Aloysio Nunes e Serra sabiam o que Paulo Preto fazia, diz PF

Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

“Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio”, disse Paulo Preto a um interlocutor. Ambos os senadores tucanos paulistas constam da delação premiada de outro envolvido no escândalo da Lava Jato, preso em Curitiba

Por Redação – de São Paulo

Mal assumiu o lugar de José Serra, colega no Senado e correligionário do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) leva o impacto de um novo petardo de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto teria sinalizado aos investigadores que prestará depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos ano. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do Serra e do Aloysio.

Repasse milionário

Aloysio Nunes e José Serra  precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto
Aloysio Nunes e José Serra precisarão se explicar quanto às denúncias de Paulo Preto

Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal responsável por grandes obras de infraestrutura no estado de São Paulo, Paulo Preto figura na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. A manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010, época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel, a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

Afastado

Abatido em pleno voo, o chefe da Casa Civil no governo do presidente de facto, Michel Temer, integra o grupo de ex-autoridades listadas em depoimentos à Lava Jato. Eliseu Padilha, diante das denúncias, adiou sua volta ao gabinete. E poderá, definitivamente, ser afastado do cargo. Ele alega razões médicas para manter-se afastado do Palácio do Planalto.

Padilha, no entanto, foi apontado como articulador da propina de R$ 10 milhões, destinadas à eleição do hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Temer confirma, em seu depoimento, o que declarou o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho quanto ao dinheiro destinado ao PMDB. E mais. Disse ter servido de “mula” para que Padilha despachasse um pacote de dinheiro.

Agora, foi a vez da empreiteira Andrade Gutierrez citar Padilha. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, colunista em um diário conservador paulistano, Padilha aparece em outros depoimentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o homem encarregado das finanças da campanha do PMDB em 2014 e pessoa da confiança de Michel Temer.

Preposto de Temer

“O relato da Andrade Gutierrez, por exemplo, é semelhante ao dos delatores da Odebrecht. Em seu depoimento, Otavio Azevedo, ex-executivo da Andrade, diz que foi ao Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer, e lá ofereceu a ele contribuição de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral”.

“Dias depois, comunicou ‘a assessoria dele (Temer) que seria feito (o depósito do dinheiro) na semana seguinte’. E quem era o assessor? ‘Eliseu Padilha’, responde Azevedo”, informa a colunista.

O fenômeno José Serra

José Serra

Por João Filho – de Brasília:

Passado o espanto, lembrei que notícias ruins sobre o Serra são como vídeos no Snapchat: duram 24 horas. Resolvi aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Na segunda-feira, começo a desconfiar de que meu palpite estava correto: nada mais sobre Serra na Folha. Nenhum colunista indignado, nenhum aprofundamento sobre o assunto. Na terça, a mesma coisa. Na quarta, uma novidade: Elio Gaspari comenta o caso e a coluna ganha uma chamadinha de capa. Mas não se emocione. O nome de Serra, o principal personagem do texto, não aparece nela. O que vemos é apenas um genérico “PSDB paulista”. Detalhe: essa chamada está presente somente na edição nacional. Na edição para o estado de São Paulo, onde o PSDB reina há 22 anos, ela simplesmente não existiu. Talvez essa notícia não seja do interesse do povo bandeirante em ano de eleição.

José Serra
José Serra

Há muito o que se comentar sobre as diferenças das capas, mas não comecemos com trololó. Certamente se trata apenas de uma opção editorial.

É inegável que não há nem sombra daquele ímpeto investigativo que vemos contra outros políticos. Aquela volúpia fiscalizadora parece não incomodar nosso chanceler. Talvez não seja à toa, já que todo jornalista brasileiro já ouviu alguma história referente à influência de Serra sobre as redações do país. Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli que o digam.

Quando ministros são acusados por corrupção, uma enorme pressão se levanta contra eles. No próprio governo Temer, três ministros foram forçados a pedir demissão após citações na Lava Jato. Editoriais do Globo, por exemplo, pressionaram Temer pela demissão de Fabiano Silveira e Romero Jucá. Mas, quando o nome é José Serra, ninguém ousa pedir sua cabeça. O ministro continua firme e forte no cargo, sem nenhuma pressão, sem ninguém cogitar sua queda.

Outro caso que evaporou do noticiário foi o da funcionária fantasma contratada para o seu gabinete no Senado, Margrit Dutra Schmidt. Ela passava de manhã para pressionar sua digital no ponto eletrônico e voltava ao fim do expediente apenas para registrar mais um dia não trabalhado – porém, muito bem remunerado pelos cofres públicos. Nenhum dos funcionários do gabinete a conheciam. Quem a conhecia muito bem é Álvaro Dias (PV). Quando ainda estava no PSDB, o tucano a exonerou do gabinete da Lucia Vania (PSDB) pelo mesmo motivo: ela não aparecia para trabalhar. Sabe onde ela não trabalhou também? No gabinete do Arthur Virgílio (PSDB).

É bonito de ver a solidariedade dos tucanos com essa trabalhadora, ainda mais eles, que são tarados por cortes de gastos públicos. Mas por que o PSDB a paparicava tanto? Não se sabe, já que esta é uma notícia natimorta, sem aprofundamento, uma notícia fantasma. Mas vamos dar uma escarafunchada nela.

Mesmo sabendo do seu passado fantasmagórico em gabinetes tucanos, Serra pediu para que Álvaro a nomeasse para o seu, porque “desejava que ela se dedicasse a um projeto na área de educação (…) Ainda é um projeto sigiloso. Lançarei em breve. Queria alguém que me ajudasse em questões não econômicas. Conheço a Mag há muitos anos. Tenho relações pessoais e intelectuais”.

