Hong Kong: motoristas do Uber são considerados culpados de uso ilegal de veículos

A avaliação de especialistas é de que a decisão tem um efeito desanimador sobre os motoristas de Hong Kong que trabalham para a empresa de São Francisco

Por Redação, com Reuters – de Hong Kong:

Cinco motoristas do serviço de transporte urbano por aplicativo Uber em Hong Kong foram considerados culpados de usarem ilegalmente seus veículos para fins comerciais por um tribunal local nesta sexta-feira, em um potencial golpe às operações do Uber Technologies no pólo financeiro asiático.

A empresa continuará a realizar serviços de compartilhamento de corridas na cidade
A empresa continuará a realizar serviços de compartilhamento de corridas na cidade

A avaliação de especialistas é de que a decisão tem um efeito desanimador. Sobre os motoristas de Hong Kong que trabalham para a empresa de São Francisco. Que está lutando com problemas semelhantes com reguladores em toda a Ásia. O Uber saiu de Taiwan há menos de um mês.

O Uber disse que estava decepcionado com o veredito.

– Pensamos que é contra o interesse de vários milhões de passageiros do Uber. Motoristas e o interesse coletivo das pessoas de Hong Kong. Nós pensamos que o transporte compartilhado não deve ser um crime – disse a diretora-geral do Uber em Hong Kong, Kenneth She.

A empresa continuará a realizar serviços de compartilhamento de corridas na cidade.

Segurança

Os motoristas de Hong Kong foram condenados por conduzir um veículo a motor para o transporte de passageiros por contrato. E porque os seus seguros excluíam o uso comercial, deixando os passageiros desprotegidos.

– Eu não vejo a ação que os réus mostraram ter qualquer diferença significativa ou material daquela de … motoristas de táxis piratas no passado – afirmou o juiz So Wai-tak no julgamento.

Os motoristas, que foram presos durante uma operação policial contra a empresa em agosto de 2015, após reclamações de taxistas locais, foram multados em o equivalente a US$ 1.287,91 e tiveram suas carteiras de motorista suspensas por 12 meses.

Tufão deixa mortos nas Filipinas e segue para Hong Kong

Autoridades filipinas disseram estar avaliando a extensão dos danos à infraestrutura e à lavoura, mas confirmaram que milhares de hectares de terras de plantio foram destruídos em províncias do norte

Por Redação, com Reuters – de Benguet,Filipinas/Hong Kong:

O tufão Haima, a tempestade mais forte a atingir as Filipinas em três anos, matou pelo menos 12 pessoas e inundou vastas extensões de campos de arroz e milho, antes de tomar o rumo de Hong Kong, disseram autoridades de Manila nesta sexta-feira.

O tufão Haima, a tempestade mais forte a atingir as Filipinas em três anos
O tufão Haima, a tempestade mais forte a atingir as Filipinas em três anos

Autoridades filipinas disseram estar avaliando a extensão dos danos à infraestrutura e à lavoura, mas confirmaram que milhares de hectares de terras de plantio foram destruídos em províncias do norte.

Oito das vítimas eram da região de Cordillera, disse Ricardo Jalad, chefe do Conselho Nacional de Redução e Administração de Riscos de Desastre, citando relatos que a agência recebeu de autoridades provinciais.

Só em Cagayan, onde o super tufão se abateu no final de quarta-feira com ventos arrasadores de 225 quilômetros por hora e chuva pesada, entre 50 e 60 mil hectares de campos de arroz foram devastados e alagados, disse o governador provincial Manuel Mamba.

– Foi como se tivéssemos sido atingidos por outro Yolanda – afirmou ele em uma estação de rádio. Referindo-se ao super tufão de 2013 conhecido internacionalmente como Haiyan. Matando pelo menos 6 mil pessoas e destruiu propriedades no valor de bilhões de pesos filipinos.

Hong Kong

Hong Kong só manteve em funcionamento os serviços essenciais do polo financeiro global às vésperas da chegada da tempestade.

– De acordo com a sequência atual de previsões. O Haima atingirá sua maior proximidade de Hong Kong perto do meio-dia. Passando cerca de 100 quilômetros ao largo do leste do território – disse o observatório em seu site.

