SP: detidos em protesto contra aumento de passagens são liberados

O Passe Livre divulgou nas redes sociais que todos os atos de terça-feira reuniram 30 mil participantes

 

A maior concentração de manifestantes ocorreu na região central, onde a passeata partiu do cruzamento das avenidas Faria Lima e Rebouças

Por Redação, com ABr – de São Paulo/Brasília:

As quatro manifestações simultâneas de terça-feira, convocadas pelo movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa no transporte público coletivo na capital paulista,  terminou com cinco pessoas detidas. Dois rapazes estariam com martelo, máscaras, luvas e um estilingue na mochila. Eles foram ouvidos na delegacia e liberados em seguida. Outros três suspeitos foram liberados ainda no local.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) informou que os dois foram conduzidos no início do protesto pela Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam) ao 14º Distrito Policial (Pinheiros).

Segundo a secretaria, ao final do protesto, um pequeno grupo que saiu das proximidades da prefeitura tentou interditar a Avenida Ipiranga, próximo à Estação República do Metrô. A PM atirou bombas para liberar a via. Três pessoas foram detidas por atear fogo em lixeiras.

A maior concentração de manifestantes ocorreu na região central, onde a passeata partiu do cruzamento das avenidas Faria Lima e Rebouças. Uma parte dos manifestantes seguiu até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Nos dois trechos, a polícia contabilizou 1,2 mil manifestantes.

Outras duas manifestações, convocadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), seguiram da estação Itaquera do Metrô até a estação Patriarca, na Zona Leste, e da estação Capão Redondo do Metrô até a Ponte João Dias, na Zona Sul. O Passe Livre divulgou nas redes sociais que todos os atos de terça-feira reuniram 30 mil participantes.

O Passe Livre divulgou nas redes sociais que todos os atos de terça-feira reuniram 30 mil participantes
O Passe Livre divulgou nas redes sociais que todos os atos de terça-feira reuniram 30 mil participantes

Secretaria

Em nota, a secretaria criticou, no entanto, a falta de antecedência na divulgação do trajeto das passeatas. “Apesar de os manifestantes divulgarem o trajeto com poucas horas de antecedência, prejudicando a população, que fica sem saber qual destino tomar para retornar para casa, além de deixar as autoridades com menos tempo para reorganizar o trânsito e as linhas de ônibus, a mobilização da PM garantiu que os atos ocorressem sem grandes problemas.”

Nesta  quinta-feira, o MPL informou que haverá nova manifestação contra o aumento da tarifa, desta vez, saindo do Terminal Parque Dom Pedro II, no centro, com concentração às 17h.

Mato Grosso do Sul

Em torno de 200 famílias integrantes do movimento Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) ocupam desde o final da tarde de terça-feira o lado brasileiro de uma área que pertence à Usina Itaipu Binacional e atravessa a fronteira com o Paraguai, no município de Mundo Novo (MS).

O terreno fica a cerca de 240 km da usina hidrelétrica e abriga o Refúgio Ecológico de Maracaju, uma área de proteção ambiental que se espalha por ambos os países. As cerca de 700 pessoas acampadas ameaçam derrubar a mata caso um representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não compareça ao local, segundo informou o próprio Incra.

A superintendência do Incra no Mato Grosso do Sul disse que enviou um representante para a região, mas ele só deve retornar nesta quarta-feira.

Os manifestantes chegaram a bloquear a BR-163 por uma hora e meia na manhã de terça-feira, mas liberaram a via após negociação com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Um grupo permanece acampado à beira da estrada, informou a PRF/MS.

Por meio de nota, a Itaipu Binacional informou “que está monitorando a situação do Refúgio Biológico de Maracaju”. Segundo a empresa, os manifestantes concordaram em se retirar da área após se reunirem com representantes da prefeitura de Mundo Novo, mas o Incra não confirmou a informação.

A liderança do movimento reivindica o assentamento das famílias e a reforma nas vias de acesso que levam a assentamentos já existentes na região, para poderem escoar a produção agrícola, segundo informou o Incra. Não foi possível entrar em contato com representantes do FNL.

Protesto contra reajuste de tarifas de transporte tem adesão do MTST

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participaram nesta terça-feira da nova manifestação do Movimento Passe Livre

 

 

A intenção do MTST é reforçar o protesto principal e ampliando os atos para mais dois endereços

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participaram nesta terça-feira da nova manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) contra o reajuste da tarifa de ônibus, metrô e trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). As passagens de transporte público na cidade subiram, no último dia 9, de R$ 3,50 para R$ 3,80.