Questionado sobre onde Mag trabalhava nesse projeto educacional ultrassecreto, o ex-senador não soube dizer se era em casa ou no Senado. Quando lhe informaram que nenhum funcionário do gabinete a conhecia, subitamente retomou a memória: “Ela trabalha de casa. Meu gabinete tem pouco espaço, não tem sala para todo mundo.” Ou seja, Serra não sabia onde ela trabalhava, mas, no segundo seguinte, lembrou que o gabinete era tão apertado que nem fantasma cabia. O remendo só piorou a coisa, já que, pelo regimento interno do Senado, os funcionários são proibidos de trabalhar em casa.

Seria um escândalo para atormentar qualquer político, ainda mais um senador da República. Mas Serra não é qualquer político e nunca mais foi incomodado com o assunto.

Só que Mag também não é uma funcionária qualquer. Ex-mulher do lobista Fernando Lemos e irmã de Miriam Dutra – a ex-amante de FHC –, Margrit não ficou famosa apenas por ganhar sem trabalhar em gabinetes do PSDB. Além de ser uma empolgadíssima militante anti-petista nas redes sociais, a amiga de Serra enviava dinheiro para a irmã, que havia se mudado estrategicamente para Europa após engravidar – ou não – do ex-presidente. Segundo Noblat, Miriam “recebia uma mesada em dólar paga por FHC e dinheiro que sua irmã e o marido lhe enviavam regularmente”.

A catalã Carme Polo, uma das melhores amigas de Miriam Dutra, disse ao DCM que Serra “era o contato de Miriam com Fernando Henrique Cardoso”. A relação era tão próxima, que o ministro das relações exteriores chegou a ir para Barcelona para acompanhar uma reforma no apartamento da irmã de Mag.

Aqui não estamos falando apenas da vida pessoal, mas da evidente promiscuidade entre a coisa pública e a privada – um costume político brasileiro sempre muito criticado por Serra. Mas podemos nos fazer de inocentes e acreditar que todos esses empregos fantasmas que Mag conseguiu no ninho tucano não tinham nada de mais. Assim como acreditamos que a cocaína presente no helicóptero da família de um outro senador não tinha dono.

Agora voltemos para as propinas da Odebrecht. Breno Costa, repórter do The Intercept Brasil, escreveu matéria intitulada “José Serra propôs lei que beneficia empreiteiras com redução de impostos e punições”. A Folha teria todas as condições de fazer essa relação e aprofundar o assunto. Mas não, o jornal que já publicou uma ficha policial falsa de Dilma na capa não foi capaz de levantar essa lebre. Parece que a cota de notícia ruim sobre o Serra na semana já havia sido preenchida no domingo, não é mesmo?

O novo escândalo pode trazer de volta uma figura relegada ao ostracismo: Paulo Preto, o ex-diretor da Dersa responsável pela contratação das empreiteiras que comandaram grande obras quando Serra era governador de São Paulo. O mesmo Paulo Preto cuja filha advogava para essas mesmas empreiteiras e emprestava dinheiro para Aloysio Nunes (PSDB). O mesmo Paulo Preto que Serra, ao ser questionado na campanha presidencial de 2010, afirmou não conhecer quando Dilma trouxe seu nome para um debate: “Eu não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factoide criado para que vocês fiquem perguntando”.

Irritado com a já famosa falta de memória de Serra, Paulo Preto fez uma afirmação – ou uma ameaça – que se tornaria clássica: “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro”. Ainda sobre a falta de memória do ex-governador, declarou: “Não somos amigos, mas ele me conhece muito bem”.

Mesmo arranhada por tantos espinhos, a imagem de homem ilibado, competente, dotado de espírito público continua protegendo a figura de Serra. Nosso ministro é mesmo um fenômeno. Tanto que, ao ter seu nome ventilado para o ministério de Temer, Sardenberg chegou a elogiá-lo pelo – pasmem! –“rigor com as contas públicas”. A Mag que o diga!

Vamos aguardar o desenrolar dos fatos. Há muitos fantasmas no armário de Serra. Com as delações das empreiteiras prontas para sair do forno, será cada vez mais difícil manter a blindagem do nosso valoroso chanceler. Até agora, ninguém parece disposto a largá-lo ferido na estrada.

João Filho, é cientista social,  jornalista e autor do Jornalismo Wando.

Petrobras: divulgado manifesto contra desmonte de estatal

Petrobras

Segundo os signatários, as propostas apresentadas pelo presidente da Petrobras são”entreguistas”, “destinadas a favorecer os interesses estrangeiros”

Por Redação, com Vermelho – de Brasília:

Os petroleiros e entidades dos movimentos sociais e sindicais que integram a campanha Todo o Petróleo Tem que Ser Nosso divulgaram manifesto para rebater os argumentos do atual presidente da Petrobrás, Pedro Parente, e do chanceler José Serra, ambos favoráveis ao desmonte da estatal e à abertura do pré-sal ao capital estrangeiro, retirando a companhia brasileira da condição de operadora única desses campos.

Segundo os signatários, as propostas apresentadas por Parente são”entreguistas”, “destinadas a favorecer os interesses estrangeiros” e significam um “acinte à consciência de todo o brasileiro empenhado no desenvolvimento do país”.

Petrobras
Para os signatários, Parente e seus diretores dizem que têm como missão “salvar a Petrobras”

O texto busca desconstruir, por exemplo, os argumentos de que a Petrobras está em grave e crise, e destaca que a dívida da estatal – somada aos desvios estimados – representa não mais que 1% de seu enorme patromônio de óleo e gás natural.

