Amigo de Temer conta história bem diferente a Moro para livrar Padilha

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos

Caso prevaleça essa versão do amigo de Temer, Padilha estaria distante dos fatos e caberia a Cunha, em última análise, responder por mais este crime

Por Redação – de São Paulo

A versão do empresário José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente de facto, Michel Temer, de que teria sido ‘mula’ do chefe da Casa Civil afastado Eliseu Padilha, não bate com o depoimento do ex-diretor da Odebrecht José Carvalho Filho. Ele teria autorizado o pagamento de R$ 4 milhões, dos R$ 11 milhões negociados, diretamente, com o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, num jantar com Temer e Padilha. Temer saiu da sala e deixou Padilha para negociar a divisão do butim, confessou o ex-executivo em sua delação premiada.

Quadrilha

Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data e dividem um histórico de negócios muito bem sucedidos
Temer e Yunes declaram-se amigos de longa data, com um histórico de negócios muito bem sucedidos

No repasse do dinheiro, Carvalho Filho disse aos investigadores da Operação Lava Jato, em uma versão vazada para a mídia conservadora, que um operador da Odebrecht levou uma parte dos recursos combinados ao escritório de advocacia de Yunes, em São Paulo. O mensageiro, porém, não era o doleiro Lúcio Funaro. Este seria ligado ao presidiário Eduardo Cunha, ex-deputado do PMDB fluminense. O ex-executivo foi chamado a depor, nesta sexta-feira, para explicar melhor a história de José Yunes.

Caberá ao preposto da empreiteira citar o nome do homem que transportou um pacote de dinheiro, supostamente, ao escritório de Yunes, no centro financeiro da capital paulista, em 2014, que procurou, espontaneamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) para detalhar, segundo seu ponto de vista, o trânsito de recursos obtidos de forma criminosa, da principal empresa que integrou a quadrilha montada para desviar recursos da Petrobras.

Dinheiro sujo

Yunes disse aos investigadores que Lúcio Funaro, ligado Cunha, deixou um pacote a seu escritório a pedido de Padilha. Garantiu, no entanto, desconhecer o conteúdo. Caso prevaleça essa versão, Padilha estaria distante dos fatos e caberia a Cunha, em última análise, responder por mais este crime.

Carvalho Filho admite a entrega do pacote e informa que continha cerca de R$ 1 milhão, em notas de R$ 100, segundo versão passada à mídia aliada ao governo. Mas quem levou o dinheiro ao escritório de Yunes foi um funcionário do Departamento de Operações Estruturadas (propinas). E ele não era Lúcio Funaro.

Quem citou Carvalho Filho à polícia foi Cláudio Melo Filho, em depoimento ao TSE na segunda-feira. Segundo Melo Filho, cabia a José Filho distribuir os R$ 4 milhões iniciais, do total de R$ 11 milhões, para o PMDB comandado por Michel Temer, nas eleições de 2014. Uma outra parte desses recursos foi entregue, segundo o ex-executivo, no escritório de Padilha, na capital gaúcha, alguns dias depois.

A história contada por Yunes foi negada também por Funaro, que também presta uma delação premiada à PGR. encaminhou ofício em que pede para prestar depoimento. Ele nega ter feito qualquer entrega no escritório do amigo de Temer. Seus advogados disseram a jornalistas que ele pretende processar Yunes por calúnia e difamação, pelas declarações prestadas, em juízo. Funaro está preso, em Curitiba, por determinação do juiz Sérgio Moro. Funaro admite que esteve, certa vez, no escritório de Yunes, mas a agenda não incluía um pacote milionário.

As respostas

José Yunes afirmou aos vários jornalistas que o procuraram, nesta manhã, por meio de seu advogado, que “jamais recebeu qualquer documento de algum representante da empresa Odebrecht”.

“(Yunes) não sabe, não conhece, nunca viu a pessoa de José Filho. A única pessoa que esteve em seu escritório foi o senhor Lúcio Funaro. Conforme esclareceu à PGR, José Yunes está à disposição para prestar qualquer outro esclarecimento. Inclusive uma acareação, conforme ele mesmo já se antecipou em dizer em sua declaração”, disseram os defensores, em nota.

José Padilha ainda não se manifestou sobre o assunto. Ele evita a pauta desde que Yunes falou à PGR. Quanto à delação de Cláudio Melo, em dezembro, negou qualquer irregularidade.

O advogado de Lúcio Funaro, Bruno Espiñera, diz que seu cliente “jamais foi operador da Odebrecht”. E “jamais foi levar dinheiro da construtora” no escritório de José Yunes.

Delatores entregam Temer na ação que determina a perda do mandato

Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina

Melo Filho detalhou o encontro realizado, em dezembro de 2013, no Palácio do Jaburu no qual participaram, além dele próprio, Temer, o ministro Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht

 

Por Redação – de Brasília

 

Ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho negocia uma redução na pena. Na delação premiada, em curso, Melo Filho confirmou ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin que o presidente de facto, Michel Temer, negociava propina com a empreiteira. Ele participou da reunião no Palácio do Jaburu e solicitou a Marcelo Odebrecht doações para o PMDB, na campanha de 2014.

Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina
Temer foi, novamente, citado na delação premiada de ex-executivo da Odebrecht, como receptador de propina

O ex-executivo confirmou todas as informações passadas no acordo com a Justiça. O depoimento foi prestado no âmbito da ação que investiga abuso de poder político e econômico na campanha presidencial de 2014, que poderá levar à cassação do mandato de Temer e dos direitos políticos da presidenta deposta Dilma Rousseff.

Jantar no Jaburu

Melo Filho detalhou o encontro realizado, em dezembro de 2013, no Palácio do Jaburu no qual participaram, além dele próprio, Temer, o ministro Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht.

— Eu participei de um jantar no Palácio do Jaburu, juntamente com Marcelo Odebrecht, Michel Temer e Eliseu Padilha. Michel Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as Campanhas do PMDB no ano de 2014 — disse o ex-diretor, perante o magistrado.

Em depoimento à Justiça Eleitoral na semana passada, Marcelo Odebrecht disse não se recordar de Temer ter falado ou pedido R$ 10 milhões diretamente. Mas o herdeiro da empreiteira confirmou o jantar no Palácio do Jaburu. E disse que o encontro era sobre tratativas para as doações ao PMDB nas eleições de 2014. Mas disse que não houve pedido expresso de valores por Temer.

Segundo Odebrecht, o encontro serviria para confirmar que parte da doação ao partido seria destinada à campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo. O pagamento foi acertado, segundo Marcelo, entre Cláudio Melo e Eliseu Padilha. De acordo com Marcelo Odebrecht, o acerto do valor foi feito depois da saída de Temer do local.

Via Eliseu

Ainda em seu relato para os procuradores da Lava Jato, Melo Filho relatou que parte dos pagamentos solicitados, cerca de R$ 4 milhões, “foram realizados via Eliseu Padilha, preposto de Temer, sendo que um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do Sr. José Yunes”, amigo de Temer e ex-assessor Especial da Presidência da República. Segundo o delator, os outros R$ 6 milhões pedidos por Temer teriam sido “alocados o Sr. Paulo Skaff”, ex-candidato do PMDB ao governo de São Paulo.

Sobre Padilha e o também ministro Moreira Franco, Melo Filho contou na sua colaboração que se valia dos dois peemedebistas para fazer chegar a Temer os interesses da empreiteira. Segundo afirmou, era de conhecimento de todos que Temer, historicamente, era o líder do grupo político do PMDB da Câmara.

— Resumindo, para fazer chegar a Michel Temer os meus pleitos, eu me valia de Eliseu Padilha ou Moreira Franco, que o representavam. Essa era uma via de mão dupla, pois o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha — delatou Melo Filho.

Também prestaram depoimentos ao TSE, ao longo do dia, até as altas horas da noite desta segunda-feira os executivos Hilberto Mascarenhas e Alexandrino Alencar. Mascarenhas foi chefe do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o Departamento de Propina da companhia. Ele processava e efetuava os pagamentos da contabilidade paralela. Já Alencar também foi diretor de relações institucionais da Odebrecht e vice-presidente da Braskem.

Novas acusações

O empreiteiro Marcelo Odebrecht não foi o único a declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que Eliseu Padilha, atualmente licenciado do cargo de ministro-chefe da Casa Civil, era operador financeiro do presidente Michel Temer. Em novembro do ano passado, Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, disse ao TSE que a empreiteira acertou com Padilha o repasse de R$ 1 milhão para Temer na campanha de 2014.

A informação foi prestada no segundo depoimento de Azevedo ao tribunal. No primeiro, realizado em setembro, ele afirmara que o dinheiro tinha sido destinado a Dilma, a cabeça da chapa, e era na verdade uma propina lavada na forma de doação legal.

Em resposta, a defesa da presidenta deposta comprovou, com a apresentação de dados bancários, que o valor irrigou a conta aberta por Temer na condição de candidato a vice-presidente. Desmentido nos autos, Azevedo pediu para depor novamente. Foi quando mudou completamente sua versão, para declarar que o dinheiro foi destinado a Temer. E, ao contrário do que dissera, nada tinha a ver com propina.

Azevedo disse ao ministro Herman Benjamin que combinou a doação diretamente com Temer, em uma outra reunião no Palácio do Jaburu. Depois, seguindo o modus operandi da quadrilha, tratou com Padilha a forma de pagar a fatura.

– E aí o senhor disse que comunicou à assessoria do vice-presidente? — perguntou o advogado Flávio Caetano, da defesa de Dilma no TSE.
– Isso, respondeu Azevedo
– Quem era a pessoa?, insistiu Caetano
– Padilha

Depoimento de Azevedo

Em 2014, Temer usou a mesma estratégia para pedir dinheiro às empreiteiras. Um de seus homens de confiança procurava as empresas. Depois, levava os executivos para uma reunião com o então vice-presidente. O acordo para o repasse de recursos era sempre sacramentado pessoalmente com Temer. Foi o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha que levou Otávio Azevedo ao Jaburu.

Na semana passada, Marcelo Odebrecht disse ao TSE que acertou previamente com Padilha a liberação de 10 milhões para o grupo político de Temer, antes de se encontrar pessoalmente com o peemedebista no Palácio do Jaburu. O depoimento de Marcelo complica mais a situação jurídica de Temer do que o de Azevedo.

