Bumlai assume pagamentos a Delcídio, mas nega obstrução à Lava Jato

O pecuarista negou qualquer envolvimento com Cerveró, com quem não tinha nenhuma relação antes do ex-diretor ser preso, em 2015

Por Redação, com ABr – de Brasília:

O pecuarista José Carlos Bumlai confirmou nesta sexta-feira que seu filho, Maurício Bumlai, fez dois repasses de R$ 50 mil ao ex-senador Delcídio do Amaral, mas negou que o dinheiro tenha qualquer relação com a compra do silêncio do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

O pecuarista José Carlos Bumlai
O pecuarista José Carlos Bumlai

Na ação em que prestou depoimento nesta sexta-feira, Bumlai é réu junto com Delcídio, Lula. O banqueiro André Esteves e mais duas pessoas. Todos acusados de buscar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Ao tentarem impedir que Cerveró assinasse um acordo de delação premiada com a Justiça.

O pecuarista, que já foi condenado a nove anos de prisão na primeira instância em outro caso da Lava Jato. Cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele foi interrogado nesta sexta-feira pelo juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

Bumlai confirmou que Delcídio de fato falou sobre uma possível delação de Cerveró em uma conversa que teve em 2015 com seu filho, Maurício Bumlai, mas este teria recusado qualquer envolvimento com o assunto.

– Ele (Maurício) falou não, que ele não ia fazer isso, porque não tínhamos nada a ver com Nestor Cerveró. Depois ele (Delcídio) voltou e pediu ajuda em caráter pessoal. Para manter o padrão de vida que ele tem, não era com salário de senador – disse José Carlos Bumlai.

– Inicialmente o pedido foi R$ 50 mil , ele (Maurício) deu. Ai teve um segundo pedido de mais R$ 50 mil e ele deu também, e é só – afirmou Bumlai, reiterando que as quantias teriam sido entregues por seu filho somente para manter uma boa relação com o então senador, cujo poder poderia prejudicar os negócios dos Bumlai.

Envolvimento com Cerveró

O pecuarista negou qualquer envolvimento com Cerveró, com quem não tinha nenhuma relação antes do ex-diretor ser preso, em 2015. Os dois dividiram uma cela por quase um ano na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. “Se eu tivesse que pedir alguma coisa teria pedido ali”, disse Bumlai, que classificou a acusação de “absolutamente mentirosa”.

À época dos repasses, em 2015, Delcídio chegou a ser preso em pleno exercício do cargo de senador, acusado de tentar montar um esquema para impedir a delação premiada de Cerveró. Ao Conselho de Ética do Senado, no processo que resultaria na cassação de seu mandato, ele disse ter encaminhado R$ 250 mil dados por Bumlai para o ex-diretor da Petrobras a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em depoimento anterior no mesmo caso, Bernardo Cerveró, filho de Nestor, admitiu ter recebido dois repasses de R$ 50 mil de Delcídio, a título de “ajuda à família”. Segundo ele, o então senador chegou a pedir para que seu pai não celebrasse acordo de delação premiada.

Na próxima terça-feira, às 10h está marcado o depoimento de Lula no caso. O advogado do ex-presidente confirmou que ele comparecerá à audiência. 

Cabral e outros presos ligados à Lava Jato serão transferidos de Bangu

O antigo batalhão especial da PM está passando por uma reforma para receber a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

Presos do Rio de Janeiro ligados à Operação Lava Jato, como o ex-governador Sérgio Cabral, vão ser transferidos para o antigo Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar (PM), no bairro de Benfica. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, a transferência deve ocorrer até o fim desse mês. Cabral está preso no presídio de Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio

O ex-governador Sérgio Cabral
O ex-governador Sérgio Cabral

O antigo batalhão especial da PM está passando por uma reforma para receber a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira. Com capacidade para abrigar 120 detentos de nível superior. Presos federais ligados à Lava Jato e pessoas detidas pelo não pagamento de pensão alimentícia serão os transferidos. O novo presídio terá 216 vagas no total e vai abrir 154 vagas no Complexo de Gericinó.

A nova unidade em que ficará Cabral será anexa à cadeia pública, que é a porta do sistema prisional para presos comuns e federais. Também preso em operações derivadas da Lava Jato. O empresário Eike Batista vai continuar preso em Bangu, uma vez que não tem nível superior.

Corrupção

Sérgio Cabral virou réu pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção passiva. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi aceita, na quarta-feira, pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Também viraram réus Wilson Carlos Carvalho, Carlos Emanuel Miranda, Sérgio Castro de Oliveira. Vinícius Claret Barreto, Claudio Fernando Barbosa de Souza, Timothy Scorah Lynn, Renato Hasson Chebar e Marcelo Hasson Chebar.

O MPF havia denunciado Cabral por 25 crimes de evasão de divisas, 30 crimes de lavagem de dinheiro e nove crimes de corrupção passiva. A denúncia é resultado da Operação Eficiência e Hic et Ubique. Realizadas no âmbito das investigações da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Esta é a sexta denúncia feita pelo MPF contra o ex-governador. Ele já virou réu em cinco processos na Justiça Federal.

Cabral está preso desde 17 de novembro do ano passado no Complexo Prisional de Bangu. Ele foi preso no âmbito da Operação Calicute. Que investigou o desvio de recursos públicos federais em obras feitas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o ex-governador chefiava um esquema de corrupção que cobrou propina de construtoras. Lavou dinheiro e fraudou licitações em grandes obras no estado realizadas com recursos federais.

O MPF informou que, após a celebração de acordos de colaboração premiada. Foi possível revelar como Sérgio Cabral e sua organização criminosa ocultaram e lavaram dinheiro. Segundo o órgão, R$ 39 milhões foram movimentados e guardados no Brasil. US$ 100 milhões depositados em dinheiro em contas no exterior; 1,2 milhão de euros e US$ 1 milhão ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior. E US$ 247, 9 mil ocultados sob a forma de 4,5 quilos de ouro, guardados em cofre no exterior. O total ocultado fora do Brasil corresponde a R$ 318,55 milhões.

Segundo o MPF, US$ 85.38 milhões foram repatriados, provenientes das contas Winchester Development SA, Prosperity Fund SPC Obo Globum, Andrews Development SA, Bendigo Enterprises Limited e Fundo FreeFly, que estavam em nome dos colaboradores. Os recursos encontram-se depositados em conta judicial.

Lava Jato e sua fantástica ‘recuperação’ de recursos

Contribuindo, não se sabe se conscientemente ou não, para dar uma “levantada na bola” da operação, e enganar e manipular a população, parte da mídia comemora, no alto de suas páginas, a suposta “recuperação” – que poderá levar cerca de 25 anos, prazo que algumas empreiteiras terão para “pagar” as penalidades – de mais de 11 bilhões de reais, pela Lava-Jato

 

Por Mauro Santayana – de Brasília:

Como se bilhões em dinheiro “roubado” dos cofres públicos estivessem voltando, vitoriosamente, para os cofres do erário.

