As esquerdas e algumas pedras no caminho

Maria Fernanda Arruda

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Os estragos que os golpistas escravagistas, entreguistas e higienistas fazem no tardio Estado de Bem Estar Social, que vínhamos experimentando sua construção desde a promulgação de nossa Constituição Cidadã, de 1988. É importante mexer em nossas memórias, tivemos mais de 11 milhões de brasileiros assinando as emendas populares, que obrigou o Estado implantar Políticas Públicas, tais como: SUS; SUAS; ECA; Combate ao Racismo; a tímida Reforma Agrária entre outras.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas. Claro que faltaram algumas Políticas Estruturantes, como: a demarcação das Terras dos Povos Originários (índios é expressão do colonizadores); Reforma Tributária Progressiva; Regulamentação da Mídia ; Auditoria da Dívida Pública.

Disputa

Essas políticas e muitas outras não foram frutos só dos governos Lula/Dilma, foram e são frutos das lutas históricas, provavelmente passando desde a invasão dos colonizadores, dos mais de 380 anos do escravagismo, das inúmeras formas de resistencia pela Democracia profunda do Estado, desprivatizando e/ou desparticularizando o Estado apropriado por grupos que o dominam já alguns séculos.

Nossa preocupação é com segmentos da esquerda que cultivam uma saída do atual momento pela via única: Lula em 2018. Tenho clareza de sua importância histórica. E de fazer essa disputa, sem deixar de ficarmos alerta, se ocorrer um adiantamento das eleições do próximo ano.

É que, da forma proposta, essa devoção e responsabilidade à “São Lula” desconsidera os estragos que golpistas estão fazendo no aparato legal. Será que teremos uma mudança significativa na representação do Congresso Nacional?

Militantes

Chamo para refletir quem está nessa direção. Podemos levar parcelas de militantes ativos e/ou vias de a se transformar em expectadores das mudanças, quando o que mais necessitamos é de militantes protagonistas ativos. 

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil.

Lava Jato e sua fantástica ‘recuperação’ de recursos

Contribuindo, não se sabe se conscientemente ou não, para dar uma “levantada na bola” da operação, e enganar e manipular a população, parte da mídia comemora, no alto de suas páginas, a suposta “recuperação” – que poderá levar cerca de 25 anos, prazo que algumas empreiteiras terão para “pagar” as penalidades – de mais de 11 bilhões de reais, pela Lava-Jato

 

Por Mauro Santayana – de Brasília:

Como se bilhões em dinheiro “roubado” dos cofres públicos estivessem voltando, vitoriosamente, para os cofres do erário.

E os prejuízos econômicos causados por essa operação, em empregos, quebra de acionistas e fornecedores e projetos sucateados e interrompidos, não fossem muitíssimo maiores do que a quantia publicada nas manchetes em letras garrafais.

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht

Pura conversa.

Primeiro, porque esse dinheiro não foi “recuperado”, já que ainda não foi totalmente pago.

E em segundo lugar, porque não se recupera o que não se tinha antes.

Nem esses recursos foram desviados para contas secretas na Suíça, nem se comprovou, até agora. Inequivocamente, com base em provas factuais, que houve desvios ou superfaturamento nesse fantástico montante.

Mais de 90% dessa soma, certa imprensa ainda fez o favor. Não se sabe se também propositalmente, de misturar alhos com bugalhos colocando no mesmo saco dinheiro apreendido e recursos derivados de acordos de leniência. Será “arrecadado” por meio de multas punitivas, impostas às empresas como parte da estratégia que exige que elas reconheçam publicamente, em amplo e contrito “mea culpa”. Os seus “erros” e pecados cometidos contra nossos “homens de bem” e nossa nunca hipócrita ou dissoluta sociedade.

Tudo como na época da Santa Inquisição. Ou dos processos stalinistas, com os “culpados” tendo que corroborar, nesse meio tempo. A tese do MP que transformou automática e retroativamente doações legais ou de Caixa 2. Tanto faz umas como as outras, realizadas desde 2002, em “propina”, além de concordar em pagar também, à vista ou a prazo, bilhões de reais para não ter que fechar, quase que obrigatoriamente, suas portas.

Quem explicou isso muito bem, para quem sabe ler nas entrelinhas, foi o advogado do Sr. Marcelo Odebrecht, Theodomiro Dias Neto, que deu a entender que seu cliente, contra sua vontade, teve que se dobrar às exigências e ao discurso do Ministério Público, sob pena de sua empresa acabar definitivamente:

Acordo

“Um acordo de colaboração premiada – afirmou o advogado – não é um acordo de pessoas, de partes em posições simétricas. Há uma relação de total assimetria de poder nessa relação. O acordo de colaboração premiada é um acordo de rendição, em que uma parte está se rendendo à outra.