Primeiro, porque ele reconheceu que a Odebrecht repassou dinheiro ao grupo de Temer por fora, um “extra” que nada tinha a ver com a doação legal da empreiteira ao PMDB, que foi de 11,3 milhões de reais em 2014. Segundo, porque, conforme Marcelo Odebrecht, Padilha sabia de antemão que o “extra” sairia de uma fonte clandestina de recursos

Temer e a OAS

As declarações reforçam os indícios de que a chapa Dilma e Temer usou dinheiro sujo para vencer a última sucessão presidencial.

Em 2014, Temer também recebeu uma doação legal de R$ 5 milhões da construtora OAS. O valor foi repassado depois de ele se encontrar, no Jaburu, com Léo Pinheiro, preso pela Lava-Jato. Em mensagens telefônicas interceptadas pela operação, Pinheiro dá a entender a Cunha que o dinheiro foi transferido em troca do empenho do PMDB na defesa dos interesses da OAS, concessionário do aeroporto de Guarulhos.

Na época da transação, Moreira Franco, braço direito de Temer, era o ministro da Secretaria de Aviação Civil.

As respostas

A defesa de Michel Temer não foi encontrada para comentar o caso.

O chefe afastado da Casa Civil Eliseu Padilha também não comentou as delações em que é citado. Apenas justificou, a jornalistas, o elevado número de viagens em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele falou à Comissão de Ética Pública da Presidência, que investiga o caso, alegando medida de segurança.

Padilha disse ter deixado de usar avião de carreira depois que os xingamentos ao governo aumentaram de tom.

Intenção da PGR de investigar Padilha tende a manter seu afastamento

Eliseu Padilha

Ao Ministério Público, Yunes disse que serviu de “mula” (intermediário, no jargão do submundo) para que Padilha viabilizasse o recebimento de um pacote de dinheiro em seu escritório

 

Por Redação – de Brasília e Porto Alegre

 

Chefe afastado da Casa Civil, o ex-deputado Eliseu Padilha deverá efetuar uma tentativa de voltar ao cargo, dentro de mais alguns dias, na tentativa de manter o foro privilegiado. Mas, talvez, não tenha essa oportunidade. Sua permanência no cargo fica cada vez mais difícil, após a Procuradoria Geral da República deixar vazar, para a mídia conservadora, a intenção de investigá-lo. Padilha foi citado no depoimento do empresário José Yunes, melhor amigo do presidente de facto, Michel Temer.

Eliseu Padilha
Eliseu Padilha, afastado da Casa Civil, disse que iria se submeter a uma cirurgia na próstata

Ao Ministério Público, Yunes disse que serviu de “mula” (intermediário, no jargão do submundo) para que Padilha viabilizasse o recebimento de um pacote de dinheiro em seu escritório, entregue pelo doleiro Lúcio Funaro. Apenas algumas horas depois de Yunes falar à imprensa, o chefe da Casa Civil pediu licença do cargo. Irá se submeter a uma cirurgia na próstata, como justificou sua viagem, na quarta-feira, a Porto Alegre.

Padilha mora na capital gaúcha, onde deverá passar, neste fim de semana, pela intervenção cirúrgica. Assessores Planalto, falando na condição de anonimato a um dos diários conservadores paulistanos, dizem que ele prolongará a licença. Em tese, ele retornaria a Brasília no dia 6 de março.

O pagamento de dinheiro da Odebrecht para Michel Temer foi entregue no escritório de José Yunes. Esta versão consta também na delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho. 

Base do PMDB se mostra insatisfeita com Serraglio e queda de Padilha

A escolha de Serraglio foi mal recebida na base aliada de Temer na Câmara

Aliado do presidiário Eduardo Cunha, Serraglio foi anunciado no início da noite passada, mas a decisão de Temer gerou uma forte reação na bancada do PMDB

 

Por Redação – de Brasíllia

 

A queda do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, na noite passada, apenas algumas horas depois de o presidente de facto, Michel Temer, enfrentar uma ameaça de rebelião na bancada do PMDB na Câmara, em protesto contra a escolha do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça, torna ainda mais volátil a situação política no país. Investidores e formadores de opinião acompanham com cautela a cena policial que se desenvolve cada vez mais próxima do Palácio do Planalto.

A escolha de Serraglio foi mal recebida na base aliada de Temer na Câmara
A escolha de Serraglio foi mal recebida na base aliada de Temer na Câmara

Aliado do presidiário Eduardo Cunha, Serraglio foi anunciado no início da noite passada, mas a decisão de Temer gerou uma forte reação na bancada peemedebista. Apesar de o partido cobrar mais espaço no governo, o nome do deputado criou mais problemas que soluções.

— Serraglio não é um nome da bancada. Se tentou construir uma unidade em nome do Serraglio, mas depois se fez a escolha sem o aval da bancada, e o presidente acenou com a liderança do governo para o PP. A bancada está muito insatisfeita — disse à agencia inglesa de notícias Reuters um parlamentar do partido. Ele preferiu não se identificar.

Assim que vieram a público as informações de que Serraglio seria o escolhido, as reações peemedebistas começaram. Vice-presidente da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (MG), declarou que iria “romper com o governo”.

— Tomei a decisão por causa da questão mineira. Minas tem sido preterido e tem sido muito correto com esse governo. Um Estado que não participa das decisões do governo, não pode também estar participando das votações do governo — afirmou o deputado.