E os prejuízos econômicos causados por essa operação, em empregos, quebra de acionistas e fornecedores e projetos sucateados e interrompidos, não fossem muitíssimo maiores do que a quantia publicada nas manchetes em letras garrafais.

Marcelo Odebrecht
Marcelo Odebrecht

Pura conversa.

Primeiro, porque esse dinheiro não foi “recuperado”, já que ainda não foi totalmente pago.

E em segundo lugar, porque não se recupera o que não se tinha antes.

Nem esses recursos foram desviados para contas secretas na Suíça, nem se comprovou, até agora. Inequivocamente, com base em provas factuais, que houve desvios ou superfaturamento nesse fantástico montante.

Mais de 90% dessa soma, certa imprensa ainda fez o favor. Não se sabe se também propositalmente, de misturar alhos com bugalhos colocando no mesmo saco dinheiro apreendido e recursos derivados de acordos de leniência. Será “arrecadado” por meio de multas punitivas, impostas às empresas como parte da estratégia que exige que elas reconheçam publicamente, em amplo e contrito “mea culpa”. Os seus “erros” e pecados cometidos contra nossos “homens de bem” e nossa nunca hipócrita ou dissoluta sociedade.

Tudo como na época da Santa Inquisição. Ou dos processos stalinistas, com os “culpados” tendo que corroborar, nesse meio tempo. A tese do MP que transformou automática e retroativamente doações legais ou de Caixa 2. Tanto faz umas como as outras, realizadas desde 2002, em “propina”, além de concordar em pagar também, à vista ou a prazo, bilhões de reais para não ter que fechar, quase que obrigatoriamente, suas portas.

Quem explicou isso muito bem, para quem sabe ler nas entrelinhas, foi o advogado do Sr. Marcelo Odebrecht, Theodomiro Dias Neto, que deu a entender que seu cliente, contra sua vontade, teve que se dobrar às exigências e ao discurso do Ministério Público, sob pena de sua empresa acabar definitivamente:

Acordo

“Um acordo de colaboração premiada – afirmou o advogado – não é um acordo de pessoas, de partes em posições simétricas. Há uma relação de total assimetria de poder nessa relação. O acordo de colaboração premiada é um acordo de rendição, em que uma parte está se rendendo à outra.

O que é importante, é fundamental e um desafio para você fazer um acordo é que no caso de uma empresa ninguém faz um acordo para morrer(ou você faz o acordo ou “morre”, diríamos nós). Você faz um acordo para sobreviver”.

Marcelo Odebrecht

Esclarecendo, em entrevista ao portal UOL – já que para bom entendedor um pingo é letra – as verdadeiras condições em que Marcelo Odebrecht, depois de quase dois anos detido sem flagrante – fechou, “voluntariamente”, o “acordo” que ainda deve mantê-lo preso, “exemplarmente”, em regime fechado, até o final de 2017, enquanto outros “delatores”, especialmente aqueles apanhados com dinheiro de corrupção em suas contas, estão curtindo, há tempos, um uísquinho, nos confortáveis sofás de suas salas.

Resta saber, agora, até onde irão as consequências políticas e a extensão e profundidade da “rendição”, ou melhor, da “colaboração”, do senhor Marcelo Odebrecht à Lava Jato e ao Ministério Público, tanto no caso de Dilma e do PMDB, como no do PSDB, considerando-se não apenas as afirmações feitas até agora pelo ex-executivo do grupo, mas também a dos numerosos, mais de 70, “delatores” “premiados” da empresa, que acompanharam a “decisão” tomada por seu ex-chefe.

Mauro Santayana, é jornalista.

Dirceu escreve do cárcere e oferece lição ao PT

Dirceu está preso em Curitiba, por ordem do juiz Sérgio Moro, sem data para deixar a prisão

Dirceu compartilha o risco de se centrar na campanha eleitoral, lembrando que o golpe contra a presidenta deposta Dilma Rousseff ocorreu enquanto o partido estava voltado para as campanhas municipais

 

Por Santiago Gómez – de Florianópolis

Ex-ministro-Chefe da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu respondeu, numa folha de caderno escolar, à carta que o grupo de militantes Unidos Contra o Golpe (UCG) enviou para ele na prisão. Dirceu afirma que é preciso organizar as bases do partido. E reconhece que o UCG está fazendo o que PT deveria ter colocado em prática.

Dirceu está preso em Curitiba, por ordem do juiz Sérgio Moro, sem data para deixar a prisão
Dirceu está preso em Curitiba, por ordem do juiz Sérgio Moro, sem data para deixar a prisão

O ex-deputado cassado compartilha o risco de se centrar na campanha eleitoral. Ele lembra que o golpe contra a presidenta deposta Dilma Rousseff ocorreu enquanto o partido estava mergulhado nas campanhas municipais. E pergunta: “Por que não estamos nas ruas com abaixo-assinados pela constituinte e Eleições já, ou contra os juros escorchantes?”. Salienta que o tema central é avaliar a força real.

Reformas

“Sem força real, social e política não vamos a lugar nenhum, repito. O PT realmente é forte, tem base social e eleitoral, Lula é Lula, mas a derrota somada à perda de apoio foi e é grande. Agravada pela paralisia, em termos, natural, afinal”. Dirceu afirma que o PT tem que voltar ao governo: “para fazer reformas não só política e de renda, mas da riqueza, herança, fortuna, propriedade!”.

Em agosto de 2015 privaram, preventivamente, Dirceu da sua liberdade no marco da Operação Lava Jato. É a sua terceira detenção prolongada. A primeira foi durante a anterior ditadura, a civil-militar, quando ele era um dirigente estudantil universitário. Trocaram a liberdade dele e de outros companheiros pela do embaixador dos Estados Unidos do momento, Charles Elbrick.

Em 2012, o condenaram a passar quase 11 anos na cadeia, tirando a possibilidade dele fazer política. Concederam a prisão domiciliar em 2014. E, em agosto de 2015, aqueles que não gostam das provas, mas das convicções, mandaram tirá-lo mais uma vez da arena política.

Plano de ação

Dirceu respondeu à carta do grupo UCG, na sua maioria profissionais liberais, de esquerda. Alguns integram o PT, outros, o PCdoB, o PSOL e demais legendas. Estão, juntos, organizando-se para articular força de base contra as forças golpistas. Eles pediram a Dirceu uma avaliação e direção sobre o momento político do país; além de um plano de ação para o futuro. “Resistir e agir, denunciar e defender nosso legado. Apresentar alternativas”, escreveu o líder petista.

“Os exemplos citados são o caminho, as ocupações das escolas e o apoio real, concreto, dado por vocês! A ação da ‘Tocha Olímpica’. Essa é a luta que precisamos travar. Sem ela não vamos a lugar nenhum. (…) Temos apoio, vocês mesmos são testemunhas, 100 mil na Paulista, 40 mil no Recife, as pesquisas. Agora, é aprofundar as lutas, passar da resistência à ação direta, como no senado, nas vigílias, organizar o povo, seguir o exemplo dos secundaristas”, acrescentou.