– Isso significa que se esperam ventos com velocidades médias de 63 quilômetros por hora ou mais vindos do quadrante noroeste.

Voos e serviços de trem foram cancelados dentro e nos arredores da cidade.

Hong Kong: estudantes acusados de iniciar protestos se declaram inocentes

Por Redação, com ABr – de Hong Kong:

Três líderes estudantis declararam-se hoje não culpados das acusações sobre o protesto de 26 de setembro do ano passado, em Hong Kong, que marcou o início da ocupação das ruas da cidade durante mais de dois meses.

Protestantes pró-democracia ocuparam por mais de dois meses as ruas de Mong Kok, em Hong Kong, na China
Protestantes pró-democracia ocuparam por mais de dois meses as ruas de Mong Kok, em Hong Kong, na China

As acusações são sobre a ações do dia 26 de setembro de 2014, quando alguns manifestantes concentrados junto à sede do Governo de Hong Kong, saltaram as grades metálicas e entraram na denominada Praça Cívica.

O líder do movimento estudantil Scholarim, Joshua Wong, de 18 anos, foi acusado na semana passada, em conjunto com Nathan Law, 22 anos, e Alex Chow, 25 anos, da Federação de Estudantes, em uma decisão que ativistas descrevem como “perseguição política”.

Sobre os três líderes recaem acusações de reunião ilegal e incitação para participar em reunião ilegal. O caso foi adiado para 30 de outubro.

Os três líderes estudantis já tinham sido acusados de obstrução à polícia em um protesto anterior, em junho do ano passado, cujo julgamento foi adiado para 26 de outubro.

Os estudantes estavam entre as dezenas de pessoas que, em junho do ano passado, se concentraram do lado de fora do Gabinete de Ligação do Governo Central Chinês em Hong Kong para se oporem a um Livro Branco, no qual a China reafirmou o seu controle sobre a região especial chinesa. Uma cópia do documento foi queimada nesse protesto.

A proposta que esteve na origem do movimento Occupy Central dava, pela primeira vez, oportunidade a todos residentes de Hong Kong de votarem em 2017 nas eleições para o chefe do Executivo, mas sob a condição de que todos os candidatos – dois ou três no máximo – fossem pré-selecionados por um comitê em conjunto com Pequim.

O plano de reforma política proposto pelo governo de Hong Kong e apoiado pelas autoridades de Pequim foi derrotado pelo Conselho Legislativo da região em junho deste ano.

Manifestantes marcham pela democracia em Hong Kong

Milhares de manifestantes saíram às ruas de Hong Kong em um protesto por democracia plena

Milhares de manifestantes saíram às ruas de Hong Kong em um protesto por democracia plena nesta quarta-feira e pediram a renúncia dos líderes da cidade, controlados pelo governo chinês, semanas depois de o Legislativo local ter votado contra um pacote de reforma eleitoral apoiado pelos dirigentes do Partido Comunista em Pequim.

Milhares de manifestantes saíram às ruas de Hong Kong em um protesto por democracia plena
Milhares de manifestantes saíram às ruas de Hong Kong em um protesto por democracia plena

 

Alguns manifestantes, que defendem maior autonomia e até mesmo a independência da China, seguravam cartazes reivindicando uma “Nação Hong Kong”, enquanto outros portavam bandeiras antigas da era colonial de Hong Kong, nas quais aparece representada a bandeira do Reino Unido.

– Eu quero um verdadeiro sufrágio universal – gritava a multidão em um dia abafado, com muitos levando guarda-chuvas amarelos, um símbolo do “Movimento Guarda-Chuva” do ano passado, quando manifestantes bloquearam as principais vias para pressionar o governo chinês a permitir eleições diretas em 2017.

A multidão, acompanhada de perto por dezenas de policiais, era menor do que um ano atrás, quando cerca de meio milhão de pessoas compareceu na marcha anual de julho, data do aniversário do retorno da cidade à China em 1997. Na época, a polícia prendeu mais de 500 pessoas que bloquearam uma via no distrito financeiro, numa prévia do movimento Occupy no final de setembro.