Crise na bancada

Ramalho chegou a conversar com Temer por telefone, mas não mudou de posição. Disse que vai fazer uma “oposição consciente”, mas já avisou que a reforma da Previdência, tema central do governo, não irá passar “do jeito que está”.

Um parlamentar próximo a Ramalho disse que o deputado estava “jogando para a plateia”.

— Ele quis marcar posição — disse a fonte.

Nas conversas durante o dia, Temer se comprometeu a fazer uma reunião com a bancada de Minas depois do Carnaval. A intenção do presidente era mesmo anunciar Serraglio antes do feriado, depois de conseguir contornar a crise na bancada.

Apesar da avaliação de alguns de que é um problema restrito aos peemedebistas mineiros, outros parlamentares aproveitaram o momento de rebelião mineira para levantar outras insatisfações, como o questionamento do espaço do PMDB no governo.

Liderança na Câmara

O fato de Temer ter decidido indicar Aguinaldo Ribeiro (PP) para a liderança do governo na Câmara, no lugar de André Moura (PSC-SE), irritou deputados.

— Vai fortalecer demais o PP, que já tem três ministérios. Está crescendo e crescendo em cima do PMDB. Na véspera de um ano eleitoral, quando os deputados são candidatos — reclamou o parlamentar peemedebista

Na véspera, Temer se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, para “recuperar a relação” com Maia, de acordo com uma das fontes, e tentar resolver o xadrez de cargos no Congresso.

Maia, que havia se posicionado contra a criação de um líder da maioria, como pretendia o governo para ter mais cargos a distribuir e acalmar a base aliada, acabou acatando a ideia no encontro com Temer.

A vaga poderia ir para André Moura, que ficaria sem a liderança do governo. Mas, segundo o parlamentar peemedebista, o partido queria aproveitar essa brecha e despachar Aguinaldo Ribeiro para o cargo e ficar com a liderança do governo para poder entregá-la a Lelo Coimbra.

Isolado no Palácio

O Planalto, no entanto, pretende colocar Lelo na liderança da maioria, o que não acalmaria a bancada, segundo fonte.

— O PMDB está há muito tempo longe do núcleo político do governo. Já perdeu a Secretaria de Governo”, disse a fonte. “Isso não acalma nada” —avaliou.

O presidente viaja nesta sexta-feira para a Bahia, onde passa o Carnaval com a família na base naval de Aratu. Ao retornar, enfrentará a nomeação do ajudante nas Relações Exteriores, cargo vago com o pedido de demissão de José Serra. Trata-se de outra defecção marcante para Temer, que se isola cada vez mais no Palácio do Planalto.

Retirada de Padilha coloca Temer a um passo da queda para Lava Jato

Padilha

Yunes, que chegou a ser assessor especial da Presidência da República, foi citado na delação premiada de Claudio Melo Filho, da Odebrecht, e forçado a deixar o cargo. Ele foi citado porque R$ 4 milhões dos R$ 11 milhões pedidos por Temer à Odebrecht

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Principal capataz do presidente de facto, Michel Temer, na chefia da Casa Civil, o ex-deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) está afastado do governo. O tiro que o abateu partiu de onde ele jamais esperaria. Melhor amigo de Temer, o empresário José Yunes o delatou para a Polícia Federal (PF). E fez pior. Confessou sua participação no tráfico de propina à revista semanal de ultradireita Veja, porta-voz do grupo Abril que, junto com os demais veículos conservadores de comunicação sustentam o golpe de Estado, em curso no país.

Padilha
Padilha deixa o governo sob a suspeita de participar de um esquema de distribuição de propina para a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara

Yunes disse à revista que foi usado como “mula” de Padilha. Com o pleno conhecimento de Temer. “Mula” é um jargão do submundo das drogas. O termo se refere ao indivíduo que, conscientemente ou não, transporta droga em seu corpo, geralmente para outros países.

Yunes, que chegou a ser assessor especial da Presidência da República, foi citado na delação premiada de Claudio Melo Filho, da Odebrecht, e forçado a deixar o cargo. Ele foi citado porque R$ 4 milhões dos R$ 11 milhões pedidos por Temer à Odebrecht, em pleno Palácio do Jaburu, teriam sido entregues em seu escritório de advocacia. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira.

Padilha envolvido

Com a entrevista deste fim de semana, Yunes tenta se livrar da cadeia e transfere a responsabilidade para Eliseu Padilha. Compete, agora, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se for o caso, denunciar Padlha e impedir seu retorno à equipe de Temer. Eliseu Padilha pediu licença do cargo, alegando motivos de saúde. Teria que operar a próstata.

Aos jornalistas, Yunes afirmou que Temer, a quem trata como seu “melhor amigo”, tem conhecimento de que ele foi usado como “mula” por Padilha. Na entrevista, Yunes disse ter recebido Lúcio Funaro em seu escritório, a pedido de Padilha. No encontro, Funaro lhe contou que estava financiando 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados.

— Contei tudo ao presidente, em 2014. O meu amigo Temer sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre. Eu decidi contar tudo a ele porque, em 2014, quando aconteceu o episódio e eu entrei no Google e vi quem era o Funaro, fiquei espantado com o ‘currículo’ dele. Nunca havia conhecido o Funaro — disse Yunes.