O que é importante, é fundamental e um desafio para você fazer um acordo é que no caso de uma empresa ninguém faz um acordo para morrer(ou você faz o acordo ou “morre”, diríamos nós). Você faz um acordo para sobreviver”.

Marcelo Odebrecht

Esclarecendo, em entrevista ao portal UOL – já que para bom entendedor um pingo é letra – as verdadeiras condições em que Marcelo Odebrecht, depois de quase dois anos detido sem flagrante – fechou, “voluntariamente”, o “acordo” que ainda deve mantê-lo preso, “exemplarmente”, em regime fechado, até o final de 2017, enquanto outros “delatores”, especialmente aqueles apanhados com dinheiro de corrupção em suas contas, estão curtindo, há tempos, um uísquinho, nos confortáveis sofás de suas salas.

Resta saber, agora, até onde irão as consequências políticas e a extensão e profundidade da “rendição”, ou melhor, da “colaboração”, do senhor Marcelo Odebrecht à Lava Jato e ao Ministério Público, tanto no caso de Dilma e do PMDB, como no do PSDB, considerando-se não apenas as afirmações feitas até agora pelo ex-executivo do grupo, mas também a dos numerosos, mais de 70, “delatores” “premiados” da empresa, que acompanharam a “decisão” tomada por seu ex-chefe.

Mauro Santayana, é jornalista.

No Dia Internacional da Mulher, Dilma denuncia golpe de Estado

Dilma já se prepara, diante do afastamento inevitável, para deixar o governo

“Esse governo golpista não reconhece função social da maternidade, da amamentação e do trabalho que a mulher desempenha”, afirmou Dilma

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

No Dia Internacional da Mulher, a presidenta deposta Dilma Rousseff alertou para os desmontes promovidos pelo governo de Michel Temer (PMDB) das políticas voltadas para a equidade de gênero, que colocam em risco as conquistas nos últimos anos. Em vídeo publicado em seu site oficial e nas redes sociais nesta quarta-feira, Dilma afirmou que as mulheres não têm nada de frágil.

— Todos os nossos avanços foram conquistados com esforço, coragem e determinação. As mulheres sabem, a democracia é o lado certo da história — disse.

Dilma já se prepara, diante do afastamento inevitável, para deixar o governo
Dilma, no Dia Internacional da Mulher, denuncia o desmonte dos programas sociais, após o golpe de Estado

Dilma acrescentou que o governo Temer vem desarticulando e fragilizando políticas de proteção, como a Casa da Mulher Brasileira. O programa Mulher Viver Sem Violência e o Disque 180 foram afetados, afirmou a presidenta. Programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, que beneficiam prioritariamente as mulheres e suas famílias também foram desmontados, acrescentou.

Direitos a menos

A reforma da Previdência é outra ameaça o direito das mulheres.

— Esse governo golpista não reconhece a função social da maternidade, da amamentação e do trabalho que a mulher desempenha, todas essas questões previstas na Constituição de 1988. Querem obriga-las a recolher 49 anos de contribuição previdenciária, uma visão extremamente perversa que exige que a mulher comece a trabalhar com 16 anos para receber integralmente a aposentadoria, que desconhece que ela cumpre pelo menos três jornadas de trabalho — afirmou.

Por fim, Dilma conclama as mulheres a resistir:

— Apesar de todos esses ataques, tenho certeza, resistiremos com todas as nossas energias para defender a democracia e impedir a redução das liberdades e dos direitos individuais e coletivos do povo brasileiro.

Assista ao vídeo:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=GlA0GgHi3sA]

Sem provas

No front jurídico, Dilma tem acumulado algumas vitórias. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm sinalizado que as provas disponíveis até agora no processo que investiga abuso de poder pela chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2014, não obrigam a corte a declarar sua inelegibilidade. Já a situação de Temer segue cada vez mais complicada.


Diante das últimas posições dos magistrados, basta a comprovação do caixa 2 em uma campanha para Temer ser cassado. Como Dilma já não exerce mais a Presidência da República, apenas Temer poderia ser afastado do cargo.

Quanto à inelegibilidade, que atingiria Dilma, somente poderia ocorrer se fosse comprovado que ela tinha conhecimento do caixa 2. Mesmo assim, se o crime ocorresse na época da campanha. Nenhum delator afirmou, até hoje, que Dilma participou de tais tratativas .

Pesquisa mostra que ampla maioria de brasileiros rejeita governo Temer

O 'Fora Temer!' foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta

“Em abril de 2016, uns 62% aprovaram o impeachment de Dilma, mas 50% também queriam o de Temer. O descontentamento era contra a classe política inteira e não mudou de intensidade nem de direção”, afirma pesquisador

 

Por Redação – de São Paulo

 

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira aponta que, para 84% dos brasileiros, o governo do presidente de facto, Michel Temer, segue ladeira abaixo. Não se trata de um estudo realizado por alguma instituição ligada à esquerda. A pesquisa “O Brasileiro e a Política” foi realizada pelo Instituto Locomotiva.