A marcha de protesto ocorre quase duas semanas após o Legislativo de Hong Kong vetar uma proposta de reforma eleitoral apoiada pelo governo chinês e que havia provocado protestos por vezes violentos na cidade, o que deixou as autoridades em Pequim com um de seus desafios mais graves nos últimos anos.

Hong Kong voltou para a China sob a fórmula “um país, dois sistemas” que concedeu à cidade liberdades negadas no restante do país. A China também manteve a promessa do sufrágio universal. O plano eleitoral rejeitado pelos legisladores no mês passado teria permitido eleições diretas para o próximo executivo-chefe da cidade em 2017, mas só em candidatos pré-selecionados, pró-governo de Pequim.

 

Pequim não cede a manifestantes de Hong Kong

Rep/Web

 

Há meses os cidadãos de Hong Kong esperavam esse projeto de lei, e por sua causa dezenas de milhares foram às ruas no terceiro trimestre de 2014. Agora ele foi apresentado, e a conclusão é que, nas questões centrais, Pequim não cedeu em absoluto.

A reação das forças pró-democráticas de Hong Kong veio prontamente: diversos deputados abandonaram o Parlamento em seguida à apresentação do projeto de lei. Muitos vestiam um pulôver ornamentado com uma grande cruz. Sua mensagem implícita: “Conosco, não!”

O que está em jogo é a forma de escolha do líder do Executivo da ex-colônia real britânica, a partir de 2017. Quando Hong Kong foi devolvida à China, em 1997, apresentou-se à população a perspectiva de que ela própria elegeria seu dirigente.

Em agosto último, Pequim apresentou as primeiras condições básicas. Haveria eleições, de fato, mas só poderiam concorrer candidatos previamente selecionados. O novo projeto de lei mantém esse princípio: apesar dos veementes protestos, ele só traz alterações nos detalhes.

Concretamente, o processo eleitoral deverá funcionar da seguinte maneira:

1) Um grêmio de 1.200 membros, composto quase exclusivamente por forças ligadas ao governo chinês, apresenta uma lista contendo até dez candidatos, sob a condição de que cada um obtenha pelo menos 120 dos votos.

2) A lista é em seguida reduzida a três candidatos, que precisam contar com pelo menos a metade dos votos do grêmio.

3) Apenas na última fase a população de Hong Kong pode votar nos candidatos restantes. Em tal sistema fica excluída, na prática, a possibilidade de um integrante das forças pró-democráticas chegar à última rodada.

Com esse projeto de lei, Pequim perdeu uma chance de atender às preocupações de muitos habitantes da cidade da costa sudeste da China. Sua apresentação mostra que o governo continua não estando disposto a se dobrar à pressão das ruas. Assim, seis meses após o início dos protestos, os integrantes do “Movimento dos Guarda-Chuvas” não estão mais próximos, nem um centímetro, da meta de uma Hong Kong democrática.

O Parlamento só votará em meados do ano o projeto de lei agora apresentado, os otimistas entre as forças pró-democráticas seguem esperando que Pequim se mova. Contudo no momento não há muita base para tal esperança.

 

Philipp Bilsky, da agência alemã de notícias Deutsche Welle (DW).

Hong Kong remove acampamento de manifestantes pró-democracia

As manifestações principalmente pacíficas para cobrar eleições livres na cidade controlada pela China chegaram a representar um dos maiores desafios ao regime chinês
As manifestações principalmente pacíficas para cobrar eleições livres na cidade controlada pela China chegaram a representar um dos maiores desafios ao regime chinês
As manifestações principalmente pacíficas para cobrar eleições livres na cidade controlada pela China chegaram a representar um dos maiores desafios ao regime chinês

Funcionários do governo de Hong Kong removeram grande parte do principal acampamento de manifestantes pró-democracia perto do centro financeiro da cidade nesta quinta-feira, marcando o fim de mais de dois meses de protestos nas ruas.

As manifestações principalmente pacíficas para cobrar eleições livres na cidade controlada pela China chegaram a representar um dos maiores desafios ao regime chinês desde os protestos por democracia e a consequente repressão violenta na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989.