Para os petroleiros, a Petrobras não precisa de um “salvador da pátria” e o que o novo presidente quer “é repassar ao setor privado os setores mais rentáveis do sistema de petróleo, pois o maior lucro está no valor agregado em derivados, petroquímicos, transporte e fertilizantes”.

Leia abaixo:

Crônica de um estupro anunciado

A nova diretoria da Petrobras, comandada por Pedro Parente, prepara um verdadeiro estupro da empresa, à vista da sociedade brasileira. Para isso, tem a ousadia de buscar o consentimento pacífico dos próprios petroleiros. As propostas de Parente são um acinte à consciência de todo o brasileiro empenhado no desenvolvimento do país. Curiosamente, enquanto Bendine, seu antecessor, preparava o desmonte da Petrobras sem avisar, Parente tem o desplante de avisar previamente sobre o desmonte, recorrendo a um rosário de falsidades. Ei-las:

1. Parente afirma que a Petrobras está em crise financeira, na linha do que vem pregando há meses seu mentor, o ministro interino José Serra.

É falso. A Petrobras tem um patrimônio gigantesco de óleo e gás no pré-sal, sendo que a dívida da empresa, somada aos desvios estimados, representa não mais que 1% desse patrimônio.

2. Parente sustenta que o petróleo do pré-sal é menos do que se dizia, tendo sido furados muitos poços secos.

É absolutamente falso. As estimativas são de que há muito mais petróleo no fundo do mar do que se imagina. A produção do pré-sal cresce em ritmo impressionante (8% em maio sobre abril), o que não corresponde à ideia de que as reservas sejam menores do que as anunciadas anteriormente. O custo de extração vem caindo e a produção de óleo e gás bateu novo recordo em junho de 2016, alcançando a marca dos 2,9 bilhões de barris. Em relação ao mês de maio, o volume apresentou um aumento de 2%.

3. Parente e seus diretores dizem que têm como missão “salvar a Petrobras”

Falso. A Petrobras está no pico de sua produtividade operacional e não precisa de nenhum salvador da pátria.

4. Parente quer a privatização da BR, dos gasodutos, da indústria de fertilizantes, “em nome do saneamento da Petrobras”.

Nada mais falso. O que ele pretende é repassar ao setor privado os setores mais rentáveis do sistema de petróleo, pois o maior lucro está no valor agregado em derivados, petroquímicos, transporte e fertilizantes.

5. Parente sustenta que a construção do Comperj e da Refinaria Abreu e Lima não deve ser retomada, porque não seria rentável para a Petrobras. Diz que “refinaria não dá lucro”.

Completamente falso. O Comperj interessa à Petrobras como investimento rentável na área petroquímica. A Refinaria Abreu e Lima aumentaria a produção de combustíveis da empresa, reduzindo a necessidade de importações. O que Parente pretende, portanto, é enfraquecer a Petrobras, colocando-se na contramão de todas as grandes petrolíferas do mundo que procuram diversificar, buscando fusões e incorporações.

As propostas da nova Diretoria da Petrobras são repelidas por petroleiros e por todos os cidadãos que têm o mínimo conhecimento da área do petróleo e compromisso com o interesse nacional. São propostas entreguistas, destinadas a favorecer os interesses estrangeiros.

Privatizar a rede de gasodutos construída pela Petrobras, que interliga o país de norte a sul, privatizar a BR, que garante a distribuição de gasolina em todo o território nacional, além de constituir em ameaça à compra do óleo refinado no Brasil, são crimes inomináveis e a sociedade precisa tomar conhecimento disso.

Até mesmo num campo tão estratégico para o Brasil, como no dos fertilizantes, sendo o país agrário, as intenções de Parente são aviltantes, pois pretendem colocar o agronegócio totalmente nas mãos dos produtores estrangeiros de fertilizantes.

Os petroleiros e todos aqueles comprometidos com o futuro e a soberania nacional repudiam veementemente o desmonte da Petrobras e a entrega do pré-sal a empresas estrangeiras.

Campanha Todo o Petróleo Tem que Ser Nosso
Sindipetro-RJ e Federação Nacional dos Petroleiro (FNP)

Pré-sal: aprovado projeto que muda regras para exploração e produção

Câmara

Para Henrique Fontana, o interesse das empresas na operação do pré-sal reflete a lucratividade da camada

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Sob forte resistência de parlamentares da oposição, foi aprovado, nesta quinta-feira, o Projeto de Lei 4.567/16 que retira a obrigatoriedade da Petrobras participar da extração de petróleo da camada pré-sal. O placar ficou em 22 votos favoráveis e 5 contrários.

Com o resultado na comissão especial que analisa o assunto desde março, a proposta segue para o plenário da Câmara. O colegiado ainda analisa destaques apresentados ao projeto.

Câmara
O parecer do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) altera as regras atuais que determinam que a estatal brasileira é a única operadora da exploração nesta camada

O parecer do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) altera as regras atuais que determinam que a estatal brasileira é a única operadora da exploração nesta camada, garantindo exclusividade sobre decisões como a definição de critérios para avaliação de poços, equipamentos de produção e compras.

A proposta, que foi costurada ainda no Senado pelo atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, também restringe a obrigação de a Petrobras participar, com no mínimo de 30% dos investimentos, de consórcios para exploração do pré-sal apenas para áreas estratégicas.

Oposição

– Pelo bem do Brasil, por um futuro de investimentos fortes, para manter o papel estratégico que tem a Petrobras no desenvolvimento de um setor industrial fundamental, temos que fazer o oposto do que está propondo a base golpista de Temer – protestou Henrique Fontana (PT-RS).