Ante a falta de direção do PT, que Lula já cobrou no plenário de organização do próximo Congresso em junho desse ano, Dirceu destacou a burocracia do partido, que não conseguiu se encontrar após o golpe. “Concordo plenamente sobre os riscos, de novo, de nos iludirmos com as eleições. É um processo difícil, por um lado é um direito e um espaço político fundamental. Lula tem chances reais.

PT sem direção

Mas, por outro lado, é um risco maior e o impeachment de Dilma diz tudo”. É preciso lembrar, que o impeachment de Dilma aconteceu enquanto a direção do PT tinha a sua atenção voltada para a possibilidade de assegurar cargos, travando, vez por outra, lutas internas.

“É preciso cobrar do PT, encontrar no PT, por baixo, via horizontal, aliados, fugir da luta interna, concentrar-se na luta contra os golpistas e na mobilização, na ação, construir um programa alternativo. Ser uma força de oposição real e de pressão real entre nós, dentro de nós, “guerra aos castelos, paz nas choupanas”, salientou o dirigente, uma das pessoas que mais conhece sobre as facções do partido e as consequências das disputas internas.

“Guerra aos golpistas e paz entre nós, unidade na ação, na luta, sem ilusões, mas dispostos a retomar não só o governo com luta, mas o poder, para isso, acumular forças de baixo para cima, na luta, na rua, na organização de conselhos, assembleias, reuniões, que devemos organizar para reivindicar, cobrar, dirigir e administrar, começar já organizar o poder popular!”, escreveu ele.

Bem Estar Social

É bom lembrar que no último Plenário preparatório do Congresso do PT, Lula se diferenciou dos economistas do partido que consideram que o desenvolvimento é uma consequência do investimento privado e não o resultado das transferências de recursos desde o Estado aos setores populares para aumentar a demanda e movimentar o desenvolvimento.

“Qual empresário vai investir onde a população não tem para comprar?”, perguntou Lula. “Para financiar o Estado de Bem Estar Social é preciso tributar e por fim à transferência brutal de renda social para o capital financeiro bancário via dívida interna e juros reais de 32% as empresas e consumidores”, afirmou Dirceu, mais uma vez na mesma linha que Lula.

Dirceu, fazendo uma comparação entre o golpe civil-militar e o golpe parlamentar-financeiro em curso, afirmou: “Em 73-74, as greves recomeçaram e o MDB elegeu 16 senadores e uma bancada enorme de deputados, nem os líderes da oposição esperavam essa vitória, o povo simplesmente votou contra, como agora nas pesquisas, rejeitam Temer, querem eleições e a maioria que vota – quer Lula na Presidência”.

A carta completa

“24/02/17

Consuêlo, Nina, Lenin y Mário

Minha gratidão pela presença solidária e companheira. Boas novas, saudações revolucionárias ao UCG, eu não poderia receber melhor notícia! Um grupo plural, de reflexão e ação, é tudo que necessitamos.

Resistir e agir, denunciar e defender nosso legado, apresentar alternativas. Os exemplos citados são o caminho, as ocupações das escolas e o apoio real, concreto, dado por vocês! A ação da “Tocha Olímpica”. Essa é a luta que precisamos travar. Sem ela não vamos a lugar nenhum (sic). (Desculpe a separação errada).

Não há nada a acrescentar, vocês estão fazendo o que o PT deveria estar fazendo!

Por que não estamos nas ruas com abaixo-assinados pela constituinte e Eleições Já, ou contra os juros escorchantes?

Nova direção

Concordo plenamente sobre os riscos, de novo, de nos iludirmos com as eleições. É um processo difícil, por um lado é um direito e um espaço político fundamental. Lula tem chances reais. Mas por outro lado é um risco maior e o impeachment de Dilma diz tudo. E vocês tocam no ponto principal sem “força real, social e política”…não vamos a lugar nenhum, repito. O PT realmente é forte, tem base social e eleitoral, Lula é Lula, mas a derrota e a perda de apoio foi, e, é grande, agravada pela paralisia, em termos, natural, afinal.

Um ano sem conseguir fazer seu congresso e eleger uma nova direção. Fazer um balanço e definir a política para o novo período histórico que se abriu com o golpe e a regressão pós-neoliberal, e austeridade tardia, o desmonte do Estado e do bem-estar social.

Assim, 18 é uma oportunidade e um risco; agora nosso centro, nossa luta é contra o golpe, por eleições já e constituinte. E a denúncia das contra reformas e da justiça de exceção, sumária e política.

Lava Jato

A cumplicidade, omissão, anuência do STF com o golpe e as ilegalidades do aparelho policial-judicial, são gritantes. A mídia retoma seu papel, articula, faz a narrativa, mobiliza e pressiona! Serve ao poder real, aos ricos, à propriedade!

O golpe, por outro lado, tirou a legitimidade do discurso moralista dos MBL, VEM PRA RUA e associados, todos estão já nos “cargos” do governo Temer. A classe média que foi para as ruas, agora é apoiadora de Geddel, Padilha, Jucá, Moreira e cia. De Temer!

Fica evidente a operação contenção da Lava Jato, um “basta” às ilegalidades para salvar o tucanato.

O caráter golpista e anti-PT-Lula da operação não resiste à luz do dia, à verdade.

As pesquisas e Raduan Nassar expressam o momento que vivemos, são extremos que precisam se unir, viver uma catarse!

Produzir e viver

Isso mesmo. Em 73-74, as greves recomeçaram e o MDB elegeu 16 senadores e uma bancada enorme de deputados, nem os líderes da oposição esperavam essa vitória, o povo simplesmente votou contra, como agora nas pesquisas, rejeitam Temer, querem eleições e a maioria que vota – quer Lula na Presidência.

Isso explica o ódio e o rancor dos procuradores e delegados, as contradições no STF, a postura da mídia: o medo da volta de Lula e da revolta popular.

Mas voltar para o governo para quê, para além de fazer justiça, restabelecer a legalidade, a democracia? Aqui entra a força real, social e política, para fazer reformas não só política e de renda, mas da riqueza, herança, fortuna, propriedade! A tributária, urbana, bancária. No modo de produzir e viver.

Na energia, nos transportes, na agricultura, para sobreviver ao risco ambiental da Humanidade. Um programa democrático revolucionário, de democracia política, participativa, comunitária, direta. Colocando sob controle social os serviços públicos, as Empresas públicas, democracia social e econômica, não só com uma tributação progressiva, mas com uma economia Estatal, mista, solidária, cooperativa e com a participação nas Empresas privadas.

‘Vou ajudar!’

Para financiar o Estado de Bem Estar é preciso tributar e pôr fim à transferência brutal de renda social para o capital financeiro bancário via dívida interna e juros reais de 32% as empresas e consumidores.

Na folha de papel, a letra cada vez mais difícil de José Dirceu
Na folha de papel, a letra cada vez mais difícil de José Dirceu

Já me alonguei demasiado e minha letra piora!

Vocês estão no caminho certo, é preciso articular com outros grupos, vou ajudar!

