e a proposta de intervenção ao problema abordado respeitando os direitos humanos.

Belo Horizonte: candidatos votam em escola ocupada por estudantes

Antes de votar, Alexandre Kalil disse que, se eleito, seu primeiro desafio será tirar famílias de áreas de risco

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) manteve o processo eleitoral nas escolas ocupadas e, em acordo com os estudantes, fez uma delimitação do espaço de mobilização

Por Redação, com ABr – de Belo Horizonte:

 

Os dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição para a prefeitura de Belo Horizonte votaram neste domingo na Escola Estadual Governador Milton Campos, conhecida popularmente como Colégio Estadual Central. A instituição é uma das sete na capital mineira que estão ocupadas por estudantes.

Antes de votar, Alexandre Kalil disse que, se eleito, seu primeiro desafio será tirar famílias de áreas de risco
Antes de votar, Alexandre Kalil disse que, se eleito, seu primeiro desafio será tirar famílias de áreas de risco

Eles protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que estabelece um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, e contra a Medida Provisória  (MP) 746, que propõe mudanças na estrutura do ensino médio.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) manteve o processo eleitoral nas escolas ocupadas. E em acordo com os estudantes, fez uma delimitação do espaço de mobilização, de forma a não atrapalhar o fluxo dos eleitores. A eleição nestes locais ocorre tranquilamente.

Prioridade é evitar tragédia em áreas de risco

Alexandre Kalil votou às 10h20 acompanhado da mulher, Ana Laender. Ele disse que, se eleito, seu primeiro desafio será tirar famílias de áreas de risco. “Em janeiro, começa a cair casa e morrer gente.

Na prática, já na segunda-feira você tem que correr na Defesa Civil, na prefeitura e no governo do estado para que esta catástrofe que se tornou rotina na vida de Belo Horizonte passe agora a ser exceção”.

Às 12h10 foi vez do candidato João Leite comparecer ao Colégio Estadual Central para votar. Acompanhado do senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. E do também senador tucano Antônio Anastasia. “Não é brincadeira escolher um prefeito de Belo Horizonte. Eu confio na população. Ela escolherá alguém com muita experiência para administrar a cidade”, disse João Leite.

Aécio Neves considerou que a eleição em Belo Horizonte já representa para o PSDB uma vitória. Sobre seu principal adversário, o PT. Ele disse que, embora não assumam, os petistas estão aliados a Alexandre Kalil.

– O PT teve uma votação no primeiro turno em Belo Horizonte muito pouco expressiva. E agora vive o constrangimento de apoiar por debaixo dos panos a candidatura do nosso adversário e de ser renegado por ele publicamente. Triste fim do PT.

No primeiro turno, Reginaldo Lopes (PT) terminou a disputa na quarta posição com 7,27% dos votos. No segundo turno, o PT não anunciou oficialmente apoio a nenhum candidato. O governador mineiro Fernando Pimentel (PT) votou também pela manhã e não quis revelar seu voto.

Eleitores

Cerca de 1 milhão e 900 mil eleitores estão aptos a votar neste segundo turno em Belo Horizonte. Ex-goleiro do Atlético-MG e deputado estadual em seu sexto mandado. João Leite foi o mais votado no primeiro turno com 33,4% dos votos válidos. Já o ex-presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, registrou 26,56% da preferência do eleitorado.

O cenário é imprevisível já que diferentes pesquisas indicaram empate técnico nos últimos dias. “A eleição será decidida por poucos votos”, opina o cientista político Lucas Cunha, do Centro de Estudos Legislativos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Lucas Cunha também acredita que os constantes ataques entre os dois candidatos no segundo turno favorecem a descrença dos eleitores, o que deve contribuir para que novamente se verifique uma alta taxa de abstenção. No primeiro turno, a soma de abstenções, votos nulos e brancos, superou 740 mil, mais do que a soma dos votos em João Leite e Alexandre Kalil.