Centenas de policiais se posicionaram no bairro do Almirantado, perto de prédios do governo e da área comercial Central, enquanto funcionários com chapéu de obra removeram as barricadas.

Policiais foram vistos levando dois manifestantes, enquanto os trabalhadores desmontavam lentamente barreiras de bambu, observados por uma multidão de espectadores e de jornalistas.

Centenas de policiais avançaram por outras partes do Almirantado vasculhando barracas antes de derrubá-las junto com barreiras de metal e guarda-chuvas, que eram usados pelos ativistas durante confrontos com a polícia para se proteger do spray de pimenta.

A ex-colônia britânica voltou ao governo da China em 1997 sob a fórmula “um país, dois sistemas”, que permite à cidade certa autonomia da China continental e uma promessa de um eventual sufrágio universal.

Pequim permitiu uma votação para eleger o líder local em 2017, mas apenas após pré-selecionar os candidatos.

Polícia de Hong Kong

Hong Kong liberou a maior parte do local dos protestos pró-democracia nesta quinta-feira, e deteve alguns manifestantes, marcando o fim dos mais de dois meses de manifestações de rua que bloquearam vias importantes da cidade controlada pela China.

Muitos ativistas preferiram deixar pacificamente o local no Almirantado, próximo de edifícios do governo e do centro financeiro, apesar de suas exigências de voto livre não terem sido atendidas.

Mas o clima geral era de desafio, e os manifestantes entoavam: “nós voltaremos”.

Martin Lee, um dos fundadores da principal legenda de oposição, o Partido Democrático, o líder estudantil Nathan Law, o magnata da mídia Jimmy Lai e parlamentares estavam entre os presos.

Os protestos majoritariamente pacíficos representaram um dos maiores desafios à autoridade chinesa desde as manifestações pró-democracia de 1989 e da repressão sangrenta dentro e nos arredores da Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Centenas de policiais revistaram outras partes do Almirantado, verificando barracas antes de levá-las embora, assim como barreiras de metal, capas plásticas e guarda-chuvas, que os ativistas usaram durante os confrontos para se proteger dos sprays de pimenta e dos golpes de cacetete.

Uma cabeça decapitada do presidente chinês, Xi Jinping, feita de papelão foi posta diante de uma fileira de policiais.

– O movimento foi surreal. Ninguém sabia que podia durar mais de dois meses… em um lugar onde o tempo e o dinheiro são o mais importante – disse o manifestante Javis Luk, de 27 anos.

Houve pouca resistência. Os manifestantes embalaram travesseiros, cobertores e outros pertences em suas tendas, montadas em uma das áreas de maior valor imobiliário do mundo, e abandonaram o local.

Alguns manifestantes desdenharam dos alertas da polícia, gritando os seus próprios para o questionado líder de Hong Kong, Leung Chun-ying.

“Este é o último alerta para CY Leung! Mostre a cara, CY Leung”, gritaram.

Lai afirmou que seria ingenuidade achar que 75 dias de protestos bastariam para ter suas demandas satisfeitas.

“Não somos tão ingênuos”, disse ele à rede de televisão CNN antes de ser preso. “Sabemos que haverá muitas batalhas antes de vencermos esta guerra”.

As manifestações exigem indicações livres para a próxima eleição do executivo-chefe, como é conhecido o líder local, em 2017. Pequim declarou que irá permitir a votação em 2017, mas só com candidatos previamente escolhidos.

Os protestos atraíram bem mais de 100 mil pessoas em seu auge, e os estudantes deram vazão à sua revolta diante da recusa chinesa de ceder nas reformas eleitorais.

 

Hong Kong: ativistas consideram encerrar protestos nas ruas

Barracas de manifestante em frente a prédio do governo de Hong Kong
Barracas de manifestante em frente a prédio do governo de Hong Kong
Barracas de manifestante em frente a prédio do governo de Hong Kong

Um dos principais grupos estudantis que lideram as manifestações pró-democracia em Hong Kong disse nesta quinta-feira que considera encerrar os protestos de mais de dois meses em ruas da cidade controlada pela China.

