As esquerdas e algumas pedras no caminho

Maria Fernanda Arruda

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

 

Os estragos que os golpistas escravagistas, entreguistas e higienistas fazem no tardio Estado de Bem Estar Social, que vínhamos experimentando sua construção desde a promulgação de nossa Constituição Cidadã, de 1988. É importante mexer em nossas memórias, tivemos mais de 11 milhões de brasileiros assinando as emendas populares, que obrigou o Estado implantar Políticas Públicas, tais como: SUS; SUAS; ECA; Combate ao Racismo; a tímida Reforma Agrária entre outras.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Sem esquecer que Mário Covas, foi estratégico para se derrotar o Centrão, a Direita travestida na época, e que FHC foi o piloto do imposto das grandes fortunas. Claro que faltaram algumas Políticas Estruturantes, como: a demarcação das Terras dos Povos Originários (índios é expressão do colonizadores); Reforma Tributária Progressiva; Regulamentação da Mídia ; Auditoria da Dívida Pública.

Disputa

Essas políticas e muitas outras não foram frutos só dos governos Lula/Dilma, foram e são frutos das lutas históricas, provavelmente passando desde a invasão dos colonizadores, dos mais de 380 anos do escravagismo, das inúmeras formas de resistencia pela Democracia profunda do Estado, desprivatizando e/ou desparticularizando o Estado apropriado por grupos que o dominam já alguns séculos.

Nossa preocupação é com segmentos da esquerda que cultivam uma saída do atual momento pela via única: Lula em 2018. Tenho clareza de sua importância histórica. E de fazer essa disputa, sem deixar de ficarmos alerta, se ocorrer um adiantamento das eleições do próximo ano.

É que, da forma proposta, essa devoção e responsabilidade à “São Lula” desconsidera os estragos que golpistas estão fazendo no aparato legal. Será que teremos uma mudança significativa na representação do Congresso Nacional?

Militantes

Chamo para refletir quem está nessa direção. Podemos levar parcelas de militantes ativos e/ou vias de a se transformar em expectadores das mudanças, quando o que mais necessitamos é de militantes protagonistas ativos. 

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil.

Lula presta homenagem à mulher e diz que acredita em um mundo melhor

Lula tem sido perseguido pela mídia conservadora, desde o seu primeiro mandato como presidente da República

O ex-presidente também que se preocupa com o desrespeito com que uma parte dos homens brasileiros tem tratado das mulheres

 

Por Redação – de São Paulo

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, nesta quarta-feira, um vídeo em que defende a luta das mulheres brasileiras. A mensagem segue no Dia Internacional da Mulher. 

— Hoje mais do que nunca as mulheres estão mobilizadas para lutar contra a violência masculina, a precarização do trabalho e a desigualdade social. Para as companheiras, todo o meu apoio e admiração — disse Lula.

Lula tem sido perseguido pela mídia conservadora, desde o seu primeiro mandato como presidente da República
Lula recebeu a visita de mulheres trabalhadoras na sede do Instituto que leva seu nome

O ex-presidente também que se preocupa com o desrespeito com que uma parte dos homens brasileiros tem tratado das mulheres.

— Fomos educados numa sociedade machista, que desrespeita e subestima as mulheres. Não é justo que uma mulher ganhe menos do que um homem exercendo a mesma função — disse Lula. 

Reforma da Previdência

O ex-presidente petista criticou a política do governo de Michel Temer, que tenta acabar com os direitos conquistados pelas mulheres, ao propor mudanças como a reforma da Previdência, que iguala em 65 anos a idade mínima para aposentadoria de homens e mulheres. 

— Nós podemos nos unir às mulheres e participar da construção de um mundo melhor. Sem opressão, sem estupros, sem assédio, sem desigualdade e com muito amor e respeito. O convívio me ensinou que se nós homens nos unirmos às mulheres, que combatem a discriminação e a violência, um mundo melhor estará mais próximo do que podemos imaginar — afirmou Lula. 

Assista ao vídeo:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZhyBaIZEpW8]

 

Lula recebe manifesto

Lula recebeu, na tarde passada, na sede do Instituto Lula, uma comissão formada por movimentos de mulheres sindicalistas para a entrega de um manifesto de apoio ao ex-presidente. 

O documento, que é em reconhecimento aos avanços das políticas públicas para as mulheres nos últimos 13 anos no Brasil, presta também solidariedade ao ex-presidente pela perseguição política e midiática que vem sendo vítima e pela morte de D. Marisa Letícia.
Entre as mulheres, esteve presente a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.

— Hoje, o agradecimento das mulheres brasileiras é imenso. No seu governo, você teve a sensibilidade de ouvir duas demandas importantes: criar a Secretaria de Política das Mulheres e a Lei Maria da Penha, que foi fundamental para a vida das mulheres — lembra a ex-ministra.