Tenho escrito análises e textos, vou fazer chegar a vocês.

É preciso cobrar do PT, encontrar no PT, por baixo, via horizontal, aliados, fugir da luta interna, concentrar-se na luta contra os golpistas e na mobilização, na ação, construir um programa alternativo.

Ser uma força de oposição real e de pressão real entre nós, dentro de nós, “guerra aos castelos, paz nas choupanas”.

Organizar o povo

Guerra aos golpistas e paz entre nós, unidade na ação, na luta, sem ilusões, mas dispostos a retomar não só o governo com luta, mas o poder, para isso acumular forças de baixo para cima, na luta, na rua, na organização de conselhos, assembleias, reuniões, que devemos organizar para reivindicar, cobrar, dirigir e administrar, começar já organizar o poder popular!

Temos apoio, vocês mesmos são testemunhas, 100 mil na Paulista, 40 mil no Recife, as pesquisas; agora é aprofundar as lutas, passar da resistência à ação direta, como no senado, nas vigílias, organizar o povo, seguir o exemplo dos secundaristas.

Abraços,

Santiago Gómez é correspondente agência argentina de notícias Paco Urondo, no Brasil.

Justiça inocenta Breno Altman mas não apaga prejuízo moral

O jornalista Breno Altman prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro, que o inocentou no processo

Segundo Breno Altman, os veículos de comunicação que ele dirige tiveram contratos públicos e privados de publicidade cancelados após a condução coercitiva determinada pela autoridade penal

 

Por Redação – de São Paulo

 

O jornalista Breno Altman, editor da revista Samuel e do site de notícias Opera Mundi, foi absolvido na ação penal que investiga suposto empréstimo fraudulento em favor do PT. Breno comemora a sentença mas lembra que o processo, infundado, causou-lhe danos morais e materiais incalculáveis.

— Apesar de o juiz Sergio Moro ter me declarado inocente, eu paguei uma pena. O fato é que eu paguei por um crime que não cometi, e tenho certeza que essa pena não será compensada — disse Altman a jornalistas

O jornalista Breno Altman prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro, que o inocentou no processo
O jornalista Breno Altman prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro, que o inocentou no processo

Segundo Altman, os veículos de comunicação que ele dirige tiveram contratos públicos e privados de publicidade cancelados. Ele foi submetido a condução coercitiva determinada pela autoridade penal.

— Toda publicidade do site, em função da minha condução coercitiva, foi cancelada. Jornalistas vivem de imagem e credibilidade — afirmou.

Moro definiu que o Ministério Público não apresentou provas. Altman foi acusado de atuar na estruturação do empréstimo fraudulento. Outros envolvidos no processo ainda estão submetidos à corte federal.

Escolhas de assessores envolvidos na Lava Jato comprometem Temer

Aloysio Cunha

Padilha pede para prorrogar licença e Aloysio Nunes responde como réu a inquérito na Corte Suprema que investiga diversas práticas criminosas no âmbito da Operação Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

Chefe da Casa Civil licenciado, o ex-deputado Eliseu Padilha, sem foro privilegiado, quer se manter distante do seu escritório, no Palácio do Planalto. Ele segue internado após uma cirurgia na próstata, no Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha. Padilha apresentou um atestado médico por obstrução urinária, emitido no último dia 20.



Sem previsão de alta, assessores do ministro informaram que ele passa bem e pretende retornar ao trabalho na segunda-feira, caso seja liberado pelos médicos. Observadores da cena política, no entanto, consideram como certo o adiamento na sua volta ao trabalho. Nem tanto pelas condições de saúde e mais por sua exposição pública, após citado no depoimento do empresário José Yunes. O amigo pessoal do presidente de facto, Michel Temer, acusou-o de receptação de propina.

Segundo boletim médico divulgado nesta sexta-feira, Padilha “encontra-se com boa evolução do quadro de saúde, recuperando-se adequadamente do procedimento urológico cirúrgico realizado no dia 27 de fevereiro”. Em setembro, o ministro, que tem 71 anos, recebeu atendimento médico após um pico de pressão arterial.

Ex-comunista

Aloysio Cunha
Através de assessoria, Nunes negou o recebimento de dinheiro de caixa 2, proveniente da Lava Jato

Aparentemente bem de saúde, o ex-comunista Aloysio Nunes, hoje senador do PSDB paulista, poderá ser afastado do cargo de chanceler do governo instituído após o golpe de Estado, em curso. Nunes é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de crime eleitoral, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O ex-motorista do guerrilheiro Carlos Marighella foi convidado para o cargo na quinta-feira, e aceitou a missão. Ele ocupará, não se sabe ainda por quanto tempo, a vaga deixada por José Serra, que pediu demissão alegando fortes dores na coluna. Historiadores investigam se Nunes estava infiltrado pela agência norte-americana de inteligência (CIA, na sigla em inglês), na ação que culminou na morte de Marighella, em São Paulo, durante a ditadura civil-militar instaurada em 1º de Abril de 1964.

Atualmente, Nunes responde à investigação no STF desde setembro de 2015. Citado no processo da lavra do ministro Celso de Mello, foi citado na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC. Segundo Pessoa, Nunes recebeu da construtora R$ 300 mil de forma oficial e outros R$ 200 mil em dinheiro do caixa 2, na campanha ao Senado, em 2010. O dinheiro seria oriundo de propina paga para favorecer contratos entre a empreiteira e a Petrobras.

Explosivo

Segundo o pedido assinado por Rodrigo Janot, procurador-Geral da República, para a abertura da investigação, Nunes estaria mais complicado ainda. Apesar de o testemunho de Pessoa estar relacionado à Operação Lava Jato, os “fatos criminosos” atribuídos ao senador tucano estariam ligados a fraudes diversas.

Questionado sobre outras práticas delituosas, durante tentativa de entrevista efetuada por Rodrigo Pilha, blogueiro e ativista digital, em Brasília, Nunes quis partir para as vias de fato. Foi impedido por seus seguranças, após dirigir uma série de impropérios ao repórter.

Assista à reação de Aloysio Nunes:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=yuO6wPidF7I]

 

Este fato apenas comprova o temperamento explosivo do senador tucano, escolhido por Temer para a condução da política externa brasileira. O fato preocupa muitos diplomatas do Itamaraty. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Aloysio também ganhou fama pelo tom destemperado de suas manifestações.

Alinhado

Diplomatas de alto escalão, ouvidos por um dos diários conservadores paulistanos, “preferiam a chamada ‘solução externa’ para o cargo”. O governo Temer já encerra um caráter de provisoriedade – acaba em pouco mais de um ano e meio.

Nunes tende a manter a linha de Serra. Este último promoveu a reorientação que afastou o Brasil dos governos de esquerda na América Latina. Apoia a expulsão do Mercosul, na prática, da Venezuela e alinha, integralmente, o país à linha imperialista de Washington.

Após o carnaval, a ‘batalha final’ da Operação Lava Jato

Conteúdos de novas delações da Odebrecht serão conhecidos e devem abalar governo Temer e Congresso. Políticos criam blindagens e tentam se proteger, mas especialistas não veem espaço para conluio entre os três poderes

Por Redação, com DW – de Brasília:

Há expectativa de parlamentares e do governo federal de que as delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht, conduzidas pela Lava Jato e homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), comecem a vazar ou a ter desdobramentos logo após o Carnaval.

Blocos carnavalescos aproveitaram a folia para protestar contra o governo Temer, no Rio e em outras capitais
Blocos carnavalescos aproveitaram a folia para protestar contra o governo Temer, no Rio e em outras capitais

As delações podem aumentar a instabilidade política no Brasil. Especula-se que um número significativo de políticos (além dos já citados). Poderá ser alvo de denúncias de corrupção e pagamentos de propinas de empresas contratadas pelo poder público.

Isso leva à pergunta: se figuras proeminentes da República, como o próprio presidente de facto Michel Temer, forem atingidas pelas investigações. A pressão política e eventuais conluios entre os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – poderão minar o prosseguimento da Lava Jato?

– O receio faz sentido, mas a maneira como a nossa separação de poderes está desenhada na Constituição e a forma como é exercida afasta. De maneira muito clara, essa hipótese de conluio. Não porque os atores políticos não queiram. Mas porque é inviável – afirma o cientista político Rogério Arantes, da Universidade de São Paulo (USP).

O governo Temer, na visão de Arantes, se preparou para a “batalha final da Lava Jato”. Iniciou 2017 dando várias demonstrações de força política. Conseguiu, por exemplo, colocar aliados nas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado.

Além disso, tem controle sobre as comissões mais importantes do Congresso e formou uma coalizão política ampla. O que reduziu a voz da oposição. Fez ainda uma indicação política para o Supremo. Contrariando as expectativas de indicação técnica. Colocou no comando do Ministério da Justiça um deputado do PMDB.

– Mas isso não é suficiente, com os marcos institucionais brasileiros, para arrefecer o ímpeto das operações de combate à corrupção – aponta Arantes. “O que está em curso no Brasil é que o grupo político no poder, liderado pelo PMDB. Em particular, resolveu jogar o jogo da Lava Jato para valer para enfrentar um cenário pós-carnaval em que delações da Odebrecht. Provavelmente virão a público e colocarão em dificuldade as principais figuras do governo.”

As competências dos órgãos e instituições estão claramente definidas na Constituição, acrescenta o professor. O que garante autonomia e independência de atuação dos mesmos. “É praticamente impossível um conluio de vontades encerrar, de maneira rápida e definitiva, os processos de investigação em curso na Lava Jato e as ações de combate à corrupção.”

Segundo Maria Hermínia Tavares de Almeida, cientista política e pesquisadora do Cebrap. A situação brasileira de fato é delicada. “Mas até agora o Judiciário não fez nada que exorbitasse das suas funções constitucionais. Neste sentido, por enquanto, não é possível dizer que o sistema de freios e contrapesos está comprometido.” 

Política no Supremo

Por mais que relações de proximidade entre Executivo e Legislativo ou Executivo e Judiciário sugiram flagrantes tentativas de controle. “Os mecanismos institucionais asseguram a independência entre os poderes”. Afirma o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas.

Um exemplo disso seria a indicação de Alexandre de Moraes para ministro do Supremo Tribunal Federal, feita por Temer. A enorme proximidade entre ambos pode sugerir uma tentativa de blindagem nas investigações. Mas o fato de o ministro do STF ter cargo vitalício é um mecanismo que assegura a independência.

– Moraes até pode ter relação [política], alguma preferência, mas nada lhe obriga a ser devedor porque não há muito mais que ele possa ganhar ou perder em função do que o outro lado fizer – observa Couto.

– O que pesa é menos a intenção de quem faz a indicação política e mais a força e o grau de institucionalização do Supremo – explica Maria Hermínia. Havia, segundo ela, a expectativa de que o ministro Dias Toffoli. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuasse para favorecer o governo do petista, mas isso não ocorreu.

– Estando lá, nomeado de forma vitalícia, talvez pese menos quem nomeou do que  a força da instituição. O cálculo de cada juiz sobre o que é melhor para sua imagem e sua carreira.” Sendo assim, impossível prever se Moraes terá ou não posturas “sistematicamente governistas”.

Importância do controle social

Couto pontua que em qualquer democracia existem partidos políticos e que os mesmos, no poder, tentam levar vantagem disso. Esse tipo de ação partidária obviamente reduz o controle parlamentar sobre o Executivo. “E o que resolve isso? A crítica da opinião pública, a percepção da sociedade de que uma determinada postura deveria ter sido diferente da que foi adotada. É isso que pode efetivamente produzir algum controle”, analisa o professor.

Questionado se o controle social no Brasil ainda não está muito aquém do que existe em democracias consolidadas nos países desenvolvidos, o professor pondera que de fato “as instituições brasileiras estão muito longe da perfeição”. “As instituições não têm mecanismos plenos de freios e contrapesos, mas possuem alguma efetividade.”

É ao longo do tempo, com erros e deslizes, que as instituições e o país amadurecem, ressalta o professor da FGV. Ele pontua que algumas situações que o Brasil vive hoje eram absolutamente improváveis há uma década. “O país está passando por um amadurecimento, mas estamos longe da perfeição.”

Crise

Já Rogério Arantes enfatiza que o Brasil não vive um momento de normalidade e não crê que as instituições estejam funcionamento plenamente. “Por vezes os poderes agem de modo desregrado, inconsistente, não oferecem decisões para os problemas relevantes, se omitem em relação a alguns, tergiversam em relação a outros, e não posso dizer que as instituições estão funcionando, no jargão dos otimistas.”

Por outro lado, o professor rejeita a tese da teoria da conspiração de que Temer e sua maioria parlamentar seriam capazes de “corromper as instituições que estão à frente das investigações e do processo penal das figuras envolvidas nestes escândalos”.

A um passo de alcançar Temer, investigação sofre revés no STF

Romero Jucá

Lindbergh lamentou que, futuro ministro do Supremo, Moraes, durante sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, não tenha se declarado impedido para julgar as ações da Operação Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

A posse do advogado Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) representa uma derrota para as investigações em curso na Operação Lava Jato. A crítica à presença do ex-colaborador do presidente de facto, Michel Temer, na pasta da Justiça, é conhecida pela integralidade do Parlamento. Publicamente, todos defendem a ação da Polícia Federal (PF), incluindo aqueles atingidos, frontalmente. Ainda assim, a ampla maioria dos senadores aprovou a indicação de Moraes.

Nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio Senado, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) verbalizou a crítica da oposição à escolha. Ele lamentou que, futuro ministro do Supremo, Moraes, durante sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, não tenha se declarado impedido para julgar as ações da Operação Lava Jato. Ele apontou a proximidade com o PMDB e PSDB, citados nas investigações. Na entrevista, o senador afirmou que a oposição vai mobilizar a sociedade contra as reformas propostas pelo presidente Michel Temer, em especial, as da Previdência e a da legislação trabalhista.