A Federação de Estudantes de Hong Kong vai decidir na próxima semana se pedirá aos manifestantes que levantem acampamento, apesar de não terem conseguido atingir seu objetivo de garantir a livre inscrição de candidatos para a eleição do próximo líder da cidade em 2017.

– Algumas pessoas querem ficar até o último minuto, e nós respeitamos isso, mas não podemos ocupar sem significado,  disse a porta-voz da federação, Yvonne Leung, a uma rádio local. “Vamos decidir na próxima semana se ficamos ou recuamos.”

A federação é um de vários grupos que lideram os protestos na ex-colônia britânica. Alguns membros de outro grupo estudantil, o Scholarism, iniciaram uma greve de fome, enquanto líderes do movimento pró-democracia “Occupy Central” se entregaram para a polícia na quarta-feira e pediram o recuo dos estudantes.

Os líderes estudantis conversaram com autoridades de Hong Kong em outubro, mas não conseguiram romper o impasse depois que o governo disse que a demanda deles por inscrições abertas de candidatos era impossível sob a legislação da ex-colônia britânica.

Hong Kong voltou ao regime do Partido Comunista chinês em 1997 sob a fórmula “um país, dois sistemas”, que concede certa autonomia em relação ao governo de Pequim e tem a promessa de buscar o sufrágio universal. A China autorizou uma votação livre em 2017, mas apenas com candidatos aprovados previamente por Pequim.

No auge, os protestos chegaram a reunir mais de 100.000 pessoas nas ruas da cidade, mas o número caiu drasticamente para algumas centenas.

 

Hong Kong: líderes de movimento pró-democracia pedem recuo de ativistas

Manifestante pró-democracia paralisado pela polícia em local de protesto perto da sede do governo de Hong Kong
Manifestante pró-democracia paralisado pela polícia em local de protesto perto da sede do governo de Hong Kong
Manifestante pró-democracia paralisado pela polícia em local de protesto perto da sede do governo de Hong Kong

Os fundadores do movimento de desobediência civil que ocupa áreas centrais de Hong Kong pediram nesta terça-feira aos ativistas pró-democracia que se retirem do principal local de protestos, próximo a edifícios do governo, e disseram que vão se entregar à polícia.

Benny Tai, um professor de direito na Universidade de Hong Kong, pediu aos manifestantes que voltem para casa poucas horas depois de o líder estudantil Joshua Wong solicitar aos apoiadores do movimento que se reagrupem no coração da cidade para exigir uma maior democracia.

Tai, em uma coletiva de imprensa ao lado dos cofundadores do movimento Chan Kin-man, um professor de sociologia na Universidade Chinesa, e o reverendo Chu Yiu-ming, disse que não estava unilateralmente convocando por uma retirada, mas pedindo aos estudantes que recuassem, pois a situação se tornou perigosa.

– Podemos observar que a linha de frente da polícia parece estar fora de controle – disse Tai, acrescentando que o descontrole dos policiais deve piorar e que temia pela integridade física das pessoas.

Os ativistas forçaram o fechamento temporário da sede do governo na segunda-feira após confrontos com a polícia.

Os protestos pró-democracia, que começaram o fim de setembro e duraram por muito mais tempo do que previsto pela população, chegou a reunir mais de 100 mil pessoas em manifestações nas ruas de Hong Kong durante seu período de maior adesão.

Os fundadores do movimento disseram que planejam se render à polícia na quarta-feira, por causa de seus papéis em organizar aglomerações consideradas ilegais pelo governo. Tai disse ser possível que a polícia não aceite sua rendição.

Hong Kong alerta ativistas a não voltarem após confrontos na sede do governo

Manifestante pró-democracia bloqueia policial do lado de fora da sede do governo de Hong Kong
Manifestante pró-democracia bloqueia policial do lado de fora da sede do governo de Hong Kong
Manifestante pró-democracia bloqueia policial do lado de fora da sede do governo de Hong Kong

Milhares de ativistas pró-democracia em Hong Kong forçaram o fechamento temporário da sede do governo nesta segunda-feira após confronto com a polícia, desafiando ordens para se retirarem das ruas após mais de dois meses de manifestações na cidade controlada pela China.