Segundo o petista, o interesse das empresas na operação do pré-sal reflete a lucratividade da camada.

– Temos aqui, como Parlamento, o dever de manter esta exploração nas mãos da Petrobras. Agora que o filet mignon está na mesa para ser servido, vossas excelências querem retirar esta lucratividade da mão da Petrobras – completou.

Glauber Rocha (PSOL-RJ) engrossou o coro contrário ao parecer, ao alertar que a produção passará a ser computada “por interesses privados”, caso a matéria avance.

Base aliada

Por outro lado, tucanos e peemedebistas defenderam a iniciativa. Para o grupo favorável ao texto, a mudança das regras do atual sistema de partilha vai ampliar os investimentos no setor.

Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA) afirmou que a Petrobras não será retirada do jogo.

– Estamos dando oportunidade – afirmou ao destacar que a estatal precisa “recuperar sua imagem”.

Segundo ele, a Petrobras continuará sendo “a grande empresa” neste setor mas não tem condições, neste momento, de manter as atuais competências.

– É fundamental para os estados, como o meu, ter investimentos – completou.

Serra arregaça as mangas

Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

Brasil vai se aproximar dos Estados Unidos
Brasil vai se aproximar dos Estados Unidos

Não adianta o ministro do Exterior José Serra, do governo interino, espernear e reagir meio histericamente às acusações surgidas em várias partes do mundo condenando o golpe institucional, porque os fatos ficam cada vez mais claros.

Serra é um preposto da Chevron, empresa petrolífera a qual prometeu beneficiar, segundo denuncia divulgada pelo site WikiLeaks. O político tucano chega até a expressar, em  entrevista que circula nas redes sociais, “Estados Unidos do Brasil”. Não é á toa, podem estar certos, e o motivo é simples, não sendo necessário aprofundar os conhecimentos sobre Freud. É que não sai da cabeça do agora ministro que antes de qualquer coisa ele precisa demonstrar fidelidade ao Departamento de Estado norte-americano. Já se voltou contra países com governos que não rezam pela cartilha dos Estados Unidos. Não será surpresa se radicalizar no posicionamento “antibolivariano”.

Quanto a Michel Temer, algum repórter com um pouco mais de coragem precisa perguntar ao chefe do golpe o que tem a dizer sobre o informe divulgado pelo site WikiLeaks que de janeiro e junho de 2006 informava para a Embaixada dos Estados Unidos, que naturalmente repassava aos serviços de inteligência parar formarem opinião sobre os acontecimentos no Brasil.

Tais fatos, somados ao vivenciado pelo Senador do PSDB paulista Aloysio Nunes Ferreira, que um dia após a vergonhosa votação da Câmara dos Deputados sobre o impeachment — denominação utilizada tentar esconder o golpe – circulava nos Estados Unidos. O que foi fazer lá? Prestar contas, receber algum benefício por serviços prestados? Ou foi lá apenas para fazer turismo?  Foi por conta própria? Se convidado, quem o convidou? E qual o motivo real da viagem?

Serra, Temer e Ferreira são políticos que rezam pela cartilha de Washington, sem dúvida. Agora como Ministro do Exterior, o político do PSDB muito rapidamente já está demonstrando serviço e pretende se colocar com veemência contra regimes populares da América Latina. O pretexto é a questão das denúncias que pipocam no continente sobre o golpe ocorrido no Brasil. Aproveitando o embalo, não será de se estranhar o surgimento de mais posicionamentos contra países como a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, El Salvador, Uruguai e outros que venham a se posicionar.

Serra levantou a voz contra alguns países, mas até agora não respondeu diretamente a uma série de personalidades em várias partes do mundo, entre as quais o juiz espanhol Balthazar Garzon, que denuncia com veemência o golpe ocorrido no Brasil permitindo a ascensão, por enquanto interina, do chefe Michel Temer.

Aguarda-se a qualquer momento posicionamento de Serra sobre o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul), que tanta oposição tem sido explicitada pelo Departamento de Estado norte-americano.

Não por acaso a mídia conservadora diariamente tem se posicionado de forma radical contra os que denunciam a ocorrência de um golpe. Nesta área, diga-se de passagem, o tom editorial está mudando, ou seja, a tal crise alardeada diariamente nos últimos meses está aos poucos dando lugar a um clima de recuperação. E tudo de ruim que porventura ainda seja registrado, a culpa ficará por conta da “herança maldita do lulopetismo”.

Em menos de 72 horas de instalação do governo golpista que tem com slogan “ordem e progresso”, jornais como O Globo e alguns colunistas de sempre já admitem que a culpa de tudo de ruim que ainda aconteça é da “herança” e está chegando o “início de um novo tempo”.

Podem imaginar o que vem por aí daqui para frente, ainda mais com um governo ilegítimo composto por ministros velhacos de outros tempos, defensores de posições favoráveis ao capital e também ao esquema de privatizações já anunciadas pela mídia conservadora, naturalmente em tom de júbilo.

Como se tudo isso não bastasse, tudo cuidado é pouco em matéria de Ministério da Justiça tendo como titular Alexandre de Moraes. Este senhor, além de ter sido advogado do meliante Eduardo Cunha é o principal responsável pela repressão contra jovens adolescentes que exigem a instalação de uma CPI sobre as denúncias relacionadas com a corrupção que afetou a merenda escolar. Se como Secretário de Segurança de São Paulo fez o que fez contra jovens adolescentes, podem imaginar que ordens serão baixadas, sem o menor constrangimento, quando a mídia conservadora exigir alguma ação policial de combate aos que protestam contra o governo golpista de Michel Temer?