Embaixador impede que crack ocupe sede da Pestalozzi do Brasil

A Pestalozzi é vizinha à Mangueira, na Avenida Visconde de Niterói, desde os idos de 1945. A escola da SPB atende a moradores dos bairros vizinhos. E de toda a cidade, em seus serviços voltados para a criança portadora de necessidades especiais

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Em uma ação ousada, sem contar com a presença e a segurança da Polícia Militar (PMRJ), o embaixador da Sociedade Pestalozzi do Brasil (SPB), Sergio Nogueira Lopes, precisou exercer sua diplomacia, na tarde desta sexta-feira. Principal amigo da instituição fundada há 80 anos, Nogueira Lopes foi preciso nos argumentos diplomáticos aplicados para evitar que o terreno da instituição, na Mangueira, Zona Norte da Cidade, fosse ocupado por suspeitos de tráfico de drogas.

O antigo prédio da SPB, na Mangueira, é uma referência da arquitetura em alta em meados do século passado
O antigo prédio da SPB, na Mangueira, é uma referência da arquitetura em alta em meados do século passado

Vizinha à comunidade da Mangueira, na Avenida Visconde de Niterói, desde os idos de 1945, a escola da SPB atende a moradores dos bairros vizinhos. E de toda a cidade, em seus serviços voltados para a criança portadora de necessidades especiais. O trabalho é exercido pela instituição sem fins lucrativos. Conta com o apoio de segmentos filantropos da sociedade brasileira e toca até os corações mais insensíveis.

No detalhe, à esquerda, o embaixador Nogueira Lopes conversa com os responsáveis pela tentativa de invasão da escola
No detalhe, à esquerda, o embaixador Nogueira Lopes conversa com os responsáveis pela tentativa de invasão da escola

— Quando me disseram que um grupo de homens iniciava um acampamento no terreno da escola, próximo à divisa com a comunidade da Mangueira, fui até lá de espírito desarmado. Conversei com os cidadãos ali presentes e falei do trabalho que desenvolvemos há tantas décadas. Observei, junto àquelas pessoas, a importância de um ambiente saudável, sem drogas, para as mais de 1,2 mil crianças que, direta ou indiretamente, utilizam diariamente as dependências da instituição — relata Nogueira Lopes.

Ocorrência

Após a retirada dos ocupantes do terreno, o embaixador foi até a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Benfica. Registrou a ocorrência. Nas dependências da UPP, Nogueira Lopes ouviu dos policiais presentes um desabafo.

— Os PMs, com quem conversamos, reconheceram o peso da crise que se abate sobre o país. Em particular, nas contas públicas do Estado do Rio de Janeiro. A ação restrita das forças policiais tende a gerar riscos para a vida das pessoas. Para as instituições que cuidam das pessoas — concluiu.

O caráter Ideológico e Inconstitucional do Escola Sem Partido

O Programa Escola Sem Partido nasceu em 2004 e foi idealizado pelo advogado e Procurador do Estado de São Paulo Miguel Nagib. A principal proposta do programa é eliminar a doutrinação ideológica praticada, segundo ele, por professores, tanto em esfera pública, quanto na rede privada de ensino

Por Janderson Lacerda – de São Paulo:

De acordo com Nagib os partidos políticos, principalmente, os de esquerda, se beneficiam com esta doutrinação. E o aluno, sobretudo, o de educação básica é obrigado a ouvir o “discurso” de forma passiva, ou seja, é incapaz de defender-se.

O Programa Escola Sem Partido nasceu em 2004
O Programa Escola Sem Partido nasceu em 2004

A ideia do Escola Sem Partido foi “comprada” por diversos políticos e tornou-se Projeto de Lei (PL) em muitos Municípios e Estados brasileiros. O Senador Magno Malta (PR) do Espírito Santo criou o PL 193/2016 que visa incluir o Programa na LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação).