Ouça, adiante, a entrevista do senador Lindbergh Farias:

0224O07 – ENTREVISTA_LINDBERGH_STF

Corrupção

O PMDB, partido de Michel Temer, está com quatro operadores de propinas identificados pela Lava Jato. São eles Jorge e Bruno Luz, João Augusto Henriques e Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano. Os dois primeiros – pai e filho – foram presos na sexta-feira. Ambos são alvo da 38ª fase da operação.

Romero Jucá
Após a divulgação da gravação, Jucá negou que tenha tentado obstruir as investigações da Lava Jato

Ao longo de três anos, a Lava Jato alcança o partido que controlava a Diretoria Internacional da Petrobras, no esquema de fatiamento de áreas estratégicas da estatal. À partir de 2007, a legenda também teve participação na área de Abastecimento, junto com o PP.

A legenda e seus principais dirigentes, segundo investigadores da PF, construiu uma complexa e sofisticada máquina de corrupção. O esquema foi instalado na Petrobras por políticos, agentes públicos e empresários. Os operadores da propina foram, nos três anos de apuração, os principais focos dos policiais federais.

É da Diretoria Internacional o estrondoso episódio da compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Sob o negócio, paira a acusação de prejuízo de cerca de R$ 800 milhões, como a do Tribunal de Contas da União (TCU). A Lava Jato tem um inquérito aberto, em que já foram identificados pagamentos de propinas e irregularidades no negócios.

Além da aquisição de refinarias no exterior, a diretoria cota do PMDB cuidava das compras de plataformas de exploração de petróleo fora do Brasil, da aquisição de campos de exploração de petróleo e gás.

Temer e as delações

Fernando Baiano foi o primeiro operador do PMDB preso pela Lava Jato, a concordar com uma delação premiada. Ele foi detido em novembro de 2014, acusado de atuar em nome do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró.

O lobista fechou em 2015 acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR) e conseguiu o direito de cumprir prisão domiciliar – a partir de novembro de 2015 – por suas revelações. Ele citou propinas para o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA), nos negócios de Pasadena, entre outros.

Ex-Internacional entre 2003 e 2008, Cerveró também fez sua delação premiada, após o operador do PMDB confessar seu envolvimento no esquema e a arrecadação de valores para os políticos do partido – que lhe davam sustentação no cargo.

Agente da corrupção

João Henriques é um ex-executivo da Petrobras, que depois de deixar o cargo passou a atuar como lobista. Além de abrir portas na estatal para empresários, operacionalizava a corrupção de agentes públicos e políticos, para garantir benefícios nas disputas de mercado por contratos.

Henriques foi preso em setembro de 2015, mesmo mês em que Fernando Baiano fechou sua delação premiada com a força-tarefa. Segundo a Lava Jato, ele tinha relação direta com o ex-diretor de Internacional Jorge Zelada. Este está preso desde julho de 2015 e que sucedeu Cerveró no cargo.

Foi das investigações que tinham como alvo os dois operadores ligados ao PMDB que a Lava Jato chegou à Blackout. A 38ª fase levou para a cadeia o mais antigo operadores de propinas da Petrobras. Ele foi citado em delações premiadas como elo da corrupção com medalhões do partido. O lobista está preso desde sábado, 25, no Brasil.

Com ameaças veladas de Eduardo Cunha de virar delator e agora a prisão de mais um operador de propinas do PMDB, as chances de um deles buscar a força-tarefa para fazer revelações aumenta, na avaliação de investigadores.

Resposta

Segundo a assessoria do PMDB, em nota:

“O presidente do PMDB, senador Romero Jucá, afirma que os envolvidos nesta operação “não tem relação com o partido e nunca foram autorizados a falar em nome do PMDB”.

Negócios entre Yunes e Temer são alvos de investigação da Lava Jato

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

O quadro se agrava para Temer quando o corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus, decide processar Yunes por calúnia e difamação

 

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

A rápida aproximação das investigações relativas à Operação Lava Jato do centro de uma organização criminosa que lesa os cofres públicos, em duas décadas ou mais, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, tem causado danos irreparáveis ao governo em curso. Desde a deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT) e mesmo antes, ainda na campanha eleitoral de 2014, as ligações do presidente de facto, Michel Temer, ao empresário José Yunes levantam suspeitas no ambiente jurídico do país.

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos
Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

O quadro se agrava quando o corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus, decide processar Yunes por calúnia e difamação. Advogado de Funaro, o criminalista Bruno Espiñeira disse a jornalistas, nesta segunda-feira, que levará à Procuradoria Geral da República um pedido de acareação entre seu cliente, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o chefe licenciado da Casa Civil Eliseu Padilha e José Yunes.

‘Mula do Padilha’

Se conseguir que o juiz Sérgio Moro, titular do Tribunal Federal do Paraná, coloque frente a frente cada um dos atores na denúncia de corrupção, entre outras, a defesa de Funaro terá marcado um ponto em favor de seu cliente. Mas deixará estremecido o alicerce jurídico da República, caso o nome de Temer seja, novamente, citado em uma delação. Em depoimento voluntário feito à força-tarefa da Lava Jato, Yunes acusou Funaro de levar ao seu escritório de advocacia, em São Paulo, “documentos” a pedido de Padilha que seriam, na verdade, R$ 4 milhões.

Segundo Melo Filho, o dinheiro é uma parte dos R$ 11 milhões solicitados por Michel Temer a Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu para ajudar na campanha do PMDB em 2014.

— Fui mula do Padilha — afirmou Yunes. Após as acusações, Padilha se licenciou do cargo alegando motivo de saúde.

Novas evidências

Logo em seguida à delação de Melo Filho ao Ministério Público Federal (MPF), no qual cita Temer como autor do pedido de propina à Odebrecht, o consultor de Temer José Yunes entrou em pânico. Dono de um patrimônio milionário, o empresário procurou o MPF para uma delação expontânea.

Aos jornalistas, Yunes se disse surpreso ao ver-se no epicentro da Operação, de longe, a maior de todos os tempos no Judiciário brasileiro. Na semana passada, assustado, procurou Temer no Palácio do Planalto. Teria ouvido do presidente em curso algo parecido com “quem não deve, não teme” e pediu que se acalmasse. Teria acrescentado que pedirá explicações a Padilha, afastado por suposto motivo de saúde, e ganhou um tempo extra.

Nenhum deles contava, porém, que o grupo Anonymous divulgasse um lote de documentos sobre negócios de Yunes, Temer e outros sócios, aos quais o Correio do Brasil teve acesso.

Na manhã desta segunda-feira, em pleno carnaval, o jornalista Luís Nassif anunciou a publicação de uma série de matérias sobre as ligações existentes entre Temer e o esquema investigado pela Lava Jato. No primeiro artigo da série, Nassif mostra que a principal suspeita levantada – a associação de Yunes com grandes bilionários – seria, na verdade, uma sociedade formada para a construção de um condomínio de alto luxo, a ser construído na Bahia.