Versão dos fatos

Yunes acrescenta que Funaro articulava uma estratégia para eleger uma bancada fiel a Cunha, na eleição à presidência da Câmara.

— Ele me disse: ‘A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo ser presidente’. Perguntei: ‘Que Eduardo?’. Ele respondeu: ‘Eduardo Cunha’ — afirmou.

Yunes decidiu falar depois que apareceu nas delações da Odebrecht. De acordo com o delator Cláudio Melo Filho, da propina de R$ 11 milhões acertada com Temer. Ao todo, foram R$ 4 milhões entregues no escritório de Yunes. Por isso mesmo, ele se antecipou e procurou também o Ministério Público para dar sua versão dos fatos.

Tais recursos foram acertados num jantar entre Michel Temer e Marcelo Odebrecht, no Palácio do Jaburu, em 2014, com a presença de Padilha. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira e ajudou a bancar a eleição de Cunha para a Câmara. Uma vez eleito presidente, Cunha passou a sabotar o governo da presidenta deposta Dilma Rousseff (PT) e aceitou o pedido de impeachment, sem crime de responsabilidade, abrindo espaço para o golpe de Estado que levou Temer ao poder.

Em apuros

Além de Temer, delatado por seu “melhor amigo” José Yunes, seu sucessor direto, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também está em situação ainda mais delicada. Maia foi delatado, nesta manhã, por Fernando Cavendish, dono da Delta Engenharia, segundo aquela mesma revista.

Em seu acordo, Cavendish afirmou que Maia recebeu R$ 3 milhões como contrapartida pelas obras da construtora no Engenhão – contrato obtido quando seu pai, Cesar Maia, era prefeito do Rio de Janeiro. O empreiteiro afirmou, ainda, que Maia levou ainda outros R$ 500 mil.

Primeiro homem na linha de sucessão presidencial, Maia também aparece nas delações da Odebrecht, como o “Botafogo”, e da OAS.
Delatado, ele se enfraquece para conduzir reformas impopulares, como a da Previdência, que pode deixar 70% dos brasileiros sem aposentadoria, segundo um estudo do Dieese. Maia ainda não se pronunciou sobre a denúncia feita por Cavendish.

Temer desiste de reforma ministerial para evitar confrontos na base aliada

Padilha

A reportagem do Correio do Brasil apurou que, após reunião com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), Temer voltou atrás da reforma

 

Por Redação – de Brasília

 

O envolvimento de integrantes do alto escalão do governo empossado após a deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT), após a deflagração do golpe de Estado, em curso no país, em investigações de fraude e corrupção reduziu a zero a intenção do presidente de facto, Michel Temer, de realizar a reforma ministerial prevista para os próximos dias.

Padilha
Padilha nega reunião com Temer sobre reforma ministerial. Mas o anúncio da mexida na equipe foi cancelado depois do encontro com o presidente de facto

A reportagem do Correio do Brasil apurou que Temer voltou atrás da decisão. Pensou bem, após reunião com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, Ele e seu chefe, citados na deleção premiada do executivo Marcelo Odebrecht, tentam evitar mais desgastes junto à base aliada.

Temer gostaria de montar uma equipe mais eficiente, mas teme as consequências de seus atos. Uma mudança, a esta altura, poderia comprometer o resultado da votação de projetos polêmicos e que retiram direitos dos trabalhadores, a exemplo das reformas da Previdência e trabalhista. Ambas estão prestes a desembarcar no Congresso.

— Reforma ministerial nunca foi objeto de discussão em que eu estivesse presente — desconversou Padilha.

Sem reforma

Temer pretendia realizar uma reforma ministerial logo após a posse dos presidentes da Câmara e do Senado. Agora, no entanto, diz que prefere não arriscar um desentendimento com a base aliada.

A reforma ministerial teria como objetivo primário se livrar dos ministros citados nas delações premiadas que seguem no âmbito da Lava Jato. Permaneceriam, no entanto, aqueles colaboradores mais próximos. Entre eles o próprio Padilha e o secretário sem pasta Wellington Moreira Franco.

Outros seis ministros de Temer foram obrigados a deixar o cargo. Estavam envolvidos em escândalos de corrupção ou nas denuncias de que o governo querer abafar a Operação Lava Jato.

Fim do sigilo nas delações atinge Temer, Serra, Moreira, Padilha etc

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Temer enfrenta, nas delações, a acusação de embolsar R$ 10 milhões em dinheiro vivo. O recurso teriam saído do departamento de propinas da Odebrecht

 

Por Redação – de Brasília

 

Procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot quer o fim do sigilo sobre as 77 delações da empreiteira Norberto Odebrecht. A decisão de liberar o conteúdo dos depoimentos foi comunicada a um grupo de senadores e deputados, durante encontro na PGR. Janot disse aos parlamentares que não há elementos legais que demandem o encobrimento das informações reveladas. Na prática, as delações da Odebrecht podem atingir, frontalmente, o presidente de facto, Michel Temer, e vários de seus colaboradores.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot
Procurador-geral da República, Rodrigo Janot quer liberar conteúdo de delações contra Temer

Temer enfrenta a acusação de embolsar R$ 10 milhões, que teriam saído do departamento de propinas da empreiteira, em dinheiro. O senador José Serra (PSDB-SP), que ocupa o Ministério das Relações Exteriores, é acusado de receber R$ 23 milhões em dinheiro sujo, depositado na Suíça. Braço direito de Temer, o peemedebista gaúcho Eliseu Padilha teria recebido R$ 4 milhões, em dinheiro vivo. E o ex-governador fluminense Moreira Franco, que assessora a Presidência da República, foi citado por receber propina em negócios ligados às concessões de aeroportos.