Todavia, caro leitor, o que o idealizador do Movimento, Miguel Nagib, e os parlamentares, incluindo Magno Malta, não discutem é o caráter ideológico e inconstitucional do movimento. Afinal, todos nós somos seres ideológicos e políticos! E a ciência, com suas diversas correntes, também é ideológica!

Imagine como seria estudar Biologia e não mencionar a Teoria do Evolucionismo de Darwin? A ideia do Evolucionismo se opõe ao Criacionismo defendido pelos cristãos; e pasme, a teoria carrega um posicionamento ideológico; assim como o cristianismo também!

Frei Bento

Utilizar algum texto escrito por Frei Bento, por exemplo, será considerado um crime duplo, caso a lei seja aprovada. Afinal, Frei Beto, como todos sabem, é católico e esquerdista.

Como estudar literatura e simplesmente ignorar a obra do comunista Graciliano Ramos? É melhor que os jovens não leiam mesmo Vidas Secas para não compreenderem as mazelas sociais e a dominação física e ideológica da classe alta sobre a classe popular.

Enfim, o movimento é absurdo e defende um posicionamento de combate a uma ideologia que se contrapõe aos seus ideais conservadores. Além disso, é inconstitucional, pois a Constituição Federal em seu Artigo 206 deixa claro que:

“O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino”;

Liberdade para ensinar

É possível ter liberdade para ensinar e aprender dentro desta proposta do Escola Sem Partido? E como ficará o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas? Isto é, como falar em pluralidade de concepções pedagógicas sem liberdade?

Sem contar que o projeto de lei desrespeita a LDB, pois o programa propõe a afixação de um cartaz em todas as salas de aula do país com seis diretrizes norteadoras para o trabalho dos professores (http://www.programaescolasempartido.org/).

Fossem sete diretrizes, um pouco mais consistentes e elaboradas, eu teria a empáfia de afirmar que elas foram inspiradas na Revolução dos Bichos de George Orwell.

No livro de Orwell, os porcos criam sete mandamentos para resumir o animalismo (a versão do socialismo para os bichos). Depois os mesmos porcos acrescentam o oitavo mandamento,  “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”, e alteram a lei máxima do animalismo, corrompendo-se.

É evidente que os idealizadores do Escola Sem Partido não são favoráveis a leituras ideológicas de escritores “desqualificados” como George Orwell. Portanto, qualquer semelhança aos mandamentos criados e alterados pelos porcos é mera coincidência:

— Tucano bom, Lula mau! – Repitam ovelhas!

Janderson Lacerda, é Graduado em Letras. Especialista em Docência no Ensino Superior É Mestre em Políticas e Gestão Educacionais. Atualmente é Professor titular.

Movimento Escola sem Partido ganha força no país

As ideias do movimento transformaram-se em projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, estados e municípios. No dia do professor

Por Redação, com ABr – de Brasília:

 

Com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e um país dividido politicamente como ficou claro nas urnas em 2014. O movimento Escola sem Partido ganha força no país. Sob o discurso de que professores não podem transmitir aos estudantes nenhum tipo de posicionamento. Seja político, ideológico ou religioso.

Para alguns professores, Escola sem Partido aumenta insegurança sobre como trabalhar em sala de aula. Para outros, as escolas não devem funcionar como centro de doutrinação
Para alguns professores, Escola sem Partido aumenta insegurança sobre como trabalhar em sala de aula. Para outros, as escolas não devem funcionar como centro de doutrinação

As ideias do movimento transformaram-se em projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, Estados e municípios. No dia do professor, à Agência Brasil conversou com professores para saber o que pensam da proposta.

Contra

– O projeto Escola sem Partido aprofunda a insegurança de como trabalhar em sala – diz a professora Gina Vieira Ponte de Albuquerque. Ela dá aula para o 9º ano do ensino fundamental. Ela também leciona para os anos finais do ensino da Educação de Jovens e Adultos (EJA). No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 20 de Ceilândia e CEF 02, no Distrito Federal.

