Impeachment mergulha Coreia do Sul em incerteza

Tribunal confirma impedimento de Park Geun-hye, passo que abre caminho para guinada na política interna e que pode gerar mudanças no balanço de poderes na Ásia. Em meio a protestos, país tem 20 mil policiais nas ruas

Por Redação, com DW – de Seul:

O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul removeu oficialmente do cargo a presidente Park Geun-hye nesta sexta-feira. O afastamento, devido a um escândalo de corrupção, ocorre em um momento de tensões crescentes com os vizinhos Coreia do Norte e China, e pode gerar mudanças não só na política interna, como também no balanço de poderes na Ásia.

Simpatizantes de Park Geun-hye entram em confronto com a polícia em Seul
Simpatizantes de Park Geun-hye entram em confronto com a polícia em Seul

A decisão provocou protestos de centenas de simpatizantes de Geun-hye. As autoridades tiveram que acionar mais de 20 mil policiais para conter os tumultos nas ruas da capital Seul. Dois manifestantes morreram nos confrontos.

A comissão de oito juízes ratificou uma votação no Parlamento que determinava o impeachment de Park por envolvimento em um caso de fraude. Abrindo o caminho para um processo penal.

– (Os atos de Park) violam a Constituição e a lei e traem a confiança pública – disse o magistrado-chefe Lee Jung-mi. “Os benefícios de proteger a Constituição que podem ser ganhos ao afastar a ré são incrivelmente grandes”.

Park foi apontada como suspeita criminal. O que a torna a primeira líder democraticamente eleita da Coreia do Sul a ser afastada do cargo. Desde que a democracia substituiu a ditadura no final dos anos 1980. Choi Soon-sil, amiga íntima da presidente, é acusada de cobrar propina de conglomerados sul-coreanos, como a Samsung.

O advogado de Park, Seo Seok-gu, que anteriormente comparou o impeachment com a crucificação de Jesus Cristo. Qualificou o veredicto como uma “decisão trágica” nascida sob pressão popular e questionou a imparcialidade do que ele chamou de um “tribunal fantoche”.

Pesquisas indicam que mais de 70% dos sul-coreanos apoiam o impeachment. Número reforçado pelas centenas de milhares de manifestantes que passaram as últimas semanas clamando nas ruas pela saída definitiva da presidente.

Provocações do Norte

O ministro da Defesa sul-coreano ordenou ao Exército que monitore possíveis provocações da Coreia do Norte que eventualmente tentem explorar “situações de instabilidade no país e no exterior.”

Durante uma vídeo-conferência com os comandantes militares nesta sexta-feira, Han Min Koo advertiu que o país vizinho poderia incorrer em provocações “estratégicas ou operacionais” a qualquer momento.

Nas últimas semanas, a Coreia do Norte testou mísseis balísticos. O país também aproveitou a decisão do tribunal para afirmar que Park agora será investigada como uma “criminosa comum”.

A decisão aprofundou o clima de incerteza política e de insegurança na Coreia do Sul. Em meio a tensões com a Coreia do Norte. O país também sofre ameaças de retaliação econômica da China após um acordo de cooperação entre Seul e Washington por um sistema antimísseis.

Guinada política

A Coreia do Sul deverá realizar eleições no prazo de dois meses para a escolha de um sucessor para Park. O primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn, presidente em exercício. Disse que vai trabalhar com seu gabinete para estabilizar o país e garantir a realização do pleito.

– Eu respeito a decisão constitucional da corte.  O gabinete deverá conduzir os assuntos de Estado de maneira estável e garantir a ordem social de forma a evitar a intensificação de conflitos internos – afirmou.

Segundo a imprensa local, Hwang poderá concorrer à presidência como candidato dos conservadores. O liberal Moon Jae-in, que perdeu para Park nas eleições de 2012. Aparece na liderança nas últimas pesquisas de opinião.

Com os conservadores enfraquecidos, o impeachment deve mudar a política sul-coreana. Com a oposição de esquerda assumindo o poder pela primeira vez numa década. Isso afetaria o balanço de poderes da Ásia. A esquerda pode reavivar a chamada “política do raio de Sol”, que prega maior contato político com a Coreia do Norte.

Tal política, afirmam observadores, pode complicar os esforços dos EUA sob o governo Donald Trump. Para isolar a Coreia do Norte, num momento em que países da região gravitam cada vez mais em direção a Pequim. Outro objetivo da oposição é justamente tentar aplacar as tensões com a China.

Verizon diz que companhia tem incerteza sobre acordo com Yahoo

Uma importante executiva do grupo norte-americano de telecomunicações Verizon afirmou que a companhia está incerta sobre a planejada aquisição dos negócios de internet do Yahoo

O Yahoo passou a ser alvo de novas investigações de autoridades federais e parlamentares dos Estados Unidos no mês passado depois de revelar a maior invasão de dados

Por Redação, com Reuters – de Nova York/Londres:

Uma importante executiva do grupo norte-americano de telecomunicações Verizon afirmou que a companhia está incerta sobre a planejada aquisição dos negócios de internet do Yahoo.

Uma importante executiva do grupo norte-americano de telecomunicações Verizon afirmou que a companhia está incerta sobre a planejada aquisição dos negócios de internet do Yahoo
Uma importante executiva do grupo norte-americano de telecomunicações Verizon afirmou que a companhia está incerta sobre a planejada aquisição dos negócios de internet do Yahoo

O Yahoo passou a ser alvo de novas investigações de autoridades federais e parlamentares dos Estados Unidos no mês passado depois de revelar a maior invasão de dados conhecida da história. O que fez a Verizon cobrar termos mais favoráveis para a aquisição.

– Eu não posso dizer hoje com confiança se vamos fazer de uma forma ou de outra porque ainda não sabemos – disse Marni Walden, presidente de inovação de produtos e novos negócios da Verizon durante conferência de tecnologia em Las Vegas.

Walden acrescentou que os méritos da transação ainda fazem sentido e que há certos aspectos da investigação que ainda têm que ser concluídos. Ela não informou um prazo para a conclusão do negócio.

– Acreditamos que vai levar semanas pelo menos. Nós não termos interesse em arrastar isso para sempre. Não é nossa intenção – disse a executiva.

Bitcoin

A bitcoin recuava mais de 10 % nesta sexta-feira depois que o banco central da China pediu para os investidores serem racionais ao lidarem com a moeda virtual.

A bitcoin acumulou valorização de mais de 40 % em duas semanas. Atingindo na quarta-feira maior nível em três anos, de US$ 1.139,89. Pouco abaixo do recorde de US$ 1.163, na bolsa Bitstamp, baseada na Europa.

Na quinta-feira, a moeda digital, que tem mostrado correlação inversa com o iuan chinês nos últimos meses. Despencava enquanto o iuan subia. Em determinado momento, a Bitcoin caiu 20 % antes de fechar o dia em recuo de mais de 10 %.

Os preços da bitcoin têm mostrado flutuações anormais. Afirmou o escritório de Xangai do Banco Popular da China (PBOC) em comunicado. A autoridade monetária frisou que a bitcoin não é uma moeda e não pode circular como uma moeda real no mercado.

Ex-funcionário processa Snapchat

Um ex-funcionário levou o Snapchat para o tribunal. Acusando o aplicativo de mensagens de enganar investidores e parceiros comerciais para aumentar sua oferta pública inicial. Disse o Hollywood Reporter, citando um documento judicial.

No processo apresentado na quarta-feira em um tribunal da Califórnia por Anthony Pompliano, que já trabalhou com o Facebook. Também se alegou que ele foi demitido por ser um denunciante, informou a revista.

A Snap Inc, dona da Snapchat, rejeitou as acusações.

– Nós analisamos a queixa. Ela não tem mérito. Foi totalmente inventada por um ex-funcionário desapontado – disse uma porta-voz da Snap à agência inglesa de notícias Reuters em uma declaração por email.

O ex-funcionário, que liderou a equipe de crescimento da Snapchat durante suas três semanas com a empresa. Ele disse que soube de falsas declarações e pediu aos executivos que corrigissem os problemas. Pompliano afirmou que estava sob pressão para violar as informações confidenciais e proprietárias do Facebook, segundo a revista.

Último corte na Selic gera incerteza no BC

A redução de 0,25 ponto percentual na Selic na semana passada, quando foi para a mínima histórica de 7,25% ao ano, foi o “ultimo ajuste” das condições monetárias diante do atual cenário inflacionário.

BC
O corte a 7,25% da taxa Selic seria o último do ano

Em sua ata, publicada nesta quinta-feira, os cinco membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que votaram a favor do corte argumentaram que ainda havia incertezas sobre a velocidade da recuperação econômica, sobretudo por conta da expectativa de que fragilidade da economia global seja mais longa do que o esperado. Com isso, o reflexo para o Brasil é desinflacionário.

– Além disso, foi destacado que as recentes pressões de preços decorrem, principalmente, de choques de oferta, internos e externos, que tendem a reverter no médio prazo. Portanto, no entendimento desses cinco membros do comitê, o cenário prospectivo para a inflação ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias – trouxe a ata.

Na semana passada, o Copom fez o décimo corte seguido na taxa básica de juros e já havia indicado que o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011, e que somou 5,25 pontos percentuais, havia chegado ao fim. O objetivo foi ajudar na recuperação econômica do país, afetada pela crise internacional.

– O Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear – informou o BC na última semana, repetindo a frase na ata.

A decisão não foi unânime, com cinco membros do Copom votando pela redução e os outros três, pela manutenção da taxa em 7,50%.

Pela ata, os dissidentes argumentaram que a recuperação da atividade tende a ser sustentada pelos impulsos monetários, fiscais e de crédito já dados e, “eventualmente, pressões de demanda e de custos poderão incidir sobre a inflação”.

O Copom também informou que o cenário para a inflação, embora os recentes choques tenham impactado negativamente no curto prazo, manteve “sinais favoráveis em prazos mais longos”.

As autoridades brasileiras têm defendido que a economia brasileira começou a se recuperar neste semestre e que, por isso, pode crescer mais de 4% em 2013. Neste ano, não passará de 2%.

A inflação, por outro lado, também ajuda na avaliação de que o ciclo de afrouxamento monetário do país chegou ao fim, já que vem apresentando constantes sinais de pressão, sobretudo vindos dos alimentos.

O IPCA de setembro, por exemplo, subiu 0,57%, a maior variação para o mês em nove anos. No acumulado em 12 meses, o indicador teve alta de 5,28%, afastando-se ainda mais do centro da meta do governo, de 4,5%.

Estudantes brasileiros podem ter diploma anulado na Grã-Bretanha

Depois de um ano de estudos na London Metropolitan University (LMU), em Londres, o jornalista brasileiro Jonas Oliveira, 27 anos, entregou sua dissertação de mestrado no final de semana.

Intercâmbio
Jonas Oliveira entregou dissertação na sexta-feira, mas ainda não sabe se vai receber diploma

A comemoração da etapa vencida, porém, foi ofuscada pela incerteza sobre o recebimento do diploma.

– A universidade tem evitado dar informações precisas – disse à BBC Brasil.

Oliveira é um dos 35 estudantes brasileiros afetados pela decisão do governo britânico de desautorizar a LMU a pedir vistos para que seus alunos de fora da União Europeia possam estudar na Grã-Bretanha.

Com a decisão, anunciada nesta semana, mais de 2 mil estudantes da universidade, de diversas nacionalidades, correm risco de serem deportados. Eles terão prazo de 60 dias para serem aceitos por outra instituição, que possa bancar seus vistos, ou deixar o país.

No caso de Oliveira e de outros alunos que estão concluindo o mestrado, os vistos seriam válidos até fevereiro de 2013.

– Eles deveriam receber o diploma em dezembro, mas muitos foram à secretaria da universidade perguntar o que vai acontecer, se realmente vão receber o diploma, e receberam a mesma resposta: “não sabemos” – disse Diego Scardone, diretor-executivo da Abep (Associação de Brasileiros Estudantes de Pós-Graduação e Pesquisadores no Reino Unido).

– Os estudantes que nos contactaram até agora estão perdidos, sem saber o que vai acontecer. Estamos tentando avaliar caso a caso, para tentar coordenar uma ação conjunta.

Falta de informação

Oliveira, que pagou 10 mil libras (cerca de R$ 32,2 mil) pelo mestrado em Sports Management iniciado em setembro do ano passado, reclama da falta de informação.

– Ficamos sabendo de tudo pela imprensa – disse.

– No domingo passado, o jornal Sunday Times publicou uma matéria, e a universidade em seguida mandou um e-mail desmentindo. Na quinta-feira, a notícia saiu em outros jornais, e a universidade então enviou outro e-mail reconhecendo que era verdade.

Segundo Oliveira, a situação é pior ainda para os alunos que iniciaram o mestrado em fevereiro – e, portanto, não sabem se poderão concluir o curso ou não.

– Há exatamente um ano, eu estava a seis dias de viajar para cá. Já tinha deixado meu emprego, pago pelo visto, por moradia universitária. Imagino quem está nessa situação hoje – recordou

De acordo com Scardone, no caso dos estudantes de graduação, o cenário é ainda mais grave, já que, caso não consigam trocar de universidade, podem ser deportados e perder o investimento já feito no curso no exterior.

– É muito difícil conseguir transferência (para outra universidade) do segundo para o terceiro ano (de graduação) -disse Scardone.

Ciência sem Fronteiras

Na sexta-feira, a Abep enviou uma carta ao ministro britânico da Imigração, Damian Green, na qual condena a decisão e chama atenção para o “impacto devastador” sobre “milhares de estudantes internacionais, muitos deles brasileiros”.

– A ameaça de deportação, a incerteza sobre o futuro, e o risco de que os investimentos de muitas famílias e indivíduos sejam jogados pela janela depois de muito trabalho árduo são totalmente inaceitáveis – diz o texto.

A associação lembra que o governo brasileiro pretende financiar os estudos de até 10 mil alunos em universidades britânicas como parte do programa “Ciência sem Fronteiras”.

– Esta decisão arbitrária pode gerar incerteza sobre os benefícios de trazer estudantes brasileiros ao Reino Unido e questionamentos sobre se vale a pena promover intercâmbio com um país no qual esses estudantes não são bem-vindos ou respeitados – diz a carta.

Dólar fecha em alta de 2% com incerteza sobre ajuda

O dólar fechou em forte alta nesta terça-feira, seguindo o mau-humor dos principais mercados acionários que refletiam as incertezas dos investidores sobre o pacote de ajuda do governo norte-americano.

A moeda norte-americana subiu 2,06%, a 1,829 real. A divisa voltou a subir após recuar nas duas últimas sessões, e já acumula alta de 12,07% no mês de setembro.

O dólar chegou a subir mais de 3% com as incertezas sobre aprovação do plano de ajuda no Congresso norte-americano.

– É essa expectativa do congresso aprovar o plano de ajuda aos bancos… e os democratas estão atrasando (o plano), mas este deve sair – afirmou Mario Battistel, gerente da Fair Corretora.

Nesta terça-feira o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, uniram forças para pedir maior agilidade ao Congresso na aprovação do pacote de socorro aos mercados financeiros.

Mas democratas pressionavam por outro lado. O senador Christopher Dodd afirmou que os parlamentares precisam limitar os pagamentos do executivo para empresas para não correm o risco de perder eleitores. O senador democrata afirmou ainda que o plano é “inaceitável” na atual forma.

– A alta de hoje é por causa do pacote do Bush – afirmou Reinaldo Bonfim, diretor da Pioneer Corretora, ressaltando que enquanto o plano não for aprovado e melhor explicado os mercados continuarão operando com tensão. “Estamos só acompanhando os movimentos lá de fora.”

No entanto, o dólar devolveu parte da forte alta com a melhora do cenário mundial minutos antes do fechamento do mercado cambial – quando os mercados norte-americanos chegaram a operar em território positivo.

– É a gangorra dos mercados – afirmou um funcionário do departamento de câmbio da Corretora Concórdia, afirmando que o novo otimismo reflete uma nova visão dos investidores sobre a disputa no Congresso pelo pacote de ajuda.

O corretora afirmou ainda que a forte queda das commodities, a baixa da Bovespa e a alta mundial do dólar ajudavam a “alavancar” a moeda estrangeira no mercado doméstico.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, que chegou a cair mais de 4%, operava em baixa de 2,17%, enquanto que o petróleo fechou em queda de 2,76 dólares.

Durante esta tarde, as operações do pregão eletrônico mercado cambial foram afetadas por um problema técnico na BM&F Bovespa. Segundo a assessoria de imprensa, a bolsa “registrou problemas na rede de sistemas internos, com início às 15h12, afetando negociações de derivativos”.