E pensar que O Globo fez autocrítica por ter apoiado o golpe de 64 e agora em 2016 é um dos agentes midiáticos conservadores propulsores de um novo tipo de golpe.

Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

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Pré-sal: votação provoca debate entre parlamentares

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A senadora Gleisi Hoffmann defendeu a aceleração dos investimentos nos campos do pré-sal licitados e já concedidos para a geração de royalties

Por Redação, com Vermelho – de Brasília:

A votação no Senado, na noite desta quarta-feira, que aprovou a revogação da participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo da camada pré-sal, foi marcada pelo debate acalorado entre os senadores que durou mais de seis horas. Para os opositores da proposta, o projeto representa uma ameaça à soberania nacional, é inoportuna e prejudicial à Petrobras.

O texto, do senador José Serra (PSDB-SP), revogou a participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo da camada pré-sal. Para valer, a mudança ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados.

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O texto revogou a participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo da camada pré-sal

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi um dos oradores mais exaltados na fala contra o projeto. Segundo ele, o projeto “não tem sentido” e não haverá investimento estrangeiro, apenas a entrega das reservas brasileiras para as multinacionais.

– É um projeto que quebra a Petrobras, porque, sem o pré-sal, ela não sobrevive à crise, que pode ser ultrapassada rapidamente. Sobe o preço do petróleo, vai para o patamar dos US$ 80, e está tudo isso resolvido – explicou.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que se posicionou contra o projeto durante toda a semana, em discursos e entrevistas, discorda da alegação de que a Petrobras está falida. Segundo ela, a empresa teve lucro operacional graças à exploração do pré-sal, que representa 40% da sua produção total.

– Só há um objetivo (do projeto): pressionar um governo que está fraco, para fazer um leilão onde a Petrobras não vai poder entrar e eles vão entrar e pagar um preço de banana – afirmou.

Tristeza e indignação

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) declarou tristeza e indignação pela aprovação do projeto. Para a senadora, o projeto é “entreguista” e fragiliza a Petrobras usando como pretexto as irregularidades que resultaram na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Na opinião da senadora, a aprovação do texto é um desserviço ao Brasil.

– A aprovação do projeto significará e significa um dos maiores retrocessos do ponto de vista dos interesses nacionais, do ponto de vista dos legítimos interesses do povo brasileiro – lamentou.

Para ela, a batalha não terminou e ainda pode ser revertida na Câmara, com a ajuda da mobilização de movimentos sociais que respeitam a Petrobras e o povo brasileiro.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou o projeto, destacando que “vamos entregar o filé mignon por uma dívida que nós podemos administrar?”. A senadora defendeu a aceleração dos investimentos nos campos do pré-sal licitados e já concedidos para a geração de royalties. E lembrou que, mesmo que novas áreas fossem leiloadas hoje, a exploração levaria alguns anos para começar, o que daria à Petrobras tempo para recuperar-se financeiramente.

A importância estratégica da Petrobras para o Brasil também foi destacada pelo senador Dario Berger (PMDB-SC), que entendeu a necessidade de proteger a estatal em momento de redução no preço do barril do petróleo.

Sem condições financeiras

A oposição se utilizou das dificuldades financeiras atuais da empresa para defender o projeto. Serra voltou a afirmar que seu projeto alivia a Petrobras de uma obrigação com a qual ela não pode mais arcar. O texto revoga a obrigação da empresa participar com pelo menos 30% na exploração do pré-sal, como prevê a lei atual. No entanto, mantém a preferência da estatal nas operações. Segundo ele, a Petrobras não tem condições de investir como operadora única nos campos de águas profundas para exploração de petróleo e gás natural.

Pela lei atual, aprovada em 2010, a Petrobras deve atuar como operadora única dos campos do pré-sal com uma participação de pelo menos 30%. Além de ser a empresa responsável pela condução e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção.

O projeto de Serra recebeu apoio dos tucanos Cássio Cunha Lima (PB) e Aécio Neves (MG). Cunha Lima previu o aumento da arrecadação, da geração de empregos e de receita, com o pagamento de royalties. E Aécio entende que a mudança na participação da Petrobras vai permitir o reaquecimento do setor.

Para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a mudança atende ao interesse nacional com o propósito de atrair investimento.

A senadora Lúcia Vânia (GO), ex-PSDB, hoje no PSB, considera que o projeto reverte um marco regulatório “equivocado e obsoleto”, além de produzir um impacto positivo sobre a confiança dos agentes em relação à economia brasileira.

Nota da Presidência Nacional do PT

O país assistiu, ontem (24/02), a primeira de uma série de novas batalhas em defesa da propriedade pública e nacional do petróleo. Aprovado pelo Senado, o projeto do tucano José Serra retira a obrigatoriedade legal de participação da Petrobras nos campos do pré-sal. Mesmo atenuado em sua versão substitutiva, ele fragiliza o regime de partilha e a política de conteúdo nacional.

A bancada de senadores petistas, em conjunto com seus principais aliados, entre os quais destaco o senador Roberto Requião (PMDB-PR), se comportou com firmeza e bravura, solidária à orientação partidária, votando contra o PL 131.

Apesar da derrota parlamentar sofrida, o Partido dos Trabalhadores continuará empenhado em resistir ao retrocesso representado por esta mudança da lei. Nossos deputados federais combaterão a medida, na Câmara, com a mesma tenacidade dos nossos senadores.

O PT marchará ao lado das demais forças progressistas, dos movimentos populares e sindicais contra este ataque à soberania nacional e ao nosso desenvolvimento independente.