– Remete a um professor que transmite um conhecimento enciclopédico. Ser professor é mais complexo, nossa prática começa quando colocamos o pé dentro da escola. Nos deparamos com alunos com atitudes racistas. Um mero professor não vai fazer nada, mas um educador fará um intervenção.

Com o projeto Mulheres Inspiradoras. Gina, ganhou pelo menos quatro prêmios. Professores do Brasil, Educação em Direitos Humanos na Escola, Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos “Oscar Arnulfo Romero” e Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero.

– Ao longo do projeto me deparei com alunos que presenciavam pais espancando mães. Isso era naturalizado. Diante de um contexto de Escola sem Partido isso não poderia ser abordado. O projeto é para não pensar numa educação que pode promover a mudança social. Promover o respeito à diversidade, a tolerância e a compreensão de contradições sociais – diz.

Professores

Segundo Gina, professores que emitem posicionamentos partidários ou outros abusivos devem ser punidos. Mas isso já consta nas atuais regras que regem a profissão. O Escola sem Partido traria outros tipos de insegurança pois, segundo ela. Relativiza o que é o abuso.

– Se acontecem abusos, nós, professores, somos os primeiros a dizer que isso deve ser denunciado. É falta de ética profissional. O que esse dispositivo legal faz. No entanto, é atingir o professor que tem extrema consciência da profissão, que se percebe como educador.

A favor

A professora e psicopedagoga Luciana Hass, que leciona português na Escola Municipal de Belo Horizonte defende a medida. “É importante a gente ter uma escola sem partido. Porque, em uma sociedade livre. As escolas não devem funcionar como centro de doutrinação”, afirma. Ela defende que, na medida do possível, os professores devem apresentar aos estudantes todas as informações que puderem.

Segundo Luciana, há uma falta de compreensão do projeto por parte daqueles que o criticam. A medida, de acordo com ela, vem para proteger a liberdade de cátedra. “A escola sem partido vem para fazer com que os professores mostrem todos os lados. Têm que passar o conhecimento de maneira neutra. Tão neutra quanto possível”.

Ela diz que, no dia a dia, quando se depara com textos que são mais voltados para determinada ideologia. Ela busca outros que mostrem outros pontos de vista. “Os opositores falam que não se pode trabalhar política.

Muito pelo contrário, deve-se, sim, trabalhar assuntos políticos. Outro dia, vi um trabalho interessante. As crianças diziam o que esperavam do prefeito da cidade. O que elas esperavam que fizesse de bom. Imagina se eu trabalhasse isso de forma partidária, falando sobre algum partido. Não vamos falar de partido, mas podemos tratar de questões políticas”.

Contra 

O professor Uanderson de Jesus Menezes, da Escola Estadual XXII de Ipatinga (MG). Ele acredita que uma maior participação dos pais ajudaria a definir melhor os conteúdos e as abordagens. Os tornaria parte da educação dos filhos também na escola. Sem a necessidade de uma lei. “O que falta muitas vezes é o acompanhamento de perto dos pais. Eles não estão presentes na escola, não acompanham o dia a dia.

É muito comum que pais falem que, se não tem problema com o filho, não vão à escola. Nossas reuniões são vazias. Dizemos que são filhos órfãos de pais vivos. A melhor forma seria estarem presentes para conhecer a disciplina, entender o plano de aula”.

Menezes recebeu o prêmio Professores do Brasil pelo projeto TV Filosofia. No qual os estudantes escolhem um tema e explicam por meio de produções audiovisuais. “Uma vez, um pai de aluno, que é pastor na região. Foi à escola reclamar que a escola estava ensinando Barroco (estilo artístico dos séculos XVI a XVII, presente inclusive na construção de igrejas católicas).

Ele acreditava que tornava os alunos gays”, conta. “Não se pode ter essa função de exigir que se ensine o que se quer. Porque esses conteúdos são cobrados em avaliações como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)”.