A intenção do MTST é reforçar o protesto principal, marcado para o cruzamento das avenidas Faria Lima e Rebouças, na Zona Oeste, ampliando os atos para mais dois endereços: as estações do Metrô de Itaquera, na zona leste, e do Capão Redondo, na Zona Sul.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participaram nesta terça-feira da nova manifestação do Movimento Passe Livre
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participaram nesta terça-feira da nova manifestação do Movimento Passe Livre

Na segunda-feira à noite, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou nota lamentando o fato de não ter sido comunicada previamente pelo MPL sobre o trajeto da manifestação, marcada para as 17h de hoje. Segundo a secretaria, houve um comportamento diferente do MTST que enviou aviso das manifestações. O mesmo ocorreu em relação à Força Sindical, que faz nesta manhã um ato na Avenida Paulista para pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) a não promover nova elevação da taxa básica de juros, a Selic.

– Em respeito aos 12 milhões de habitantes que moram, trabalham e estudam na capital, a comunicação prévia deve ocorrer em tempo razoável para que seja feito planejamento viário e de segurança, de maneira a garantir a todos a plena liberdade de manifestação e o direito de locomoção. A comunicação prévia é exigência constitucional e fundamental para que as linhas de ônibus e o trânsito sejam reorganizados a fim de se adequar à manifestação, bem como para que seja feita limpeza prévia, retirando detritos – diz a SSP.

Segundo Luize Tavares, porta-voz do MPL, a informação sobre o trajeto a ser seguido no protesto desta terça-feira vai ser divulgada apenas no portal do movimento na Internet e não diretamente às autoridades. Os atos anteriores do MPL foram marcados por cenas de violência, confronto com policiais militares e quebra-quebra.

MPSP pede ao Passe Livre divulgação prévia do percurso de protestos

 

Segundo Márcio Rosa, o movimento manifestou disposição de comunicar qual será o trajeto previamente

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

Representantes do Movimento Passe Livre (MPL) compareceram nesta segunda-feira à reunião convocada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo para tratar do prévio comunicado sobre o trajeto das manifestações feitas pelo grupo para protestar contra o aumento da tarifa do transporte público, que passou de R$ 3,50 para R$ 3,80.

A primeira parte da reunião foi com dois integrantes do MPL, Viliane Pinheiro e Diego Soares, e a segunda, com representantes do governo estadual e da prefeitura de São Paulo. Na última quinta-feira, foi marcada uma reunião para tratar do tema, mas o MPL não enviou representantes.

– O trajeto de cada manifestação envolve uma tática diferente em cada ato, e vamos avaliar isso durante o período. Nesta terça-feira faremos uma manifestação e será anunciado. Vamos analisar o que está acontecendo no momento. Como somos um movimento que luta pelo transporte, e isso atende a várias categorias, não queremos decidir nada sozinhos. Decidimos com todos, e isso demanda tempo – disse Viliane.

Segundo Viliane, o trajeto não é um problema porque, durante as manifestações de 2013, o movimento avisou à polícia sobre o percurso, 40 minutos antes, e a organização foi feita pela polícia. “Achamos que o estado e a prefeitura querem desviar o foco do aumento abusivo da tarifa feito em plena crise econômica. Somos um movimento que milita pelo transporte e então aproveitamos o ensejo para cobrar posição e ação sobre a falta de transporte de qualidade.”

O promotor de Justiça do Estado de São Paulo Márcio Elias Rosa disse ter feito um apelo aos dois representantes do MPL para que, daqui em diante, as manifestações sejam precedidas de ampla divulgação do horário, local e trajeto. “Já temos o compromisso da prefeitura e do governo do estado de respeitar o direito de manifestação para evitar incidentes. O evento da quinta-feira mostrou que, quando há comunicação, o risco de incidentes é minimizado”, afirmou o promotor.

Segundo Márcio Rosa, o movimento manifestou disposição de comunicar qual será o trajeto previamente. “Como o MPL não é uma entidade constituída formalmente, eles argumentaram que não podem garantir que isso aconteça em todas as ocasiões, mas há disposição das lideranças para que isso ocorra.”

Segundo Márcio Rosa, o movimento manifestou disposição de comunicar qual será o trajeto previamente
Segundo Márcio Rosa, o movimento manifestou disposição de comunicar qual será o trajeto previamente

Sobre a recomendação de que o governo libere as catracas do Metrô para os manifestantes ao final do ato, ele reiterou que qualquer determinação desse tipo passa pela prévia comunicação sobre as manifestações para que as administrações públicas se adaptem para evitar situações de confinamento e confronto.