Bandeiras sociais

Segundo Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários, Lula fFoi o presidente que mais fez pela luta das mulheres.

— Além da Lei Maria da Penha, deu o cartão do Bolsa Família na mão das mulheres — lembrou. 

Para Junéia Batista, da Secretaria de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), “nós, mulheres, estamos aqui para te apoiar e dizer que cada uma de nós estaremos nas ruas brigando contra a reforma da Previdência, pela descriminalização do aborto e para te levar à presidência em 2018″.

Durante o encontro, Lula lembrou das conquistas, da importância do empoderamento feminino e o resultado da luta das mulheres no país. “A medida que a mulher vai ficando independente economicamente, ela vai tomando conta do seu próprio nariz”, disse. 

O ex-presidente ressaltou que, caso volte à Presidência da República, será criada novamente a Secretaria de Políticas para as Mulheres.

— O custo é zero diante dos benefícios — acrescentou.

Gesto de solidariedade

Para ele, é importante que as mulheres tenham maior representatividade na Câmera, no Senado e na liderança dos movimentos sindicais.

— Se tem uma coisa que eu tenho orgulho, foi influenciar a sociedade brasileira a acreditar que ela podia ter um presidente que saiu do meio do povo. E vou continuar influenciando as mulheres para que tenham consciência de que, a Dilma, foi só o primeiro passo, e que as mulheres podem muito mais — afirmou Lula. 

Ao final do encontro, o ex-presidente ressaltou que as mulheres precisam ter consciência de que elas podem cuidar do país. Ele agradeceu pelo gesto de solidariedade do movimento de mulheres. 

Como deter o avanço do fascista Bolsonaro

Por Celso Lungaretti, de São Paulo:

Bolsonaro é uma perigosa ameaça à nossa democracia
Bolsonaro é uma perigosa ameaça à nossa democracia
Às vezes me sinto como a Cassandra troiana, amaldiçoada com a indiferença do seu povo aos alertas que lançava, tão corretos quanto inúteis em termos práticos.
 
No segundo semestre de 2014, p. ex., eu já tinha percepção clara de que o novo mandato presidencial transcorreria sob aguda recessão. Tudo fiz para abrir os olhos da companheirada, no sentido de que Dilma Rousseff não tinha competência para administrar uma crise dessas e seu fracasso anunciado seria catastrófico para a esquerda brasileira. 
 
Vi como preferível, primeiramente, a candidatura de Marina Silva, pois, com ela no poder, a responsabilidade pelo desastre econômico ficaria ao menos diluída. 
 
Depois que Marina foi destruída pela mais torpe campanha de calúnias e falácias já vista na política brasileira, incentivei o Volta Lula!, pois ele, com todos os defeitos, ainda seria capaz de amenizar um pouco a devastação que se prenunciava. Mas, os petistas vacilaram miseravelmente, encaminhando-nos para a perda total.
 
Mal assumiu, Dilma jogou as promessas de campanha no lixo e empossou o neoliberal Joaquim Levy como ministro da Fazenda. Imediatamente lembrei que estava repetindo o erro de João Goulart, cujas tentativas de adotar a política econômica do inimigo sempre foram inviabilizadas pelo fogo amigo do Brizola e do PCB, lançando o país na confusão e preparando o terreno para a intervenção militar. Dito e feito, Dilma também acabaria sendo derrubada, desta vez não pelos tanques, mas por um peteleco parlamentar.

Tão logo a Câmara Federal aprovou a abertura do processo de impeachment, escrevi que a batalha no Congresso já estava perdida e o único contra-ataque com alguma possibilidade de êxito seria sua imediata renúncia, seguida pelo lançamento de uma nova campanha por diretas-já, unindo toda a esquerda. Mas, Dilma, sempre berrando que não iria cair, marchou de derrota em derrota até o mais amargo fim.

Fiz esta introdução porque novamente há um cenário horroroso se desenhando no horizonte e a esquerda está fazendo tudo errado mais uma vez.
 
Ao invés de depurar-se e reciclar-se como é inescapável após fiascos tão acachapantes como o de 2016, continua apostando no populismo, ao lançar uma campanha sebastianista pela candidatura de Lula que é simplesmente asnática: a direita, por via judicial, o fulminará quando bem entender.
 
E não percebe que, se o confronto for entre o populismo decadente do Lula e o populismo ascendente de Jair Bolsonaro, afinado com o espírito da era Trump, é o segundo que prevalecerá.
 
As lambanças do PT já levaram a direita ao poder. Se persistirem, acabarão conduzindo um fascista explícito ao Palácio do Planalto, enquanto quatro centenas de signatários de um manifesto altamente inoportuno ficarão tentando justificar sua estreiteza de visão política.
 