Para além da participação dos pais. Professor Leonardo Stefano Masquio, do Instituto Federal Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Ele ressalta que a participação dos alunos é essencial nas aulas.  Eles não absorvem meramente o conteúdo, como supõe o Escola sem Partido. Mas questionam o que é ensinado.

Masquio recebeu o Prêmio Arte na Escola Cidadã pelo projeto Oficina de Criação de Canções, que propõe que estudantes componham músicas coletivamente. No processo, de acordo com o professor, os estudantes têm liberdade de propor temas que serão abordados nas letras.

– Quando estamos produzindo uma música, qualquer um pode questionar. Eu posso colocar alguma visão e os estudantes questionarem. Podem dizer que é ruim e que não querem seguir por ai, não tem essa hierarquia.

Segundo ele, a ideia de construir o conhecimento passa pela pluralidade de pensamento. O Escola sem Partido possibilitaria que professores comprometidos com a pluralidade de pensamento fossem confundidos como doutrinadores. “Como se fizessem uma lavagem cerebral, como se os estudantes não tivessem pensamento crítico”, diz.

– Pluralidade é diferente de um professor que diz que vota em tal partido, isso é algo pedagogicamente equivocado, mas que não pode servir de justificativa para se cometer outro erro.

A favor

Cleverson Lino Batista, é professor de filosofia, ética e sociologia do ensino médio no Colégio São Pedro do Vaticano e do ensino fundamental na Rede Coleguium. Ambas escolas particulares em Belo Horizonte, defende que, na situação atual do país, o projeto é necessário. “A doutrinação ideológica nas escolas é muito forte.

Não é generalizado, não são todos os professores. Mas muitos sabem a posição que têm como formadores de jovens. Como alguém que é visto como exemplo, e acabam influenciando de maneira indevida os estudantes”, diz.

Ele defende que o professor pode ter opinião própria. Mas que devem levar os alunos a conhecerem também opiniões antagônicas às suas. “O processo de educação é feito através de confronto de ideias, de perspectivas diferentes. Se apresenta apenas uma posição e demoniza as demais. Isso não é papel do professor, ele está fugindo do papel dele”, assegura.

Religião

Sobre questões religiosas, ele defende que escolas particulares que deixam claro a linha de atuação e que são, por isso, escolhidas pelos pais e responsáveis. Podem seguir diretrizes específicas. No entanto, escolas públicas devem garantir a pluralidade do ensino.

Para Batista, questões como religião e gênero devem ser discutidas nas famílias. “Isso é, antes de tudo, tarefa da família. A escola, nesse ponto, é acessória, ela vem para suprir, não é ator primário desse debate de religião ou gênero. Não deve fugir do debate, mas sempre manter o cuidado e a posição como escola, onde acontece o ensino”.

Origens do Escola sem Partido

O movimento Escola sem Partido foi fundado em 2004 pelo procurador de Justiça de São Paulo, Miguel Nagib. Em 2014, ganhou força quando transformou-se no Projeto de Lei 2974/2014. Ele fo apresentado na Assembleia Legislativa Estadual do Rio de Janeiro (Alerj). O movimento disponibilizou, então, dois modelos de projetos de lei, estadual e municipal.

Em âmbito nacional, projetos semelhantes tramitam na Câmara dos Deputados. Projeto de Lei (PL) 867/2015, de autoria do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF). No Senado Federal, é tramitado o Projeto de Lei do Senado (PLS) 193/2016, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES).

Em consulta pública aberta no site do Senado Federal. Uma maioria manifesta-se contra o projeto de lei.or uma pequena diferença. Ao todo, até sexta-feira, 183.604 (48,1%) eram favoráveis, enquanto 197.765 (51,9%) eram contrários.