O promotor informou que tanto a prefeitura quanto o governo estadual mostraram interesse em promover rodadas de diálogo em torno da regulamentação do direito de manifestação no Brasil, já que não há lei que discipline o assunto.

Meninos, eu vi as jornadas de junho

Colunista conta sua experiência nas manifestações de junho 2013
Colunista conta sua experiência nas manifestações de junho 2013

Em 17 de Junho 2013, plena segunda-feira, encantada com o fervor da garotada que lutava pelo Passe Livre, fui às ruas apoiá-los, exigindo a queda no preço das passagens do transporte público, cujas empresas formam verdadeira máfia.

Fui também porque, nas manifestações anteriores, aqueles jovens haviam sido reprimidos por uma polícia eficiente contra o povo e deficiente contra o crime. Se a juventude é impedida de ter voz, pela mão autoritária de um Estado policialesco, como deslegitimar sua rebeldia?

Naquele dia, assisti, sob o ângulo da Cinelândia no RJ, uma festa da democracia com muitas bandeiras tremulando. As passagens caíram e, em 20 de Junho, fui novamente às ruas. Fui porque precisava ver com os meus olhos para agora dizer: “meninos, eu vi”. E ouvi. Gritos de “sem partido”, manifestantes desnorteados e antipartidários (o que é diferente de apartidários). Bandeiras vermelhas sendo rasgadas. Tudo o que era vermelho era rasgado. Havia uma bandeira azul, da Portela, tremulando desimpedida.

Fui para defender meu direito de protestar – o meu e o de todos os que nos dias anteriores foram impedidos. Mas aquele dia foi diferente. Conheci ali uma pessoa que não havia ido à passeata de segunda-feira – e era a primeira vez que ela participava de “qualquer coisa política”, segundo palavras dela, que nem desconfia que a política está na vida. Desorientada, ela não sabia o que estava fazendo ali. Apenas queria estar.

Conversei com ela, tentando convencê-la sobre a importância dos partidos políticos. Não sei se ela entendeu. Mas muitos ali não entenderam. Não satisfeitos em só rasgar, vi bandeiras vermelhas serem pisoteadas e foi uma das cenas mais tristes da minha vida. Não por serem vermelhas, mas por serem bandeiras.

Diversos veículos de comunicação deram destaque a uma foto de um sujeito mordendo que nem um louco a bandeira do PT. Se, nesses 10 anos no poder, o PT tivesse democratizado as comunicações, bandeira abandonada pelo ministro Paulo Bernardo, e se parte da militância petista não tivesse se afastado das ruas, talvez nada disso tivesse acontecido. Dilma, quando tinha mais ou menos a minha idade, encarou militares que esconderam os rostos. No pronunciamento da noite de sexta-feira, 21 de Junho de 2013, ela encarou com firmeza mascarados sem rumo, mas faltou criticar a ação de uma polícia que tentou calar jovens com métodos muito parecidos àqueles da ditadura.

O prédio do Itamaraty em chamas e a violência que se generalizou por todo o Brasil não podem ser colocados somente na conta dos manifestantes. Isaac Newton quando fez a lei da ação e reação certamente pensou que repressão gera pressão. Seria ingênuo demais achar que a massa atiçada nas ruas não iria dar nisso. O aprendizado da democracia é um processo demorado, mas merece ser processo sem volta.

Na quinta-feira, dia 20, levei um cartaz escrito “Quem tem medo da democracia?” Desci a Av. Presidente Vargas, junto com quase 1 milhão de pessoas, muitas sem saber por que estavam ali. Eu sabia. Queria saber quantos e quais se atrairiam por aquele cartaz. Todos. Descobri, naquele dia, o quanto a democracia é uma palavra prostituída: tanto na esquerda como na direita, poucos a entendem, e é por não entendê-la que a admiram. Até houve gente se oferecendo a me ajudar a carregar o cartaz.

No final, aquela pessoa que havia me dito que pela primeira vez participava de “qualquer coisa política”, me disse: “foi ótimo ter marchado com você”. Aquele termo – “marchado” – bateu como uma bomba no meu ouvido direito. Em 3 dias, a bela passeata que eu havia visto no dia 17 se transformou em marcha. Em 3 dias, um movimento legítimo, com causa, foi sequestrado e transformado numa geleia geral.