Temer e Padilha

Ex-presidente e herdeiro do grupo que leva seu sobrenome, Marcelo Odebrecht tem prestado uma série de depoimentos à força-tarefa da Operação Lava Jato. Na semana passada, confirmou a versão do ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho sobre pagamento de R$ 10 milhões ao PMDB feito a pedido de Temer. Odebrecht confirmou o episódio do jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Na ocasião, estavam presentes, além do então vice-presidente, o hoje chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Durante o encontro, segundo os delatores, foi acertado o pagamento para o peemedebista. Marcelo, que fechou acordo de delação premiada, depôs por pouco mais de três horas, em Curitiba. De acordo com procuradores, a delação continuou na véspera e deverá seguir pelas próximas semanas.

Aécio Neves

As delações negociadas entre a Odebrecht e a Justiça Federal atingem, ainda, integrantes do grupo que levou adiante o golpe de Estado, perpetrado em 13 de Maio deste ano. O senador tucano Aécio Neves (MG) defende-se das acusações de ter suas despesas pessoas pagas pela Odebrecht, por meio de seu marqueteiro, Paulo Vasconcelos, que trabalha com Aécio antes mesmo da campanha presidencial em 2014. Os pagamentos seriam feitos pela Odebrecht a uma das agências de publicidade de Vasconcelos, que pagava despesas de Aécio, como seu caixa informal.

— Em relação a Aécio, está tudo muito bem documentado — disse um dos investigadores a jornalistas.

Mas esta não é a única acusação que pesa contra o presidente nacional do PSDB. Neves já foi acusado por outros delatores da Lava Jato como um dos operadores do esquema conhecido como ‘mensalão tucano’ na estatal Furnas S.A. É investigado também na acusação de comandar esquemas no Banco Rural, instituição financeira que viabilizava, financeiramente, o esquema.

Bilhões

Nas contas dos procuradores da Lava Jato, o lucro da Odebrecht com a rede de corrupção armada junto aos Poderes Executivo e Legislativo, ao longo de décadas, rendeu à empresa perto de R$ 8,4 bilhões apenas na aprovação de duas medidas provisórias de 2006 a 2015. Os números finais da roubalheira ainda não foram fechados.

Segundo a delação premiada de um ex-executivo da empreiteira, o sucesso na votação de MPs representou o pagamento de, no mínimo, R$ 16,9 milhões em propinas a congressistas e doações a campanhas eleitorais. Segundo o delator, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), hoje líder do governo no Congresso, atuou ativamente no processo.

Dados divulgados na edição desta terça-feira do diário conservador paulistano Folha de S.Paulo, o levantamento “foi feito com base nas informações prestadas ao Ministério Público Federal por Cláudio Melo Filho, ex vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht”.

Melo Filho afirmou aos procuradores da Lava Jato que pagou por nove medidas provisórias aprovadas e convertidas em lei. Ele também forneceu mais detalhes de como funcionou o esquema de quatro delas.

Nafta

Na primeira, conhecida depois como “Lei do Bem”, a Odebrecht pleiteava isenção de PIS e Cofins na compra de matéria-prima (nafta). Objetivava, assim, a redução dos custos operacionais da Braskem, seu braço petroquímico. Naquele momento, a nafta representava 76% dos custos, de acordo com o balanço da empresa.

O delator informou, ainda, que o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Congresso, atuou ativamente no processo. Ajudou que as emendas apresentadas pela Odebrecht fossem incluídas e o texto final aprovado. Uma medida anterior fora arquivada e, em seu lugar, a MP 255 seguiu para aprovação do Congresso.

O ex-executivo testemunha que Jucá usou do seu apoio político e conseguiu aprovar a medida. Presidente da Braskem à época, Carlos Fadigas previu que a empresa poderia gerar ganhos extras. Algo perto de 3,65% em créditos junto ao PIS e Cofins com a compra de nafta. Isso, já descontando o imposto pago com a venda de mercadorias produzidas a partir da compra desse insumo.

Segundo cálculos da reportagem, com apoio de tributaristas, esse ganho foi de cerca de R$ 408 milhões apenas em 2006. Algo perto de R$ 774 milhões, hoje, em valores atualizados pela inflação do período. De 2006 a 2015, os ganhos acumulados foram de pelo menos R$ 3,5 bilhões. Ou R$ 6,9 bilhões em valores atualizados.”

‘Muito choro’

Na delação de Cláudio Melo Filho, uma das provas da propina destinada a Temer é um email de Marcelo Odebrecht (MO). A mensagem informa que os R$ 10 milhões pedidos por Michel Temer à empreiteira no Jaburu foram propina. No e-mail, Odebrecht revela que o pagamento a MT (Michel Temer) ocorreu depois de “muito choro”. E afirmou que este seria o último pagamento ao time dele.

Segundo os delatores, o dinheiro foi dividido com Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, e José Yunes, amigo e parceiro de Temer. E Eduardo Cunha, que, nas perguntas que tentou fazer a Temer, barradas por Sergio Moro, o questionou sobre essa doação.