Eis os trechos principais de um artigo do Vladimir Safatle que dá uma boa noção do inimigo que temos pela frente:

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UM FASCISTA MORA AO LADO
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Por Vladimir Safatle
…poderíamos dizer que todo fascismo tem ao menos três características fundamentais.
 
Primeiro, ele é um culto explícito da ordem baseada na violência de Estado e em práticas autoritárias de governo. 
 
Segundo, ele permite a circulação desimpedida do desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados. O ocupante desses grupos pode variar de acordo com situações históricas específicas. Já foram os judeus, mas podem também ser os homossexuais, os árabes, os índios, entre tantos outros. 
 
Por fim, ele procura constituir coesão social através de um uso paranoico do nacionalismo, da defesa da fronteira, do território e da identidade a eixo fundamental do embate político.
 
Neste sentido, não seria difícil demonstrar todo o fascismo ordinário do sr. Bolsonaro. Sua adesão à ditadura militar é notória, a ponto de saudar e prestar homenagens a torturadores. Não deixa de ser sintomático que pessoas capazes de se dizerem profundamente indignadas contra a corrupção reinante afirmem votar em alguém que louva um regime criminoso e corrupto como a ditadura militar brasileira (vide casos Capemi, Coroa-Brastel, Paulipetro, Jari, entre tantos outros).
 
Bem, quem começa tirando selfie com a Polícia Militar em manifestações só poderia terminar abraçando toda forma de violência de Estado.
 
Por outro lado, sua luta incansável contra a constituição de políticas de direito, reparação e conscientização da violência contra grupos vulneráveis expressa o desprezo que parte da população brasileira sempre cultivou, mas que agora se sente autorizada a expressar.
 
Por fim, o primarismo de um nacionalismo que expressa o simples culto do direito secular de mando, algo bem expresso no slogan devolva o meu país, fecha o círculo.
 
Ora, o fato significativo é que a maioria da classe média brasileira, com sua semi-formação característica, assumiu de forma explícita uma perspectiva simplesmente fascista.
 
Ela operou um desrecalque, já que até então se permitia representar por candidatos conservadores mais tradicionais. Essa escolha é resultado de uma reação à desordem e à abertura produzida pela revolta de 2013.
 
Todo evento real produz um sujeito reativo, sujeito que, diante das possibilidades abertas por processos impredicados, procura o retorno de alguma forma de ordem segura capaz de colocar todos nos seus devidos lugares. Nesse contexto, a última coisa a fazer é acreditar que devamos dialogar com tal setor da população.
Faz parte de um iluminismo pueril a crença de que o outro não pensa como eu porque ele não compreendeu bem a cadeia de argumentos. Logo, se eu explicar de forma pausada e lenta, você acabará concordando comigo.
 
Bem, nada mais equivocado. O que nos diferencia é a adesão a forma de vida radicalmente diferentes. Quem quer um fascista não fez essa escolha porque compreendeu mal a cadeia de argumentos. Ele o escolheu porque adere a formas de vida e afetos típicos desse horizonte político. Não é argumentando que se modifica algo, mas desativando os afetos que sustentam tais escolhas.
 
De toda forma, há de se nomear claramente o caminho que parte significativa dos eleitores tomou. Essa radicalização não desaparecerá, mas é embalada pelo espírito do tempo e suas regressões. Na verdade, ela se aprofundará. Contra ela, só existe o combate sem trégua
 
Celso Lungaretti, jornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Náufrago da Utopia (Geração Editorial). Tem um ativo blog com esse mesmo título.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

 

Águas de Março estão aí

Val Carvalho

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o Março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos e a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção

 

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

 

Val CarvalhoCada dia nos deparamos com um oceano de péssimas notícias para o país e o povo brasileiro. Por isso é bom sabermos que 84% dos brasileiros acham que o país “segue rumo errado”, como apurou recente pesquisa. Claro que nesse universo cabem todas as correntes ideológicas, do PT aos neofascistas de Bolsonaro. Mas importa é que o governo golpista não consegue base social, só mesmo apoio da oligarquia financeira e midiática.

Lula, ao lado das mulheres do MST, faz uma 'selfie' na abertura da manifestação
Lula, maior líder popular do país, tem sido o alvo da ultradireita

Março desse ano vai repetir, com nova configuração política, o março do ano passado. As mulheres, os trabalhadores e servidores vão para as ruas contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos. E a extrema direita também vai se manifestar contra a corrupção, mas agora do governo Temer. Diante da evidente inviabilidade política de Temer, os protagonistas do golpe já se movimentam para substituí-lo. Por meio de um golpe dentro do golpe.