Geléia esta que foi se desfazendo através da ação violenta de mascarados, infiltrados, que leva grande parte da sociedade a legitimar a ação da polícia. Qual o saldo? A sociedade foi às ruas pelo direito de se manifestar, sem saber contra o quê. Hoje a sociedade fica em casa aplaudindo o circo que a PM monta a cada manifestação. De um ano para cá, o que se vê é um aparato repressivo sempre maior do que o número de manifestantes. Será esse o legado das jornadas?

Se quando as ruas gritam a repressão policial que se vê é de deixar os generais da ditadura corados de inveja nos túmulos para onde foram impunes, será que o Brasil está fadado à pasmaceira da política feita nos tribunais, pautada pela mídia? Será que o Brasil se entregará à política leviana dos que ficam sentados em casa dizendo que todos que estão na rua são fascistas? Até eu fui chamada de fascista por estar na rua fotografando, filmando, registrando. Mussolini deve estar até hoje gargalhando no túmulo por causa disso.

Há quem diga muita coisa – e dizer é muito fácil. Dizem que “essa juventude não tem mais o que fazer”. Essa juventude está fazendo política. De forma errada ou acertada, dependendo dos olhos de quem vê, é nas ruas que a política tem que ser feita. Dizem, sem provas, que o Movimento Passe Livre (MPL), responsável pelas primeiras manifestações em São Paulo, é um movimento pago. Dizem que os Black Blocks são pagos, como se os BBs fossem um grupo homogêneo.

O fato é: infiltrados e oportunistas existiram em toda a história da humanidade. Vão existir sempre. Mas o direito à manifestação é inalienável. E o povo, ao que me pareceu nos dois atos, não está disposto a perder as garantias constitucionais que nosso país conquistou com tanto sangue. O problema é que, na quinta-feira, dia 20, os que não foram na segunda acharam que podiam se apoderar de um movimento legítimo.

Eu me senti nitidamente tendo ido à passeata dos 100 mil num dia e à Marcha com Deus pela Família no outro. Progressismo na segunda, quando havia o foco na luta pela redução do preço das passagens; conservadorismo travestido de revolta na quinta, quando uma miscelânea de temas inundou a Presidente Vargas. A frase “O gigante acordou”, que ganhou força na quinta-feira, é reveladora. Parece tirada de um livro de história, que conta páginas negras. E se faz preocupante por repudiar aqueles que estão acordados há muito tempo.

A Veja publicou no sábado, 22 de Junho de 2013, uma capa com uma brasileira carregando a bandeira do Brasil em meio ao fogo. Decretava: “os sete dias que mudaram o Brasil”. É uma fixação que eles têm por esse negócio de “mudança”. Basta ver que fizeram uma capa dizendo que Joaquim Barbosa é “o menino que mudou o Brasil”. Mudou para onde?

O que eles e os mascarados querem mudar? Querem mudar o tom dos passos. Querem tirar o povo das ruas. Querem trocar Chico Buarque pela banda de música da UDN.

Vídeo 17 de Junho de 2013, a História na minha frente em 1 minuto: http://www.youtube.com/watch?v=X4Bdb21YghA

Ana Helena Tavares, jornalista, conhecida por seu site de jornalismo político Quem tem medo da democracia?, com artigos publicados no Observatório da Imprensa e na extinta revista eletrônica Médio Paraíba. Foi assessora de imprensa e repórter dos Sindicatos dos Policiais Civis e dos Vigilantes. Universitária, entrevistou numerosas pessoas que resistiram à ditadura e seus relatos (alguns publicados na Carta Capital e Brasil de Fato serão publicados brevemente num livro.

Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.

Debate sobre passe livre mobilizará o Senado após período de recesso

passe livre
Protestos de estudantes em frente a Alerj no último dia 24 de março pelo passe livre: novos protestos devem ser realizado na cidade

A Lei do Passe livre deve ser um dos primeiros debates a tomar conta dos corredores do Senado em agosto, quando as atividades voltam ao ritmo normal na Casa com o fim do recesso parlamentar. Pelo projeto, estudantes do ensino fundamental, médio e superior matriculados no país, podem usar o transporte público coletivo, como ônibus e metrô, sem pagar pelo serviço.