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, disse que a polícia havia sido bastante tolerante, mas que agora tomaria uma “ação resoluta”, sugerindo que a paciência pode ter se esgotado.

O caos irrompeu à medida que as pessoas chegavam para trabalhar, com centenas de manifestantes cercando o Admiralty Centre, que abriga escritórios e lojas, em um grande impasse com a polícia.

As sedes do governo central e da assembleia municipal foram forçadas a fechar as portas pela manhã, assim como boa parte do comércio.

O mais recente confronto, durante o qual a polícia avançou contra os manifestantes com cassetetes e spray de pimenta, salientou a frustração dos manifestantes com a recusa de Pequim de ceder a reformas eleitoras e garantir maior democracia para a ex-colônia britânica.

“Algumas pessoas confundiram a tolerância da polícia com fraqueza”, disse Leung a repórteres. “Eu peço aos estudantes que estejam planejando retornar para os locais de ocupação nesta noite que não o façam.”

Ele não respondeu quando questionado se a polícia faria um operação para liberar esses locais nesta segunda-feira.

O movimento pró-democracia representa uma das maiores ameaças à liderança do Partido Comunista da China desde a sangrenta repressão de Pequim contra manifestantes a favor da democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989.

Centenas de policiais da tropa de choque dispersaram as multidões durante a noite (horário local), forçando os manifestantes a recuar com spray de pimenta e cassetetes.

Diversos médicos voluntários atenderam dezenas de feridos, alguns dos quais estavam inconscientes e outros com sangue no rosto. A polícia informou que pelo menos 40 prisões foram realizadas.

À medida que a polícia enfrentava manifestantes no Almirantado, as tensões cresceram ao redor do porto no distrito de Mong Kok, que havia sido cena de confrontos violentos nas últimas semanas antes da liberação de um grande acampamento de manifestantes na última quarta-feira.

Os protestos de Hong Kong chegaram a reunir mais de 100 mil pessoas nas ruas em seu ponto alto. Os números caíram desde então, assim como o apoio público às manifestações.

Polícia prende líderes estudantis em Hong Kong

Policial atravessa barricada antes de retirada de manifestantes de área de de Hong Kong
Policial atravessa barricada antes de retirada de manifestantes de área de de Hong Kong
Policial atravessa barricada antes de retirada de manifestantes de área de de Hong Kong

A polícia de Hong Kong retirou ativistas de um dos principais locais de manifestação na cidade nesta quarta-feira e prendeu Joshua Wong e Lester Shum, dois líderes do movimento estudantil responsável pelo movimento pró-democracia que tem abalado o centro financeiro asiático.

Houve confrontos quando a tropa de choque avançou contra centenas de manifestantes na Nathan Road, no bairro rico de Mong Kok, após conflitos durante a madrugada, disseram testemunhas da Reuters.

– Vocês não podem derrotar os corações dos manifestantes – gritou Liu Yuk-lin, uma manifestante de 52 anos segurando um guarda-chuvas amarelo, símbolo do movimento, ao fincar posição diante de policiais com capacetes e aparato de proteção.

Não houve incidentes graves de violência, no entanto, e após cerca de três horas, a operação foi concluída e o tráfico passou a fluir normalmente na área onde manifestantes estavam acampados desde setembro em protesto pedindo mais democracia na ex-colônia britânica, atualmente sob controle da China.

Mong Kok era um ponto principal de confrontos entre estudantes e a polícia que tentava romper os protestos, que representam um dos maiores desafios para os líderes do Partido Comunista da China desde a repressão às manifestações pró-democracia lideradas por estudantes em Pequim em 1989.

Mais de 100 mil pessoas chegaram a ir às ruas no pico das manifestações em Hong Kong, mas esse número caiu para algumas centenas mais recentemente.

Em agosto, Pequim ofereceu ao povo de Hong Kong a chance de votar em seu próprio líder em 2017, mas disse que apenas dois ou três candidatos poderiam concorrer depois de obterem aprovação de um comitê de nomeação formado principalmente por apoiadores do regime de Pequim. Os manifestantes exigem que os candidatos sejam livres para disputar as eleições.