“Marcelo não deu detalhes sobre a operacionalização do dinheiro que, de acordo com Melo Filho, foi feita por Padilha. Segundo o ex-executivo, o hoje chefe da Casa Civil determinou que parte dos recursos fosse entregue no escritório de José Yunes. Tratava-se do assessor e amigo de Temer, em São Paulo. Depois de citado, Yunes, que exercia um cargo de confiança no Palácio do Planalto, renunciou.

Temer, Padilha e Yunes negam ter praticado qualquer tipo de irregularidade e a empreiteira não se manifesta sobre o teor dos acordos. Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, concluídos os depoimentos, decidirá por homologa-los ou não. Zavascki prometeu trabalhar durante o recesso para dar conta do volume de processos.

Marcelo Odebrecht confirma cada palavra das denúncias contra Temer e parceiros

Padilha

Na ocasião, estavam presentes, além de Temer, então vice-presidente, o hoje chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Durante o encontro, segundo os delatores, foi acertado o pagamento para o peemedebista

 

Por Redação – de Curitiba

 

Ex-presidente e herdeiro do grupo que leva seu sobrenome, Marcelo Odebrecht falou à força-tarefa da Operação Lava Jato, na noite passada. Ele confirmou a versão do ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho sobre pagamento de R$ 10 milhões ao PMDB feito a pedido do presidente de facto, Michel Temer. Odebrecht confirmou o episódio do jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Padilha
Padilha foi citado nas delações premiadas de executivos da empreiteira Norberto Odebrecht, entre outras

Na ocasião, estavam presentes, além do então vice-presidente, o hoje chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Durante o encontro, segundo os delatores, foi acertado o pagamento para o peemedebista. Marcelo, que fechou acordo de delação premiada, depôs por pouco mais de três horas, em Curitiba. De acordo com procuradores, a delação continuou na véspera e deverá durar mais três dias.

Perguntas barradas

Na delação anterior, o delator Cláudio Melo Filho apresentou, provas da propina destinada a Temer, incluindo um email de Marcelo Odebrecht (MO). A mensagem comprova que os R$ 10 milhões pedidos por Michel Temer à empreiteira no Jaburu foram propina. No e-mail, Odebrecht revela que o pagamento a MT (Michel Temer) ocorreu depois de “muito choro”. E afirmou que este seria o último pagamento ao time dele.

Segundo os delatores, o dinheiroi foi dividido com Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, José Yunes, amigo e parceiro de Temer, e Eduardo Cunha, que, nas perguntas que tentou enviar a Temer, mas que foram barradas por Sergio Moro, o questionou sobre essa doação.

“Marcelo não deu detalhes sobre a operacionalização do dinheiro que, de acordo com Melo Filho, foi feita por Padilha. Segundo o ex-executivo, o hoje ministro do governo pediu que parte dos recursos fosse entregue no escritório de José Yunes, assessor e amigo de Temer, em São Paulo.

Temer, Padilha e Yunes negam ter praticado qualquer tipo de irregularidade e a empreiteira não se manifesta sobre o teor dos acordos.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, concluídos os depoimentos, decidirá por homologar, ou não, os acordos.

Moreira e Padilha estão prontos a deixar o governo após delações

Moreira Franco teria sido citado em uma conversa entre os donos da empreiteira OAS

Moreira estaria com a carta de demissão pronta e, no final da manhã desta quarta-feira, caiu também o assessor e amigo pessoal de Temer, José Yunes. Ele pediu demissão “em caráter irrevogável”, após ser citado nas delações premiada da Operação Lava Jato

 

Por Redação – de Brasília

 

Secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, o ex-governador fluminense Wellington Moreira Franco está com a carta de demissão pronta. Idem seu colega de governo, o chefe da Casa Civil do presidente de facto, Michel Temer, Elizeu Padilha (PMDB-RS). No final da manhã desta quarta-feira, caiu também o assessor e amigo pessoal de Temer, José Yunes. Ele pediu demissão “em caráter irrevogável”, após ser citado nas delações premiadas da Operação Lava Jato por receber propina da empreiteira Odebrecht. Apesar da saída imediata, Yunes nega as acusações.

Moreira Franco teria sido citado em uma conversa entre os donos da empreiteira OAS
Moreira Franco também foi citado em uma conversa entre os donos da empreiteira OAS

Yunes foi citado na delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Ele afirmou, em seu depoimento, que parte dos R$ 10 milhões repassados ao PMDB a pedido de Michel Temer para a campanha de 2014 teria sido entregue no escritório de Yunes, em São Paulo.

Renúncia

Com a renúncia de Yunes, chega a sete o número de integrantes do primeiro escalão do governo Temer a deixar o cargo em apenas sete meses, mantendo a média de um por mês. Fontes do governo disseram à agência inglesa de notícias Reuters que Moreira ainda não apresentou o pedido de renúncia a Michel Temer. Padilha, no entanto, teria conversado com Temer sobre os riscos de sua permanência na equipe, conforme adiantaram outras fontes, dessa vez à reportagem do Correio do Brasil.