Apesar da grande expectativa sobre a aprovação, senadores querem mais tempo para avaliar o quanto, em dinheiro, significaria a gratuidade e quais fontes poderiam ser usadas para custear o direito. O autor da matéria, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), propôs que a gratuidade seja custeada com dinheiro dos royalties do petróleo, mas essa é a mesma fonte sugerida pelos parlamentares para garantir a melhoria dos serviços de saúde e educação.

O passe livre é um dos temas da agenda de trabalho que foi intensificada no Senado, desde o início das manifestações que ganharam as ruas do país. Os protestos, que começaram pelo aumento de passagens de ônibus, foram ampliados com críticas ao transporte público coletivo e a setores prioritários como o da educação e saúde.

A força dos manifestos pressionou autoridades em todo o país e, no Senado, alterou o ritmo de trabalho levando os parlamentares a votar projetos que tramitavam há anos sem solução e a incluir novas propostas para responder às reclamações populares. A promessa dos parlamentares, no segundo semestre, é continuar cumprido a agenda.

Além da gratuidade do transporte para estudantes, os senadores ainda devem concluir o debate sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece investimentos para a área. O projeto está no Senado, mas esbarra no impasse previsto em outra matéria que trata da fonte de recursos para esses investimentos. A proposta é que 10% do Produto Interno Bruto – indicador da riqueza produzida no país – sejam destinados à educação. Deputados e senadores precisam definir como garantir essa parcela.

As expectativas para agosto também se referem à emenda constitucional que cria a carreira de médicos de estado e a que destina 10% da receita bruta da União para a área de saúde. No plenário, os senadores aguardam a inclusão da proposta de emenda à Constituição que acaba com o voto secreto no Congresso Nacional para a cassação de mandatos, para que os debates sobre a questão avancem.

O fim do foro privilegiado em crimes comuns, ou seja, que nesses casos o julgamento não dependa apenas da decisão do Supremo Tribunal Federal, também compõe a lista de projetos esperados no segundo semestre. A proposta tem a adesão de alguns parlamentares, mas é critica por outros senadores, como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que defende a instância de julgamento para evitar que as decisões judiciais sejam influenciadas por autoridades. Ele tenta assegurar o foro privilegiado em uma proposta que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça, que prevê a perda automática do mandato de parlamentares que forem condenados definitivamente pela Justiça por improbidade administrativa ou por crimes contra a administração pública.

No esforço concentrado que marcou as últimas semanas no Senado, os parlamentares concluíram e encaminharam aos deputados projetos aprovados na Casa como o que transforma o crime de corrupção em hediondo e a PEC que exige ficha limpa para todos os servidores públicos e a que reduz o número de suplentes de parlamentares, proibindo, também, que esse cargo seja ocupado por parentes de deputados e senadores. Na última semana, a CCJ aprovou projeto que define voto aberto para eleição de membros da mesa e dos presidentes das comissões.

O ritmo intenso de votações também garantiu a aprovação de projetos que seguiram direto para a avaliação do Palácio do Planalto, como o que cria o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura e o que define normas de atendimento integral de mulheres vítimas de violência sexual pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os senadores também aprovaram as novas regras para divisão dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) – uma exigência do Supremo Tribunal Federal para garantir a distribuição mais equilibrada dos recursos. Apesar das negociações entre as bancadas regionais, nem tudo o que foi incluído na proposta deve ser mantido se depender do Executivo, que vetou o ponto do texto que definia a desoneração do fundo.

Periferia de São Paulo participa de manifestação

Manifestantes fizeram passeata nesta terça-feira na periferia da Zona Sul da capital paulista
Manifestantes fizeram passeata nesta terça-feira na periferia da Zona Sul da capital paulista

Manifestantes fizeram passeata nesta terça-feira na periferia  da zona sul da capital paulista. Segundo a organização do protesto, participam do ato cerca de mil pessoas. Eles reivindicam melhorias no transporte público, na saúde, nas condições de moradia e também protestam contra o que classificam como genocídio praticado pela polícia na periferia.

O protesto, que teve início às 7h, começou embaixo de chuva, com parte dos manifestantes partindo do metrô Capão Redondo. Eles seguiram em passeata e interditaram a Avenida Carlos Caldeira Filho, no sentido centro. Outra parte saiu do bairro Campo Limpo. Os dois grupos de manifestantes encontraram-se no meio do caminho, por volta das 9h, e prosseguiram em passeata. Outro grupo faz manifestação em Guaianazes, na zona leste da capital.

Segundo Gilson Alves Garcia, representante do movimento Periferia Ativa e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a ideia do movimento é pressionar o governo do estado. “A gente tem visto de perto o genocídio na periferia e a polícia, por um momento, havia recuado”, disse.