É o que ocorre com todos os golpes. E o golpe parlamentar-judicial-midiático contra Dilma também se afunda numa maior radicalização, em crescente ilegitimidade e mais violência contra as liberdades democráticas.

Março de luta

Alguns pensam na presidente do Supremo, Carmem Lúcia. Outros, na volta dos militares. Mas todas essas “alternativas” golpistas seriam para manter a mesma orientação ultraliberal, de arrocho dos trabalhadores e de entrega total do país ao capital estrangeiro.

O fato objetivo é que o golpe está se mostrando insustentável e a única saída já aceita até por setores da direita, como a Folha de S.Paulo, é a “volta da política”, o seja, eleições diretas. Mas caberá à força e unidade do movimento democrático e popular garantir que as eleições diretas não tenham veto a Lula, que sejam realmente livres e democráticas, caso contrário o impasse político vai continuar.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.

Mais de 400 integrantes da esquerda brasileira assinam manifesto pró-Lula

Chico Buarque e Lula confirmam realização de ato público na Lapa, Centro do Rio

Segundo o documento, a candidatura antecipada de Lula serve para “garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam

 

Por Redação – de São Paulo

 

Mais de 400 artistas, intelectuais e juristas, dentre eles o cantor e compositor Chico Buarque, o teólogo Leonardo Boff, o líder do MST João Pedro Stédile, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão (subprocurador da República) e o escritor Fernando Morais, lançaram, na noite passada, o manifesto intitulado Por que Lula? Eles pedem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lance, desde já, a sua candidatura à Presidência da República. 

Chico Buarque e Lula confirmam realização de ato público na Lapa, Centro do Rio
Chico Buarque e Lula são amigos de longa data

Segundo o documento, a candidatura antecipada de Lula serve para “garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam.” A partir de segunda-feira, o manifesto estará disponível na internet para que todos possam incluir sua assinatura no abaixo assinado. 

“Por que Lula? Porque ainda é preciso incluir muita gente e reincluir aqueles que foram banidos outra vez. Porque é fundamental para o futuro do Brasil assegurar a soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas. Porque o país deve voltar a ter um papel ativo no cenário internacional. Porque é importante distribuir com todos os brasileiros aquilo que os brasileiros produzem”, diz o manifesto.

Leia, adiante, a íntegra do manifesto:

Por que Lula? 

É o compromisso com o Estado Democrático de Direito, com a defesa da soberania brasileira e de todos os direitos já conquistados pelo povo desse País, que nos faz, através desse documento, solicitar ao ex-Presidente Luiz Inácio LULA da Silva que considere a possibilidade de, desde já, lançar a sua candidatura à Presidência da República no próximo ano, como forma de garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam. 

Foi um trabalhador, filho da pobreza nordestina, que assumiu, alguns anos atrás, a Presidência da República e deu significado substantivo e autêntico à democracia brasileira.  Descobrimos, então, que não há democracia na fome, na ausência de participação política efetiva, sem educação e saúde de qualidade, sem habitação digna, enfim, sem inclusão social. Aprendemos que não é democrática a sociedade que separa seus cidadãos em diferentes categorias. 

Por que Lula? Porque ainda é preciso incluir muita gente e reincluir aqueles que foram banidos outra vez. Porque é fundamental, para o futuro do Brasil, assegurar a soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas. Porque o país deve voltar a ter um papel ativo no cenário internacional. Porque é importante distribuir com todos os brasileiros aquilo que os brasileiros produzem. O Brasil precisa de Lula!

Os 10 primeiros

1. Leonardo Boff – Teólogo e Escritor
2. Fernando de Morais – Jornalista e Escritor

3. Eric Nepomuceno – Escritor

4. Leonardo Isaac Yarochewsky – Advogado e Doutor pela UFMG

5. Gisele Cittadino – Professora do Programa de Pós-Graduação em Direito da PUC-Rio

6. Eugenio Aragão – ex-Ministro da Justiça, Professor da Faculdade de Direito da UnB e Advogado

7. João Ricardo Wanderley Dornelles – Professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da PUC-Rio; ex-Membro da Comissão Estadual  da Verdade do Rio de Janeiro

8. Carol Proner – Professora da Faculdade Nacional de Direito – UFRJ

9. Chico Buarque – Músico

10. João Pedro Stédile –  Ativista Social, do MST e da Via Campesina

Lula propõe plano econômico de emergência para o Brasil pós-Temer

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia

 

Por Redação – de São Paulo

 

Diante do cenário de terra arrasada na economia brasileira, na crise que se ampliou após a cassação da presidenta Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou seus principais assessores para dar início a um plano econômico de emergência para 2018. Lula tem chances reais de voltar à Presidência da República, segundo todas as pesquisas de opinião divulgadas no último mês.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de opinião, começa a estruturar um plano emergencial para o país sair da crise

Líder em todos os cenários de intenção de voto, Lula prepara uma via alternativa ao beco sem saída em que o país se encontra, após a ruptura da Democracia. O petista pretende, agora, subir o tom da oposição contra as políticas do presidente de facto, Michel Temer. Em seus planos, está o lançamento do “programa nacional de emergência”, para o país sair da crise.