— Padilha foi alvo de um ataque pesado nos últimos dias, com a descoberta de um arsenal, sem registro nas armas, em sua fazenda. E, agora, a delação da empreiteira (Norberto Odebrecht). Alguns segmentos políticos já começam a avaliar que a chance de explodir um novo escândalo é grande. Isso iria debilitar, ainda mais, o governo — disse a fonte ao CdB.

Odebrecht

A situação política do secretário Moreira Franco, identificado como ‘Gato Angorá’ na lista da Odebrecht, é semelhante à do ‘Primo’. Este foi o apelido de Padilha no Departamento de Operações Estruturadas da construtora. O setor era responsável por contabilizar as propinas milionárias distribuídas aos envolvidos no saque aos cofres públicos. Segundo as fontes da agência de notícias, a carta de Moreira é “uma formalidade”. Poderá servir para o caso de Temer acreditar que sua presença possa constranger, ainda mais, o governo.

Neste momento, a avaliação formal do Palácio do Planalto é que não há razões para a saída de Moreira ou do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Ambos foram citados pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, como arrecadadores do PMDB. Moreira Franco é um dos líderes do PMDB mais próximos a Temer.

O secretário-executivo do PPI divulgou uma nota curta, afirmando que não abandona lutas nas quais acredita.

“Estou dedicado a colaborar no lançamento das medidas microeconômicas e no fortalecimento do programa de concessões. Não abandono lutas quando acredito nelas”, disse Moreira Franco, segundo seu assessor.

Por um fio

“Os homens de confiança de Temer vão caindo um a um. Já foi Geddel, Yunes. Por um fio, Padilha e Moreira Franco #ForaTemer”, publicou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), no Twitter, nesta manhã.

Valente também comentou o pedido de demissão do assessor especial de Michel Temer, José Yunes: “Citado em delação da Odebrecht, assessor especial da Presidência da República pede demissão. Temer deveria seguir seu exemplo. Yunes que acaba de pedir demissão, constava nas questões de Cunha a Temer vetadas por Moro. Será que agora vão chamá-lo para depor na Lava Jato”.

Reforma da Previdência de Temer coloca idade mínima em 65 anos

Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles

A intenção inicial do Palácio do Planalto era fazer reuniões com as centrais, empresários e então com os líderes. Isso, antes de enviar o texto com a reforma da Previdência ao Congresso

 

Por Redação – de Brasília

 

O governo enviará na terça-feira ao Congresso o projeto de reforma da Previdência. O movimento ocorre após o presidente de facto, Michel Temer, e sua equipe apresentarem o texto a líderes da base aliada. A reunião estava prevista para as próximas horas, no Congresso, informou a Presidência da República.

Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles
Temer, ao lado do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o titular da Fazenda, Henrique Meirelles

A intenção inicial do Palácio do Planalto era fazer reuniões com as centrais, empresários e então com os líderes, antes de enviar o texto ao Congresso. O atraso para fechar o texto, no entanto, fez com que se pulasse essa última etapa de negociação.

Logo depois de apresentar a proposta aos líderes da base aliada, o presidente terá também uma reunião com as centrais sindicais. O secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, vai detalhar a proposta no encontro com os parlamentares. Mas o texto final deverá ser apresentado em uma entrevista na terça-feira, depois do envio ao Congresso.

Previdência

A reforma prevê, entre outros pontos, a definição de uma idade mínima única de 65 anos. Fica uma regra de transição a partir dos 45 anos para mulheres e 50 anos para os homens. Além disso, o tempo mínimo de contribuição subirá para 25 anos.

O governo pretende criar algum tipo de contribuição para a aposentadoria rural. Com isso, desvincular o reajuste de benefícios assistenciais do aumento do salário mínimo. A proposta que será enviada ao Congresso não deve mexer, por enquanto, na aposentadoria dos militares. Este é um dos pontos mais polêmicos da discussão. De acordo com uma fonte no Palácio do Planalto, o governo ainda planeja fazer alterações, mas em outro projeto.

Coordenador do grupo de trabalho que preparou a proposta foi o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Ele já afirmou que a reforma que será apresentada é “a possível”, e as regras terão que ser novamente revistas em 10 ou 15 anos.

‘Essencial’

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles disse, nesta segunda-feira, em evento em São Paulo, que a reforma da Previdência “é essencial”. Ele destacou que a expectativa do governo é que seja bem recebida no Congresso.

O Palácio do Planalto reconhece, no entanto, que terá uma dura batalha pela frente. Por isso, prefere esperar a aprovação em primeiro turno no Senado da Proposta de Emenda à Constituição que cria um teto de gastos para então enviar a reforma. De acordo com fontes do Planalto, a intenção era não dividir os esforços da base aliada entre os dois temas, bastante polêmicos.

A reforma da Previdência foi uma das principais promessas do presidente Michel Temer ao assumir o governo, ainda como interino. A intenção inicial era ter um projeto pronto em julho, mas o Planalto descobriu que a negociação seria muito mais difícil que o previsto.

Estimativas

Esta semana o governo põe no ar também uma campanha publicitária para explicar a reforma da Previdência à população. Apostam na ideia de que é preciso mostrar que, sem a reforma, as aposentadorias no futuro estarão em risco.

Estimativas do governo: os gastos com a Previdência passarão de 0,3% do Produto Interno Bruto em 1997 para estimados 2,7% do PIB em 2017. Atualmente, representam 40% do gasto primário do governo.