Leia, adiante, o texto de Luís Nassif:

Peça 1 – As diversas formas de lavagem de dinheiro

Por que interessa conhecer os negócios de José Yunes, o primeiro amigo?

Primeiro, porque, após a delação do executivo da Odebrecht, descobriu-se que ele participava dos esquemas de captação de recursos de Michel Temer.

Depois, porque um dos modus operandi de muitos políticos é o de receberem no exterior, através de depósitos em fundos de investimento com aparência de legalidade. Em vez de contas convencionais em países estrangeiros, fundos de investimento através dos quais entram no Brasil como investimento externo.

De certo modo, é o caso de José Serra, conforme esmiuçado por Amaury Ribeiro Jr no livro “A privataria tucana”.

O fundo de investimentos de sua filha Verônica acumulou um patrimônio significativo. Em pelo menos um caso, sabe-se que foi utilizado para troca de favores com empresas.

Foi o caso da Serasa Experian, que, no final do mandato de Serra como governador de São Paulo, ganhou de graça o Cadin estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais).

Serra e Machado

Assim que Serra deixou o governo, Verônica intermediou para a Serasa-Experian a venda de um site de e-mail marketing, a Virid. Na época, o mercado avaliava o preço em no máximo R$ 30 milhões. A Experian pagou R$ 104 milhões. Empresa de capital aberto na Bolsa de Londres, manteve o valor da transação em sigilo. Para todos os efeitos, foi um lucro legalizado do fundo de investimentos de Verônica.

Sérgio Machado tinha investimentos no exterior, através de um filho que era alto funcionário do Credit Suisse – e, ao que consta, foi sacrificado pela gula do pai e do irmão político.

Portanto, há uma probabilidade de que as empresas de Yunes possam ter servido para abrigar recursos políticos captados por Temer.

Não faltará paraíso fiscal no purgatório político em que se meteu Yunes, caso os Anjos Gabriel do Ministério Público Federal resolvam investigar a sério.

O dossiê disponibilizado pelo grupo Anonymous na Internet traz algumas pistas que precisam ser bem investigadas, das empresas dos Yunes.

Peça 2 – o Banco Pine

Aqui, aí se chega no elo desconhecido, o Banco Pine, ou Fist Pinebank, Inc, ou FPB.

O Banco Pine é o sucessor do BMC (Banco Mercantil de Crédito), da família Pinheiro, do Ceará, de três irmãos, Norberto, Nelson e Jaime Pinheiro, que chegaram a montar um banco médio, bem-sucedido. Assim como outros bancos cearenses, especializou-se em AROs (Antecipação de Receita Orçamentária) para prefeituras e em crédito consignado para funcionários públicos.

Depois, o banco foi vendido por R$ 800 milhões ao Bradesco e, de suas entranhas nasceu em 1997 o Banco Pine, brasileiro, o First Pinebank que, depois de uma passagem turbulenta pelos Estados Unidos, tornou-se um banco panamenho; e a BR Partners, uma associação de Ângela Pinheiro, filha do patriarca Jaime Pinheiro, com Ricardo Lacerda, ex-presidente da Goldman Sachs do Brasil.

Aqui, começa nosso pequeno quebra-cabeça:

Em 2005, o nome do Pine Bank já apareceu associado ao doleiro Toninho Barcelona, no escândalo do Banestado (https://goo.gl/wQh4dq)

Família Pinheiro

Em julho passado, a Lava Jato já tinha batido no Pine (https://goo.gl/opDxOv), através da Operação Caça-Fantasmas, da 32a fase. Identificou o FPB Banc Inc – àquela altura, um banco panamenho, mas de propriedade de Nelson Pinheiro, um dos três irmãos sócios do BMC –, o PKB da Suíça e o Carregosa, de Portugal, suspeitos de montarem representações clandestinas para clientes interessados em abrir contas em paraísos fiscais.

Outro nome que apareceu no FPB foi o de Eduardo Rosa Pinheiro, também a família Pinheiro.

A suspeita da Lava Jato é que esse esquema teria sido usado por doleiros e operadores de propina para esconder o dinheiro da corrupção da Petrobras e de outras empresas públicas, investigadas pelas operações Lava Jato, Custo Brasil, Saqueador e Recebedor.

Os bancos tinham ligação direta com a Mossak Fonseca. A Polícia Federal e o MPF pediram prisão preventiva dos funcionários do banco, mas o juiz Sérgio Moro permitiu apenas condução coercitiva. Alegou que as evidências levantadas pela Lava Jato apenas apontavam atuação clandestina no país.

Mossak Fonseca

Assim como na batida na Mossak Fonseca, quando se constatou que não havia pistas que levassem a Lula – mas a alguns bilionários influentes -, abafou-se a investigação e manteve-se em sigilo as descobertas.

Mas outros países atuaram. No dia 10 de fevereiro de 2017, menos de duas semanas atrás, a Superintendência Bancária do Panamá suspendeu a licença de corretagem do Pine Bank, a partir de informações levantadas pela Lava Jato (https://goo.gl/KYF0gc). No Panamá, era um banco pequeno, com US$ 134 milhões em depósitos e apenas US$ 13 milhões de capitalização declarada,

Constatou-se que o banco recorria apenas à Serasa para analisar sua carteira de clientes. Isso, em vez de colocar relatórios reais das empresas. Além disso, a FPB tinha montado 44 empresas através dos escritórios da Mossak Fonseca, provavelmente para desviar dinheiro de suborno.

Panamá Papers

Os jornais do Panamá apontavam o fato do site do banco não informar nada sobre seus proprietários e acionistas. Sabia-se apenas que o banco pertencia a uma família de empresas debaixo do guarda-chuva de Brickell Group.

O jornal Panama News anotava que o FBK tinha um presidente de nome Eduardo Pinheiro, um gerente geral chamado José Palucci e um convidado especial para a inauguração da sede, de nome Mailson da Nóbrega.

O jornal levantou o nome da consultoria Brickell Management Services Inc, de Miami, com apenas 6 funcionários. E constatou que Pine Bank foi acusado pelo FED de violar vários pontos da lei anti-lavagem de capitais, tendo encerrado as operações nos Estados Unidos.

Segundo o jornal, “propriedade anônima, gestão aparentemente ausente – um banco estranho para se fazer negócios, exceto se houver algum priopósito especial”.

Peça 3 – os negócios da família Yunes

Ao longo das últimas décadas, a família de José Yunes expandiu seus negócios por vários setores. Aparentemente, tem dois filhos bastantes empreendedores. Dentre eles, Marcos Mariz de Oliveira Yunes é o que fica à frente dos negócios.

A principal empresa do grupo é a Yuny.

Trata-se de uma grande incorporadora criada em 1996 (https://goo.gl/9iirmz). Em 2007 recebeu aporte de R$ 700 milhões do Golden Tree Insite Partners. Pode ser coincidência de nomes, mas há uma Golden Tree Insite Partners no Reino Unido (https://goo.gl/0WddPa) que em 2010 foi declarada insolvente.