O ponto central da plataforma para 2018, caso haja eleições e o PT volte ao poder, será redução do desemprego. O Brasil amarga cerca de 13 milhões de desempregados. Segundo Lula, o quadro não será revertido sem crédito para a produção e o aumento no consumo das famílias.

Entre as propostas que Lula defende para debelar a crise está a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego. Pretende, ainda, reajustar em 20% o Bolsa Família e conceder aumento real do salário mínimo. Propõe, ainda, a correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual.

Lula e o PT não defendem mais a volta da presidenta Dilma. Mas a realização de eleições diretas, no prazo constitucional. Entre os colaboradores do plano econômico estão os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento na gestão passada.

Ciro diz que desistirá da candidatura se Lula disputar Presidência

Ciro Gomes vai tocando a campanha ao Palácio do Planalto, enquanto Lula decide se concorrerá ou não em 2018, se houver eleição

Apesar dos sinais erráticos, Ciro alimenta a curiosidade de jornalistas, dando um perfil do nome que escolheria para ministro da Fazenda. Disse que será “um empresário da produção”

 

Por Redação, com RBA – de São Paulo

 

Ex-governador do Ceará, o advogado Ciro Gomes (PDT) ainda não sabe se será candidato presidente da República em 2018. Embora tenha viajado por Estados brasileiros e concedido entrevistas na qualidade de pré-candidato, o ex-ministro da Fazenda do ex-presidente Itamar Franco segue adiante com seus planos sem muita firmeza.

Ciro Gomes vai tocando a campanha ao Palácio do Planalto, enquanto Lula decide se concorrerá ou não em 2018, se houver eleição
Ciro Gomes vai tocando a campanha ao Palácio do Planalto, enquanto Lula decide se concorrerá ou não em 2018, se houver eleição

— Vou cumprir a missão que o partido determinar que eu cumpra. E se for a de servir o Brasil como seu presidente, é com entusiasmo de jovem que vou abraçar essa causa — afirmou o ex-ministro da Integração Nacional. Ele atuou no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e deixou o cargo para se candidatar à Câmara dos Deputados.

Fatores imponderáveis

Apesar dos sinais erráticos, Ciro alimenta a curiosidade de jornalistas, dando um perfil do nome que escolheria para ministro da Fazenda. Disse que será “um empresário da produção” e que não poderia falar mais nada.

— Senão dou até o nome. Mas está desenhado. E o meu presidente do Banco Central será um acadêmico. Nada de executivo de banco na economia — prometeu.

Político experiente, de temperamento explosivo, Ciro avalia os rumos de sua candidatura e sabe que ela depende de fatores imponderáveis. O principal deles é seu ex-chefe imediato: Luiz Inácio Lula da Silva.

— Ciro já admitiu que só será candidato na hipótese de Lula não ser, e que não disputa com Lula. Com Lula candidato, acho que ele não concorre. Não vai fazer esse contraponto. Com o Lula fora, ele não apenas concorre como é uma candidatura muito competitiva — o analista político Antônio Augusto de Queiroz.

Sem Lula

Em conversa com jornalistas, Toninho, como é conhecido na Diretoria do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), acrescenta:

— (Caso Ciro seja candidato) vai assumir em certa medida as bandeiras que seriam da centro-esquerda, já que é muito difícil construir uma candidatura no campo do PT que não seja do Lula.

Em debate no Atlantic Council, instituto de pesquisas e debates internacionais, em Washington, em julho do ano passado, o próprio Ciro Gomes declarou:

— Com Lula, não quero mais ser candidato.

A também cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), considera que o tabuleiro do xadrez político ainda está se desenhando para as eleições do ano que vem. E, numa conjuntura de crescimento da direita, como se verifica hoje, “a esquerda vai ter que adotar certas estratégias para saber se é o momento de se dividir ou unir forças”.

— Se a esquerda fizer o jogo de se unir, ou o Ciro retira a candidatura, ou pode até ser vice do Lula, se Lula for candidato. Se ele entender que tem possibilidade de vencer com o Lula, acho que ele retiraria a candidatura, diante das forças à direita. Hoje, o PT não tem outro candidato que possa assumir a tarefa de ser candidato — diz Maria do Socorro.

Campo progressista

Outro fator que, para Queiroz, do Diap, deve ser levado em consideração é que Ciro é um nome forte numa composição, na disputa pelo campo progressista de centro-esquerda, desde que “amarrado a um programa”.