O 'Fora Temer!' foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta
O ‘Fora Temer!’ foi o grito que cada folião, em todo o país, não pode calar na garganta. Muito menos na pesquisa de opinião

Trata-se de uma instituição com o neoliberalismo em seus alicerces, sob a direção do economista Renato Meirelles e o apoio da Ford Foundation, entre outros patrocinadores ligados às mesmas forças da direita que derrubaram o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Régua de qualidade

A aferição junto à opinião pública mostra, ainda, que 96% dos eleitores descobriram, enfim, que o país vive uma crise. Destes, 75% a consideram gravíssima. O resultado também aponta para o distanciamento entre os cidadãos e a classe política. O fenômeno ocorre há mais de uma década mas, diz o Locomotiva, volta agora à toda velocidade.

— Os dados, no conjunto, mostram que o descolamento entre dirigentes e opinião pública nunca chegou a um patamar tão grande. o que temos hoje, no país, é um caminho sem volta. Somente se resolverá quando se repactuar um novo modelo para gerir a sociedade — afirma Meirelles à jornalista Sonia Racy, colunista de um dos diários conservadores paulistanos.

Verdades absolutas

Desde 2014, lembra Meirelles, um terço do eleitorado brasileiro votou em Dilma. Um terço em Aécio. E um terço não votou, como demonstra a soma dos votos nulos, brancos e as abstenções.

— Assim, qualquer que fosse o vencedor teria contra si dois terços do Brasil. Foi principalmente a partir de 2013, quando a cidadania mudou sua régua de qualidade, tornando-se mais exigente com as autoridades. O que impressiona é como a classe política desprezou a importância disso. Até hoje ela não enxerga direito a situação — acrescentou.

Segundo o Instituto, “em um mundo que se transforma cada vez mais rápido, verdades absolutas são a todo momento destruídas, e apenas uma certeza parece segura: novas mudanças virão. Mudam as tecnologias, mudam as relações humanas, mudam os clientes, novos negócios surgem e outros tornam-se obsoletos”.

Fora Temer

“No Brasil não é diferente. Mudamos muito na última década e vamos continuar mudando. O consumidor amadureceu, o cidadão ficou mais exigente e já temos uma geração inteira que nasceu conectada. Nos últimos 10 anos, mais de 10 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho. (Neste período), 53 milhões de pessoas passaram a ter acesso à Internet, 50 milhões de contas bancárias foram abertas e o país ganhou 10 milhões de universitários”.

— Os dados, no conjunto, mostram que o descolamento entre dirigentes e opinião pública nunca chegou a um patamar tão grande — acrescenta Meirelles.

Para o economista, o povo que foi à rua “já sabia o que não queria, foi marcar presença a respeito”.

— Em abril de 2016, uns 62% aprovaram o impeachment de Dilma, mas 50% também queriam o de Temer. O descontentamento era contra a classe política inteira e não mudou de intensidade nem de direção. Aí você pergunta: o que eles querem? Eles não sabem. Querem é algo diferente — disse.

Classe dirigente

Em outro ponto, o efeito da mensagem religiosa passada aos brasileiros mostra a sua face.

— O estudo mostra que 64% acreditam que para melhorar dependem mesmo é de si próprios, ou de seu esforço. E 45% (as respostas são múltiplas) confiam “na fé e em Deus”. Ou seja, não esperam nada de um governo — pontua.

Uma alta parcela dos entrevistados “não acredita em governo para melhorar de vida”, constata.

— A classe dirigente fica discutindo entre Estado grande e Estado pequeno. Isso pouco importa para o cidadão. Ele quer um Estado eficiente. Que faça valer seus direitos, dê igualdade de oportunidades — acredita.

Segundo o dirigente empresarial, a descrença leva ao descolamento dos eleitores do quadro político atual.

— Aquela “família margarina” tradicional, reunida no café da manhã, constitui hoje apenas um terço do total das famílias brasileiras. Temos no país 10 milhões de pessoas que vivem sozinhas – um mercado específico, de comportamentos e expectativas pouco avaliadas. A comunicação não é mais só TV-rádio-jornal, as redes sociais se expandiram. A nova comunicação não se resume a passar mensagem e pronto, é de trocas dinâmicas — repara.

Time de futebol

Meirelles observa que, o Brasil ganhou 54 milhões de novos internautas na última década.

— É gente que vê, ouve, escreve, responde, aprova, discorda, espalha. E é um fenômeno global. Fazer análise correta do presente e previsão do futuro virou uma tarefa mais arriscada. Um exemplo: 43% dos que apoiam partidos de esquerda acreditam em Deus e dizem que isso as torna pessoas melhores. E mais: 47% desse universo dito esquerdista acha que direitos humanos não devem valer para bandidos — impressiona-se.

Na outra ponta, 85% dos que apoiam partidos ditos de direita afirmam que cabe ao governo promover justiça social.

— E 64% acham positivo o governo ter empresas estatais fortes — contabiliza.

O pesquisador acredita que, para se entender de fato, hoje, como as pessoas selecionam os fatores que formam suas avaliações de si e do mundo, é preciso levar em conta que condição financeira não é predominante. E que a posição política está empatada com o time preferido — conclui.

Minuto da verdade

A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa. O texto prevê a contribuição obrigatória por 49 anos para alcançar o benefício integral

Por Jandira Feghali – do Rio de Janeiro:

O governo Temer vem alardeando de forma manipulada dados do orçamento brasileiro e também da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para justificar a reforma da previdência. A OCDE usa dados da realidade dos 34 países, entre eles os mais industrializados e desenvolvidos do mundo, para a formulação de políticas públicas. Aqui, com realidade tão diversa, só com muita má fé ou desconhecimento do Brasil é que se justifica a perda de direitos para a maioria pobre do povo e a entrega ao mercado de parcela importante dos e das nossas trabalhadoras. É possível imaginar que podemos reformar a previdência de forma a igualar as regras de países como Canadá, Austrália, Suécia, Noruega, entre outros?

A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa
A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa

A regra de aposentadoria proposta por Temer é impiedosa. O texto prevê a contribuição obrigatória por 49 anos para alcançar o benefício integral. A idade mínima passa a ser 65 anos, para homens e mulheres igualmente e com uma contribuição mínima de 25 anos. Aplicar esta fórmula é o mesmo que negar a aposentadoria para a imensa maioria dos segurados do campo e da cidade.

No Brasil, dados oficiais mostram que a rotatividade no emprego é de 45%, fazendo com que a contribuição fique em média 6 meses por ano. Ou seja, para atingir 25 anos de contribuição, precisa trabalhar 50 anos. O problema é que 79% dos segurados que trabalham 49 anos não atingem 25 em regime. No Brasil de hoje, 37,3% da população não chega aos 65 anos, quando na OCDE este índice é menor que 20%. 

Aposentadorias

Lá, os trabalhadores têm uma expectativa de duração de suas aposentadorias de 17,2 anos. Aqui, a média é de 13,4 anos. Em vários países da OCDE, os trabalhadores recebem o benefício por 21 anos. O tempo de vida saudável no Brasil é menor em 10 anos, comparado aos países da OCDE. 

Só para exemplificar, vamos olhar os benefícios e observar a desumanidade da proposta. Cerca de 68% dos trabalhadores no Brasil recebem aposentadoria de 1 salário minimo. Outros 16% de 2 salários e 5% entre 3 e 4 salários. É sobre esses que a proposta de Temer reduz no cálculo do valor.

Pensões

As pensões por morte deixarão de ter o piso no salario minimo e não poderão acumular com nenhuma aposentadoria, mesmo que seja no piso. Também os benefícios para idosos e pessoas com deficiência foram desvinculados do salario mínimo. E o alcance para os idosos passou de 65 para 70 anos.

Os trabalhadores rurais, que começam a trabalhar com 13 anos de idade e que contribuem sobre a comercialização da produção. Serão deslocados para as novas regras e consequentemente impedidos de acessar a aposentadoria. E o governo diz que a reforma vai atingir os ricos…

As mentiras do governo têm sido embaladas por um terrorismo publicitário aplicado em propagandas milionárias. Com o título “1 Minuto da Previdência”, a mentira oficial adentra os lares brasileiros afirmando que sem reforma, não haverá como manter os benefícios. Nada mais longe da verdade.

O desgoverno Temer está gastando o seu dinheiro para retirar seus direitos. Solicitei recentemente informações sobre o valor gasto nessas propagandas, recursos que não deveriam ser utilizados para enganar a sociedade e ganhar seu apoio para a mais completa aniquilação de direitos.

Popularidade

A verdade é que com a chegada ao poder, sem votos e com a popularidade cada dia menor, o ilegítimo se sente apto a entregar aos planos privados o futuro dos trabalhadores. É o momento de pagar a conta do golpe às custas do povo.

Está em curso o desmonte do Estado e de uma política social solidária. Na Constituição de 1988, garantimos o piso de 1 salário para todos os benefícios, o sistema de seguridade social, a inclusão dos trabalhadores rurais e a existência dos benefícios de prestação continuada.

A reforma da Previdência é um mal a ser combatido por todos nós. Em todos os cantos, diariamente. Precisamos dar as mãos neste levante para impedir que o Governo destrua uma política de alcance social enorme. Uma política que garante a dignidade e a possibilidade de continuar sonhando aos que já deram uma vida de suor para o desenvolvimento de nosso país.

 Jandira Feghali, é médica e deputada federal (RJ).

Base do PMDB se mostra insatisfeita com Serraglio e queda de Padilha

A escolha de Serraglio foi mal recebida na base aliada de Temer na Câmara

Aliado do presidiário Eduardo Cunha, Serraglio foi anunciado no início da noite passada, mas a decisão de Temer gerou uma forte reação na bancada do PMDB

 

Por Redação – de Brasíllia

 

A queda do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, na noite passada, apenas algumas horas depois de o presidente de facto, Michel Temer, enfrentar uma ameaça de rebelião na bancada do PMDB na Câmara, em protesto contra a escolha do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça, torna ainda mais volátil a situação política no país. Investidores e formadores de opinião acompanham com cautela a cena policial que se desenvolve cada vez mais próxima do Palácio do Planalto.

A escolha de Serraglio foi mal recebida na base aliada de Temer na Câmara
A escolha de Serraglio foi mal recebida na base aliada de Temer na Câmara

Aliado do presidiário Eduardo Cunha, Serraglio foi anunciado no início da noite passada, mas a decisão de Temer gerou uma forte reação na bancada peemedebista. Apesar de o partido cobrar mais espaço no governo, o nome do deputado criou mais problemas que soluções.

— Serraglio não é um nome da bancada. Se tentou construir uma unidade em nome do Serraglio, mas depois se fez a escolha sem o aval da bancada, e o presidente acenou com a liderança do governo para o PP. A bancada está muito insatisfeita — disse à agencia inglesa de notícias Reuters um parlamentar do partido. Ele preferiu não se identificar.

Assim que vieram a público as informações de que Serraglio seria o escolhido, as reações peemedebistas começaram. Vice-presidente da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (MG), declarou que iria “romper com o governo”.

— Tomei a decisão por causa da questão mineira. Minas tem sido preterido e tem sido muito correto com esse governo. Um Estado que não participa das decisões do governo, não pode também estar participando das votações do governo — afirmou o deputado.

Crise na bancada

Ramalho chegou a conversar com Temer por telefone, mas não mudou de posição. Disse que vai fazer uma “oposição consciente”, mas já avisou que a reforma da Previdência, tema central do governo, não irá passar “do jeito que está”.

Um parlamentar próximo a Ramalho disse que o deputado estava “jogando para a plateia”.

— Ele quis marcar posição — disse a fonte.

Nas conversas durante o dia, Temer se comprometeu a fazer uma reunião com a bancada de Minas depois do Carnaval. A intenção do presidente era mesmo anunciar Serraglio antes do feriado, depois de conseguir contornar a crise na bancada.

Apesar da avaliação de alguns de que é um problema restrito aos peemedebistas mineiros, outros parlamentares aproveitaram o momento de rebelião mineira para levantar outras insatisfações, como o questionamento do espaço do PMDB no governo.

Liderança na Câmara

O fato de Temer ter decidido indicar Aguinaldo Ribeiro (PP) para a liderança do governo na Câmara, no lugar de André Moura (PSC-SE), irritou deputados.

— Vai fortalecer demais o PP, que já tem três ministérios. Está crescendo e crescendo em cima do PMDB. Na véspera de um ano eleitoral, quando os deputados são candidatos — reclamou o parlamentar peemedebista

Na véspera, Temer se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, para “recuperar a relação” com Maia, de acordo com uma das fontes, e tentar resolver o xadrez de cargos no Congresso.

Maia, que havia se posicionado contra a criação de um líder da maioria, como pretendia o governo para ter mais cargos a distribuir e acalmar a base aliada, acabou acatando a ideia no encontro com Temer.

A vaga poderia ir para André Moura, que ficaria sem a liderança do governo. Mas, segundo o parlamentar peemedebista, o partido queria aproveitar essa brecha e despachar Aguinaldo Ribeiro para o cargo e ficar com a liderança do governo para poder entregá-la a Lelo Coimbra.

Isolado no Palácio

O Planalto, no entanto, pretende colocar Lelo na liderança da maioria, o que não acalmaria a bancada, segundo fonte.

— O PMDB está há muito tempo longe do núcleo político do governo. Já perdeu a Secretaria de Governo”, disse a fonte. “Isso não acalma nada” —avaliou.

O presidente viaja nesta sexta-feira para a Bahia, onde passa o Carnaval com a família na base naval de Aratu. Ao retornar, enfrentará a nomeação do ajudante nas Relações Exteriores, cargo vago com o pedido de demissão de José Serra. Trata-se de outra defecção marcante para Temer, que se isola cada vez mais no Palácio do Planalto.