Mais tarde, a VR tornou-se sócia da Yuny. Hoje em dia, do Conselho participam Abraham  Szajman e Ury Rabinowitz, este alto funcionário da Brasil Telecom nos tempos de Daniel Dantas – em princípio, significa apenas que é um executivo requisitado. Depois, montou uma joint-venture com a Econ Construtora, a Atua Construtora, para imóveis de baixa renda.

No grupo, há outras empresas menos transparentes.

Trump Hotel

Uma delas é a Stargate do Brasil Estética de Produtos e Serviços.

Criada em 30 de abril de 2007, é sociedade de José Yunes com Arlito Caires dos Santos. No Google, consegue-se chegar próximo com um Carlito Aires dos Santos – trocando o C do sobrenome para o nome, empresário mato-grossense de Peixoto de Azevedo, cuja empresa foi aberta em 20 de março de 2015 (https://goo.gl/lv7cpF).

Por sua vez, a Stargate é sócia da Golden Star, Serviços e Participações Ltda. Aparentemente, a intenção da sociedade foi a aquisição dos bens do panamenho Kamal Mohan Mukhi Mirpuri, por Gilberto Pereira de Brito. O endereço de Kamal remete às proximidades do Trump International Hotel em Colon, Panamá. Kamal é proprietário da Multitrade Export Ltda, do Panamá.

Não é o único elo panamenho na nossa história, como se viu no caso do PInebank.

Peça 4 – as ligações do Pine com os Yunes

Como já se viu, o Banco Pine foi apontado como um dos canais para o dinheiro da corrupção das empresas investigadas pela Lava Jato.

Em outros tempos, uma das maneiras de “esquentar” dinheiro frio, depositado fora do país, era através de uma operação cruzada. O investidor depositava seus dólares nas agências externas do banco; e elas serviam de garantias para empréstimos que eram concedidos, aqui, para empresas controladas por ele. Foi assim com o Banco Excel, de um membro da família Safra, que chegou adquirir a massa falida do Econômico. Mas quebrou quando a apreciação do real promoveu o descasamento das garantias externas com os financiamentos internos.

No dossiê do Anonymous são inúmeras as evidências de ligações comerciais do Pine com as empresas dos Yunes, particularmente com a incorporadora Yuny.

·      Em setembro de 2010, a Atua Construtora e Incorporadora convoca AGE para autorizar a contratação de financiamento de R$ 5 milhões junto ao Banco Pine

Peça 5 – os negócios de Temer com Yunes

Os caminhos de Michel Temer, da família Pinheiro, do Banco Pine e da incorporadora Yuny se cruzam em vários imóveis de Michel Temer. Dele e de sua holding, a Tabapuã.

Edifício Lugano

Temer tem duas unidades no edifício Lugano, na rua Pedroso Alvarenga 900. Uma construção luxuosa com conjuntos comerciais de 102 a 202 m2.

Spazio Faria Lima

Temer possui duas salas no edifício na rua Iguatemi  (https://goo.gl/4XecSC), com escritórios que vão de 350 a 700 m2. Na região, escritórios de 350 m2 custam de R$ 3,5 a R$ 7 milhões.

Trata-se de uma obra faustosa também da Yuny.

Em 23 de maio de 2011, transferiu para a Tabaupã, empresa que tem em sociedade com a filha Luciana.

Quem aluga o escritório é Andréa Pinheiros, da BR Partners. É uma das herdeiras do Banco Pine, filha de Jaime Pinheiro, o patriarca.

Conclusão do jogo

Tem-se, então, todas as peças do jogo:

1.     O melhor amigo do presidente, José Yunes,  participava dos processos de arrecadação de propinas das empresas investigadas pela Lava Jato.

2.      As empresas de Yunes tinham financiamento farto com o Banco Pine, da família Pinheiro, envolvido na Lava Jato. Fechado nos Estados Unidos por acusação de lavagem de dinheiro e, há duas semanas, fechado também no Panamá.

3.     Temer com grandes investimentos em projetos da Yuny, a incorporadora da família Yunes. Convidando o patriarca José Yunes para assessor especial.

“Dificilmente toda essa movimentação passaria despercebida pela Lava Jato. Ainda mais depois de invadir os escritórios da Mossak Fonseca e ter identificado o papel do Pine Bank”, conclui Nassif.

Agentes da corrupção na Petrobras, ligados ao PMDB, estão presos

Bruno e Jorge Luz estão presos e vão responder a processo criminal, no âmbito da Operação Lava Jato

Na quinta-feira, o PMDB publicou nota afirmando que os operadores financeiros “não têm relação com o partido e nunca foram autorizados” a falar em nome da sigla

Por Redação – de Brasília

 

Os dois operadores financeiros ligados ao PMDB, alvos da 38ª fase Operação Lava Jato, batizada de Blackout, em referência ao sobrenome dos investigados. Jorge Luz e Bruno Luz já se encontram em solo brasileiro. Residentes em Miami, EUA, ambos tiveram a prisão preventiva decretada. Senadores peemedebistas estariam envolvidos nas operações ilegais.

Bruno e Jorge Luz estão presos e vão responder a processo criminal, no âmbito da Operação Lava Jato
Bruno e Jorge Luz estão presos e vão responder a processo, no âmbito da Operação Lava Jato

O desembarque, no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, ocorreu no início da manhã deste sábado. Após o desembarque, foram imediatamente conduzidos pela Polícia Federal (PF) para o Instituto Médico-Legal. Em seguida, levados para a carceragem Superintendência da PF. Eles vão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a atuação de Jorge e Bruno na Petrobras teria resultado no pagamento de R$ 40 milhões em propinas. Os crimes se repetiram ao longo de mais de 10 anos. Tiveram atuação mais prolixa na compra dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000. Estão envolvidos, ainda, na operação do navio sonda Vitoria 10.000 e na venda, pela Petrobras, de sua participação acionária na Transener (maior companhia de transmissão de energia elétrica da Argentina) para a empresa Eletroengenharia.

Corrupção

Segundo investigadores da PF, a maior parte da propina era repassada aos membros da Diretoria Internacional da Petrobras, enquanto o restante era destinado a agentes políticos. O procurador da República Diogo Castor de Mattos afirmou que esses políticos gozam atualmente de foro privilegiado, principalmente senadores.

Os integrantes da força-tarefa do MPF disseram ainda que Jorge e Bruno atuavam na Diretoria Internacional da Petrobras. A área era de indicação política do PMDB. Eles também agiam esporadicamente na Diretoria de Abastecimento e na Diretoria de Serviços da estatal, áreas de influência do PP e do PT, respectivamente.

Na quinta-feira, o PMDB publicou nota afirmando que os operadores financeiros “não têm relação com o partido e nunca foram autorizados” a falar em nome da sigla. O PP e o PT não se manifestaram sobre o assunto.

A Petrobras disse, em nota, que “segue colaborando com as autoridades” para buscar o ressarcimento dos prejuízos causados à companhia. A estatal ressaltou, ainda, que autoridades “reconhecem que a Petrobras é vítima de todos os fatos revelados”.