Goiás: projeto social atua para promover aproximação entre escola e comunidade

Essa situação de vulnerabilidade despertou a atenção de voluntários de uma instituição religiosa de Brasília, que atua em parceria com uma organização de desenvolvimento social

Por Redação, com ACS – de Goiás:

Cercado por cachoeiras e belezas naturais e históricas da Chapada dos Veadeiros, o município goiano de Cavalcante exibe a realidade das desigualdades sociais no Brasil ao apresentar um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) do país. De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, de 2010, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o município, a 320 quilômetros de Brasília, ocupa a 4.540ª posição entre os 5.565 do ranking.

As atividades são programadas para os fins de semana
As atividades são programadas para os fins de semana

Essa situação de vulnerabilidade despertou a atenção de voluntários de uma instituição religiosa de Brasília, que atua em parceria com uma organização de desenvolvimento social. Decidiu-se, então, incluir a comunidade de Cavalcante em projeto comunitário que envolve escola e famílias. A Escola Municipal Morro Encantado, em um dos bairros mais carentes de Cavalcante, foi escolhida para o início do projeto.

As atividades são programadas para os fins de semana. Desde o ano passado, as 300 crianças, do pré-escolar ao quinto ano do ensino fundamental, participam de oficinas de artesanato e de música, gincanas e práticas esportivas. As famílias dos alunos recebem doações de roupas e alimentos e são convidadas para palestras sobre temas como valores humanos e a importância de apoiar e acompanhar os estudos dos filhos.

A diretora da escola, Delma Gonçalves Maia, apoia a iniciativa. “As crianças adoram as atividades porque na cidade não há muita opção de atividades culturais para elas”, explica.

A parceria tem resultado em melhorias também na estrutura física do prédio escolar. Com recursos próprios e com a contribuição de uma loja de tintas de Brasília, a escola ganhou pintura nova. “Também fizemos a limpeza do terreno, com roçagem do mato, e a recuperação de um parquinho, que é a alegria dos estudantes atualmente”, conta Herbert Borges Paes de Barros, coordenador do Projeto Cavalcante. Pequenos reparos também são feitos, como o conserto da torneira que pingava e desperdiçava água, a substituição do bebedouro e o reforma da rede wi-fi.

Apesar dos poucos encontros, as crianças já se mostram mais receptivas ao projeto. “Antes, elas ficavam retraídas, havia agressividade e dificuldades de obediência às regras combinadas”, lembra Herbert. Segundo o coordenador, o comportamento dos alunos começou a melhorar a partir da terceira atividade, com a conquista da confiança. “Passamos a vivenciar a afeição, o carinho e o respeito pelos voluntários.”

De acordo com Herbert, o maior desafio do projeto é fazer os próprios moradores da Vila Morro Encantado, onde fica a escola, entenderem a unidade de ensino como parte da comunidade. “A comunidade deve zelar por ela e contribuir com o que puder para que a escola se torne um ambiente cada vez melhor, tanto em relação à estrutura física quanto à educação, à qualidade de vida de estudantes, professores e funcionários”, pondera.

Segundo a diretora Delma, os pais dos alunos precisam de ajuda para perceber a necessidade e a importância do envolvimento deles na rotina escolar dos filhos. É o caso de uma aluna de 11 anos, do quinto ano. Adotada por uma tia, a menina fica com a avó quando não está escola porque a nova mãe trabalha como doméstica o dia todo. “À tarde, ela ajuda a cuidar do irmão menor e de outros primos também menores”, explica a mãe adotiva, de 58 anos, que mora no Morro Encantado. “São importantes essas atividades da escola no fim de semana porque as crianças não ficam à toa e aprendem coisas boas”, diz a mãe.

A diretora da escola lamenta o fato de as crianças mal contarem com acompanhamento escolar por parte dos pais, que em geral têm pouco estudo e um histórico de violência e alcoolismo. “Os irmãos mais velhos é que ficam responsáveis e costumam levar os mais novos para a escola”, diz. “É muito difícil mudarmos uma tradição, mas aos poucos estamos tentando. Por isso, esse projeto é muito bem-vindo.”