Outra reivindicação dos movimentos é o congelamento do preço dos aluguéis. “Cada vez que a região vai melhorando, o preço dos aluguéis vai subindo e as pessoas não conseguem ter uma moradia digna”, declarou Gilson.

O Movimento Passe Livre (MPL), que organizou os protestos contra o aumento dos preços da passagem de ônibus na capital, também ajudou a organizar o protesto de hoje. “A gente sempre apoia, e não é de hoje, a luta do MTST e do Periferia Ativa”, disse Caio Martins, militante do Passe Livre. “Estamos brigando por transporte público, e uma das regiões que mais sofrem com falta de transporte é a do M’Boi Mirim. Tiraram as linhas de ônibus e apertaram o povo numa linha pequena para beneficiar empresários do transporte”, disse Gilson.

O protesto dos jovens é legitimo

Os jovens iniciaram a onda de protestos a partir do aumento no preço das passagens
Os jovens iniciaram a onda de protestos a partir do aumento no preço das passagens

E se defendemos um serviço publico de transporte coletivo?

Já li até artigos falando de primavera brasileira! Incrível como algumas pessoas escrevem por vezes bobagens! Acho que o fato da leitura rápida e mastigada da internet, das redes como Facebook, ou a visualização de vídeos no Internet, nos leva às vezes a traduzir com rapidez noticias erradas, sem se preocupar de ir ao fundo da realidade.

Por exemplo, a comparação da primavera com o mundo árabe que estar em efervescência nos últimos anos não tem nada a ver com o que ocorre hoje com os países democráticos. As causas não são as mesmas! O Brasil, por exemplo, foi ditadura e os que lutaram contra a ditadura estão hoje no poder. Ninguém hoje vai ser preso, torturado ou morto por suas ideias! Não dar pra copiar movimentos espontâneos do mundo árabe, em geral sob regime de autarquias, ditaduras, com relações tribais que se conservam. Tampouco as democracias no mundo ocidental são perfeitas. Daí não se pode manipular os jovens árabes sobre a imposição de nossos modelos democráticos. As democracias ocidentais se fragilizam, por exemplo, diante do peso do poder econômico, do mercado que impõe aos governos eleitos democraticamente regras de governança de austeridade! Que obriga certos governos a se desfazerem de suas especificidades próprias como a questão cultural, entre outros serviços públicos não considerados como mercadorias e sim como bens comuns.

A direita brasileira, até hoje sem propostas concretas de boa governabilidade, tenta se aproveitar do movimento espontâneo que protesta contra o aumento das tarifas de transporte para manipulá-lo. Logicamente, eles têm nas mãos todos os meios de comunicação para alcançar seus objetivos! Na certa irão de artilharia pesada para o combate que se apresenta como ideal para sua rearticulação.

A presidente Dilma sente-se acuada diante da demultiplicação do movimento. A presidenta não quis regularizar a pluralidade dos meios de comunicações. Talvez, dizem alguns, porque ela pensava em conquistar o quarto poder comandado pela rede Globo! Hoje ela está na mira desta artilharia. Ver artigo que escrevi neste sentido no Correio do Brasil e republicado no site Brasil247. Não podemos garantir um debate livre de manipulações ou de direita ou de esquerda sem garantir a pluralidade de expressões.

Os protestos não seriam uma ocasião para os políticos de todas as tendências discutirem sobre as causas do aumento do custo de vida no Brasil? Sobre o caos dos serviços de transporte coletivos nas cidades brasileiras? Seria uma ocasião para os jornalistas alertarem à opinião pública sobre este caos. Abriria um campo de debate sobre a problemática de nossas desumanas cidades.

Até parece que certos jornalistas esqueceram que o Brasil é federalista, seus Estados são autônomos e podem regular sobre a política de transportes, basta buscarem e verificar as competências de cada poder. Quem regula os preços e como se dá a negociação? Com que critérios se definem os preços dos transportes coletivos?

A direita que governou durante muitos anos o Brasil e que teve maioria em todos os Estados sempre defendeu a privatização das políticas publicas. Já se esqueceram dos governos de FHC? A imprensa aliada do governo FHC passou uma imagem negativa dos serviços públicos. Logicamente que, no Brasil, estes serviços foram abandonados, mas como eles queriam privatizar tudo, passaram a dizer que todo serviço publico não presta. Para ter qualidade tem que privatizá-lo! Nenhum governante de direita defende um serviço público de qualidade, exemplo: de transportes coletivos de qualidade! Quem conhece a França sabe por que os franceses defendem, e, fazem greve pra preservar este serviço!

Quanto aos políticos de centro-esquerda, hoje no poder federal, e, em alguns Estados, eles não tiveram até agora vontade política de desenvolver verdadeiras políticas públicas, seja de transportes coletivos, seja de saúde, educação, ou de assumir uma defesa uma urbanização mais humana das cidades brasileiras. Uma Política Publica de transportes não quer dizer somente nacionalização, o governo municipal pode realizar concessões para o transporte privado, mas ele não pode fazer sozinho, o prefeito tem que se articular com o Estado, eles atuam em conjunto.

Eles podem fazer parcerias público-privadas, todavia, cabe aos governos federal, estadual e municipal desenvolver verdadeiras políticas setoriais que atendam melhor à população carente. Os estudantes, por exemplo, na grande maioria, dependem de transporte coletivo. O governo pode regular os preços.

O Estado deve ter um papel regulador no mercado? Perguntem aos adeptos dos governos de direita, dos que detêm o poder econômico e mediático se eles estão de acordo? Eis ai uma pista para o bom debate a ser lançado com os jovens que protestam e com toda a razão!

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil em Paris.

Protesto contra aumento de tarifa em SP não terá Tropa de Choque

Apesar da garantia do não uso de balas de borracha, os policiais poderão utilizar gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral
Apesar da garantia do não uso de balas de borracha, os policiais poderão utilizar gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral

Após reunião com líderes do Movimento Passe Livre (MPL), que vem organizando os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público na capital paulista, o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, informou que, para o novo protesto marcado nesta segunda-feira, os policiais não estarão equipados com balas de borracha, e que a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) não estará presente, mas estará de plantão, caso haja necessidade.

Apesar da garantia do não uso de balas de borracha, os policiais poderão utilizar gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Haverá, por sua vez, maior diálogo entre a liderança dos movimentos e o comando da PM. O secretário garantiu que estará em contato com o comandante-geral sobre as decisões tomadas em rua.

Além de três representantes do MPL, participaram da reunião, que durou uma hora e meia, três representantes do Ministério Público, além de integrantes de movimentos religiosos. Segundo Grella, ficou acertado que o trajeto a ser feito hoje pelos manifestantes será definido pouco antes do início da concentração, que ocorrerá no Largo da Batata, Zona Oeste da capital, às 17h. “Ficou acertado que a divulgação do trajeto será apenas no local da saída do movimento”, disse.

Segundo o promotor de Justiça, Urbanismo e Arquitetura, Maurício Ribeiro Lopes, o cumprimento do acordo entre a liderança dos movimentos e o comandante da Polícia Militar vai ser acompanhado pelo promotor de Justiça Mário Malaquias. Com relação à ocupação da Avenida Paulista, questão que teria intensificado o conflito entre PMs e manifestantes durante o último protesto, ficou combinado que ela poderá ser ocupada, embora o MP não concorde. “O Ministério Público ponderou a preservação da Avenida Paulista, por se tratar de uma artéria que liga a 30 hospitais da cidade. A liderança também ficou de ponderar sobre isso”, declarou.

Mayara Vivian, que faz parte da liderança do MPL, disse que a manifestação de hoje será pacífica. “A Secretaria de Segurança Pública se comprometeu de que não haverá repressão, de que a PM não vai repetir o cenário de guerra que a gente teve. Garantiu que não haverá prisões preventivas, como a gente teve nos outros atos”, disse.

Nas últimas quatro manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo houve confronto entre policiais e manifestantes. O último protesto, na quinta-feira, o mais intenso, terminou com 15 jornalistas feridos, segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Para a manifestação desta segunda-feira, a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de São Paulo (Arfoc-SP) está organizando o uso de coletes identificados por imprensa, para evitar que esses profissionais sejam novamente atingidos.

Haddad vai convidar Movimento Passe Livre para explicar aumento da passagem de ônibus

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou hoje (14) que o Movimento Passe Livre (MPL) será um dos convidados para a reunião extraordinária do Conselho da Cidade, na próxima terça-feira (18). No encontro, serão apresentados detalhes da composição da tarifa de ônibus, as despesas orçamentárias, com o subsídio das passagens, e os planos para a melhoria do sistema. O MPL terá oportunidade de expor suas propostas para o sistema de transporte público.