A ameaça da convivência humana nos dias de hoje

A convivência é um dado essencial de nossa natureza, enquanto humanos, pois nós não existimos, co-existimos, não vivemos, convivemos

Por Leonardo Boff – do Rio de Janeiro:

 

A onda de ódio que grassa no mundo, claramente no Brasil, as discriminações contra afrodescendentes, nordestinos,  indígenas, mulheres, LGBT e membros do PT sem falar dos refugiados e imigrantes rejeitados na Europa e pelas medidas autoritárias do presidente Donald Trump contra imigrantes muçulmanos, estão rasgando o tecido social da convivência humana a nível nacional e internacional.

A convivência é um dado essencial de nossa natureza
A convivência é um dado essencial de nossa natureza

A convivência é um dado essencial de nossa natureza. Enquanto humanos, pois nós não existimos, co-existimos, não vivemos, convivemos. Quando se dilaceram as relações de convivência algo de inumano e violento acontece na sociedade e em geral em nossa civilização em franca decadência.

A cultura do capital hoje globalizada não oferece incentivos para cultivarmos o “nós” da convivência. Mas enfatiza o “eu” do individualismo em todos os campos. A expressão maior deste individualismo coletivo é a palavra de Trump:”em primeiro lugar (first) os USA” que bem interpretada é “só (only) os USA.”

Precisamos resgatar a convivência de todos com todos que moramos numa mesma Casa Comum, pois temos uma origem e um destino comuns. Divididos e discriminados percorreremos um caminho que poderá ser trágico para nós e para a vida na Terra.

Notoriamente a palavra “convivência”como reconhecem pesquisadores estrangeiros (por exemplo um acadêmico alemão, T. Sundermeier, Konvivenz und Differenz,1995) tem seu nascedouro em duas fontes brasileiras: na pedagogia de Paulo Freire e nas Comunidades Eclesiais de Base.

Paulo Freire parte da convicção de que a divisão mestre/aluno não é originária. Originária é a comunidade aprendente, onde todos se relacionam com todos e todos aprendem uns dos outros, convivendo e trocando saberes. Nas CEBs é essencial o espírito comunitário a e convivência igualitária de todos os participantes. Mesmo o bispo e os padres sentam-se juntos na mesma roda e todos falam e decidem. Nem sempre o bispo tem a última palavra.

Convivência

Que é a convivência? A própria palavra contem em si o seu significado: deriva de conviver que significa conduzir avida junto com outros, participando dinamicamente da vida deles, de suas lutas, avanços e retrocessos. Nessa convivência se dá o aprendizado real como construção coletiva do saber, da visão do mundo, dos valores que orientam avida e das utopias que mentém aberto o futuro.

A convivência não anula as diferenças. Ao contrário, é a capacidade de acolhê-lhas, deixá-las ser diferentes e mesmo assim viver com elas e não apesar delas. A convivência só surge a partir da relativização das diferenças em favor dos pontos em comum. Então surge a convergência necessária, base concreta para uma convivência pacífica, embora sempre  haja níveis de tensão, por causa das legítimas diferenças.

Vejamos alguns passos rumo à convivência:

Em primeiro lugar, superar a estranheza pelo fato de alguém não ser de nosso mundo. Logo perguntamos: de onde vem? Que veio fazer? Não devemos criar constrangimentos, nem enquadrar o estranho mas acolhe-lo cordialmente.

Em segundo lugar, evitar fazer-se logo uma imagem do outro e dar lugar a algum preconceito (se é negro, muçulmano,pobre). É difícil mas é incondicional para a convivência. Einstein bem dizia: “é mais fácil desintegrar um átomo do que tirar um preconceito da cabeça de alguém”. Mas podemos tirar.

Em terceiro lugar, procurar construir uma ponte com o diferente que se faz pela pelo diálogo e pela compreensão de sua situação.

Em quarto lugar, é fundamental conhecer a língua ou rudimentos dela. Se não for possível, prestar atenção aos símbolos pois revelam, geralmente, mais que as palavras. Eles falam do profundo dele e do nosso.

Por ultimo, esforçar-se para fazer do estranho um companheiro (com quem se comparte o pão) de quem se procura conhecer sua história e seus sonhos. Ajudá-lo a sentir-se inserido e não excluído. O ideal é faze-lo um aliado na caminhada do povo e daquela terra que o acolheu, pelo trabalho e convivência.

Acrescentamos ainda que não se deve restringir à convivência apenas à dimensão humana. Ela possui uma dimensão terrenal e cósmica. Trata-se de conviver com a natureza e seus ritmos e dar-se conta de que somos parte do universo e de suas energias que a cada momento nos atravessam.