— É um nome muito interessante, porque não pesa sobre ele denúncia de corrupção, tem experiência política e administrativa, e se tiver compromisso com agenda. Mas se ficar solto, tem mais vocação liberal do que se imagina — disse.

O analista lembra que Ciro começou a carreira política no PDS (depois PFL e DEM), passou pelo PMDB e PSDB. Para Queiroz, sem estar “amarrado” a um programa progressista, Ciro pode ter posição mais liberal do que se espera. Inclusive na gestão da Previdência.

— Mas, dentro de uma composição de centro-esquerda e compromissado com ela, ele tende a cumprir os acordos. E com uma visão mais trabalhista, amarrada com a doutrina do partido dele – disse Queiroz.

‘Pau vai cantar’

Nesse caso, seguiu, “seria uma candidatura muito competitiva, com um discurso que, ao mesmo tempo, é considerado moderno. Não questiona a economia de mercado, e tem compromisso com uma proteção social”. E acrescenta:

— Tem a vantagem de saber dialogar com os liberais sabendo o que pensam, porque já foi do lado de lá. Passou em todos os partidos tradicionais, conhece bem a linguagem do mercado.

Em recente discurso aos pedetistas, Ciro Gomes afirmou, ao seu estilo, que, quando for presidente, não será derrubado.

Sou novinho demais para me matar, como Getúlio. E não deixarei ninguém fazer um golpe, como fizeram com João Goulart e com a Dilma. Chegando lá o pau vai cantar, comigo ninguém me derruba — conclui.

Lula lidera pesquisa; Aécio empata com Marina e Bolsonaro em 2º lugar

Lula

Na pesquisa, o primeiro cenário coloca Lula com 22,6% de intenções de voto. Senador Aécio Neves (PSDB) aparece em segundo

 

Por Redação – de São Paulo

 

Uma nova edição de pesquisa realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira, confirma levantamento da CNT/MDA, da última semana. Em ambos os estudos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito à Presidência da República, em todos os cenários apresentados.

Lula
Lula segue como o candidato preferido da maioria dos eleitores brasileiros e deverá vencer as eleições, caso aconteçam em 2018

Na pesquisa, o primeiro cenário coloca Lula com 22,6% de intenções de voto. Senador Aécio Neves (PSDB) aparece em segundo, com 12,9%, empatado com a ex-senadora Marina Silva (Rede), com 12,6%, e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) ficaria com 12,0%. O ex-ministro Joaquim Barbosa surge com 11,7% de intenções, Ciro Gomes, 4,9%; Michel Temer 3,8%, e Ronaldo Caiado 2,0%. Não sabe, 4,5% e votos brancos ou nulos, 13,1%.

Na hipótese de Geraldo Alckmin aparecer como o nome do PSDB na disputa, Lula também venceria. O líder petista lidera com 22,9%, seguido de Marina Silva, com 12,8%, Jair Bolsonaro, com 12,2%. Geraldo Alckmin tem 11,9%, Joaquim Barbosa, 11,5% e Ciro Gomes 4,7%. Michel Temer aparece com apenas 3,8% e Ronaldo Caiado, 1,9%.

A Paraná Pesquisas ouviu 2.020 eleitores de 146 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 12 e 15 de fevereiro de 2017. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.

Ensino superior

O dado novo desta última pesquisa é que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa desponta como favorito na disputa presidencial de 2018 entre os eleitores com ensino superior.

De acordo com a pesquisa, o ex-ministro teria 17,3% dos votos entre aqueles que têm ensino superior. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em segundo lugar, com 16,1%, e Jair Bolsonaro em terceiro, com 14,5%.

Lula convoca militância do PT à luta

Lula

No vídeo, Lula conclama aos filiados que compareçam, em massa, a estes encontros regionais

 

Por Redação – de São Paulo

 

Em vídeo divulgado pelas redes sociais, desde as primeiras horas desta sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convoca militância para uma missão até 2018. A de reconstruir o partido, destruído pelas investidas da extrema direita e os reflexos da Operação Lava Jato, que levou à prisão o ex-ministro José Dirceu, figura legendária no partido. O ex-presidente Lula, no vídeo, convida os filiados ao partido para que compareçam ao 6º Congresso Nacional do PT. E reforça: “Está na hora de levantar a cabeça”.

Lula
Lula, possivelmente voltará como candidato do PT em 2018, se houver eleições, com chances de alcançar um terceiro mandato pela legenda do PT

Em meados de Janeiro deste ano, houve o lançamento do 6º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores. A reunião nacional ocorrerá em junho e será precedido de etapas municipais e estaduais entre abril e maio. No vídeo, Lula conclama aos filiados que compareçam, em massa, a estes encontros regionais.