O Conselho da Cidade é um órgão consultivo formado por representantes dos movimentos sociais, entidades de classe, empresários, pesquisadores, artistas e lideranças religiosas.

O MPL organizou quatro manifestações contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, que começou a vigorar na semana passada. Além dos ônibus, de responsabilidade municipal, também foram reajustadas de R$ 3 para R$ 3,20 as passagens dos trens e metrôs, de competência estadual. Em todos os atos, houve confronto com a polícia e depredações.

Ontem (14), o confronto entre policiais militares e manifestantes foi o mais grave. Os conflitos resultaram em prisão de manifestantes, jornalistas feridos, depredações, além de denúncias de abuso policial, detenções arbitrárias e uso desproporcional de força. Uma nova manifestação está marcada para a próxima segunda-feira (17) no Largo da Batata, zona oeste paulistana.

 

Edição: Aécio Amado

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Erra quem pensa que a revolta é apenas por R$ 0,20

Milhares de paulistanos foram às ruas, nesta quinta-feira, protestar contra um sistema estúpido
Milhares de paulistanos foram às ruas, nesta quinta-feira, protestar contra um sistema estúpido

No Brasil, ninguém vai às ruas para protestar contra R$ 0,20 no aumento dos preços nas passagens de ônibus.

Na Turquia, pensam que uma multidão de milhares de pessoas protesta contra o corte de algumas árvores.

Na Grécia, imaginam que há uma greve geral devido à demissão de uns funcionários da rede estatal de TV.

Em Portugal, na Espanha, na Irlanda, ou em quantos outros países forem, os motivos evidentes de tanta revolta, como no Egito, na Tunísia ou nas guerras palestinas, são apenas os sinais aparentes de que há uma revolução mundial em curso. Há um rio caudaloso e surdo de insatisfação, de injustiça, de rejeição ao domínio do dinheiro sobre a razão humana de existir, que desaguou na crise mundial deflagrada em Wall Street, há cinco anos. Dali, deste Inverno no sistema capitalista, começou a Primavera Comunista no mundo.

Percebe-se o esgarçamento do capitalismo e fica evidente o jogo de força dos países que defendem este sistema em declínio, na contramão de um esforço mundial pela derrocada do egoísmo, da ditadura do capital.

O problema nunca foi o aumento de R$ 0,20 na roleta. A questão é mais grave. É a empáfia dos governantes de acreditar que milhões de pessoas, de brasileiros, de trabalhadores, irão aceitar que lhes sejam cobrados R$ 0,20 a mais por um serviço ineficiente, indigno, planejado apenas para aumentar a taxa de lucro das empresas concessionárias e de seus acionistas, contra os interesses de milhões de cidadãos que precisam ir e vir. A ótica é míope. E, o pior, acreditam – governo e ‘iniciativa privada’ – que a nação é formada por imbecis, incapazes de perceber a realidade dos fatos, a de que pretendem usurpar dos cidadãos o direito ao discernimento.

Os R$ 3,00 ou o que seja, pagos hoje em dia, já representam a última fronteira da paciência urbana. Ninguém mais aguenta dispensar não os poucos centavos cobrados a mais na passagem. Mas a passagem em si. O sistema está falido. A forma de pensar a sociedade, segundo a ótica de quem não se importa com os R$ 0,20 a menos no bolso, está em seus estertores.

O salário mínimo é mínimo demais para tanta riqueza que circula nas bolsas de valores. Os valores que defendem os meios conservadores de comunicação, as igrejas, os parlamentares alimentados com o soldo do conservadorismo estão reduzidos à preservação das fortunas daqueles que amealharam, quais piratas, as riquezas que pertencem a todos os seres humanos. Apenas por serem humanos.

Agora, diante do tribunal das ruas, no calor das manifestações, da revolta que arde desde Istambul à Avenida Paulista, os governantes colocados no poder sob a contemplação do sistema ora em colapso aciona seu braço de ferro. Balas de borracha e cacetetes, imaginam, serão os antídotos à História. Pensam que têm o poder de parar a revolução mundial com o sangue de heróis. Jovens heróis. Equivocam-se ao imaginar que jatos d’água e gases lacrimejantes serão suficientes para deter a determinação dos povos contra a injustiça social ou por uma sociedade mais fraterna.

Não perceberam que a Humanidade segue o seu curso. E ninguém é idiota.

Gilberto de Souza é jornalista e editor-chefe do Correio do Brasil.