A convivência poderá fazer da  geosociedade menos centrada sobre si mesma e mais aberta para cima e para frente, menos materialista e mais humanizada, um espaço social no qual seja menos difícil a convivência e a alegria de conviver. 

 

Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor universitário, expoente mundial da Teologia da Libertação.

Raduan Nassar denuncia a ruptura democrática, Temer e ação do STF

O escritor Raduan Nassar fez um discurso político após receber o Prêmio Camões de Literatura, um dos mais importantes da Língua Portuguesa

Em seu pronunciamento na entrega do Prêmio Camões de literatura, o escritor Raduan Nassar critica o golpe de Estado, em curso, o governo Temer e o Supremo Tribunal Federal

 

Por Redação – de Brasília

 

O escritor Raduan Nassar, autor de romances como Lavoura Arcaica e Um copo de cólera, denunciou a ruptura democrática, no Brasil, que vive um golpe de Estado desde Maio do ano passado, com a deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT). Em seu discurso, após receber, nesta sexta-feira, o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Brasil e Portugal não poupou a presença do ex-comunista Roberto Freire, hoje integrante da equipe do presidente de facto, Michel Temer (PMDB), na pasta da Cultura.

O escritor Raduan Nassar fez um discurso político após receber o Prêmio Camões de Literatura, um dos mais importantes da Língua Portuguesa
O escritor Raduan Nassar fez um discurso político após receber o Prêmio Camões de Literatura, um dos mais importantes da Língua Portuguesa

Raduan Nassar foi premiado com um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa, em uma solenidade de repercussão internacional. Após o discurso do escritor, Freire se irritou com os apupos da seleta platéia. Descortês, criticou Nassar, chamando-o de “histriônico”. Soberbo, deixou claro que “quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura”.

Vaiado

Freire chegou a sugerir que o escritor deveria ter recusado o prêmio. Durante sua fala, o ministro foi vaiado e ouviu gritos de “Fora, Temer!”.

Leia, adiante, a íntegra do discurso de Nassar:

“Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.

Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.
Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.

Saudações a todos os convidados.

Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua. 

Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.
Portanto, Sr. Embaixador, muito obrigado a Portugal.

Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.

Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.

Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas.

É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.

O golpe estava consumado!

Não há como ficar calado.

Obrigado”.

Procurador-geral do Trabalho irrita os defensores de mudanças na CLT

Procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury posicionou-se contrário às propostas de reforma nas leis trabalhistas

O ministro do Trabalho disse que a proposta não retira direitos, ao mesmo tempo em que é necessária para atualizar a legislação e dar segurança jurídica a acordos coletivos

 

Por Redação – de Brasília

 

A audiência pública da comissão da reforma trabalhista, realizada nesta quinta-feira, mostrou fortes divergências entre o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho, de um lado, e o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, de outro. Enquanto Nogueira e Gandra Filho defenderam a necessidade de reforma da legislação trabalhista, Fleury foi contundente ao posicionar-se contra a matéria.

Procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury posicionou-se contrário às propostas de reforma nas leis trabalhistas
Procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury posicionou-se contrário às propostas de reforma nas leis trabalhistas

O ministro disse que a proposta não retira direitos. Ao mesmo tempo, é necessária para atualizar a legislação e dar segurança jurídica a acordos coletivos. Segundo ele, a intenção é criar condições para a geração de empregos. E citou que a proposta permite, por exemplo, a contratação para jornada parcial.

Flexibilização

Já o procurador-geral do Trabalho questionou a tese que a legislação trabalhista é antiga e por isso precisaria ser modernizada. Para Fleury, cerca de 85% da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já foram modificados.

O procurador argumentou ainda que a flexibilização das regras não resulta em aumento do emprego. E citou outros países que reformaram suas leis. Também criticou um dos principais pontos da proposta, a possibilidade de acordos coletivos se sobreporem ao legislado.

O presidente do TST, por sua vez, argumentou em contrário. Cerca de 85% da CLT tenham sido alterados, ainda há deficiências que precisam ser resolvidas. Gandra Filho afirmou que uma atualização poderia harmonizar dissídios na Justiça e traria segurança jurídica a empregadores.

A luta de ideias no combate ao golpe

Cada vez mais vai ficando claro a importância da luta de ideias no combate ao golpe e na construção de um novo projeto para o país. Tanto assim que a chamada guerra ideológica ou cultural foi uma arma decisiva na derrubada do governo Dilma e na campanha desencadeada contra o ex-presidente Lula e o PT

Por Aldo Arantes  de Brasília:

O ponto de partida desta campanha foi a escolha da luta contra a corrupção como elemento-chave para a formação da chamada opinião pública. No caso brasileiro este objetivo foi alcançado com a Operação Lava Jato em que vazamentos seletivos e denúncias falsas foram utilizados amplamente pela grande mídia visando criar um clima de repúdio às personalidades denunciadas.