Assista ao vídeo:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=b9k0aKCFi4M]

 

Militância desperta

Lula convoca a militância à unidade e à luta contra o governo golpista e pela reconstrução da imagem da legenda.

— Eu trabalho com a ideia de que 2017 é o ano para recuperarmos a imagem do PT. Eu quero me dedicar de corpo e alma a reconstruir, no bom sentido, e a limpar a imagem desse partido — disse Lula aos filiados do PT.

Ele também desafiou as forças da extrema direita a questionar o legado petista à frente do governo.

— Esse partido tem muito mais virtudes do que defeito. Nós não fizemos tudo (no governo), mas ninguém fez mais do que nós — acrescentou.

Golpe no PT

Segundo Lula, o PT sofreu com um golpe que é resultado de uma concertação das elites brasileiras.

— Eles construíram um pacto, talvez o mais importante pacto que a elite brasileira já fez — denuncia.

O ex-presidente também criticou o atual bloco de poder que comanda o Executivo, referindo-se sempre ao “governo golpista” do presidente de facto, Michel Temer, e da direita.

— Se quisermos resolver o problema da economia, temos que voltar a incluir os pobres no orçamento da união. Eles estão tentando resolver a economia fazendo um ajuste em cima de quem não merece ajuste, que é o povo pobre e trabalhador deste país. Quando eu vejo eles destruírem a Petrobras que nós fizemos (…) eu acho que estamos retrocedendo ao longo da história. E nós temos que brigar agora — avalia Lula.

As distorções no uso da bandeira do combate à corrupção é outro tema caro ao ex-presidente.

— Não dá para em nome de combater a corrupção, você quebrar o país e a economia brasileira. Se tem um partido que batalhou pelo combate à corrupção, esse partido se chama Partido dos Trabalhadores e eu tenho muito orgulho disso — declarou.

Mais duas ações contra Lula caem por terra na Lava Jato

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)

Amaral prestou depoimento nesta na 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramita o processo contra Lula. Por cerca de três horas, na noite passada, o ex-parlamentar mostrou uma aparente “confissão”

 

Por Redação – de Brasília

 

Não bastassem a falta de provas no caso do triplex no Guarujá e o depoimento da empresa Granero, que nega qualquer irregularidade no armazenamento do legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em bens materiais, o juiz Sérgio Moro vê mais um processo contra o líder petista cair no vazio. De cinco inquéritos a que responde, no âmbito da Operação Lava Jato, restam apenas dois adiante.

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS)
O senador cassado Delcídio do Amaral (PT-MS) admitiu ter agido por vontade própria

Esta ação penal segue contra Lula e mais seis pessoas por suposta compra de silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. O senador cassado Delcídio do Amaral (PT-MS) agora apresenta uma nova versão dos fatos. Ele reiterou a tese contra Lula, mas não apresentou provas materiais e, menos ainda, assumiu o compromisso de dizer a verdade, e apenas a verdade.

Amaral prestou depoimento nesta na 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramita o processo. Por cerca de três horas, na noite passada, o ex-parlamentar mostrou uma aparente “confissão”. Afirmou, no entanto, ter sido uma “sandice” procurar a família do pecuarista José Carlos Bumlai. Ele o teria feito, supostamente, a pedido de Lula, para obstruir a Justiça.

Cerveró

A investigação com base apenas na delação premiada de Amaral, prestada à Procuradoria-Geral da República no último ano, sustenta que o ex-presidente atuou para comprar o silêncio de Cerveró. Tentava fazê-lo antes que fechasse um acordo de delação com os procuradores da República.

O ex-senador narrou a conversa com o ex-presidente em uma reunião no Instituto Lula, ainda em maio de 2015. Teriam conversado sobre a possibilidade de Cerveró comprometer a ele e Bumlai em uma eventual delação. De forma completamente genérica, Lula teria dito a Delcídio para “ver essa questão do Bumlai”.

O “ver essa questão” teria sido interpretado por Amaral como uma “ordem”. O ex-senador decidiu, então, procurar a família do pecuarista. Este, por sua vez, teria sugerido o pagamento de R$ 50 mil mensais de ajuda financeira à família de Cerveró.

Uma sandice

“É nesse contexto que entendemos ter ele atribuído ao ex-Presidente Lula uma frase para que verificasse o que poderia ser feito para ajudar a família de José Carlos Bumlai. Essa afirmação, não foi comprovada. Não configura qualquer tentativa de obstrução à justiça”, informaram os advogados de Lula, em nota.

A narrativa hipotética confirma que o ex-presidente não emitiu uma “ordem” efetivamente. Delcídio admitiu, em seu depoimento, total responsabilidade.

“Cometi a sandice de tomar essa atitude”, confessou.