Denúncia contra Cunha revela ligação de Serra na Lava Jato

Por Redação, com Helena Sthephanowitz – de São Paulo:

A denúncia formulada por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revela a ligação da Operação Lava Jato com os desvios bilionários ocorridos durante o processo de privatização realizado durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Na página 40, conforme revela a jornalista Helena Sthephanowitz, do site de notícias Rede Brasil Atual (RBA), a denúncia de Janot rastreia o caminho do dinheiro das propinas sobre contratos de construção de sondas pela Samsung para a Petrobras encontra indícios de ligação entre líderes tucanos e o esquema criminoso, entre eles, o senador José Serra (PSDB-SP).

Investigações da Lava Jato sobre Eduardo Cunha revelam ligações perigosas de José Serra
Investigações da Lava Jato sobre Eduardo Cunha revelam ligações perigosas de José Serra

“Segundo a denúncia do Ministério Público, o representante da Samsung, Júlio Camargo, recebeu comissão por ter conquistado o contrato – e distribuiu propinas. Três desses pagamentos, entre junho e outubro de 2007, saíram das contas, em paraísos fiscais, das empresas Piamonte Investment e Winterbothan Trust Company, do próprio Camargo, para a Iberbras Integración de Negócios Y Tecnologia, ligada a Fernando Soares, o Fernando Baiano, chamado por Camargo de ‘sócio oculto’ de Eduardo Cunha”, escreve a articulista.

Ainda segundo Sthephanowitz, a denúncia registra que a Iberbras tem uma sucursal brasileira – Iberbras Integração de Negócios, de CNPJ 068.785.595/0001-01 –, registrada em nome de Hiladio Ivo Marchetti, marido de Claudia Talan Marin, que, por sua vez, é proprietária do Condomínio Vale do Segredo Gestão de Patrimônio Eireli, em Trancoso, no litoral sul da Bahia. “Fernando Baiano tem entre seus bens sequestrados pela Justiça uma mansão naquele condomínio e realizou transferências para Cláudia Talan Marin no valor de R$ 1,6 milhão”, acrescenta.

A ligação entre os suspeitos e a nata do PSDB é revelada ao identificar Cláudia Talan Marin e Hiladio Ivo Marchetti. São filha e genro de Gregório Marin Preciado, ex-sócio do senador José Serra (PSDB-SP) em um terreno no Morumbi, bairro nobre de São Paulo. A mãe de Cláudia, Vicencia Talan Marin, é prima do senador tucano. Por este parentesco, Preciado muitas vezes é tratado nos meios políticos como “primo” de Serra.

Todo o capítulo 8 do livro-reportagem A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior pela Editora Geração Editorial, de 2011, é dedicado a Preciado, com o título O primo mais esperto de José Serra. No final do capítulo 7, há documentos da CPI do Banestado obtidos no Tribunal de Justiça de São Paulo, comprovando a movimentação milionária de dinheiro de Preciado em paraísos fiscais, em negócios com Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro das últimas campanhas eleitorais de Serra.

Relações profundas

“As relações de Preciado com Serra são antigas e profundas”, acrescenta a colunista de RBA. A antiga empresa de consultoria do atual senador, denominada ACP Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda., tinha como endereço o prédio da firma Gremafer, pertencente a Gregório Preciado. Neste imóvel também funcionaram os comitês de campanha de José Serra nas eleições de 1994 para o Senado, e de 1996, para prefeito de São Paulo.

“Preciado também contribuiu para financiar campanhas de Serra nos anos de 1990 por intermédio de suas empresas Aceto, Gremafer e Petrolast. A família de Serra visitava sempre as casas de Preciado em Trancoso, região onde ele passou a fazer negócios imobiliários. Um caso rumoroso envolvendo o DEM da Bahia foi na Ilha do Urubu”, lembra a jornalista.

A ligação de Fernando Baiano com a Iberbras foi confirmada nas investigações a partir do controle de acesso na portaria da Petrobras, onde Baiano identificou-se como representante da empresa. Segundo informações de bastidores a respeito da delação premiada de Fernando Baiano, ainda sob sigilo, “um dos assuntos delatados seria justamente negócios com o ‘primo’ de Serra”, acrescentou.

As possíveis ligações do senador José Serra com as investigações da Operação da Lava Jato também surgiram em relatório divulgado, recentemente, sobre as mensagens capturadas no celular do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. O relatório da PF identifica as iniciais do vice-presidente Michel Temer, do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e, embora apareçam com uma tarja preta na identificação, cita “JS” em um contexto que deixa poucas dúvidas quanto à identidade do senador tucano. Como o nome de Serra constava no relatório inicial da perícia, conclui-se que os filtros da Lava Jato criaram uma blindagem ampla para o senador.

PSDB vai pedir o impeachment de Dilma apenas com base em suspeitas

A presidenta Dilma Rousseff
A presidenta Dilma Rousseff é alvo de um pedido de impeachment dos tucanos, na Câmara

Na contramão das declarações da presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta-feira, de que “sem sombra de dúvida”, a divulgação do balanço do ano passado pela Petrobras nesta semana marca uma nova era para a estatal, que vem sofrendo com denúncias de corrupção, a bancada do PSDB na Câmara divulgou a intenção de pedir o seu impeachment. Segundo os parlamentares tucanos, há elementos suficientes para apresentar, de pronto, o pedido de impedimento, sem necessidade de se aguardar novos fatos ou sequer que o julgamento da Operação Lava Jato seja concluído, no Judiciário.

Na quarta-feira, a Petrobras divulgou prejuízo de R$ 21,6 bilhões no ano passado, após contabilizar perdas de R$ 6,2 bilhões por corrupção e reduzir em mais de 44 bilhões de reais o valor de seus ativos. Líder do PSDB na Câmara, o deputado Carlos Sampaio (SP) afirmou, nesta tarde, que levará a decisão do conhecimento do presidente nacional da legenda, o senador Aécio Neves (MG), na terça-feira. Sampaio espera que o pedido de impedimento da presidenta seja apresentado entre terça e quarta-feira.

– O que vou dizer ao (senador) Aécio é que na visão da bancada não tem mais o que aguardar. A Câmara é quem decide sobre a abertura do impeachment, então o protagonismo tem que ser da bancada da Câmara. Ela tem que tomar uma decisão e a decisão já foi tomada: o impeachment é cabível e não temos que aguardar mais nenhum parecer – afirmou Sampaio a jornalistas, durante intervalo de uma reunião de treinamento parlamentar dos deputados tucanos.

Candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, Aécio Neves elevou o tom contra Dilma e já previa que o PSDB iria encaminhar o pedido de impeachment. Nos últimos dias, porém, recuou após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra, entre outros, pronunciarem-se contrariamente ao impedimento.

O senador mineiro chegou a encomendar um parecer técnico sobre a questão, mas o jurista Miguel Reale Júnior demandou um prazo maior para a elaboração. Para Sampaio, porém, a falta de um embasamento jurídico não atrapalha a empreitada. A bancada na Câmara, diz ele, já está com o pedido pronto, com base principalmente em suspeitas, ainda que sem nenhuma prova, da suposta responsabilidade de Dilma sobre o escândalo na Petrobras e as chamadas “pedaladas fiscais”, as manobras realizadas pelo Tesouro para fechar as contas públicas.

O duelo Serra x Aziz

O pau vai quebrar entre dois senadores, Serra e Aziz, prevê nosso colunista
O pau vai quebrar entre dois senadores, Serra e Aziz, prevê nosso colunista

O pau vai comer na Casa de Noca e não será entre as candidatas a miss Amazonas Carolina Toledo e Sheislane Hayalla. Dois novos senadores empossados  terão enfrentamentos memoráveis na 55ª legislatura. Será um duelo de titãs. Um deles, o economista José Serra, filho de italianos da Mooca, bairro da capital de SP, é nacionalmente conhecido, pois foi candidato a presidente da República. O outro, o engenheiro Omar José Abdel Aziz, um ilustre desconhecido para o Brasil, nasceu em Garça, interior de SP, mas sua vida política foi toda no Amazonas. Eles, que divergem sobre a legalização de cassinos, transformarão o plenário num ringue octogonal de UFC.
Enquanto o Diário do Rio de Janeiro teve no séc.XIX um escritor de expressão nacional, Machado de Assis, que noticiou na crônica O Velho Senado os embates ocorridos no passado da instituição, o Diário do Amazonas tem, no séc. XXI, um colunista municipalmente célebre que informa aos seus leitores sobre O Novo Senado e o que vai rolar nele, como o primeiro discurso de Abdel Aziz, ainda não pronunciado, mas escutado atentamente por Renan, Collor, Jader Barbalho, Perrella, Jucá, Lobão e outros colegas probos. O que aqui inventamos, quase sempre acontece.
Com uma trajetória pluripartidária, Omar Abdel Aziz trocou de partido mais vezes que o Comendador mudou de camisa preta e encardida em toda a novela Império. Na juventude estudantil, quando o conheci, militava no PCdoB, depois se filiou a vários vixe-vixes: PSL, PDC, PPR, PMN e agora o PSD que escambará pelo futuro PL, quando este for oficializado pelo Kassab. Eis aqui trechos do seu discurso:
O SR. OMAR JOSÉ ABDEL AZIZ (PSD-AM – Eca!) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, tem-se discutido nesta Casa vários projetos de lei tratando, entre outras coisas, da abertura de cassinos no Brasil. Quero manifestar meu voto favorável pelo impacto que terá na economia do país, aumentando a arrecadação de impostos, gerando empregos e promovendo circulação de riquezas. Com cassinos aqui, autoridades que costumam viajar em jatinhos pagos com dinheiro da Viúva para Aruba, Las Vegas, Atlantic City, Monte Carlo, passarão a arriscar a sorte em território nacional, o que redundará em enorme economia para o Erário.
Basta de hipocrisia! Não foi apenas o ínclito ministro da Educação Cid Gomes que levou sua sogra e toda família para a Europa com recursos públicos. Quantos aqui nesta Casa usaram, em algum momento, verba pública em viagens planejadas justamente para áreas onde por coincidência funcionam cassinos? Por isso, defendo a fusão do Projeto de Lei do Senado 186/2014, de autoria do nobre senador Ciro Nogueira (PP-PI), com o do ex-senador Mozarildo Cavalcanti (PPB), que previa instalações de cassinos em hotéis da Amazônia e do Pantanal. Só assim poderemos exercer livremente o direito de arriscar a sorte em roletas de cassinos nacionais.
Os impostos pagos pelos cassinos permitirão investir em áreas críticas, como Segurança. Em meu governo no Amazonas, o “Ronda nos Bairros” da PM só não fez mais por falta de recursos. De qualquer forma, enquanto fui governador, não houve balas perdidas, todas foram achadas. Com tributos pagos pelos cassinos, podemos até exportar para o Rio de Janeiro o “Ronda nos Bairros” e contribuir para encontrar aquelas balas que tantas mortes vem causando em território fluminense.
Os adversários da legalização dos cassinos alegam que eles foram proibidos em 1946 no governo do presidente Marechal Eurico Gaspar Dutra porque eram focos de corrupção. Ora, nobres colegas, quem vos fala é alguém que realizou uma administração limpa no Amazonas, no meu governo nunca teve escândalo, todos os gastos, inclusive de viagens para o exterior e cidades com roletas legais, foram aprovadas pelo Tribunal de Contas, presidido por Josué Filho, pai do nosso correligionário do PSB, Josué Neto, presidente da Assembleia Legislativa.
Temos que seguir, nobres colegas, o exemplo do país mais desenvolvido do mundo, os Estados Unidos, onde as roletas são legais, promovem o desenvolvimento, minimizam as desigualdades sociais, potencializam o turismo. Em qualquer parte do mundo, os cassinos são fatores de desenvolvimento. Com os benefícios por eles trazidos, podemos investir em produção de energia elétrica, evitando a crise que meu nobre colega, Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia classificou, com muita propriedade, como “descasamento entre produção e transmissão de energia”.
O SR. JOSÉ SERRA (PSDB-SP)- Senador Abdel Aziz, V. Exª me concede um aparte?
O SR. OMAR JOSÉ ABDEL AZIZ (PSB-AM) – Ouço V. Exª com prazer
O SR. JOSÉ SERRA (PSDB-SP)- Nobre colega, Abdel Aziz, a campanha em favor dos cassinos concentra-se em uma tese bastante simples, embora falsa – advirto – e que é também fácil de entender. Diz-se que, erroneamente, cassinos significam mais empregos para o Brasil. Entre os interessados nos cassinos há brasileiros / estadunidenses – pessoas que, provavelmente, tem dupla nacionalidade e podem estar ligados à máfia norte-americana – que estão empenhados em fazer negócios no Brasil.
É importante argumentar que os cassinos não trarão recursos do exterior. Dificilmente um turista viria ao Brasil para jogar, deixando de fazê-lo em Las Vegas ou em Monte Carlo. Não vejo por que estrangeiros ricos, que viajam para jogar, teriam um “acesso de verde-amarelismo”, indo jogar no Oiapoque, no Chuí, em Eirunepé ou em Urucurituba. Ao mesmo tempo, não creio que brasileiros ricos que atualmente viajam para jogar no exterior deixem de fazê-lo. Eles não têm interesse de aparecer em reportagens da revista Caras, muito menos de serem alvo de fiscais do Imposto de Renda à procura de demonstrações externas de riqueza por parte de contribuintes.
Portanto, estou convencido de que o dinheiro estrangeiro, dólar, não virá com a instalação de cassinos; aliás, ao contrário, diria que a tendência é enviarmos dólares ao exterior. Grande parte ou pelo menos os mais importantes cassinos são propriedades de estrangeiros e, portanto, os lucros e dividendos sairiam daqui. Ou seja, os jogadores brasileiros perderiam esse dinheiro que seria convertido em dólar e enviado ao exterior. Uma maravilha em matéria de utilização das escassíssimas divisas e da crise da balança de pagamentos que enfrentamos neste século. Estou convencido, ainda, de que os cassinos não geram empregos líquidos. Há uma ilusão a esse respeito. É uma fantasia.
Por outro lado, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, longe de mim querer negar a experiência na matéria do nobre colega Omar Abdel Aziz. Creio, no entanto, que não estarei sendo cruel com as elites brasileiras se disser que elas tradicionalmente sempre exibiram uma macaquice com relação aos exemplos que vêm do Norte, mais particularmente dos Estados Unidos. Nossas elites sempre foram permeáveis a esses exemplos. No entanto, a experiência norte-americana desaconselha a implantação de cassinos no Brasil e confirma os argumentos que apresento.
O SR. OMAR JOSÉ ABDEL AZIZ (PSB-AM) – Nobre senador José Serra, interrompo o aparte concedido porque nosso espaço no Taquiprati se esgotou. Continuaremos o debate em outra oportunidade.
P.S. – O discurso do senador José Serra foi efetivamente pronunciado há alguns anos. O do senador Omar José Abdel Aziz foi um passarinho que me contou.
José Ribamar Bessa Freire é professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de doutorado e mestrado e da Faculdade de Educação da UERJ, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indigenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti. Tem mestrado em Paris e doutorado no Rio de Janeiro. É colunista do novo Direto da Redação.

Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins

José Serra recebe alta após internação no Hospital Sírio-Libanês

Serra: Ser ou não ser candidato em 2014. Eis a questão
Serra, devido ao estado de saúde e às questões políticas, pergunta-se: Ser ou não ser candidato em 2014. Eis a questão

Ex-governador de São Paulo e candidato derrotado à Presidência da República, em 2010, José Serra (PSDB) ficou internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista por cerca de 72 horas e recebeu alta no final da tarde deste sábado. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital, mas não foram revelados detalhes sobre os motivos da internação. A assessoria de José Serra informou, por sua vez, que ele deu entrada, quarta-feira, na unidade para tratar de bactérias no sangue.

No final de janeiro deste ano, Serra passou por uma cirurgia de próstata também no Sírio-Libanês. De acordo com o boletim médico, a intervenção foi necessária para “tratamento de quadro de crescimento benigno local”. A análise do material removido mostrou que não havia necessidade de tratamento adicional e que ele estava apto a retomar atividades rotineiras. O ex-governador recebeu alta no dia 31.

Além de governador, eleito em 2006, José Serra foi prefeito da capital paulista, elegendo-se em 2004. Foi também candidato à Presidência da República em 2002 e 2010. Serra, hoje com 72 anos, passou por operação cardíaca em julho do ano passado para a inserção de um stent, espécie de anel de metal que expande a artéria e aumenta o fluxo sanguíneo para os órgãos vitais.

Matéria atualizada às 18h21 de 19 de abril de 2014.