O ponto de partida desta campanha foi a escolha da luta contra a corrupção como elemento-chave para a formação da chamada opinião pública
O ponto de partida desta campanha foi a escolha da luta contra a corrupção como elemento-chave para a formação da chamada opinião pública

Ao lado da luta propriamente política. Foi desencadeada uma intensa luta teórica e ideológica através de uma longa e planejada campanha de construção de um pensamento de direita na sociedade.

A construção da hegemonia do pensamento de direita, tendo como fundamento o neoliberalismo, se voltou para a economia, política e ideologia. Na economia a defesa da “livre empresa”, da globalização neoliberal, das privatizações, da livre circulação dos capitais.

Na política a negação dos políticos, da política e dos partidos políticos. Na ideologia a ênfase no individual em detrimento do coletivo, com a consequente exacerbação do individualismo. O abandono de valores como a solidariedade. O apoio aos setores oprimidos da sociedade e a defesa de princípios éticos na vida pessoal e social.

Tais pilares do pensamento neoliberal foram plantados junto à intelectualidade e juventude no Brasil e em vários países da América Latina. Com destaque para a Venezuela. Visitando este país pude constatar o conservadorismo de grande parte dos universitários.

No Brasil este plano foi bem arquitetado. Financiado por empresários brasileiros e norte-americanos. A Fiesp deu ampla cobertura e financiou os grupos que faziam mobilização contra o governo Dilma.

Declarações prestadas pelo cubano Raúl Capote, agente duplo da CIA, ajuda a descortinar o “por que”. Ele descreve sua ação em Cuba, baseada da “revolução suave” formulada pelo professor norte-americano Gene Sharp. Aplicada pela CIA mundo afora.

Tal concepção fixa cinco passos para a realização do “golpe suave”: 1º). Promover ações para gerar um clima de mal-estar social. Utilizando os meios de comunicação. 2º). Fazer denúncias fundadas ou não para debilitar a base de apoio do governo e criar um descontentamento social crescente. 3º). Luta de rua com reivindicações políticas e sociais que se confrontem com o governo. 4º) Combinação de diversas formas de luta para criar um clima de ingovernabilidade. 5º). Se for necessário a fratura institucional, realizá-la com base em manifestações de rua e ocupação de instituições públicas , pronunciamento militares até a renúncia do presidente (1).

Raúl Capote relata que a CIA constatou que “as universidades latino-americanas tinham sido, nas últimas décadas. Um foco de insurreição e de formação de militantes de esquerda. Eles decidiram mudar isso e converter a universidade latino-americana. Em um centro de produção do pensamento de direita e não de esquerda” (2).

Segundo o cubano, a partir daí elaboraram um plano milionário que incluía bolsas para cursos de formação de lideranças, para professores e estudantes, nos Estados Unidos e em outros países como Israel e Alemanha.

Tal plano era financiado pelo Instituto Albert Einstein, o Instituto de Luta pela Guerra não Violenta, criado pelo milionário George Soros e pelo Instituto Republicano Internacional.

Raúl Capote relata, também, que para a execução do golpe utiliza-se com ênfase os meios modernos de comunicação, sobretudo as redes sociais.

Guerra Cultural

Pra atingir seu objetivo o golpe brando conta com a chamada “Guerra Cultural” visando criar a hegemonia do pensamento conservador. Ao lado da mobilização de amplos setores da população em torno de bandeiras como a luta contra a corrupção, a defesa dos direitos humanos sob a ótica do imperialismo, entre outras.

O êxito da direita na chamada Guerra Cultural, na luta teórica, teve como consequência a conquista da hegemonia de ideias, favorecendo a hegemonia política como base para o golpe.

A ênfase nesta frente de luta é essencial para a conquista de uma nova hegemonia da esquerda e do movimento democrático no país.

O enfrentamento das forças golpistas deve ser travado na luta política e social. Contra os retrocessos impostos pelo ilegítimo governo Temer e em defesa da retomada da democracia através de eleições diretas já, temas que dão respostas aos problemas mais imediatos sentidos por milhões de brasileiros.

Todavia torna-se necessário uma atenção especial à luta teórica e ideológica para retomarmos a hegemonia do pensamento progressista entre os estudantes e intelectuais. Este objetivo implica em estabelecer um planejamento meticuloso dos temas a serem abordados e dos meios a serem empregados.

Notoas

1) Citado no livro Reforma Política e Novo Projeto para o Brasil. Aldo Arantes, Editora Anita Garibaldi.

2) Entrevista com Raúl Capote 20/11/2015 – Sul-21.

Aldo Arantes, foi deputado constituinte de 1988. Ex-secretário da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política da OAB. Membro da Comissão Política do Comitê Central do PCdoB.