A fragilidade do depoimento prestado nesta quarta vai além. Tenta envolver o ex-presidente. O senador cassado afirmou que teve “muitas conversas solitárias com o presidente Lula”. Mas não apontou uma testemunha, sequer, que confirmasse a sua versão.

“Delcidio ainda admitiu não haver testemunha dessa narrativa. Ele reconheceu não ter intimidade com Lula. Apenas proximidade política por ser líder do governo a partir do início de 2015. E foi nessa categoria que o ex-Presidente o recebeu”, reportaram os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.

Contratos

Delcídio do Amaral foi preso em novembro de 2015, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão ocorreu após o filho do ex-diretor da estatal, Bernardo Cerveró, apresentar aos investigadores um áudio de Amaral. Ele esteve com a família de Cerveró, negociando a “mesada” e, inclusive, incentivando uma fuga do ex-diretor à Espanha.

Em nota, Zanin e Teixeira afirmaram que as declarações “revelaram de forma inequívoca que ele tinha interesse próprio no processo de delação premiada de Nestor Cerveró”.

“Delcidio Amaral admitiu que se sentiu ameaçado em conversas com familiares de Cerveró diante da possibilidade de o ex-diretor da Petrobras delatar supostos recebimentos de propina por ele, Delcidio, em contratos que a Petrobras firmou com a Alston e a GE, e, ainda, por supostas contribuições ilegais relativas à campanha de 2006 para o governo do Estado do Mato Grosso do Sul”, publicaram.

‘Mesada’

Ainda, a defesa de Lula lembrou que em depoimento prestado também à Justiça de Brasília, o próprio ex-diretor Nestor Cerveró disse que Delcídio do Amaral tinha interesses próprios em suas investidas e que a negociação da “mesada” buscavam dissuadi-lo de delatar contra o próprio ex-parlamentar.

E não apenas Nestor Cerveró, como também a advogada do ex-diretor e seu filho Bernardo, confirmaram os interesses individuais de Amaral. Assim, tentou envolver o ex-presidente Lula na tratativa planejada pelo ex-senador.

“Todos os demais depoimentos colhidos nessa ação penal colidem com a versão de Delcídio e deixaram claro que Lula jamais fez direta ou indiretamente qualquer intervenção no processo de delação premiada de Nestor Cerveró, seja para impedir, seja para retardar o ato”, concluiu a defesa de Lula. 

Leia, adiante, a nota da defesa do ex-presidente:

Delcidio do Amaral foi interrogado nesta data (15/2) pelo juízo da 10ª Vara Federal de Brasília, no processo relativo à suposta “compra do silêncio de Nestor Cerveró”, sem ter assumido o compromisso de dizer a verdade.

Suas declarações revelaram de forma inequívoca que ele tinha interesse próprio no processo de delação premiada de Nestor Cerveró. Delcidio Amaral admitiu que se sentiu ameaçado em conversas com familiares de Cerveró diante da possibilidade de o ex-diretor da Petrobras delatar supostos recebimentos de propina por ele, Delcidio, em contratos que a Petrobras firmou com a Alston e a GE, e, ainda, por supostas contribuições ilegais relativas à campanha de 2006 para o governo do Estado do Mato Grosso do Sul.

Nestor Cerveró, quando ouvido como testemunha pelo mesmo juízo (8/11/2016), reconheceu, com o compromisso de dizer a verdade, que as investidas de Delcidio tinham interesse próprio – buscavam dissuadi-lo de delatar o próprio Delcidio. A advogada Alessi Brandão, que assessorou Cerveró no processo de delação, depôs na mesma data e confirmou o que foi dito pelo seu cliente. Na mesma direção foi o depoimento de Bernardo Cerveró, em 28/11/2016, na qualidade de principal responsável pelo processo de delação de seu pai.

‘Bazofia’

Hoje, Delcidio também admitiu em seu interrogatório fazer uso recorrente de “bazofia”, usando de afirmações que não correspondem à realidade. É nesse contexto que entendemos ter ele atribuído ao ex-Presidente Lula uma frase para que verificasse o que poderia ser feito para ajudar a família de José Carlos Bumlai. Essa afirmação, além de não comprovada, não configura qualquer tentativa de obstrução à justiça. Delcidio ainda admitiu não haver testemunha dessa narrativa. Ele reconheceu não ter intimidade com Lula, apenas proximidade política por ser líder do governo a partir do início de 2015 e foi nessa categoria que o ex-Presidente o recebeu.

Todos os demais depoimentos colhidos nessa ação penal colidem com a versão de Delcidio e deixaram claro que Lula jamais fez direta ou indiretamente qualquer intervenção no processo de delação premiada de Nestor Cerveró, seja para impedir, seja para retardar o ato.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira